Well I didn't mean for this to go as far as it did, and I didn't mean to get so close, and share what we did, and I didn't mean to fall in love, but I did and you didn't mean to love me back, but I know you did.
O modo com agia era semelhante à um moribundo. Parecia ser movido a pilha, não tendo noção de seus gestos e ações. Ele só conseguia sentir dor, dor e dor. Era somente isso.
Imaginou-se em um filme típico da Disney, onde os protagonistas reagem de modo dramático apenas com o quebrar de uma unha. No mesmo instante se amaldiçoou. Nada era um filme, tudo estava sendo real e sentido. Nada de interpretações.
Levou as mãos até os fios de cabelo e os puxou sendo capaz de arrancar alguns. Mordeu o lábio inferior com força, sentindo que poderia rasgá-lo, para conter o grito angustiante que sua garganta clamava para soltar.
Levou seu corpo até sua cama com lençóis brancos e sentou-se. Seu olhar estava sem brilho, sem vida.
Recordou de cada detalhe a partir do momento em que seus pés pisaram no chão de sua casa. Cada mínimo detalhe, sua mente fez questão de reproduzir de modo perfeito, dando mais destaque na parte mais dolorosa.
- Você... - Molhou os lábios com a língua antes de continuar - Você me ama, Marilia? - Perguntou inesperadamente.
A garota fechou os olhos quando ouviu a pergunta. Tudo parecia piorar a cada instante.
- Sim. - Respondeu simplesmente, voltando a encará-lo e disfarçadamente uma lágrima solitário rolou por seu rosto.
Então...ela o amava. Não do modo esperado e desejado, mas...o amava. E isso doeu. Doeu mais que o possível.
Respirou fundo inclinando a cabeça para trás. Sentiu o ar oxigenar seu cérebro e levantou-se, indo lentamente em direção ao rádio que encontrava-se sobre a estante. Cumpriu com os procedimentos para ouvir seja qual for o CD presente no interior do objeto, apertando o play e deixando a música inundar o local. O som dos acordes da guitarra de I Know, da banda Placebo, saiu em alto volume pelas caixas de som.
Suspirou e retornou à cama, desta vez deitando-se nela.
Fitou o teto sentindo as lágrimas invadirem seus olhos novamente. Por Deus, elas nunca secariam?
A melodia adentrou seus ouvidos e, de um modo, acalmou seu ser. Sua terapia era música, sempre ela.
Deitado ali, sentiu finalmente a exaustão causada pelo dia conturbado preencher seu corpo. Seus olhos pesaram e sua mente estava cada vez mais turva, mas ainda ouvia-se sua música tocar.
Descansou a cabeça no travesseiro de modo acolhedor e respirou fundo.
Em seus sonhos as lembranças marcantes passavam como um filme, e mesmo submerso no mundo das fantasias tudo estava igual a realidade.
Em seu subconsciente:
Tudo estava escuro, deserto. Só havia dor e mágoa. Semelhante à uma guerra.
Ele não pretendia que fosse tão longe como foi. Amaldiçoava a si mesmo enquanto estava perdido na escuridão, não pretendia se aproximar tanto e dividir com ela o que dividiram. Odiava-se, ele não pretendia se apaixonar, mas o fez. Sentia a dor, pois ela não pretendia correspondê-lo, mas para sua desgraça futura, correspondeu.
Ao fundo, os últimos versos da última música do CD tocava.
Sommes nous les jouets du destin
Somos nós os brinquedos do destino
Souviens toi des moments divins
Lembre-se dos momentos divinos
Planants, éclatés au matin
Momentos de bem estar, manisfestados de manhã
Et maintenant nous sommes tout seul
E agora nós somos tão sozinhos
Perdus les rêves de s'aimer
Perdidos os sonhos de se amar
Le temps où on avait rien fait
O tempo que não tínhamos feito nada
Il nous reste toute une vie pour pleurer
E nos resta toda uma vida para chorar
Et maintenant nous sommes tout seul
E agora nós somos tão sozinhos
Protect me from what I want
Proteja-me do que eu quero
Protect me from what I want
Proteja-me do que eu quero
Protect me from what I want
Proteja-me do que eu quero
Protect me from what I want
Proteja-me do que eu quero
Protect me
Proteja-me
Protect me
Proteja-me
Fim!
