Capitulo 02

Ben abriu os olhos e bocejou. Os últimos raios de sol da tarde invadiam a sala vazia da casa, iluminando o ambiente com tons alaranjados. O humano sentou no colchão e esfregou o rosto com as mãos, acordando.

Virou o rosto e percebeu que Albedo ainda dormia ao seu lado, em sono profundo. Olhar para o alien era como ver a si mesmo num espelho, com as cores um pouco distorcidas. Porém continuava exatamente igual a Ben, apesar do contraste entre os cabelos brancos como a neve e os olhos vermelho-sangue.

Ben deixou que seus olhos passeassem pelo desenho do rosto de Albedo, percebendo os detalhes do nariz fino, os lábios rosados entreabertos... Depois desceram pelo pescoço e se perderam no tórax e abdômen definidos por anos praticando esportes, escorregando pela trilha de pêlos brancos logo abaixo do umbigo, que sumia dentro da cueca box... Uma cueca box branca e provavelmente um número menor do que deveria, porque marcava completamente o volume, mesmo estando em estado de repouso.

Ben respirou fundo e desviou o olhar, sentindo que ele mesmo começava a ficar "animado". Não fazia idéia de quantos dias já estava preso, mas quase todos os dias era sempre o mesmo ritual: conversavam sobre diversos assuntos, comiam chilli fries e então faziam sexo... Não necessariamente nessa ordem.

E não era sexo qualquer...Era aquele animalesco, forte, intenso.

Não se lembrava mais o que era sentir pudor ou qualquer tipo de vergonha, já tinha superado isso contra sua vontade há muito tempo. Por mais que não admitisse em voz alta, adorava o jeito controlador do alien no sexo, deixando-o completamente submisso. Muitas vezes se via em situações que alguns considerariam humilhante, como usando coleira de cachorro, levando chicotadas, sendo vendado, usando brinquedos sexuais... Mas quem disse que ele ligava?
Pelo contrário, Ben gostava e muito, era um momento onde se sentia livre da pressão do mundo, onde não precisava decidir nada, nem salvar ninguém. Gozava forte, com vontade, com gosto. E ainda pedia por mais e rebolava, como uma verdadeira putinha.

Seu corpo estava tão acostumado com a presença de Albedo estar sempre relacionada a sexo, que seu pênis ficara ereto apenas com a visão do alien.

Porém naquele dia não haviam feito nada, apenas deitado e dormido. O humano achou estranho que o outro não disse uma palavra sequer, sendo que normalmente era o mais falante dos dois.

Ficou perdido em seus devaneios, encarando a mancha de umidade na parede, quando Albedo finalmente acordou, já era noite.

-Me beije. –ele mandou, sua voz rouca e determinada.

Sem pensar duas vezes, Ben aproximou-se do outro e lhe beijou intensamente. Suas línguas entrelaçaram, enquanto abria as pernas e sentava na cintura do alien. Albedo arranhou com força as costas de humano, fazendo-o gemer de prazer.

As caricias foram ficando mais intensas, até que Albedo trocou de posição, deixando o outro de quatro e tirou sua cueca rapidamente, ficando completamente nu. Ben mordeu seu lábio inferior ao sentir aquela ereção necessitando ser aliviada, roçando na sua própria.

O sexo foi mais intenso do que o de costume. Albedo simplesmente foi com tudo, não parando um minuto sequer, estocando com força e desejo, deixando o corpo do humano cheio de marcas, como arranhões e mordidas. Ben desabou exausto no colchão, sentindo suas pernas trêmulas e sua bunda dolorida.

Um sorriso enorme ficou estampado em seu rosto, conforme sua respiração voltava ao normal. Com certeza ficaria dolorido por mais alguns dias e isso o deixava excitado só de pensar...

E desde quando pensava daquele modo?

O sorriso morreu conforme pensava na vida que tinha fora daquela casa abandonada. Pessoas esperavam por ele retornar.

E de repente, surgiu Kevin em sua mente. Os olhares que ele lhe dirigia quando Gwen não estava olhando, as brincadeiras. Quando percebeu, toda a excitação que Ben sentia sumiu num passe de mágica.

-Você está pensando nele, não é? –Albedo perguntou, enquanto vestia sua cueca.

-Não sei do que está falando...

