Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo VIII
...Recusando o País das Maravilhas
– Está melhor agora, Yuu?
Uruha perguntou preocupado. Estava sentado na mesa da cozinha, ao lado do namorado, alisando-lhe as costas enquanto Shiroyama parecia se recuperar aos poucos, apesar de ainda estar pálido, com os olhos fundos.
– Hn. Me sinto melhor. – afirmou.
– Ótimo. – a voz petulante de Malfoy ecoou na cozinha. O rapaz de olhos cinzentos analisava os itens modernos da cozinha dos músicos, encantado por cada bugiganga desconhecida que admirava. – Não temos tempo a perder.
– Que porra. – Uruha perdeu a compostura – Vocês invadem a casa de Yuu, explodem coisas, dizem que são "bruxos", que ele tomou uma droga qualquer e engravidou. Agora quer reclamar que não tem "tempo a perder"?
O desabafo não assustou Malfoy:
– É, idiota. Caso não tenha percebido é o seu namorado que bebeu a minha poção. O seu namorado Muggle retardado que não tem magia alguma e não sabe merda nenhuma de nada. Mas a responsabilidade é noss... Minha! E eu quero que ele não morra durante o processo, porque Askaban não parece ser muito agradável no inverno. Ou em qualquer época do ano.
O guitarrista piscou confuso, fazendo Potter acudi-lo:
– Muggle é o termo para os que não possuem magia. Askaban é a prisão bruxa mais terrível que existe. E tem grandes chances de irmos passar uma temporada por lá. Você sabe, interferir com o mundo de vocês e alterar a ordem natural da vida é um crime muito grave.
Mas Uruha não prestou atenção em nada do que o Garoto Que Venceu falou:
– Morrer... Você não quer que Yuu morra? – indagou chocado. Aquilo soava como uma ameaça.
– Hn. Sentimos muito por meter vocês nessa. Não foi nossa intenção em momento algum. – Harry continuou pacificador – Mas homens não podem engravidar, o nosso corpo não é apropriado. Por isso a Poção do Bom Parto age preparando para que a gestação seja segura e saudável.
– Teoricamente ela funciona bem por se entrelaçar com a magia natural do bruxo que a bebe. Ela é perfeita, maravilhosa e rara. – Draco soou inconformado. Logo o tom arrastado voltou a sua voz – Só não sabemos como vai ser com um Muggle.
Tanto ele quanto Harry tinham procurado todas as informações possíveis a respeito da Poção do Bom Parto. Adquiriram conhecimento suficiente para publicar, talvez, um novo livro. Infelizmente não podiam aplicar aquilo a uma pessoa sem magia.
– Por favor. – Potter chamou a atenção dos japoneses – Venham para a Inglaterra com a gente. Vocês vão se convencer de que falamos a verdade e que é o mais seguro para Shiroyama.
– Inglaterra! – Kouyou soou horrorizado. Parecia tão longe.
– Não podemos. Temos uma turnê. – Aoi revelou fraquinho.
– Turnê? – Draco cruzou os braços, parando de admirar as invenções Muggle (principalmente do tal celular, que Harry tinha concertado) e voltando a se concentrar na conversa.
– Temos que estar em Hokkaido essa noite. Kai nos mata... Os fãs... – o moreno passou a mão pelos fios. Não sabia o que era pior: cogitar acreditar no absurdo que os estrangeiros falavam ou pensar em ir para tão longe.
– Tem um expresso saindo direto de lá, não tem? – Potter perguntou para Malfoy.
– Sim. Podemos usar rede a de Flu do Varinha de Marmelo para ir a Hokkaido e usar a estação de lá. É mais rápido que o trem que sai daqui de Tokyo. Eles alugam Trestálios também... Potter, seria melhor, um pouco perigoso, mas bem rápido.
– Trestálios...
Então Draco voltou-se para os japoneses, porém ao começar a falar tinha os olhos presos em Takashima:
– Vocês perceberam que não planejamos causar mal. Somos bruxos e por nossa culpa ele bebeu a Poção do Bom Parto. Só queremos resolver isso logo de uma vez. Se vierem com a gente agora, podemos trazê-los de volta antes dessa "turnê" começar. Cada segundo pode ser vital para a segurança do seu namorado e do bebê que talvez ele carregue.
O tom sério deu a Uruha a impressão de que os dois ingleses realmente acreditavam em toda aquela conversa. Mas ele estava farto de ter que ouvir absurdos sobre poções. E o pior: homens engravidando. Ele não aceitaria que brincassem mais com ele ou com o namorado:
– Não querem nos fazer mal. Então... – hesitou – Se pedirmos pra irem embora e nos deixar em paz farão isso?
Draco praguejou surpreso, porém Harry fez um gesto com a mão impedindo-o de falar, fazendo isso no lugar do marido:
– Sim. Iremos embora.
– Potter...
