Nota do aniversariante/criatura que acabou de nascer: Nasci! Eu existo! XDDD

E como hoje é um dia feliz e triste ao mesmo tempo, preparem-se para flashback dramalhão do que aconteceu hoje.

É, Jamie escreveu os últimos momentos do outro David e os meus primeiros momentos de existência! Então vão lá ler e aproveitem! XDDD


CAPÍTULO X

FLASHBACKS E DEJA VUS

O despertador tocou primeiro no quarto de David. Era um daqueles modelos super-modernos que se guiava com sensores de calor para fugir de toda e qualquer tentativa de ser silenciado. Na verdade, este despertador nada mais era do que uma versão sadicamente melhorada do despertador de galhinha d'Angola que tanto atordoara os Taichi durante o campeonato mundial.

Obviamente havia um motivo para David ser diariamente sujeitado a tal tortura. E obviamente este motivo estava ligado a seus ataques de preguiça crônica que se repetiam toda a manhã. Quando David finalmente conseguiu sair do quarto, completamente acordado e um tanto atordoado, o resto de sua família já se encontrava na mesa do café. Lily e Lhana conversavam alegremente enquanto Hehashiro lia seu jornal e de vez em quando bebia um pouco de chá.

- Bom dia, David, dormiu bem? – Perguntou Lily ao garoto, sorrindo amigavelmente, como se não fosse culpa dela que seu filho precisava lutar contra um despertador maluco toda a manhã.

- Yeah, nem lembro de ter sonhado nada! Apaguei completamente! – Respondeu David, sentando-se e apanhando um cacho de uvas vermelhas. Lily sempre insistia que suas crianças tivessem uma alimentação balanceada, por isso o café da manhã invariavelmente incluía algum tipo de fruta que seus filhos sabiam que deveriam comer, sob pena de ter que enfrentar um grande sermão.

- Que bom. Estava com medo de que a ansiedade da viagem te desse insônia. – Lily sorriu ainda mais, observando o filho comer as uvas com um ar de "missão cumprida".

- Que insônia, que nada! Mal posso esperar pra sair por aí com os meus amigos e as nossas beyblades! Vai ser tão legal! – Exclamou David, rindo com a boca aberta cheia de uvas mal-mastigadas.

- Mais educação, por favor. Se você se comportar assim na viagem, não quero nem ver a vergonha que vocês vão passar. – Retrucou Lhana, rolando os olhos com os modos do irmão.

- Não tô nem aí, não é crime comer de boca aberta! – Respondeu David, mostrando a língua para a irmã para dar ênfases ao seu argumento.

- Não é crime, mas faz as pessoas ficarem bem menos propensas a te ajudar se acontecer algum problema. – Lhana rolou os olhos novamente, mas se recusou a se rebaixar ao nível do irmão e mostrar sua própria língua.

- Mas não vai acontecer nenhum problema! – Retrucou David.

- Como você sabe? – Perguntou Lhana, ergendo a sobrancelha.

- Porque se tivesse alguma possibilidade de qualquer coisa dar errado, nossa querida mamãe nunca deixaria eu sair de casa. – Respondeu David, zombeteiro. Lhana não foi a única a rir da piada.

- Até tu, Hehashiro? – Exclamou Lily, fingindo censurar o marido. – Eu aqui, preocupada com o bem-estar do nosso filho, e você aí rindo do fato que ele vai ficar longe de casa por três dias inteiros!

- É, porque quando eu tinha a idade do David eu não saí sozinho do meu país e percorri meio mundo durante míseros quatro anos... – Hehashiro continuou rindo enquando seus filhos acenavam com a cabeça para mostrar que concordavam com ele.

- Digam o que quiserem, mas quando vocês voltarem pra casa hoje, David terá tudo que precisa para uma expedição bem sucedida ao interior do país. E tenho dito.

Os demais sabiam que seria inútil tentar discutir com Lily, por isso ninguém disse mais nada. A refeição dos Urameshi continuou tranquila por mais algum tempo, até David se levantar correndo da mesa assim que terminara de comer.

- Yes, eu terminei primeiro! Eu terminei primeiro! – Gritou o garoto, sorrindo triunfante e correndo para seu quarto. – Eu ganhei da Monstra! Eu ganhei da Monstra!

- Não, pode voltar aqui, David! – Chamou Lily, alto o suficiente para o filho ouvir onde quer que estivesse. – Se você já terminou de comer, tem que ajudar a limpar a mesa antes de sair!

- Mas mãe! – Resmongou David, voltando para a sala com um ar de desanimado desespero. – Eu acabei de ganhar da Monstra pela primeira vez essa semana, não dá pra pegar leve comigo para variar?

- Não, cada um deve fazer a sua parte. – Declarou Lily com seu melhor ar autoritário. Enquanto ela falava, Lhana sorria triunfante para o irmão fazendo o "v" de vitória com a mão. – E essa sua implicância com sua irmã tem que parar mais cedo ou mais tarde. Se você quer me convencer que não é mais criança, é melhor começar a amadurecer logo.

- Mas mãe! – Resmungou David novamente, ainda mais exasperado. Ele agarrou seus cachos com força, desalojando duas lapiseiras e uma borracha de seu esconderijo cabeludo.

- Sem "mas". E é melhor correr, porque daqui a pouco vai ser hora de ir para a escola.

- Droga, tudo eu... – Apesar de contrariado, David obedeceu às ordens de sua mãe. Estava terminando de lavar seu prato quando Lhana chegou na cozinha com sua louça. Os olhos de David imediatamente se iluminaram. – Ahá, aposto que posso terminar tudo antes de você! – Exclamou ele, desafiando a irmã para mais uma competição inútil.

- Veremos, David, veremos...

Enquando seus filhos faziam um estrandalhaço na cozinha, Lily e Hehashiro continuavam sentados à mesa. Ambos já haviam terminado de comer, porém sabiam que não seria uma boa idéia arriscar entrar na cozinha e interromper a "competição" que acontecia por lá. Cedo ou tarde Lhana mostraria seu poder de irmã sete anos mais velha e David faria uma cena um tanto cômica sobre sua derrota. Com um pouco de sorte, tudo isso aconteceria em tempo de todos saírem de casa sem se atrasarem.

- Você podia ao menos parar de fingir que está lendo o jornal quando estamos sozinhos... – Disse Lily ao marido com jeito de quem não quer nada, mas na verdade está cheia de segundas intenções.

- Desculpe. Força de hábito. – Hehashiro não hesitou em jogar o jornal longe agora que não precisava mais bancar o homem sério e trabalhador na frente dos filhos. – Eu até que gosto de me fazer de sério, sabe, me deixa com ares de gente importante. – Os dois riram. Hehashiro odiava formalidades e hierarquias tradicionais. Uma das razões pelas quais gostava tanto de seu trabalho, apesar de ter que usar terno e gravata todo o dia, era que podia fazer o que quisesse em suas pesquisas e deixar Rumiko ou Umeragi levarem a grande maioria dos créditos. Desse jeito ele não ficava tão famoso quando a dupla e não era requisitado em eventos formais importantes nos quais provavelmente morreria de tédio.

