- Eu já tô melhor, ok? Foi só um desmaio idiota. – Retrucou, irritada, levantando-se bruscamente para abrir a porta para o loiro agudado.
Abriu-a e acenou para que ele saísse.
Ele revirou os olhos, pouco ligando para o desprezo.
- Você disse que estava com raiva... "Por algo que eu não senti" - Começara, usando aspas na citação. – O que isso significa, Granger?
- Quando foi que eu disse isso? – Ela dissera, como se considerasse a si mesma uma louca.
- Na porta do banheiro, duas horas atrás quando... – Ele pausou, considerando se ela realmente havia esquecido de tudo. Não que esse tudo valesse grande coisa, afinal, fora apenas um amasso e uma conversa entre dois bêbados.
O problema é que ele, Malfoy, não estava – nem mesmo de longe – bêbado.
- Não se lembra? – Draco questionara, sentando-se com a impressão.
- Como assim? – Ela murmurara, confusa, voltando-se pra longe da porta e fechando-a lentamente. – Lembrar do quê? – Perguntara, confusa. – Da festa? Eu... Eu lembro... – Gaguejara, forçando sua mente a funcionar. Não reparou no sorriso que fugiu a boca de Malfoy. – Eu e o Ryan encontramos você e a secretária... Fomos sentar... Fui ao banheiro, e desmaiei na fila. Quer dizer, - Ela pausara, estreitando os olhos e jogando-se no sofá, cansada. – A última coisa que eu lembro foi quando cheguei na porta e vi uma fila gigante, aí pensei em esperar... E tudo fica escuro.
- Não acredito... – Ele falara, sarcástico. – E o resto?
- Que resto, Malfoy? – Ela perguntara. – E como me encontrou? Estava no banheiro também? E o que disse ao Ryan? Eu, nossa, não consigo lembrar...
Ele franziu o cenho, puto da vida.
- É, eu estava indo ao banheiro e a encontrei. – Murmurou, a contra gosto. – E não, eu não disse aquele cara.
- Espera... – Ela o cortou. – Não avisou ao Ryan e a sua vadia de luxo que ia me trazer aqui?
- Por que eu deveria?
- PORQUE ELES PODEM ESTAR PREOCUPADOS E AINDA ESPERANDO OU ACHANDO QUE... – Ela pausou, em cólera. – QUE ESTAMOS TRANSANDO NO BANHEIRO, CARALHO!
O loiro riu. RIU! Como ele podia ser tão cínico?
- Como se eu devesse satisfações a qualquer um deles, tsc tsc tsc.
- E como... – Ela respirou fundo, controlando a raiva. – Como conseguiu entrar no meu apartamento?
- Com a chave...? – Ele pontuou, alheio.
- TEM UMA CÓPIA DA CHAVE DO MEU APARTAMENTO?
Ele sorrira, divertido.
Ela ficava totalmente sexy histérica.
- Não, Granger. Peguei a sua chave, que estava no seu bolso...
- Que seja. – Ela reagiu. – Você tem que ir, Malfoy.
Ele levou uma das mãos ao cabelo, bagunçando-o.
- Posso ficar?
- Perdão?
- Ficar, Granger. – Pausara. – Não ficar com você. Ou estuprá-la no meio da noite. Só ficar. Durmo no chão, você nem vai sentir a minha presença... – Propusera.
Ela o observara como se tentasse ver através dos maldosos azuis acinzentados. Como ele podia passar de pervertido pra uma criança inocente e desprotegida em menos de meio segundo?
- Okay, okay. – Concordara.
- Está com sono?
- Na verdade, - Ela dera um suspiro. – Não. Me sinto enjoada.
- Posso imaginar... – Ele pontuara, já deitado – DEITADO! – no sofá de frente para o dela. – Tem Whiskey aí?
- O quê?
- Alcool, Granger.
- Por que quer saber?
- Whiskey me dá sono. E eu estou sem.
