Do Olimpo a deusa do matrimônio e da família acompanha a terrível batalha entre os cavaleiros de Athena e o Imperador do sub-mundo. Hera tinha grandes interesses no resultado da Guerra Santa. Ainda que a deusa da sabedoria fosse a vitoriosa, seu exercito de santos estava reduzido a quase nada. Sua jovem encarnação, ainda tão despreparada, estaria completamente exposta e desprotegida.
Todos os cavaleiros de ouro haviam morrido e os de bronze eram apenas moribundos, incapazes de defender a si mesmos. Seiya fora atingido mortalmente pela espada de Hades, levando Athena a vingar seu cavaleiro, atacando o imperador com seu báculo, obtendo a vitória e pondo fim à luta.
"Você não é páreo para mim, menina. O seu erro, Pallas, foi conviver por demais com os humanos, tornou-se fraca e inútil como eles. Apaixonou-se pelo seu cavaleiro de Pégasus e, geração após geração, você vem nutrindo o amor que sente por esse humano. Queria poupá-la, mas no meu mundo não haverá espaço para corações fracos como o seu. Terei que destruí-la, minha querida. Uhauhauha" Um sorriso demoníaco surgiu nos lábios da deusa que observava Athena chorar sobre o corpo de seu amado, sentido a dor da perda como se fosse uma humana qualquer.
O Amor. Como Hera abominava este sentimento. Foi por amar demais seu infiel esposo que ela sofrera tanto. Para ela o amor era o criador das discórdias, o promotor das guerras que os homens realizavam para saciar suas paixões. O amor descontrolado que habitava em suas almas a tudo corrompia. O próprio ódio nada mais era do que a verdadeira face do amor. Não havia dúvidas, esse maldito sentimento deveria ser expurgado do mundo, e a hora havia chagado.
INTENÇÕES DE UMA DEUSA – CAPÍTULO 11
- Athena, Athena! Ha muito Hades vinha perturbando a homens e deuses com a sua ambição, inveja e crueldade. Causou muitos transtornos e guerras intermináveis. Mas agora sua vitória foi definitiva e podemos usufruir um pouco de paz. Uma paz efêmera, infelizmente. Por isso, em sinal de agradecimento e mérito por sua vitória e de seus cavaleiros, darei a todos uma nova vida para que mantenham a Terra protegida daqueles que só querem o mal.
E a você, criança, dar-lhe-ei o direito de amar, Saori Kido.
Saori acorda e percebe que não estava sonhado. Ela não estava mais nos campos Elycios com o corpo de Seiya em seus braços, mas sim em um Santuário, milagrosamente, reconstruído. Elevando seu cosmo, a jovem deusa chama todos seus fiéis guardiões para que se unam perante ela no Paternon. Gradativamente, eles foram se juntando para ouvir o que Athena tinha a lhes dizer.
- Para mim é uma felicidade sem tamanho ter, finalmente, todos os meus cavaleiros juntos. Quero dizer que sou muito grata por tudo que fizeram por mim e pela a humanidade. Mas agora darei uma ordem a vocês, e não tolerarei qualquer desobediência. Quero que descansem, terão uma semana para fazerem o que bem entenderem. Visitem famílias, viajem, em fim. No final dessa semana nos encontraremos em minha mansão no Japão, precisarei da presença de todos. Bem, agora estão formalmente dispensados. Divirtam-se. – A garota deus a costas aos que estavam ali reunidos e entrou no templo, ela também partiria para um descanso. Precisava pensar muito sobre a permissão que certo deus lhe dera.
- Nem acredito! Desde que me tornei cavaleiro nunca soube o que era ter um dia de folga e agora tenho uma semana toda! Eu nem sei o que farei primeiro – O Cavaleiro de Ouro de Escorpião não continha a felicidade que sentia. Além de estar vivo, poderia aproveitar dessa vida à vontade por alguns dias.
- Não acho que seja conveniente que nós nos afastemos do Santuário e de Athena. O mal não descansa. – Alertou o cavaleiro de Aquário tirando o brilho da felicidade do amigo escorpiano.
- Você ouviu bem o que a chefa disse? Não será tolerada desobediência. O que há com você, Aquário? É um exemplo de comportamento. Quer se rebelar? – Miro provocou.
- Larga de deboche Miriano...
- Não me chama de Miriano! Detesto esse nome maldito – Kamus adorava importunar o amigo em relação ao seu verdadeiro nome, não aguentava a cara de criança contrariada que ele fazia quando era chamado assim.
- Caso o senhor não saiba, Miriano, Athena não é nossa chefe, e não existe chefa. Ela é nossa deusa, àquela a quem damos nossas vidas em prol do bem da humanidade.
