Nota da Satsuki U.: Hiwatari-baka cumpriu a promessa de postar um capítulo no dia do nosso nascimento. É quase um milagre. Porém ele não conseguiu (de novo) escrever o próximo capítulo da saga dos Kita no Ookami, que ele queria postar amanhã para comemorar o nascimento da Anya. Eles vão ter que esperar mais um pouco.

Hiwatari-baka prometeu que Juyuu no Tame Ni vai ser a próxima atualização, mas ele não sabe quando isso vai acontencer.

E enquanto isso ele pede para os leitores darem uma espiada no site dele e votarem no poll de melhor casal da fase 2.

E fim das propagandas descaradas. Que comece o capítulo.


CAPÍTULO IX

UM É POUCO, DOIS TALVEZ SEJA DEMAIS...

Yuuki foi o primeiro a acordar pela manhã, pelo menos meia hora antes do café da manhã. Mesmo não havendo bebido nada desde a janta da noite anterior, sua bexiga teimava em avisá-lo que precisava ser urgentemente esvaziada sob risco de inundação eminente dos lençóis e colchão. Com a calma e confiança de quem era obrigado a fazer a mesma coisa todo santo dia, Yuuki silenciosamente deixou seu quarto para não voltar tão cedo. Assim que terminou de obedecer ao chamado da natureza, foi para a cozinha preparar seu café da manhã. Depois de pensar um pouco, acabou preparando o de sua mãe também.

Satsuki foi a próxima a acordar, um minuto antes do despertador, pois alguém em seu sonho caótico e violento gritara que era quase hora de acordar, e ela assim o fez. A garota já estava fora do quarto quando o despertador finalmente tocou, porém ela não tinha motivos para voltar e desligá-lo, já que sua mãe normalmente precisava de um incentivo extra para sair da cama.

- Cadê o meu café da manhã, Yuuki? – Perguntou Satsuki, entrando de sopetão na cozinha. Seu irmão se assustou com o barulho da porta abrindo com força e quase deixou seu copo de suco cair no chão. – Estou com fome.

- Faça o seu próprio café. – O garoto respondeu após se recuperar do susto. Apesar de suas palavras, Yuuki evitava encarar a irmã, preferindo focalizar sua atenção na caixa de cereais em cima da pia.

- Não estou a fim. Faça pra mim, seja útil pra alguma coisa. – Satsuki respondeu, ríspida e com um toque de malícia. Ela sorriu satisfeita ao ver o irmão baixar a cabeça ainda mais e pegar um copo e uma tigela extra e começar a fazer como ela mandara.

- Eu vou contar pro papai quando ele acordar. – Yuuki resmungou, enchendo o copo da irmã com suco de laranja.

- Duvido que ele acorde antes da gente sair pra escola. – Satsuki sorriu perigosamente. – Agora vai logo porque eu não tenho a manhã inteira.

- Sim, Nee-san. – Resignado, Yuuki passou a preparar o café da manhã da irmã, abandonando a refeição de sua mãe e esquecendo-se de comer a sua própria. Satsuki o esperava sentada na mesa. – Toma.

- Você deveria ser mais educado com a sua irmã mais velha. Peça desculpas ou vai se arrepender. – Satsuki falava casuavelmente, porém Yuuki sabia reconhecer uma ordem direta quando ouvia uma.

- Desculpe-me, Nee-san. Aqui está o seu café.

- É melhor que esteja bom, ou vai ter que fazer tudo de novo.

Desta vez Yuuki não disse nada. Quando Satsuki não fez mais nenhum comentário após voltar a comer, Yuuki retornou para a cozinha para terminar o café de sua mãe. O despertador tocara há quinze minutos, o que significava que Rumiko não demoraria a aparecer.

Dito e feito. Dois minutos depois, a antiga mestra de Fenki entrava afobada na cozinha tentando pentear os cabelos e se vestir ao mesmo tempo. Ao ver que Yuuki já estava com tudo pronto esperando por ela, Rumiko abriu um enorme sorriso e abraçou o menino com toda a força que possuía:

- Oh, Yuuki! Muito obrigada! Você sempre faz essas coisas sem eu pedir, não sei o que eu vou fazer quando você for embora amanhã! – Rumiko desfez o abraço, mas passou a bagunçar os cabelos no topo da cabeça do filho. – Você é o melhor filho do mundo, sabia?

- O que seja. – Yuuki virou o rosto para o lado, incapaz de encarar a mãe enquanto seu rosto esquentava e suas bochechas adquiriam um leve tom avermelhado. Apesar de tudo, o garoto tentou manter uma expressão neutra. Rumiko, já acostumada com o jeito do filho, não fez mais nenhum comentário. Os dois foram juntos até a mesa do café, onde Rumiko começou a comer feito uma condenada.

- Vocês deviam se apressar também, ou David e Sasha vão sair sem vocês. – Comentou Rumiko ao ver os gêmeos comendo devagar ainda em seus pijamas.

- Não se preocupe, mãe, eu tenho tudo sob controle. – Respondeu Satsuki, erguendo uma colher cheia de cereal com leite. – Duvido que eles se atrevam a se esquecer de mim.

Rumiko sorriu, afinal Satsuki estava falando a verdade. Desde pequena a garota era mais teimosa e mandona do que seus pais juntos jamais poderiam ser. Rumiko ainda se impressionava com o quanto sua filha era diferente dela. Yuuki, por outro lado, era um pouco mais gentil e tímido, porém, provavelmente por ter que divir espaço com uma irmã como Satsuki, sempre relutava em mostrar essas características.

A conversa foi interrompida quando Toshihiro apareceu na sala bocejando e com um ar de alguém que está quase recuperado de um resfriado prolongado. Sua trança havia sido transformada em um emaranhado de cabelo preso por um mísero rabo de cavalo que era obviamente insuficiente para domar tamanha cabeleira.

- Bom dia, família! Dormiram bem? – Em resposta, Yuuki acenou com a cabeça sem tirar os olhos da comida, Rumiko soltou um "sim" entusiasmado e Satsuki olhou feio para o pai. Toshihiro não se intimidou. – Ótimo! Crianças, terminem logo o café, ou vão se atrasar para o trabalho. – O homem piscou para Rumiko, que sorriu com a leve provocação. Tanto Satsuki quando Yuuki rolaram os olhos. – O que foi? Acordaram do lado errado da cama hoje? – Perguntou ele, percebendo a reação das verdadeiras crianças.

- Sempre que você está em casa a mamãe fica ainda mais atrapalhada e se atrasa mais do que o normal. – Yuuki suspirou, ainda olhando para sua tigela de cereal. – Não sei o que faríamos se o chefe dela não fosse um amigo da família.

Rumiko e Toshihiro se entreolharam, desconcertados. Yuuki obviamente falava a verdade (ou Rumiko já estaria quase pronta para sair, não tomando café da manhã descabelada, com blusa e blaser formal e calça de pijama), mas eles não sabiam exatamente o que fazer para mudar isso. Os dois coraram.

- Mãe, você está cinco minutos atrasada. – Declarou Yuuki algum tempo depois, enquanto Rumiko se distraia brincando com o cabelo bagunçado do marido ao invés de terminar o café. Em pânico, Rumiko engoliu o que faltava de sua refeição e passou os próximos dez minutos correndo entre seu quarto e o banheiro para terminar de se aprontar.

A campainha tocou quando Rumiko estava quase terminando de pentear o cabelo. Hehashiro estava na porta pronto para ir para o trabalho com sua colega. Vestia um terno fino com uma gravata azul escura, da mesma cor que sua beyblade, e não conseguia evitar mostrar o quão desconfortável se sentia com seu uniforme de trabalho, mesmo depois de dezessete anos trabalhando na ShinTec.

