Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Chizuru
Kaline e Felton

Capítulo VI
Três meses depois...

Uruha suspirou enlevado enquanto mudava de posição na cama. Os braços moveram-se de modo automático, procurando aconchegar o amante melhor e puxá-lo para mais perto. Mas ele abraçou o vazio.

Intrigado abriu os olhos e observou o lado da cama onde Yuu deveria estar. Depois virou-se, as pálpebras pesando de sono, para verificar as horas no relógio digital sobre o criado-mudo. Duas e meia da manhã. Onde estaria Aoi?

Sentou-se na cama. O edredom amarelo deslizou por seu corpo expondo o pijama de seda vermelho escuro. O tecido criava um contraste magnífico com seu corpo, destacando a tez pálida.

– Yuu...? – chamou baixinho. Notou que o banheiro da suíte estava no escuro. Provavelmente o moreno não fora pra lá.

Resignado resolveu levantar da cama quentinha e ir procurar o amante. Mal saiu no corredor e a luz fosca que vinha da sala indicou onde o mais velho poderia estar.

–...

Ficou surpreso com o que viu. Shiroyama estava enrolado num edredom, todo encolhido sobre o sofá assistindo uma das turnês da banda. O rosto pálido estava iluminado de forma quase irreal pela luz azulada da TV. Os olhos enviesados pregados na tela pereciam meio... lacrimejantes!

– Yuu...? – o loiro apressou-se para sentar-se ao lado do amante – O que foi? Está tudo bem?

Com os olhos brilhando, Shiroyama mirou o companheiro:

– Lembra dessa turnê? Estávamos em Shibuya... depois o pessoal queria sair pra comemorar, mas nós escapamos para um hotel. – suspirou – Foi tão lindo...

Uruha perdeu a voz com a aparente emoção que transbordava em cada palavra dita pelo guitarrista de cabelos negros. Claro, ele se lembrava bem daquela noite. Porém não tinha acontecido nada que a tornasse diferente das demais. O live fora perfeito, como o esperado. O que fizeram no quarto do hotel também, assim como das outras vezes.

Por qual motivo Aoi se emocionara ao assistir aquilo? E por que acordada de madrugada?

– Yuu chan, ta tudo bem com você? – tentou não soar muito preocupado.

– Sim. – assegurou – Vamos assistir isso juntos.

– Não prefere voltar pra cama? Hoje ta frio e amanhã temos que acordar cedo. Saímos em turnê pela manhã.

– Hn. Eu só... não consegui dormir porque estava meio tonto. Minha pressão caiu um pouco e a cama ficou rodando.

– Porque não disse antes? – o loiro recriminou de leve – Quer ir ao hospital?

– Não! – o mais velho desdenhou da oferta – É apenas um pouco de ansiedade pela turnê. Eu to bem.

– Tem certeza?

Em resposta Shiroyama abriu o edredom convidando Uruha para ajeitar-se com ele, convite que foi aceito imediatamente. Aquecido pelo corpo do amante, o loiro suspirou e tratou de envolvê-lo melhor em seus braços.

Quase entrou em pânico quando o live continuou seguindo e sentiu as lágrimas quentes de Yuu caírem sobre a manga de seu pijama. Eram suficientes para deixar o tecido úmido. Tal constatação fez sua garganta se apertar. O que estava acontecendo?

O moreno acabou adormecendo antes do DVD passar por completo. Kouyou esperou tempo suficiente para confirmar que o amante dormia pra valer, antes de pegá-lo nos braços e levá-lo para a cama. Ficou alguns minutos admirando a face tão amada. Por algum motivo sentiu-se inquieto. Sentia que alguma coisa estava errada, mas não sabia bem o que.

HxD-UxA

Apesar de terem ido dormir de madrugada, os guitarristas do the GazettE conseguiram acordar no horário certo. Não seria nada agradável ter certo baterista irritado por causa de atrasos.

