Para quem gostou do Kamus bêbedo! Aqui temos mais um pouquinho. Não reparem a demora para postar, o capítulo foi muito elaborado, por isso demorei.

Obrigado por todos que me dão apoio e força para continuar, saibam que nós autores somos completamente dependentes de vocês, que nos forçam a escrever...

INTENÇÕES DE UMA DEUSA – CAPÍTULO 14

Miro e Hyoga foram embora da boate no carro de Kamus, ele não tinha a menor condição de dirigir nem carrinho de supermercado.

- Miro você é um amigão sabia? Eu te amo, cara. Você me agüenta, é o único que gosta de mim de verdade naquele Santuário – Kamus falava com a voz lenta sentado no banco de trás do carro. De repente um barulho nauseante fez com que Miro e Hyoga torcessem olhares de nojo.

- Ele vomitou e desmaiou. Nossa! Nunca pensei que fosse ver o Mestre assim, ele sempre foi tão cometido. Mas a Annely realmente enlouquece qualquer um. Oh garota com geniozinho forte! – Assim que terminou de falar o loiro quase que se socou, não deveria revelar que conhecia a garota.

- Como pode dizer algo sobre ela? Você nunca a conheceu! – Miro falou olhando firme para Hyoga, se ele sabia de algo falaria nem que fosse na marra.

- Eu? Eu não a conheço só supus pelo jeito que ele está.

- Não seja cínico, Hyoga, você é péssimo em mentir. Diga logo o que você sabe e está escondendo.

- Tudo o que eu sei, Miro, é que a garota que vocês pensam estar morta não está. Ela sobreviveu à queda do avião. Não só eu a conheço, mas todos os outros rapazes também. – O cavaleiro de cisne sabia que mais cedo ou mais tarde a verdade viria à tona, então achou melhor falar o que sabia.

Quase que o escorpiano bate o carro com a informação. Fazendo uma manobra apressada ele parou o carro no acostamento e passou a encarar Hyoga de forma inquiridora.

- Me explica isso melhor pato! O que quer dizer? Não me venha com rodeios.

- Aquela vagabunda, desgraçada tava lá naquele antro de perdição toda se oferecendo para que qualquer um mais jeitozinho a consolasse – Novamente a voz do cavaleiro de aquário pode ser ouvida, mas foi calada por um belo "cocão" dado por Miro.

- Agora que não temos nenhum bêbado chato para nos interromper, continue!

- Bem vou ser o mais breve possível. Eu a conheci no torneio galáctico no meio do ano passado, ela tinha ido com as amigas, pois a banda delas, e sim, ela tem uma banda, abria o evento. Além disso, não sei por que cargas d'água, o irmão dela herdou umas coisas do Mitsumassa Kido, o avô da Saori, uma dessas coisas foi 1/4 da mansão em que estão hospedados. A Annely herdou 1/4 também. Quando nos conhecemos ela me contou que quando tinha 15 anos sofreu um acidente e que em razão dele ela não se lembrava de nada de sua vida antes do ocorrido. A propósito o quarto que você esta usando, o Tatsume não te explicou que era de uns dos donos, pois então, é o quarto dela.

- Annely tem um irmão? Isso é impossível, a não ser que a mãe a tenha encontrado e ela teve filhos com outro homem. Aioros está morto e enquanto vivo não teve outros filhos além dela. E o quarto é dela? O mordomo me disse que era de uma criança.

- Bem quanto ao Aioros isso é outra conversa e... e... e A Saori vai me comer vivo se souber que eu to falando essas coisas, era para ser uma surpresa! E o quarto é também de uma criança. – Hyoga falava nervoso por estar revelando muito mais do que devia.

- É CLARO! - Miro deu um grito - O tio! O tio da Luna xerox do Aioria, ele é o Aioros. O que há com essa família que todo mundo é dado como morto sem estar? Minha nossa! Annely, minha irmãzinha, viva! Isso é demais! Estou louco para vê-la, e pensar que ela estava tão perto lá na boate e eu... e ela ... Ela não se lembra de mim! – A empolgação transformou-se em desconforto e tristeza ao pensar que a garotinha com que dividiu todos os segredos de sua vida não se lembrava dele. Isso era muito mais triste do que pensar em nela morta. Com esta idéia ele já tinha se acostumado, mas ve-la e não ser abraçado em sinal de alegria era torturante.