- Bom dia, Nii-san! – Cumprimentou Toshihiro, indicando que o irmão deveria entrar.

- Bom dia, Toshi-chan! Bom dia, crianças! – Devolveu Hehashiro, acenando para a porção de sua família que ainda se encontrava na mesa. Ao passar pelo irmão mais novo, bagunçou ainda mais seus os cabelos indomáveis. Toshihiro tentou retribuir o gesto, porém Hehashiro fora mais rápido, agarrando sua mão antes que ela pudesse causar muitos danos. Sorrindo triunfante, o mestre de Kufe perguntou – Onde está a Rumiko?

- Estou aqui! – Respondeu uma voz um tanto esganiçada vinda de algum lugar no interior do apartamento. – Já estou chegando!

- Ela acordou tarde de novo? – Perguntou Hehashiro, erguendo uma sobrancelha. Já estava acostumado com a rotina da família de seu irmão.

- Mais ou menos. Ela ouviu o despertador tocar, mas demorou um pouco mais para se levantar. – Respondeu o mestre de Fenku, corando levemente. Hehashiro abriu um largo sorriso.

- Ah, entendo... Saudades de acordar com você ao lado dela?

- É, algo assim... – O rosto de Toshihiro tornou-se ainda mais vermelho. O homem foi salvo de sofrer com mais perguntas embaraçosas por sua filha mais velha, que soltou um grunhido assustador para chamar a atenção dos dois.

- Você deveria experimentar ir ao trabalho sem a minha mãe um dia, tio Hehashiro. Quem sabe assim ela aprende a ficar pronta na hora certa?

- Já estou pronta! Já estou pronta! – Gritou Rumiko, correndo pelo corredor e parando bem em frente ao colega de trabalho. Satsuki rolou os olhos e voltou a se concentrar no pouco que ainda restava de seu café da manhã. – Podemos ir, Hehashiro.

- Divirtam-se! – Exclamou Toshihiro, beijando a bochecha de Rumiko e abraçando o irmão antes de abrir a porta para eles.

- Até depois! Tchau pra todos!

Os gêmeos acenaram educadamente para sua mãe e tio, e Toshihiro bateu a porta quando os dois saíram de seu campo de visão. Cerca de dez minutos se passaram antes de alguém bater novamente.

- Tio Toshi! Há quanto tempo! – Exclamou David, entrando sem esperar pelo convite. Tio e sobrinho se abraçaram e o garoto apoçou-se de um dos sofás, esparramando-se enquanto esperava por seus primos.

- Tio Toshi! Há quanto tempo! – Exclamou Sasha, que esperou David terminar seu pequeno teatrinho antes de começar sua própria encenação. Ele também abraçou Toshihiro, porém ao invés de apoderar-se do outro sofá decidiu ficar na mesa de jantar com os pés em uma das cadeiras. Satsuki e Yuuki não estavam mais a vista. – Onde estão nossos primos? Eles se atrasaram?

- Não exatamente…

Pouco depois da fala do mestre de Fenku, Satsuki entrou na sala seguida de perto pelo irmão. Ela olhou feio para os primos, fazendo os pés de Sasha aterrisarem de volta no chão com força e forçando David a corrigir um pouco sua postura. Toshihiro ergueu uma sobrancelha ao testemunhar o poder que sua filha tinha sobre os garotos, mas decidiu não fazer comentários; momentos como esse o faziam se lembrar de seus primeiros meses convivendo com Koichi. Dado que sua filha era ainda mais nova do que o líder dos Taichi havia sido naquela época, ele temia pensar em como ela estaria daqui a dois ou três anos.

- Estamos prontos. Vamos logo ou estaremos realmente atrasados.

David e Sasha se levantaram imediatamente e se despediram do tio com bem menos pompa do que quando o cumprimentaram alguns minutos antes. Toshihiro ficou parado observando as crianças correrem escada abaixo antes de fechar a porta e voltar para o silêncio de seu apartamento. Seus outros ocupantes podiam ter deixado o local, mas a bagunça do café da manhã continuava lá. Não podendo contar com Fenki desta vez, o homem logo começou a trabalhar.


Graças à mania paradoxal de Yuuki de manter tudo sempre bem organizado e limpo mesmo quando fazia sujeira, Toshihiro demorou apenas meia hora para limpar toda a louça do café da manhã e deixar a mesa em seu estado original, incluindo a planta de plástico e toalha bordada. Sem mais nada importante para fazer, sentou-se no sofá e deixou o som da televisão quebrar o silêncio do apartamento. Essa distração durou pouco, porém.

- Por que nunca tem nada decente na tv de manhã cedo? – Perguntou ele para ninguém em particular enquanto passava um por um dos trezentos e quarenta canais da tv a cabo procurando por alguma coisa que valesse a pena assistir. Felizmente, o homem só precisou passar pelos primeiros trinta antes ser interrompido por batidas na porta. Contente por ter uma desculpa para tirar os olhos da tela brilhante, Toshihiro correu para atender.

- Lily! Que bom te ver! O que faz aqui? – Exclamou ele, abrindo um grande sorriso ao ver a cunhada. Ele fez sinal para ela entrar e os dois sentaram-se em um dos sofás.

- Bom dia, Toshihiro! – Respondeu ela enquanto entrava no apartamento e se acomodava. – Espero não estar encomodando. – Toshihiro balançou a cabeça veementemente em negação, aproveitando para desligar a televisão sem fazer alvoroço. – Que bom então. É que hoje eu não preciso ir ao consultório, e depois que o Hehashiro, a Lhana e o David saíram de casa eu fiquei sozinha e lembrei que você também estaria em casa sozinho a essa hora, e por isso resolvi fazer uma visita.

- Você chegou na hora certa, Lily, eu acabei de terminar de arrumar a bagunça do café. – Toshihiro jogou seu corpo contra o sofá, deixando seu pescoço rolar pela almofada fofa. – Ah, estava com saudades de casa!

- Eu imagino. Quanto tempo de folga te deram dessa vez?

- Uma semana. Depois disso eu volto pro laboratório por mais três semanas e aí vamos embora de novo para as ilhas Sakalinas. – Enquanto Toshihiro relatava sua rotina de trabalho do próximo mês, Lily se apoderou do cabelo do cunhado e começou a arrumar sua trança com a ajuda de uma escova de cabelo que encontrara na mesinha de centro. – O plano é ficarmos lá por mais um mês, se tudo der certo.

- Aproveite suas férias enquanto pode, então.

- É o que pretendo fazer.

Os dois ficaram em silêncio por algum tempo enquanto Lily terminava de pentear e trançar o cabelo do cunhado. Seus anos de prática cuidando da cabeleira dos irmãos Urameshi permitiu que ela terminasse seu trabalho em pouco menos de dez minutos, tempo do qual Toshihiro ainda não conseguira nem se aproximar, mesmo sendo o dono do cabelo.

- Enquanto as crianças estiverem fora você vai poder descansar de verdade. – Comentou Lily, já quase terminando a trança. Toshihiro estava sentando com suas costas voltadas para ela.

- Hum... Não sei se quero esse tipo de descanso. – Foi a resposta do mestre de Fenku. – Depois de tanto tempo longe eu quero mais é aproveitar os meus filhos, ainda mais agora que eles estão tão perto de se tornarem adolescentes... Daqui a pouco eles não vão mais querer saber de mim, tenho que aproveitar enquanto ainda posso! Se bem que eu acho que eles já estão nessa fase... – Toshihiro suspirou, deixando seus ombros cairem. Percebendo o que se passava com ele, Lily gentilmente fez com que o homem se deitasse em seu colo como eles costumavam fazer quando ele era mais jovem. Quando os dois passaram a se encarar, Lily disse:

- Satsuki e Yuuki sempre foram assim, desde pequenos.

