Assim que se casaram, Alexandra e Aioros se mudaram para a Inglaterra. Lá a jovem assumiu, definitivamente, os negócios da família, que progrediram muito sob seu comando. Em menos de dois anos, as empresas Griff eram lideres no mercado de cosméticos e roupas na Europa. Aioros, por sua vez, decidiu fazer um curso superior e formou-se em Veterinária. Estava se saindo muito bem com a nova profissão, tão diferente daquela que ele costumava exercer. O segundo filho do casal, Rafael, crescia cercado da atenção e do carinho dos pais, como qualquer criança normal. O bebê Athena foi adotado pelo velho Senhor Kido como sua neta e recebeu o nome de Saori. O velho e Aoiros se encontravam periodicamente para manterem o plano contra o Santuário no rumo certo. A parte relevante da história de Annely nestes 11 anos, nós já conhecemos bem. Então, voltemos àquele dia fatídico em que as doze casas do Santuário de Athena encheram-se de tristeza devido à trágica morte de um "rapazinho" que saiu de lá para treinar e que, agora, nunca mais voltaria.
INTENÇÕES DE UMA DEUSA – CAPÍTULO 8
Uma semana havia se passado desde o acidente aéreo que chocara a todos pela sua violência. Mas agora todas as atenções estavam voltadas para uma jovem que fora encontrada completamente desacordada, porém viva, na orla de uma das praias da Ilha de Creta. A imprensa local especulava sobre a possibilidade de a menina ser uma sobrevivente do acidente, o que muitos consideravam impossível devido às proporções da explosão. Ela foi levada a um hospital da ilha onde se encontrava em coma profundo há mais de um mês.
Desde que souberam do acidente, Alexandra e Aioros entraram em desespero. Não era justo que após tantos anos de espera o destino simplesmente levasse a filha deles definitivamente. Mas ao visitarem a garota que passou a ser conhecida como "milagre" eles logo a reconheceram como sendo a Annely. O exame de DNA apenas confirmou o que eles já tinham certeza. Para a direção do hospital eles disseram que a filha estava desaparecida há quase onze anos e que finalmente eles a haviam encontrado (vocês hão de convir comigo que a verdadeira história é muito para a cabecinha de pessoas ordinárias que não fazem a mínima idéia do que rola atrás dos muros do Santuário).
Apesar da felicidade de terem Annely de volta, eles estavam bastante ansiosos com o fato dela não acordar. Novamente a espera fazia parte de suas vidas, e não sabiam por mais quanto tempo iriam suportar toda essa provação. Passavam o dia nos hospital. Alexandra deixara os negócios por conta de seus administradores e Aioros cancelou todas as suas cirurgias na clínica. Estavam por conta da recuperação da filha. Eles bem que tentaram uma transferência para Londres, mas os médicos eram categóricos ao dizer que uma viagem seria fatal para jovem.
Toda atenção despendida a Annely deixava o filho caçula do casal enciumado. Ele não parava de praguejar mentalmente a volta da irmã. Sempre fora filho único e agora tinha que agüentar aquela chata que insistia em não acordar. Vivia fazendo caretas quando era deixado sozinho com ela, mas tudo era muito natural para uma criança da idade dele. Dez anos sozinho e agora uma completa estranha rouba toda a atenção de seus pais. Alexandra e Aioros nunca falaram dela para ele, pois não queriam sobrecarregá-lo com seu sofrimento.
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'Minha irmãzinha de coração de criação'; 'Você será sempre a nossa queridinha'; 'as flores são tão delicadas e pequeninas como você'; 'Mantenha o controle, a força do seu cosmo depende do seu controle interior'; 'sua força demonstra que você é uma legítima Ilíria'; 'Sinto como se fosse minha filha'; 'Quando você for embora toda minha capacidade de amar irá junto com você. Eu te amo muito'... Annely. O nome foi dito num sussurro por um jovem de longos cabelos azuis-marinho dono de um olhar tão penetrante que parecia sondar sua alma. Ele tocou seus lábios nos dela e beijou-lhe apaixonadamente. Depois do beijo sua mente ficou vazia e presa a uma escuridão assustadora que fez com que ela abrisse os olhos buscando por luz. A claridade veio até seus olhos, perturbando-lhe a visão. Annely acordara, porém sua memória estava completamente adormecida. Ela não reconhecia nem a si.