- Ela lembra sim! Aquela cachorra é uma salafrária comedora de corações. Me disse tudo depois de uma magnífica trepada (por favor! eu sei que o termo é forte, mas relevem ele está bêbado) na varanda da boate. Bisca! Me deu SÓ PARA DEPOIS ME JOGAR NA CARA QUE VAI SE CASAR COM OUTRO! UM CORNUDO QUE NEM SABE O QUANTO FOI BOA A DESPEDIDA DE SOLTEIRA DA NOIVINHA DELE! – Novamente Kamus voltava a resmungar e Miro e Hyoga não sabiam se riam da situação degradante do cavaleiro ou se o espancavam pelo número de besteiras que ele estava revelando ser capaz de dizer.

Miro pegou o amigo pela gola da camisa e o encarou com fúria.

- Você, seu cretino, transou com ela? Na varanda de uma boate? Como pode?

- Eu não transei, fiz amor hahahahahahahah e me surpreende muito a sua pergunta Miro, Como eu pude? Assim ó... - respondeu Kamus imitando os movimentos de uma relação, gargalhando de uma forma cínica que fez com que o escorpiano o jogasse com força no banco do carro – Ai Miro, assim você me machuca, e até parece que foi a primeira vez que eu fiz isso com a menina. Você acha mesmo que com aquela bola toda que ela me dava quando éramos mais novos eu ia deixar passar? Francamente. ..

- Seu francês desgraçado, vou acabar com a sua raça, seu infeliz! – Miro estava preparado para avançar em Kamus e ao fitar o amigo ele reparou que todo o cinismo e escárnio apenas camuflavam a tristeza. Os olhos azuis, sempre tão frios, estavam inundados de lágrimas, a frieza dava lugar a mágoa. Hyoga também olhava admirado.

- Gosta dela! Não é mesmo?

- Não quero falar disso escorpião, ela morreu, está bem? Ainda que esteja viva, ela não é mais quem costumava ser. Minha Annely morreu naquele acidente e junto dela o meu amor, e é só. – O tom sério, sempre tão presente, voltou a dominar a voz do cavaleiro que outra vez sentiu-se mal e voltou a vomitar, mas pelo menos dessa vez ele o fez fora do carro, pois Miro foi mais rápido e, saindo do automóvel, abriu a porta traseira para que o amigo literalmente pusesse os bofes para fora.

Assim que terminou de vomitar, mais uma vez o cavaleiro ficou inconsciente. Miro e Hyoga o deitaram no banco sendo que o loiro ficou atrás servido de apoio para sua cabeça do mestre. O cavaleiro de Escorpião decidiu que seria muito perigoso deixar Kamus sozinho no hotel, por isso o lavou para mansão. O resto do trajeto foi feito no mais absoluto silêncio. Hyoga lamentava ter contrariado a um pedido de Saori, Miro estava emocionado com tudo que havia sido dito e Kamus estava pra lá de Bagdá.

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Noite ruim pressagio de um dia pior ainda. Foi com esse pensamento e com uma dor de cabeça alucinante que Kamus despertou e percebeu-se deitado em uma confortável cama de casal com ninguém mais, ninguém mesmo, que Miro ao seu lado. O cavaleiro de Escorpião ocupava mais de metade da cama deixando para ele apenas um cantinho espremido. Passou a empurrar o companheiro até vê-lo se esborrachar no chão e acordar assustado.

- O que ... que foi ... ai minhas costas. O que deu em você para me empurrar desse jeito?

- Quis se aproveitar da minha bebedeira, Mirinano, para tirar uma casquinha? Já disse que não era você o homem por quem me apaixonei, mesmo que isso lhe seja altamente decepcionante.

- Vejo que acordou de bom humor, devia socá-lo até arrancar esse sorrisinho cínico da sua cara. Minha noite foi um inferno, limpando vômito e dando banho em marmanjo.

- Você me deu banho? Realmente queria tirar casquinha. Ta me dando um pânico, acabei de me lembra que certa parte da anatomia do bêbado não tem dono.

- Para de dizer besteira, seu mal agradecido, deveria tê-lo deixado no hotel para morrer engasgado com o próprio vômito.

- Belo quarto escolheram para você. Com qual dos bichinhos você dorme abraçadinho? Com a foca ou com o pinguim? – Kamus perguntou ao repara a decoração do quarto. Era todo azul e branco, os brinquedos e bichos de pelúcia indicavam ser o quarto de criança.

Miro ficou sério, sabia que até agora as brincadeiras estavam dentro da normalidade de seu relacionamento com Kamus e o fato de ter cuidado dele era apenas uma forma de agradecer pelas inúmeras vezes que o aquariano havia tomado conta dele. Mas a resposta aquele questionamento não era uma coisa fácil de ser dita, afinal havia se lembrado que Tatsume dissera que o quarto era de uma das donas da casa e de sua filha e, na noite anterior, Hyoga dissera que o quarto era de Annely.