- Sim, claro. Ainda bem que seus filhos sabem de sua verdadeira personalidade. – Respondeu Lily, rolando os olhos e dando um selinho na bochecha do marido. – Imagina se eles pensassem que seu pai é um homem importante!

- Não, uma coisa assim não pode ser! Ai de nós se um dia eles pensarem que eu sou tão competente quanto você!

- Bom, quanto a isso... – Lily abriu um sorriso maroto – Você está certo, ninguém nunca poderá saber que meu estimado marido e eu somos igualmente competentes em tudo, inclusive cuidar de nossos filhos...

- Se bem que você ainda ganha de mim no quesito "super-proteção exagerada"... – Comentou Hehashiro, arrastando sua cadeira para poder abraçar a esposa.

- Não acho que seja exagerada. – Lily mostrou a língua para o marido, mas não recusou o abraço. – E você ainda é o melhor em lidar com o vizinho da frente.

- É, não é muito complicado lidar o sujeito quando é mais do que óbvio que ele está caidinho por mim. Faz até bem pra minha auto-estima, sabe?

- É fácil pra você porque não é de você que ele morre de ciúmes. O dia que ele me cumprimentar como uma pessoa decente eu vou deixar o David sair na rua sem casacos no inverno! – O casal riu novamente, trocando carícias enquanto continuavam falando do tal vizinho.

- Ele não pode ser tão ruim assim, Lily. – Disse Hehashiro, erguendo uma sobrancelha. – O cara tem uns trinta anos, já passou da fase de fazer criancices como essas.

- Se você duvida de mim, fica observando quando eu, a Lhana ou o David falamos com ele. Se ele achar que você não está por perto, ele age como se fôssemos insetos nojentos. – Lily rolou os olhos, fazendo Hehashiro arregalar os seus. – Ao menos ele parou de bater na nossa porta por motivos bestas só pra poder interagir com você. O pobre homem devia estar desesperado...

- Espero que os nossos filhos nunca cheguem a esse ponto. – Declarou Hehashiro, acariciando os cabelos encaracolados da esposa. – Que eles arranjem namorados decentes que não façam eles passarem por esse tipo de situação!

- Hehashiro, a Lhana já disse que pretende ter namoradas também. – Retrucou Lily em tom divertido, enfatisando o gênero das pretendentes de sua filha. – Ou será que já se esqueceu disso?

- Esquecer? Nunca! – Hehashiro se fez de ofendido, mas logo ele e Lily estavam rindo novamente. – Só esqueci de usar uma palavra mais neutra. Aliás, considerando que o David já tem quase doze anos, daqui a pouco vai ser a vez dele chegar com seus casinhos. Acha que ele vai ser que nem a irmã?

- Eu acho que você está tentando apressar as coisas demais. – Respondeu Lily, erguendo uma sobrancelha. – Só porque David nunca mostrou nenhum interesse por meninas ou meninos não podemos sair por aí adivinhando de quem ele vai gostar quando chegar a hora. Isso só significa que ele é ainda bastante criança e que devemos esperar e ser pacientes...

- Eu sei, Lily, eu sei... – Hehashiro sorriu e beijou brevemente a esposa. – Eu só quero ter certeza de que Davia vai confiar na gente como a Lhana fez.

- Falando assim até parece que você já sabe que ele é gay. – Disse Lily em tom de riso e erguendo a sobrancelha novamente.

- Ele bem pode ser. E se um dia ele vier me contar sobre isso, espero que seja quando eu estiver lendo jornal na mesa do café. Porque sabe, eu pareço um homem importante nessas horas.

O casal riu novamente. Pouco tempo depois David e Lhana saíram da cozinha e começaram a se aprontar para a escola. Hehashiro e Lily aproveitaram essa oportunidade para terminar de arrumar a bagunça do café, e logo depois Hehashiro também foi se arrumar. Estava pronto em cinco minutos, mais rápido que seus dois filhos.

- Crianças, eu estou indo buscar a tia Rumiko! – Chamou o antigo mestre de Kufe, fazendo Lhana e David saírem correndo de seus quartos para se despedir. A jovem já estava quase pronta, faltando apenas colocar o blazer da escola. David, no entanto, se aproximou de seu pai vestindo apenas camisa e cueca. Hehashiro só não riu porque era isso que acontecia todas as manhãs. – Nos vemos hoje à noite! Esforcem-se na escola e tenham um bom dia!

- Sim, pai! – Responderam os filhos em um coro ensaiado. Lhana e David trocaram olhares divertidos e falsamente inocentes.

- E não se atrasem para a escola! – Continuou o antigo mestre de Kufe, olhando para David.

- Ah, pai, você sabe que a gente sempre consegue chegar bem na hora que o sinal bate! Não tem com o que se preocupar! – Respondeu David, dando de ombros. – Mas pode deixar que eu vou fazer o melhor possível para ficar pronto daqui a cinco minutos! – Apesar de sua fala, David não se mexeu até seu pai sair de casa. Lhana ficou pronta logo depois e se despediu do irmão com um simples "mais sorte da próxima vez".

- David, você pegou seu almoço? – Chamou Lily ao ver que o filho já estava na porta de casa. – E a lição de casa que pediu que eu te ajudasse a terminar?

- Sim e sim! – Respondeu o garoto. – Eu tenho que ir logo buscar o Sasha e o Yuuki ou eles vão ficar brabos comigo! – David deu um beijo rápido em sua mãe antes de sair porta à fora. Os passos pesados e apressados do garoto descendo correndo pelas escadas puderam ser ouvidos pela antiga mestra de Roufe por um tempo considerável.

Lily ainda ficou algum tempo aproveitando o silêncio da casa vazia antes de decidir visitar o cunhado. Na verdade, ela não conseguia aproveitar uma casa vazia, pois sentia falta de seus ocupantes assim que eles não estavam mais à vista.


Como prometera a sua família, Lily foi mesmo às compras naquela tarde. Por causa disso, a mochila de David era provavelmente a mais bem-equipada de todas: havia barracas, garrafas de água, sacos de dormir, comidas super-nutritivas que não ocupavam muito espaço e até mesmo uma bússola. Enquanto se mantinha ocupada arrumando as coisas do filho, Lily se esquecera que David não sabia exatamente como usar uma bússola..

- O que mais falta? – Perguntou Lily para ninguém em particular. David e Hehashiro estavam com ela no quarto do garoto, enquanto Lhana se encontrava na sala terminando sua lição de casa. Agora que estava o último ano da escola, sua montanha de tarefas chegava a níveis absurdos, porém com a mãe que tinha, a jovem havia aprendido desde cedo os truques para escalá-la com sucesso.

- Roupas. – Sugeriu Hehashiro, observando as coisas que sua esposa colocara em cima da cama, a grande maioria objetos portáteis de última technologia. – Ou ao menos cuecas.

- Você está certo! Como pude me esquecer? – Exclamou Lily, ficando um pouco envergonhada por sua gaffe. Ela não perdeu tempo em correr para o guarda-roupa do filho e começar a escolher uma série de verstimentas para ele. – Cuecas, meias, pelo menos três camisetas, bermudas... você devia levar ao menos uma calça e um casaco também. Nunca se sabe o que pode acontecer!

