Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Chizuru
Kaline e Felton

Capítulo V
Três meses passam rápido

Draco observou o rapaz moreno deitado em um dos leitos da Ala Hospitalar de Hogwarts, o colégio onde dava aulas. Ele vigiava apenas por precaução. Sabia que o feitiço que seu marido tinha usado era bom, e o Muggle não acordaria tão cedo. Porém, estava agoniado aguardando que os testes de Madame Pomfrey dessem algum resultado.

– Porque não descansa um pouco...? – a voz de Harry quebrou a quietude do local, como forma de anunciar sua chegada.

– Não estou cansado.

– Não? – Potter caminhou até uma cadeira e a puxou, sentando-se ao lado de Draco – Viajamos a noite toda do Japão até a Inglaterra, depois viemos para cá. Você não dormiu nada.

– Nem você. – o Slytherin rebateu num tom de voz levemente ofendido.

– Eu estava terminando de contar tudo para a Professora MacGonagal. Não podemos omitir nada se quisermos a ajuda dela.

– E como ela reagiu? – Draco imaginava que a atual diretora (e sua chefe) não negaria nada ao Garoto Que Viveu Para Derrotar Você Sabe Quem.

– Não ficou muito feliz. Mas garantiu que ajuda enquanto puder.

– Hn.

– Ele não vai acordar, Draco. – o moreno apontou para o Muggle – Você sabe que um Relaxo apaga uma pessoa por horas.

O loiro ergueu uma sobrancelha de forma petulante enquanto cruzava os braços:

– Pois aquela vez no terceiro ano o Relaxo que acertei no Nott derrubou ele por vinte e três horas. Quase um dia todo.

Harry riu:

– Eu lembro. Mas a sua detenção durou mais: uma semana.

Draco fez um bico contrariado. Então voltou os olhos grises para o hóspede forçado e ficou um tanto sério:

– Não tem diferença nenhuma se a gente só olhar...

A frase deixou Harry confuso:

– O que?

– Você sabe... – Malfoy suspirou – Bruxos e Muggles. Olhando pra ele... parece um de nós. Mas sem magia.

– Ah. – Harry recostou-se na cadeira – É que temos um ponto em comum: antes de mais nada somos todos humanos.

Draco voltou a fitar seu marido:

– Isso eu sempre soube. Mas nós temos magia. Eles não. – afirmou petulante. Harry balançou a cabeça:

– E eles dominam a ciência e a tecnologia. Bruxos não. Isso não pode ser usado como parâmetro para provar a superioridade de ninguém. São conhecimentos diferentes, Draco; com vantagens e desvantagens em ambos os lados.

– Se somos tão parecidos...

– Temos mais em comum do que você pensa. – Potter cortou – Começando pela intolerância. Não adianta levar para o lado da convivência. Magia e tecnologia estão em pólos opostos. Logo os Muggles sentiriam inveja do que Bruxos podem fazer. E vice versa. Todos temem o que não podem controlar. Não acredito que a paz durasse muito.

– Concordo. – o loiro voltou o olhar para Aoi outra vez. O guitarrista ressonava tranquilamente, como se estivesse na segurança de sua cama – Todos temem o que não controlam e o que é diferente. Por isso seria um problema um homem Muggle engravidar...

– Fora do nosso mundo seria uma aberração. Imagino a confusão que criaria.

Draco não respondeu. Moveu-se uma, duas, três vezes na cadeira, de maneira desconfortável. Acabou fixando os olhos cinzentos num ponto qualquer do chão, antes de murmurar:

–Sinto muito... – foi tão baixinho que Harry quase não escutou. Então continuou em voz mais alta – Estragar tudo e jogar a poção no lixo.

Surpreso pelo pedido de desculpas e por Draco assumir a culpa, Potter estendeu a mão e acariciou o braço do marido, antes de envolvê-lo pelos ombros e puxá-lo para mais perto.

– Vai dar tudo certo. Você vai ver.

– E se fomos para Askaban, promete que tenta mexer uns pauzinhos pra ficarmos na mesma cela...?

