07:35
- Aonde está a Dr. Granger? – O loiro perguntou, educado.
A secretária da garota apenas revirou os olhos, respondendo um De folga, tsc tsc tsc.
Uma expressão de desconfiança de apoderou do rosto dele.
- Tem idéia de onde ela possa estar? – Perguntara, decidido.
A secretária revirou os olhos pela segunda vez, como se desse ao entender que todas as respostas eram óbvias.
- Cuidando do Potter, é claro. – Falou, e riu, gostosamente, quando viu seu chefe erguer uma de suas sobrancelhas.
Cuidando. Do. Potter. Que porra era essa? Desde quando Potter merecia cuidados? Desde quando ela e o Potter...? Imbecil, pensou, antes de aparatar.
07:36
Apesar da descoberta da noite anterior, ela sentia-se feliz, e com razão. Voltou a mexer o chocolate quente com delicadeza: aquele era o café da manhã predileto do Potter.
Até ouvir alguém tocar a campainha. Embora só fossem 7 e tantas da manhã, moveu-se até a porta, meio irritada.
- Malfoy? – Murmurou, como se ele fosse um alien, quando o viu.
O loiro tinha os olhos cerrados e intensos.
- O que faz aqui? – Perguntou, quebrando o clima de tensão.
- O que você faz aqui?
- Que eu saiba, esse é o meu apartamento. – Respondeu, abrindo a porta com cuidado e encostando-a.
- Não vai me chamar pra entrar? - Falou, com atrevimento.
- Por que eu faria isso?
- Tinha esquecido que é uma sangue-ruim sem educação.
- É, sou uma selvagem. Satisfeito?
- Não muito.
- O que raios faz aqui, Malfoy?
- Não tínhamos entrevistas a fazer?
- Na verdade, não. – Pausou, fitando-o feito um acéfalo. - Hoje é meu dia de folga..!
- É, mas pensei que usaria seus dias de folga pra se empenhar em achar o doador.
- Bem, você estava enganado. – Retrucou, segura.
- Por que está cuidando do Potter?
- Como ficou sabendo disso? – Havia choque na voz da castanha.
- Sua secretária. – Declarou, seco.
Então era verdade...?
- Estou cuidando porque gosto muito dele... – Dera um sorriso bobo, que fez Draco querer vomitar. – E porque ele é como um filho pra mim.
- Espera? Filho? Harry Potter é como um filho pra você? – Sussurrou, com nojo.
- Quê? – Falara, confusa. – Eu estava falando do James Sirius Potter, filho do Harry e Gina. – Declarara, sorrindo da expressão de entendimento do loiro. – Achou que eu estava... Hã, cuidando do H...
- Tia Mione! O que a senhora faz aí for... – Começara o pequeno garoto, de cabelos apontando pra todos os lados e olhos expressivos. – Quem é ele? – O garotinho voltou a perguntar, de cara fechada.
Ela riu, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o loiro se antecipou.
- Me chamo Draco Malfoy.– Dissera, estendendo a mão ao garoto.
- Está tudo bem, James. – Ela falou, encorajando o garoto. – Ele é um colega.
- Ele é um Malfoy! – O pequeno murmurou, de cabeça baixa e olhar de desprezo.
- E quem disse que um Malfoy não pode ser nosso amigo? – Ela sussurrou, de forma doce.
- Tio Ron. – O garoto respondeu, cruzando os braços com a aparência de quem seria capaz de enfrentar o oponente.
A criança pareceu pensar a respeito depois do olhar rígido da Granger.
- Gosta de jogar Halo?
- Se eu gosto de jogar? – Falara, petulante. - Eu sou o melhor jogador do mundo, tsc tsc tsc.
- Sério? – Os olhos do pequeno brilhavam.
07:40
- O que pensa que vai fazer?
- Eu não penso, Granger. Eu vou jogar.
- Você não tinha que estar no St. Mungos?
- Claro que não, é a minha folga.
- Ok. E não passou pela sua cabeça que isso está começando a ficar bizarro? – Dissera, sussurrando no corredor.
- Isso o quê? – Falara, sarcástico.
- Você jogando Halo com o James no sofá do flat.
- Bem, ele me convidou.
- E desde quando se importa? – Pausara. – Aliás, não tem nada melhor a fazer?
- Não. E eu gosto de crianças.
- Ah claro, você gosta de crianças e... Você o quê? – Murmurara, fazendo uma careta de descrédito. – Desde quando gosta de crianças?
- Desde sempre, sangue-ruim. – falara, fitando-a como se fosse louca.
- Que seja.
- Muito bem, Granger. Agora eu vou jogar, tsc tsc tsc – Completara, erguendo as sobrancelhas em desafio e jogando-se no sofá bem ao lado de James.
O garotinho sorriu do susto que levara do loiro.
- Pronto pra perder, Potter?
James fez uma careta e lhe sorriu em resposta: - Até parece...
08:30
- Ok, vocês estão jogando a praticamente uma hora! – Falou, com autoridade. – E você James, precisa comer alguma coisa...
- Só mais essa partida, Tia Mione...
Draco parecia quase tão concentrado quanto o garoto.
- É Granger, deixa de ser tão chata...
Ela revirou os olhos, p da vida, só então dando-se conta que a campainha estava tocando.
Moveu-se rapidamente até a TV, desligando-a, recebeu como resposta os gritos indignados dos dois seres.
- Não ousem ligar esse vídeo game. – Falou, enquanto abria a porta.
Lá estava o Weasley.
Fudeu.
- Rony? – Sua expressão era de choque.
O ruivo lhe sorriu, afetuoso.
- Já foi buscar o Jay?
Ela lhe sorriu de volta, sem ter como evitar.
- Harry e Gina vieram deixá-lo as 7 horas da manhã.
- OOOOW. Isso é que é vontade de fazer sexo e ficar com o flat livre...
- Idiota. – Xingou, tranqüila.
Até lembrar-se que James estava lá dentro jogando vídeo Game em seu sofá com Draco Malfoy. A simples imagem da situação a fez perder a cor no rosto.
- Então, não vai me convidar pra entrar? – Ele lhe perguntou, quase da mesma forma que o loiro aguado.
- Hã, na verdade, eu, er, quer dizer, James está dormindo. Por que não volta depois? – Sugeriu, com falsa animação.
- Está escondendo alguma cois... – Ele começou e não soube como terminar quando viu Draco Malfoy com seu – caralho, o seu afilhado favorito! – no colo, como se fossem parentes.
- Que merda é essa? – O ruivo praticamente gruniu, com ganas de esganar o inimigo graças ao seu sorrisinho filho da puta e cafajeste.
- Tio Ron! – O garoto disse, ao mesmo tempo, enquanto Draco o colocava no chão dando-lhe razões para correr na direção do ruivo.
E foi o que James fez, sem afetar o orgulho de Draco.
- E aí, campeão? – Rony foi capaz de dizer, um pouco menos pretensioso, abraçando o garoto de volta.
- Tio Rony, conhece o Tio Malfoy? – O garoto dissera, apontando para o de sorriso petulante, baixou a voz pra dizer, como se contasse um segredo mortal: - Ele é o melhor jogador de Halo... do mundo.
Draco ergueu uma de suas sobrancelhas e cruzou os braços como se assim dissesse Tá vendo, tsc tsc tsc?.
- O que ele faz aqui, Mione? – O ruivo resumiu-se a dizer, com a voz perigosa.
