Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo IV
Aproximação
– "Takashima Kouyou, vinte e nove anos completos. Perdeu o primeiro dente de lente aos seis anos e meio. Tem uma cicatriz no lado direito do quadril por causa de uma queda de bicicleta aos oito anos. Fez terapia aos nove para superar o medo de gatos e..." Potter, você pediu pro Thomas achar o Muggle ou escrever uma biografia?
Draco resmungou enquanto corria os olhos pelo enorme pergaminho amarelado que se desenrolava no chão por mais de dois metros de comprimento.
– Dean se empolgou um pouco. – Harry sorriu equilibrando dezenas de outros pergaminhos nos braços.
– "Recebeu uma declaração da veterana¹ aos dez anos." Não sei o que é pior: o exagero do Thomas ou a pedofilia dessa veterana...
– Pense pelo lado positivo: Dean achou o cara, fez resumos... Er... Biografias completas de Takashima e das pessoas mais próximas a ele. – Nesse ponto Draco olhou agudo para os pergaminhos que Harry segurava – Tá tudo aqui. E ainda nos deu amostras de cabelo dos integrantes dessa banda the GazettE.
– Você leu os relatórios? – O Slytherin voltou a analisar o pergaminho. Estavam parados na estação bruxa nipônica, na plataforma de embarque. Tinham acabado de descer do expresso e iam para o endereço marcado como sendo do loiro. Já sabiam que o tal Kouyou era guitarrista de uma banda de rock (ou algo nesse sentido) e saía cedo de casa todos os dias, rumo à gravadora.
Por isso tinham pegado o primeiro trem, que partia em hora avançada, para chegar ao Japão e poder sondar o rapaz Muggle com o Apanhador. Se Uruha, como o loiro era chamado, tivesse algum indício de magia no corpo, o aparelhinho ia revelar.
– Li de Takashima. – Harry respondeu, encolhendo os escritos que levava antes de guardá-los no bolso do casaco.
– Então viu que Thomas faz uma insinuação aqui... – tocou o pergaminho amarelado com a ponta do dedo fino – Algo sobre um possível envolvimento amoroso entre Takashima e o outro guitarrista, Shiroyama Yuu.
– Eu vi. Se Takashima estiver limpo a gente vai ter que investigar esse outro Muggle.
Draco respirou fundo e encolheu o relatório, entregando-o para o marido:
– Porque você não lê a mente deles? É mais fácil.
– Eu sei. Vou ler, mas mesmo que eu descubra a verdade assim, ainda teremos que ir até Hogwarts, levar o Muggle para um exame.
O Slytherin apertou os lábios e não disse mais nada. Lado a lado passaram pela parede que ligava o Mundo Bruxo ao mundo Muggle.
HxD - UxA
Ambos chegaram muito cedo à casa de Kouyou. Bem a tempo de vê-lo saindo acelerado no carro esporte. Foi muito rápido, puderam perceber apenas um vislumbre pra ter certeza de que não se tratava de outra pessoa.
– Era ele. – Malfoy afirmou categórico.
– Hn. – Harry sacudiu o Apanhador. – Não apitou. Ou foi depressa demais para captar algo ou Takashima não bebeu a poção.
– Não conseguiu ler a mente dele? – Draco soou mais esperançoso do que gostaria de demonstrar.
– Não. Nem tive tempo.
– Então vamos logo pra essa droga de estúdio. – o humor de Draco caiu drasticamente. – Assim a gente verifica os dois de uma vez. Usamos poção Polissuco?
– Não sei se é uma boa idéia. Temos amostras dos integrantes da banda... Se mudarmos nossa forma e encontrarmos com alguma duplicata vai piorar a situação.
– E desde quando você é tão prudente, Gryffindor? – o loiro perguntou torcendo os lábios.
– Desde que convivo com alguém que chama covardia de prudência. – Harry riu.
– Hunf. Então o que sugere?
– Vamos vigiar o lado de fora da gravadora. Quando eles estiverem saindo teremos uma chance de verificar melhor.
Malfoy concordou:
– Em último caso estouro o pneu do carro. Aí teremos tempo de sobra.
Harry lançou um olhar reprovador para o marido e acenou com a cabeça. Hermione ensinara como chegar ao 'Varinha de Marmelo', um pub bruxo confiável em Ginza, um dos bairros de Tokyo. Podiam fazer hora por lá até o fim do dia.