Miro pensava como conseguia ser tão amigo de um cara tão chato e certinho como Kamus. Ele não fazia nada de errado e estava sempre no controle do seu humor, era insuportável, mesmo assim ele o adorava e o tinha como um irmão.
- Ta bom, Terceiro, você venceu. Vamos ficar no Santuário, mas toda noite a gente sai para das uns rolé.
- Miriano, pare de falar como um marginal. E quem disse que eu vou ficar? Eu falei que não "achava" conveniente, mas se Athena, como deusa de sabedoria que é, acha, quem sou eu para descordar. Vou para casa, estou com saudade da comida da mamãe.
- Sua mãe é uma dondoca, Kamus. Não deve saber nem fritar um ovo! – Miro falava enquanto os dois se dirigiam a suas casas para preparem suas viagens. O escorpiano também iria visitar sua família. Saudade era o sentimento mais constante no coração de um cavaleiro.
Seiya e os demais cavaleiros de bronze estavam ansiosos para voltar para o Japão, mas o rapaz ficou um pouco chateado de saber que Saori não voltaria com eles. Queria tanto estar ao lado dela, nem que fosse só por estar.
Todos estavam muito felizes com a nova vida que receberam. Kanon e Saga até tentavam impor algum diálogo que fosse um pouco além das mágoas que tinham um pelo outro. Porém, havia uma pessoa que parecia muito chateada, o Cavaleiro de Leão não conseguia esconder seu desaponto, se afastou do grupo com a cabeça baixa e lágrimas nos olhos.
- Qual é o problema, Aioria? Não parece muito satisfeito, o que há? – A amazona de águia, Marin, era uma grande amiga de Aioria, muitos chagavam a pensar que eram um casal, mas seus sentimentos um pelo outro não iam além da mais pura amizade.
- Marin, eu não entendo. Todos foram ressuscitados, até o Shion e Dohko ganharam sua juventude. Mas onde está meu irmão, Marin? Por que ele não está aqui? Queria tanto vê-lo, dizer o quanto me arrependo de ter acreditado que ele era um traidor.
- Não fique assim, às vezes ele está melhor onde está do que estivesse vivo – A garota tentava consolá-lo.
- Ou talvez ele não tenha ressuscitado por que nunca morreu! – Disse uma voz conhecida dos dois
- Shura! O que quer dizer com este absurdo? – Airoia perguntou revoltado com o que Shura estava propondo.
- Pense Aioria, não se trata de nenhum absurdo. O corpo dele nunca foi encontrado e olha que o Saga mandou revirar meio mundo para achá-lo, para se certificar que seu maior inimigo havia morrido. E a armadura? Não acha Sagitário muito incomum? Nenhuma outra armadura atua sem a ordem do seu cavaleiro. Não sei, às vezes sinto que ele está vivo.
- Se ele estiver vivo, Shura, entendo perfeitamente o porquê dele nunca nos procurar, ainda que toda a verdade já tenha vindo à tona. Não somos dignos do perdão dele. – Aioria se levantou e segui para sua casa, não gostava de falar do irmão, doía muito.
Shura concordou com as palavras de Aioria. De todos do Santuário que taxaram Aioros de traidor eles eram os piores; eram seu irmão e seu melhor amigo, não tinham o direito de duvidar dele. E ele, Shura, ainda fora responsável pelo ataque o poderia tê-lo matado. Jamais ele se veria livre daquele remorso, jamais.
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A semana de folga dada aos cavaleiros foi devidamente aproveitada por cada um deles. Muitos foram visitar a família, outros aproveitaram para por a vida em ordem. Agora estavam todos reunidos na sala de reuniões na mansão Kido como havia sido combinado.
- Espero que tenham aproveitado o descanso. Evitei tocar no assunto que falarei agora porque realmente queria que ficassem afastados de corpo e mente das questões do Santuário durante essa semana. No dia em que foram ressuscitados, Zeus me aconselhou a ficar atenta quanto a qualquer oscilação no cosmos – Saori fez uma pausa em sua fala para beber um pouco de água e logo recomeçou – Venho sentido constates alterações e meus sonhos vivem se repetindo, o que me leva a encará-los como um aviso.
- Que espécie de sonhos, minha senhora? – Perguntou Aioria Cordialmente.
- Escuto vozes, algo que parece um poema, mas que no fim se mostra como um enigma.
- Consegue se lembrar das palavras, senhorita? – Dessa vez o interesse vinha de Shaka.
- Vagamente. Mas a cada vez que acordo elas estão ficando mais nítidas. Consigo me lembrar de algumas frases: "o fruto de um romance proibido, a menina que foi criada como um menino. Aquela que tem na elite, um pai, um tio, um irmão, seus guardiões e o amor." Tudo me parece tão sem nexo. Não sei se falam de uma ou de mais pessoas, nem sei se falam de um ser humano, pode ser um deus, realmente não sei o que pensar.