Harry riu do drama que o Slytherin fazia. Eram esses pequenos gestos e essas singularidades do loiro que haviam lhe conquistado definitivamente. Amava cada ceninha, cada ataque de raiva e gesto arrogante que tornavam o loiro tão Slytherin. Tão Malfoy ou, melhor definindo, tão Draco.

E o Auror só parou de rir porque Madame Pomfrey entrou na enfermaria, levando um pedaço de pergaminho nas mãos.

– Boa noite, senhor Potter, professor Malfoy.

– Boa noite! – o Gryffindor respondeu.

– E então? – o loiro não segurou a curiosidade – Ele engravidou ou não?

A velha senhora olhou agudo para seu ex-aluno e atual colega de trabalho:

– Esse rapaz com certeza bebeu a Poção do Bom Parto... – Draco quase rolou os olhos. Disso já sabiam só de usar o Apanhador. – E temos evidencias de que teve relações sexuais. Mas não da pra saber se foi exatamente antes ou depois da ingestão.

– Droga! – Malfoy resmungou inconformado com a aparente perda de tempo.

– Não tem um jeito de saber, Madame Pomfrey?

– Sinto muito, senhor Potter. Isso é magia. Se quer um milagre veio ao lugar errado.

– Mas é só um teste de gravidez. Que dificuldade pode haver?

Papoula olhou para o Slytherin de forma reprovadora, fazendo-o se acalmar um pouco. Eles podiam ser colegas de trabalho, mas às vezes Draco ainda se sentia como um aluno diante de um dos professores na época do colégio.

– Eu sempre disse que deviam acrescentar aulas de biologia na grade curricular. – Pomfrey torceu os lábios – Nesse ponto Muggles estão séculos na nossa frente. Você parece não saber, professor Malfoy, mas caso tenha ocorrido a fecundação de uma célula, não passa disso: uma célula fecundada que em tamanho e forma pouco difere de outras células saudáveis do organismo. Hoje é terça-feira. Tudo aconteceu entre sábado e domingo. O que queriam...?

– Tem que ter um feitiço ou uma poção que...

– Não existe magia ou tecnologia Muggle que consiga descobrir que um homem está grávido em tão pouco tempo. E pelo que conheço da Poção do Bom Parto, não dá pra ter certeza antes de – a mulher parou para pensar um pouco – pelo menos doze semanas.

Tanto Harry quanto Draco arregalaram os olhos:

– Três meses? – o Slytherin exclamou.

– Teremos que esperar três meses para saber se Shiroyama engravidou ou não...? – O Garoto Que Viveu terminou a frase fitando Aoi com certa preocupação. Não contavam com aquela complicação.

– Mas a gestação feminina... – Draco ainda tentou comparar os casos num ato desesperado pela solução do grande problema. Outra vez foi cortado pela enfermeira:

– A gestação feminina é completamente diferente. Caso não saiba, Professor Malfoy; nós temos uma estrutura chamada "útero", que vocês homens não têm. É o útero que recebe e protege o embrião, mantendo-o nas devidas condições até o nascimento. Sem a proteção do útero uma célula recém fecundada corre o risco de ser atacada como um invasor. A Poção do Bom Parto age criando uma proteção mágica que oculta o futuro bebê dos anti-corpos naturais que o matariam. E no decorrer das semanas age preparando para que o corpo masculino se adapte ao novo ser que cresce dentro de si. Por isso é uma poção tão rara e é a única que garante em cem porcento o desenvolvimento da criança.

Ao fim da pequena e fervorosa aula a mulher olhou profundamente para os rapazes, querendo ter certeza de que haviam entendido cada palavra. E o espanto na face de ambos provava que sim, eles captaram a mensagem. Satisfeita, Madame Pomfrey começou a enrolar o pergaminho sem pressa. Não havia mais nada que pudesse fazer, com todo o conhecimento que tinha de Medicina Bruxa, além de tentar consolar:

– Pois levem esse garoto de volta pro Japão e relaxem. Três meses passam rápido...