HxD - UxA
– Seja esperto dessa vez, Potter. – Malfoy pediu com um tom de voz que denunciava o cansaço.
O próprio Harry já estava esgotado. Tinham passado o dia todo no pub, trocando idéias e hipóteses sobre tudo aquilo. Houvera tempo para muito hidromel e cervejas amanteigadas. Agora estavam ali, em frente ao grande prédio da gravadora que detinha o contrato da banda the GazettE. Disfarçavam que eram turistas apreciando a vista, longe dos fãs que costumavam vagar pelo local tentando ver os ídolos.
Viram os tipos mais estranhos e surpreendentes saindo do local. "Aquele é um Muggle normal ou um anão...?", Malfoy perguntara apontando um japonês² muito baixo que saiu em determinada hora.
Reconheceram um moreno de sorriso fofo que saiu apressado junto com um rapaz de faixa no rosto.
– É Yutaka. Líder da banda. – Harry lembrou-se da descrição detalhada no relatório de Dean. Pegou o apanhador do bolso do casaco.
– Hn. E o Muggle estranho é Suzuki, o baixista.
– Atenção. Shiroyama tem uma moto! – O Garoto Que Venceu exclamou quando o veículo de duas rodas passou pelo portão.
– Nossa! – Draco arregalou os olhos diante da arrancada veloz. – Será que era ele mesmo...?
– Com certeza era. – Harry afirmou baixo.
Franzindo as sobrancelhas Draco virou o rosto para encarar o marido. Ia perguntar como ele tinha tanta certeza, mas o Gryffindor analisava o Apanhador em suas mãos. O pequeno aparelho brilhava fraquinho.
– É magia! – a voz de Malfoy subiu uma oitava. Viu suas esperanças ruírem rapidamente.
– Sim. Aquele só podia ser Shiroyama Yuu. E se o Apanhador brilhou é porque ele bebeu a poção.
– Você leu a mente dele...? – Draco sabia que a pergunta era inútil a ponto de parecer idiota. Mas a fez mesmo assim.
– Não. Não tive tempo. Vamos usar a poção Polissuco e conferir de perto.
O loiro meneou a cabeça. Observou enquanto Harry colocava a varinha na palma da mão:
– Me oriente.
O objeto moveu-se e indicou uma direção a seguir. Sabiam que o Muggle de nome Shiroyama morava longe. No entanto, não tinham pressa alguma de chegar ao apartamento dele e descobrir a dura realidade. Não poderiam enganar o Ministério por mais tempo, caso o pior tivesse acontecido.
HxD - UxA
Aoi chegou ao apartamento e foi direto ao banheiro, tomar um longo banho. Era segunda feira, mas já se sentia exausto. Kai sempre cobrava o dobro nos ensaios quando estavam em vias de lançar músicas novas.
Quando se sentiu relaxado o bastante saiu do chuveiro e enrolou-se num roupão negro felpudo e quentinho. Calçou meias grossas e pensou no que podia fazer antes de ir dormir. Era cedo ainda.
Não sentia fome, pois tinham feito um lanche reforçado na gravadora junto com os meninos do Alice Nine e do Kra. Se comesse mais alguma coisa teria pesadelos a noite. Sabia que dormir de barriga cheia não era nem um pouco recomendado.
Talvez devesse ligar para Uruha, seu namorado (adorava o som da palavra – .), e jogar conversa fora. Ou talvez não. Afinal Kouyou devia estar cansado também. E Aoi não queria parecer uma daquelas colegiais grudentas que não largam do pé do homem que amam.
Coçou a nuca. Então decidiu ir assistir um pouco de televisão. Talvez algum dorama lhe prendesse a atenção.
Estava passando pela sala rumo ao sofá, quando ouviu o interfone tocar. Desviou a rota e foi atender. Era o segurança do condomínio avisando que dois integrantes do the GazettE queriam falar com ele.
– Pode deixar entrar. – Aoi autorizou depois de saber que eram Kai e Reita.
Nem estranhou a visita. Até se alegrou que ambos viessem ao seu apartamento sem avisar, pois aquilo parecia um aprofundamento da amizade. E não era a primeira vez que acontecia.