- Acho que é uma única pessoa e que é uma mulher, alguém que deveremos encontrar e que se enquadre em tudo isso. São dicas que os deuses querem nos dar! – Shura deu sua opinião.
- Querem nos confundir, isso sim! – Miro disse bruscamente – Se querem que a gente ache alguém por que não são mais explícitos? Achem a mulher tal, RG, CPF, carteira de motorista, endereço. Eles perderam a noção de quantas pessoas tem no mundo? O povo não faz controle de natalidade não, minha gente!
- Não blasfeme, Miro, que coisa feia! – Mu brincou – Os deuses têm sua própria linguagem. Cabe a nós interpretar os sinais.
- Mas este sinal está difícil mesmo, nem a Soori que é deusa consegue identificá-lo – Seiya manifestou-se.
- Devemos ter paciência, mais sinais serão enviados, e logo saberemos do que se trata – Dohko, sempre tão sábio, falou com a serenidade dos seus 273 anos, apesar da aparecia de jovem – Entrarei em contato com o Shion, talvez ele possa nos ajudar – O antigo cavaleiro de Áries havia retornado a sua posição como mestre do Santuário e desde sua volta se dedicou a por tudo em ordem depois da terrível batalha que todos queriam esquecer.
- Concordo Dohko, só nos resta esperar. Já conversei com a Hilda, pedi para que ela nos fizesse uma visita, ela também poderá ser de grande ajuda. Além disso, há tempos prometi fazer uma festa de confraternização entre o Santuário e Asgard, será uma boa oportunidade para tal. Fiquem à vontade, a casa é de vocês – Saori já saia da sala de reuniões quando se lembrou de mais uma coisa - Por falar em festa, em dois dias será a comemoração de aniversário de casamento de uma pessoa muito especial e muito querida. Ele soube que vocês estavam no Japão e me pediu para estender o convite a vocês. Espero que aceitem – Falando isso, ela deixou o recinto tomado pelos murmúrios dos cavaleiros que comentavam não só dos estranhos sonhos da deusa, mas, principalmente, das festas que veriam. A semana de folga os deixou mal acostumados.
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Kamus, devido ao seu temperamento introspectivo, havia optado em não se hospedar na mansão, queria ter sua privacidade resguardada. Ele alugou um quarto em um dos melhores hotéis da cidade. Estava deitado em um dos sofás da sala do apartamento pensado em tudo que fora dito por Saori naquela tarde.
Não conseguia deixar de achar que suas conclusões sobre o assunto eram absurdas, mas elas dominavam sua mente. Apenas uma pessoa se encaixava perfeitamente às frases ditas pela deusa: Annely. Desde o primeiro instante a imagem da jovem penetrou em seus pensamentos como se de lá quisesse sair para se materializar a frete de todos, indicando que ela era a mulher que procuravam.
Por mais de quatro anos e meio ele havia conseguido controlar suas lembranças, quase nunca pensava nela, mas sempre que o fazia era com uma intensidade torturante. Deu-se o direito de relembrar um pouco dos momentos que passaram juntos, sentindo o coração apertar. Deixou os sentimentos dominarem e se entregou a tristeza de não poder tê-la como gostaria; sempre junto. Uma lágrima escorreu pelo rosto impassível daquele que para muitos era uma pessoa inabalável. Riu de si mesmo limpando o rosto molhado "Kamus de Aquário, você é uma fraude" pensou e acabou dormindo, entorpecido pela saudade.
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Os olhos azuis abriram-se bruscamente, ele olhou para o relógio de pulso e saltou do sofá, já estava atrasado. Em meia hora Miro e os demais cavaleiros estariam na porta do hotel para buscá-lo. Iriam a uma boate indicada por Hyioga, um baladeiro convicto. O rapaz havia sugerido uma boate para estrangeiros localizada em uma área nobre da cidade e que, segundo ele, era frequentada pelas mulheres mais bonitas, fossem japonesas ou estrangeiras. Com um argumento desses não foi difícil convencer aquela homarada de ir até lá.
Kamus foi até o quarto e separou uma peça de roupa para sair. Depois seguiu para o banheiro para tomar um banho rápido mantendo firme o pensamento de que precisava, urgentemente, de uma companhia feminina para livrá-lo das lembranças que tivera durante a tarde. Sempre que Annely vinha a sua mente ele fazia isso, procurava alguém para aliviar seu coração, ainda que soubesse que ninguém jamais tomaria o lugar dela. Ele era dela e só ela pertenceria enquanto os deuses insistissem em sua existência.