O sorriso que a mulher deu tentava ser confortador, mas teve o poder de fazer tanto Harry quanto Draco afundar-se nas cadeiras. Ambos calculavam as complicações a mais que aquilo traria. Em três meses as aulas já teriam começado, ou seja, Draco estaria enrolado com os alunos dos quintos, sextos e sétimos anos (para os quais lecionava Feitiços Modernos). Já o Gryffindor teria voltado das férias. Se recebesse alguma missão...

Pomfrey tinha razão. Três meses passavam depressa. Mas o que quer que viesse dali pra frente tinha grandes chances de ser um pesadelo. Um terrível, sombrio e real pesadelo.

UxA - HxD

Uruha estava impaciente. Isso os outros integrantes da banda logo perceberam. O loiro já tinha fumado quatro cigarros. E tomado mais café do que o que seria recomendado, caso quisesse dormir bem à noite.

Kai, que estava repassando as letras de algumas músicas com Reita, acabou suspirando:

– Porque não liga pra ele?

O loiro ficou tenso. Virou-se para o líder da banda e tentou sorrir:

– Aoi tá um pouco atrasado. Só porque ele nunca se atrasou sem avisar antes não é motivo pra eu ficar preocupado.

Kai sorriu:

– Eu não disse que você estava preocupado. Só sugeri que ligasse pro Yuu.

Uruha ergueu as sobrancelhas. Naquele momento sentiu um pouco de raiva daquelas covinhas fofas de Kai que pareciam zombar de si e de sua preocupação. Mas acabou relaxando e compreendendo que sua irritação era fruto da situação. Afastou-se em direção a guitarra tomando uma decisão:

– Podemos esperar um pouco mais... – afirmou como quem não se importa. Os outros integrantes da banda sabiam que os guitarristas tinham algum rolo. Mas não sabiam ainda que estavam namorando sério.

Tentando desviar os pensamentos, Kouyou dedilhou sua adorada guitarra. O que não tinha contado, e que aumentava sua aflição, é que já tentara contato com o moreno. Discara para o apartamento e para o celular, mas Yuu não atendera nenhum dos dois.

Com a aparente acalmada de Uruha, os GazettE voltaram a se concentrar nas músicas novas. Kai estava empolgadíssimo com as vendas disparadas do Shive e todo o bafafá sobre a próxima turnê. Já tinham começado a trabalhar nos PV's das músicas que formariam o novo álbum. Resumindo, tinham muito, muito serviço.

Logo a manhã avançou e só perceberam como era tarde quando o líder da banda deu o sinal de que deveriam parar e comer alguma coisa.

– Eu... vou até a casa de Aoi. – Takashima revelou como quem não quer nada – Talvez tenha acontecido alguma coisa...

Foi pegando sua carteira e suas coisas, divertindo os companheiros de banda. Não que eles não tivessem um pouco de preocupação, mas realmente não acreditavam que algo grave pudesse acontecer. Aoi era pontual, no entanto sempre tem uma primeira vez pra tudo na vida.

Apressado, em pouco tempo Uruha dirigia em direção ao apartamento do outro guitarrista. Deixou o carro na rua, após ligar o alarme e entrou no elegante prédio, já tirando a chave do bolso antes mesmo de alcançar o elevador.

Foi uma surpresa encontrar a porta destrancada. Meio assustado e cheio de precauções entrou descobrindo tudo em perfeito estado.

– Aoi...? – chamou. Não recebeu resposta.

Caminhou até a cozinha, encontrando-a vazia. Resolveu olhar no quarto. Aoi nunca sairia de casa deixando tudo aberto.

– Yuu! – voltou a chamar mais alto dessa vez, começando a alarmar-se. Abriu a porta da suíte do namorado e estacou surpreso. O moreno estava ali, deitado na cama embaixo do edredom amarelo e parecia dormir tranquilamente. Avançando devagar, Uruha chamou baixinho: – Yuu?