Após se acostumar com a luz, ela passou a observar o lugar em que se encontrava, acabando por constatar que estava num quarto de hospital tanto pela decoração do lugar, quanto pelos inúmeros aparelhos que estavam ligados ao seu corpo. Sua cabeça doía de forma alucinante impedindo-lhe de raciocinar sobre a sua situação. Ela voltou a fechar os olhos para ver se a dor diminuía e ouviu quando a porta fora aberta, mas resolveu manter-se como estava.
Uma mulher entrou no quarto e se sentou na cadeira que estava ao lado do leito da jovem, pagando na mão da menina; ela se apoiou em seu colo pôs-se a chorar.
- Ai minha filha! Quando será que esse sofrimento vai acabar? Quando realmente terei você comigo? Eu tenho tanta saudade por todo o tempo que tivemos que passar longe uma da outra.
Annely ouvia atentamente o desabafo da jovem senhora. Era tão desesperado e triste! Sensibilizada, a garota começou a acariciar os cabelos da mulher com a mão que estava livre. A reação de Alexandra foi imediata. Levantando-se rapidamente para encontrar os olhos da filha olhando para os seus.
- Annely, você acordou! – Ela abraçou a menina quase lhe tirando o ar – Agora sim o milagre está completo! Como você se sente? Dói alguma coisa? Quer que eu chame um médico? Tem fome? Sede?
A garota não sabia nem por onde começar a responder tantos questionamentos. Quem era essa mulher? Por mais esforço que fizesse ela não se lembrava de já tê-la visto. Quem ela estava tentando enganar? Ela não se lembra de absolutamente nada. Resolveu, então, responder alguma coisa, pois a moça a sua frente parecia mais desnorteada que ela.
- Minha cabeça dói. Estou um pouco zonza, sinto sede, mas não fome. E agradeceria se chamasse o médico para me dar um analgésico; a cabeça está doendo muito.
- Claro, querida! – Alexandra se levantou, foi até uma cômoda e serviu um copo d'água para a filha – Está aqui sua água. Eu já volto com o médico.
Alexandra logo retornou com o médico que pediu para ficar a sós com Annely, para melhor examiná-la. Depois de deixar o médico com a filha, Sandra ligou para o marido para avisá-lo da novidade. Imediatamente, Aioros seguiu para o hospital levando Rafael consigo. Ao chegar ele logo encontrou a mulher que veio correndo até ele para abraçá-lo.
- Acabou, Aioros! Acabou! – ela chorava de felicidade nos braços do marido que também não conteve a emoção.
- Como ela está? Posso vê-la?
- O médico está com ela no quarto. Pediu para ficarem a sós, pois queria fazer um exame minucioso. Disse que assim que terminar virá falar conosco.
Aioros deu um longo beijo na esposa, não se lembrava de se sentir tão feliz desde o nascimento de Rafael. Pensando no filho, ele direciona o olhar para ele e vê que a alegria dele e de Alexandra não era compartilhada pela criança. Ele até deu uma certa razão para o filho, pois não estavam dando muita atenção para o menino desde o retorno de Annely.
- Ei, Rafa! O que houve, filhão? Não está feliz que sua irmã saiu do coma?
- Ela só veio para roubar vocês de mim! Não dão a mínima para mim!
- Rafael, pára com isso! – Alexandra falou assustada com a reação do filho.
- Mas é verdade, mãe!
Alexandra foi até o filho e o abraçou com carinho.
- Não é verdade não, meu filho, eu te amo demais, Rafa. Mas pensa com o coração, meu bem, você sempre teve a mim e a seu pai enquanto ela não. Não sabemos como foi a vida dela até agora e você sempre esteve cercado do nosso amor.
- Vocês não ligam mais para mim! – as lágrimas corriam pelo rosto do menino, que na verdade estava era muito assustado com toda a história.
- Que é isso, Rafa? Quem é o filhão do papai? Rafa, eu e sua mãe estávamos passando por um período conturbado que acabou. Somos uma família completa agora e você vai ver como é bom ter uma irmã, eu sinto muita falta do meu. Vai ser sempre uma amiga para você contar. Tira essa birra, Rafa, você vai gostar muito dela, tenho certeza – Aioros falava enquanto limpava as lagrimas do filho que pouco a pouco foi se acalmando até parar de chorar, ficando aninhado no colo do pai.