- O que significa que quando eles ficarem adolescentes vai ser ainda pior...

- Não necessariamente. Você não odiava seus pais quando era adolescente, e a Rumiko também não. – Comentou Lily, lembrando-se de sua vida com os irmãos em Xigaze.

- Mas a gente era diferente. Nós passamos um ano inteiro longe de casa e quando voltamos tínhamos irmãos que precisavam que a gente fosse uma família unida. – Retrucou Toshihiro, tentando a desviar o olhar. Conhecendo Lily, no entanto, ele sabia que seria melhor para os dois se seus olhos permanecessem no mesmo lugar.

- Eu sei disso, mas ainda assim... É obvio pra mim que seus filhos não te odeiam, e eu duvido que isso aconteça um dia. É verdade que Yuuki prefere demonstrar seus sentimentos com pequenos gestos que passam despercebidos pela maioria das pessoas e que Satsuki vai desafiar alguém para uma luta antes de pensar em expor suas emoções, mas...

- Eu até hoje não entendo como eles ficaram desse jeito. Rumiko e eu não fizemos nada que pudesse...

- Pra começar, você não devia pensar nisso como algo negativo ou algo pelo o qual se culpar. – Repreendeu Lily, não pela primeira vez. Ela, Toshihiro e as vezes Rumiko conversavam bastante sobre a personalidade dos gêmeos, principalmente depois que Satsuki, aos cinco anos de idade, fora quase expulsa da pré-escola por tentar bater em seis coleguinhas. Apesar da desvantagem numérica, a garotinha havia conseguido encurralar seus alvos em um canto do parquinho e estava pronta para dar-lhes socos e pontapés quando os professores chegaram ao local. Para a família a pior parte da história era que Yuuki e David estavam entre os seis coleguinhas. – Satsuki se parece muito com Nathaliya, e mesmo que antes ela fosse um pouco mais difícil de controlar por ser uma criança pequena, ela agora sabe o que pode e não pode fazer e sabe usar o poder que tem da maneira certa.

- Mas o Yuuki ainda não aprendeu a ser social. – Retrucou Toshihiro, suspirando audivelmente. – As vezes eu penso que, ao invés de absorver nossas personalidades, de algum modo os dois pegaram os piores aspectos da personalidade do Koichi e as dividiram entre eles...

- Por mais interessante que eu ache essa teoria, ela não tem nenhum fundamento lógico. – Rebateu Lily, sorrindo para tranqüilizar o cunhado. – Yuuki provavelmente é do jeito que é por ter que viver com uma irmã geniosa e pais super-famosos, mas quando ele quer ele sabe se relacionar com outras pessoas. Ele e David são bons amigos...

- É meio impossível não ser amigo do David! – Exclamou Toshihiro, passando a sorrir também.

- É verdade. – Riu-se Lily, endireitando sua postura para mostrar seu orgulho de mãe. – Se você está mesmo preocupado com Yuuki, pode deixar que eu vou gentilmente sugerir que David devia convidá-lo para ir lá em casa mais vezes.

- É, não seria uma má idéia... – Os dois adultos ficaram em silêncio novamente por alguns minutos, entretidos pela trança tornada cobra de Toshihiro. Depois de algum tempo, o homem decidiu continuar a conversa. – E pensar que não faz tanto tempo assim que eles eram bebês... tão pequeninos e tão barulhentos...

- É, ainda mais considerando que eram dois. Hehashiro e eu esperamos sete anos para ter um segundo filho por uma razão... – Lily sorriu, lembrando-se de de como Lhana gostava de ajudar a cuidar do bebê David e como isso havia reduzido consideravelmente seu trabalho.

- Não foi como se a gente tivesse planejado ter dois ao mesmo tempo! – Exclamou Toshihiro, bem menos ofendido do que sua fala sugeria. – A gente só queria aproveitar que a Rumiko tinha arranjado um trabalho bom que poderia sustentar três pessoas...

- Eu sei. Você fez um ótimo trabalho cuidando dos dois.

- Só porque você estava lá para ajudar! – O mestre de Fenku riu também, lembrando-se de algumas ocasiões em que tivera que chamar a cunhada para ajudá-lo a separar os gêmeos briguentos, ou para ajudá-lo a alimentar os gêmeos esfomeados, ou para ajudá-lo a sair na rua com os gêmeos energéticos. Durante os primeiros quatro anos de vida de Satsuki e Yuuki, Toshihiro havia tomado conta deles enquanto Rumiko trabalhava na ShinTec e ganhava um salário bom o suficiente para sustentar a família toda sem que o marido tivesse que procurar um emprego. Somente quando as crianças começaram a ficar um pouco mais independentes (ou, no caso de Satsuki, menos propensas a bater em qualquer um que a desafiasse) foi que o mestre de Fenku começou a pensar em trabalhar.

- Eu e a Lhana! – Corrigiu Lily. Sua filha mais velha não só ajudava a controlar David (talvez fosse por isso que o garoto ainda a chamava de "monstra"), como também mostrara-se capaz de lidar com Satsuki de uma maneira que nem seu tio, nem sua mãe conseguiam.

- É, você e a Lhana... – Os adultos ficaram mais algum tempo em silêncio se lembrando do passado. – Nossa, como o tempo passa! Eu me sinto tão velho cada vez que penso que nem faz tanto tempo assim que eu quase bati o nosso carro no poste tentando levar a Rumiko pra maternidade!

- Ao menos vocês chegaram a tempo de evitar um parto no meio da estrada...

- Tivemos sorte porque eram onze da noite e não tinha muitos outros carros passando...

- E foi bom porque vocês não tiveram que esperar horas na maternidade...

- Acho que a melhor parte foi que eles nasceram só um pouco antes da Anya, como se fossem trigêmeos. – Um sorriso triunfante tomou conta do rosto de Toshihiro. – Essas coincidências ainda me assombram. Nossos filhos provavelmente têm a mesma diferença de idade que a gente, mas por causa de um pequeno detalhe eles acabaram nascendo em dias diferentes... Se tudo isso tivesse acontecido uma hora mais cedo, nós realmente teríamos trigêmeos!

- Ou, se Yuuki tivesse demorado um pouco mais para nascer, a Satsuki teria nascido no dia 27 e Yuuki e Anya seriam os gêmeos do dia 28. – Ponderou Lily, acariciando seu próprio queixo em pose contemplativa.

- E a gente teria que responder milhões de perguntas sobre como conseguimos fazer nossos gêmeos nascer em dias diferentes...

A contemplação das possibilidades e implicações das diversas possibilidades a cerca do nascimento de Satsuki, Yuuki e Anya deixou a dupla ocupada por um tempo considerável. Quando o estômago de Toshihiro passou a emitir sons suspeitos, eles se mudaram para a mesa para fazer um lanche de meio da manhã. Lily só deixou a casa do cunhado perto da hora do almoço, dizendo que precisava ir às compras antes que sua família voltasse para casa. Conhecendo a mulher, Toshihiro tinha quase certeza que ela sairia a procura de kits de primeiros socorros, capas de chuva, lanternas, pilhas, barrcas portáteis, detectores de metais e o qualquer outra coisa que ela achasse que as crianças precisariam levar na viagem do dia seguinte.


