Prólogo

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Tic-tac, tic-tac, tic-tac.

Os ponteiros do relógio disposto na parede oposta fazia o barulho em repetição. Sentada com uma pequena bolsa sobre as pernas, estava à personificação da ansiedade. A ansiedade que tinha os cabelos marrons, o medo, com os seus grandes olhos castanhos e o prenúncio de choro nos olhos de uma pequena mulher de menos de 1,60 metros de altura.

Houve um barulho de uma porta se abrindo. O médico estava de volta. Os passos dele eram lentos, mas calculados. Ao entrar em seu campo de visão — como estava com as vistas fitando o chão — encarou primeiramente os seus sapatos, pretos, em contraste com as roupas branca padrão. Sentiu um toque acolhedor em seus ombros e preparou-se para o pior.

Seis meses de vida? Um ano? O que tinha? Um tumor no cérebro inoperável?

Já sentindo a visão embaçada pelas lágrimas que começavam a deslizar de seus olhos, ergueu — em câmera lenta — o rosto até encarar o médico. Aquele papel de 21 por 35 centímetros continha a sua sentença. Morreria, já estava se acostumando a ideia.

Os olhos dele traziam a mais pura consternação. Seus lábios se entreabriram, mas nenhum som veio de sua garganta.

— Senhorita Swan, aqui está o resultado do seu exame. A senhorita está grávida. Parabéns!

"Parabéns por não ter seis meses de vida ou um tumor? Porque, estar grávida, era tão ou mais assustador que quaisquer umas das doenças citadas."

Era virgem.

Estava grávida.

Devia haver algum engano.


Novo prólogo postado em 17/09/13