Dentro do prazo o aquariano estava prontinho na porta do hotel (é incrível como meia hora é mais do que suficiente para que os homens se arrumem). Não demorou nem cinco minutos para que a caravana de três carros aparecesse e Kamus a seguiu em um carro próprio, aumentando o comboio que caminhava na espera de uma noitada daquelas.
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A boate estava fervilhando, o som eletrônico faziam com que os corpos se mexessem assim que as pessoas adentrassem no recinto. Annely olhava para tudo com o maia absoluto tédio, odiava boates, sempre cheias e barulhentas. "É sua despedida de solteiro, Annely, você vai adorar" Ela imitava Márcia, mentalmente, enquanto fazia uma careta, sabia muito bem que a despedida de solteiro era a desculpa que as garotas buscaram para sair, como se precisassem disso!
Ela nem estava considerando o trabalho que estava sendo colocar as meninas menores de idade para dentro. Rafa, por ser homem, acabou passando batido pelos seguranças, mas a cara de moleca que a Luna e a Tathi tinham não enganava ninguém. Resultado, July teve que assumir a responsabilidade pelas garotas assinando termo de compromisso e tudo mais.
A banda escolheu uma boate para turistas localizada em uma zona nobre da capital japonesa. Ainda que já tivessem um grande público no exterior, seria mais fácil não serem reconhecidos em um lugar para estrangeiros, pois, uma boate japonesa seria sinônimo de suicídio. Mesmo assim o grupo tomou certas precauções para passarem desapercebidos: uns pintaram os cabelos e usavam lentes de contatos, outros usavam roupas bem diferentes do estilo que costumavam usar e teve até aqueles que usavam perucas como era o caso da vocalista que usava uma peruca chanel bem escura e curta até a orelha disfarçando os longos cabelos cacheados que herdara da mãe.
O grupo já estava no estabelecimento a mais de uma hora e Annely ainda mantinha a cara emburrada, mas começava a se animar com as bobeiras que Tathi falava, "alfinetando" as pobres almas que passavam próximas a mesa. Lívia e Nat não paravam de dançar e comentar sobre um grupo de rapazes absolutamente maravilhosos que estava bem perto delas na pista de dança.
- Olha aquele loirão, Nat! Que cabelo é aquele! Melhor que o meu – Lívia comentou risonha.
- Detesto homem cabeludo, e sei lá Li, acho que ele é cego. Ele mal se mexe e fica com os olhos fechados. Ou no mínimo tá muito drogado o que é uma grande possibilidade. – Nat respondeu ao comentário da amiga.
- Nat você me mata, drogado! Bem, mas se ele for cego melhor ainda! Deve ser ótimo com as mãos. Cegos têm o tato apurado – A outra comentou maliciosa.
- Você é muito perva, megera! Olha só no que você está pensando.
- Eu olho, Nat! O cego aqui é ele, não eu.
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Luna tentava passar pela pista de dança para chegar até o bar, mas era uma tarefa complicada driblar aquela muvuca. A garota foi empurrada e acabou se esbarrado fortemente em um dos rapazes do grupo que Natália e Lívia estavam azarando.
- Me desculpa – A menina disse, esboçando um sorriso amarelo para o rapaz que a fitava com a cara amarrada – Me empurraram, foi sem querer.
- Isso que dá permitirem a entrada de pirralhos em lugares para adultos. Nem consegue se manter em pé. Crianças da sua idade deveriam estar em casa uma hora desta – Ele falou ironicamente. O rapaz aparentava ter um pouco mais de vinte anos, tinha olhos azuis bem claros e os cabelos, cumpridos e ondulados, tinham um tom a mais que os olhos. Era muito bonito e tinha um porte atlético que impressionara Luna.
- Idiotas como você deveriam estar no circo fazendo papel de palhaço com este humorzinho tão patético – A garota respondeu ferinamente arrancado risadas dos outros rapazes e deixando o jovem extremamente contrariado.
Luna nem deu tempo para que o rapaz replicasse, e se afastou, voltado para sua luta em busca de algo para beber. Quando a menina estava a menos de dez passos do seu destino, ela sentiu uma mão masculina segurar-lhe o braço.
- O que você quer, seu imbecil... – A menina se virou para ver aquele a segurava, parando de falar ao perceber que não se tratava do imbecil que ela imaginava. Era um homem que cheirava a álcool pelo tanto que já havia bebido. Ele puxou Luna para perto de si, aproximando seus corpos, ela tentava afastá-lo, mas o homem era muito forte.
- Me larga, seu bêbado! Está me machucando – Ela gritava mais o agressor a ignorava.
- Não ouviu o que a menina disse? É para largá-la, seu bêbado – Luna olhava incrédula para quem a defendia. Era o imbecil.