Passados alguns minutos o médico que estava com Annely veio ao encontro do casal para reportar sobre o real estado da garota.
- Como ela está, doutor? – Alexandra perguntou assim que o avistou.
- Fisicamente posso dizer que ela está muito melhor que eu, que estou com uma gripe terrível. Os exames dela estão perfeitos. Pareceria até que ela nunca sofreu um acidente sequer na vida se não fosse um detalhe: ela não faz a mínima idéia de quem seja, perdeu totalmente a memória.
Alexandra e Aioros olharam um para outro com cara de bobos. Na verdade eles não sabiam se achavam isso uma boa ou uma má notícia. Afinal, eles não fizeram parte da vida anterior de Annely. Aioros tinha até um certo receio sobre qual era a opinião da filha em relação a ele, pois para o Santuário ele era um traidor e Alexandra tinha medo de que Annely pensasse que havia sido abandonada pela mãe.
- Isso é permanente, doutor? – Sandra resolveu perguntar.
- Não posso respondê-la, Senhora Ilíria. Pode se recuperar a qualquer tempo ou nunca. A melhor forma de alguém recuperar a memória é conviver com o passado, mas pelo que me contaram isso não será possível. É impossível determinar quando a memória dela voltará, isso se voltar.
- Alguma outra seqüela além dessa, doutor? – Aioros perguntou.
- Tem uma outra coisa, só que não posso dizer que seja seqüela do acidente, mas será uma coisa complicada de lidar por causa da falta de memória dela.
- Diga logo o que é? – bradou Alexandra.
- É que ela está...como posso dizer...grávida.
- O QUE? – O casal exclamou junto.
- O que ouviram, ela está grávida e já sabe disso. Apesar de estar um pouco assustada ela até que ficou feliz com a notícia, só lamentou não saber quem é o pai. A gravidez é de um mês e duas semanas o que mostra que ela engravidou nas vésperas da viagem. Se vocês investigarem por onde ela esteve durante os anos em que esteve perdida, talvez encontrem o pai, mas na minha opinião ele deve ter morrido no acidente.
- O bebê está bem?
- Sim, perfeitinho! O que, sem dúvida, é um milagre maior do que a própria sobrevivência da mãe. Ela estará de alta amanhã pela manhã. Finalmente poderão levar sua filha com vocês e com direito a netinho e tudo.
- Queremos lhe agradecer por tudo que fez, Doutor Aristóteles. Devemos tudo isso ao senhor – Disse Alexandra cumprimentando o médico.
- Devem isso a ela que não desistiu da própria vida nem por um minuto, talvez porque soubesse da criança. Mas agradeçam aos deuses, pois essa menina é realmente o milagre que dizem ser. Tenho que atender outro paciente agora, podem vê-la se quiserem.
Foram voando para o quarto onde passaram horas conversando com a garota. Para ela, eles contaram a mesma história que tinham contado para a direção do hospital, pois, como dito,não faziam idéia de como tinha sido a vida da menina, e contar que ela morava no Santuário, definitivamente, não era o melhor. Enquanto conversavam, Rafa ficava mostrando a língua para a irmã, que se divertia com a reação dele. Mesmo sem memória ela carregava a certeza de que agora estava no lugar certo; como ela estava gostando da sensação de ter uma família.
Na tarde do dia em que Annely recebeu alta, a família seguiu para a Inglaterra, onde tentariam prosseguir com suas vidas. Já fazia uma semana que estavam em Londres quando Aioros recebeu um telefonema do Japão. Assim que desligou o telefone, foi fazer um comunicado à família, que se encontrava reunida em uma das salas da mansão.
- Tenho que ir para o Japão o mais rápido possível. Mitsumassa foi internado, ao que parece o estado dele é grave. Parto hoje à noite.
Continuar essa fic irá (Homenagem a Beta que não para de falar como o mestre Yoda, beijos para você)
Jojobi valeu por betar a fic, eu realmente não estava rendendo mais nada, muito obrigada pela consideração.
Está ai gente, para todos que lamentaram a morte da Annely ela está ai vivinha da silva com direito a um catarrento kkkkk
Já deu para perceber o irmão mala que o Rafa vai ser, né? Mas calma que as coisas vão mudar.
Beijos para vocês e até a próxima!
LuanaRacos.