– Draco, respeite a decisão deles. São Muggles, não podem acreditar em duendes tão fácil assim. – enquanto falava, O Garoto Que Venceu colocou a mão no bolso e tirou uma moeda estrangeira. Aproximou-se de Uruha e lhe entregou o objeto. – Estaremos por perto, Takashima. Caso precise de nós basta esfregar isso. Ela vai esquentar e nós viremos imediatamente, entendeu?
O guitarrista loiro vacilou breves segundos antes de aceitar a oferta. Se precisava daquilo para que os "bruxos" fossem embora, então concluía que era um preço bem pequeno.
– Não creio precisar usar isso... – o guitarrista caçula largou a moeda sobre a mesa. Harry respirou fundo e, finalmente, o sorriso deixou os lábios fartos:
– Kouyou, – não se preocupou em ser formal – nós lutamos muito pra ter essa poção. Sonhamos com uma criança há mais de cinco anos. Pena que perdemos a chance. Agora vocês têm a oportunidade... é sua responsabilidade e de Shiroyama. Por favor... Não deixem que aconteça nada com esse bebê.
E dizendo isso desviou os olhos tristes para Draco. Ambos desaparataram sem dizer mais nada, desaparecendo diante dos dois japoneses estarrecidos.
Durante longos e tensos segundos nem Uruha nem Aoi disseram nada. Até o moreno quebrar o silêncio:
– Acho que estou enlouquecendo, Uru...
O loiro engoliu em seco, meneando a cabeça. Então, por puro instinto, moveu a mão e recolheu a moeda entre os dedos longos. Não, ele não acreditava em nada daquela história bizarra. Na verdade achava que compartilhara da alucinação de Aoi e convenceu-se de que era fruto do estresse e pressão da nova fase que a carreira da banda seguia.
Mas, por mais que acreditasse naquilo, não havia problema algum em manter a moeda consigo. Havia...?
HxD – UxA
– Puta que pariu! Pensei que tinha acontecido alguma coisa! – bufou – E você desligou o celular na minha cara!
Aoi e Uruha eram sábios o bastante para não interromper a explosão do líder do the GazettE. Se Kai, normalmente era gentil e educado, quando se irritava o homem parecia ser dominado por outra personalidade. Ou um alter ego.
Ele ficara tão irritado com o atraso dos dois guitarristas que não conseguira conter a bronca. Se tivessem se atrasado mais não chegariam a tempo de realizar o primeiro live da Black SHIVER'n Stone, a nova turnê da banda.
– A-aconteceu, Kai chan. – Uruha tentou imaginar um jeito de explicar a "alucinação" que tiveram pela manhã. Qual seria a reação de Yutaka ao ouvir algo tipo "Você sabe, ridaa. Dois caras muito simpáticos vieram nos visitar hoje cedo. Eles são bruxos e deram a maravilhosa notícia que o Yuu ta grávido. Não é lindo? Nos atrasamos escolhendo nomes pro nosso bebê..."
No mínimo Kai mandaria suspender a SHIVER e internaria os guitarristas, doidos de pedra. Felizmente Aoi veio em socorro do amante:
– Sinto muito, Kai. Eu não acordei muito bem hoje...
O baterista analisou o moreno a sua frente. O rosto pálido e desanimado, somado aos olhos fundos e sem brilho foram argumentos fortes para ajudar Yutaka a se acalmar:
– Você não parece legal, Yuu.
– Já me sinto melhor. Desculpa o transtorno.
Visivelmente mais calmo e preocupado, o líder da banda balançou a cabeça:
– Yuu, a sua saúde é importante. Não precisa pedir desculpas por isso. Tem certeza de que melhorou?
– Hn. – o guitarrista tentou soar mais animado – Se eu sentir mais alguma coisa aviso. Agora to bem.
O moreninho ainda analisou a face do mais velho por alguns segundos antes de se dar por satisfeito:
– Certo. Mas nada de exageros essa noite. Não quero um dos meus guitarristas desmaiando de exaustão. Se você não estiver bem a gente coloca um dos roadies no apoio, e você não se esforça, ta?
Shiroyama assentiu feliz com a preocupação do mais novo.
– Obrigado.
– Vamos. O ônibus está pronto para sair. Só esperávamos vocês.
Dizendo isso Yutaka tomou a frente e saiu em direção ao resto da equipe. Aoi sorriu para Uruha, antes de seguir o líder do GazettE. Takashima passou a mãos pelos cabelos e também avançou. Tinha a mente dominada por pensamentos preocupados e, no fundo do bolso do casaco, o peso imensurável de levar aquela maldita moeda.
Continua...
18/10/2010
Nota por Felton Blackthorn
Minha intenção era levar os guitarristas para a Inglaterra antes do live, mas a Kaline deu a idéia de fazermos ao contrário. Acho que foi uma mudança e tanto, porque alterou a atitude dos japoneses de acreditar fácil para simplesmente não acreditar. Vamos ver se foi uma mudança boa ou não.
