Como eu já fiz uma nota da autora vou poupá-los do meu falatório inicial. Lembrando sempre que Os Cavaleiros do Zodíaco não me pertencem.

INTENÇÕES DE UMA DEUSA – CAPÍTULO 9

A morte do milionário Mitsumassa Kido estava estampada em todos os jornais de grande circulação, não só no Japão, mas em quase todo o mundo. Ele era muito conhecido por sua bondade, carisma e competência. O velório do velho senhor estava abarrotado de pessoas; dos funcionários de suas empresas aos jornalistas e curiosos. Apoiada sobre o caixão uma garotinha de cerca de 11 anos, cabelos cor de lavanda que chegavam quase a metade de suas costas chorava compulsivamente.

- Vovô! (Lá vem ela com sua fala que a consagra no anime – não resisti!) – A criança sussurra em meio aos soluços. Ela sente uma mão afagar-lhe os cabelos e levanta o rostinho para fitar um belo rosto masculino de expressivos olhos mel olhando para ela com muito carinho.

- Não fique assim, querida. Você nunca vai estar sozinha, ele sempre estará com você. Você precisa ser forte, pois a vida ainda irá lhe exigir muito; precisa estar preparada.

- Quem é o senhor? – A menina perguntou impressionada com afeto do homem a sua frente. Ninguém naquele velório parecia estar, realmente, preocupado com ela. Todos só falavam de negócios e de como ficaria a situação das empresas com a morte do patriarca.

- Sou um amigo, um protetor. Guardo você desde que era um bebezinho e sempre estarei pronto para servi-la "minha deusa" – O rapaz deu um beijo no rosto da garotinha, secou-lhe as lagrimas e se afastou logo em seguida. Ainda não era o momento para ela saber a verdade sobre o porquê de sua existência. Aioros ficou muito feliz em rever aquele bebezinho que lhe causou tantos transtornos no passado e que agora era uma linda mocinha. Em todos os encontros que teve com o velho Kido, a menina nunca esteve presente, pois não queriam que ela suspeitasse da nada antes do tempo.

Antes de deixar o velório, o cavaleiro trocou algumas palavras com o mordomo da família, Tatsume, que era um grande colaborador dos planos de Aioros e Mitsumassa. Ele informou que os meninos selecionados já tinham partido para seus treinamentos seguindo, exatamente, as indicações dele. Eram crianças, meninos que não passavam dos treze anos (por não estarem disputando armaduras de ouro seus treinamentos começavam mais tarde).

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Aioros e sua família estavam hospedadas em um luxuoso hotel no centro de Tóquio. Ao chagarem do velório, Annely e Rafa foram correndo disputar a televisão do apartamento. Engalfinhavam-se como era de costume desde o dia em que se conheceram. Alexandra berrava para que os dois parassem com a implicância mutua. Enquanto dava uma bronca nos filhos, ela foi chamada pelo marido que aparentava um pouco de impaciência.

- O que foi, mau amor? Algum problema? – Ela disse respondendo ao chamado.

- Sandra, temos que conversar, é algo muito sério.

- Diga logo, Aioros, não me mate de aflição.

- Temos que nos mudar para cá!

- O QUE?

- Escute-me antes de se exaltar. Com a morte de Mitsumassa, Saori está desprotegida. Não posso deixá-la sozinha. Você sabe muito bem o que eu sou realmente, sou um cavaleiro e tenho obrigações a cumprir. Athena precisa de mim.

- Sua família precisa de você! Meus negócios estão em Londres. Não posso deixar tudo por conta dos meus administradores. Nada anda sem o olho do dono.

- Nunca estive em falta com a nossa família! Alexandra seja razoável, você tem totais condições de transferir seus negócios para cá.

- E por que eu deveria fazer isso? Eu não sigo a nenhuma deusa Athena! – A raiva estava dominando a jovem senhora. Ela achava que a sombra do Santuário não mais fazia parte de sua vida. Seu marido era um veterinário agora, por que insistir num lugar que nunca lhe deu o devido valor?