- Mãe! Estamos em junho! – Exclamou David, horrorisado com a quantidade de coisas que sua mãe pretendia que ele carregasse. Mesmo que todos os objetos estivessem embalados em pacotes pequenos e fáceis de carregar, não tinha jeito de sua mochila conseguir suportar todas essas coisas. – Eu não preciso de casaco, preciso de guarda-chuva e olhe lá!

- É sempre bom levar casacos, David. Vocês precisam estar sempre preparados para tudo! – Respondeu Lily com um ar de autoridade. Hehashiro sabiamente decidiu não intervir.

- Mas eu não tenho espaço para tudo isso! Eu sou um só, e sou pequeno e magrinho! – Protestou David, cruzando os braços e fazendo beicinhos.

- Você pode ir vestindo o casaco... – Sugeriu Lily, escolhendo uma jaqueta de algodão que não era exatametne pesada, mas que deveria manter o filho aquecido se as temperatures chegassem a menos de quinze graus (o que no verão de Tóquio era praticamente impossível).

- No way! – Exclamou o garoto, se aproximando da mãe para poder abraçá-la. Nesse momento Hehashiro percebeu o que estava para acontecer e se aproximou da esposa também. – Mãe, eu sei que às vezes você acha que eu vou ficar doente com só um pouquinho de frio e que você só quer ajudar, mas eu não preciso disso. Eu não sou o outro David.

- Não, é verdade, você não é... – Lily abraçou o filho também, acariciando cuidadosamente seus cabelos, desviando-se dos objetos aleatórios escondidos nele. – Me desculpe, David. Eu já devia ter parado de fazer essas coisas.

- É. Daqui a pouco eu vou fazer doze anos, sabia? – Disse David, apertando o abraço. – Vocês não querem que eu cresça traumatizado porque meus pais me tratam como se eu fosse uma outra pessoa e se esquecem que eu sou eu mesmo, querem?

- Não, não, não. Nós nunca íamos querer isso. – Respondeu Hehashiro, já que Lily encontrava-se ocupada demais tentando não chorar. – Nós sabemos que você não é o outro David, mas às vezes você faz as coisas tão parecidas com ele que, bem...

- Que a mamãe acha que pode me encher de casacos pra compensar, né? – Completou o garoto, sorrindo e rolando os olhos. – É, eu sei. Culpa minha ser tão legal...

- Não diga essas coisas! – Censurou Lily, finalmente conseguindo falar. – Ao menos não desse jeito. Não é "culpa sua" de nada. Você é do jeito que você é porque é assim que as coisas são. Eu é que tenho que aprender a parar de ver o outro David em você. Me desculpa, David?

- Claro, mãe. Eu sempre desculpo.

Os três Urameshi continuaram abraçados por algum tempo. Lhana, alertada pelo silêncio do quarto, logo se juntou a eles. David acabou convencendo sua mãe a não empacotar nenhum casaco, porém não conseguiu impedir a mulher de incluir todas as três camisetas, meia dúzia de cuecas e meias e quatro bermudas em meio a todos os carecos práticos que ela recém comprara.

- Se você começar a achar que sua mochila está muito pesada, tenho certeza que Tsubasa-kun não vai se importar em te ajudar. – Declarou Lily quando David tentou colocar sua mochila nas costas e quase caiu para trás com o peso e volume de todas as coisas.

- É, só que eu só vou ver o Tsubasa-san amanhã. – Resmungou o garoto, fazendo um grande esforço para colocar a mochila de volta na cama. Sua irmã acabou ajudando-o.

- Ora, David, não seja tão fresco! Nem está tão pesada assim! – Exclamou a jovem, zombeteira. – Eu não vejo nenhum problema em carregar essa mochila pela viagem inteira...

- É, porque você é uma Monstra grande! Eu sou só um garoto pequeno! – Devolveu David, mostrando a língua.

- E fraco também. Você precisa de mais músculos! – Retrucou Lhana, fazendo pose de gente importante para constratar com o comportamento infantil de seu irmão.

- Espera só até minha puberdade chegar! Eu vou ficar tão forte que vou te levantar no ar e sair correndo com você pela casa!

- Mal posso esperar! Quem sabe até lá você já não cresceu um pouco também? Porque se continuar baixinho desse jeito vai ser meio complicado fazer qualquer coisa comigo!

- Hey, eu sou quase do tamanho do papai! – Protestou David, ficando de pé ao lado de Hehashiro para provar seu argumento. O garoto era apenas meia cabeça menor que seu pai.

- Sem ofença, David, mas ser mais alto do que eu não quer dizer muita coisa. – Disse Heahashiro, rindo da discussão. – O único adulto menor que eu é o Takashi, eu sou quase um anão...

- Isso não é justo! – Exclamou David, batendo o pé no chão. – Porque a Lhana cresceu tanto se vocês dois não têm nem 1,60m? Isso não faz sentido...

- Porque a única razão de eu ser baixinho é porque eu não me alimentei direito quando estava em fase de crescimento. – Explicou Hehashiro, lembrando-se de seus dias de menino de rua na África do Sul. – Toshihiro é tão alto quando a Lhana, e meus pais são altos também. E Vladmir é uma girafa.

- Então eu espero não puxar o lado da mamãe... – Respondeu David, mostrando a língua para o pai. Lily fingiu estar braba, mas logo riu junto com o resto da família.

- Boa sorte, David. – Lhana respondeu, piscando para o irmão.

- Veremos, Nee-san, veremos.

E com isso a família deslocou-se para a sala de TV, onde passaram algumas horas assistindo a programas de comédia antes de se preparar para dormir. Lily insistiu que David ficasse em seu colo, e o garoto acabou decidindo não contrariá-la.


Lily só foi para a cama depois de ter certeza de que David estava adormecido. Apesar dos protestos do garoto, ela colocou-o na cama e ficou com ele no quarto por cerca de meia hora, como se David fosse uma criança pequena. O garoto só deixou que ela ficasse porque a mulher prometera não incomodá-lo sobre suas roupas ou seus modos no dia seguinte. Quando a mulher finalmente deitou-se ao lado do marido, Hehashiro cumprimentou-a em tom de riso:

- Já está com saudades dele?

- Já. – Respondeu Lily, com ar de quem falava a coisa mais óbvia do mundo.

- Vai dar tudo certo, não precisa ficar tão preocupada. – Hehashiro chamou a esposa para para perto dele, abraçando-a e acariciando seus cabelos.

- Mas o David ainda é uma criança! E ele vai sair sozinho com outras crianças! Como eu posso não me preocupar?

- David vai estar com o Tsubasa-kun e a Satsuki, os dois juntos valem por pelo menos um adulto... – Retrucou Hehashiro, bem despreocupado.

- Ainda assim... não faz tanto tempo assim que David estava aprendendo a andar, e agora...

Hehashiro rolou os olhos e apertou o abraço na esposa. Ele queria rir de sua fala, mas depois de fazer um pouco de esforço para contolar sua primeira reação, acabou dizendo outras coisas:

- Lily, faz mais de dez anos que o David aprendeu a caminhar. Já faz quase doze anos que ele saiu da sua barriga. O que exatamente você considera "tanto tempo assim"?