- É que o quarto é dela, da Annely. Ela só não o está usando por um pedido da Saori, ela gosta muito de ficar aqui, pois o estúdio de ensaio da banda é na casa.

- Ela não está meio grandinha para ter um quarto tão infantil? – Kamus falou seco voltando a reparar na decoração do quarto.

- Não é só dela... e que... bem, como posso dizer isso... é que.

- É que ela tem uma filha, uma garotinha de aproximadamente cinco anos e que é a minha cara, não é mesmo?

- Eu só sei que ela tem uma filha, a parte da idade e de ser sua cara é por sua conta. Você já sabia? Ela disse isso para você ontem na boate?

- Não, ela não me disse nada a esse respeito, mas eu sei que é assim, era exatamente assim o meu quarto nessa idade. Digamos que a garota deve ter me puxado em algumas coisas.

- Diz isso com essa naturalidade, não se sente emocionado, nada? É um filho Kamus, não a notícia de que vai ter macarronada no almoço, você não pode ser tão sem coração!

- O que eu disse ontem, Miro, é o que eu sinto. Ela morreu e se morreu não pode ter tido um filho. Não quero nada que venha dela, nem mesmo essa criança. Que o almofadinha com quem ela vai se casar cuide da menina. Além do mais eu sou um cavaleiro de ouro, não posso nem devo ser pai de ninguém, para a própria menina e melhor que as coisas fiquem assim.

Miro ficou boquiaberto com a resposta do amigo. Ninguém podia ser tão frio assim.

- Se não queria assumir sua cagada, pelo menos tivesse usado camisinha! – Disse nervoso para porta do banheiro que se fechava a sua frente, mas achou melhor não discutir, talvez o que ele disse era só reflexo da magoa que estava muito recente. Deu uma boa olhada pelo quarto. Realmente pai e filha tinham gosto semelhante, e esperava sinceramente que as semelhanças terminassem ai. "Dois Kamus? Ninguém merece!".

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Juliane foi a primeira a chegar à mansão para o ensaio. Gostava de se antecipar para poder afinar seu violino sem a presença de outras pessoas que sempre a desconcentravam. Entrou no estúdio pela porta que havia na lateral, por onde ela podia entrar sem ter que passar por dentro da casa.

Em poucos minutos ela já estava pronta para começar, não fosse a presença irritante de um homem alto, cabelos azuis escuros, cheirando a álcool que estava estatelado no sofá do estúdio.

Saga dormia tranquilamente, alheio a chegada de July, e esta bufava de raiva com a invasão. O que aquele homem fazia ali? Com tantos quartos naquela casa ele tinha que se acomodar no sofá do estúdio que nem conseguia comportar seu tamanho? Se aproximava para acordá-lo e quando estava bem próxima ele se movimentou, virando de barriga para cima.

- Nossa Senhora! Que que isso, meu Senhor? – July não conseguiu conter o comentário que saiu alto de sua boca. Ficou estática com a visão do corpo perfeito que o homem exibia, ele estava sem camisa. Logo o identificou, era o cara da boate, o que Aioros deu ordens expressas para que ficasse longe dela.

- Um homem! – Saga respondeu abrindo os olhos e dando a July um belo sorriso.

- Eu sei que é homem, o que faz aqui? – Perguntou nervosa.

- Acho que eu estava dormindo até você me acordar com o seu grito.

- Eu não gritei, apenas me assustei quando percebi que havia mais uma pessoa aqui.

- Mentirosa! Você já tinha me visto sim, gritou não foi de susto, foi de contemplação quando eu me virei. – Ele disse com um tom de voz calmo enquanto se levantava e começava a caminhar na direção da jovem, que por mais que tentasse não consegui tirar os olhos do peitoral másculo do cavaleiro.

- Não ...sei...do ...que você está falando...EU NÃO SOU MENTIROSA! – July se sentia com um pequeno animalzinho diante de uma enorme fera que estava prestes a devorá-la. Não sabia o porquê daquele homem exercer tamanho fascínio sobre ela.

- Não fique tão nervosinha, eu retiro o mentirosa. Você toca violino? Belo instrumento, lembra as curvas do corpo de uma mulher – Ele disse bem próximo a ela ao reparar o instrumento que ela carregava.

- Eu toco sim, e gosto de privacidade quando estou ensaiando. Incomoda-se em se retirar, por favor? – ela falou movendo-se para o lado para sair da guarda dos orbes azuis que a fitavam com tanta intensidade.

