I'm sittin' here all by myself just tryin' to think of something to do. Tryin' to think of something, anything just to keep me from thinking of you, but you know it's not working out 'cause you're all that's on my mind. One thought of you is all it takes to leave the rest of the world behind.

[FLASHBACK]

- Isso é totalmente impossível. - A garota dizia enquanto apontava para a cena que era mostrada na tela da televisão à sua frente. - Qual é, ninguém consegue bolar um plano perfeito assim.

O homem deitado em seu colo entortou os lábios em um sorriso torto, tocando em seu braço fino até abaixá-lo.

- É filme, Tiny, tudo é possível em filmes. - Exclamou com um sorriso zombeteiro. Viu pelo cantos dos olhos a mulher balançar negativamente a cabeça, mas não se importou com o gesto, retornou a atenção para o filme.

Observou um homem negro se posicionar à metros de distância de uma Van, que em seu interior estava uma bomba nuclear com características especiais, que provoca a emanação de um campo magnético que, apesar de não causar destruição, leva à interrupção momentânea de redes de energia elétrica, sendo capaz de apanhar por 30 segundos as luzes de Las Vegas. Viu o indivíduo apertar o dispositivo levando ao resultado esperado.

Os dois pares de olhos eram mantidos na tecnologia, contudo, um demonstrava tédio e o outro concentração.

Vinte minutos. Trinta minutos. Quarenta ou quarenta e cinco. Não se sabe exatamente, mas logo os nomes dos atores que realizaram o filme rolaram pela tela...

Steven Soderbergh
Andy Garcia
Brad Pitt
Matt Damon
George Clooney
Julia Roberts

- Esse filme só valeu a pena por causa do Brad Pitt e Matt Damon. - Ela disse emburrada, torcendo os lábios.

Ouviu-se a gargalhada alta do homem inundar o espaço. Ela fitou-o desentendida vendo-o lançar-lhe um olhar desconfiado. Revirou os olhos, ele a conhecia tão bem...

- Certo, o filme é divertido, admito...mas não deixa de ser bem improvável. - Disse contrariada. Foi a vez do rapaz revirar os olhos mesclados antes de os direcionarem para a mesa à sua frente. Esticou o braço sem dificuldade para pegar o controle remoto, desligando o aparelho de DVD sem ao menos tirar o disco de seu interior. Repetiu o ato com a televisão, vendo as imagens sumirem logo em seguida.

- "Onze homens é um segredo" é um dos filmes bem mais bolados. Steven Soderbergh é um gênio. - Ele disse orgulhoso antes de impulsionar o corpo para a frente, levantando-se do sofá Stll-Ches da cor branca.

- Bom, é verdade. - Concordou indiferente.

- Acho que vou pro meu quarto. - Ele disse com o tom denunciando o tédio enquanto parava diante dos primeiros degraus da escada. A irmã levantou-se do sofá, indo até a estante recheada de filmes fictícios onde percorreu os olhos procurando por algo que despertasse o interesse. Repousou as mãos na cintura e inspirou pesadamente, passando os olhos pelo filme denominado como "De volta para o Futuro".

- Podemos assistir "De volta para o Futuro". - Sugeriu pegando o DVD em suas mãos. Percebeu que seu irmão voltou-se lentamente em sua direção. Olhou-o de relance vendo o mesmo com as sobrancelhas arqueadas e o sorriso torto, demonstrando désdem.

- O que é?

- Tiny, se você não gostou de "Onze homens e um segredo" como quer assistir esse? "De volta para o futuro" é mais mentiroso que do que "Mandando Bala".

- E o que sugere, Emmett? - Ela perguntou retornando o filme à seu lugar. Voltou-se para E cruzando os braços e esperando a resposta. Ele levantou os braços e os ombros, mostrando não saber.

- Ótimo. - Comentou sorrindo sarcasticamente.

E entornou a boca suspirando, pensando em algo que poderia ser feito em um local onde só estavam ele e sua meia irmã.

A ideia que recusava-se a pensar desde a saída de sua mãe com o pai da garota adentrou sua mente novamente como um baque, fazendo-o sorrir mesmo seu subconsciente alertando-o que isto era errado.

Seu padrasto havia lhe pedido: "Cuide bem de minha garota, Emmett."

Sentiu a mesma maldita culpa que sempre lhe corrompia quando estava prestes a cometer o mesmo erro pela... Nem ele mesmo sabia quantas vezes já havia persistido no mesmo erro estúpido. Sentiu também a antecipação da dor que iria entorpecer seu corpo depois que tudo estivesse acabado.

Questionou-se durante um minuto sobre fazer ou não fazer. Mas como sempre, escolheu a opção errada andando em direção a meia irmã e olhando-a nos olhos antes de puxá-la rápido em direção ao seu corpo, forçando seus lábios contra os dela.

Toda vez era do mesmo modo que começava. Sem qualquer fala ou diálogo. Tudo ocorria por impulso.

A mão pequena da garota correu até os fios de cabelo preto e ondulados, fazendo com que os dedos se perdessem entre eles. Emmett forçou M a contornar sua cintura com as pernas e ela sorriu entre o beijo quando sentiu que direcionavam-se em direção ao sofá.

Enfim, era exatamente isso que ela espera da noite, sentir o corpo musculoso de seu meio irmão sobre o seu. E pelo modo agressivo como ele a beijava concluiu que teria o desejado.