- Pra mim ainda parece que foi ontem! – Exclamou Lily em resposta. – Eu lembro de todos os momentos da infância do David e de seus tempos de bebê como se fossem ontem! – A mulher se aconchegou nos braços do marido. – Começando no dia que ele nasceu...

- Mas esse dia vai ser difícil pra qualquer um esquecer. – Respondeu Hehashiro, pousando sua cabeça no ombro de Lily. – Principalmente você.

- E você também. David era o seu melhor amigo, não era? Você não precisa se fingir de forte só porque sabe que eu tenho meus problemas. – Foi a vez de Lily acariciar o que ela conseguia alcançar dos cabelos do marido. Os dois acabaram se deitando um de frente para o outro trocando carícias enquanto suas mentes eram invadidas pelas memórias do nascimento de David, que não por acaso coincidia com a perda de um grande amigo.

Lily estava grávida de sete meses quando o telefone tocou em uma manhã de final de outubro. Ela havia parado de trabalhar há algum tempo, pois já não conseguia mais se concentrar em nada além de seu segundo filho. Hehashiro dizia que era por causa de seus hormônios maternais, porém Lily sabia que ela agia assim porque não podia esperar para ser mãe novamente. Agora que Lhana estava grandinha e ela e Hehashiro tinham carreiras seguras, ela tinha certeza que criar o novo bebê seria uma experiência bem diferente e, com um pouco de sorte, menos complicada.

- Alô, quem está falando? – Ela atendeu o telefone, curiosa. Não estava esperando nenhuma ligação.

- Lily? É o Mário. – Respondeu a voz de seu amigo do outro lado da linha. Ele parecia agitado, o que logo colocou Lily em estado de alerta. As próximas falas do fotógrafo fizeram seu coração saltar, mergulhando-a em seu pior pesadelo. – David não está muito bem. Baixou hospital hoje de manhã.

- O que aconteceu com ele? – Parte de Lily estava impressionada com sua capacidade de falar mesmo com o choque. A outra parte insistia em fazer com que seus olhos se enchessem de água.

- Ele teve que trocar seus remédios faz pouco, a combinação antiga estava perdendo o efeito. Faz uma semana que ele estava passando mal por causa dos efeitos colaterais, e agora parece que ele pegou pneumonia. – Respondeu Mário, parecendo tão aflito quando a amiga.

- Ele vai ficar bem? – Perguntou Lily. Mário não respondeu. Entendendo o que o silêncio significava, a mestra de Roufe deixou as lágrimas correrem livremente. – Quanto tempo? – Ela mudou a pergunta. Mário sabia exatamente ao que ela se referia.

- Talvez mais alguns dias. Não temos certeza.

- Nós vamos sair daqui hoje à noite. O mais cedo possível. Diz pro David nos esperar que nós estamos chegando!

A conversa com Mário acabou logo em seguida. Lily tinha que ligar para Hehashiro e explicar a situação. O homem estava no trabalho, por isso todos os seus colegas também ouviram a triste notícia. Diante da agonia de seus empregados, Umeragi ofereceu seu jato particular para levar os Urameshi para a África do Sul. Hehashiro, Lily e Lhana deixaram o Japão cerca de uma hora depois.

Era dia trinta de outubro quando os Urameshi entraram no hospital à procura de seu melhor amigo. Encontraram David em um quarto individual, dormindo com sua mãe e irmão ao seu lado. Como se sentisse a presença dos amigos, porém, David logo acordou.

- Vocês vieram! – Exclamou ele com a voz fraca e rouca. Sua mão segurava a máscara de oxigênio que deveria estar sobre sua boca. – Quando Mário me disse que vocês estavam à caminho eu achei que estivesse delirando...

- Até parece que a gente ia ficar lá no Japão em uma hora dessas! – Retrucou Lily, se aproximando da cama do amigo. Lhana, então com sete anos, segiu a mãe.

- Dindo David, você parece uma caveira! – Exclamou a garotinha com um sorriso inocente. Seus pais haviam tentado lhe explicar o que estava acontecendo, porém Lhana se recusava a agir do mesmo jeito que o casal. Seu Dindo David ainda estava sorrindo para ela, então sua situação não podia ser tão ruim assim.

- É, eu já estou pronto pro Dia das Bruxas! – Respondeu o jovem, sorrindo como se quisesse mostrar todos os seus dentes. Ele estava bem mais magro do que Hehashiro e Lily se lembravam e seus olhos estavam inchados e vermelhos. – Qual vai ser a sua fantasia?

- Eu quero ser uma fadinha! Hika-chan vai ser um vampiro porque o tio Vladmir vai passar uns dias com o Tio Toshi e a Momo-chan quer ser um pirata, então decidi ser a fadinha que vai enfeitiçá-los pra me dar todos os doces que eles ganharem! – Exclamou a garotinha com toda a excitação que se poderia esperar de alguém da sua idade às vesperar de se entupir de doces. – Mas a mamãe disse que a gente não vai voltar à tempo para a festa, então eu acho que não vou de nada...

- Ah, isso não é justo! Se você perder a festa por causa de mim, vai ter que pedir pro Hika-chan e pra Momo-chan fazerem uma festa só pra você quando você voltar! – Disse David ainda em seu tom animado.

- Quando voltarmos, não estaremos com vontade de comemorar muita coisa. – Interrompeu Lily, encarando o amigo com sobriedade. – É por isso que estamos aqui, não é? Porque você... você... – A mãe de David tomou Lily em seus braços para consolá-la, já que a mestra de Roufe estava começando a chorar. Jane Dubiaku já havia chorado tudo que podia durante as últimas horas, e desde então passara a encarar a situação com a mesma naturalidade que seu filho mais velho. Não fazia muito que havia perdido o marido em um acidente inesperado, por isso sentia-se mais forte e mais preparada do que nunca para lidar com mais essa perda.

- Ah, não! Eu não quero ser motivo de terminar com a festa de ninguém! – Exclamou David, tetando parecer ainda mais animado e energético ao ver a reação de Lily. Por causa de seu esforço, porém, acabou tendo um ataque de tosse violento que o fez cuspir um pouco de sangue. Apesar de Lily e Hehashiro se mostrarem preocupados, David continuou falando como se nada tivesse acontecido. – Vocês precisam fazer uma festa pra Lhana depois, ainda mais se forem ficar com essas caras de enterro até o ano que vem! Ela não merece ter que aturar vocês assim!

- Mas David...

- Meu irmão está certo. – Interrompeu Jason, se aproximando de sua mãe e Lily. Quase dez anos depois de fazer sua parte para ajudar os beybladers a treinarem para o campeonato mundial, Jason havia se tornado um adolescente forte, bonito e carismático, com o mesmo ar maroto que seu irmão mais velho. – A vida continua, gente!

- Como é que você pode dizer uma coisa dessas, Jason? – Perguntou Lily, atônita. – Ele é seu irmão! Você deveria...

- É por causa que o Jason é meu irmão que ele entende. – Interrompeu o mestre de Neefe, parecendo só um pouco aborrecido com a amiga. – Eu sempre disse pra vocês que isso ia acontecer e que não queria dramas. Eu não quero ver gente chorando por minha culpa. – O jovem lançou um olhar de censura para Lily e sua mãe. – Eu quero mais é que meus amigos riam da minha cara e das minhas besteiras, e se lembrem das coisas boas que a gente fez. Se for pra ficar chorando, eu vou achar que todo o meu esforço de ser um cara legal foi em vão.