- Okay, que seja. Tem ali na estante. Mas eu não vou beber, que fique claro. E se você vomitar no meu carpete, vai pagar outro.
Ele sorrira e lhe piscara.
Pegara a garrafa da estante da garota e a deixara em cima da mesinha, enquanto transfigurava um copo com um grande M.
Ela continuara lá, deitada no outro sofá, apreciando a sensação das almofadas contra sua cabeça, que por sinal, explodia.
Poderia muito bem ir para o quarto passar uma longa noite de insônia ou vomitar o que parecia preso, mas veja, Malfoy, o imbecil por quem ela estava apaixonada – não somente atraída, mas apaixonada – estava ali, longe de Annie, longe das inimizades e longe do ódio. O que custava só ficar ali, próxima a ele? Okay, ela sabia que isto era perigoso e praticamente letal, mas não conseguia ir embora.
A voz dele criava uma sensação boa por dentro, apesar de a deixar tensa, e apesar do coração prestes a sair do peito, era o que acalmava seu mal estar e sua pseudo ressaca. E as ironias dele eram a única coisa ao alcance que conseguiam fazê-la sorrir e se distrair do problema que era estar apaixonada por ele.
Contraditório, ela sabia, mas eficaz.
E a idéia de que ele estava há dois metros dela, completamente a salvo das garras da maldita secretária que tinha jeito de atriz pornô, a deixava mais tranqüila com sua própria consciência e quase pronta pra dormir.
Ele bebeu, com satisfação.
- Aonde comprou essa garrafa?
- Sei lá... – Ela respondeu. – Acho que foi um presente do..,
- Potter? Weasley? Finningan? Krum? Ryan?
Ela sorriu, sentindo vontade de bater nele.
- ...Meu pai. – Respondera.
- Hmmm... Interessante.
- Tanto faz.
- Por que quer dormir aqui mesmo?
- Annie tem as chaves do meu flat.
- O quê? – Ela murmurara, de cara fechada. – Por quê?
- Achei que assim transaríamos mais...
- E transam? – Ela perguntou, sentindo-se uma masoquista.
- Hoho, muuuuito. – Ele respondeu, abrindo um sorriso. – Mas isso cansa.
Ela fizera uma careta.
- Não literalmente. – Ele consertara. - Não to dizendo que sexo cansa, só que... Se eu chegasse e ela estivesse lá, iria começar a falar, falar, fazer perguntas... Não tenho paciência pra isso. – Pausara. – As coisas estão indo rápido demais com ela.
Hermione permanecera em silêncio. Devia dar os parabéns? Aconselhá-lo? Chorar? Vomitar? Tudo parecia tão fodidamente idiota...
- Ela tem as chaves do seu flat, trabalha com você agora, estão saindo juntos em vez de só transar... – Ela começara, pensando no quanto conseguia ser burra. – Eu diria que isso é praticamente um compromisso... Certo? – E dissera o "certo?" como se perguntasse a ele, fitando-o de forma penetrante.
Hermione conseguia distorcer as coisas e talvez estivesse certa, ou talvez estivesse só o encurralando-o.
Mais cedo, na porta do banheiro ela demonstrara ciúmes em relação a ele e a secretária. Por que agora parecia muito mais sua irmã mais velha – se é que é possível ter uma irmã mais velha que possa ser considerada tão gostosa e ao mesmo tempo engraçada! -?
- Tanto faz, Granger. – Respondeu, dando um gole no Whiskey.
- Vocês passam muito tempo juntos? – Ela perguntara, sem saber que energia masoquista havia tomado conta de sua boca.
- às vezes. – Ele respondeu, meio frio. – Sinto vontade de dormir quando não estamos transando...
- ...O que significa que vocês transam... Tipo, todo o tempo? – Ela pontuara, fechando os olhos em seu sofá e querendo desaparecer.
Agora agüenta, Hermione. Ouvira sua mente implorar.
- Aham. – Ele dissera, querendo instantaneamente mudar de assunto.
