Apesar de ser óbvio que os cavaleiros de zodíaco estariam muito melhor na minha mão do que nas do Kurumada, eles não me pertencem.

INTENÇÕES DE UMA DEUSA – CAPÍTULO 10

Os meses foram passando e cada dia a banda estava mais harmonizada e bem preparada. O dia do concurso estava se aproximando e os ensaios estavam ficando mais intensos. Com o passar do tempo a gravidez de Annely tornou-se algo evidente e a criança era aguarda com muita empolgação. Entre as meninas havia uma disputa sobre quem seria a madrinha, mas uma coisa era certa: menino ou menina não lhe faltaria tias.

- Temos que definir qual música iremos apresentar – Mega uma jovem de vintes anos, de cabelos louro-cinza e olhos verdes comentou.

- Podíamos tocar um rock pesado com umas baitas radicais três solos de guitarra e claro um de baixo... – Leo delirava com o som que queria criar, mas foi chamado à realidade por Márcia.

- Isso mesmo, Leo. Vamos tocar algo totalmente diferente do que estamos ensaiando há meses. Vai ser um sucesso.

- Tem que ser uma música original. Eles não vão aceitar covers – Themys lembrou.

- Acho que deveríamos escolher algo que a Annely cante melhor. O vocal é sempre o mais avaliado. – Ana sugeriu.

- Isso mesmo Ana! O que você sugere, Nely? Que música você acha que desenvolve mais? – Juliane perguntou, mas não obteve resposta. Todos olharam para o futon no fim da sala onde estavam reunidos para o ensaio e viram Annely deitada com os olhos fechados.

- NELY! Dá para você responder? Sabemos que gravidez da sono, mas isso aqui é importante! – Natália chamou a atenção da amiga.

- Que dia hoje? – Foi a resposta dada pela jovem.

- Sete de fevereiro. Falta um mês e duas semanas para o dia do concurso – Thati que era uma das mais novinhas da banda com seus 12 aninhos, longos cabelos loiros e olhos verdes esmeralda, respondeu.

- Sete de fevereiro, hum, não deixa de ser curioso – Annely falava enquanto acariciava a enorme barriga – Noites atrás eu sonhei com um lugar coberto pela neve. Estava no meio de uma tempestade quando vi um homem que eu não consegui identificar por que a imagem estava muito turva. Tudo que eu sei é que ele me disse que meu filho, que seria uma menina, nasceria no dia sete de fevereiro e que era o dia do aniversário dele. Foi muito estranho. Depois que ele disse isso eu acordei.

- Credo! Fiquei toda arrepiada – Milla comentou passando a mão pelo braço para abaixar os pelos ouriçados.

- Mas você está com oitos meses, foi só um sonho, não vai acontecer nada disso. Vamos continuar?

- Pode ter sido um sonho, Lívia, mas minha bolsa acabou de estourar!

Uma grande confusão se instalou no recinto. Algumas começaram a chorar de emoção e nervosismo, outras gritavam com Annely, pois não conseguiam entender como ela estava tão calma. Rafa e Leo ajudaram-na a se levantar e a guiaram até o carro enquanto July pegava as chaves do automóvel. Márcia e Mega se preocupavam em ligar para os pais da menina. Natalia, Luna e Ana rezavam e Lívia e Thati discutiam sobre a importância do parto normal e das dificuldades de se ter um bebê prematuro. Beta ficava ao lado de Annely mostrando como ela deveria respirar.

O fato é que, apesar da confusão inicial, em menos de meia hora, Annely deu entrada na maternidade seguida da banda inteirinha. Os que não couberam no carro de July (que foi o mais abarrotado possível) racharam um táxi (que também estava lotado). Na recepção da clínica, todos falavam ao mesmo tempo e demonstravam grande preocupação o que começou a deixar a jovem, que até agora fazia um esforço para se manter calma, nervosa. O medo tomou conta de seu coração e lágrimas brotaram em seus olhos.

- VOCÊS QUEREM PARA COM ESSA ALGAZARRA! Estão me deixando louca!

Houve um silêncio imediato e o médico mandou que o grupo fosse aguardar na sala de espera e que só ficasse com ela o pai da criança. Ele disse isso olhando para Leo esperando que o rapaz se manifestasse.

- Ei! Não olha para mim, não! Não tenho nada a ver com isso. Eu só tenho quatorze anos.