- É mais fácil falar do que fazer, David. – Disse Hehashiro, o único que continuava ainda um pouco distante da cama, porém não tanto por vontade de ficar longe, mas sim porque os outros três adultos e a criança ocupavam todo o espaço disponível. – A gente chora porque vamos sentir falta desses momentos alegres.

- Ai, caramba, mas vocês são muito complicados! – Resmungou o mestre de Neefe. Após um novo ataque de tosse, Jane forçou o filho a recolocar a máscara de oxigênio. O quarto ficou em silêncio por alguns minutos até Mário e uma mulher jovem e bonita, provavelmente da mesma idade que os The Strongest, aparecerem. David sorriu ao ver seus outros amigos e decidiu que ficara tempo demais de boca calada.

- Mário, Samara! Finalmente! Por que demoraram tanto? – Perguntou ele, falando com a voz mais alta que conseguia reproduzir.

- Samara queria comprar flores, mas só encontramos decorações de Dia das Bruxas, por isso te trouxemos um buque de aranhas asquerosas. Espero que goste. – Enquanto Mário falava, Samara entregava o "buque" para o mestre de Neefe.

- Adorei! Elas são nojentas e melequentas do jeito que eu gosto! – Exclamou David, sorrindo como uma criança em uma loja de brinquedos. – Lhana, se você quiser você pode levá-las para sua festa no Japão, o que acha?

- Eu quero! Eu também gosto de aranhas asquerosas! E A Momo-chan vai adorar elas também! E nós vamos assustar o Hika-chan! – Exclamou uma Lhana muito entusiasmada. Lily ia censurá-la quando seus olhos encontram os de David e ela desistiu.

- Ótimo. Elas serão minha herança pra você então! Temos um acordo? – Perguntou David para a garotinha, oferecendo sua mão para ela apertar. Lhana não hesitou.

- Sim! Fechado! Então elas serão minhas quando você for dormir e não acordar mais?

- É. Mas tem que esperar eu dormir! Roubar elas antes não vale! – David acenou com a cabeça fazendo uma expressão muito séria e compenetrada.

- Não, eu juro que não vou fazer isso! – Respondeu Lhana, também fazendo uma cara séria. Lily começou a chorar novamente, impressionada como sua filha conseguia encarar a situação com tanta naturalidade.

- Ótimo! Você é uma boa menina, tem que continuar assim mesmo sem o Dindo David por perto, viu? Ou eu vou voltar pra puxar seus pés durante a noite!

- Não precisa pedir essas coisas, Dindo David, eu vou sempre ser uma boa menina! Eu vou até ajudar a mamãe a cuidar do meu irmãozinho! – Lhana apontou para o barrigão de sua mãe, sorrindo fofinhamente. – Mãe, a gente pode chamar o bebê de David também?

- Não sei se é uma boa ideia. – Respondeu o David já nascido. – Dizem que os nomes podem influenciar as nossas personalidades. Não sei se a sua mãe aguenta outro como eu!

- Mas se ele for que nem você então a mamãe pode parar de chorar porque ela vai ganhar um David novo depois que você for embora e não vai sentir tanto sua falta! – Insistiu Lhana, com a teimosia característica de crianças de sua idade.

- Sabe, até que não é uma má idéia... – Concordou Hehashiro, sorrindo para a filha e o melhor amigo. – Acho que outro David vai fazer bem para nossas vidas...

- Oh, me sinto tão honrado! – Exclamou David, fazendo a pose mais dramática que conseguiu considerando que estava semi-sentado em uma cama de hospital com vários fios e tubos grudados em várias partes de seu corpo. – Queria poder conhecer o sujeito... mas eu tenho certeza que ele vai ser um cara legal, então tá tranquilo!

- Nunca se sabe, não é? Com esse negócio de vida após a morte... – Sugeriu Jason, piscando para o irmão.

- E reencarnação! Já pensou se eu volto como filho da Lhana? Ou filho do David? – Continuou David, gostando da idéia do irmão.

- Filho do David seria mais legal... – Ponderou Jason, pensativo. – Você seria David, filho de David, que recebeu esse nome em homenagem ao David que na verdade é você mesmo... Argh, minha cabeça dói! – Os três Dubiaku, Samara e Mário riram. Lhana pareceu não entender muito bem qual era a piada e Hehashiro sorriu levemente. Lily foi a única a permanecer séria. – Urameshis, vai ser a minha promessa de partida! Me aguardem, porque daqui a alguns anos eu volto pra atazanar a vida de vocês!

- David! – Exclamou Lily, ainda mais agoniada agora que a conversa falava abertamente da morte eminente do mestre de Neefe.

- Então tá, nós vamos esperar! – Respondeu o mestre de Kufe, fazendo esforço para sorrir mesmo quando seus olhos pareciam se tornar piscinas em miniaturas. Assim como Jason, ele havia finalmente aceitado os desejos do amigo, e estava decidido a fazer o possível para realisá-los. – É uma promessa! – Hehashiro se aproximou para que ele e David pudessem apertar as mãos. O mestre de Kufe não pode deixar de notar que, mesmo com toda a sua energia, David não conseguira realmente colocar muita força no aperto e sua mão estava bem fria.

David foi forçado a descansar algum tempo depois, e aos poucos o mestre de Neefe foi deixando de participar das conversas, preferindo observar seus amigos e família interagindo. Os sete visitantes permaneceram ao seu lado o tempo todo, se revezando para ocupar os lugares mais próximos de sua cabeça. Às nove da noite, hora que Lhana costumava ir para a cama, David convidou-a para deixar na cama com ele, e Lhana não hesitou em aceitar a proposta.

- Me dá um beijo de boa noite. – Pediu David assim que a afilhada encontrou uma posição confortável para ficar. – Eu quero o melhor beijo da melhor afilhadinha do mundo!

- Essa vai ser a última vez que eu vou te ver? – Perguntou a garotinha, parecendo mais curiosa do que triste.

- Acho que sim. – Respondeu David. Lily, que se encontrava mais afastada da cama, apoiou-se em Hehashiro e passou a chorar silenciosamente em seu ombro.

- Então tá! Vou dar um grande beijo e um grande abraço e vou ficar do seu lado até você ir embora! – Exclamou Lhana, fazendo exatamente como prometera. Após o abraço apertado e uma série de beijos babados, ela se deitou ao lado de David e se agarrou a ele. – Boa noite, Dindo David. Espero que você acorde em um lugar legal.

- Obrigado, Lhana. Boa noite pra você também. – Com um pouco de contorcionismo, David conseguiu beijar a testa da afilhada.

Depois que Lhana adormeceu o quarto ficou mais silencioso, afinal ninguém queria acordar a garotinha. David conversou mais um pouco com todos os seus amigos e até mesmo convenceu Lily a se aproximar com seu barrigão para que ele pudesse falar com o outro David.

- Honre o seu nome, viu, moleque! – Disse David para o bebê que ainda não nascera. – Não quero saber de um garoto comportado com esse nome!

