Thor P.D.V


-Pelo menos Jane parecia estar feliz da última vez que a vi. O loiro pensou consigo mesmo enquanto girava o copo de cerveja lentamente, fazendo as pedrinhas de gelo tilintarem no vidro. De repente ele parou de girar o copo e pensou: -Mas ele continua batendo nela... acrescentou. Seus dedos pressionaram o copo com força quando esse pensamento lhe passou pela cabeça. O deus nórdico estava tão absorto consigo mesmo que nem notou uma mulher sentando ao lado dele na mesa do bar.

-A cerveja está ruim pra você? Perguntou com um pequeno sorriso. Ela era ruiva, tinha os cabelos encaracolados quase batendo nos ombros, usava uma calça jeans preta que realçava suas pernas torneadas, sua blusa era do estilo tomara-que-caia, também na cor preta. Era do tipo de mulher que chamava muita atenção para si mesma, e não passaria despercebida em nenhum lugar, principalmente num bar onde está cheio de testosterona. Ele virou a cabeça e a olhou curiosamente. Nunca tinha visto aquela mulher na vida.

-Eu a conheço de algum lugar? Thor perguntou educadamente, para não dar a impressão de estar desdenhando a presença dela.

-Não, mas eu já o vi várias vezes por aqui... ela fez uma pequena pausa e virou-se para o bartender: -Ei, Johnny. Você pode fazer uma dose de Bloody Mary? Thor cerrou as sobrancelhas e a olhou com a cara de: - comovocêpodetermevistoporaqui,seeuvenhoaquiquaseto dososdiasenuncaavi?! A ruiva tomou um gole de Bloody Mary e lambeu os lábios de uma maneira sexy. -Ela está bêbada. Ele pensou consigo mesmo.

-Sou dona deste bar. Disse gesticulando com o copo na mão e depois deu outro gole na bebida. O deus nórdico não disse nada, continuou olhando pra ela com curiosidade. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, só tomando suas bebidas. Thor deu o último gole na sua cerveja e suspirou quando pôs o copo de volta na mesa.

-Eu lhe pago outra cerveja se você quiser. Disse a ruiva. O loiro a olhou de soslaio e deu um pequeno sorriso.

-Isso foi uma cantada?

-Talvez... Mas eu sei que eu não faço seu tipo, e você parece estar gostando de outra pessoa...

Aquilo o deixou um pouco surpreso, e curioso. -Como assim? Eu não estou interessado em nenhuma garota. Disse o deus nórdico com convicção.

-Talvez não esteja agora, mas em breve vai estar... Outra dose Johnny!

-Como você pode saber dessas coisas? Ele disse desnorteado. Quando o bartender lhe entregou a bebida, a ruiva virou todo o conteúdo de uma vez só pela sua garganta.

-Eu só sei. Raramente eu dou conselhos, mas eu vou lhe dizer uma coisa: se você gosta mesmo dela, diga a ela o que sente. Então a ruiva levantou-se para ir embora. -Ah, esqueci de me apresentar. Meu nome é Natasha. E com isso, foi embora.


Duas horas depois, após chegar em casa, Thor tomou banho e foi direto para sua confortável cama assistir um dos seus programas preferidos, Combate Medieval. Mas nem mesmo isto o fez se distrair e parar de pensar no que aquela ruiva misteriosa lhe disse no bar. Thor pensou que se aquilo não fosse verdade, então ele nem estaria pensando nisto agora. Mas ele estava, e muito. Isso poderia fazer sentido, pois o deus nórdico pensava em Jane quase todos os dias. Não era apenas um sentimento de pena ou coisa parecida, era algo mais. Ele passou a mão sobre sua barba e suspirou. -Será que eu estou gostando dela? disse em pensamento. Logo em seguida Thor lembrou que Jane estava num relacionamento, e sacudiu a cabeça. -Não está certo! Ela está com Donald! E mesmo se não estivesse, como eu posso saber se ela gosta de mim do mesmo jeito que eu gos... espera, eu ia dizer que "gosto dela"? O que está acontecendo comigo! O loiro se levantou da cama passando a mão pelos seus cabelos. Ele caminhou até a varanda e apoiou suas mãos na balaustrada de madeira.

-As vezes eu queria que você estivesse aqui para me dar alguns conselhos, pai... Thor disse olhando para as estrelas.


Todo o dinheiro da venda de lanches, que foi arrecadado por Jane e seus alunos, ela o guardou dentro de uma pequena caixa de madeira que ela mesma construiu e pediu para que cada um de seus alunos assinasse seus nomes com canetinha em volta da caixa. Após muito suor e trabalho duro, ela conseguiu alcançar seu objetivo e arrecadou o suficiente para levá-los ao melhor e maior planetário do país. Jane nunca esteve tão feliz em sua vida! Ela foi para casa radiante, orgulhosa dos seus alunos, que a ajudaram muito para que tudo isso desse certo.

Ao entrar em casa, ela encontrou Donald assistindo TV. Imediatamente seu rosto mudou da expressão. Isso acontecia sempre que ela o via. Jane estava cansada e com fome, mas para ir até a cozinha teria que passar ao lado dele. Então ela decidiu ir direto para seu quarto, subindo os degraus da escada devagarzinho, evitando assim que Donald não a visse. Mas para seu azar, ele conseguiu ouvir seus passos...

-Você chega em casa e nem me diz "oi"? Donald disse assim que levantou-se do sofá. Jane levou um susto e congelou na mesma hora que ouviu a voz dele. Donald começou a caminhar na direção dela, com as mãos atrás das suas costas, ele parecia estar segurando alguma coisa, a respiração dela começou a ficar pesada e uma onda de pânico percorreu todo o seu corpo, Jane não se afastou nem correu, seus pés pareciam que estavam grudados nos degraus de madeira, ela queria correr, mas não conseguia.