Por causa dos preparativos para a viagem, Satsuki e Yuuki voltaram para casa mais cedo. Rumiko também deveria chegar alguma horas antes do normal, mas acabou ficando presa no trânsito e só apareceu na hora da janta. Assim sendo, Toshihiro acabou ficando responsável por supervisionar os gêmeos enquanto eles preparavam suas mochilas.

- Eu não posso arrumar minhas coisas sem Fenki. – Reclamou Satsuki assim que seu pai sugerira que eles fossem para o quarto se preparar. – Vou esperar minha mãe chegar em casa.

- Rumiko acabou de me ligar dizendo que ainda vai demorar. É melhor começar agora porque depois provavelmente não vai dar tempo. – Retrucou Toshihiro, sorrindo para a filha. Satsuki não parecia nada contente, porém.

- Vai dar tempo, sim. Eu não preciso muito mais do que a minha beyblade.

Toshihiro suspirou. Como viajante experiente que era, sabia que nunca se deve sair apenas com pouco mais do que uma beyblade para uma viagem de mais de algumas horas (na verdade, depois de um incidente particularmente traumatico na Coréia do Sul o mestre de Fenku passara a carregar permanentente em sua mochila pelo menos uma cueca e um par de meias extras para viagens de qualquer duração).

- Se eu fosse você, levava pelo menos duas mudas de roupa e ainda mais calcinhas e meias. Não sabemos quanto tempo vocês vão ficar fora, então é melhor estar preparada para tudo. – Disse ele, ainda sorrindo.

- Guarde os seus conselhos pro Yuuki, eu sei o que estou fazendo. – A garota olhou feio para o pai, mas o sorriso do homem não diminuiu.

- Você vai se arrepender depois.

- Não vou, não. Eu tenho tudo sob controle.

Toshihiro suspirou novamente. Talvez fosse mais fácil convercer sua filha a mudar de idéia quando Rumiko chegasse em casa com Fenki e todos estivessem felizes e com os estômagos cheios. Percebendo que Yuuki não estava mais a vista, deixou a filha no quarto e foi procurar pelo garoto.

- Quer ajuda pra fazer as malas, Yuuki? – Perguntou ele ao ver o filho novamente sentando em seu lugar favorito na varanda.

- Não, obrigado, pai. Já sei tudo que preciso levar. – Respondeu o garoto, com os olhos voltados para a paisagem da janela.

- Tem certeza? Sua irmã está convencida de que só precisa levar Fenki.

- Ela diz isso porque no caminha pra casa ela me mandou cuidar do resto. – Yuuki baixou um pouco a cabeça e abraçou suas pernas. – Vou levar Fenku, comida, roupas e o nosso kit de primeiros socorros. Se não se importa, vou usar a sua mochila de viagens.

- Não é justo você carregar tudo isso sozinho, Yuuki! É muita coisa para uma pessoa só! – Exclamou Toshihiro, tentando imaginar seu filho carregando a mochila em questão, que era grande o suficiente para transportar Kenji ou Akiko. – Vamos falar com a sua irmã e pedir para ela te ajudar.

- Se quizer ir, vai sozinho. Você sabe que a Nee-san nunca faz nada que eu peço. – Yuuki deu de ombros. Toshihiro se aproximou do filho, colocando uma mão em seu ombro e fazendo o resto de seu corpo se apoiar no dele.

- Por isso que eu disse pra gente pedir juntos. Satsuki tem que aprender a obedecer seus pais de vez em quando.

- Mas... – Yuuki queria dizer que se Toshihiro forçasse a garota a dividir o peso da bagagem, ela simplesmente transferiria tudo pra mochila dele assim que a viagem começasse. Ele também queria dizer que se sua irmã fosse contrariada ela ficaria ainda mais feliz em descontar suas frustrações nele. A tentação de contar tudo ao pai desapareu tão logo Yuuki percebeu sua presença, porém, e ele desistiu de dizer qualquer coisa. Não queria desapontar seu pai, deixá-lo perceber que ele não era capaz de resolver seus problemas com a irmã sozinho.

Toshihiro passo o braço pelos ombros do filho e conduzio-o até o quarto que ele dividia com a irmã, tomando cuidado para ficar sempre bem próximo do garoto. Segundo Lily, Yuuki tinha problemas de auto-estima, por isso seu dever de pai era mostrar que estava sempre por perto para apoiá-lo.

- Satsuki, nós queremos falar com você. – Toshihiro bateu na porta do quarto. A voz ríspida de sua filha soou pouco tempo depois.

- Estou ocupada, voltem outra hora.

- É importante! Yuuki e eu precisamos entrar!

- Que seja! – Exclamou a garota, obviamente irritada. Yuuki engoliu seco, porém Toshihiro sorriu para ele antes de abrir a porta.

- Por que você disse para o Yuuki levar toda a bagagem? – Perguntou o antigo mestre de Fenku assim que viu Satsuki deitada em sua cama lendo um mangá cuja capa retratava uma pilha de cadáveres sangrentos e um homem com cara de louco sorrindo malignamente.

- Porque ele precisa ser útil para alguma coisa pra variar e porque ele precisa começar a fazer mais exercício. – Ela respondeu sem tirar os olhos do mangá.

- Mas você é bem mais forte do que ele, você consegue carregar bem mais peso. – Retrucou Toshihiro, percebendo que o corpo de Yuuki endurecera ao seu lado.

- Se eu carregar tudo, o Yuuki vai ficar só zanzando por aí sem fazer nada. Do jeito que ele é desligado, é capaz de se perder da gente assim que sairmos do trem. Se vamos ter que ficar tomando conta dele, é melhor termos uma razão pra isso.

- E a razão seria o fato de ele estar carregando as suas coisas? – Perguntou Toshihiro, erguendo uma sobrancelha. Ao seu lado o rosto de Yuuki tornou-se levemente mais avermelhado.

- Exatamente. – Satsuki ainda não havia tirado os olhos do mangá. Toshihiro respirou fundo, lembrando-se dos conselhos de Lily sobre como lidar com suas crianças. Ele sabia que devia ser empático e mostrar que entendia a situação dela, e que ao mesmo tempo deveria expor a situação de Yuuki para que Satsuki entendesse que não podia dizer essas coisas sobre seu próprio irmão e que deveria parar de pensar somente nela. O problema era que Toshihiro não tinha nenhum treinamento em como ser empático e dizer as coisas certas na hora certa para resolver uma situação como aquela. Ele estava considerando telefonar para a cunhada quando Yuuki se pronunciou:

- Não tem problema, pai, eu peço pro David me ajudar. Se ele carregar as minhas coisas, ele vai pedir pro Sasha carregar as coisas dele, e o Sasha vai pedir pra Shizune carregar suas coisas, e a Shizune vai convencer a Akiko-chan e o Kenji-kun a carregarem as coisas dela, e aqueles dois vão convencer o Tsubasa-san a carregar as coisas deles também, o que não vai ser problema porque o Tsubasa-san é forte o suficiente pra carregar três mochilas.

Yuuki também não encarou o pai enquanto murmurava seu plano. O garoto estava aliviado por ter encontrado uma solução que agradasse a todos, porém Toshihiro ainda não estava satisfeito:

- É uma idéia complicada demais para resolver um problema que não devia existir, Yuuki. Você devia carregar suas próprias coisas e Satsuki, as dela.

- Ou ele pode pedir pro Tsubasa logo de uma vez invez de perder tempo com esse troca-troca inútil de mochilas. – Retrucou Satsuki.

- Cada um vai arrumar suas coisas e cada um vai carregar suas próprias coisas durante a viagem. Yuuki não vai se perder e Tsubasa-kun não vai virar burro de carga. – Exclamou Toshihiro com um ar de autoridade. A discussão estava tomando um rumo desconfortável, por isso ele achou melhor acabar com ela logo de uma vez. – Você pode esperar sua mãe para arrumar suas coisas se quizer, Satsuki, mas vai arrumar a sua própria mochila e o Yuuki vai arrumar a dele.