- E quem vai me obrigar? Você? Seu franguinho! Saiba que eu sou faixa preta em karatê – O homem respondeu sem soltar a garota.
- Sério?- O rapaz se aproximou do homem – Pois eu só preciso de uma unha para acabar com você, cretino! – Ele segurou o braço do outro e Luna pode ver a unha do dedo indicador dele torna-se cumprida e vermelha, depois ouviu um grito de dor alucinante ser proferido por aquele que a segurava. Ele a soltou jogando-a em cima do jovem.
- Viu porque eu disse que ninfetinhas como você deveriam estar em casa? Linda e indefesa vai atrair a atenção de trogloditas como esse ai, querendo se aproveitar de sua ingenuidade.
A menina ficou completamente vermelha quando foi chamada de linda pelo seu salvador que agora mantinha um sorriso altamente sedutor nos lábios.
- Muito obrigada por me defender – Falou finalmente.
- Não foi nada! Custa um beijo. – Ele respondeu maliciosamente. Luna piscou os olhos várias vezes pensando não ter ouvido direito o que o homem lhe dissera.
- Pensei que eu fosse uma criança boba, para querer meus beijos... TIO! – A menina também sorriu maliciosamente, provando para o garoto que também sabia jogar o jogo dele. Ela lhe deu as costas e seguiu para o bar.
- TIO?- Ele perguntou interceptando-a antes que ela chagasse ao balcão. Ela apenas se pós nas pontas dos pés e deu-lhe um beijo suave na bochecha e em seguida se sentou em um dos bancos do bar.
- Ai está seu pagamento, estamos quites – Luna falou e o jovem logo se sentou no banco que estava ao seu lado.
- Meu nome é Miro, e o seu? – Ele perguntou.
- Eliza – Mentiu Luna, ela não seria boba de entregar seu disfarce tão facilmente.
- Nome lindo como a dona – Ele disse galanteador.
- Cantadinha fuleira! Acha que só porque sou mais nova aceito qualquer coisa que um carinha mais velho me fala? - Ela disse, secamente, tomando um gole de refrigerante.
- Então ta! Vamos deixar as cantadas de lado. Eu quero ficar com você, Eliza. Não posso ser mais direto que isso.
- Até que você sabe expressar direitinho o que quer, Tio! – Ela não conteve a vontade de chamá-lo assim novamente, gostava da cara de contrariado que ele fazia.
- Você bem que podia seguir o exemplo dos mais velhos e expressar, de uma vez, se quer ou não!
A menina se aproximou de Miro e delicadamente passou a mão pelos cabelos sedosos do jovem colocando os fios revoltos que lhe caiam sobre o rosto atrás de sua orelha. Ele fechou os olhos para sentir melhor o toque e percebeu quando seus lábios foram, levemente, tocados pelos os dela, eles eram tão macios e saborosos, a garota usava um brilho de sabor morango que agradou muito o cavaleiro. Miro puxou Luna para bem próximo de si, intensificando a carícia.
O beijo se prolongou por alguns minutos deixando o jovem mais à vontade e ele logo parou de beijá-la para poder explorar com a boca outras partes do corpo da menina. Primeiro um beijo elaborado no pescoço e depois leves mordidas e beijos no lóbulo da orelha tirando discretos gemidos da jovem que aproveitava cada toque recebido, mergulhando os dedos nos cabelos do rapaz e ao mesmo tempo se aproximando ainda mais dele. Os dois pareciam estar colados.
Miro comemorava mentalmente o êxito de sua noite. Sabia que não poderia ir além dos beijos com a sua mais nova conquista, mas não estava se importando com o fato, estava gostando da companhia da "sua garotinha" e, para ser honesto, ele não queria mais nada naquele momento, apenas curtir a doce presença de Luna.
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No segundo andar da boate Tathi, July, Mega, Themys, Beta e Márcia conversavam, animadamente, sobre qual vestido iriam usar no casamento de Annely que, por mais que tentasse se animar com o assunto, só conseguia sentir uma vontade louca de sumir dali. De repente o papo foi interrompido pela chegada de Milla que praguejava e xingava algo ou alguém quando se sentou a mesa.
- O que foi Millinha? – Tathi perguntou preocupada.
- Aquele idiota do Hyioga. Ai que raiva que eu tenho daquele pato depenado.
- Mas por que toda essa raiva do Patinho? – July perguntou.
- Ele está lá em baixo, aos beijos com uma sirigaita qualquer e nem me viu quando foi ao banheiro e eu o chamei! – falou com a voz chorosa.