Estava irritada pelo o que você nunca vai sentir. A frase que ela disser não saía de sua cabeça em nenhum momento. Isso era normal?
Podia também lhe fazer perguntas indiscretas sobre o que ela fazia ali com Ryan, se eles estavam saindo. Poderia lhe perguntar sobre o Potter ou Weasley. Ou quem sabe o imbecil do Finnigan.
Mas porra, estava exausto dos namorados da Granger. Ou dos amigos, que seja. Como se ele acreditasse em amizade entre duas pessoas de sexo oposto, tsc tsc tsc!
Ok, ele estava lá com a Granger. No apartamento dela. Sem nenhuma proposta de sexo. Mas aquilo era diferente. Ou não?
- Você... – Ele começara. – Hum, acha, quer dizer, acha que... Somos amigos? Não falo de amigos tipo você e o Finningan, falo de amigos tipo você e o... Potter. – Pronunciou a última palavra em uma careta, como se cuspisse "Potter!" e apesar da complexidade da pergunta, ela simplesmente esqueceu tudo o que ele dissera antes quando observou a careta de desgosto ao pronunciar o nome de Harry.
Draco Malfoy era bom nessas coisas. Digo, nessas coisas de fazê-la sorrir sem nem mesmo tentar.
- Granger? – Ele a chamou, esperando a resposta.
- Qual foi a pergunta? – Ela falara.
- Acha que somos amigos?
- Sei lá.
- Então não me considera seu amigo?
- Eu não...
- Mas somos colegas, pelo menos?
- Tanto faz, Malfoy... Diga-me você.
- Ok, você tinha razão...
- Razão sobre...?
- "Sei lá" é mesmo uma boa resposta...
Ela sorriu.
- Por que se importa com isso?
- Porque eu to começando a ficar bêbado...?
- Então você fica meio emocional quando fica bêbado? – Ela arqueou, alegre.
- Na verdade, - Ele pausara, tomando mais um copo. – Eu costumo ficar mais excitado. – Erguera uma de suas sobrancelhas, pensando em alguma coisa que ela mataria pra saber. – Ou talvez com você o efeito do álcool venha ao contrário, sabe. Em vez de excitado venha algo como mais emotivo... – Fizera uma careta, virando outro copo. – Mas eu preferia quando eu ficava só excitado, tsc tsc tsc.
- Talvez... Tenha haver com o meu jeito.
- Hã?
- É. Eu sou meio sei lá, metódica e puritana. Não faço o tipo que inspira sexo... Ou sei lá. É meu jeito estranho...
Ele riu, dessa vez ironicamente.
- Não tem nada de errado com você, Granger. – Falara, virando outro copo.
Isso fora um elogio?
Ele dissera de um jeito tão doce. Como Malfoy podia parecer doce?
Aquilo estava ficando inseguro e perigoso demais. Ela precisava sair dali antes que começasse a se apaixonar mais e... Fizesse alguma besteira.
- Eu, hm, já vou dormir ok? – Dissera, levantando-se.
Ele largara o copo e o Whiskey e voltara a deitar no sofá, fechando os olhos com força. Talvez estivesse – finalmente! – perto de ficar bêbado.
- Gosto de você, Granger. – Falara, como se a frase estivesse fugindo de um país em ruínas e em constante guerra.
- Claro que gosta. – Ela concordara. – E com mais 10 copos você me pede em casamento... Tsc tsc tsc.
- Não, é sério.
- Tanto faz, Malfoy. Boa noite.
- Boa noite.
Na manhã seguinte.
Telefone tocando. MERDA! MERDA! Por que raios o telefone estava tocando tão cedo? Aliás, desde quando ele tinha telefone?
Malfoy abriu os olhos a contra gosto, gemendo de dor de cabeça.
Que lugar era esse em que estava?
MERDA! Gemeu de novo, pronto pra pisar em cima do telefone que tocava de forma tão irritante. CARALHO, PARA DE TOCAR! Gemeu, mentalmente.
E assim que achou o aparelhinho, atendeu-o.
