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Sakura se jogou no sofá, cansada.

Desde que voltara pra casa sua vida se tornara um verdadeiro inferno.

De algum modo, sua história fora parar na mídia. Foi a notícia do momento durante todo o mês.. As emissoras não paravam de falar no assunto e não a deixavam em paz, até o dia em que ela confessou tudo. Fora a segunda bomba do ano:

"Presidente maltrata filha!"

Após assumir a história, recebera uma "educada" visita por parte do pai, o que só fez aumentar seu grau de irritação. Recebera ameaças naquela noite e não mais pode suportar.

Denunciou-o por maus tratos e ameaças.

Atualmente não era raro ver seu nome nas maiores revistas e jornais do país científicos.. Mas desta vez estava nas de fofoca e não mais por um incrível feito que tivesse conseguido na ciência, e sim por um escândalo.

Tiveram até a coragem de publicar que Haruno Sakura estava tendo um caso com seu advogado, Hataki Kakashi.

Aquilo fora o cúmulo.

Pobre Kakashi.. Ajudando-a naquilo tudo e era metido na história de uma maneira muito comprometedora, já que ele estava noivo.. E muito bem noivo, com uma mulher grávida de quatro meses.

E para finalizar o inferno no qual vivera durante os últimos dois meses, Sakura não conseguia esquecer aquele maldito homem que lhe roubara não só o coração, mas tudo o que era possível e mais um pouco.

Estaria ele bem? Com saudades?

Riu. Por que ter ilusões? Já tinha coisas demais para se preocupar..

Alguém bateu na porta, tirando-a de seus devaneios. Levantou-se do sofá no qual estava confortavelmente sentada e caminhou até lá. Não estranhou ver Kakashi do outro lado. Deu-lhe passagem e o rapaz, já familiarizado com a casa, entrou e se dirigiu à sala de estar. Tinha uma pequena pasta em mãos.

Sentou-se no sofá e estendeu a pasta para Sakura.

#Finalmente consegui convencer nossas testemunhas a deporem em seu favor..# Sakura sorriu. Finalmente uma boa notícia. #Elas serão mantidas em sigilo até o dia do depoimento para suas seguranças. Não podemos arriscar, não é mesmo?#

#Papai não é um assassino, Kakashi!# A jovem mordeu levemente os lábios enquanto via o olhar do amigo tornar-se sério.

#Não o defenda, Sakura.. Nós dois sabemos do que ele é capaz.#

#Ele nunca mataria ninguém!# Rebateu com convicção. O pai podia ter muitos defeitos, mas não era um assassino. Ouviu o suspiro de Kakashi e ergueu as vistas para ele.

#Ok. Não iremos discutir. As testemunhas ficaram sob sigilo mesmo que você não queira. É a segurança delas que estão em jogo e eu não pretendo arriscar.# Sakura somente concordou com a cabeça.

#Algo mais?# Kakashi sentou-se ao seu lado e tirou mais alguns papeis de um envelope que levava em mãos e os entregou a ela.

#Precisarei que leia esses documentos.# Explicou por alto do que se tratava e Sakura só concordava com a cabeça. Não via a hora daquilo tudo acabar.

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#Eu não vou desistir, Kakashi!# Informou, respondendo à pergunta muda que pudera ler em seus olhos instantes atrás. Estavam conversando sobre a reunião que teriam no dia seguinte. #Vou mostrar para o povo que tipo de pessoa é aquela que eles estão votando.. A pessoa que os comanda! É a única coisa que posso fazer contra esse homem que já me fez sofrer tanto.#

#Era isso o que eu queria ouvir. Não podemos desistir agora que já fomos tão longe. Sei que está sendo cansativo.. O está sendo para mim também, mas temos que ir até o final.#

#Eu sei.. É bom que pelo menos em alguns instantes eu consigo tirar aquele idiota da minha cabeça..# Suspirou. #Estou envolvendo você cada vez mais, não é?#

#Eu sou seu advogado, Sakura.. Não tem como não estar envolvido..#

#É.. Mas a Kurenai não deve estar gostando nada nada desses boatos que estão surgindo nas revistas..# Tinha até podido esquecer deles por alguns dias.. Mas as fofocas voltaram a se intensificar quando o amigo tivera que dormir em sua casa por causa de uma forte chuva que os pegara desprevenidos após um jantar que haviam tido. Não permitira que Kakashi saísse na chuva e Kurenai havia aprovado sua decisão, alegando que teria feito o mesmo.

No dia seguinte, a foto dos dois entrando em sua casa estava estampada na revista mais lida do país.

#A Kurenai sabe que eu nunca a trairia.. Ainda mais com você, que é nossa amiga e a futura madrinha do nosso casamento. São boatos sem fundamentos e minha noiva saberá separar as coisas.#

#Assim espero. Nunca me perdoaria se atrapalhasse vocês dois.# Recebeu um sorriso do amigo em troca.

#Podemos rever algumas coisas antes da reunião de amanhã?# Ele falava da reunião que teria com o juiz. Resolvera abrir um processo contra o pai após um longo período de insistência de seu advogado.

#Claro..# Sentaram-se na mesa e começaram a ler os arquivos.

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Sentia a ponta dos dedos geladas. Estava nervosa.

E como não estar?

Há poucos instantes tivera que passar por um festival de fotógrafos querendo saber a mínima coisa que pudesse.. E se não fosse por Kakashi que a auxiliara, teria passado o maior sufoco no meio deles. Agora estava ali naquela sala esperando que seu pai chegasse para que pudessem começar a audiência com o juiz. Kakashi esperava ao seu lado, obviamente.

E aquilo era o que lhe dava forças para continuar.

Virou a cabeça ao perceber que era observada. Kakashi a olhava com algo que se assemelhava à preocupação no olhar. Sorriu levemente para ele. Deveria estar demonstrando mais seu nervosismo do que pensara a começo.

Aquilo não importava, entretanto. Estava ali e faria o que tinha que ser feito.

Não pode deixar de estremecer de medo ao ver o pai entrar na pequena sala, rodeado de seguranças. Sua expressão era incrivelmente fria e a jovem teve que fazer o maior dos esforços para não demonstrar seu medo.

O presidente se sentou no local a sua frente e pediu que a reunião começasse.

Kakashi mostrou os fatos pelo qual o estava processando e também avisou que tinha testemunhas que ficariam em segredo para suas seguranças. O presidente nada disse durante a reunião. Ao final, todos se levantaram e deixaram a sala.

O clima estava tenso.

Sakura se sentia levemente tonta, mas ao mesmo tempo feliz por poder sair daquela sala que começava a asfixiá-la.

Ao passar pela porta, Kakashi foi chamado por alguém que não pudera identificar e se vira sozinha, então.

Sakura sentiu o coração falhar uma batida ao sentir dedos longos segurarem seu braço com força. Se Kakashi estava a alguns metros de distância à sua frente, então só podia ser uma pessoa.