Satsuki finalmente ergueu os olhos do mangá, visivelmente irritada por ter sido contrariada. Toshihiro encarou-a de volta, mais sério do que de costume. Depois de alguns tensos segundos, a garota finalmente desistiu de discutir:

- O que seja. Podem me deixar em paz agora?

Toshihiro sorriu ao perceber que havia conseguido seu objetivo:

- Claro! Vamos te chamar de novo na hora da janta, mas até lá você pode fazer o que quizer!

E com isso o homem deixou o quarto. Antes de segui-lo, Yuuki percebeu que sua irmã o encarava com um sorriso assustador. Fechou a porta atrás de si tentando não pensar no que isso queria dizer.


O jantar em família foi surpreendentemente calmo considerando os acontecimentos da tarde. É verdade que Rumiko passara a maior parte da refeição fazendo perguntas embaraçosas aos filhos sobre o que eles tinham ou não tinham colocado nas mochilas e o que eles pretendiam fazer quando chegassem na vila de Kouji, mas mesmo essa conversa na mesa não chegou aos pés do que normalmente acontecia quando a família se reunia para comer. Em um primeiro momento os gêmeos não se mostraram muito interessados em responder, mas depois de dez minutos de insistência da antiga mestra de Fenki e da aparição inexperada da fera-bit centauro, Satsuki e Yuuki não tiveram outra alternativa se não começar a falar.

Depois de novamente convencer Fenki a arrumar a bagunça da refeição (Rumiko e Toshihiro estavam começando a gostar da idéia de ter um empregado doméstico, ainda mais um que trabalhava com prazer e tinha força suficiente para mover sofás, camas e armários usando apenas um dedo de uma mão) o casal se deslocou para um dos sofás enquanto as crianças terminavam de arrumar suas coisas no quarto. Rumiko estava deitada no colo do marido brincando com sua trança.

- Nós temos que espiar as mochilas deles amanhã de manhã e pedir para o Tsubasa-kun observar a Satsuki durante a viagem. – Declarou Toshihiro depois de algum tempo. – Acho que ela vai tentar fazer o Yuuki carregar as coisas dela assim que desaparecermos de vista.

- É, talvez seja uma boa idéia... – Rumiko já havia sido informada dos acontecimentos da tarde. Os dois ficaram em silêncio novamente depois disso, até Rumiko escolher outro assunto para conversar. – E pensar que daqui a poucos dias a gente vai poder ver a Satsuki de novo! Acho que a ficha não caiu completamente ainda...

- É, eu sinto a mesma coisa. – Toshihiro jogou sua cabeça para trás. A trança nas mãos de Rumiko tentou escapar, porém a mulher abraçou-a firmemente.

- Será que ela ficou com muita cara de velha? Ou será que ela continua com a mesma cara de antes? A gente devia ter perguntado pro Kouji-kun...

- De qualquer jeito nós vamos saber logo.

- É...

Mais silêncio entre os adultos. Do quarto das crianças vinha o som de gritos distantes. Já acostumados com isso, nennhum dos dois se mexeu.

- Isso me faz lembrar de quando eu saí de Xigaze pela primeira vez para participar do torneio japonês, com a diferença que os amigos da Satsuki e do Yuuki estão indo junto com eles, o que reduz a chance de eles serem acusados de traição... – Disse Toshihiro, olhando para o teto branco enquanto sua mente projetava as memórias do tempo que ele era um menino de doze anos de idade pronto para sair em sua primeira grande aventura. – A gente até tinha a mesma idade...

- Só que quando você saiu de casa, sua viagem acabou sendo bem mais longa do que você imaginava. A Satsuki e o Yuuki vão voltar logo. – Retrucou Rumiko. O barulho de alguma coisa se chocando contra a parede do quarto das crianças foi ouvido, seguido por um estrondo na cozinha onde Fenki provavelmente tentava lavar a louça.

- É verdade. E ainda bem que não vai ser por muito tempo, eu não sei o que a gente faria sem Fenki pra cuidar da casa por mais de uma semana! – O casal riu, chamando a atenção da fera-bit.

- Alguém falou meu nome? – Perguntou o centauro, sua cabeça aparecedo na porta da cozinha.

- Nós estávamos dizendo que não sabemos como vamos sobreviver pelos próximos três dias sem o nosso maior herói! – Respondeu Rumiko, sentando-se e abrindo os braços para indicar que estava simbolicamente abraçando seu monstro sagrado.

- Oh, mestra, eu sinto muito por causar problemas para você! Quer que eu fique aqui? – O resto do corpo do centauro tornou-se visível também.

- Não, não precisa! Satsuki não vai gostar nada se você abandoná-la desse jeito! – Exclamou Rumiko, imaginando bem nitidamente o caos que seria sua filha furiosa com tudo e todos.

- Tem razão, mestra! Eu não posso desapontar a minha nova mestra! Tenho que fazer o que ela manda! – Exclamou Fenki, tão energizado por suas próprias palavras que seus olhos, naturalmente vermelhos, passaram a brilhar perigosamente até ficarem bem parecidos com os olhos de pessoas que posam para fotos com flash e olham diretamente para a luz.

- E não precisa se preocupar com a gente! Nós vamos sobreviver bem sem você!

- Se a minha mestra diz, eu acredito!

Depois de mais algumas exclamações excitadas, Fenki voltou para a cozinha e Rumiko e Toshihiro voltaram a trocar carícias inocentes no sofá. Algum tempo depois Satsuki e Yuuki apareceram na sala dizendo que haviam terminado de arrumar suas coisas e estava prontos para dormir. Estranhando a civilidade da declaração e o fato de Yuuki não estar timidamente encarando o chão enquanto sua irmã falava, o casal achou melhor não fazer nenhum comentário por enquanto e esperar o dia seguinte para fazer perguntas.


O dia seguinte, porém, começou com uma Rumiko histérica porque o despertador não havia tocado na hora certa e eles estavam perigosamente atrasados para encontrar seus amigos na estação de trem. Ela e Toshihiro correram para acordar as crianças e, na pressa para conseguir comer alguma coisa antes de ter que correr porta à fora e não desacelerar até o carro no estacionamento do subsolo, acabaram se esquecendo de checar as mochilas de Satsuki e Yuuki. Só o que eles puderam observar (enquanto Toshihiro dirigia com o máximo controle possível para se mover rapidamente sem passar dos limites de velocidade permitido em zonas urbanas) era que as duas mochilas pareciam ser do mesmo tamanho e continham o mesmo volume de coisas.

- Chegamos! – Exclamou Toshihiro triunfante ao entrar no estacionamento da estação. Em apenas dois segundos, porém, a euforia deu lugar à indignação quando o mestre de Fenku percebeu que não havia nenhum lugar visível para estacionar. – Só pode ser brincadeira...

- Nós vamos descer aqui então. – Declarou Satsuki, já com a mochila nas costas e pronta para abrir a porta. – Temos apenas dez minutos para entrar no trem antes dele sair, não podemos esperar até você arrumar uma vaga.

- Mas assim a gente não vai poder se despedir direito! – Exclamou Rumiko, virando-se para encarar as crianças no banco de trás. - E temos que pegar seus celulares novos, e falar com o Makoto-san, e...

- Então você vai com eles enquanto eu tento estacionar. – Decidiu Toshihiro, procurando fervorosamente por um lugar enquanto falava. Havia um grande mar de veículos ao seu redor, porém nenhum espaço visível. – Te vejo depois. – Ele virou-se para as crianças. – E juízo, vocês. Aproveitem a viagem e divirtam-se, e nos avisem quando chegarem.

