Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XIX
A única opção
A viagem foi tranqüila, apesar de cansativa. Uruha e Aoi sentaram-se afastados, no fundo do ônibus, porém o ocorrido pela manhã pareceu ter se tornado um tabu: nenhum dos dois mencionou uma única palavra a respeito.
Chegaram ao extremo do país com tempo suficiente para um descanso antes da vistoria do local do show, onde repassariam algumas coisas e se preparariam.
A fila de fãs já estava formada e era longa. As garotas acenaram eufóricas quando viram os ídolos chegando. E a empolgação não diminuiu durante o resto da espera, estendendo-se ao live que foi vibrante, empolgado, perfeito.
Yuu, parecia ter se recuperado por completo, e mostrava-se ótimo com ajuda da maquiagem para disfarçar o rosto meio abatido. Sua performance no palco foi como sempre, o fanservice levou a platéia a loucura, ainda mais por que Uruha parecia ter assumido um papel novo, que volta e meia o levava para perto do moreno.
Os expectadores não podiam ver os olhares de preocupação que o loiro trocava com seu amante. Ele necessitava ter a certeza que Aoi estava mesmo bem. Não queria vê-lo em uma situação ruim outra vez.
Superando as expectativas o início da nova turnê foi um sucesso estrondoso, como noticiaram as mídias especializadas em Visual Kei logo na manhã seguinte.
HxD – UxA
Depois do live a banda se recolheu para o hotel. Os cinco precisavam descansar antes de sair cedo no outro dia. A próxima parada seria em Sapporo. Fariam o norte antes de retornar para Tokyo e encerrar a Black SHIVER'n Stone, passando por Aomori, Akita e Sendai. O próximo passo seria ir a Hiroshima e completar lado oposto com o Side oBscure da SHIVE, marcando presença em Kyoto, Osaka e Nagoya.
Estava tudo perfeitamente calculado e cronometrado como em todas as turnês nacionais da banda. Nenhum imprevisto poderia estragar tudo que fora milimetricamente planejado pelo líder e baterista do the GazettE.
Infelizmente, como Kai iria descobrir, algumas coisas eram impossíveis de serem previstas.
Os cinco se reuniram para tomar café no restaurante muito cedo, o clima era animado, mesmo entre Aoi e Uruha, depois de tudo o que tinham passado.
Foi quando a primeira refeição do dia chegou que a expressão de Yuu ao sentir o aroma fechou-se. Ele pediu licença, afirmando que estava sem fome, e saiu da mesa. A atitude causou estranheza nos outros músicos, mas quase desesperou Uruha. O loiro apenas levantou-se e seguiu o amante, indo encontrá-lo trancado no banheiro do quarto que dividiram.
Takashima não precisava ser um gênio para desvendar os sons que vinham de lá de dentro. O moreno estava vomitando.
HxD – UxA
Depois disso o clima ficou um tanto estranho. Já não era mais segredo que o guitarrista moreno talvez estivesse doente, isso era visível em sua face. Diante das perguntas Yuu teve que assumir os enjôos que sentia, como aquilo podia ser um problema de estomago causado pelo estresse.
E, de todos, Kai era o mais preocupado. Sentia certa responsabilidade sobre os integrantes de sua banda.
A preocupação do moreninho ganhou uma desconfiança sinistra conforme a viagem no ônibus da turnê prosseguia rumo a Sapporo.
Aoi tinha se recuperado visivelmente, sem notar os olhares estranhos sobre sua pessoa. Sobretudo durante a rápida parada para o almoço, quando Shiroyama se alimentara absurdamente bem, comendo rapidamente o dobro do normal, talvez tentando repor o perdido pela manhã.
Assim que voltaram ao ônibus, Kai esperou que a sonolência natural tomasse conta de todos, então se aproximou de Uruha e com uma desculpa qualquer o puxou para o outro lado do ônibus, longe dos demais.
– Ne... Estou ficando preocupado com Yuu. – o líder foi logo falando.
– Eu também. – o loiro revelou sentindo os ombros pesarem.
– Uruha... – o tom sério chamou a atenção do guitarrista – Você notou o que aconteceu hoje?
– Os enjôos? – o mais alto ficou confuso.
– Não apenas isso. Ele vomitou pela manhã e comeu muito agora no almoço... E Aoi está bem magro...
– Onde quer chegar, Kai?
– Bulimia. – o moreno foi direto.
A palavra fez o estomago de Kouyou se contrair. Bulimia? Não queria acrescentar a possibilidade daquele distúrbio alimentar à sua lista. E não iria. Suspirando, colocou uma mão sobre o ombro do companheiro:
– Obrigado, Yutaka. – sorriu – Yuu não está provocando vômito em si mesmo. Eu já vi acontecer no apartamento dele. É algo que não pode controlar.