- Mas eu sim! Sou o Cavaleiro de Ouro de Sagitário, quer você queira ou não! – Aioros também começava a se exaltar.

- Vai deixar sua família, cavaleiro? – perguntou sarcástica.

- Cavaleiros não deveriam ter família. Mas eu tenho e Zeus sabe o quanto os amo, morreria por vocês. Tenho deveres a cumprir, não posso me afastar disso! Você é minha mulher, não deve a mulher seguir o marido?

- Que pensamento mais machista, só poderia vir de um cavaleiro grosso como você!

- Por um acaso eu não te segui, Alexandra? Você nunca me perguntou se eu queria ir para Londres, e eu fui. Fui porque te amo. Mudei minha vida por você, estudei, formei, fiz de tudo para ser o melhor marido do mundo.

- E você é o melhor marido do mundo! – os olhos verdes estavam inundados pelas lágrimas.

- Pois então, Sandra, o que te custa? Eu fui nomeado tutor dela, tenho que ficar aqui. Além disso, Rafa herdou muitas coisas por ser afilhado dele. Ele e Annely são donos de metade da mansão Kido. Vai ser bom, vamos?

- Está bem! Nos mudamos o mês que vem. É o tempo que eu preciso para deixar tudo em ordem para a transferência da empresa.

- Ótimo! – Aioros não conteve o sorriso de satisfação. Puxou a esposa para perto de si e a olhou com um desejo incontrolável – Onde estão as crianças? (Perguntinha maliciosa!)

- Estão na sala se matando. (Mãe zelosa!)

- Então estamos livres para fazermos você sabe o que...- Ele começava a desabotoar o vestido da mulher.

- Aioros, seu fogo sagitariano não acaba nunca? – Os olhos dela estavam vidrados nos dele. Nem ela conseguia entender como a paixão e o desejo que tinham permanecia inabalável com o passar dos anos.

- Não! Pelo menos, não enquanto eu for casado com você, ou seja, nunca mesmo! – Aioros se apoderou dos lábios de Alexandra e eles seguiram para o quarto onde se amaram a tarde toda enquanto Annely mantinha Rafael imobilizado e com um belo sorriso no rosto zapeava, tranqüilamente, os canais da tv.

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Como havia sido combinado, no mês seguinte a morte do velho Kido a família se mudou para Tóquio. Mais um mês se passara e com a chegada de setembro também se iniciou o ano letivo japonês. Annely e Rafa foram matriculados no mesmo colégio e seguiam para o primeiro dia de aula. O clima de rixa constante pairava sobre eles. A garota bem que tentava uma aproximação, mas o menino era irredutível.

- Faça de conta que não me conhece. Eu não tenho irmã! – Rafa repreendeu antes de entrarem na escola.

- E quem disse que eu quero ter um irmão malinha como você! – Ela respondeu e seguiu para sala.

Durante as aulas, Annely fez amizade com duas garotas uma de cabelos lisos e castanhos e a outra de cabelos também castanhos, porém cacheados. A primeira se chamava Lívia e a outra Natália, ambas eram brasileiras e vieram morara no Japão com a família, era o primeiro dia delas em uma escola japonesa. No final da aula as três combinaram de irem tomar um milk shake numa lanchonete próxima à escola; queriam se conhecer melhor.

- Então você é grega? – Natalia perguntou interessada.

- Sou sim. Eu e meu pai somos gregos, já minha mãe e meu irmão são ingleses.

- Você já morou na Inglaterra também? – Dessa vez a curiosidade vinha de Lívia.

- Se vocês considerarem que um pouco mais de um mês seja morar, eu já morei sim.

- Quer dizer que assim que seu irmão nasceu vocês se mudaram?

- Não. Nossa como eu vou explicar isso para vocês...Gente o que está acontecendo ali? – Annely apontou para um grupo de garotos que ela reconheceu serem de sua sala. Eles estavam reunidos em um circulo em volta de algo ou alguém que ela não conseguia identificar.