- Eu me incomodo sim! Cheguei primeiro, estava dormindo e pretendo dormir mais um pouco. Pode tocar ai a vontade, não vou perturbá-la. Vai ser até bom ter meus sonhos embalados pelo som do seu violino. – Ele disse sem olhá-la, voltando a deitar-se no sofá. – Assim posso sonhar que enquanto você toca o violino eu toco em você – Falou ao fechar os olhos acomodando-se de barriga para cima. July sentiu o rosto queimar com a insinuação.

- SAIA DAQUI! Existem mais de dez quartos nessa casa, arranje um para dormir e suma da minha frente seu pretensioso, idiota ou eu ...

- Ou você o que? Vai chamar o tio Aioros para te defender? Não acha que tá meio velha para isso não! – Ele a interrompeu se levantando e parando diante dela para ver o que ela iria fazer.

- Eu não preciso de chamar ninguém para tirá-lo daqui! Posso fazer eu mesma – Soltando o violino em cima do sofá, ela começou a empurrar o cavaleiro na direção da porta do estúdio que dava para dentro da mansão. Impelia toda força que conseguia aos empurrões, mas não conseguia movê-lo nem mesmo uns centímetros. O pior eram as gargalhadas que ele dava a cada tentativa dela para um novo empurrão.

- Pare de rir de mim, seu chato, porque simplesmente não sai daqui e me deixa em paz? – Ela começava a batê-lo nos braços e tal atitude só fez com que ele risse ainda mais. De repente ele segurou os braços de July e a puxou para perto, aproximando os corpos.

- Conta isso para o seu "titio", estou louco para ver a reação dele, além do mais, desde ontem estou com vontade de fazer isso, repassei a cena umas mil vezes no meu sonho. – Foram as palavras de Saga antes de se apossar dos lábios da ruiva. Ele a beijou com intensidade, a língua aveludada tentando a todo custo romper a barreira que os lábios vermelhos tentavam, inutilmente, impor. Logo ela se rendeu e passou a correspondê-lo. Ele soltou os pulsos da jovem para que ela pudesse passar os braços por seu pescoço, aumentando a proximidade entre eles e a avidez da carícia.

Sugavam e mordiam os lábios um do outro, não conseguiam se separa nem mesmo quando a falta de ar exigia que parassem. Logo as línguas voltavam a se encontrar para mais um longo beijo. Até que o cavaleiro resolveu parar de uma vez arrancando um gemido de protesto da violinista.

- Nossa! Isso sim é um bom despertador, não é mesmo? Fique a vontade, vou deixá-la em paz, to morto de fome, vou tomar café. Bom dia! – ele disse a brindo a porta atrás e saiu, mas antes de fechar a porta ele olhou para cara atônita da jovem e deu uma piscadela que fez seu sangue ferver de raiva.

- SEU FILHO DE UMA &¨&¨ - A garota berrou fechando a aporta com toda força.

Do lado de fora, Saga ria da reação da jovem, sabia que queria repetir muitas doses daquele beijo. Estava encantado, gostava de mulheres com gênio forte. Mas teria que esperar que a raiva dela passasse, se é que iria passar. Tudo fazia parte do seu jogo de sedução.

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Alexandra havia cordado cedo, tinha uma reunião com os acionistas da empresa às 9:30 da manhã. Tomava seu café da manhã com tranquilidade enquanto passava carinhosamente a mão esquerda sobre o ventre. Estava ansiosa para contar ao marido o motivo do mal estar que vinha sentido, dos enjôos, da sonolência, das grandes oscilações de humor. Não consegui acreditar que depois de tantos anos a família iria aumentar.

- Bom dia, meu amor, acordou cedo, achei que só o veria na hora do almoço! Não quis descansar do plantão de ontem? - A mulher cumprimentou o marido com um sorriso e recebeu dele um beijo carinhoso nos lábios.

- Mal preguei o olho esta noite, Sandra. Ontem quando voltava do plantão recebi uma telefonema de Annely me pedindo para buscá-la na boate. Ela chorava muito, parecia muito abalada.

- Mas o que houve? Você a buscou? – Alexandra ficou apreensiva, esquecendo-se momentaneamente da notícia que queria dar.

- Claro! No estado em que ela estava como eu poderia deixá-la lá? Quando cheguei me encontrei com pessoas com as quais ainda não estava preparado para encontrar. O Santuário em peso parece ter ido naquele lugar. E Annely! Ela estava estranhíssima, não parava de chorara e de me dizer coisas sem sentido, dizendo que conversaria comigo em casa, mas quando chegamos, ela estava completamente entregue ao sono. Tudo que fiz foi deixá-la no quarto com a Kamily. Estou louco para que ela acorde. Acho que aconteceu o que tanto esperávamos! Acho que ela se lembrou, tenho quase certeza disso.