- É claro que vamos avisar. Não temos que dizer como está a outra Satsuki? – Perguntou a nova mestra de Fenki, erguendo uma sobrancelha. – Não se preocupe, pai, nós não somos mais crianças.

- Voltem sãos e salvos dessa viagem e eu vou começar a acreditar em vocês! – Exclamou Toshihiro, piscando para as crianças. Satsuki rolou os olhos e Yuuki quase ergueu o canto de seus lábios. – Agora vão logo ou o trem vai sair sem vocês!

O trio não precisou ser mandado duas vezes. Quando chegaram na plataforma correta, faltando apenas três minutos para o trem partir, Satsuki e Yuuki rapidamente apanharam seus celulares novos e pularam para dentro do trem, onde o resto das crianças já havia reservado espaço para eles sentarem. Yuuki ficou ao lado de David e Satsuki sentou-se ao lado de Akiko.

- Boa sorte, crianças! – Gritou Rumiko quando o trem começou a partir. Ela e Yoshiyuki trocaram olhares marotos e correram atrás do trem acenando com caras abobadas para as crianças até o fim da plataforma impedi-los de continuar.

- Missão cumprida! Agora só precisamos esperar por notícias. – Exclamou Hehashiro quando os dois adultos infantilóides voltaram para junto do grupo.

- Vocês quatro vão voltar para o trabalho. – Anunciou Umeragi, apontando para o mestre de Kufe, Rumiko, Yoshiyuki e Takashi. – Se querem mesmo monitorar as crianças, temos que começar o mais cedo possível.

- Mas eles vão ficar no trem por horas! – Exclamou Takashi, indignado. Apesar de sábado ser um dia de trabalho normal, o micro-chinezinho esperava poder descansar um pouco mais depois de todo o estresse envolvido em ajudar uma garota de sete anos a se preparar para viajar. – Não podemos nem aproveitar que estamos quase todos presentes para sair e celebrar o sucesso da primeira parte do nosso grande plano?

- Não. – Respondeu o dono da ShinTec sem se alterar. Takashi baixou a cabeça soltando um grunhido de desaprovação. – E eles podem ficar no trem por horas, mas sempre existe a possibilidade de algo dar errado durante a viagem...

- Não! – Exclamou Rumiko, horrorizada com essa possibilidade. Lily também parecia partilhar dessa opinião, agarrando o braço de Hehashiro assim que ouviu a sugestão de Umeragi.

- É uma possibilidade pequena, mas ela existe, por isso eu pretendo voltar para a minha sala de computadores o mais rápido possível para resolver qualquer emergência assim que ela surgir. – Declarou o mestre de Zeus, assumindo sua pose pomposa de quem está para encerrar uma discussão com um argumento devastador. – Estão com mais vontade de me acompanhar agora?

- É, acho que não tem outro jeito... – Concordou Hehashiro, percebendo que, se quizesse sentir seu sangue voltar a circular pelo braço que Lily apertava, deveria fazer alguma coisa para tranqüilizar a esposa.

- Takashi, quando você estiver espiando os pirralhos me manda notícias sobre a Shizune a cada meia hora, tá? – Pediu Ken, abrindo um grande sorriso maroto. – Ela fez tanto escândalo sobre não querer que eu espiasse a vida dela que agora eu preciso saber o que está fazendo!

- Isso não é certo, Ken-san! – Exclamou Aiko. Ela havia acompanhado os Urashima até a estação porque era somente por causa dela que a família tinha conseguido chegar na estação a tempo e por Shizune não ter apenas porcarias inúteis dentro de sua mochila. Sua filhinha Ayumi dormia em seu carrinho de bebê. – Se a Shizune quer privacidade, você precisa respeitá-la. E depois você reclama que ela se revolta contra você…

- Argh, Aiko, aqui não é o lugar pra discutir essas coisas! –Exclamou Ken, ficando com o rosto consideravelmente vermelho após a fala da amiga.

- Mas ela está certa. – Intrometeu-se Lily, lançando um olhar de aprovação à jovem. – Se a Shizune não consegue confiar em você, não tem como a sua relação com ela melhorar.

- Vocês não estão com pressa pra sair? – Perguntou Ken, obviamente tentando mudar de assunto. – Vamos indo, vamos indo!

- Eu preciso esperar o Toshihiro! – Exclamou Rumiko, ficando na ponta dos pés para ver se o marido estava se aproximando. – Preciso dizer pra ele para onde estamos indo...

- Vamos caminhando até o estacionamento e se o encontrarmos no caminho, contamos para ele. – Sugeriu Umeragi, já caminhando em direção à saída.

- Nos vemos mais tarde então. Eu preciso ensaiar para o concerto de amanhã, mas por favor me avisem se alguma coisa acontecer. – Disse Isaac, também se dirigindo à saída enquanto acenava para os demais. Nathaliya havia saído para o trabalho cedo de manhã, por isso ele havia trazido Sasha para a estação sozinho.

- Faremos isso. Divirta-se com o ensaio! – Exclamou Takashi. Os adultos já estavam todos à caminho do estacionamento.

Toshihiro finalmente se juntou ao grupo alguns minutos depois, quando estavam quase chegando na porta do estacionamento. Para ajudá-lo a não se sentir tão mal por ter perdido toda a ação do dia, Rumiko e Hehashiro voltaram no carro com o mestre de Fenku, que largou-os na entrada da ShinTec antes de voltar para casa e dormir pelo resto do dia, ou pelo menos até ser chamado pela primeira emergência.


David U.: Nossa! O Jamie conseguiu cumprir uma promessa! O.O'' Deve ser a primeira vez esse ano! XD

Sasha: Dois capítulos em um mês? É um milagre! XD

Aiko: É porque hoje é um dia especial. Milagres acontecem em dias especiais. ^^~

Shizune: Aiko-san, você no off-talk! Que surpresa agradável ter você por aqui! XD

(Shizune pega a Aiko pelo braço e sai caminhando entusiasmada com ela por aí)

Aiko: Eu vim porque hoje a maioria dos personagens principais não vai poder aparecer no off-talk, então cabe aos personagens menores aparecer para fazer número. XD

Sasha: Como assim, não vão poder aparecer? O que deu neles? O.õ

Aiko: Hoje todo o núcleo de Tóquio foi mobilizado para comparecer à maternidade, oras! (Aiko sorrindo feito doida com os olhos brilhando) Sabe aquelas coisas que o Toshihiro disse lá pelo meio do capítulo sobre o dia que os gêmeos nasceram? Pois é, tudo aquilo está acontecendo neste exato momento! XD

David: Opa, quer dizer que logo teremos bebê Satsuki e bebê Yuuki dividindo espaço com o bebê Kouji e o bebê Tsubasa no off-talk? XD Awesome! XDD

Susumu: E não se esqueça da bebê Anya que vai nascer em poucas horas! 8D

(Susumu aparece do nada e asssusta beybladers desavisados que não estão acostumados a lidar com fantasmas)

Sasha: (Rindo dos beyblader que fugiram assustados) É por isso que só você está aqui, fantasma? XD

(Susumu fantasma flutuando no meio do cenário do off-talk e também rindo dos pobres fugitivos)

Susumu: Sim, todos os meus amigos que ainda possuem um corpo de carne e osso estão ocupados dando atenção para a Lin. 8D

(Beybladers finalmetne percebem que o fastama não é malvado e sorriem para a cara de besta dele)

(Fantasma com cara de besta sorri para todo mundo)

(Beybladers ficam em silêncio porque não sabem muito bem o que fazer agora que o fantasma não assusta mais)

(Beybladers continuam sem idéia do que fazer no off-talk)

David U.: Esse off-talk vai ser muito chato se todas as pessoas importantes não podem aparecer! O que a gente vai fazer pra passar o tempo? O.õ

Sasha: A gente podia contar uma historia! XD

Shizune: Que história?