#Tem certeza que quer continuar com isso, mocinha? Você pode se arrepender amargamente pelo que está tentando fazer.. Ouça os conselhos do seu velho pai, minha filha.. Pare com isso enquanto ainda há tempo e desfaça toda essa besteira..# O presidente se afastou ao ver que o advogado retornava para onde deixara a jovem.

Sakura se encontrava pálida e o coração batia mais rápido que o normal. O que faria? Sabia que a voz mansa do pai era puro fingimento. Não podia parar agora que já fora tão longe.

Sua respiração se tornava pesada também. Tentou respirar fundo, mas percebeu que um bolo em sua garganta lhe impedia. Sentiu uma súbita tontura ainda mais forte do que a que tivera até então por estar naquela sala.

#Sakura? Você está bem?# Kakashi tocou o ombro da jovem que começara a ofegar. #Sakura?# Voltou a chamar, preocupado. Se assustou quando a jovem caiu desacordada em seus braços. Por sorte estava por perto para amparar sua queda.

Pegou o celular em seu bolso e discou para a emergência. Precisava de uma ambulância.

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Abriu os olhos lentamente, mas voltou a fechá-los. Havia claridade demais.

#Sakura? Está acordada?# Venceu a dificuldade e olhou para a voz que a chamava. Kakashi. Olhou ao redor e viu que se encontrava em um quarto de hospital.

#O que aconteceu?# Quis saber. Sua mente ainda estava um pouco confusa. Não conseguia se lembrar de tudo com claridade.

#Você desmaiou após falar com seu pai..#

#Oh..# E lembrou-se do que acontecera. #Mas não havia a necessidade de me trazer para um hospital, Kakashi-kun..# Ele sorriu, entretanto não disse nada. Há algum tempo que vinha achando a amiga um pouco estranha. Aquele desmaio viera a calhar. #Já posso voltar para casa, não?# Ergueu a mão e só então viu que havia presa nela uma agulha ligada à um soro. Arregalou levemente os olhos. #Pra que isso? Estou doente?#

#Não.. Fique tranqüila. Foi colocado o soro para que as vitaminas que eles injetaram pudessem agir mais rapidamente..# Ela suspirou aliviada.

#Ainda bem.. Por um momento cheguei a ficar preocupada.. Quando posso ir embora?#

#Logo.. O médico deverá vir aqui e falará com você..# Kakashi sentou-se na cadeira ao lado da cama.

Conversaram sobre mais algumas coisas até que o médico entrou na sala. Sakura sorriu ao vê-lo.

#E então doutor? Já posso ir embora?#

#Oh.. Claro que sim.. Mas nós fizemos uns exames de sangue e você deverá vir buscar em dois dias, está bem?# Ela concordou. #E fique de repouso nesses dois dias. Nada de brigas, tensões, ou qualquer coisa do gênero. Alimente-se bem e descanse. Vou mandar uma enfermeira tirar o soro de seu braço. Cuide-se e não se esqueça do exame.#

#Eu cuidarei para que ela o obedeça, doutor. Fique tranqüilo.#

Esperaram pela enfermeira e Kakashi a levou para casa.

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#GRÁVIDA? COMO ASSIM GRÁVIDA?# A jovem ficou subitamente pálida e uma tontura a abateu. Teve que se sentar. Não podia estar grávida.. Deveria ter algum erro ali.. Estava tendo seus ciclos normalmente..

#Te aconselho a procurar sua médica. Já está numa fase bastante avançada de gravidez.. Dois meses. Ao menos enfrentou o primeiro mês sem dificuldades..# O médico disse com naturalidade. Virou-se para Kakashi com um sorriso. #Parabéns meu jovem.. Eu-#

#Não sou o pai..# Kakashi cortou. O médico sorriu amarelo e voltou a encarar Sakura.

#Bom.. Procure sua médica o mais rápido possível e esclareça suas dúvidas. Mais uma vez, senhorita Haruno, parabéns.#

Kakashi a ajudou a se levantar, caso contrário não conseguiria. Estava grávida.. Estava esperando um filho de Itachi.. Um filho que possivelmente nunca conheceria o pai..

Sentiu uma fina lágrima escorrer-lhe o rosto enquanto tocava o ventre, que só agora percebera, levemente arredondado. Não pode evitar o sorriso que se instalara em seu rosto.

Estava grávida! Havia uma nova vida crescendo dentro de si.. Uma vida gerada com amor.. O filho do homem que amava.. Se não podia tê-lo, teria ao seu filho. E o amaria muito, é claro.

Ainda sorrindo, permitiu que Kakashi a levasse de volta ao carro.

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Sexto mês de gravidez.

Tocou a barriga com orgulho, mas logo voltou a se concentrar na barra de chocolate que tinha em mãos.

Kakashi a encarou com censura no olhar. A jovem sorriu.

#Só estou comendo esse, Kakashi-kun.. Não precisa se preocupar tanto com minha alimentação.. Estou comendo bem.. A médica já disse que só engordei o normal.. Então, fique tranqüilo, titio Kakashi.. Seu sobrinho está muito bem..# Kakashi sorriu também, sentando-se no sofá ao lado do que estava. Kurenai saiu da cozinha com uma vasilha de pipoca em mãos. A barriga de oito meses chamava atenção pelo tamanho.

Era uma menina.

Sakura não quisera saber o sexo do filho. Optara pela surpresa. Agora estava ansiosa, entretanto. Mas não procuraria saber o sexo da criança.. Esperaria pelo seu nascimento.

Lembrou-se de toda a tensão que passara nos últimos meses.

Felizmente tudo terminara bem para ela. Vencera o processo contra seu pai, e após isso ainda foi descoberto corrupção por parte do presidente, que tivera seu mandato caçado, então.

Após o descobrimento de corrupção, o pai se esquecera de que ela existia, para sua sorte. Temera o que ele poderia ter feito caso outra coisa maior não cobrisse a raiva que estava sentindo por ela, o que, felizmente, aconteceu.

Acordou de seus pensamentos quando o cheiro de pipoca, vindo da cozinha, invadiu suas narinas.

#Venha logo Kurenai-chan.. O filme já vai começar..#

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#Mais uma missão cumprida com perfeição.# Kisame sorriu. Era sempre assim, apesar desta ter dado um pouco mais de trabalho graças a falta de atenção de um certo líder do grupo.

#Vamos voltar. Não temos tempo a perder. É possível que ainda tenha mais alguma missão interessante para nós e..#

#Itachi? Você está louco? Merecemos ao menos uma semana de descanso depois de quase três meses fora de casa. Eu tenho família.. Esses homens têm família.. Não acha que já deu trabalho demais para eles não?# O rapaz ergueu uma sobrancelha.

#Não. Eu sou o líder.. Eu mando.# Kisame suspirou.