Uruha deixou o moreno preparando o café e foi tomar um banho rápido. As coisas que levariam estavam arrumadas desde o dia anterior. Mas o principal seguiria da gravadora.

Saindo do banheiro, Kouyou franziu as sobrancelhas de leve ao flagrar Aoi apenas com a calça do pijama, parado na frente do espelho do guarda-roupa analisando o próprio corpo de uma forma muito minuciosa.

– Yuu...

O mais velho não despregou os olhos de seu reflexo nem pra responder:

– Kou chan, você acha que meu corpo é feio? – parecia uma pergunta a nível de segurança nacional, dada a gravidade emanada na voz rouca.

– O quê? – Uruha quase engasgou.

– O meu corpo. – repetiu dando certa ênfase – Gosta dele?

Ao terminar de falar Shiroyama apertou os dois lados da cintura, enrugando a testa de forma crítica.

– Yuu, você está estranho... – Takashima murmurou pensativo.

Ao ouvir aquilo o rosto do mais velho se transfigurou. Ele pareceu horrorizado:

– Estranho? Acha meu corpo estranho?

Uruha se moveu antes de qualquer pensamento lógico. Quando deu por si estava abraçando o amante com força:

– Claro que não. Eu adoro o seu corpo. Adoro você, Yuu, do jeito que é.

– Mas... – os olhos de ambos se encontraram através do reflexo espelho. Shiroyama parecia buscar algo mais nas íris do loiro. Talvez uma confirmação não verbal do que ele acabara de falar.

Agindo mais uma vez sem pensar, Kouyou acabou revelando com uma veemência que não lhe era característica:

– Eu amo você, Shiroyama Yuu. De um jeito que me assusta, porque me faz pensar mais em você do que em mim mesmo. Meu primeiro pensamento é pra você. A última coisa que vem em minha mente todas as noites é você. Amo seu sorriso, sua seriedade, suas maluquices. Adoro o jeito que é lerdo pra pegar as coisas no ar e as bolas fora que dá de vez em sempre. Me encantam as suas crises de estrelismo e seus ataques sem explicação. Cada milímetro do seu corpo me excita, me dá vontade de tocar. Tocar com força até marcar como minha propriedade.

Ao fim do pequeno e exaltado discurso Uruha estava sem ar, surpreso por revelar de uma só vez como verdadeiramente se sentia. Mas faria isso para dar a Aoi a certeza de que falava sinceramente. No entanto, para quase desespero do loiro, ao invés de melhorar a situação, aparentemente piorou tudo, pois lágrimas silenciosas inundaram os olhos escuros e transbordaram sem que Aoi se preocupasse em impedi-las.

– Yuu! – Uruha soou alarmado – O que foi?

O mais velho virou-se e abraçou Kouyou com força:

– É a primeira vez, Uruha! É a primeira vez que você diz que me ama!

–... – o guitarrista loiro perdeu a voz.

– Eu também. Eu também amo muito você. Muito! – afirmou resoluto, como se convencer o outro de seus sentimentos fosse mais fundamental que respirar.

Choque. Essa era a única palavra no mundo capaz de explicar o que acometeu o caçula diante da situação do namorado. De lacrimenjante e deprimido Yuu passara a eufórico e alegre em instantes. De uma forma alarmante e sem explicação as emoções pareciam não se definir naquela manhã.

Talvez fosse o cansaço das últimas semanas. Afinal tinham alcançado o status de celebridades internacionais. As cobranças eram triplicadas, as pressões impossíveis de serem medidas.

Não eram mais apenas compositores e músicos. Eram modelos que posavam para propagandas, revistas, calendários, outdoors e uma gama de campanhas publicitárias que pareciam nunca ter fim. Precisavam ser verdadeiros atores durante os PVs, pra interpretar todos os sentimentos que suas músicas deviam transmitir. Ensaiavam uma média assustadora de doze horas por dia. Davam entrevistas, gravavam comerciais...