O rosto de Kai se desanuviou de uma forma impressionante:
– Tem certeza?
– Hn. Ele não sofre de bulimia, disso tenho certeza. Muito obrigado por se preocupar.
– Faça com que ele procure um médico em Sapporo. Pra tranqüilizar a todos nós.
O loiro concordou com um aceno de cabeça. Sem dizer mais nada voltou ao fundo do veículo onde o moreno continuava acomodado no banco reclinado, observando a paisagem lá fora de modo pensativo.
– Tudo bem, Yuu-chan?
O moreno encolheu-se um pouco ao som daquelas palavras. Pareceu incomodado e isso quase causou pânico no caçula.
– Yuu? – Uruha insistiu – Você está sentindo alguma coisa? Por favor, me diz.
O guitarrista moreno afastou-se do amante, chegando o mais próximo possível da parede do ônibus. Ainda silencioso ergueu a mão e começou a desenhar no vidro da janela com a pontinha do dedo indicador.
– Não é nada. – afirmou sem convicção.
– Aoi. – o loiro não reconheceu aquele rapaz parado a sua frente. Porque ele estava hesitando? Era visível seu incomodo. – Confia em mim.
– Você vai me odiar. – o mais velho afirmou com uma certeza assustadora.
– Eu amo você, Yuu chan. Nunca vou odiá-lo.
Ainda evitando encarar o amante, Shiroyama murmurou:
– Então vai me achar estranho...
Kouyou inclinou a cabeça pelo lado. Por um segundo a preocupação cedeu espaço à curiosidade. Aoi não estava se sentindo mal, fato. Ou teria corrido para o banheiro (ou vomitado ali mesmo). Ainda assim não compreendia a atitude arredia:
– Não vou achar você estranho! Não mais do que já acho... – e riu descontraindo-se.
O outro se voltou fingindo revolta:
– Ei! Você tem que me achar gostoso, não estranho.
– Gostoso eu já acho... – Uruha sussurrou olhando longamente nos olhos negros. Os lábios se alargaram num sorriso impossível de ser catalogado, de tão sedutor. Aoi retribuiu com um idêntico, em seguida provocou:
– Adoro quando sorri assim. Cheio de quintas intenções.
A risada cristalina de Kouyou soou mais alta do que recomendado pela descrição, mas o guitarrista não se importou. Sentiu-se leve como há muito tempo não se sentia:
– Deixando de lado minhas quintas intenções, me diz o que tá te incomodando.
Aoi desviou os olhos e começou a brincar com os dedos. O sorriu esmaeceu até que a expressão ficou séria, sombria:
– Não é nada demais... Só... Me... Deu vontade de comer uma coisa. Só isso... – revelou hesitante.
Takashima usou toda sua força de vontade para manter o sorriso no rosto, independente do sangue gelar nas veias e do coração disparar num galope furioso:
– Vontade? – questionou em voz macia – De que?
Parecia a deixa que Shiroyama esperava. Os olhos escuros brilharam intensamente e ele sorriu animado:
– Takoyaki de brócolis. E raspadinha de cenoura com laranja!
Foi demais para o loiro. Nem todo amor do mundo seria suficiente para manter o sorriso nos belos lábios:
– Takoyaki de brócolis? – nunca tinha ouvido falar que existisse algo assim. – Raspadinha de cenoura com laranja?
– Hn! – Yuu respondeu com os olhos fechados. Ele suspirou como se já estivesse sentindo o gosto daquilo em sua boca – Acho que vou morrer se não comer. Será que o Kai pararia o ônibus agora?
– Acho que não. A gente acabou de almoçar, Yuu. E takoyaki de brócolis não é algo que a gente encontre assim, em beira de estrada
Novamente o moreno ficou na defensiva:
– Desculpa. Me deu fome.
Sentindo-se derrotado pelo olhar suplicante, Uruha cedeu:
– Vou pedir pra ele parar assim que possível, ta bom?
Yuu concordou com um aceno de cabeça sentindo-se agradecido e acomodou-se melhor aproximando-se do amante. O contato querido foi bem vindo pra ambos, e, sem que pudessem evitar acabaram adormecendo.
HxD – UxA
Kai amarrou o roupão com força, puxando o cinto para fazer um nó. Era noite avançada, estava no próprio quarto de hotel, depois de mais um live bem sucedido. Sapporo tinha tremido aos pés do the GazettE.