- Então, quem é o pai? – O médico perguntou. Primeiramente ninguém ousou dizer nada, depois July resolveu falar algo para acabar com o constrangimento.

- O pai não está aqui. Então um de nós não poderia acompanhá-la? O irmão dela, talvez? – Ouvi-se um baque e todos se viraram para Rafael. Ele havia desmaiado ao ouvir a proposta da amiga – Pode ser eu, também! – July falou com um sorriso amarelo nos lábios.

- Eu quero ir sozinha. Não se preocupem comigo, é só um parto – Annely disse ainda com a voz alterada.

O médico concordou com a garota e a tirou da cadeira de rodas para passar para maca seguindo para a sala de parto. No corredor que separava a recepção do quarto a jovem sentiu uma estranha presença ao seu lado. Ela se virou e vislumbrou o rapaz que aparecera no seu sonho, o rapaz da neve. Agora ela podia vê-lo nitidamente, como ele era lindo. Tinha olhos azuis, traços fortes e duas grandes sobrancelhas que tinham uma bifurcação, cabelos compridos e repicados dando uma aparência desarrumada ao mesmo tempo muito elegante, eles eram da mesma cor dos olhos: azul-petróleo. Ele a olhava com ternura e logo todo o medo que ela sentia se esvaiu. O rapaz deu um lindo sorriso para ela que retribuiu com um sorriso tímido devido à dor provocada pelas contrações.

Na sala de parto o jovem manteve-se ao lado de Annely durante todo o tempo. Quando foi pedido para que ela fizesse força ele segurou suas mãos dando-lhe apoio. Com uma tranqüilidade incomum a menina fez toda a força necessária segurando firme a mão do rapaz misterioso que apenas ela conseguia sentir e enxerga; ambos choravam de emoção. Logo um choro forte e saudável tomou conta do quarto.

- É uma menina! – Exclamou a enfermeira – Uma bela criança – Depois de embrulhar o bebê ela a entregou para a mãe.

Annely pegou a filha e passou a observá-la, sua emoção era tremenda. Era uma menina, assim como tinha sido dito no seu sonho. Durante a gravidez nunca foi possível olhar o sexo da criança, pois ela sempre estava em posições que impediam a constatação.

- E então, mamãe? Qual será o nome dessa princesinha para que eu possa colocar a pulseira de identificação?

A jovem ficou pensativa, até aquele momento ela não havia pensado em nenhum nome que realmente a agradasse. O rapaz que havia sumido assim que a criança chorou novamente apareceu e aproximando-se de seu ouvido sussurrou:

- Kamily! Dê a ela o nome de Kamily É a soma dos nossos nomes, meu amor: Kamus e Annely.

- Kamlily, é esse o nome dela – Annely falou com firmeza e a enfermeira pegou o bebê colocando uma pulseirinha em seu braço direito, fazendo o mesmo com a mãe.

- Vou levá-la para a incubadora. Por ser prematura ela terá que ficar lá um pouco – dizendo isso ela saiu do quarto levando a criança.

- Cuide bem dela, Anjinha – Dando um selinho na boca de Annely o jovem voltou a desaparecer deixando a garota com os olhos marejados num misto de tristeza e a mais profunda felicidade.

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- Ai como ela é fofa – Beta comentava batendo no vidro que separava a área das incubadoras dos visitantes – Ri para tia, Kamily, uhuhuhuh!

- Nossa!Ela não tem nada que lembre a Annely. Cabelos azuis sobrancelhas duplas – Leo constava a falta de semelhança entre mãe e filha.

- Não sabemos como é o pai, as vezes ela é parecida com ele – Milla falou.

- Beta para de bater no vidro e agir como retardada. Um bebê de poucos minutos de vida não vai rir para você – Lívia afirmou sarcasticamente.

- Mas ela está rindo, vocês não perceberam? – Todos fitaram a criança e até Lívia teve que encarar que a menina ria. Mas não era para nenhum de seus visitantes que ela sorria e sim para o homem que esteve presente ao seu nascimento e que agora estava ao lado da incubadora rindo para ela também.

Adeus, minha filha – Dizendo isso ele voltou a desaparecer deixando a banda toda, agora já acompanhada pelos avós do bebê, fazendo toda espécie de caretas para menina sorrir, mas tudo que conseguiram foi fazê-la chorar.