Sentou-se cuidadosamente na cama. Tocou a testa do amante de leve, para verificar se tinha febre. A temperatura de Shiroyama parecia normal. Respirando fundo, Uruha tirou o celular do bolso e discou para Uke:

– Ah, Kai-chan, Yuu ta aqui... não, ele ainda está dormindo. Eu sei. Não, não parece ter febre. Talvez tenha passado a noite em claro. Hn. Vou esperar ele acordar antes de voltar, okkei? Ee? Tem certeza? Obrigado e até amanhã.

O loiro desligou a chamada e ficou olhando para o pequeno aparelho por alguns segundos. Yutaka tinha mesmo um coração enorme. Dispensara os guitarristas no período da tarde dizendo que podiam adiantar outras coisas enquanto isso. E amanhã dariam duro dobrado para compensar o tempo perdido.

Após colocar o celular sobre o criado-mudo levantou-se e foi saindo do quarto. Parou na porta para dar uma olhada no amante adormecido e saiu para a cozinha a fim de preparar um café. Não sentia fome alguma quando ficava preocupado...

UxA - HxD

O café tinha acabado de ficar pronto quando Uruha sentiu braços gentis envolvendo sua cintura. Sorriu largo:

– Yuu...

– Bom dia, Kou-chan. Que surpresa agradável!

Takashima virou-se no abraço e passou as mãos pela nuca do moreno, envolvendo os fios escuros em seus dedos:

– Dorminhoco. Está tudo bem? – observou a face recém desperta do guitarrista mais velho. Aoi nunca parecera tão disposto antes.

– Tá. – ergueu as sobrancelhas – Porque?

–Ora, Yuu... são quase duas horas da tarde. Você não apareceu no ensaio pela manhã. Ficamos preocupados.

Shiroyama deixou o queixo cair de surpresa. Abismou-se em ter dormido tanto e não sentir nem uma dorzinha pelo corpo. Geralmente acordava dolorido quando perdia a hora, pois seu organismo já se acostumara com os horários.

– Caralho! Duas horas da tarde? Tem certeza, Uru?

O loiro riu jogando a cabeça para trás:

– Oh não! Meu Yuu está hibernando! Acho que isso é tipo aqueles pandas velhos, não é? A idade vem chegando...

Fingindo-se de ofendido Aoi apertou o abraço em volta da cintura do namorado e aproveitou para mordiscar a pele alva do pescoço exposto, fazendo Uruha parar de rir e gemer.

– Não hibernei nada. – parou pra pensar – Eu acho que... sonhei que Kai e Reita vieram em casa noite passada... eles ficaram falando de coisas estranhas e Reita tinha uma varinha de condão! – terminou a revelação meio chocado com seu próprio sonho.

Uruha riu tanto que teve que sentar-se na cadeira, fazendo os lábios de Aoi se crisparem, dessa vez ofendido de verdade. O loiro parou pra tomar ar:

– Reita era sua fada madrinha? E ele te deu sapatinhos de cristal? – provocou.

O bico de Aoi aumentou:

– Nunca mais te conto nenhum sonho.

Ainda rindo um pouco, Takashima segurou o moreno pelo quadril e o trouxe para sentar-se sobre suas pernas. Então ficou sério e questionou:

– Está tudo bem, Yuu? Eu fiquei preocupado quando não apareceu e nem avisou nada.

– Hn. Sinto muito, eu só... perdi a hora.

– Kai nos dispensou a tarde. Mas quer que paguemos em dobro amanhã.

– Ele tem razão. – Shiroyama sentiu-se culpado por atrasar o trabalho da banda, mesmo que fosse por apenas um dia. Aquilo fazia toda a diferença. – Temos cerca de três meses pra deixar tudo em ordem pra turnê. E três meses passam muito rápido.

Uruha acariciou o rosto do namorado:

– Vai dar tudo certo. Vamos superar as expectativas como sempre.

O mais velho concordou com um aceno de cabeça. Intimamente agradeceu a atitude de Kai. Poderiam aproveitar aquela folga e desfrutar da companhia agradável um do outro. Depois correriam atrás do tempo perdido.

Continua...

26/09/2010