Eram duas da manhã do dia 31 de outubro quando David anunciou que estava ficando cansado. Jane e Jason estavam perto dele na cama e foram os primeiros a se despedir.

- Vamos sentir sua falta, mas eu prometo fazer uma festa em sua honra todo o ano! – Disse Jason, bagunçando os cabelos do irmão mais velho.

- Divirta-se! Por nós dois! – Respondeu David, o mais entusiasmado que conseguia.

- Eu vou!

A despedida de Samara nada mais foi do que um beijo longo e surpreendentemente romântico na boca do mestre de Neefe. Os dois se encararam nos olhos por quase um minuto, e assim disseram tudo que precisava ser dito. Mário foi o próximo. David forçou-o a prometer participar de pelo menos uma das festas de Jason e de ajudá-lo a organisá-las sempre que possível.

Por fim, os demais adultos deram espaço para Lily e Hehashiro se aproximarem. O líder dos The Strongest fazia um certo esfoço para sorrir, porém sua esposa continuava com o rosto marcado pelas lágrimas.

- Eu não sei muito bem o que dizer... – Começou Hehashiro, olhando de David para Lhana e Lily, por fim decidindo-se que deveria encarar somente seu melhor amigo.

- Então não precisa dizer nada. Só promete que vai ajudar a Lily a ficar menos depressiva. Vai ser chato me despedir se ela continuar chorando desse jeito...

- Eu vou chorar agora e vou continuar chorando sempre e você não vai poder me impedir! – Exclamou Lily, quase aos berros. Felizmente Lhana não acordou. – Não importa se eu sabia que esse dia chegaria, se você estava tentando nos preparar para isso, se você não está nem aí! Você é um amigo muito importante pra mim e eu vou sentir a sua falta mais do que eu posso dizer com as minhas palavras!

- Eu tô muito cansado pra discutir. – Respondeu David, sorrindo levemente. – Eu vou sentir falta de vocês também, mas fazer o que... Bola pra frente. Me abraça então, e me dá um beijo. Na bochecha. Porque eu não quero deixar o Hehashiro com ciúmes.

Depois de ter que parar duas vezes para limpar as lágrimas, Lily finalmente fez como David pedira. Para a surpresa do mestre de Neefe, Hehashiro imitou a esposa logo em seguida, inclusive na parte do beijo.

- Divirta-se. – Disse o mestre de Kufe, ecoando as palavras do amigo. – E vê se aparece pra nos contar como é lá do outro lado.

- Eu vou tentar. – David deitou-se contra sua pilha de travesseiros. Sua voz ficava aos poucos mais fraca e embaralhada, como se mover seus lábios e cordas vocais se tornasse cada vez mais difícil. – E eu queria ter aquelas últimas palavras de efeito, mas em todos os meus vinte e seis anos de existência eu nunca consegui pensar na frase perfeita.

- Não precisa ser perfeita. – Disse Hehashiro. – Só precisa ser algo que você acha que precise dizer.

- Eu não quero frases de efeito clichê. Eu sou mais criativo que isso... – David piscou, depois fechou os olhos por alguns segundos. Sacudiu a cabeça e de repente estava sorrindo de novo. – Eu acho que sei o que vou dizer. Mas antes disso... – David virou o rosto para poder encarar atentamente cada um dos ocupantes do quarto, começando por sua mãe e Jason e terminando em Lily. – Eu vou querer dormir daqui a pouco. Por mais que a Lhana seja um bom aquecedor de lado, acho que não vai ser uma boa idéia deixar ela dormindo aqui quando os médicos chatos chegarem... – Entendendo a mensagem, Hehashiro delicadamente tirou a filha de sua posição confortável, deixando que David beijasse sua testa uma última vez. A garota não pareceu perturbada.

- Suas últimas palavras? – Perguntou Jason ao perceber que o irmão se acomodara novamente.

- É, acho que tá na hora mesmo. – Repondeu David, sorrindo apesar do cansaço. Seu corpo se tornava aos poucos pesado demais para se mover, porém ele fazia questão de continuar sorrindo. – Por favor, meus amigos, imortalizem as minhas últimas palavras. – Houve uma pausa de efeito em que todos os olhares se focavam em David com certa antecipação. Até mesmo Lily parecia interessada. O jovem sorriu ao perceber que havia atingido seu objetivo e encheu a boca para falar. – Sem mais casacos.

David ficou com os olhos abertos tempo suficiente para ver a reação de seus amigos, principalmente Lily. A mulher gritou, porém não por causa da dor ou da tristeza. O choque de ouvir as últimas palavras do amigo fez com que sua bolsa rompesse, molhando o chão do quarto e alertando médicos e enfermeiras. David bem que tentou resistir mais um pouco para ver como a cena terminaria, porém a última coisa que ouviu, já de olhos fechados, foi Lily gritando seu nome, embora considerando as circunstâncias provavelmente ela já se referia ao outro David.

E de fato, David Urameshi veio ao mundo apenas dez minutos depois. Os médicos não tiveram tempo nem mesmo de tirar Lily do quarto. Lhana acordou com a confusão e pediu para ser a primeira a pegar seu irmãozinho. Assim que o bebê foi colocado em seus braços, ela correu para a cama de seu Dindo David e depositou o bebê ao lado de seu corpo.

- Tchau, Dindo David. Você pode ir agora, porque nós já temos o outro David com a gente!

Uma brisa um tanto forte soprou, abrindo a janela do quarto pelo lado de dentro. Lhana sorriu e acenou, e pouco depois Jason a imitou. Os demais adultos não entenderam o que se passava, porém tinham seus palpites.

- Você acha que a gente trata o nosso filho como substituto do David? – Perguntou Lily após algum tempo em silêncio. Mesmo depois de tantos anos, ela ainda chorava ao se lembrar daquele dia.

- Acho que às vezes não podemos evitar. – Respondeu Hehashiro. – E o David sabe disso. Nós temos que nos considerar sortudos que ele entende a situação e não se revolta muito.

- Ainda. – Suspirou Lily. – Quando ele virar adolescente é bem capaz de a revolta começar pra valer.

- Não acho que ele seja esse tipo de pessoa. – Retrucou Hehashiro, envolvendo a esposa em um abraço de urso. – Ele fica brabo de vez em quando, mas no fim do dia ele sabe que não fazemos isso por mal e que estamos nos esforçando pra parar.

- Mas mesmo assim! – Exclamou Lily, aconchegando-se nos braços do marido. – Os casacos, as advertências, os sermões... Tudo que eu faço pra ele é o que eu falava antes pro David...

- Porque os dois têm quase exatamente a mesma personalidade, Lily. Isso é de se esperar. – Riu-se Hehashiro, lembrando-se das maiores travessuras de seu filho e de como sempre parecia que o mestre Neefe era quem realmente estava por trás delas.

- Espero que ele fique bem na viagem. – Suspirou Lily, fazendo um certo esforço para desviar o assunto um pouco. Era raro ela conseguir falar do mestre de Neefe por muito tempo.