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Kamus despertou assustado. Ele suava da cabeça aos pés, o que era surpreendente para quem se encontrava sob o rigoroso frio siberiano. Assim que se sagrou cavaleiro de ouro ele recebeu uma autorização do Mestre para treinar aspirantes a cavaleiros e por isso ele havia retornado para o lugar onde havia iniciado seu treinamento.

Ele se levantou, pôs um casaco e começou a descer as escadas que levavam à parte inferior da cabana em que se hospedava. O andar de baixo da casa estava completamente escuro; ele tateou com a mão pela parede até encontrar o interruptor ascendendo às luzes.

- BOM DIA MESTRE KAMUS! PARABÉNS PELOS SEUS DE 17 ANOS! – Dois meninos, que não ultrapassavam os treze anos, um loiro de belos olhos azuis e o outro de revoltos cabelos verdes, estavam em pé na sala com chapeuzinho de festa na cabeça. A cabana estava toda decorada de balões e sobre a mesa estava um apetitoso bolo de nozes. Os meninos preparam tudo para comemorar o aniversário do mestre.

Sem se quer olhar para os garotos ou para surpresa que eles haviam preparado, o cavaleiro abriu a porta da cabana e começou a caminhar até chegar a um precipício que tinha uma vista privilegiada do lago Baikal, o maior lago de água doce do mundo. O vento soprava forte balançado seus cabelos e cortando-lhe a face. Ele olhava o horizonte, mas não enxergava nada; seus pensamentos estavam em outro lugar.

- Annely, por que você me assombra? ME DEIXA EM PAZ! Morre de uma vez, morre dentro do meu coração – Perdendo as forças suas pernas cederam e ele beteu com os joelhos na nave que cobria o chão. Chorava e não sabia se era de raiva ou de tristeza – Morre, por favor! Por que eu não consigo te esquecer? VOCÊ NUNCA VAI VOLTAR! Minha ferida nunca vai cicatrizar.

Kamus, o sagrado Cavaleiro de Ouro de Aquário nunca chorava ou demonstrava qualquer tipo de emoção desde que sua namorada morrera em um trágico acidente aério. Seus pensamentos nunca mais foram habitados por Annely, mas nos últimos dias seus sonhos estavam sendo bastante traiçoeiros. Primeiro ele sonhou que a encontrava em meio a uma tempestade de neve. Ela estava grávida dele e ele a dizia que a menina que ela esperava nasceria no dia do seu aniversário.

Mas o sonho que teve essa noite era ainda mais impressionante que o primeiro. Ela estava no hospital, que parecia ser japonês, tendo a tal criança. Ele também estava lá, esteve com ela o tempo todo, vira sua filha nascer e até sugeriu o nome. E coincidência ou não era seu aniversário, assim como ela havia dito para ela no outro sonho. Uma dor imensa invadiu seu peito, como ele desejava que tudo aquilo fosse verdade.

- Não é, NÃO É! ELA ESTÁ MORTA! NÃO EXISTE NENHUM BEBÊ! Não existe nenhuma Kamily, e é essa a verdade! – Ele socou o chão fazendo um enorme buraco, arrebentado a pedra que o sustentava. Houve um grande estrondo e a neve cedeu fazendo com que ele caísse sobre o lago que, devido ao frio, encontrava-se congelado e por sorte o gelo não se quebrou. Ele foi completamente coberto pela neve que desprendeu do barranco.

- MESTRE KAMUS! – O jovem louro que se chamava Hiyoga correu para ajudá-lo a se levantar sendo seguido por Isaak que era o outro menino.

- Não se preocupem! Eu estou bem. Que tipo de cavaleiro eu seria se um punhadinho de neve pudesse me vencer? – Com a expressão de frieza voltando a dominar, ele se levantou e tomou o rumo da cabana. As crianças olhavam estupefatas.

- O que há com ele? – Hiyoga perguntou.

- Sei lá. Ele está mais mal humorado que o normal – respondeu Isaak.

- Quem sabe ele não gosta de aniversário? – Sugeriu o loirinho.

- Deve ser isso mesmo, Oga! Aniversário é um dia que deixa as pessoas comuns alegres. Mas "Kamus de Aquário" não é uma pessoa comum, é um cavaleiro e emoções baratas não o comovem – Issak falou com um tom irônico, imitando o mestre com perfeição, pois Kamus sempre falava dos sentimentos com desprezo. Os garotos gargalharam e seguiram rindo de volta a cabana onde encontraram o mestre comendo o bolo com o chapeuzinho na cabeça.