A rotina exaustiva esgotava as forças de qualquer ser humano. Talvez Aoi estivesse sucumbindo ao stress. Talvez estivesse chegando ao seu limite. E se fosse assim... como seria durante a turnê?

– Yuu. – chamou baixinho, com a voz carregada de preocupação.

O mais velho ergueu a cabeça e encarou de volta com um sorriso. As lágrimas não eram mais que um rastro molhado que marcava levemente a face pálida. Aoi parecia mais equilibrado novamente.

– Estou bem, Kou chan. Temos que nos apressar. Se chegarmos atrasados Kai vai moer as nossas entranhas.

O loiro balançou a cabeça, incerto sobre o que fazer. Acabou concordado. Não sabia como agir com a situação. Adiar, o que quer que fosse aquilo, pareceu menos assustador do que as outras opções.

– Hn. Tem razão...

Desvencilhando-se do abraço Aoi rumou para a cozinha:

– Vou terminar de preparar o café. Espero você...

Uruha ficou olhando o moreno sair do quarto. A expressão preocupada foi substituída por uma confusa. "Mas que merda toda foi essa?", era a pergunta que passava pela mente jovem, e para a qual ainda não tinha resposta.

HxD-UxA

– Isso não ta bom! – Aoi exclamou enquanto afastava a vasilha com lamen pra longe de si, o rosto bonito se contorcendo numa careta de asco.

– Está ótimo... – Uruha garantiu ao terminar de engolir um pouco do café da manhã. Os guitarristas já estavam arrumados, praticamente prontos pra encontrar o resto da banda e sair em turnê.

Ao invés de responder o moreno fez um barulho estranho com a garganta e levantou-se de um pulo, jogando a cadeira longe. Disparou para fora da cozinha, largando pra trás um abismado Takashima.

– Aoi!

Ergueu-se e foi atrás do mais velho, deixando a urgência guiar seus passos. Viu, através da porta da suíte aberta, o amante jogar-se de joelhos no chão e apoiar as duas mãos no assoalho para botar pra fora todo o café da manhã que não tinha ingerido.

Kouyou ajoelhou-se ao lado do mais velho, tocando-lhe as costas com a mão de maneira preocupada. Sentiu o corpo magro se contorcer com espasmos quase doloridos, quando Aoi não tinha nada além de bile para vomitar.

–Yuu... céus, o que foi?

O moreno sentou-se no chão frio e puxou um pedaço de papel higiênico para limpar os lábios sem cor alguma, assim como a face lívida.

– Eu... eu to bem. Só um pouco enjoado.

– Merda, Yuu. Só um pouco enjoado? Você quase botou seu estomago pra fora! Desde quando está sentindo isso?

– Desde agora. – o moreno respondeu meio fraco, o corpo se arrepiou por calafrios quando nova ânsia o fez encolher-se. Diante do olhar desconfiado garantiu: – É sério.

– Vamos ao médico. – Takashima decretou com firmeza.

– Não seja bobo, Kouyou. Temos uma hora pra chegar ao estúdio e sair em turnê. Depois que acabar eu procuro um médico.

– Dane-se a turnê, Aoi! – Uruha perdeu a compostura – Dane-se tudo! Você quer mesmo ganhar uma úlcera nervosa? Não vou deixar! Vamos ao médico agora e a porra da turnê que espere!

As palavras exaltadas do loiro tiveram o dom de fazer Aoi calar-se meio assustado. De onde saíra aquele lado quase obscuro de Kouyou? Ainda sem ação, Yuu deixou-se levantar do chão pelo braço, como se fosse uma criancinha, e ser puxado para fora do quarto e em direção a porta do apartamento.

Takashima foi tirando o celular do bolso, pronto para discar para Kai e avisar que se atrasariam. Largou o amante apenas na frente da porta, quando usou a mão que o puxava para segurar na maçaneta e abri-la.

– Alô? Kai? É o Kouyou. Eu queria avisar que...

