I know it's not the smartest thing to do, we just can't seem to get it right, but what I wouldn't give to have one more chance tonight, one more chance tonight.
Restringiu sua mente de pensar nos momentos passados, tentando fazê-la fixar-se no itinerário até sua dor.
Com a mesma velocidade que partira da casa, voltou à ela. O carro fora estacionado de qualquer maneira ao lado do meio fio.
Admirou tenebroso a casa pintada inteiramente de branco. Apesar da escuridão vista no céu, denunciando a noite, os portões elétricos estavam abertos enquanto o Jeep Wrangler Rubicon King estava estacionado despreocupadamente ao ar livre, em frente a ampla garagem.
Pela primeira vez no mês o desejo de tomar o automóvel e dirigir mundo à fora, sem destino, tomou por completo sua mente.
Lembrou-se de como era quando estava junto de seu melhor amigo, Edward, correndo pelas estradas e indo para onde o destino os guiassem.
Talvez, se ligasse, Edward aceitaria. Pensaria sobre isso mais tarde.
Ofegou quando deu o primeiro passo em direção à casa. Fixou o olhar na porta de entrada, erguendo a cabeça como um homem. Respirou fundo.
Coragem!, ele exigiu.
Passos decididos e ansiosos foram dados até a entrada. Sua mão direita foi ao encontro da maçaneta receosamente, parando antes de virá-la decidindo se o melhor era ir ou ficar. Fechou os olhos claros quando sentiu que as lágrimas faziam menção de cederem.
Por favor, não agora!, ele pediu à quem quer que estivesse ouvindo.
Aspirou e expeliu.
Girou o objeto que estava em sua mão, abrindo os olhos para que eles captassem a imagem à sua frente. Sem que sua mente ordenasse, eles abaixaram-se observando o piso branco abaixo de seus pés.
Como a dor podia piorar?
Seu corpo parecia estar sendo usado para uma aula de anatomia. Doía tanto.
- Emmett...
Se seus ouvidos pudessem, eles sangrariam após ter captado o sussurro liberado por ela. Ouvir sua voz penetrar profundo dentro de seu ser era como ingerir ácido clorídrico. Sem medir a força que depositou no fechar da porta, fechou-a em um baque alto.
A ação e o barulho assustou M que piscou diversas vezes, movendo os olhos para diferente direções. Ela estava perdida. Completamente.
Pela primeira vez sentia-se mal. Por ela, por Dougie, e principalmente, por Emmett.
Por mais que não entendesse o que se passava em sua mente. Por mais que não soubesse definir os sentimentos que nutria por E. Por mais que estivesse confusa e desesperada por alguma ajuda divina que pudesse clarear suas ideias. Por mais que amasse Dougie, ela não conseguira conter as lágrimas de tristeza que tomaram seus olhos quando adentrou seu quarto após seu pai e sua madrasta sair à procura do meio irmão.
Se perguntou, em um dos momentos abraçada ao seu travesseiro, se um coração pudera amar dois homem. Era claro que podia, mas era errado.
Amara Emmett...mas era um amor diferente. Era afeto, carinho, mesmo que na maior parte do tempo demonstrasse o contrário. Nem mesmo ela tinha conhecimento do porquê de sua atitude. Pensando bem, ela fazia-o para que ele se cansasse do tratamento algum dia; procurando alguém que o amasse como merecesse. Essa era sua intenção.
Relacionar-se como ele, tratá-lo mal até onde fosse o suportável e, então, ele diria onde estaria o fim já que ela não era forte o suficiente para isso.
M era tão fraca que não conseguiria livrar-se dele, ela necessitava de E como um bêbado necessitava de um Whisky. Era obsessão.
- Oi. - Ele respondeu amargo depois de conseguir encará-la.
- Emmett, olha, eu... e-eu não queria isso, ok? Se eu soubesse que Dougie estava planejando isso tudo, eu... - Como se soltasse a válvula de escape ela despejou as palavras enquanto sentia o desespero tomar seu corpo.
- Marilia, me poupe...eu já cansei. - Ele informou acolhendo as mãos nos bolsos frontais do jeans.