- Venham comer, o bolo está muito bom! - Os garotos sorriram e sentaram para se servirem. Estavam tão atentos à comida que não observaram um sorriso que surgiu nos lábios de Kamus ao observá-los. Ele havia adorado a surpresa dos discípulos.

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Uma semana se passou e não poderia haver uma criança mais adulada que Kamily. Todos queriam carregar, ninar, dar banho e até trocar as fraudas. Annely se sentia a mulher mais feliz do mundo, estava completamente realizada com maternidade; como ela gostava de estar com a filha, de amamentá-la, de por para dormir, sua felicidade não poderia ser mais evidente.

Ela estava na varanda de seu quarto ninando o bebê quando uma de suas amigas aproximou-se.

- Ela já dormiu? – Márcia perguntou nun sussurro.

- Quase!- Annely respondeu sorrindo para companheira de banda.

- Eu trouxe um presentinho para ela. Sou a única que ainda não te dei nada – Márcia entregou um pacotinho para Annely que após colocar Kamy no berço o abriu.

- Márcia, é lindo! Eu adorei - O presente era um cordão de ouro branco e um pingente do mesmo material que era igual ao que Annely usava, só que menorzinho.

- Você quase nunca tira esse cordão, diz que tem paixão por ele. Eu até procurei um pingente do mesmo material que o seu, mas parece que não existe, o seu é único. Até mesmo a figura é difícil de ser encontrada, tive que mandar fazer.

- Muito obrigada, mesmo. – Annely abraçou a amiga e tomando uma postura um pouco mais séria, falou – Márcia, você gostaria de ser madrinha dela?

Madrinha , eu? Mas, mas eu pensei que você escolheria a Nat ou a Lívia por elas serem mais próximas.

- É justamente por isso que eu quero que seja você! Elas são próximas, mas você também é muito minha amiga e teria a coragem de brigar comigo caso eu estivesse fazendo algo errado na criação dela. Você é perfeita para o posto, aceita?

- Claro que sim! E pode ter certeza que eu vou brigar mesmo! – As duas sorriram muito felizes. Um mês depois o batizado foi realizado.

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O tempo foi passando. A banda saiu vitoriosa do concurso; eles tocaram uma musica que foi cuidadosamente composta por todos chamada Fukai Mori (Densa Floresta). Foi uma composição tão marcante que seu nome foi adotado pelo grupo. Com o passar dos anos o Fukai Mori tornou-se a banda mais popular do Japão devido a sua variação musical, mistura de vários rítimos e harmonização. Tudo que eles produziam era sucesso garantido e eles já começavam a conquistar o público europeu.

No Santuário de Athena muita coisa aconteceu nesse meio tempo. Primeiramente, Saga foi derrotado e Saori Kido assumiu seu lugar como a reencarnação da deusa. Depois vieram Hilda de Polares, Posseidon e Hades, mas todos aqueles que tentaram deturpar a paz que Athena lutava para manter foram derrotados. Porém a última batalha, contra Hades, fora muito cruel. Apesar de sair vitoriosa a deusa da sabedoria perdera quase todos seus cavaleiros e os que permaneceram encontravam-se muito debilitados. O mundo estava desprotegido. Era o momento ideal para que uma deusa liberasse sobre tudo o seu rancor e revelar suas verdadeiras intenções por de trás de todos esses acontecimentos.

Continua

Bem galera é isso ai, parece que finalmente vamos ter intenções de uma deusa nessa fic. Espero que tenham curtido tudo que foi escrito até agora. Se preparem para muito romance, desentendimento e aventura daqui para frente.

Só uma explicação fundamental: A música Fukai Mori realmente existe. Ela é o segundo tema de encerramento do anime Inuyasha, para quem conhece é aquela: Vivemos em qualquer lugar, enquanto viajamos sem direção... Essa música é linda no seu original em japonês. Quem quiser, me pede que eu mando, pois eu tenho ela em mp3. Luna, meu anjo, hoje em dia o que mais existe são bandas que misturam sons clássicos como o do violino com o rock pesado, a mistura de instrumentos é uma coisa muito comum, fica lindíssimo. A própria banda Do as Infinity, que é verdadeira dona de Fukai Mori, faz isso em muitas de suas músicas e fica absolutamente perfeito.

Explicações dadas, mando um grande beijo a todos e ATÉ A PRÓXIMA!

LuanaRacos.