-d-e-e-sculpa Donald, e-eu não sabia que você estava aqui... Ela mentiu mesmo sabendo que ele sabia que ela o tinha visto. Jane precisava arranjar um desculpa, e esta foi a única que ela pensou na hora.

-"oh", é mesmo? Disse sussurrando. -Que engraçado, você não tem tempo de dizer "oi" para mim, mas tem tempo suficiente para passar mais de uma hora conversando com aquele grandalhão não é?

Jane arregalou os olhos e sentiu seu coração bater mais forte. -Como ele descobriu? pensou consigo mesma.

-Como você...

-Como eu descobri? Eu tenho "olhos" em todos os lugares Jane! Ele deu dois passos para frente, automaticamente ela subiu mais um degrau, afastando-se dele. -Você está gostando dele? Donald disparou sem rodeios, aquela pergunta a pegou de surpresa, como uma mãe pega seu filho pitando a parede com canetinha. Nem ela sabia explicar para si mesma porque aquela pergunta a deixou tão confusa. -Se eu não tivesse nenhum sentimento por ele, não estaria tão perdida como estou agora. Pensou por uma fração de segundos. -Será que eu... estou?

-Você está ou não? RESPONDA! Donald gritou cortando seus pensamentos.

-Não, Donald! Não estou! Jane disse da boca pra fora sem ter certeza de seus sentimentos. Ele a observou por alguns segundos, como se estivesse estudando a sua mente. Donald assentiu com a cabeça e mordeu o lábio inferior. -Não foi o que me disseram... disse dando mais um passo para a frente, sempre com as mãos para trás das costas. Então de repente Donald revelou o que estava escondendo, ele mostrou a Jane a caixinha onde estava todo o dinheiro do passeio que sua classe havia arrecadado.

-Isso é seu? Disse sacudindo a caixinha.

-É o dinheiro do passeio! Me devolve! Jane lançou seu braço tentando alcançá-lo, mas Donald se esquivou.

-Acho que isso é muito importante pra você não é?! Donald jogou todo o dinheiro no chão e começou a pisá-lo e rasgá-lo em pedaços sem piedade! Jane viu todas as suas horas de trabalho duro indo por água abaixo bem diante dos seus olhos. Ela não conseguia acreditar no que estava vendo. Sentiu vontade de gritar para ele parar, mas não tinha forças para isso. -Quem sabe ele não queira passear com você também, hein Jane?! Disse enquanto pisoteava, cuspia e rasgava todas as notas. Jane sentou em um dos degraus e desabou em chorar, tapando seus ouvidos com as mãos, e fechou os olhos com força, ela não queria mais ver aquela cena de terror. Então após destruir todas as notas, Donald inclinou-se e agarrou os cabelos dela com força, Jane gemeu e começou a soluçar aos prantos.

-Isso é para você aprender que você é MINHA entendeu?! Depois de dar o "seu recado", ele empurrou a cabeça dela contra a parede, mas por sorte Jane apoiou as duas mãos amortecendo o impacto. Ele subiu para o quarto deixando-a desolada. Apesar de se sentir humilhada mais uma vez, Jane agradeceu a Deus por não ter sido pior. Alguns pedacinhos de dinheiro ainda flutuavam pelo ar.

-O d-d-inheiro do passeio... e-e-ele destruiu tudo. Disse entre soluços. Então, foi durante aquele momento de desespero que estava passando, que alguns flashbacks lhe passaram pela cabeça:

"-Ele continua machucando você não é?"

"-S-se você não se importa, meus alunos estão me esperando lá fora..."

Foi naquele momento que Jane percebeu o quanto Thor se preocupava com ela, e o quanto ela própria se esforçava para dar a impressão "que apesar dele me abusar quase todos os dias, está tudo bem". Jane sentiu que estava deixando ser tratada como um lixo, e isso era sua culpa. -Já chega... disse com convicção enquanto limpava suas lágrimas nas costas da mão. E com o restante de dignidade que ainda lhe restava, levantou-se e foi até o seu quarto, o mesmo quarto onde Donald estava dormindo. Aquele quarto que foi testemunha de tantos abusos e espancamentos. Ela abriu a porta com cuidado, as costas dele estava virada para o outro lado. Com um passo de cada vez, ela foi até o closet e começou a pegar suas roupas. Ao tocar em uma de suas calças jeans, o cabide que era feito de metal bateu no outro e acabou fazendo barulho. Ele se mexeu um pouco na cama, fazendo o coração de Jane disparar. Ao notar que ele continuava dormindo, resolveu pegar só mais duas peças de roupa e sair dali o mais rápido possível.

Jane ligou para Darcy e a esperou na rua. Cada segundo que se passava era uma eternidade para ela. Tudo o que queria era sair de uma vez por todas daquela casa! Chega de mentir para si mesma e para os amigos, chega de fingir que está tudo bem. Agora ela queria começar uma nova vida, começar tudo do zero. Ao ver sua melhor amiga chegando, a morena suspira aliviada e corre em direção ao seu carro.

-Graças a Deus! Eu pensei que você não vinha mais! Jane disse quando sentou no banco e abraçou sua amiga com força.

-Você acha que eu seria louca de te abandonar aqui?! Darcy se afastou e perguntou:

-Você tem certeza que quer fazer isso? Perguntou olhando para a casa atrás dela.

-Nunca tive tanta certeza na minha vida. Jane disse com convicção e Darcy assentiu com a cabeça concordando com sua decisão.

-Ótimo. Agora, vamos cair fora daqui!

Ela deu partida no carro e as duas amigas foram embora sem ao menos olhar para trás.


Gostaram? Não gostaram? Querem que eu continue? R-E-V-I-E-W-S!