"Eu já cansei!"
Mesmo sendo essas palavras que ela desejava ouvir, a sensação indescrutível que sentiu não pôde passar despercebida. Então, ele havia cansado. Mas também, que aguentaria?
Seus olhos focaram-se nele mesmo que isso a fizesse sentir-se pior.
- Me desculpa, Emmett. - Ela pediu.
Seu nariz ardeu e seus olhos claros ficaram turvos. Aquela maldita sensação.
- Por que você sempre faz as coisas e pede desculpas depois, hein? - Ele perguntou enfim se aproximando de seu corpo. - Pensa que é fácil perdoar algo assim, sua imbecil? Pensa que só um pedido de desculpa depois de fazer a merda resolve o assunto? - Ele gritou movendo os braços drasticamente.
- Eu sei. - Ela disse no mesmo nível assustada com o modo atordoado do homem. - Eu sei...mas, entenda, Emmett. - Sugou alto antes de encará-lo. - Eu amo Dougie.
Mais um vez, sem a menor piedade, a faca pareceu ser ficada em seu peito. Ele tinha conhecimento deste sentimento, era necessário esfregar mesmo assim em sua cara?
Ele mordeu o lábio inferior em uma tentativa inútil de prender o choro. Não foi o suficiente, logo as lágrimas escorreram pelo canal lacrimal e molharam suas bochechas, antes de terminarem seu destino no queixo de E.
- Se o ama, por que traí o cara? - Perguntou em um múrmuro.
A pergunta foi como um soco em seu estômago. Ficou estática diante de Emmett enquanto raciocinava sobre qual resposta dar.
E como sempre, não soube o motivo.
- Eu...eu não sei. - Disse derrotada.
Observou com o olhar turvo o meio irmão balançar a cabeça, sorrindo amargo. Vendo-o assim desejou com todas as forças existentes que tudo não passasse de um pesadelo iguais aqueles que assombravam todas suas noites quando tivera cinco anos. Mas não, aquilo era real.
- Não sabe... - Ele repetiu mostrando a mágoa. Respirou sentindo sentido o ar adentrando seu organismo. - Você... - Molhou os lábios com a língua antes de continuar - Você me ama, Marilia? - Indagou inesperadamente.
A garota fechou os olhos quando ouviu a pergunta. Tudo parecia piorar a cada instante.
- Sim. - Respondeu simplesmente, voltando a encará-lo e disfarçadamente uma lágrima solitário rolo por seu rosto.
E crispou os lábios e direcionou o olhar oco para o teto, tentando impedir, mais uma vez, que as águas salgadas fossem libertadas.
A resposta que queria ouvir era aquela que representasse negação.
Não.
Era a única coisa que precisava ouvir para seguir. Assim seria mais fácil.
Ela diria não e ele esqueceria. Este era seu desejo, pois seria o único motivo que o impediria de tomá-la em seus braços e obrigá-la a esquecer tudo. Casamento. Dougie. Ou qualquer que fosse ou quem quer que fosse.
Mas ouvi-la dizer que o amava foi o necessário para romper a tênue linha que o ligava a sanidade.
- Droga... - Ele sussurro desesperado aproximando-se dela à passos rápidos. - Então, esquece isso, Tiny, por favor... - Ele implorou segurando as laterais de seu rosto.
Quando houve o contato das peles, o corpo de Emmett foi tomado por um leve e breve tremor enquanto Marilia sentiu o sangue correr com mais rapidez por seu corpo e seu coração disparar.
Os olhos da garota foram fechados quando a testa com vestígios de suor de Emmett encostou-se na sua.
- Me dá uma chance, Tiny.
- Por favor, Emmett, não faça isso comigo. - Ela pediu colocando suas mãos por cima das dele. - Por favor...
- Fica comigo.
- Não posso...
- Pode sim.
- Eu...e-eu amo Dougie. - Confessou deixando suas mãos caírem na lateral do corpo.
- Mas...você disse que me amava, Tiny. - Ele disse com o pouco de esperança que lhe restava, afastando-se até encarar os olhos à sua frente.