-Admita logo Ben, você gosta do Kevin. –ele levantou as sobrancelhas. –Ou melhor, você ama ele. Esqueceu que além da sua aparência eu compartilho da sua mente?

Ben respirou fundo e desviou o rosto para o outro lado. Albedo acendeu um cigarro de maconha e tragou lentamente, observando o rosto do humano. Sabia exatamente como ele sentia e decidiu mexer um pouco naquela ferida.

Ofereceu o cigarro e o outro aceitou prontamente, mesmo tossindo um pouco ao tragar. Eles fumaram em silêncio, apenas os animais noturnos fazendo barulho do lado de fora. Depois que já estavam um pouco altos, Albedo aproximou-se de Ben e segurou seu rosto com força.

-Eu posso fazer com que seu desejo se torne realidade.

-Do... do que você tá...falando? –o humano tinha dificuldade em articular as palavras.

-Posso fazer com que Kevin o ame como deseja... –o alien sorriu maliciosamente. –Que ele te coma, te foda.

Ben riu sozinho ao ouvir aquilo e tampou o rosto corado com as mãos. A mistura entre a maconha e os feromônios de Albedo entorpeciam se corpo. Não tinha a mínima noção do que estava acontecendo, seu cérebro estava confuso demais para processar tudo.

-Eu fico... –ele mordeu o lábio inferior. –Fico duro só de pensar nele.

Outro risinho baixo e virou-se de bruços, escondendo a ereção. Lutou para manter os olhos abertos, mas o sono era mais forte. Acabou dormindo e podia ouvir a voz de Albedo ao longe.

Não soube dizer por quanto tempo dormiu, mas acordou com alguém segurando seus ombros e balançando-o. Ben abriu os olhos, esforçando-se para manter o foco. A visão estava embaça, porém conseguia reconhecer aqueles cabelos negros de longe.

-Kev... –ele sorriu maliciosamente. –Você veio.

-É, estou aqui. –o outro fez um gesto com a cabeça. –E agora vou te levar pra casa.

Albedo apareceu na sala, com os braços cruzados.

-O que você fez com ele?! –Kevin perguntou em voz alta, parecendo irritado. –O que você deu a ele?!

-Acho melhor baixar seu tom de voz comigo, osmosiano. –ele levantou uma sobrancelha. –Você só encontrou Ben porque eu permiti que acontecesse. E nós temos nos divertido muito, não é?

-Com certeza! –Ben concordou com a cabeça. –Apesar de não parecer... Albedo é legal...

-E sobre o que estávamos conversando mais cedo? –seu tom de voz era igual de um adulto falando com uma criança.

-Sobre o Kevin! –ele sorriu, parecendo genuinamente feliz.

O moreno olhou a cena e não acreditou no que via.

-Você poderia dizer a ele o que me contou? –Albedo parecia se divertir muito.

-Que eu fico... fico duro quando penso em você. –Ben encarou Kevin, o rosto vermelho e um sorriso bobo nos lábios. –Que eu gosto de você...

-Você está chapado Ben, não sabe do que está falando. –ele rebateu, tentando levantar o outro.

-Não estou chapado! –ele fez beicinho. –Nunca estive melhor... em toda minha vida! Albedo tem me ajudado a perceber... o que realmente sinto, como eu sou de verdade.

O mais alto respirou fundo e franziu as sobrancelhas. Aquilo o atingiu como um soco. Sabia mais do que ninguém que Ben não estava brincando... As pessoas quando estão chapadas ou bêbadas tem finalmente a coragem de dizer tudo o que tem vontade. O álcool e outras drogas têm o poder de deixar qualquer individuo desinibido.

-E o que você quer fazer com ele? –o alien perguntou calmamente.

-Eu... queria que ele me fudesse. –Ben soltou um riso. –Oh meu Deus! Não acredito que falei isso!

O mais novo sentia-se corajoso e estava cansado de esconder aquilo. Agora não havia mais motivo para continuar fingindo que nada acontecia. Estava chapado e completamente nu na frente da pessoa que era o motivo de suas ereções noturnas, toda vergonha que pudesse sentir já havia sumido fazia tempo.

-Esse não é você, é apenas a droga... –Kevin engoliu a seco.

