07:45
- Quem temos aqui? – Ela perguntou, querendo alcançar as fichas dos doadores.
Malfoy ergueu-as, fitando-a com superioridade, crispando os lábios em um gesto de Vem pegar, sangue-sujo.
- Dois doares patéticos. – Respondeu, dando um passo a frente, com a intenção de intimidá-la.
Hermione, contudo, não se moveu. Apenas ignorou os centímetros que distanciavam seus corpos. E argh, seus rostos! Conseguia ver o nariz afilado de Malfoy, bem como a boca – entreaberta – e sem rachaduras. Haviam então, os olhos. Malditos olhos filhos da mãe! Por que tinham que ser tão estranhos? Desde quando ela queria que os olhos de Malfoy lhe dissessem alguma coisa?
- Imbecil. – Murmurou, como se ele não fosse capaz de escutar.
- Que seja. – Disse, indiferente.
- Gr.
- Eles já estão chegando, Granger. Relax... – Falara, colocando as fichas em cima de sua prateleira de pastas, pra poder tocar nos ombros da garota, como se quisesse massageá-la.
Detalhe: Ele realmente queria.
Ela retirou suas mãos com um falso sorriso de Já disse que te odeio?. Mas cada fibra gritante pelo restrito contato dos dedos e da palma da mão do loiro contra sua pele, de forma macia e suave, negava esse ódio.
- Que horas marcou a primeira entrevista? – Perguntara, desistindo e sentando-se.
- 09:30. – Respondeu. – O que há entre você e o Potter? – Dissera, bruscamente.
Ela arregalou os olhos e apenas cruzou os braços.
- Responde, Granger.
- Não preciso responder, Malfoy.
- Por que não o Potter?
- perdão?
- O Potter. Pra ser o doador... – Indicara, com certo desprezo.
- Somos amigos, não teria cabimento.
- E quanto ao Weasley? Vocês já saíram há algum tempo...
- Não quero que meu filho ou filha sejam como Rony. Quer dizer, respeito-o muito, mas... Ele é...
- Chato? Cansativo? Gay? Irritante? Pobre? Dono daquilo que alguns chamam de cabelo?
Ela apenas revirou os olhos.
- Vai a merda, Malfoy.
Ele sorriu.
- Que foi?
Desde quando Malfoy sorria?
- Nada. – Respondera, o sorriso desaparecendo de forma automática para dar lugar a uma expressão que de quem a considerava insana.
09:32
- Bom dia, Sr... – Ela pausara, encarando-o o homem a frente, como se ele lhe fosse familiar. Leu a ficha que Malfoy lhe entregara. – Finningan. – dera uma segunda pausa. – Espera... Simas Finningan? – Perguntara, relembrando seu colega de escola. – Nossa, quando tempo...! – Dissera, enquanto o homem a puxava para um abraço desajeitado.
- Eu é que digo, Hermione...!
Um imbecil, Malfoy classificou, e por mais que tentasse, não conseguia lembrar quem diabos era Simas na época de Hogwarts.
O homem a sua frente tinha os traços fortes, era bem branco, os cabelos em bagunça, de olhos quase negros, mas de alguma forma aqueles olhos não conseguiam ser comuns. Tinham um brilho próprio.
Hermione, acorda, é o SI-MAS! Ela tentou se convencer, sem sucesso.
O loiro ergueu-se, a fim de cumprimentar o tal cara.
- Draco Malfoy, chefe do St. Mungos. – Anunciou, apertando a mão do homem.
Só então Finningan notou que Hermione não era a única naquela sala.
Olhou-os como se não entendesse o que porquê de um Malfoy e uma Granger estarem trabalhando juntos.
- Não sabia que você fazia o tipo que doa o... hã...
- Esperma? – Simas completou, seguro. – Isso já faz tempo.
- Então, o que costuma fazer?
- Nada demais. Trabalhar no escritório e nadar. Às vezes jogo quadribol com uns amigos... – Falou.
- Quais seus gostos musicais?
- Por que todas essas perguntas?
- Processos burocráticos obrigatórios, Finningan. – Malfoy respondeu, fitando-o como se ele fosse um verme.
- sei. – O moreno falara, praticamente ignorando o loiro. – Odeio música clássica. – Disse. – Gosto de rock dos anos 80... – dera uma pausa. – e você, Mione?
Mione. Aquela pequena palavra contorceu o estômago de Draco Malfoy. O nome dela é Granger, ouviu?
Pela primeira vez algum doador havia interagido com a garota, o que a fez abrir um sorriso suave, quase de confissão.
- Os gostos da Dr. Granger são irrelevantes, Sr. Finningan. Atenha-se as perguntas. – Draco propusera, quebrando o contato visual dos dois.
- Você se considera uma pessoa responsável?
Quer sair comigo? Ok, Hermione não era tão corajosa a ponto de lhe fazer essa pergunta. Mas isso não significava que não quisesse.
- Não. – Simas respondeu, na mesma hora.
Hermione sorriu.
Malfoy teve vontade de lhe perguntar o que era TÃO engraçado naquele pateta, mas permaneceu em silêncio.
- Tem tatuagens?
- Ainda não.
10:00
- Não precisava flertar tão descaradamente com seu amiguinho, tsc tsc tsc... – O loiro começara.
- Eu sabia que viria um comentário desse. – Dissera, bufando.
- se sabia, então é verdade certo? Mas.. O Finningan? Francamente! O cara é um idiota...
- Menos idiota que você, eu garanto.
- Por que está defendendo ele?
- Não é uma questão de defesa. Você que é o imbecil paranóico aqui...
- Ah claro, você flerta com um perdedor e eu sou o paranóico. Você tem tooooda razão, Granger.
- Vai pro inferno, babaca.
- Por que está tão pê da vida, hã?
- Por que você tem que ser tão, argh, irritante? – Ela murmurou, controlando-se para não agredi-lo.
- Por que tem a necessidade de ficar dando em cima desesperadamente de todos os doadores?
- Eu não dei em cima de ninguém, mais que merda! – Pausara. – E não se percebeu, mas você está parecendo um namorado ciumento! Por Merlin!
- A única coisa que me interessa é a integridade das médicas do meu Hospital.
- O St. Mungos não é seu!
- Ele está sob meu comando, loooogo eu posso dizer que é meu.
- Mas não é.
- Sim, ele é.
- Não, ele não é.
- Sim, ele é...
- Não, ele não...
- Que seja, Granger. Por que tem que transformar tudo em discussão?
- Eu? Por Merlin, já parou pra pensar em quem começa os comentários sarcásticos e intensos?
- Acha meus comentários intensos?
- Às vezes... – Respondera, corando. – Mas no bom sentido... quer dizer, quando eu disse intenso eu quis dizer que, ah, você entendeu! – gaguejou.