- E eu te amo. Mas, o amor que sinto por Dougie é mais forte. Eu...eu sinto que o meu lugar é do lado dele. - M disse demonstrando o desespero que sentia.
Confusão, desespero, tristeza, arrependido. Todos os sentimentos corroendo-a.
- Decida-se, Marilia. - Ele pediu com um fio de voz.
A observou deslizar as mãos pequenas para o rosto e logo em seguida para seus cabelos, parecendo extremamente desesperada.
- Eu não sei. - Ela alterou a voz.
- Marilia, não estamos falando sobre ir ou não em sua festa. Ou sobre qual roupa vai usar para sair. Ou até mesmo qual a cor da porra do esmalte que pintará a unha na semana que vem. Estamos falando sobre um casamento. Tem ideia de merda que significa isso? É da sua vida que estamos falando, caralho. Não existe "não sei". - Rugiu as palavras estupidamente.
M olhou-o assustada com seu modo transtornado.
- Calma. - Alertou levantando as mãos e espalmando-as no ar.
- Calma é a última coisa que você deve me pedir.
- Droga Emmett, eu realmente não sei. - Ela gritou.
- Então continua com essa merda e se arrependa depois. - Retribuiu o tom de voz.
- Pois é isso mesmo que eu vou fazer.
Emmett, friamente, moveu a cabeça concordando com sua decisão. Doía, doía mais do que seu ser pudesse aguentar, mas ele simplesmente...cansou. Ela que fizesse o que lhe surgisse na mente. Ela poderia literalmente se foder. Agora, era hora de tomar conta de si próprio. Preocupar-se com si próprio. Viver por si próprio.
Seus olhos fincaram nos dela, percebendo que dali escorria as lágrimas. Não se importou, seja qual for o sentimento que ela sentira não poderia ser comparado com o qual despedaçava-o aos poucos.
- Só...espero que não se arrependa. - Disse dando os ombros antes de dar passos apressados, contornando o corpo da menina e direcionando-se para à escada.
Marilia o observou com seu olhar perturbado, vendo-o se afastar cada vez mais que seus pés chegavam ao encontro do primeiro degrau.
Sem saber a razão, onde, quando ou até mesmo como, moveu suas pernas até conseguir tocar o homem. Fechou sua mão direita no ante braço do meio irmão antes de virar seu corpo e trazê-lo para perto de si.
Sua mão esquerda, trêmula, correu para a nuca do garoto puxando seu rosto para perto do seu, fazendo as extremidades dos narizes de tocarem juntamente com os lábios.
Como se aquilo queimasse, Emmett apertou fortemente os olhos quando sentiu a língua contornar seus lábios, pedindo passagem. Suspirou antes de concebê-la. Quando as línguas se tocaram não havia pressa, ânsia ou agressividade. A língua com um forte gosto de café denunciou que sua meia irmã estivera ansiosa. Era de seu conhecimento que ela só tomava a bebida quando estava aflita.
Tocou a pele macia e fina de amada e se entregou ao ato. O beijo era tão calmo e singelo que o pranto foi inevitável para ambos. As lágrimas escorriam até juntar-se com a saliva que se era trocada no beijo.
As mãos de E que geralmente eram sem vergonhas agora estava entre os fios de cabelo e nas costas da Marilia enquanto as suas estavam em seu rosto, querendo gravar na mente como era a textura da pele de seu meio irmão.
Ambos desejavam que o momento permanecesse até onde se fosse possível. Queriam lembrar-se de como seus corpos ficavam quando estavam ligados ou da sensação prazerosa que se era sentida. Queriam lembrar-se do calor, da textura, da forma mágica que tudo acontecia. Queriam manter aquele beijo guardado até suas mentes não funcionarem mais.
E por fim...aquilo acabou.
- Só quero que saiba que eu te amo. - Ouvi-se a voz da garota sussurrar.
- A partir de agora você ama Dougie. Somente ele.
Livrando seu braço do aperto frouxo retornou o trajeto que cumpria, indo para seu quarto, escondendo-se no seu mundo.
