Na hora do almoço, Tai, Matt e Izzy estavam sentados e um banco no canto do pátio. Estavam rindo e lembrando das aventuras que passaram no digimundo.
– Eu me lembro bem que você e o Izzy apanharam da Mimi, porque a viram tomar banho – riu Matt.
– É verdade... mas valeu a pena, não é Izzy? – Tai brincou dando um leve esbarrão no ombro do amigo, mas logo se arrependeu, pois o rosto brincalhão de Izzy desapareceu. Tai sabia que ele era apaixonado por Mimi.
– Acho que sim...
– Foi mal, cara... eu esqueci que gosta dela.
– E você tem falado com ela, Izzy? – perguntou Matt com um sorrisinho nos lábios.
– Sim, eu tenho... desde o ano passado, ela tem me pedido muita ajuda no dever de casa... – Izzy deu de ombros – Afinal, parece que eu sirvo só para isso... – comentou, dando uma risada seca.
– Ora, vamos... não é verdade, Izzy. Mimi é uma pessoa gentil, nunca iria te magoar e trata-lo bem só porque você a ajuda na escola... – disse Tai, querendo animar o amigo.
– Espero que esteja certo... sabe, esse é nosso ultimo ano e eu queria muito convidá-la para o baile de formatura – disse Izzy. Apesar de ser mais novo que Matt e Tai, Izzy pulou um ano na escola, por ser um dos alunos mais inteligentes.
– Então por que você não a convida? – Matt levantou uma sobrancelha.
– Porque ao contrário de você, Matt, eu não faço sucesso com garota nenhuma. Apesar da Mimi ser nossa amiga, duvido muito que ela sairia comigo... – a expressão derrotada de Izzy lembrou a expressão de Tai quando pensava em Sora.
– Olha, Izzy, não se acovarde por isso... você nunca vai saber se não tentar...
– E quem é você para falar, Tai? – provocou Matt – É apaixonado pela Sora desde sempre e nunca falou nada...
– Eu sei... não quero que Izzy repita o meu erro. Eu sei como é frustrante...
– Eu acho que você deveria chamar a Sora para o baile... eu sei que falta muito, mas você sabe... muita coisa pode acontecer nesse meio tempo... – disse Matt.
– Eu sei...
– Ou você pode esquecer a Sora e partir para outra...
– Acho difícil... – Izzy comentou – O Tai é louco por ela...
– Não precisam ficar me lembrando disso... – resmungou Tai.
– Acho que você podia chegar na Esther... ela é uma gata, mas ninguém aqui conseguiu sair com ela... você pode ser uma exceção.
– E quem diabos é Esther? – perguntou Tai.
– É aquela ali... – disse Izzy apontando para a garota que tinha conversado com Tai naquela manhã. Ela e Sora estavam sentadas lado a lado, com o grupo de tênis. Pareciam estar discutindo técnicas.
– Ah, eu sei quem é! Ela veio andando comigo até a escola hoje de manhã. Me pareceu muito simpática... – disse Tai olhando-a. Ele não podia negar que Esther era linda, mas sabia que nunca iria amar alguém como amava Sora.
– Ela é estudante de intercambio. Veio do Brasil e começou a estudar aqui no ano passado... – disse Matt – É uma garota muito gente boa, mas nunca deu chance para os caras da escola...
– Nem para o Matt... – disse Izzy, com um ar risonho. Matt o fuzilou com os olhos, o que fez Tai e Izzy gargalharem em alto e bom som, atraindo muitos olhares da mesa de Sora.
– Então porque ela iria me dar bola? – perguntou Tai, depois do acesso de riso. As meninas o achavam bonito em Hong Kong, pois o futebol sempre lhe fizera jus. Mas ele reconhecia que Matt sempre ganharia dele, quando o assunto fosse sobre garotas.
– Talvez porque você seja exatamente o tipo de cara que ela procura... – disse Matt, dando de ombros.
– Ou talvez porque vocês querem que eu quebre a cara, assim como vocês... – disse Tai, rindo.
– Eu nunca cheguei nela... – disse Izzy, com certo orgulho por nunca ter sido rejeitado por ela.
– Porque você é um otário – riu Matt.
– Eu sou otário, mas pelo menos não levei um fora dela...
– Ouch! O Izzy tem razão... – disse Tai, depois de se recuperar de um acesso de risos.
– Querem calar a boca!? – disse Matt, entredentes.
– Tudo bem, mas não me chame de otário de novo... – disse Izzy, com um sorriso de triunfo.
– Enfim... – disse Matt, ignorando o amigo – Chame-a para sair... é melhor esquecer a Sora, Tai...
– Eu sei... mas não consigo.