#Você sabe tanto quanto eu que isso é errado. Nunca havíamos passado mais de um mês sem irmos em casa ao menos por cinco dias..# Desta vez o suspiro partiu do moreno.

#Está bem.. Mas somente uma semana. Nada mais que isso. Estarei na base da ANBU e quem não retornar no dia marcado receberá um castigo que jamais será esquecido..# Os homens do grupo vibraram. Finalmente teriam o merecido descanso.

Kisame se aproximou do amigo em passos lentos para não assustá-lo, apesar de saber que Itachi já deveria ter notado sua aproximação.

#O que está acontecendo com você? Você está muito estranho..# Começou.

#Por que eu teria alguma coisa? Estou completamente normal..# Kisame entortou os lábios, em um claro sinal de desaprovação com a resposta.

#Sei que você não vai falar nada, mas saiba que pode contar comigo para o que precisar, Sr. Orgulho..# Itachi não pode deixar de sorrir de canto.

#Não se preocupe comigo. Nunca estive tão bem. Agora vá para casa que você tem uma esposa e dois filhos o esperando..# Se despediram e o azulado partiu.

Itachi deixou-se cair em uma cadeira.

Definitivamente estava enlouquecendo. Pensara que conseguiria manter a mente afastada da jovem que dominava seu coração estando constantemente em missões, mas se enganara. Pelo contrário.. Seu desempenho estava diminuindo.

Seis meses sem vê-la.. Meses que pareciam décadas..

Via a jovem todas as noites, enquanto dormia.. Suas visitas aos seus sonhos eram constantes. E ao final acordava angustiado por encontrar a cama vazia.. E não mais conseguia dormir.

Tentara buscar ajuda em outras camas, mas não obtivera sucesso. Quanto mais tinha outras, mais descobria que queria somente Sakura.

Estava enlouquecendo.

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Itachi socou um dos bandidos com força. Graças a sua falta de atenção ganhara um profundo corte no braço e outro mais superficial nos lábios.

Queria Sakura para si e não mais sabia como suprir sua falta.

Sempre que podia estava em alguma missão para tentar manter a cabeça longe da jovem, o que começava a se tornar cada vez mais difícil. Parecia que, quanto mais o tempo passava, mais sua imagem penetrava-lhe a mente, enlouquecendo-o..

#Itachi? Não acha que já chega?# Ele olhou para o rapaz que ainda segurava pelo pescoço e só então percebera que não parara de socá-lo, mesmo ele já estando desacordado há algum tempo. Soltou-o e virou-se de costas, avistando o helicóptero da ANBU que se aproximava. Começou a caminhar deixando o resto do trabalho para os outros.

#Cara.. Eu estou começando a ficar realmente preocupado com você..# Kisame o seguiu.

#E eu estou ficando cansado de você. Não pense que é só por que você é a pessoa mais próxima de mim que pode me dizer o que fazer.# Sua voz era dura como de costume e Kisame somente suspirou suspirou. Não ficaria calado dessa vez, entretanto.

#Me responda uma coisa: Quando foi a última vez que você se machucou em uma missão? Consegue se lembrar?#

#Por que eu perderia meu tempo pensando nisso?# No fundo sabia que era verdade. Antes da luta com Sasuke, não conseguia se lembrar a última vez que levara ao menos um arranhão. Fazia realmente muito tempo.

#Você sabe que o que estou falando é verdade. Não vai me dizer o que está acontecendo?# Insistiu.

#Não há nada para ser dito..# Virou-se de costas para o companheiro e seguiu caminhando.

Kisame suspirou. Não queria ter que mentir para Itachi, mas naquele momento era necessário.

#A Dra. Haruno vai se casar!# Itachi parou de caminhar imediatamente. Kisame não podia ver sua expressão, mas só por ter parado já denunciara a verdade. Inventara aquela história para ver qual seria sua reação.

#E por que isso me interessaria?# Sua voz soara levemente rouca, denunciando-o mais uma vez. Voltou a caminhar e dessa vez o azulado o seguiu.

#Não adianta mais esconder, Itachi. Descobri o seu segredo!# O rapaz voltou a parar sua caminhada. #Quem diria? Nosso grande líder seria fisgado por uma bióloga "sem graça".# Itachi resolveu ignorar o rapaz. Já dera ousadia demais a ele, e Kisame deveria saber quando era a hora de parar. Estava ultrapassando a linha de sua paciência.

#Cale-se, Kisame...# Sua voz soara baixa e ameaçadora, mas o azulado pareceu ignorar.

#Por que não consegue admitir que está sentindo falta da garota, Itachi? Não é um pecado amar alguém.. Eu acho que você deveria ir atrás dela e..# O Uchiha se virou e, em um movimento sobre-humano, prendeu o companheiro de equipe pelo pescoço. Sua mão o segurava com força, dificultando sua respiração.

#Mandei que se calasse...# O sharingan estava ativado, mas Kisame não se intimidou. Já estivera em situações piores. Sabia que o companheiro não faria nada.

#Se a ama deveria ir atrás dela.# Continuou com um murmurou, mas Itachi ouviu. Encarou-o com o olhar em chamas. Nada disse, entretanto. Arremessou-o longe, virando-se de costas e voltando a andar.

#Quero você fora da minha equipe!# Kisame arregalou os olhos enquanto se levantava.

#O que?# Poderia esperar qualquer coisa, até uma surra, menos aquilo. #Está falando sério?#

#Nunca falei tão sério. Você será transferido para alguma outra de sua escolha, mas comigo você não trabalha mais.# E se afastou, deixando o ex-companheiro para trás, estático. Não conseguia acreditar na besteira que Itachi acabara de fazer.

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Oito meses..

Sakura não pode deixar de se sentir triste ao se olhar no espelho. Queria que aquela criança tivesse um pai, o que não aconteceria, infelizmente.

Não conseguia esquecer Itachi, apesar de sempre se alegrar um pouco mais ao lembrar-se que carregava o fruto de seu amor com ele no ventre.

Ainda assim, o queria ao seu lado.

Não imaginara que seria tão difícil enfrentar uma gravidez sozinha..

Seus pés doíam, sua coluna doía.. Tudo doía.. Mas o bebê estava melhor do que nunca, e ela também, apesar das dores.

Suspirou.

Queria tanto que Itachi estivesse ali com ela..

Mordeu os lábios.

Ainda não se acostumara com aquela inconstância em seus sentimentos.. Uma hora era a mulher mais feliz do mundo, em outra a mais triste e mal amada.

No momento estava triste, mas sabia que logo se animaria de novo.

Logo seu filho nasceria e não teria tempo para mais nada. Nem para pensar em Itachi.

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Estava enlouquecendo. Não. Já estava louco. Aquela era a verdade.