Sasha: Hum... (Sasha tentando pensar em uma história pra contar)

Aiko: Por que a gente não conta a história do que está acontecendo nesse exato momento com a Rumiko-san e os gêmeos?

Kenji: Só se a gente puder fazer uma daquelas viagens doidas que a gente fica invisível e transparente e fica observando os acontecimentos flutuando em cima de todo mundo! XD

Akiko: É, como o tio fantasma tá fazendo agora! XD (Akiko apontando para o Susumu fantasma flutuando em cima da cabeça dela)

Aiko: Acho que podemos fazer isso. Frases Entre Parênteses, podem ajudar a gente a contar a história do nascimento dos gêmeos hoje? (Aiko sorri sugestivamente para as frases entre parêntesis)

(Frases Entre Parênteses gostam do sorriso da Aiko e decidem que vão ajudar)

(Frases Entre Parênteses transformam todo mundo em fantasminha transparente que nem o Susumu)

(Beybladers tornados fantasmas são sugados para um tubo gigante cheio de luz e cores borradas)

(Beybladers ficam tontos depois de cinco segundos dentro do túnel colorido)

(Frases Entre Parênteses decidem que gostam de ser sádicas de vez em quando e fazem a viagem nauseante continuar por mais um minuto inteiro)

(Beybladers vomitam assim que o túnel some)

(Beybladers se vêem em cima da maternidade de Tóquio)

David U.: Não acredito que chegamos! (Ainda tonto) Vamos começar a história, então! XD

(David U. faz um sinal com a mão e assovia)

(O corpo de texto sem itálico vem chegando e...

Rumiko e Toshihiro decidiram comemorar a primeira semana de licença materidade da mestra de Fenki com uma janta extravagante em um dos melhores restaurantes de Tóquio. Nathaliya, Hehashiro, Lily, Lhana e Hikaru também estavam com eles, afinal esta seria uma comemoração em família. Takao e Sazuke Higurashi também haviam sido convidados, porém o homem contraíra um vírus violento que o impossibilitava de sair da cama e fazia com que ele não conseguisse fazer nada sem sua esposa por perto. Isaac não estava presente porque naquele momento se encontrava no meio de um tour pela Europa tocando o Concerto para Piano de Grieg com a Orquestra Nacional Islandesa.

- Rumiko Nee-san, se você comer mais, a sua barriga vai explodir! – Exclamou Hikaru, encarando a barrigona da irmã com assombro. Apesar de estar com apenas sete meses de gravidez, Rumiko parecia carregar consigo uma grande bola pula-pula, afinal havia dois bebês dentro dela competindo por espaço. – Nathaliya Nee-san, diz pra Rumiko Nee-san parar de comer!

Vendo que o garotinho de oito anos parecia realmente preocupado com o bem-estar da irmã, Nathaliya fez uma de suas caras feias para a mestra de Fenki:

- Hika-chan está certo, Rumiko. Pára de comer antes que seja tarde demais!

- Se a Rumiko Nee-san explodir será que os bebês vão sair voando e a gente vai ter que pular bem alto pra pegar eles? – Perguntou Hikaru para ninguém em especial enquanto olhava para a mesa de toalha branca como quem adoraria vê-la toda manchada.

- É isso que você quer fazer, não é? – Perguntou Toshihiro, piscando para o pequeno cunhado. O garotinho abriu um grande sorriso e concordou com a cabeça, fazendo todos na mesa rirem.

- Eu também quer brincar de pegar os bebês! – Exclamou Lhana, sorrindo como seu melhor amigo. – Eu quero pegar a menina!

- E eu fico com o menino!

A partir daí Hikaru e Lhana começaram a detalhar cada vez mais seus planos para brincar de beisebol com os bebês usando o melhor de sua imaginação infantil. Depois de cinco minutos falando de sangue, explosões, bebês tornados bolas de vôlei e cocôs voadores, Lily teve que entrar em ação e mudar o assunto da conversa antes que os adultos presentes (principalmente Rumiko) resolvessem vomitar a refeição que acabaram de comer.

- Tudo bem, tia Lily, mas só porque eu quero ser o melhor tio do mundo pros bebês! – Exclamou Hikaru, cruzando os braços e fazendo cara de sério.

- Se depender de mim, a competição não vai ser fácil! – Devolveu Hehashiro, imitando a pose to garoto. Os demais fizeram esforço para esconder os risos.

- E não se esqueça do Vladmir. – Lembrou Toshihiro – Aliás, a gente devia ligar para saber como eles estão. A Lin vai completar nove meses logo, né?

Como se pudesse ler os pensamentos do irmão à distância, Vladmir escolheu exatamente este momento para ligar para o celular do mestre de Fenku. Se bem que, considerando a razão para sua ligação, era mais provável que Toshihiro fosse o responsável por ler a mente do irmão.

- Toshihiro? Como estão as coisas aí? – Perguntou a voz um pouco abafada do russo do outro lado da linha. Ao fundo era possível ouvir gritos e barulho de gente correndo.

- Tudo bem, estamos tendo uma janta em família para comemorar a licença maternidade da Rumiko. – Respondeu o mestre de Fenku, colocando o telefone no auto-falante para todos na mesa poderem participar da conversa.

- Que bom. Divirtam-se então. – A voz de Vladmir soou um pouco menos calma do que de costume. Toshihiro, Hehashiro, Lily e Nathaliya logo perceberam isso.

- O que foi? Alguma coisa aconteceu? – Perguntou a mestra do fogo, erguendo uma sobrancelha. – Por que você resolveu ligar no meio da noite?

- É... bem... – Ao lado de Vladmir uma voz que deveria pertencer a um dos gêmeos Motomiya gritou alguma coisa como "fala logo e pára de enrolar" e "vai perder a diversão". – Acho que o nosso bebê vai nascer logo...

A reação das pessoas na mesa variou entre gritos histéricos, abraços apertados em quem tivesse o azar de se encontrar ao seu lado e pulos excitados na cadeira. Os outros clientes do restaurante e os garçons olharam feio para o grupo, mas eles não se importaram.

- Tá fazendo o que no telefone ainda, então? Vai logo ficar com a Lin! – Exclamou Hehashiro, roubando o telefone por um momento enquanto Rumiko tentava abraçar o marido sem apertar sua barrigona. – Mande uma mensagem quando tudo tiver acabado bem e nos falamos quando vocês estiverem todos descançados.

- Tá... tudo bem então...

Vladmir desligou e Hehashiro sorriu. Seu irmão era a única pessoa que ele conhecia que era capaz de falar tão calmamente em uma situação como aquela.

- A tia Lin vai ter bebê! A tia Lin vai ter bebê! – Exclamou Lhana, ainda em modo de comemoração. – Papai, a gente tem que ir visitar eles logo, né? – Ela agarrou a manga da camisa do pai, puxando-a veementemente para dar mais ênfase ao seu pedido.

- Sim, Lhana, vamos assim que pudermos. – Hehashiro sorriu, acariciando os cabelos da filha.

- Ou assim que seu chefe achar que pode se dar ao luxo de ficar sem mais um de seus melhores empregados. – Comentou Nathaliya, um pouco menos sarcástica do que o normal. Umeragi não havia pensado duas vezes antes de dar à Rumiko todo o tempo de licença que ela precisasse, porém ele havia deixado claro que seus empregados não grávidos não poderiam desfrutar de tamanho privilégio tão cedo.