Apenas se preocupou em tirar o roupão e colocar um pijama azul de flanela com estampa de nuvens brancas. Fez isso rapidamente e assim que voltou pra sala ouviu o interfone soando novamente, indicação que os outros dois GazettE já tinham chegado.
Abriu a porta com um sorriso.
– Kai! Reita! – cumprimentou dando espaço para que entrassem. – Bem vindos!
– Boa noite. – Reita cumprimentou depois de olhar de forma significativa para Kai.
– Espero que não estejamos atrapalhando. – e, de alguma forma inexplicável, Aoi achou o tom de Kai um tantinho petulante.
– Não, não estão. – viu os amigos entrando no apartamento, em seguida fechou a porta. – Aconteceu alguma coisa?
O guitarrista começou a estranhar a atitude dos visitantes. Eles nem tinham se preocupado em parar para tirar os sapatos, hábito oriental que Aoi prezava muito. Aquilo deixou o rapaz meio abismado. Nem Yutaka nem Akira eram mal educados pra cometer tal grosseria.
– Não. – Reita respondeu enfiando a mão na calça branca e tirando um aparelho de forma circular muito esquisito, virando-o na direção do dono do apartamento. No mesmo instante o objeto brilhou com certa força. Ao ver aquilo o rapaz da faixa suspirou e deixou os ombros caírem. – Ainda tem resquícios da poção.
– Merda. – Kai torceu os lábios – Então a gente tem que levar ele. Que tal um Estuporante?
Reita rolou os olhos. Shiroyama olhava de um para o outro sem entender nada do que estavam falando.
– Kai...? Vocês estão bem? Não andaram bebendo coisas estranhas, não é?
O loiro com uma faixa no rosto sorriu largo, largo demais até:
– A gente não... Mas você, Shiroyama... – com a mão livre sacou uma espécie de varinha que fez Aoi erguer as sobrancelhas. No entanto o suposto Reita não perdeu tempo – Relaxo.
Yuu sentiu como se não dormisse há semanas e todo o sono acumulado viesse a ele de uma vez. A sensação foi tão forte que simplesmente virou os olhos e tombou adormecido para trás, no carpete macio.
Kai cruzou os braços e afirmou muito cheio de si:
– Meu Estupore seria muito mais divertido.
– Não queremos diversão, Draco. Dá pra desaparatar daqui para a estação do Expresso?
O moreninho, que na verdade era Malfoy, olhou em volta. A casa parecia totalmente Muggle, não havia nenhum feitiço de proteção ou contenção que os impedisse de aparatar ou desaparatar no local. Enquanto escaneava a sala de forma detalhada os olhos grises captaram um objeto conhecido na estante. Era uma garrafinha rústica, exposta ao lado de outras.
– Potter... – ele aproximou-se cheio de forte esperança que esmaeceu ao notar que o frasco que continha a Poção do Bom Parto estava vazio. Contendo o suspiro pegou o pequeno vidro e exibiu para o marido – Parece que ele bebeu tudo.
Harry concordou com a cabeça. Mais uma prova do azar que os seguia naquela aventura. O Gryffindor, vendo Draco devolver o frasco, insistiu com certa urgência:
– Podemos desaparatar?
– Parece que sim. – o Sytherin olhou o Muggle adormecido no chão – Droga. Ele tinha que beber a minha poção? Deu tempo de ler a mente dele?
– Não. – Harry pegou Aoi nos braços. – Eu tava mais preocupado em medir a magia com o Apanhador.
– Então vamos logo. Quanto antes pegarmos o Expresso e voltarmos para a Inglaterra melhor. Isso parece um pesadelo!
Harry não respondeu. Apenas segurou com cuidado o moreno em seus braços e desaparatou direto para o beco de acesso a estação nipônica, sendo imitado, logo em seguida, pelo seu marido.
Continua...
19/09/2010
¹ Senpai /bicomaster
² Alguém arrisca um chute?
Notas por Kaline Bogard:
Tem muito dedo meu nesse capítulo, por isso desculpem o jeito com os bruxos. Ou a falta dele... =D
Ah... ADORO apóstrofos! São quase todos meus nesse capítulo! ^^
Nota por Felton Blackthorn
Dois universos bem complicados. Quase me arrependo...
Nota por Samantha Tiger (A Beta):
Baahhhh... Falta de jeito e arrependimentos? Pura manha deles... Desconsiderem.