Ficou mudo de repente. Assim que abrira a porta dera de cara com dois sujeitos estranhos, que nunca vira na vida, mas que evidentemente eram estrangeiros. Um era loiro, de aparência quase aristocrática, tinha olhos cinzentos e praticamente a altura de Uruha. O outro era moreno, dono de olhos verdes marcantes, protegidos por óculos de aros arredondados, os cabelos escuros apontavam bagunçados para várias direções. Ele tinha, no mínimo, um e oitenta de altura.

Ambos, que pareciam conversar sobre alguma coisa, se calaram e encararam os japoneses. Então o loiro desconhecido sorriu torto e disse as malditas palavras que fariam as vidas de Takashima Kouyou e Shiroyama Yuu virarem de cabeça para baixo.

HxD-UxA

O som da aparatação foi quase inaudível, soando baixo no hall de entrada da casa do guitarrista Muggle de apelido Aoi. Como tanto Harry quanto Draco conheciam bem o local e sabiam que não havia nenhum tipo de proteção, podiam desaparatar da estação do Expresso e aparatar direto ali, sem medo.

Os planos dos bruxos eram de aproximar dos rapazes antes de três meses, mas a correria do dia a dia e as obrigações que tinham acabaram atrasando-os além da conta. Quando deram por si as doze semanas haviam virado quase quinze. Por pouco não perdiam o prazo crucial.

Draco conseguira uma licença em Hogwarts, desde que arranjasse outra pessoa para ministrar Feitiços Modernos em seu lugar. Isso não fora problema algum, afinal, sabia que Remus Lupin estava desempregado. Severus tinha argumentos persuasivos para convencer o lobisomen a voltar a lecionar no Colégio de Magia. Depois da Guerra e dos boatos a respeito da Ordem da Fenix se espalharem, os bruxos estavam muito mais tolerantes com o homem, e ele foi aceito sem grandes obstáculos.

Harry, por outro lado, não conseguira se afastar do cargo de Auror. Deixara as duas missões que eram sua responsabilidade aos cuidados de Longbottom, o parceiro no trabalho. Mas quando o outro bruxo precisasse, Harry teria que ir em seu socorro. Sorte que eram missões nada perigosas, e estavam no início das investigações.

– E agora...? – Harry perguntou tentando colocar os cabelos no lugar.

– Boa pergunta. – Draco respondeu – Podemos usar outro Relaxo e levá-lo para a Ala Hospitalar. Dessa vez Madame Pomfrey vai conseguir saber alguma coisa com certeza. Se a gente marca "sim" ou "não" nessa merda.

Potter sorriu da piadinha sem graça do amante. Usar o feitiço do sono outra vez era uma ótima idéia. Nada perigoso ou que levantasse suspeitas.

– Concordo. Melhor que um Estupore.

O Slytherin deu de ombros e sorriu torto:

– A gente só não pode chegar falando "Oi, somos dois bruxos e viemos dizer que você está grávido.".

– É. – o moreno respirou fundo – Com certeza não. Vamos logo...

Foi naquele momento que a porta se abriu, assustando os bruxos. Imediatamente cortaram o assunto e viraram-se para a entrada do apartamento, dando-se de cara com o japonês loiro chamado Takashima, que tinha as belas feições dominadas pela preocupação e segurava um aparelho (que Harry reconheceu sendo um celular) nas mãos e falava com o treco (Draco achou bem estranho, obrigado). Do lado dele estava Shiroyama, com uma aparência terrível, olhos fundos e pele pálida. Parecia passar mal.

O clima pesou por brevíssimos milésimos de segundos. Até Draco Malfoy torcer os lábios num sorriso enviesado e largar a bomba em forma de palavras:

– Oi. Somos dois bruxos e viemos dizer que o seu namorado está grávido.

O silêncio que se seguiu foi pior que a explosão de uma ogiva nuclear. Ou de um Avada Kedavra bem no meio dos olhos, segundo a modesta opinião de Harry Potter.

Continua...

03/04/2010