Tudo o que conseguia pensar era Sakura. Sonhava com ela.. Com seu corpo, seus toques, seus beijos, suas carícias... E acordava no meio da noite, suado e aflito, desejando somente que ela estivesse ali com ele.. E depois daqueles sonhos não mais conseguia dormir... Permanecia deitado na cama por algum tempo até se irritar por sua tolice e levantar-se para descontar toda aquela energia acumulada treinando.

Aquilo já se tornara uma rotina.

O que mais o irritava era aquele sentimento com o passar do tempo, ao invés de diminuir, como esperava que acontecesse, só aumentava. Agora ele finalmente entendia o porquê de muita gente morrer de amor ou morrer pelo amado. Sentia-se tolo pensando naquilo, mas era verdade.

Precisava de Sakura. Amava-a mais que a si mesmo... Só não sabia se estava disposto a se arriscar para tê-la.. Não sabia se conseguiria sobreviver caso algo acontecesse a ela... O único problema é que também não estava conseguindo viver sem ela, mesmo sabendo que se encontrava viva e em segurança, após ter finalmente conseguido arruinar a carreira do presidente.

E ainda havia o casamento...

Riu, sentindo-se definitivamente um tolo. Se um dia alguém lhe tivesse dito que ficaria naquele estado por causa de uma mulher, com certeza teria rido bastante antes de espancar essa pessoa.. Agora, entretanto, encontrava-se perdidamente apaixonado.. Sempre achara aquilo tão clichê quando o ouvia da boca de terceiros.. Mas agora sabia o que era sofrer por amor.

Suspirou.

Definitivamente não agüentava mais pensar em Sakura, mas era mais forte que ele. Sua mente era atraída para ela sem que tivesse controle.. E a noite, seus sonhos não permitiam que esquecesse como era incrível tê-la em seus braços.

Foi tirado de seus devaneios pela porta de seu quarto que foi aberta.

#Itachi! Quero você em minha sala em meia hora. Temos mais uma missão.# O rapaz somente concordou com a cabeça enquanto via seu superior se retirando do quarto.

Levantou-se da cama e o seguiu.

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#Você terá auxilio da equipe de Kisame nessa missão.# Finalizou o assunto. Itachi não pode deixar de arquear levemente a sobrancelha. Desde quando Kisame tinha uma equipe? Talvez desde o dia em que resolvera retirá-lo da sua.. Não sabia ao certo. #Quero todos presos, mas se não conseguirem, aceito-os mortos também. Não quero falhas. Vejo vocês em breve.#

Levantou-se ao mesmo tempo em que o líder da outra equipe. Seus olhares se cruzaram rapidamente e nenhuma palavra foi dita até que se retirassem. E assim seguiu, até ter as duas equipes juntas, prontas para sair.

Kisame, entretanto, não pode deixar de arrastar o ex-companheiro até um local que não desse para os outros ouvirem.

#Estamos em uma missão muito séria. Não podemos continuar com esse clima ridículo que você criou. Antes que você comece a falar suas besteiras, deixe-me lembrá-lo que temos vidas em jogo. Não sei quanto a você, mas eu não quero perder nenhum dos meus homens. Espero que você preste muita atenção nisso, Itachi.. Se concentre na missão, pois se tiver alguém machucado por causa de sua falta de atenção, pode ter certeza de que haverá problemas..# Itachi ouvia tudo com uma sobrancelha erguida. Kisame estava louco. Era a única justificativa para que estivesse falando com ele daquela maneira.

Não respondeu nada, como o outro esperava. Simplesmente deu-lhe as costas e retornou para onde estavam os outros. Deu as instruções iniciais e todos puderam embarcar no helicóptero que os esperava.

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(...) E sua equipe dará cobertura à minha. Todos entenderam?# Um couro foi ouvido em resposta. Com um aceno de cabeça, Itachi permitiu que todos assumissem seus postos.

Mais uma vez encontrava-se com a Akatsuki. Pensara que ao explodir a ilha havia acabado com eles, mas enganara-se. Dessa vez, entretanto, não haveria falhas.

Sua equipe adentrou o prédio, aparentemente abandonado, e foi se infiltrando aos poucos. A única indicação de que aquele local era a sede deles, eram os inúmeros capangas que tiveram que matar para estar ali. Mas ao que tudo indicava, não havia mais nenhum homem ali dentro. Isto é.. Não nos primeiros andares.

A equipe de Kisame encontrava-se no prédio ao lado, pronta para cobrir a sua e invadir o local quando fosse ordenado. Kisame podia ser o líder de uma equipe agora, mas naquela missão continuava sendo seu subordinado.

Escondeu-se atrás de uma parede e conferiu se o caminho estava livre. Encarou o companheiro de equipe que se encontrava ao seu lado e ordenou silenciosamente que ele seguisse. Empunhando a arma já engatilhada, seguiu o rapaz, sempre atento aos outros que já se espalhavam pelo prédio.

Abriu a porta da escada de emergência e estranhou a calma do local. Se aquilo era a base de uma grande organização criminosa, deveria haver ao menos alguma armadilha.. Câmeras? Olhou ao redor e não viu nada.. É claro que não haveria câmeras grandes e que dessem para ver com facilidade, mas ainda assim não encontrou nada suspeito.

Subiu as escadas e olhou no aparelho que tinha em mãos. Segundo o localizador, a sede deles era no quarto andar e se encontrava agora chegando no segundo. Procurou a equipe de Kisame e viu que eles já estavam posicionados no prédio ao lado. Seguiu pelas escadas sempre atento a tudo ao seu redor.

Aproximou-se lentamente da porta que daria no quarto andar e conferiu no palm top se os dois homens que foram pelo túnel do elevador já estavam posicionados. Apertou o botão do fone de ouvido e murmurou um comando. Arrombou a porta ao mesmo tempo em que os dois homens entravam pelo elevador e a equipe de Kisame invadia pelas janelas.

O tiroteio começou.

Posicionou-se atrás de uma parede e não pode deixar de notar o lugar. Era uma sala completamente branca, aparentemente um laboratório, que estava sendo completamente destruído.

Eles haviam seqüestrado Sakura, uma bióloga. E ali havia um laboratório.. Qual seria o objetivo deles afinal de contas? Com essa associação, não pode evitar que os pensamentos se mantivessem na jovem de cabeços róseos. Fechou os olhos com força, buscando afastar as lembranças.

Sacou a outra pistola e esperou. O tiroteio parara e só agora havia percebido. Olhou ao redor e, ao menos em seu campo de visão, não havia ninguém machucado.

#Algum do nosso lado ferido?# Perguntou pelo fone em seu ouvido. Ouviu a resposta rápida de Kisame.

#Não..#

#E deles?#

#Do meu lugar vejo somente um corpo..# Bom, pensou Itachi e não mais respondeu ao fone. Não era necessário.