-Pare com isso! –Ben segurou a gola da camisa do outro. –Eu realmente gosto de você... Eu te amo.

Oh merda! Kevin fechou os olhos por um instante e expirou todo o ar dos pulmões. Sempre soube disso, dava pra perceber claramente quando o mais novo o olhava quando Gwen não percebia.

E o pior de tudo: seus sentimentos eram recíprocos, mas por medo do que viesse a enfrentar, preferia ficar com a ruiva ao invés do primo. Eles tinham um cheiro parecido e quase o mesmo tom verde nos olhos.

Albedo apenas observava quieto no seu canto, adorava o modo como tudo estava se desenrolando. Tirou do bolso do casaco um pequeno vidro de feromônio liquido e aproximou-se da cena, sem que Kevin percebesse.

Ben percebeu a movimentação do alien e percebeu o que pretendia. Por isso, sem que o moreno tivesse tempo para reagir, ele jogou seu corpo em cima dele e segurou seu rosto com força, abrindo sua boca.

O alien jogou o conteúdo do frasco na boca de Kevin, que engoliu contra sua vontade, no reflexo.

-O que você fez comigo?!

Ben saiu de cima e observou a reação. Kevin sentou no chão, tossiu um pouco e logo sentiu algo quente se espalhando pelo seu corpo. A visão ficou embaçada e os sentidos confusos, a única coisa certa era sua ereção se projetando contra a calça.

-E então Kevin, vamos fazer um acordo. –Albedo abaixou, ficando no mesmo nível. –Se vocês fuderem aqui, na minha frente, eu liberto os dois.

-O que?! –ele protestou.

-Isso mesmo, vocês tem que fuder na minha frente. –o alien estava sério. –E fuder com vontade, com desejo, com força.

-Por que?!

-Porque eu quero...E Ben também. –Albedo era inflexível. –Caso não fodam, essa casa vai explodir com os detonadores que coloquei embaixo do piso.

Ben engatinhou até Kevin e passou a mão no rosto dele.

-Eu já fiz isso antes... Não tem problema.

-Não era pra ser desse jeito.

-Se não for assim, nunca vai acontecer. –o mais novo aproximou-se ainda mais e sentou no colo dele. –Agora cala a boca e me fode.

O moreno mordeu o lábio inferior e permaneceu parado, enquanto Ben lambia seu pescoço e mordicava sua orelha. Precisava resistir aos impulsos que sentia, não poderia ceder assim tão facilmente na frente de Albedo.

Ele já estava sem camisa e observava o mais novo beijando seu peitoral e abdômen, deixando marcar vermelhas em sua pele branca. Kevin fechou as mãos e segurou o fôlego quando Ben abriu sua calça e mexeu lá dentro, tocando seu membro.

Ao colocar o membro para fora e começar a sugá-lo, o moreno sentiu que estava cada vez mais perto de perder o controle sobre suas ações.

Albedo estava muito próximo e observava cada gesto com deleite, o prazer estremecendo seu corpo.

-Olhe pra mim... –Ben disse, mantendo o contato visual com Kevin e seu pênis na boca.

O moreno olhou ao redor, procurando não focar. A vergonha e o pudor impediam que sentisse muito prazer, afinal Albedo estava a centímetros de distância e parecia se deliciar com o que via.

Ben percebeu o embaraço do outro e de repente se cansou de tudo aquilo. Iria fazer com que o outro cedesse querendo ou não. Fazia muito tempo que mantinha seus sentimentos presos e estava farto disso.

Por isso, tomou o pênis de Kevin na boca, engolindo o máximo que conseguia. Chupou com vontade, deixando-o molhado de saliva. Brincou com a ponta da língua no prepúcio, uma mão acariciando os testículos, enquanto a outra subia e descia pela extensão. Quando percebeu que o pênis já estava lubrificando o suficiente, sem pedir permissão, segurou-o com força e o guiou até seu canal, enquanto sentava no colo de Kevin.

O moreno estava sentado, com as pernas esticadas, o tronco inclinado pra trás e as mãos apoiando seu peso no chão. Fechou os olhos e respirou fundo quando sentiu que penetrava Ben. Como aquilo era delicioso!

Jogou a cabeça pra trás e arfava com os movimentos que o outro fazia, rebolando, subindo e descendo com pericia. Albedo abriu sua calça e se tocava observando a cena, passando a lingua nos lábios.