- Está me dizendo que acha que nossa filha recuperou a memória?

- Não sei se toda, mas alguma coisa, eu acho que sim, as coisas que ela me disse só fazem sentido se isso tiver acontecido.

- Será? Será que depois de todos esses anos de tratamento ela finalmente... os médicos não nos dava mais esperança de que isso pudesse acontecer! Seria maravilhoso!

- Mas você não se lembra que todos eram unânimes em dizer que era necessário que ela confrontasse o passado para despertar as memórias perdidas? Como disse, muitos cavaleiros estavam na boate ontem, o passado dela estava lá.

Alexandra se levantou e sentou no colo do marido, sentia-se um pouco temerosa, tinha medo que a filha fizesse mau juízo dela caso se lembrasse que era sua obrigação buscá-la, coisa que ela nunca fez. Uma lágrima solitária rolou pelo rosto da bela mulher que com 37 anos exibia uma beleza que causaria inveja em qualquer mocinha.

- Não tenha medo, Alexandra, pare de se culpar, não foi por falta de vontade que não a buscamos, tenho certeza de que se ela se lembrou de algo não irá nos condenar. – Aioros limpou a lágrima e acariciou os cabelos da mulher. Era completamente fascinado por ela. A adorava com um amor quase que incondicional, sentia-se como se fosse o homem mais realizado do mundo por tê-la como esposa.

O casal se beijou com paixão e se entregavam a um momento de intimidade quando foram interrompidos por uma vozinha infantil.

- Poderiam fazer isso em um local mais adequado? Não tenho que acordar e me deparar com esta cena! – A dona da voz sentou-se à mesa enquanto olhava para o casal com olhos inquiridores.

- Bom dia para você também, Kami! – Aioros saldou a criança com um sorrido e deu mais um beijo na mulher fazendo com que a neta fizesse uma carinha de nojo em sinal de reprovação.

Alexandra saiu do colo do marido e caminhou ate Kamily dando um beijo carinhoso em sua bochecha.

- Bom dia minha coizinha mais linda! Dormiu bem, querida?

- Dormi sim, vovó, vi que a mamãe chegou, ela dormiu comigo. - A pequena respondeu com um largo sorriso, adorava quando a mãe estava em casa o que era difícil, pois sempre estava em turnê com a banda.

- Vovó... nunca esse pronome me pareceu tão estranho, de repente me senti uma velha. – Alexandra comentou pondo novamente a mão sobre a barriga.

- Não pense assim , Sandrinha, você está linda e a cada dia me parece mais jovem e bela. Você só pensa assim por que é muito jovem para ser avó de uma garotinha de cinco anos.

- Ou porque é muito boba, depois de cinco anos já deveria ter se acostumado, não é mesmo? – Kamily falou com um tom cortante, não que estivesse sendo maldosa, era o jeito dela, fazia uma brincadeira, mas mantinha sempre uma seriedade na voz, como se sempre estivesse fazendo uma crítica.

- Boba é você, sua chatinha! – Alexandra respondeu a brincadeira mostrando a língua para neta que por mais séria que tentasse ficar, acabou sorrindo e imitando o comportamento da avó. As duas se adoravam e se davam muito bem, quase nunca brigavam, até mesmo porque Alexandra cumpria muito bem o papel de avó deseducadora. Todo os esforço de Annely em inibir os espírito crítico da filha, Alexandra jogava por terra, pois achava o jeito respondão de Kamily uma gracinha.

As duas ficaram fazendo caras feias uma para outra e arrancando risadas de Aioros, que logo entrou na brincadeira que se transformou em um animado pega-pega em volta da mesa.

- Nossa! Que família animada, bom dia para todos! – Annely disse sorrindo diante da cena alegre do café da manha. Todos os dias agradecia pela família maravilhosa que tinha e depois dos eventos da noite anterior, esse sentimento ficou ainda maior.

- Mamãe! – como um foguete Kamily correu para colo da mãe que quase caiu no chão com pulo que a menina deu para alcançar seus braços. – que saudade que eu estava sa senhora, que bom que voltou! Você vai demorara, não vai? Vai ficar muito tempo? Vai ficar até o casamento com o mala do Rian cara de sonso, não vai?

- Ai ai Kami, não pula assim que você arrebenta minha coluna. E não chama o Rian de sonso, que coisa mais feia, filha!

- Concordo! Ele é muito feio, mas fazer o que? Ele tem uma genética desprivilegiada.