Checou o aparelho que tinha em mãos. Se haviam derrubado um, segundo o aparelho, ainda havia mais oito homens para serem derrubados. Colocou a cabeça para fora do seu esconderijo e analisou o local, parado demais para o seu gosto. Viu um movimento próximo de onde estava, mas foi mais rápido que o integrante da Akatsuki. Tiros de duas direções foram ouvidos mais um corpo foi atirado ao chão.

Olhou para o outro lado da sala, onde Kisame se encontrava com a arma apontada na direção do homem que haviam acabado de matar. Fora ele que atirara também.

Conferiu o aparelho mais uma vez. Eles haviam fugido para o andar de cima.

Fez um sinal pra Kisame, indicando que teriam que subir. O líder do outro grupo mandou que três homens fossem pelas cordas do elevador, enquanto os outros dois deveriam subir pela parede do prédio. A equipe de Itachi subiria pelas escadas, como fizera anteriormente.

Esperou o sinal pelo fone de ouvido para que pudessem invadir. Enquanto isso ficaram atrás da primeira porta de incêndio, na escada, esperando. Encostou-se na parede e tentou se concentrar somente no fone em seu ouvido, mas a mente traidora não permitiu.

Pensar na Akatsuki fazia-o lembrar de Sakura. Era mais forte que ele. Não conseguia controlar os pensamentos que voavam com uma facilidade surpreendente.

Sacudiu a cabeça, tentando desfazer aquela imagem, mas ela simplesmente não saia. Socou a parede com força. Tinha que parar de pensar nela para o bem dos seus companheiros.

#ITACHI!!!!# E foi só quando ouviu o grito em seu ouvido e o tiroteio do outro lado que percebeu que sua falta de atenção o fizera se atrasar.

Entrou no local já atirando. Matou um que vinha em sua direção na hora e analisou o que sua falta de atenção provocara. Mais ao lado, dois dos homens de Kisame encontravam-se baleados e pelo que pudera ver, eram os únicos machucados.

Seguiu com o olhar, procurando por Kisame e arregalou os olhos ao ver que ele estava de costas, na linha de tiro de um dos Akatsuki. Fez a primeira coisa que lhe veio à mente. Correu e se jogou na frente, atirando no mesmo momento que o outro. O tiro acertou a cabeça de seu inimigo, enquanto o outro pegara somente de raspão em seu braço. Dera sorte.

#Preste mais atenção ao seu redor ao invés de ficar pensando naquela maldita mulher.# Murmurou Kisame com raiva, ao ficar de costas para Itachi, cobrindo aquela parte onde sua visão não alcançava.

Itachi ouviu um rosnado, mas fora de sua própria garganta. Quem ele pensava que era pra falar aquilo?

Viu dois homens correndo com uma maleta na direção das escadas e não pode deixar de correr atrás deles. Iria acabar com aquela missão e calaria a boca de qualquer um que ousasse dizer que se tornara irresponsável.. E principalmente, calaria Kisame que tivera a ousadia de dizer que estava distraído por estar pensando em Sakura.

Subiu as escadas em passos rápidos, ignorando o grito que o mandara ficar onde estava. Ninguém mandava em Uchiha Itachi, entretanto.

Passou pelos últimos degraus em passos lentos, empunhando a arma próxima ao rosto. Encontrava-se concentrado.. Qualquer ruído e ele saberia de onde viera.

Entrou no andar e pode ver mais a frente um quadro de todos os componentes da Akatsuki. Não pode evitar que a raiva brotasse em suas veias. Eles haviam sequestrado Sakura.. E graças a isto acabara conhecendo aquela por quem estava caído agora.

Sacudiu a cabeça. Não estava caído por Sakura. Mas não deixava de sentir raiva da Akatsuki. Tudo aquilo poderia ter sido evitado caso não tivessem entrado em seu caminho.

Foi tirado de seus devaneios por uma kunai que passou zumbindo pelo seu ouvido, raspando a bochecha em seu trajeto, tirando-lhe um filete de sangue.

Irritou-se mais ainda.

Aquela maldita mais uma vez atrapalhava sua missão. Não se permitiria pensar nela novamente.

Retirou a kunai que se prendera na parede atrás de si e guardou-a no bolso. Correu para de trás de uma pilastra ao ver um vulto se locomover próximo de onde estava. Avançou para ele atirando. O primeiro pegou em sua arma, inutilizando-a, o que lhe dera vantagem.

Parou com a arma apontada para sua cabeça e sorriu. Murmurou um baixo adeus antes de apertar o gatilho.

Não pode evitar o gemido de frustração ao ver que a munição acabara.

Afastou-se rapidamente ao ver o bandido atacá-lo com outra kunai. Procurou por um cartucho, mas descobrira que não tinha mais nenhum. Tudo estava contra ele.

Sacou a kunai que retirara da parede e interceptou o ataque inimigo. Estar sem arma de fogo não significava que estava perdido. Se garantia no corpo a corpo.

Desviou de uma sequência de ataques com facilidade. E com uma maior facilidade ainda, terminou com seu oponente com um simples corte no pescoço.

Sorriu satisfeito.

Só ao ouvir o famoso Click e algo encostando em sua cabeça, é que se recordou de que fora atrás de dois homens, e não só de um.

Pensando rápido, fez os inns de seu jutsu e logo o tiro foi ouvido.

POFT

Seu bushin desapareceu e o verdadeiro Itachi reapareceu atrás do homem dando-lhe uma rasteira, que foi evitada com uma esquiva hábil. Seria aquele o líder?

Desviou de um dos seus ataques e lembrou-se que ele ainda estava armado ao sentir algo fino e impactante atingir-lhe a perna.

De seus lábios foram ouvidas algumas pragas.

Ignorou a dor e o sangue que escorria do ferimento e, apoiando-se na perna boa e usando a machucada para afastar a arma das mãos dele, o que deu certo.

Voltaram a ficar frente a frente. Teoricamente, Itachi tinha a desvantagem por estar machucado.. Mas para ser sincero, não estava sentindo muito aquilo. Tinha o sangue quente e só sentiria o tiro quando parasse de lutar.

Avançou contra seu inimigo no mesmo instante que ele avançava.

O barulho de metal se chocando foi ouvido uma, duas, incontáveis vezes.

Itachi estava mais lento, apesar de não sentir muita dor. O corpo já começava a não responder aos seus comandos com perfeição. Desviou com um pouco mais de dificuldade, mas conseguiu um rápido contra-ataque, acertando-lhe o braço que segurava a kunai, fazendo um corte profundo.

Foi a vez do rapaz praguejar, enquanto se afastava com a mão no ferimento. Provavelmente teria o braço inutilizado para a luta. Mudou a kunai de mão, passando a atacar com a esquerda agora.

Itachi não pode deixar de sorrir.