– Olha, Tai, sem querer ser chato, mas tenho que concordar com o Matt. Aparentemente, Sora está muito apaixonada pelo Yuki... vai ser difícil esses dois se separarem – disse Izzy.
– E se você sair com outra garota, o seu relacionamento com Sora pode melhorar... você pode passar a vê-la apenas como amiga – Matt disse.
– Acho que vocês estão certos... – disse Tai, tristemente. Ele sabia que, não conseguiria, mas pelo menos, ele podia tentar.
– Você é o primeiro a seguir em frente. Não é diferente dessa vez – disse Matt.
– Tem razão, preciso seguir em frente... preciso esquecer a Sora... – concordou Tai, com um nó na garganta. Ele sabia que não seria fácil, mas não estava disposto a sofrer mais do que já havia sofrido.
Naquela tarde, na casa dos Takenouchi, Sora estava sozinha em casa. Se sentia solitária e queria desesperadamente conversar com alguém. Pegou seu telefone e ligou para Mimi, mesmo sabendo que o fuso horário era completamente diferente.
– Sora? – Mimi atendeu no primeiro toque.
– Oi, Mimi... desculpa te ligar, eu sei que você deveria estar dormindo, mas...
– Não tem problema. Eu já ia acordar, de qualquer jeito – Mimi bocejou – O que houve?
– Eu não sei... estou confusa.
– Por que?
– É que desde que Tai voltou, eu me sinto estranha. Tive uma sensação estranha quando minha colega de classe disse que ele era bonito hoje de manhã... – ela descreveu o que sentiu quando Esther comentou sobre a aparência de Tai.
– Você está com ciúmes! – ela gritou ao telefone.
– Ciúmes? Do Tai? – perguntou Sora, com os olhos arregalados.
– Mas é claro!
– Claro que não, Mimi... o Tai é meu amigo... – Sora ficara vermelha com a ideia de ter ciúmes de seu melhor amigo.
– Mas tenho certeza de que o Tai não pensa em você só como uma simples amiga...
– Por que diz isso? – perguntou ela, mais vermelha ainda.
– Nossa, Sora! Você é muito obtusa para certas coisas... nunca percebeu que Tai a olha com outros olhos?
– Não...
– Bem, eu acho que você deveria conversar com ele...
– Mas... e o Yuki? – Sora se sentiu mal instantaneamente. Ela saia com um cara incrível e agora estava falando de outro com Mimi.
– Sinceramente, Sora... o Yuki a ama de todo o coração. Mas você não acha que ele merece ser amado da mesma forma?
– Mas eu também o amo, Mimi...
– Eu não acho isso...
– Ah, Mimi! – gritou Sora ao telefone.
– Ei, calma! Você pediu a minha opinião, não foi? Eu estou dizendo o que eu penso.
– Eu sei, Mimi... me desculpe...
– Tudo bem – respondeu Mimi com uma voz suave – Eu sei que está confusa agora, mas fique calma. Você vai esclarecer o que se passa no seu coração...
– Por que você acha que eu não amo o Yuki? – Sora sentiu que seu namorado sairia machucado no final. Ela sentiu um aperto no peito ao pensar nisso.
– Eu acho que seu amor por Yuki é apenas ternura, Sora... você se acostumou a tê-lo por perto, te protegendo e te tratando bem. Acho que vocês se apaixonaram um pelo outro, mas você não o ama de verdade.
–Acho que entendi... mas eu não quero abandonar o Yuki agora...
– Eu sei como é... você não precisa terminar com ele agora... pense um pouco no assunto e quando tiver certeza, você vai saber o que fazer.
– Obrigada, Mimi... estou me sentindo muito melhor agora.
– Não foi nada. Amigas servem para isso... qualquer coisa, pode me ligar! – Sora amava Mimi. Afinal, a digiescohida da sinceridade era sua melhor amiga.
– Não vou mais te ligar a essa hora...
– Não tem problema! Agora vou me levantar, senão vou me atrasar.
– Tudo bem. Tenha um bom dia!
– Obrigada! Bye!
– Bye – Sora sorriu. Elas sempre se despediam em inglês, pois Mimi tinha um jeito especial de dar graça à pequenos detalhes como aquele.
Ela se levantou e foi até a janela. O céu estava laranja, assim como seus cabelos. Sora encarou o por do sol e pensou na conversa que teve com Mimi. Sabia que a amiga estava certa, mas ela não podia admitir. Não queria magoar Yuki e tinha medo que Tai tivesse mudado durante os dois anos que passou fora. "Mas como eu posso saber?" ela indagou para si mesma. "Nós nem conversamos direito...". Sora teve uma ideia e sorrindo, discou o numero de Tai.