Aioros cuspiu tido o conteúdo do café que voltou a tomar depois que a brincadeira tinha cessado. Não conseguiu conter a gargalhada com o comentário, sempre sarcástico, da neta. "Genética desprivilegiada?" De onde essa menina tirava essas coisas, ninguém diria que era fala de uma menina de cinco anos, tudo bem que era uma criança de cinco anos com um QI de 160, mas, mesmo assim, ela ainda tinha cinco anos. Ficava assustado com os comentários que a neta era capaz de fazer e ela sempre sabia do que estava falando.

- Kamily o que andam te ensinando na sua escola, querida? – Annely perguntou enquanto olhava com reprovação para o pai, esse tipo de comportamento só estimulava o modo mal educado de Kamily agir.

- As mesma coisas de sempre. B com A, BA, B com E, BE. Mas eu andei dando uma olhadinha nos livros do vovô na biblioteca.

- Impressionante! Oh pestinha de menina! – Annely falou antes de sentar-se à mesa para comer.

- Annely, depois quero conversar sobre o que aconteceu ontem. Sei que você tem muito a me dizer e acho que eu também tenho.

- Tudo bem pai, eu quero mesmo conversar, podemos fazer isso antes que eu saia para o ensaio.

- Vocês vão conversar sobre o que?

- Depois eu te conto, é uma conversa que eu e seu avô temos que ter. Conversa de adulto.

- Eu sou mais esperta e capacitada que muito adulto. – A menina resmungou baixinho, contrariada com a repreensão da mãe.

- É mais mal educada e insolente também, vai logo se arrumar para escola. E não faça bico Kamily, não vai adiantar.

A menina levantou deu um beijo em cada um que estava na mesa e se retirou, logo o ônibus da escola chegaria.

- Onde está o Rafael? – Alexandra perguntou estranhando a ausência do filho mais novo. – Ele não vai para o ensaio também.

- Ele dormiu na mansão Kido, sabe como ele e os rapazes são amigos – Aioros respondeu rápido, não queria que a mulher fizesse muitos questionamentos sobre o filho, ou descobriria sobre briga na boate e seria o fim de seus treinamentos.

- Bem, eu vou indo, tenho uma reunião importante. Mais tarde nos vemos. Já que vão encontrar o Rafael, digam a ele que quero que venha para casa hoje, sinto falta do meu filhotinho mais novo. – Alexandra se levantou da mesa deu um rápido beijo no marido e na filha.

- Sandra, você foi ao médico? Descobriu o porquê daqueles enjôos? Estou preocupado com você, não deve descuidar da sua saúde.

Alexandra deu um largo sorriso e voltou a beijar o marido com paixão.

- Tenho nada de mais, meu amor, e nunca estive tão bem de saúde. A noite conversamos e eu lhe digo que os médios me disseram. Tenho certeza que irá gostar na notícia.

- Me diga agora, não me deixa ansioso o dia todo, não é justo! – A mulher simplesmente sorriu, afagou os cabelos do cavaleiro e saiu. Não daria uma informação como aquela de qualquer jeito. Ele teria que esperar.

- Ai papai, não é possível que não tenha percebido o que a mamãe tem! – Annely riu e terminando de tomar o café se aproximou do pai dando lhe um abraço enquanto ele se mantinha sentando com a feição preocupada. – É tão óbvio! Ela esta linda e radiante, não para de acariciar o frente, sorri e chora por qualquer coisa. Pai, a mamãe está grávida!

- O que? Como assim grávida? – Aioros se levantou rápido e passou a fitar a filha.

- Acho que o senhor está um pouco velho para me perguntar como ela pode estar grávida, não? Até mesmo Kamily é capaz de responder essa pergunta. – Annely disse não contendo uma gargalhada coma a cara de bobo que o pai fazia diante da notícia.

Impulsionado pela felicidade ele pegou a filha no colo e se pôs a rodar rindo e dando vivas. Até que a lembrança da conversa que deveriam ter o fez para e olhar para jovem com seriedade.

- Está na hora de encaramos seu passado, não é mesmo?

- Está sim, Aioros Ilíria, Cavaleiro de Ouro se Sagitário, meu pai.

- Faltou dizer que sou veterinário, tenho diploma, sabia? – Ele completou a fala da filha com os olhos inundados pelas lágrimas. Ele foi até ela a abraçou com força e abraçados seguiram até o escritório. Muito tinha que ser dita e não adiantava adiar, uma hora isso iria acontecer.

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A sala de refeições da mansão Kido estava completamente abarrotada, todos haviam se levantado e degustavam do maravilhoso café que lhes era servido.