Emmett sentou-se com a mulher em seu colo sem romper o beijo que a cada instante passava a ser mais intenso. Subindo as mãos que antes estavam na cintura fina, E adentrou os fios claros de cabelo, agarrando-os agressivamente. Uma das razões que levavam M a fazer tal coisa era o modo violento como ele agia, era isto que mais a agradava. Ele sabia ser indelicado nos momentos que precisar de tal.

As mãos pequenas desceram até encontrar-se com a camisa regata preta do irmão e conseguir tirá-la. Jogou a peça em qualquer lugar que não importava. Era tão visível sua ansiedade que causou uma gargalhada de Emmett.

- Qual a graça?

- Vejo que Dougie não está dando conta do recado. O que foi? Ele não sabe o modo certo de te comer? - Ele provocou.

Se ela não estivesse tão necessitada de sentir seu corpo forte, dos lábios doerem pelos beijos agressivos, ela, certamente, levantaria do sofá depois de usar sob ele a tática mais apreciada por ela. A palavra.

M era o tipo da pessoa que poderia destruir alguém somente com o dom da fala. Era capaz de mudar sua opinião, fazendo-te cair em sua lábia o mais rápido que você possa imaginar. Seu poder de persuasão era algo admirado por demais.

- Cala a boca. E se quer saber... - Ela iniciou a resposta malcriada, mas o barulho agudo do telefone sobre a escrivaninha ao lado a interrompeu.

Admirou o telefone por alguns instante tentando imaginar quem seria o infeliz do outro lado da linha. Ao contrário da garota, Emmett olhava para ela esperando qualquer movimento. M saiu de seu devaneio e inclinou o corpo para alcançar o objeto.

Ao colocá-lo no ouvido era como se o destino estivesse brincando com ambos os presentes naquela sala. Talvez, mais com o homem sentado com o dorso nu.

- Ah, oi, Dougie.

Apesar da raiva instantânea que E sentiu ao ouvir as palavras que saíram dos lábios avermelhados, ele não conseguiu criar forças suficiente para afastar a irmã quando a mesma sentou-se sobre o seu colo novamente, demonstrado indiferença. Era tão tenebroso o modo frio que M encarava o meio irmão com quem traía o namorado de três anos enquanto o mesmo estava do outro lado da ligação.

Odiava sentir-se imponente diante de Marilia e negava para si mesmo diariamente que o que sentia não se tratava de um sentimento forte. Era apenas...desejo.

Ele tentava acreditava nisso.

- Claro que sim, meus pais saíram e estou aqui sem absolutamente nada para fazer. - Ela disse fingindo tédio ao passo que sua mão acariciava a pele exposta do pescoço de Emmett.

O meio irmão travou o maxilar quando a resposta mentirosa foi dita sem receio. Como da primeira vez, assim como a segunda e terceira, seguida de outra mais, o amargo sentimento intrínseco instalou-se em seu peito.

Um certo alongamento característico na face como se estivesse sendo puxada para baixo foi aparecendo. A cabeça inclinou-se um pouco em um dos ombros. O rosto transformou-se em pálido. Rugas horizontais visíveis surgiram em sua testa. Os cantos interiores das sobrancelhas se ergueram e as pálpebras superiores se abaixaram em seguida. Unida a esse conjunto, sua boca estava com os lados levemente caídos. O conjunto de predicativos da tristeza.

Emmett segurou a mão delicada que subia carinhosamente por seu rosto emburrando-a para longe de sua pele. Viu M espalmar a mão no ar ao mesmo tempo que mexia os lábios pronunciando, sem que pudesse ser ouvido por Dougie, um "nossa" debochado.

- Pode ser, estarei te esperando. Beijo. - Marilia disse antes de encerrar a ligação e jogar o telefone sobre o sofá. - Bem, irei sair com o Dougie. Ele chegará em vinte minutos, trate de ser agradável durante o tempo que ele estiver aqui. - Ela disse laçando o pescoço do homem antes de beijá-lo rápido e sorrir.

Era como se nada tivesse acontecido.

Realmente, nada havia acontecido comparado a noite anterior.

Marilia inclinou a cabeça observando a carranca do irmão. Devido ao estresse que estava sendo o seu dia, ela levantou-se e revirou os olhos, não se importando com qualquer que seja o sentimento do homem. Tudo bem que fizera errado, mas por favor, ele já deveria ter aceitado o destino. Já estava cansada de todo o momento ver a mesma expressão de ódio ou tristeza do meio irmão quando algo envolvia Dougie.

- Tiny... - Chamou-a enquanto ela se dirigia ao encontro de sua camiseta no chão.

- O que é?

- Por que você agem assim? Como se nada tivesse acontecido? - Perguntou sentindo sua camisa ser jogada em seu peito após a garota pegá-la.

- Lá vem você de novo...

- Marilia, é sério, eu...

- Emmett, chega desse assunto, ok? Isso tudo é diversão, achei que tinha deixado claro semana passada. E veste essa merda de camiseta antes que o Dougie chegue. - Disse com desdém claro na voz.

Antes que o assunto fosse prolongado, que suas palavras se tornasse mais agressivas caso ele retrucasse, correu para subir os degraus da escada em direção ao seu quarto, deixando-o atônito no mesmo local.

E fechou as mãos em punho e volto-as contra a maciez do sofá. Ele era tão estúpido por ainda tentar um relacionamento. Mas, era indescrutível o quão combatível com ele Marilia era, que a ideia de fazer dar certo era perfeita. Um era o encaixe do outro.

Era visível isto. Pena que ela optava por seu namorado desagradável.