Tinha a vantagem agora. Via-se claramente que ele não tinha muita experiência com o manejo de armas na mão esquerda. Para ser mais explicito, diria que ele não sabia manejar a kunai com aquela mão.

Avançou com uma expressão vitoriosa na face e retirou a arma de suas mãos com facilidade. Esquivou-se de um soco, abaixando-se levemente, e dali mesmo desferiu um poderoso golpe que o arremessou à poucos metros dali.

Girou a kunai entre os dedos ao ver que o impacto havia causado grande dano e ele já não podia continuar a lutar.

#Você se rende, ou vamos ter que terminar isso da pior maneira para você?# O homem riu enquanto via Itachi se aproximar.

#Nunca me rendo.# E o que aconteceu a seguir foi tão rápido que não pudera ver direito.

Notara o brilho de um metal a ser erguido com velocidade. Arremessou a kunai.

A porta foi aberta com um estrondo, que ocultou parte do barulho produzido pelo homem caído no chão, mas não ocultou o grito de dor que logo se seguiu.

Kisame adiantou-se até o criminoso no chão e tomou-lhe o pulso. A Kunai atravessara-lhe a barriga. Sobreviveria.

Ergueu-se e virou-se para Itachi, a tempo de vê-lo tombar ao chão, com a mão próxima ao peito.

A cor fugira-lhe o rosto.

Sakura... Foi seu último pensamento antes de perder os sentidos. Morreria sem lhe dizer ao menos uma palavra.

OoO

Abriu os olhos lentamente. Tudo era branco.. Mas nenhum anjo de cabelos cor de rosa aparecera para lhe levar ao paraíso..

Mas espera um pouco..

O que ele estava fazendo ali? Não deveria estar no céu, sim? Não uma alma pecadora como a sua.. Seria aquele o caminho para o inferno?

Riu.

Não precisava andar tanto para chegar la.. Já se encontrava nele há alguns meses.

Sacudiu a cabeça tentando afastar a pequena nuvem que se formara sobre seus olhos, embaçando-os. Começava a se sentir tolo e clichê por só conseguir pensar nela.. Mas o que podia fazer? Não conseguia afastar aquela jovem de seus pensamentos..

Piscou algumas vezes e se mexeu desconfortável.

Sentiu dor. Não estava morto.

Voltou a abrir os olhos e percebeu que estava em um hospital.

Olhou ao redor e só então percebeu todas aquelas máquinas ao seu redor, com algumas ligadas a si. Tentou lembrar-se do que aconteceu, mas só conseguiu alguns pequenos flashs.

Estava lutando com o último Akatsuki.. Havia uma arma.. E então ele se lembrara.

Fora baleado e perdera os sentidos.

Olhou para baixo à procura do local atingido, mas o lençol cobrindo seu corpo o impediu de localizar o ferimento. Tateou o abdômen à procura e não pode evitar o fraco gemido ao encontrar o que procurava. O tiro havia sido perto do peito.. Tinha dado sorte.. Por pouco não lhe acertara o coração.

#Vejo que finalmente acordou, senhor Uchiha..# Itachi olhou para a porta, encontrando a enfermeira que provavelmente estaria cuidando dele. #Vou chamar o doutor para lhe examinar.# Ia sair da porta mas ele a impediu.

#Há quanto tempo estou aqui?#

#Uma semana.# E fechou a porta, se retirando.

Itachi sentiu vontade de rir. Aquilo jamais acontecera com ele.. Será que estava ficando fora de forma? Seria hora de se aposentar?

A resposta era óbvia, mas com certeza, depois do que acontecera, seria mantido um tempo afastado, até mesmo para se recuperar completamente.

Teve os pensamentos interrompidos pelo médico que entrara no quarto.

Fez todos os exames e perguntas necessárias. Impaciente, Itachi logo perguntou quando poderia sair dali e, para sua surpresa, a resposta fora positiva.

"Se continuar se recuperando tão bem logo poderá ir para casa.."

Casa.. Que casa? Não tinha uma para onde pudesse retornar.. Não tinha para quem retornar.

Sentiu o peito comprimido. Queria ter alguém o esperando quando voltasse das longas e cansativas missões.. Queria uma casa confortável com uma mulher maravilhosa que sorriria docemente quando ele retornasse.. Queria filhos.

O ultimo pensamento o chocou. Nunca havia pensado naquilo.

Pensou em Sakura grávida e seu coração se aqueceu.

Queria aquela mulher para si, mas para isso teria que ir embora dali antes.

OoO

#Está saindo hoje, Itachi, mas não quero vê-lo na ANBU até a data que lhe informei. Você está suspenso por três semanas por colocar a vida de outros em risco, além da sua própria. Foi irresp-..#

#Eu já entendi.# Respondeu de maneira fria. Era seu chefe, mas não se importava. Sabia que não seria posto para fora e que ele só o estava suspendendo para cumprir as regras.

Passara mais uma semana e meia no hospital, quando finalmente recebera alta. Já não aguentava mais ficar deitado, olhando para aquela parede branca irritante.. Não tinha nada para fazer fora dali, mas ao menos poderia andar.

#Estou indo na direção do seu apartamento.. Quer um carona?# Itachi negou com a cabeça. Morava à algumas quadras dali e a caminhada o faria bem.

Deixaram o hospital juntos.

Itachi quase sorriu ao sentir a brisa levemente gelada tocar-lhe o rosto.

Liberdade.

Caminhou distraidamente durante um tempo.. Não fora diretamente para seu apartamento.. Andava sem rumo.. Deixando que os pés o guiassem para qualquer lugar.

Não estava completamente curado, mas sentia a necessidade de fazer aquilo.

Parou em uma praça localizada entre algumas casas do bairro. Sentou-se no banco e olhou para o céu, não se importando com mais nada ao seu redor.

Os carros passavam a todo instante, mas um em especial lhe chamara atenção..

Havia parado há 500 metros de onde estava, em frente à uma casa aparentemente agradável. Do luxuoso carro, um rapaz de cabelos prateados surgiu. Nada que lhe importasse até então.. Mas então ele viu. E ficou sem reação por instantes.

Conseguia ver-lhe somente os cabelos de onde estava, mas sabia que era ela.

Sentiu o sangue ferver ao ver o homem que descera do carro, rodear-lhe os ombros com um dos braços e acompanhá-la até a entrada da casa. Entraram juntos, para maior desespero do rapaz, que tinha a respiração desregular. Queria ir até lá e arrancar cada membro daquele que ousara tocá-la.

Por um momento lembrou-se do que Kisame falara.

"A Dra. Haruno vai se casar"

Então aquele era o homem?

Sentiu-se mais aliviado ao ver que ele não ficaria na casa. Foi embora em poucos minutos, mas aquilo não aliviou o que sentia em seu intimo.

Ver aqueles cabelos róseos mais uma vez despertou a fome que ele julgara levemente adormecida.

Tinha que ir atrás dela.