Ben gemia de prazer e se entregava totalmente, deixando seus sentimentos fluírem de uma vez. Ele se masturbava enquanto se fodia em Kevin, que parecia retraído demais para aproveitar a situação.

O prazer ia aumentando cada vez mais, o que fazia o autocontrole do moreno ir se desmanchando aos poucos... Ele abriu os olhos a tempo de ver o mais novo prestes a chegar ao orgasmo. Como aquela visão era maravilhosa... Ben cavalgando em seu pênis como se fosse dono, ao mesmo tempo em que se tocava, a boca aberta e gemendo alto. Por alguns segundos, seus olhares se cruzaram e o mais novo segurou seu membro e gozou no abdômen de Kevin com força.

Ficaram se encarando, respirando ofegantes. Algo dentro do mais velho se quebrou em pedaços ao observar a luxúria e o desejo pulsando naqueles olhos verdes. Não conseguiu se segurar e acabou gozando dentro do outro. Ele nunca viu nada parecido antes e isso acendeu uma chama em seu peito.

-Revezem. –Albedo ordenou, encarando os dois. –Agora.

Kevin queria que Ben o dominasse, mas não porque fora mandado. E sim porque era a coisa que mais desejava no momento. Sendo assim, surpreendeu o outro com um beijo intenso. Enquanto inclinava seu corpo para trás, deixando o outro por cima.

O moreno era mais alto e mais forte, porém ficou surpreso como Ben conseguiu lidar com a situação, mostrando que seu corpo esguio era forte e dominador. Por mais que tivessem transado segundos atrás, já estavam prontos para outra rodada.

Isso era efeito do feromônio de Albedo, que os deixava com um apetite voraz. Então Ben roçou sua ereção na de Kevin, arrancando gemidos baixos dele. Continuou estimulando a região e o membro, até que penetrou o outro devagar.

O moreno gemeu alto de dor e prazer, era confuso demais. Sentiu seu membro sendo masturbado, enquanto o mais novo se mexia lentamente dentro dele. Aos poucos, foi se acostumando com a sensação e abraçou o outro, envolvendo sua cintura com as pernas e beijando-o.

Albedo mordeu o lábio inferior de prazer e se masturbou mais forte quando percebeu que o moreno se entregou totalmente. Dava para sentir o calor que ele e Ben emanavam, o cheiro de sexo e suor impregnava o cômodo de tal maneira que aumentava ainda mais o prazer dos três.

Ben aumentou a velocidade das estocadas ao ponto de seus quadris se chocarem e a sala ser preenchida apenas com gemidos e barulhos molhados. Kevin se contorcia de prazer e gozou com força, melando o abdômen de ambos.

O mais novo ainda não tinha terminado, por isso virou o outro, deixando-o de quatro. Penetrava com força, vontade e não terminaria até se sentir completamente saciado.

Segurou o cabelo de Kevin e puxou os fios para trás, forçando-o a sentar em seu membro, de costas para ele. Por sua vez, o moreno passou a rebolar sobre o pênis, seu quadril movimentando-se com ritmo, enquanto gemia.

Ainda não satisfeito, Ben se afastou e tirou o membro de dentro de Kevin, que ficou de frente para ele. Forçando a cabeça do outro pra baixo, o humano começou a se masturbar e terminou por gozar no rosto do moreno, sujando-o.

Albedo também gozou e gemeu alto. Ben e Kevin aproximaram-se e os três deram um beijo triplo, as línguas se encontrando freneticamente. O alien lambeu o sêmen do rosto do moreno, deixando-o limpo, assim como fez com o que estava no abdômen de seus reféns.

-Estão livres... –ele sussurrou. –Podem ir...

Mesmo tonto e ainda com vontade de fazer mais sexo, Kevin vestiu sua roupa rapidamente e ajudou Ben, que estava mais tonto que ele. Os dois deixaram a casa e entraram no Camaro verde.

Albedo ficou deitado no chão, sentindo seu corpo vibrar de prazer. Com certeza seu plano tinha ido melhor que primeiramente planejou... Havia desestruturado Ben em todos os sentidos e abriu caminho para a queda de Kevin. Agora era só esperar e ver o trio se desmanchando...

FIM