- Me diz uma coisa, Saguinha, eu acordei e vi que sua cama estava arrumadinha, o que houve?

- É Impossível dormir com seu ronco, Afrotide! Se não durmo antes de você, não durmo mais. Então desci e me instalei naquele estúdio. Foi uma ótima escolha, pude acordar com os beijos de uma bela ruiva. – O cavaleiro respondeu fazendo uma cara de bobo ao se lembrar dos beijos trocados com July há poucos minutos.

- Até parece que eu ronco! Isso não combina comigo! – Afrodite disse indignado com a acusação.

- Vou gravar sua sinfonia e depois conversamos - Saga disse mordas.

- Você não vai me aborrecer, não hoje que eu vou passar toda a tarde em uma spa da beleza. Ficarei ainda mais lindo e...

- Vai continuar roncando, não se resolve isso num spa, mas numa mesa de cirurgia de adenóide.

- Dite, vai passar o dia num spa? Depois não quer que duvidem da sua masculinidade. – Seiya comentou enquanto punha fim à disputa pelo último pedaço de pão com Ikki, que o olhava com ódio. O sagitariano já havia comido mais de cinco pedaços, não podia ser tão guloso e egoísta.

- Gente eu não sou gay! Sou vaidoso, vocês nunca ouviram falar em metrosexual?

- Eu só conheço o metro sexual, que é o meu caso! – Disse Máscara da Morte, apontado para suas partes íntimas e arrancando gargalhadas dos outros cavaleiros, nem mesmo Afrodite se conteve e não parava de rir.

Mas os risos cessaram quando perceberam a presença de duas figuras femininas no recinto, olhando para eles com ares de reprovação.

- Bom dia, Saori. - Seiya disse quase sem encarar a deusa. – Como vai, Márcia?

- Bom dia para todos, pelo visto estão bem contentes esta manhã! – Ela saudou a todos fingindo não ter acontecido nada. – Rapazes, esta é a Márcia, uma amiga minha e dos demais donos da casa, ela vai lanchar conosco.

Márcia se sentou ao lado Máscara da Morte se sentindo um pouco incomodada com o olhara que ele lançou a suas pernas que estavam expostas pela saia.

- É um prazer conhecê-la senhorita – Ele disse com um sorriso sedutor.

- Pena não poder dizer o mesmo – Ela respondeu de forma que só ele a ouvisse.

- Posso fazê-la mudar de opinião.

- Duvido muito! – Ela disse dando um sorriso amigável a Hyoga que a cumprimentava.

- Grande coisa, quem ia se importar com uma garota da cara amarrada e com as pernas mais finas que eu já vi! – Falou tranqüilamente voltando a tomar seu café, dando um leve sorriso com a reação indignada da garota. Aquilo seria realmente divertido.

Aos poucos a mesa foi se esvaziando e cada cavaleiro foi buscar algo para passar o tempo. Márcia e Saori se mantiveram à mesa tomando chá e conversando enquanto a morena aguardava a chegada do resto da banda (ela não sabia que July já havia chegado e ainda bufava de raiva de um certo geminiano). Enquanto conversava com a deusa, Márcia não conseguia entender porque seus pensamentos sempre acabavam nos orbes azuis de olhar debochado que combinavam perfeitamente com os cabelos rebeldes daquele homem impertinente que teve a coragem de dizer que suas pernas eram finas. Depois das horas que ela passava na academia tentando aumentar a medida das coxas, era tudo que ela precisava com incentivo!

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Kamus saiu do banheiro enrolado na toalha com os cabelos molhados. Nem mesmo a meia hora sob a água morna fez com que a dor que sentia amenizasse, o estomago ainda revolto com a quantidade de álcool ingerida, sentia como se estivesse em uma navio em alto mar em meio a uma tempestade torrencial.

Os olhos azuis correram o quarto, se respirasse profundamente conseguia sentir o cheiro dela, sentia sua presença. Podia escutar os sons das risadas, dos choros, dos contos que eram contados antes de dormir. Via nitidamente a imagem de mãe e filha brincando, conversando, vivendo... vivendo uma realidade que era para ser sua também.

Sorriu ao reparar que as únicas coisas fora do lugar eram as de Miro, que era um bagunceiro de marca maior. Também sempre foi organizado, desde criança. Gostava de tudo em seu devido lugar.

Sentiu uma estranha curiosidade de vasculhar o quarto, de procurara por coisas que o aproximasse mais daqueles momentos que não compartilhou, e foi em uma das gavetas que encontrou um álbum de fotografias. O livro era a única coisa rosa que encontrou na decoração predominantemente azul, afinal um bebê não tem como se manifestar quanto a que cor de seu álbum de fotografias, sem duvida a escolha fora de Annely, que tinha adoração por rosa.