- Ele vai ficar, as crianças vão estar todas juntas o tempo todo, não tem como nada dar errado. – Hehashiro rapidamente tratou de tranquilizar a esposa. – Além do mais, depois de todas as compras que você fez hoje, mesmo que aconteça alguma emergência não tem como ele não estar preparado. David e os outros podem sobreviver a uma catástrofe nuclear com todo o arsenal que você deu para ele.

- Espero que você esteja certo.

- Você vai ver, eu sempre acerto essas coisas.

Lily pensou em dizer que o marido não estava exatamente falando a verdade, mas mudou de idéia quando percebeu que Hehashiro tinha bolado um ótimo plano para fazê-la esquecer das preocupações da noite e colocar de lado as memórias tristes. Seu entusiasmo ao devolver as carícias do outro surpreendeu até a ela mesma, e graças a isso o casal conseguiu dormir tranquilamente.

No quarto ao lado, David sonhava que tinha uma filha, e que ela o acordara no meio da noite para dizer que tinha tido um sonho estranho sobre um mundo cheio de fantasmas de onde ela havia espionado a infância de seu pai. Quando acordasse pela manhã, porém, toda e qualquer lembrança desse estranho sonho sumiria de sua mente, pelo menos pelos próximos trinta anos.


(Cenário do off-talk todo escuro e silencioso)

(Uma vela acende no meio do cenário)

(Outras 46 velas acendem em pontos aleatórios no cenário do off-talk)

(Alguém começa a chorar bem audivelmente)

(Close na Lily derramando rios de lágrimas e quase apagando a vela que segura)

(Close no bebê recém-nascido David dormindo no carrinho e nem aí pro choro da mãe)

Fantasminha David: Ah, mas tem que começar o off-talk da minha morte chorando? Depois de tudo que eu disse sobre fazer festa? (Fantasminha David aparece flutuando no cenário do off-talk) Até parece que eu vou sumir da história só porque eu não tenho mais corpo físico! u.ú

Hehashiro: O David tem razão, Lily... O.o

Lily: (chorando rios) T.T

Umeragi: Eu sugiro deixar a Lily chorando no canto enquanto o resto de nós faz a festa do off-talk.

Takashi: Eu acho que alguma coisa está muito errada quando o chefe é quem sugere uma festa, mas festa é festa, então eu concordo! XD

Umeragi: Takashi, você acabou de fazer 17 anos. Eu ainda não sou seu chefe.

Takashi: Que seja! Vai ser um dia! u.u

Ken: Takashi ainda é um pirralho... XDDD (Ken de pé ao lado do Takashi pra mostrar quão mais alto ele é)

Takashi: Espera até eu terminar a escola! Aí eu vou ganhar um emprego melhor e com salário maior que o teu e você vai ficar chupando o dedo. Ou não, porque chupar o dedo faz mal pros dentes e você sabe-se-lá porque resolveu que vai virar dentista! XDDD

Ken: Blé! (Ken mostra a língua pro Takashi)

Kazuo: Acabaram as discussões de pré-escola? Temos um off-talk pra fazer... u.ú

Ken: Não se meta, seu lobinho de meia tigela! ò.ó

Rumiko: Gente, gente, não briguem! Nós estamos aqui pra fazer a festa de despedida do David e festa de boas-vindas do David! E o que eu acabei de dizer me deixou bem confusa... O.o''

(Rumiko tentando entender o que ela mesma disse sobre as festas do off-talk)

Satsuki K.: Então não vai ter nenhum velório ou cerimônia solene?

Fantasminha David: Que mané velório! Eu quero festa! F-E-S-T-A! (Fantasminha David "pulando" pelo teto do off-talk) Comemorem até não poder mais, e façam o outro David entender que ele tem uma reputação a manter com o nome dele!

Hehashiro: Com isso você não precisa se preocupar, ele vai crescer do jeito que você queria. XD

Fantasminha David: Eu sei, mas é sempre bom deixar a mensagem bem clara! XDDD (Fantasminha David se aproxima do carrinho do David) A partir de agora, eu vou ser seu mentor espiritual e vou guiar o seu caminho na direção das travessuras e comédia pastelão! XDDD

Nathaliya: Se isso aqui não fosse um off-talk que se passa em 2012 com personagens que sabem o que vai acontecer pelos próximos 12 anos, eu ficaria com medo do nosso futuro. u.ú

Isaac: Ainda bem que nós sabemos de tudo que o David vai aprontar, mesmo se tecnicamente ele acabou de nascer... n.x'

Bebê Kouji: Oi! 8D (Bebê Kouji aparece do nada no cenário do off-talk só pra chamar atenção)

Satsuki K.: Kouji! O que você está fazendo aqui? (Satsuki K. corre pra pegar o bebê Kouji no colo com cara de mamãe super-protetora)

Kouji: Mamãe sumiu pra ir pro off-talk, então eu sumi também! 8DD

Yoshiyuki: Oh, o Kouji quer aparecer! XDD (Yoshiyuki pega o Kouji do colo da Satsuki K.) Esse é o meu sobrinho fofinho! XDDDDDDD

Koichi: ¬¬''

Fantasminha David: Como hoje é o off-talk especial da minha festa de despedida, todo mundo vai aparecer do jeito que eles são no dia trinta e um de outubro de dois mil e doze. E tudo escrito por extenso porque eu sou foda! XDDD

(Frases Entre Parênteses olham feio pro Fantasminha David porque ele se deu ao trabalho de escrever a data de hoje por extenso só pra ocupar mais espaço)

Toshihiro: O que signifca que a Rumiko e eu tivemos que trazer a Satsuki e o Yuuki como bebês...

(Bebê Satsuki começa a chorar em algum lugar do cenário do off-talk)

(Toshihiro sai correndo procurando a bebê Satsuki com uma mamadeira na mão)

(Bebê Yuuki começa a chorar em algum outro canto do cenário do off-talk)

(Rumiko sai correndo procurando o bebê Yuuki com uma mamadeira na mão)

Hikaru: Pode deixar, Rumiko Nee-san e Toshi-Nii-san, eu vou salvar vocês! XD

Lhana: E eu também! XD

Momoko: E eu também! XDD

(Hikaru, Lhana e Momoko saem correndo e acham os gêmeos bem mais rápido do que a Rumiko e o Toshihiro)

Lin: Sou só eu ou mais alguém está impressionado que um grupo de crianças entre dez e sete anos foi capaz de encontrar os bebês perdidos mais rápido do que seus próprios pais?

Vladmir: (Segurando a bebê Anya como quem tem muita prática) Não sei se "impressionado" é a palavra certa... u.u

Toshihiro: Antes de humilhar, tentem cuidar de dois bebês vocês também! ¬¬''

Yoshiyuki: Nossa, o Toshihiro fez a cara que o Nii-chan sempre faz quando a gente fala muita besteira! XDDDD Como a paternidade muda a gente... XDDDD

Koichi: ¬¬''''

Umeragi: E essa é a segunda aparição do Yuy e a segunda vez que ele não faz nada além dessa cara de poucos amigos... u.ú

(Bebê Kouji caminha até o Koichi e começa a pedir colo)

(Beybladers ficam olhando pro Koichi com caras de quem vai ganhar um presente de natal adiantado)

(Koichi olha pro bebê Kouji com cara de poucos amigos)

(Bebê Kouji sorri pro Koichi e continua pedindo colo)

(Beybladers continuam na expectativa)

(Franklin começa a recolher apostas dos beybladers)

(Frases Entre Parênteses apostam que o Koichi vai continuar esnobando a criança até o fim do off-talk)

Fantasminha David: Hey, essa é a minha festa de despedida, será que dá pra gente se concentrar em mim pra variar? ò.ó

(David chamando a atenção das Frases Entre Parênteses atravessando as letrinhas que elas escrevem com seu corpo incorpóreo)

Emy: Como alguém pode ter um corpo incorpóreo? Se é incorpóreo, então não é um corpo...