OoO

Sakura sentou-se no sofá, suspirando.

Logo seu filho chegaria e ela não teria descanso. Três semanas e meia.. Era o tempo previsto que faltava para o nascimento.

Estava feliz por ter o auxilio de Kakashi, que com o filho recém nascido em casa, ainda a ajudava no que precisava. Não sabia o que faria sem ele.. Não tinha mais ninguém.

Levantou-se e pegou a bolsa de cima da mesa. Foi caminhando em passos lentos, tentando criar coragem para subir os degraus que dariam no seu quarto, mas a campanhinha, tocada de forma insistente, a impediu.

Teria Kakashi esquecido alguma coisa?

Isso sempre acontecia.. O que teria sido dessa vez?

Olhou na sala e nada viu.

Resolveu ir atender logo a porta e descobrir o que ele queria.

OoO

Estendeu a mão para tocar a campanhinha e percebeu que elas tremiam, mas não voltou atrás. Tocou a campanhinha uma, duas, três vezes.

Sentia-se tenso e tolo. O que falaria para ela? Que não era para ela se casar por que ela o pertencia? Que sofrera esse tempo todo como um verdadeiro idiota após não ter aceito seus sentimentos quando os declarara?

Voltou a tocar a campanhinha.

Viu a porta se movimentar e sentiu medo. E se ela o esnobasse agora?

#Sakura, você não..# Parou de falar ao ter os olhos de encontro aos dela. Não pode mais falar.. Tinha a garganta seca. Desceu os olhos pelo rosto surpreso da jovem, passando-os pelo colo alvo que tanto o atormentava em seus sonhos..

Mas uma coisa em especial lhe chamou a atenção.

Sakura estava grávida.

Grávida e muito bem grávida.

Seria aquela criança dele? Tinha que saber..

OoO

Sakura abriu a porta pronta para perguntar a Kakashi o que ele esquecera daquela vez, mas o conhecido tom de voz a fez estancar onde estava.

Itachi.

O que ele estava fazendo ali? Por que ele estava ali?

Sentia o coração bater aceleradamente. Ele começara a falar, mas parara.. Agora a fitava com um olhar de carinho tão grande que fez os olhos da jovem marejarem. Teria vindo atrás dela? Teria descoberto que a amava e a queria de volta?

#Esse filho é meu?# Sua voz soara fria.. Tão fria quanto o sentimento que atravessou seu corpo, levando todos os resquícios de esperança fora.

Não pode evitar a pequena lágrima que cruzou seu rosto no mesmo instante em que fechava a porta com força e se afastava dali, ouvindo os gritos do lado de fora, chamando seu nome, parecendo angustiado.

O coração batia pesadamente e sua respiração se tornara entrecortada, enquanto as lágrimas banhavam-lhe o rosto.

Deixou-se cair sentada no chão, com as costas apoiada na porta.

Como Itachi pudera ter feito aquela pergunta?

OoO

Viu-a fechar a porta e tentou impedi-la, mas ela fora mais rápida.

Fora impressão sua ou havia sofrimento em seu olhar? Teria se ferido por sua pergunta? Então havia chances daquela criança ser sua e não daquele que julgava ser seu noivo.

#SAKURA..# Bateu na porta com força. Precisava daquela resposta. #Sakura.. Abra a porta..# Suavizou a voz ao perceber que ela se encontrava do outro lado da porta, encostada na mesma. #Vamos, Sakura.. Deixe-me entrar.. Nós precisamos conversar..#

#NÓS NÃO TEMOS NADA PARA CONVERSAR# Foi a resposta vinda de dentro da casa. Sakura estava chorando.. Podia-se notar isso claramente em sua voz.

Não sabia se ela iria mesmo se casar com aquele cara ou se o filho era seu, mas naquele momento soube que ela ainda o amava.. Aquele choro era a prova daquilo. Tinha que lutar por ela mesmo que estivesse carregando o filho de outro homem.

#Sim.. Nós temos..# Encostou a testa na porta e esperou, mas nada aconteceu. #Por favor, Sakura.. Abra essa porta.. Deixe-me entrar.#

#Não..# O murmúrio angustiado já não demonstrava tanta certeza. Aquilo o motivou.

Afastou-se da porta e não pode deixar de sorrir ao ver uma janela próxima aberta. Desceu os degraus de acesso e contornou o jardim. Não teve dificuldades para entrar.

Localizou-se rapidamente e seguiu por um corredor até chegar a uma sala. Uma vasta cabeleira rosa, encolhida no pé da porta chamou-lhe a atenção. Aproximou-se lentamente, não querendo assustá-la.

OoO

Abraçou os joelhos e rezou para que ele fosse embora.. Não sabia o que ele queria, mas não o deixaria brincar com ela novamente. Amava demais aquele homem para ser feita de brinquedo em seus braços. Naquele momento o que mais precisava era de amor, não de um homem que não tinha coração.

Ouviu um pequeno barulho muito próximo de si e algo quente tocar-lhe os cabelos.

Ergueu o rosto rapidamente e não pode evitar o grito de susto, que foi prontamente calado pelos lábios de Itachi, que tomaram os seus com carinho.

Itachi puxou seu corpo para junto do si e a colocou de pé com facilidade.

Sentiu-a enlaçar os braços em seu pescoço e não pode deixar de sorrir enquanto se afastava alguns centímetros. Encarou-a e esperou que ela abrisse os olhos.

Sakura não sentia o chão nos pés. Estava flutuando.. Mas a leve pressão em seus lábios parou e ela teve que abrir os olhos para saber o motivo.

Itachi sorria enquanto a encarava, o que a chocou. O que ele queria?

Espantou-se ainda mais quando teve o corpo puxado novamente para junto do dele, mas dessa vez em um apertado abraço.

Deixou a cabeça descansar no ombro forte e sentiu-se em segurança pela primeira vez nos últimos nove meses. Era como se finalmente tivesse retornado ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

#Senti tanto a sua falta..# O leve murmúrio em seu ouvido a espantou mais do que qualquer outra ação vinda do rapaz. Seu coração se aqueceu. Teria ele descoberto que a amava? Não pode evitar que a esperança voltasse a se apossar de seu coração.

Ele voltou a se afastar dela e agora a encarava com uma expressão séria.

#Sakura.. Por favor.. Eu preciso saber.. Essa criança é minha?# Aquela pergunta fora a gota d'água. Sua mão agiu por vontade própria ao se dirigir para seu rosto com força. Chocou-se logo depois ao perceber o que fizera.

Afastou-se em passos bambos para trás, com lágrimas nos olhos que mostrava todo o seu espanto pelo que fizera. Itachi, entretanto, não demonstrava fúria ou algo parecido. Simplesmente levara a mão ao rosto de permitira que um sorriso brotasse de seus lábios.

Ameaçou dar um passo, mas o grito assustado dela o parou.