- Milla, eu já te disse que por mais cavaleiro que o Hyioga seja ele não tem poder de clarividência para saber que você gosta dele. E olha que ele chegou em você várias vezes e você sempre recusou – Annely disse séria, não era a primeira vez que conversava sobre o assunto "cavaleiro de cisne" com Milla.
- Eu não gosto daquele loiro aguado, cavaleiro de meia tigela! – a menina falava alto quase chorando de raiva.
- Ah não, sou eu quem gosto – Tathi zoou a amiga.
- PERAÍ! Se o Hyioga está aqui então talvez o Ikki também esteja. Milla você viu o Ikki? – Themys perguntou com os olhos brilhando.
- Ele está sim. Junto com outros rapazes que eu nunca vi antes.
- Ai, vou lá. Tenho que vê-lo, ele quase nunca aparece.
- Ah não Themys, não faz isso. Falamos que íamos ficar despercebidas isso inclui os meninos. Ainda bem que o Hyioga não viu a Milla – Annely protestou, ela não queria encontrar com os rapazes, pois sabia que o assunto do encontro seria seu casamento e ela não queria ter que falar nisso pelo menos até o minuto que entrasse na igreja e consumasse aquilo de uma vez por todas.
- Que isso, Nely? Até parece que os rapazes vão nos entregar. Me diz uma coisa, Milla, os amigos de Fênix são gatinhos? – Mega perguntou interessada.
- São sim – Ela respondeu sem emoção.
- Então o que ainda estamos fazendo aqui? Os meninos já se arranjaram e nós estamos marcando bobeira. Vão bora! – Beta falou puxando Themys e Milla pelas mãos e sendo seguida pelo resto da mulherada.
Annely pegou o caminho oposto ao tomado pelas amigas e seguia para varanda que existia no segundo andar da boate.
- Nely, você não vem? – Márcia perguntou vendo que ela não as seguia.
- Me caso em duas semanas, Marcinha, não faz sentido eu ficar toda deslumbrada por um bando de homens bonitos, eu só atrapalharia vocês, podem ir. Eu vou lá fora tomar um ar e caminhou sem voltar a olhar as amigas.
- Ai gente, acho que a Nely ta tão infeliz com o casamento, será que é certo ela casar desse jeito? – Márcia falou.
- Ela só está um pouco assustada, casamento é muito responsabilidade, vai ver como no dia ela vai estar radiante – July falou puxando Márcia pare descerem logo. – Logo, logo isso passa o melhor que temos a fazer é deixá-la à vontade e não tocarmos no assunto.
As meninas desceram entusiasmadas em buscas dos bonitões. Mas acabaram por não achar ninguém, pois o lugar estava realmente muito cheio. A grupo acabou se dividindo, umas indo dançar outras foram comer e beber algo no bar e algumas até acharam um paquera. July e Mega se sentaram em um dos sofás que tinha no andar de baixo e passaram a observar o local.
July estava em choque com um casal que ocupava o sofá ao lado. Faltava pouco para que eles iniciassem o ato sexual propriamente dito, porque metade das preliminares já tinham sido realizadas. A loira que estava com o rapaz se levantou para ir ao banheiro e quase ao mesmo tempo Mega disse que iria também.
O rapaz do sofá que era simplesmente maravilhoso: alto, sarado, cabelos compridos e bem cuidados olhos claros, enfim uma beldade humana. De repente ele começou a lançar beijos e piscadinhas para July, deixando a moça indignada com a cara de pau do homem que, além de realizar vários atos obscenos ali, na frente de todos, ainda tinha coragem de cantar outra mulher enquanto sua companheira ia ao banheiro.
E o safado não parou por ai, mesmo depois que a mulher voltou ele continuava a mandar beijos enquanto abraçava a moça. July olhava brava ansiosa para que Mega voltasse logo e pudesse sair dali. Ele já estava chegando ao cúmulo de mexer os lábios para que July lesse o que ele estava falando. Dizia, olhando para ela, que ela era linda, que era doido por ruivas, e o decote dela estava deixando ele louco. E o fazia enquanto a loira se desdobrava para beijá-lo no pescoço e ombros.
Finalmente Mega retornou do banheiro falando algo sobre o cara que não parava de olhá-la enquanto ela estava na fila e que até estava se animando a corresponde-lo, pois o achara muito lindo, mas foi surpreendida com a chagada de uma morena que o agarrou levando-o para outro lugar. As duas ficaram o resto da noite falando do quanto os homens são sem vergonhas e que jamais cairiam na lábia de caras como aqueles dois safados que depois de certo tempo elas perceberam trata-se de dois irmãos gêmeos, por serem tão parecidos, não só no físico, quanto na falta de vergonha na cara.
