II
A mansão esplendorosa erguia-se no meio da vegetação cortando abruptamente o padrão verde do mato. O muro alto amarelado impressionava não apenas por seu tamanho, mas também pelo poder de fazer qualquer um sentir-se insiginificante perante sua imponência. Ao se atravessar o pesado portão de ferro, o que seguia era um magnífico jardim florido, comparável aos dos grandes palácios da Europa Medieval.
Quanto mais se avançava pela grama verdejante, maiores e mais coloridos tornavam-se os arranjos florais. A entrada do palacete, guardada por duas estátuas ferozes de leões alados com ameaçadoras presas, compreendia uma escadaria de mármore pálido como a pele de um cadáver, talvez o mais fino mármore do mundo. O corrimão do mesmo material era adornado por entalhes clássicos que contavam grandes aventuras épicas ao longo da subida, que encerrava-se frente a uma enorme e pesada porta de carvalho com detalhes talhados em ouro, num tom de perfeita harmonia com o amarelo pastel das paredes e o branco das janelas não menos enfeitadas. Em cada um dos seis andares construídos havia dezenas delas, desorientando aqueles dispostos a perder seu tempo tentando contá-las. Do tamanho de uma criança, envoltas em molduras renascentistas, uma diferente da outra, davam a impressão – e apenas impressão – de que a mansão estava aberta a todos. Por trás dos vidros meticulosamente limpos, cortinas brancas de cetim balançavam lenta e delicadamente, contrastando com a agitação do interior da casa.
O salão de entrada maquiava-se de quadros de pessoas importantes de todas as épocas, como se cada uma competisse para ver quem era o mais nobre e pomposo. O mesmo mármore imaculado das escadas do exterior cobria a lareira ao fundo do amplo aposento, as colunas de sustentação estilo jônico e as escadas para os andares superiores – estas forradas com tapetes de veludo escarlate. Corredores largos e sinuosos, porém não menos belos e enfeitados, postos nas laterais da sala, abriam caminho para uma infinidade de aposentos quase sempre trancados à chave. O segredo é a melhor maneira de se proteger aquilo que tem real importância. Nem mesmo as centenas de empregados tinham acesso aos misteriosos cômodos, apelidados por eles de "câmaras do Diabo", justamente por guardarem o temido desconhecido. Ali, mais do que em qualquer outro lugar, o pior medo era daquilo que não se conhecia.
O lustre antigo que pendia do alto teto do hall de entrada mantinha-se intocado mesmo com o passar de tantos séculos. Continuava iluminando o ambiente graças a um tipo de velas especiais, feitas sob medida para o formato de suas redomas de vidro enfeitadas. Apesar da idade, fazia seu trabalho melhor do que qualquer outro lustre movido à luz elétrica. E passava os dias ali a contemplar – orgulhoso e pomposo como todos os habitantes da sala – os empregados em sua rotina de trabalho e as raras passagens do senhor de tudo aquilo, senhor que era ao mesmo tempo temido e respeitado por todos na região, "O Senhor do Casarão" como era conhecido. Poucos haviam trocado palavras com ele, e um número menor ainda de pessoas vira seu rosto. Nem mesmo os empregados estavam acostumados com sua presença, embora sempre que o vissem fizessem uma reverência respeitosa. O motivo de tal exclusão ia muito mais além do alcance da mente mais inventiva. Para ele, os dias passavam em seu escritório protegido no último andar, um lugar tão temido quanto seu ilustre habitante, onde apenas os homens de confiança do senhor podiam entrar. Lá dentro, seus sórdidos planos tomavam forma, aos poucos deixando de ser uma massa disforme de idéias para ganhar vida, forma e um grande peso para o resto do mundo.
Nota do Yuriy: O resto do povo pede desculpas pelo capítulo extremamente curto e aparentemente sem sentido. Eu pessoalmente não estou nem aí, mas como hoje é meu aniversário, eu fui forçado a escrever essa nota idiota.
O resto dos personagens também pede desculpas pela falta de off-talk (eu na verdade prefiro assim). Aparentemente capítulos como esse foram planejados para confundir os leitores e deixá-los pensando no que raios está acontencendo e o que tudo isso significa. E porque os off-talks tem mania de estragar a surpresa e dar muitas pistas, James-baka decidiu eliminar o off-talk para esse tipo de capítulo.
Vocês se ferraram, leitores!
A boa notícia (pra vocês, não pra mim), é que logo, logo, a fic quase-abandonada dos Kita no Ookami vai ser atualizada novamente, e aí teremos um off-talk para compensar os últimos dois meses sem aquele monte de bobagem pós-capítulo.
Enfim, podem se matar agora. Eu não dou a mínima.
Yuriy Karasimov