- São os rapazes da nossa sala. Bem que me contaram na hora do recreio que eles eram um bando de boçais. Eles pegam os alunos das séries inferiores para se divertirem. Batem, xingam e às vezes até roubam. Eles devem ter encontrado a vítima de hoje – Lívia explicou.

- Por Zeus!(a expressão saiu naturalmente da boca da menina) É meu irmão que eles pegaram! – Largando suas coisas na mão das amigas, Annely correu para socorrer o irmão.

- O que essa doida pensa que vai fazer? – Natalia disse nervosa.

- É irmão dela Nat, eu também tentaria fazer algo se fosse o meu – respondeu Lívia.

- Acho melhor vocês soltarem ele e brincarem com alguém da série de vocês!

UHUHUHUHUHU, Nossa, to apavorado! O que você vai fazer com agente se não te obedecermos hein, duende de jardim? – Se tinha uma coisa que a irritava profundamente era falar algo pejorativo em relação a sua altura (ou baixeza que era o caso). Isso sem falar da cara nojenta que o líder da gangue tinha.

- Vou fazer você obedecer! – Uma forte luz dourada passou a brilhar em torno da jovem e a cada segundo ela se expandia mais e mais. Com uma velocidade espantosa junto a uma habilidade para luta muito incomum para uma garotinha, Annely derrubou o bando inteiro de uma só vez. Natalia e Lívia olhavam chocadas e o mesmo ocorria com Rafael.

- Acho que vocês não vão voltar a me desobedecer, não é? Não quero ter notícias que vocês estão incomodando ninguém, ouviram?

Em resposta só se ouvia os gemidos de dor dos rapazes. Annely caminhou até o irmão.

- Rafa, você está bem?

- Como você fez isso?

- Isso o que?

- Você brilhou depois derrubou todo mundo!

- Bem eu, eu não sei como fiz isso. Talvez seja algo que eu já sabia fazer antes de perder a memória.

- Você perdeu a memória, Annely? – Nat que vinha se aproximando escutou a última fala da jovem.

- Sim, era isso que eu ia explicar para vocês quando vimos a briga. Então, vamos ou não vamos à lanchonete?

- Vamos! – As duas concordaram.

- Nely! – Rafael chamou a irmã – Obrigado! O papai tinha razão. Deve ser bom ter uma irmã, se não fosse você hoje...

- Vai para casa, Rafa – os olhos da garota estavam cheios d'água.

- Ta – O menino assentiu com a cabeça e correu para casa mas antes se virou e disse – Amanhã eu tenho aula de guitarra, vai comigo?

- Claro! Agora vai! – Annely deu um sorriso e mandou um beijo para o irmão. Finalmente eles haviam se entendido.

Na lanchonete Annely contou sua história, pelo menos a parte que ela sabia ou se lembrava, para suas novas amigas. A única coisa que ela ocultou, naquele momento, foi sua gravidez pensando que essa informação seria um pouco forte demais.

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Rafa chegou em casa esbaforido, estava muito entusiasmado com a atuação da irmã.

- Pai, mãe, vocês não sabem o que aconteceu!

- Mas se você nos contar logo saberemos – Alexandra respondeu dando um beijo no filho.

- Uns garotos do colégio me atacaram depois da aula. Eles estavam me batendo e tentavam roubar meu tênis.

- Que horror, eles te machucaram, meu filho?

- Não, mãe! A Annely apareceu e uma luz começou a brilhar em volta dela e ela acabou com os carinha! – Rafa contava todo orgulhoso.

- Annely brigou com uma gangue inteira sozinha, Rafa? – Aioros não conseguiu esconder a satisfação, sua filha tinha o sangue quente dos Ílira e fazia jus ao nome.

- Foi sim, pai, o senhor tinha que ter visto!

- Tinha mes...AIEEEE! Alexandra! – Aoiros gritou passando a mão no braço beliscado.

- Segure sua empolgação! E você, mocinho, suba e já para o banho! – Alexandra falou brava com os dois e Rafa rapidinho tomou o rumo do banheiro – Imagine! Uma garota se envolvendo em brigas de rapazes.