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Lívia passou a noite toda de olho no tal loirão. Decidira-se a não ficar com ninguém que não fosse ele e acabou por dispensar muitos caras, alguns bem bonitinhos. Mas na verdade ela estava era se divertindo muito vendo o quanto o cegueta era atrapalhado e desengonçado, além de ser muito esquisito. Ela e Nat acabaram por ficar ali só para rirem dele e do outro rapaz que estava com ele que também era bem cabeludo, mas não era loiro, seus cabelos eram lilases a as duas tentavam formular teses sobre as bolinhas que ele tinha no lugar das sobrancelhas.
- Mú, tem algo errado comigo?- Shaka perguntou para o amigo que pulava feito louco achando que aquilo era dançar.
- Acho que não, por que? – Mú respondeu interessado.
- Aquela menina ali. Ela não para de me olhar e fica cochichando com a outra, depois começam a rir feito duas hienas perante um banquete. – O loiro explicou.
- Eu não faço idéia Shaka, elas também fazem isso comigo. É melhor ignorar, às vezes elas param. – Mú concluiu.
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Kamus se amaldiçoava por ter escolhido uma blusa de manga comprida. Se para as pessoas mais friorentas do mundo o calor era de matar imagina para quem era adaptado às temperaturas siberianas. Os meninos que costumavam frenquentar o local disseram que havia uma varanda no segundo andar da boate e subindo as escadas o aquariano se dirigiu para lá.
Ao entrar na varanda ele olhou em volta e não vendo ninguém foi arrancando a camisa para se aliviar do calor mais rápido. Passou a reparar o local. Era um ambiente aconchegante, perfeito para casais, achou estranho que não houvesse nenhum por ali. Foi quando ele percebeu que não estava sozinho. Uma garota estava apoiada sobre parapeito e fitava o horizonte, completamente alheia a sua presença.
O cavaleiro mordeu o lábio inferior ao observar a mulher mais atentamente. Ela era exatamente o seu tipo de mulher: magra, porém mostrando curvas bem torneadas, costas esguias, bumbum arrebitado. "Bendita mini-saia" ele pensou maldosamente. Sua estatura era um pouco a baixo da média e que o agradava muito, gostava de sentir que cobria completamente àquelas que levava para cama. Era a oportunidade da noite, não deixaria que ela passasse.
Lentamente, ele caminhou até a menina que parecia ainda não ter percebido que ele estava lá. Kamus se deteve ao perceber que a garota soluçava, ela estava chorando.
- Eu não tenho lenço, mas posso de ceder a minha blusa – Falou ponde-se ao lado da jovem e estendendo a camisa. Ela aceitou a oferta, mas lodo devolveu a camisa sem fazer nada.
- Não seria nada educado, muito menos econômico assoar o nariz em um Armani – a garota falou exibindo um sorriso tímido que foi percebido pelo cavaleiro apesar da penumbra do lugar em que se encontravam. Um sorriso lindo na sua opinião.
- Educado não seria eu deixar uma mulher chorando sem fazer nada – Ele disse devolvendo o sorriso que recebera – Meu nome é Louis e o seu?
- É An...Lilian – Mentiu a garota. Por pouco não falara seu verdadeiro nome ao desconhecido.
- Diga me, Lilian, a boate é tão ruim assim que te levou as lágrimas? – Ele perguntou zombateiro.
- Bem, eu não gosto muito de boates, mas com certeza eu não choraria por causa disso. – Ela respondeu sem entender porque estava dando tanta atenção para aquele rapaz – Vai acabar de resfriando – falou ela desviando o olhar do corpo perfeito que o homem exibia.
- Não se preocupe comigo, sou imune ao frio. Na verdade estou com muito calor – O rapaz percebeu que jovem começava a se afastar voltado para boate – Sou tão má companhia assim?
- Claro que não. – Ela respondeu parando – Vou procurar minhas amigas, quero ir embora.
- Não está sozinha?
- O que eu faria em um lugar que não me agrada sem que tivesse alguma amiga que me implorasse para vir? Estou em uma festa de despedida de solteiro.
- Então descobri a razão do choro. Você é apaixonada pelo noivo e teve que vir à despedida de solteiro por pressão de suas amigas. – Kamus falou sua conclusão percebendo que suas intenções com a moça iam por água abaixo e que teria que sair logo dali caso quisesse encontrar alguma companhia para esta noite.
- Não é nada disso. EU sou a noiva! – ela respondeu simplesmente.
- Hum? – Foi tudo que ele consegui dizer. Como assim ela era a noiva e estava com aquela cara de enterro? Desistira, definitivamente, de achar alguém para se distrair. A curiosidade falou mais alto e agora ele queria saber tudo sobre aquela história.