Sentou-se na cama sem se preocupar em se trocar e começou a folhear as páginas, parando para observar os detalhes da cada foto. As primeiras páginas retratavam a gravidez de Annely. A barriga crescendo, o olhar ainda um pouco infantil da adolescência dando lugar a olhos sérios e maduros; exigência da maternidade. "Ela ficou linda grávida". Concluiu passando o indicador por toda a extensão de uma das fotos, em especial sobre a barriga. Ela parecia tão viva e feliz, ela chegava a irradiar felicidade. A alegria da jovem era como facadas, ela não tinha direito de ser feliz sem ele. Segurava o choro como se derramar qualquer lágrima naquele momento seria a pior das humilhações, não daria esse gosto a ela. Nunca!

Continuou seu passeio pelas folhas do álbum e lá estava a garotinha que ele via em sonhos. Era exatamente do jeito que imaginou que ela seria. Imagens de banhos, choros, trocas de fraudas... aniversários com aquela incomoda data de sete de fevereiro na parte de baixo, lhe mostrando que seu maior presente de aniversário nunca lhe foi entregue. Nada o faria mais feliz do que ser agraciado com paternidade no dia do seu aniversario, quanto mais com um filho dela.

"Porque me tirou esse direito? Porque nunca me disse? Vá para o inferno Annely e nunca mais sais de lá. Retiro o que disse, Miro, ah de jeito nenhum eu vou fazer o que ela quer me afastando da MINHA FILHA PORQUE ELA MINHA CARA E É MINHA, MINHA, MINHA E NÃO DO FDP COM QUEM ELA VAI SE CASAR!!!" o grito estava preso na garganta, mas ecoava em sua mente. Ele faria parte daquele álbum, no lugar que lhe era de direito, ao lado da filha para quem ele contribui imensamente com aquela genética perfeita, e o cornudo miserável e a mamãe revoltada teriam que suportá-lo, ah se teriam!

Secou as poucas lágrimas que caíram no momento da revolta e guardou o álbum de volta no lugar em que o encontrou. Estava na hora de por o plano "papai mais legal do mundo" em prática. Trocou de roupa e, com um sorriso maligno, deixou o quarto.

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Quando Kamus desceu deparou-se com uma sala cheia de pessoas que não conhecia, a maioria mulheres. Ele logo identificou as duas únicas figuras masculinas que se faziam presente. O loiro com cara de tapado que chegou a ter a estúpida idéia de que poderia detê-lo e o irmão mais novo de Annely, que o olhava de cima em baixo, parecendo estar se segurando para não voar no francês.

- O que faz aqui? Não é bem vindo! – Rafa falou assim que avistou o encrenqueiro da boate. Kamus simplesmente o ignorou, não queria confusões dentro da casa de Saori, jamais desrespeitaria a jovem deusa dessa forma.

- Não me ouviu, babaca? Não se faça de surdo! Não quero que fique na minha casa, muito menos na da minha irmã. – Rafa falava alto chamando não só a atenção da banda que estava toda na sala, com exceção de Annely, mas a dos os cavaleiros que estavam espalhados pela enorme mansão. Logo estavam todos aglomerados no hall da casa, inclusive Saori que não sabia como agir, afinal a casa era de Rafa também.

A hostilidade entre os dois homens era evidente e Kanon e Saga já se preparavam para, mais uma vez, apartar a briga quando todos os olhos se desviram para entrada da casa, por onde entrava uma jovem com os cabelos cacheados presos em um rapo baixo, vestindo uma roupa bem casual, e aparento um certo abatimento.

- E eis que ela surge! Aquela que era ansiosamente esperada por todos – Kamus falou de uma forma cínica, fitando a jovem com um ódio cortante.

Annely olhava atônita para a inusitada reunião, viu seu passado olhando-a com olhos inquisidores. Ainda não estava preparada para encará-los, apesar da conversa reconfortante que tivera com o pai. Ela estava ainda menos preparada para o questionamento ferino de Kamus, e com uma simples pergunta foi capaz de tirar-lhe por completo o chão.

- Onde está minha filha? Estou louco para conhecê-la!

CONTINUA...

Tiveram paciência? Conseguiram ler sem saltar uma parte sequer? Eu sei que ficou grande, mas é bom irem se acostumando, eles ficaram cada vez maiores. Tenho que desenvolver esse fic, oras! Cadê a intenção da deusa que não parece? Sem contar os vinte mil casais que têm que se acertar. Eu mereço!

Beijos,

LuanaRacos.