Pouco tempo depois as sombremesas do grupo começaram a chegar, algum tempo depois as crianças pentelharam os adultos para conseguir repetir. Hehashiro e Rumiko estavam brigando com Nathaliya para ver quem pagava a conta quando a mestra de Fenki sentiu um forte apertão na barriga e gritou alto o suficiente para chamar a atenção do cachorro preso do lado de fora do restaurante vizinho.

- Rumiko! Você está bem? O que aconteceu? – Perguntou Toshihiro, imediatamente entrando em pânico. Os demais adultos também tinham expressões similares.

- Dói! – Foi tudo que ela conseguiu dizer, agarrando a barriga e se curvando para frente. – Acho que alguma coisa vai explodir...

Lhana e Hikaru imediatamente fizeram cara de quem não conseguia acreditar que seus sonhos estavam para se tornar realidade. Por sorte Nathaliya censurou-os antes que eles pudessem dizer o que realmente tinham em mente:

- Agora não é hora pra isso, crianças! Rumiko, se você conseguir se levantar eu te ajudo a ir até o banheiro...

- Tá... eu... – Rumiko tentou se mexer, apoiando-se em Toshihiro. – Ai! – A mestra de Fenki sentiu algo molhado escorrer por suas pernas e imediatamente entrou em pânico. – Sangue! É sangue! Ai meu deus!

As crianças, provavelmente não percebendo a gravidade da situação, tentaram se aglomerar em volta de Rumiko para ver o que estava acontecendo. Lily e Hehashiro conseguiram segurá-los em tempo, porém, e a mestra de Roufe aproximou-se da cunhada para ver o que estava acontecendo.

- Não é sangue, Rumiko, é água. – Disse ela, sorrindo aliviada. – Pelo visto não vai ser só a filha do Vladmir que vai nascer essa noite.

- Ai meu deus! – Rumiko gritou ainda mais alto, sentindo o pânico se apoderar de vez dela. – Agora? Já? Mas eu não estou pronta, e os bebês... eles têm só sete meses...

- Vai dar tudo certo, Rumiko. Os médicos disseram que gêmeos têm mais chance de nascerem prematuros, lembra? Nós só temos que correr para o hospital... – Lily lançou um olhar significativo para Toshihiro, que depois de dois segundos de confusão finalmente entendeu a mensagem.

- É, é isso mesmo! Rumiko, fica aqui enquanto eu vou pegar o carro! – Pediu o mestre de Fenku, assumindo o controle da situação com tanta calma e perfeição que até mesmo seu irmão ficou impressionado. – Hehashiro, paga a conta! Nathaliya, se você quizer você pode acertar com ele depois! Lily, diga pra Rumiko que tá tudo bem! E crianças, fiquem quietas!

E ele saiu correndo porta à fora rumo ao estacionamento. Nathaliya e Lily ajudaram Rumiko a chegar à porta enquato Hehashiro se acertava com o garçon e as crianças aproveitavam-se do caos para correr de um lado para o outro e torcer para que Rumiko desse a luz no carro com eles por perto.

Depois de alguma discussão sobre quem iria com quem, ficou decidido que Nathaliya e Lily ficariam com Rumiko no banco de trás do carro de Toshihiro e Hehashiro levaria sua filha e cunhado para o hospital em seu próprio carro. Hikaru e Lhana, depois de tentar protestar por perderem a chance de ver os bebês nascendo no carro, assumiram com gosto a tarefa de ligar para todos os seus amigos para contar a novidade, de modo que quando o trio finalmente chegou à maternidade todos os beybladers já estavam à caminho também.

Enquanto isso, Toshihiro tentava não se distrair com os gritos da esposa e as tentativas de Lily e Nathaliya de acalmá-la. Para piorar sua situação, alguns minutos depois de cair na estrada a chuva começou a cair com força. Tentando correr no asfalto molhado, Toshihiro passou muito perto de perder o controle e bater contra um poste algumas vezes, mas de algum modo sempre conseguiu se desviar no último segundo.

- Vai nascer, vai nascer! – Gritou Rumiko depois de uma contração particularmente forte. Assustado, Toshihiro quase perdeu o controle da direção novamente, o que fez com que Rumiko gritasse ainda mais.

- Só mais um pouco, Rumiko, estamos quase lá! – Exclamou Lily, apertando a mão da cunhada. Rumiko estava deitada no banco de trás com a cabeça no colo da irmã e encarando Lily para tentar se manter calma.

- Ai! Acho que eles não querem esperar!

Felizmente para todos, Toshihiro estacionou na maternidade apenas três minutos depois, e Rumiko foi levada para a sala de parto. Toshihiro foi autorizado a ficar com a esposa, porém Lily e Nathaliya tiveram que esperar do lado de fora por falta de espaço.

Mal os médicos posicionaram Rumiko na cama e a primeira bebê empurrou e chorou seus primeiros momentos de vida do lado de fora. Eram onze e meia da noite. Toshihiro foi o responsável por cortar o cordão umbilical da criança e passá-la aos médicos que a examinariam enquanto o segundo bebê vinha ao mundo. O nome "Satsuki" foi gritado algumas vezes durante o processo.

Rumiko só conseguiu gritar o nome de Yuuki cerca de vinte minutos depois. O segundo bebê parecia bem mais relutante a sair do que o primeiro. Yuuki nasceu às 23:52. Os dois foram levados para a incubadora e Rumiko, para a sala de recuperação. Alguns minutos depois, à meia noite e cinco do dia 28 de fevereiro, Toshihiro e Hehashiro receberam uma mensagem de texto dizendo que Anya havia acabado de nascer e que ela e Lin passavam bem.

No dia seguinte (Texto em não-itálico some do nada)

(Beybladers ficam putos porque o texto em não-itálico sumiu do nada logo quando estava ficando interessante)

David U.: Hey, isso não é justo! Cadê o resto da história?

(Bilhetinho aparece do céu e cai vagarosamente perto do David U.)

(David U. pega o bilhetinho e lê em voz alta)

David U.: (lendo o bilhetinho) O resto da história só vai vir se alguém mandar um review pro capítulo dizendo que eles querem saber o fim da história.

Shizune: Típico... ¬¬''

Sasha: É mais uma estratégia suja para conseguir mais reviews! n.n

Aiko: (virando para uma câmera imaginária) Por favor, leitores, sejam legais e mandem reviews pra gente, ou então o Jamie vai se esquecer da nossa história pelo resto do ano!

Akiko: É, ajudem, por favor! XD

Aiko: E não se esqueçam de votar no melhor casal da fase 2! O poll ainda está no ar! XD E por enquanto "Koichi x Yuriy" está ganhando.

Kenji: Então quem não quizer ver o tio Koichi fazendo coisas de gente grande com o Yuriy-baka tem que votar pra evitar que isso aconteça! XD

David U.: E aqueles que querem que o Koichi-san e o Yuriy-baka ganhem uma fic só pra eles têm que votar também pra garantir que isso vai acontecer! XD

Shizune: Está dada a mensagem! XD

Sasha: Exatamente! XD

(Beybladers fazem pose de tipo de final de grande número musical)

(Aplausos pré-gravados para este fim soam no fundo)

(As cortinas se fecham no cenário do off-talk)

(Barulho de bebê chorando soa no fundo)

(E continua soando...)

(E continua soando...)

(E continua irritando...)

(E o elenco dessa história não está nem aí porque eles estão todos na maternidade vendo os verdadeiros bebês chorarem)

OWARI!