Poucas coisas haviam saído do planejado. Por exemplo, Aoi não fazer nenhum fanservice com Uruha e afastar-se do loiro toda vez que ele investia. Os fãs não haviam se frustrado por isso, já que Reita acabara requisitando o papel para si, interagindo magnificamente com Kouyou.
Kouyou, aliás, que estava parado na porta do líder da banda. O rapaz tinha uma expressão cansada e desanimada, pose reforçada pelos ombros caídos, como se ele tivesse saído derrotado de uma batalha:
– Boa noite, Kai-chan.
– Boa noite... – o moreninho respondeu surpreso.
– Aoi não ta falando comigo. – revelou em tom baixo – Eu... Prometi que ia te pedir pra parar o ônibus, mas a gente dormiu e eu esqueci.
– Kou...? – Yutaka não compreendeu.
Então o guitarrista levantou a mão e mostrou duas sacolas plásticas:
– Kai-chan, você pode me fazer um favor? Eu pedi para o restaurante do hotel, mas eles não atendem pedidos fora do menu durante a noite.
O líder deu espaço para que seu companheiro entrasse, porém Takashima recusou:
– Preciso voltar para o quarto. Ele não ta falando comigo, mas eu não posso deixá-lo sozinho.
– O que você quer? – Yutaka não segurou a curiosidade.
– É que o Yuu ta com vontade de comer takoyaki de brócolis. Você prepara isso pra ele?
O pedido não podia deixar Kai mais surpreendido:
– O que? Preparar? Mas... No quarto nem tem cozinha!
Takashima estendeu as sacolas para Kai:
– Por favor, por favor, Kai-chan. Eu compro um fogão portátil. Juro que já vasculhei as redondezas e não encontrei nenhuma loja que preparasse isso. Por favor...
– Kouyou. – Kai tentou descontrair. – Aoi com desejos estranhos? E enjôos? Olha que eu vou achar que ele engravidou...
– Não é? – o guitarrista forçou um sorriso.
– Sinto muito, Uru. – o moreno balançou a cabeça. – Os desejos de Yuu vão ter que esperar até amanhã. Tenho certeza que o restaurante dá um jeito nisso. Não vou correr o risco de cozinhar no quarto e ser expulso. Se eu puder ajudar de outra forma...
O loiro puxou as sacolas de volta e abaixou a cabeça:
– Não. Deixa pra lá. Obrigado, Kai-chan.
Virou as costas para se afastar. Yutaka ainda pensou em dizer alguma coisa, mas mudou de idéia. Enquanto as brigas do casal não atrapalhassem a banda, ou não causassem sofrimento maior, ele não interferiria. Desentendimentos faziam parte dos relacionamentos, e era obvio que os guitarristas tinham um (fosse relacionamento – ou desentendimento).
Uruha ouviu a porta se fechando devagar e suspirou. A coisa não estava nada boa entre ele e Aoi. Nunca, nem em seus piores pesadelos, ia imaginar o moreno explodindo de forma tão intensa por um motivo bobo.
Maldito desejo idiota! Malditos enjoos! E malditas variações de humor que...
O loiro parou com o dedo próximo ao botão do elevador. Ele estava hospedado no andar imediatamente acima do de Yutaka e Reita.
Analisou friamente a seqüência de pensamentos que invadira sua mente. Certo, ele se sentia impotente e incapaz de levar aquilo adiante. Precisava desabafar com alguém. Por momentos pensou em voltar atrás e confessar tudo ao líder da banda. Kai entenderia.
Não... Kai não entenderia.
Ninguém no mundo entenderia. Ninguém a não ser...
Antes de qualquer pensamento racional, Takashima abaixou a mão e a enfiou no bolso do casaco. Mal se deu conta de que esfregava a moeda furiosamente. A moeda que não abandonara em momento algum. No fundo não acreditava que fosse funcionar. Era apenas uma forma de aliviar o estresse, antes que acabasse surtando e entrando na neurose com Yuu.
Mas o guitarrista ainda esfregava a moeda quando dois sons suaves, quase simultâneos, ressoaram no corredor. Assustado virou-se lentamente, pronto para enfrentar o que quer que fosse aquilo. No entanto, tudo o que pôde fazer, foi arregalar os olhos e engolir em seco.
"Muito bem, Alice", ele pensou "Talvez seja hora de seguir o coelho"...
Estava frente a frente com os desconhecidos que se intitulavam bruxos: Harry Potter e Draco Malfoy.
Continua...
24/10/2010
Nota por Felton Blackthorn
Esse capítulo ficou sob minha responsabilidade. Só me senti a vontade para escrever o último parágrafo.