- Quem é?
- Malfoy? – Uma voz masculina do outro lado murmurara.
Hã?
- Seja lá quem for, ligue mais tarde.
- Passa pra Herms.
- Não! – Respondeu, como se fosse óbvio. – Ela deve estar dormindo, ô imbecil...
- Duvido que esteja, são 11hs da manhã... E o que faz atendendo esse telefone? – A voz, que ele não fazia idéia de quem fosse, falara.
- Eu devo satisfações da minha vida porque...? Ah, espera, eu não devo satisfações da minha vida, tsc tsc tsc.
- Dá pra passar esse telefone pra Herms?
- Eu tenho cara de secretária partic...
Sentira uma mão tomar o telefone da sua. Fora uma garota, sorrindo.
O que era tão engraçado, hein?
- Oi, Harry! É, é, eu sei... – Ouvira-a falar. Hmmm, então era o Potter no telefone? Por que raios ele idiota ligava tanto? – Aham, não, até parece... Foi, que seja. Preciso desligar ok? Beijos. – Ela encerrara, olhando pra ele de forma divertida. – Como se sente, Malfoy?
- Uma bosta. – Ele gemeu. – O que tinha no Whiskey que eu tomei ontem?
- Sei lá... Provavelmente deve ser um Whiskey de qualidade ruim e forte, talvez meu pai quisesse me mostrar o poder de uma ressaca após eu bebê-lo... Mas felizmente você me fez esse favor.
- Hm... – Ele voltou a gemer, sentindo sua cabeça latejar. – Caralho...
- Escuta, tem café e panquecas [?] aí. Não sei você gosta de panquecas, mas se quiser algo melhor tem uma Starbucks há um quarteirão... – Falara, levantando-se do sofá a procura de algo.
- Aonde vai? – Ele murmurou, erguendo-se.
- Tenho um almoço na casa dos Weasleys. Aliás, já estou atrasada...
- E vai me deixar aqui sozinho?
- Ah é, esqueci que você só tem 12 anos... – Ela ironizou, sinalizando aonde era o banheiro e indo em direção a porta.
- Quem se importa com os almoços na casa dos Weasleys? – Ele pausara, irônico. – Se você não for vai ser melhor pra eles, assim sobra alguma comida. E só Merlin sabe a miséria que eles devem estar passando...
- Idiota. – Ela murmurou, balançando a cabeça.
- Que foi? Eles por acaso são ricos?
- Não, mas...
- Ahá! Então estou certo.
- Eu não vou discutir isso com você.
- Claro que não, você não agüenta assumir que eu estou certo...
Ela revirara os olhos.
- Quer mesmo falar sobre quem não agüenta as coisas?
- Foi impressão minha ou isso teve duplo sentido?
- Grrr. Eu estive falando de você não agüentar AS BEBIDAS! Entendeu?
- Ah. – Ele fingiu desapontamento. – Isso. – Pausara. – E está mais do que óbvio que você me embebedou.
- Perdão?
- Você ouviu.
- Por que eu faria isso?
- Eu sei lá!
- Não tenho culpa se você só faltou dizer que me ama enquanto estava porre.
- É por isso que o estado é de "porre", Granger... Quando dizemos coisas que não pensamos...
- Ah, é? Ontem você parecia BASTANTE nisso...
- Ontem você deu uns amassos em mim!
- Quê?
- É, você pode não lembrar minha cara, mas na porta do banheiro... Isso aconteceu ok? Eu ia fingir que não, mas eu não vou ser hipócrita...
- E você me agarrou?
- Não, vou me agarrou.
- Ah ta, porque é totalmente o meu perfil agarrar pessoas, tsc tsc tsc..
- E por acaso é o meu?
- "Por acaso?", você nem precisa de acaso, Malfoy!
- Tanto faz. – Ele revirou os olhos, como se a partir deste gesto estivesse dando a discussão por encerrada. – E aliás, - Pausara, sério. – Eu vou com você.