#NÃO!!# Ele a encarou e não gostou de vê-la chorando. Por que só conseguia fazê-la sofrer? Deveria deixar de ser egoísta e deixá-la ser feliz com quem ela escolhesse? Mas e se ela ainda o amasse como ele acreditava? Não poderia ter reagido de outra maneira se o filho não fosse dele. Aquele tapa fora a resposta que precisava.. Sentira-se ultrajada pela pergunta e agira daquele jeito. Agora estava magoada por ele pensar que ela havia dormido com alguém após ele, o que o deixava feliz em saber que a resposta era negativa.

Mas ainda havia o rapaz de cabelos brancos.

Voltou a caminhar, mas ela se afastou em passos rápidos, parando ao encontrar a parede.

#Não se aproxime de mim..# Sua voz soara baixo e ela respirava com um pouco de dificuldade. Itachi não a obedeceu. Continuou a se aproximar.

#E por que eu a obedeceria? Você quer que eu me afaste mesmo, Sakura? Quer que eu a deixe livre para se casar com aquele almofadinha carregando o meu filho no ventre? Nunca permitirei isso..# Uma pequena lágrima percorreu o rosto pálido.

#Não quero que você fique comigo só por causa da criança.. Por favor.. Vá embora, Itachi..# Ignorou a parte do casamento, já que não entendera.

#Não, Sakura.. Eu não vou. Não vou deixá-la casar com ele.. Você é minha.. Você e essa criança.. Nosso filho..# Ele finalmente a alcançara e agora encontrava-se ajoelhado em frente a ela. Ergueu a mão até a barriga e encostou a cabeça, como se pudesse ouvir o coração da criança. #Nosso filho..# Repetiu, emocionado.

Sakura não pode evitar que mais lágrimas descessem pelo seu rosto.

#Errei em ter esperado esse tempo todo para vir atrás de você, mas agora estou aqui.. E não pretendo perdê-la novamente, Sakura.. Nem que para isso eu tenha que matar o seu noivo..#

#Noivo?#

#Sim.. O de cabelos brancos.# Sakura riu com o rosto banhado em lágrimas. Um bonito contraste, pensou o moreno.

#Kakashi não é meu noivo.. É somente meu amigo.. E a mulher dele vai muito bem com o filho recém nascido dos dois..# Aquela resposta aliviara o coração do rapaz, que voltou a sorrir.

#Então isso quer dizer que você está livre e não vai mais me mandar embora, não é?#

#Não sei.. Você é quem tem que dizer se quer ficar ou não..# Sakura sentia o coração bater acelerado. Em nenhum momento ele dissera que a amava. Precisava daquela declaração ou não poderia ficar com ele..

Olhou para baixo e encarou o moreno que, ainda ajoelhado, sorria.

Itachi tomou-lhe a mão e a encarou, sério.

#Haruno Sakura.. Você gostaria de se casar comigo?# A primeira expressão que passara pelo rosto da jovem foi surpresa. Em segundo, permitiu que um lindo sorriso brotasse de seus lábios. Não chegou a responder, pois o Uchiha já se levantara e tomara-lhe os lábios com possessão. Afastou-se alguns minutos somente para ouvir a resposta. #E então Sakura.. Aceita se tornar a senhora Uchiha?# Como resposta, Sakura enlaçou-o pelo pescoço e o beijou como se sua vida dependesse daquilo.

Separaram-se ofegantes. Itachi encostou a testa na dela enquanto sorria de olhos fechados. Sakura admirou a cena.

#Eu amo você..# Sussurrou. Sakura arregalou os olhos e assim ficou por algum tempo. O coração batia acelerado e a respiração mais entrecortada que antes. Finalmente conseguiu processar suas palavras que a surpreenderam mais que o pedido de casamento e sorriu, pronta para responder àquela declaração, mas não chegou a fazê-lo.

Abriu a boca mas o único som que emitiu foi um gemido de dor que assustou a ambos. Curvou o corpo para frente, levando a mão ao ventre.

#Você está bem?# Itachi não conseguia ocultar a preocupação que brilhava em seus olhos e em sua voz. Sakura teve vontade de rir apesar da súbita dor.

#Estou..# Aquilo o acalmou momentaneamente, pois o que veio a seguir o deixou ainda mais desnorteado. #Acho que seu filho se emocionou com sua declaração e resolveu vir um pouco antes da hora..#

Sakura não sabia se ria da expressão de seu amado ou se chorava pela dor que já começava a ser constante, mas na realidade nada daquilo importava.. Não mais.. Tinha Itachi ao seu lado e não permitiria que nada os separasse novamente.

Assustou-se quando foi subitamente carregada. Itachi tinha na face uma Expressão que não conseguia identificar ao certo. Era uma mistura de medo, com alegria, ansiedade e nervosismo. Teve vontade de rir. Ele parecia mais nervoso que ela mesma.

#Para que hospital vamos?# Sua voz apresentava um leve tremor causado pelo nervosismo...

...E Sakura riu.. Riu como nunca o fizera durante toda sua vida.

Agora estava finalmente completa.

OoO

Nhaaaaaaaaaaa.. Eu ainda vivo! *.*

Mas é o vestibular, para variar.. Não passei esse ano, logo, estou fazendo cursinho para passar esse ano.. Novo Enem.. Sem Enem.. Uma loucura..

Mas é isso ai.. Tamo na luta..

Demorei MUITO mas o capitulo até ficou grandinho né?

Vocês gostaram? Diz que sim!! Diz que sim!!

PS: VAI TER EPILOGO

Sim sim.. E ele já está sendo escrito, ok?

xD

Bom.. Deixarei para responder as reviews no epilogo, com todos os agradecimentos especiais e etc.

Mais uma vez, me perdoem pela demora..

E não esqueçam de fazer uma escritora feliz deixando uma REVIEW!

Como prometido.. Ai vai o resumo da minha nova fic, que ainda não foi postada, mas que logo será:

"Órfã, aos 12 anos Sakura vai morar na mansão dos Uchiha. Seu tutor, Uchiha Itachi, era amigo dos pais que nunca chegara a conhecer.. Recebera a difícil missão de cuidar da jovem, mas o fizera muito bem.. Foi naquela casa, com aquele homem estranho e sua prima que aprendera o verdadeiro significado da palavra felicidade.. Isso até completar 18 anos.. Quando aquela fatídica noite acontecera.. E desde então sua vida mudara completamente.. Agora, com 22 anos, 4 anos após deixar a mansão Uchiha, finalmente voltaram a se reencontrar.. O que poderia acontecer agora que já não era mais uma menina?"

Bom.. Só lendo a história para saber mais! *.*

E ai? O que vocês acharam? O que será que aconteceu?? Ain.. Eu sou má! XD

Bom.. Até o próximo e, finalmente o último, capitulo de Only Us.