Fantasminha David: Ah, loirinha, agora que eu sou um fantasma eu não preciso mais prestar atenção nas leis da lógica! XDDDD

(Fantasminha David flutuando pelos ares e fazendo malabarismos para demonstrar seu argumento)

Ken: Legal! Eu quase quero virar fantasma também só pra fazer essas coisas! XDD

Takashi: Ken Baka, você não pode virar fantasma ainda, a Shizune acabou de nascer e você não pode deixar ela com a mulher louca que você arranjou...

Ken: O.O Verdade. O.O (Ken pega a bebê Shizune e se esconde em algum canto obscuro do cenário do off-talk)

Fantasminha David: Gente, a festa... XDDD (Fantasminha David começa a atravessar pessoas para chamar atenção)

(Beybladers saem correndo porque ser atravessado por um fantasma é uma sensação muito estranha)

Hehashiro: Você venceu, David, você venceu... u.u'

(Começa a tocar música de festa no fundo do off-talk)

(Close no Isaac e nos músicos da orquestra da Islândia tocando a música de festa)

(Pausa para as Frases Entre Parênteses usarem seus poderes narrativos para fazer propagando da história da orquestra islandesa.)

(Pausa pro Isaac pedir pra ele fazer a propaganda da história da orquestra islandesa)

Isaac: Só pra dizer que Jamie decidiu fazer uma espécie de crossover entre Beyblade 2 e uma história que por enquanto ele chama de The Orchestra, que como diz o título é sobre uma orquestra na Islândia. No capítulo 9 eu apareço como solista da vez. Ou seja, pra quem está curioso para saber como vivemos nossas vidas entre 2004 e 2024, tá aí uma dica.

(Isaac agradece a todos e volta a tocar com a orquestra da Islândia)

(Frases Entre Parênteses aproveitam pra dizer que sexta-feira o Jamie vai começar a colocar The Orchestra no Fiction Press, mas que por enquanto os leitores podem conferir essa história no nosso site. Todos os links estão no Profile do Jamie! XDDD)

(Frases Entre Parênteses criam mais um espaço inútil para incentivar os leitores a lerem The Orchestra)

John: Eu também tenho um crossover pra anunciar...

Fantasminha David: Ah, não! É muita propaganda pra um off-talk só! Vai anunciar no próximo! Ò.ó

John: Tá... i.i

(Frases Entre Parênteses ficam com pena do John, mas não podem desobedecer o dono do off-talk do dia)

Fantasminha David: Agora sim! Vamos começar a festa! XDD (Festa começa) E já que é uma festa de despedida e eu sou um fastaminha muito camarada, eu decidi trazer uns convidados especias...

(Entram todos os fantasmas de gente que um dia foi importante para os beybladers)

Kazuo: Susumu-sensei! XD (Kazuo faz um Out Of Character Moment pra correr feliz até o Susumu-sensei e ficar se fazendo de besta)

Fantasminha Susumu: Nossa, Kazuo, até parece que essa é a minha primeira aparição em off-talks... 8D

Kazuo: Não estraga o momento, Susumu-sensei! ò.ó (Kazuo faz cara assustadora até o Fantasminha Susumu concordar, e depois volta a ficar se fazendo de besta até o fim do off-talk)

(Grupo de seis fantasminhas voa até o Vladmir, a Nathaliya e o Isaac)

Isaac: (Pára de tocar e fica com cara de besta)

Nathaliya: (Pára de fazer o que estava fazendo e fica com cara de besta)

Vladmir: (Continua segurando a Anya e também faz cara de besta)

Isaac, pai do Isaac: Olá! n.n

(Soldier of Russia gritam coisas inteligíveis em coro e correm emocionados até seus pais)

(Beybladers observam o encontro também emocionados)

(Lily começa a chorar mais ainda)

Fantasminha David: Droga, tá todo mundo chorando de novo... O que eu tenho que fazer pra deixar todo mundo feliz?

Yoshiyuki: Oh, mas eles estão felizes! XD Eles estão chorando de extrema felicidade... XDDD Mas se você quiser que todo mundo sorria, é só criar um bolo gigante de chocolate do nada... XDD

Fantasminha David: Boa idéia, Yoshiyuki! Eu agora vou usar dos meus poderes mágicos que ganhei por ser a estrela desse off-talk pra criar um bolo de chocolate gigante pra todo mundo! (Fantasminha David faz cara de concentração e gestos bizarros com as mãos) Abra-cadabra! XDDD

(Um bolo gigante de puro chocolate aparece do nada no teto do off-talk)

(Todos os beybladers param o que estavam fazendo para admirar o bolo gigante de chocolate)

(Fantasminha David sorri com seu grande feito e decide deixar o bolo cair graciosamente no chão para que aqueles que ainda possuem sistemas digestivos possam comê-lo)

(Fantasminha David exagera na "delicadeza" e o bolo cai como uma bomba no chão)

(Frases Entre Parênteses não vão dar prêmio especial nenhum pra quem adivinhar o que acontece agora)

(A Terra toda explode por causa do choque do bolo maciço contra o chão)

(Beybladers são protegidos pelos poderes especiais do Fantasminha David e por isso flutuam no cenário sem Terra cobertos de chocolate)

(Koichi pára de esnobar o bebê Kouji e pega ele no colo)

(Frases Entre Parênteses ficam putas porque tiveram que escrever sua própria perda na aposta)

(Fantasminha David fica puto porque as Frases Entre Parênteses voltaram a focar no bebê Kouji antes do final da história)

Fantasminha David: Pô, de novo dando atenção pros Yuy não! Olhem pra mim! Vejam meu corpo semi-transparente enquanto eu faço uma propaganda descarada da história que até o fim do dia de hoje o Jamie vai postar no website dele sobre o futuro do David bebê! É in English, mas começa depois do final da fase 3 e vai até ele ficar adulto. Sabe aquela coisa que ele sonhou sobre a filha dele... Pois é, não digo mais nada! XDDDD

(Fantasminha David termina de fazer propaganda e dá tchau pra todos de uma maneira tão épica, mas tão épica, que vai entrar pra história dos off-talks, mas que a gente não vai descrever porque a definição de "épica" varia de leitor para leitor)

(Frases Entre Parênteses pedem para os leitores nos contarem qual seria o tchau épico do Fantasminha David de acordo com sua definição de "épico")

(E sim, as Frases Entre Parênteses estão fazendo mais uma tentativa descarada de arrumar reviews)

(Reviews para o Fantasminha David, please, ele merece! XDDDDDD)

OWARI