- Eu sei que parece estranho. Não sei o que está acontecendo comigo. Meu casamento não me empolga em nada, pelo contrário, quanto mais a data se aproxima, mais angustiada eu fico. – Ela desabafou enquanto voltava a se encostar no parapeito.
- É mesmo estranho. As mulheres vêm o casamento como a concretização de todos os seus sonhos e ideais de amor, paixão e essas coisas. O dia mais feliz de suas vidas. – Kamus falou mostrando o quanto tinha um pensamento bastante retrógrado.
- Não tinha toda essa fantasia, mas realmente esperava algo mais desse dia. É uma decisão que, teoricamente, é para vida toda. Tem que ser com alguém muito especial. Alguém que faça seu estomago afundar na barriga, as pernas tremerem, o coração saltar do peito. E meu noivo está muito longe de me provocar uma fração dessas coisas. Além do mais, eu tenho a estranha sensação de que estou traindo alguém, mesmo que não haja ninguém!
- O que você quer não existe! Está em busca do amor romântico que só está presente em filme água com açúcar. É tudo uma besteira. Ainda que ache alguém que a faça se sentir assim bastarão seis meses de relacionamento para que tudo cesse. Perca essa bobagem e se case, pois tudo não passa de um contrato que poderá ser rescindido a qualquer momento. Tenha isso em mente a será a noiva mais feliz do mundo.
- Realmente era tudo que eu precisava! Um sujeito tão sensível quanto você para me ajudar a amenizar minhas dúvidas! – Annely estava chocada com a frieza do rapaz. Como ele podia falar daquela forma sugerindo que uma coisa que envolve tantas emoções quanto um casamento? Vê-lo como um mero contrato a ser cumprido. Isso que dava ficar desabafando com estranhos.
Kamus não conseguia entender o que a deixara tão brava. Ele só queria ajudá-la, trazendo-a de volta a realidade para que ela se sentisse bem com a idéia do casamento e deixasse de lado toda aquela agonia. Deveria deixar que ela fosse embora, mas algo dentro dele falou mais alto e ele foi até ela puxando-a e fazendo com que ela se vira-se para ele.
O cavaleiro sentiu as pernas tremerem, o estomago afundar e o coração bater de uma forma tão frenética que poderia sair do peito a qualquer segundo. Só agora que ele a via com clareza, pois estavam na parte clara da varanda. "Annely". Só poderia ser ela. Era a mesma boca, os mesmo olhos, o mesmo nariz, cada detalhe era absolutamente igual. Se não fosse pelos cabelos tão lisos e escuros ele não teria dúvidas. Sentia uma enorme vontade de se apoderar dos lábios carnudos e dizer "vem que eu te faço sentir borboletas no estomago se é isso que você tanto quer".
A garota olhava abismada para o rapaz. Era, assustadoramente, parecido com o rapaz que habitara seus sonhos durante sua a gravidez e que esteve com ela no momento exato do nascimento de sua filha. Ela podia ter se esquecido de grande parte sua vida, mas jamais esqueceria aquele rosto. Sentiu o a pulsação aumentar, as pernas estavam completamente bambas e parecia que seu estomago fora tomado por um enxame de abelhas que ficavam rodando por toda cavidade. Sentia-se perdida, mas ao mesmo tempo tinha a certeza de que havia encontrado algo que há muito tempo vinha procurando: sua própria vida. Tinha que sair dali antes que fizesse uma besteira.
- Eu tenho que ir – Ela disse sem nenhuma firmeza na voz.
- Pode ir, mas antes eu vou te beijar – Kamus falou coma voz rouca de desejo.
- Então beija – Foi tudo o que ela disse.
Ele a beijou com urgência como se quisesse acabar com toda a saudade que sentia naquele simples ato. Um beijo intenso, cheio de amor, desejo, paixão. Os corpos se consumiam em chamas evidenciando a necessidade que um tinha do outro. Ainda que suas consciências não soubessem que aquilo era um reencontro, suas almas celebravam a alegria de estarem novamente unidas, como sempre deveriam estar, afinal não havia plenitude em Kamus sem Annely e nem em Annely sem Kamus.
Coisas do passado são alegres quando lembram
Novamente as pessoas que se amam
Em cada solidão vencida, eu desejava
O reencontro com seu corpo: abrigo
Ah, minha adorada,
Viajei tantos espaços
Para você caber, assim, no meu abraço..
TE AMO!
Continua
Gente eu sei que eu demorei para atualizar, mas está ai! Esse capítulo ficou gigantesco e espero que por isso ele não tenha ficado cansativo. Se eu fizesse de outra forma não teria chegado ao resultado que eu queria. Esses dois tinham que se encontrar logo, são seis capítulos afastados. Tadinho deles!
Beijos para todos,
LuanaRacos.
Música: A viagem. Roupa Nova.