- Ah Sandrinha, minha onça brava. Ela só estava defendendo o irmão. Pelo visto ela foi muito bem treinada. Queria ter visto! – Os olhos do cavaleiro brilhavam – Pelo menos eles pararam de brigar aqui em casa, não viu como ele está admirado.

- Não me chama de onça, eu não sou brava! Só tenho mais juízo que você!

- Acho que vou treinar o Rafa. Vai ser bom para ele ter uma noção de auto-defesa.

- Aioros Íliria! Não quero ter um filho briguento!

- E eu não quero ter um filho que precise da irmã para defendê-lo. Dessa vez eu não vou abri mão da minha decisão – E dando um beijo na testa da mulher saiu para o trabalho.

"Fazer o que? Até parece que alguma vez a vontade dele não prevaleceu! Eu posso até ser brava, mas do que adianta? Ele sempre me amansa".

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Na tarde seguinte, Rafa levou a irmã para assistir sua aula de guitarra como tinha sido combinado. Lá ele a apresentou a um amigo, Leandro, um garoto que deveria ter uns treze anos.

- Ele toca baixo. Nessa escola todos que vêm aprender algum instrumento devem escolher um grupo para ensaiarem juntos. Quando eu cheguei aqui e Leo me chamou para o grupo dele.

- Finalmente um homem! Nossa, meu grupo só tinha mulher. Quando comecei a treinar aqui os grupos que tinham meninos já estavam formados. E estávamos mesmo precisando de um guitarrista.

Annely começou a observar o grupo do qual Leo tinha falado. Qual não foi sua surpresa ao constatar que Lívia e Natalia participavam dele, seu irmão não te disse nada a esse respeito. O grupo era composto por pessoas de todas as idades e tipos; iam dos 10 aos 25 anos e como o menino havia informado a maioria esmagadora eram mulheres.

- Vem, toca um pouco com a gente! – Uma garotinha loura de olhos profundos e escuros e da idade de seu irmão a chamou para juntar-se a banda. A garotinha tocava flauta clássica entre outros instrumentos de sopro e se chamava Luna.

- Obrigada pelo convite, mas tocar o que? Eu não sei nem bater pratos! Prefiro ficar olhando.

O grupo começou o ensaio e tocaram uma das músicas preferidas de Annely que instintivamente começou a cantarolar. Sem perceber ela começou a agir como se fosse a vocalista da banda que, por enquanto, não tinha ninguém para preencher tal posição. De repente todos pararam de tocar e ficaram olhando para menina que demorou alguns segundos para perceber que o som fora cessado.

- O que foi? Eu canto tão mal assim que acabei atrapalhando vocês?

Juliane, que era a componente mais velha e tinha longos cabelos ruivos e lindos olhos castanhos se aproximou de Annely dizendo:

- Para quem não sabe bater pratos, você tem um talento nato para tocar o instrumento mais complicado de todos: nossas cordas vocais. Menina, você tem uma voz linda! Por que você não ensaia com a gente? Estamos pensando em escrever o grupo em um concurso que a gravadora Kamù esta produzindo. Eles estão em busca de novos talentos. Achamos a voz que estávamos precisando para ficarmos completos. E ai?O que me diz?

- Eu, cantora? Não posso dizer que nunca pensei nisso antes, pois realmente não sei se pensei, mas por que não? Quando começamos os ensaios?

Uma garota alta de cabelos cacheados e negros e olhos verdes chegou pro trás de Annely e segurando-a pelos ombros respondeu:

- Agora mesmo!

Continua

Gente só uma coisinha: como eu havia dito a fic não segue a cronologia do mangá nem do anime no que diz respeito à idade das personagens. Por isso que Seiya e companhia limitada foram para seus treinamentos com doze para treze anos e não com sete como está no anime/mangá.

Para Luna, July-chan, Arthemys e Leandro: Sejam bem vindos à Intenções de uma Deusa!, No próximo capítulo teremos mais personagens novos. Um beijão para vocês!

Adios!

LuanaRacos