Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXI
Hogwarts: o lugar das maravilhas
A viagem foi tranqüila, na medida do possível, de acordo com a modesta opinião de Uruha, desacostumado a fazer uso de carruagens controladas por monstros invisíveis a olhos inexperientes à morte.
Aoi relaxou conforme ia adquirindo a certeza de que aqueles monstros cadavéricos não iam se revoltar e tentar atacá-los. Os Trestálios eram mais confiáveis do que a aparência demonstrava.
Harry e Draco pareciam preocupados com o japonês moreno, afinal ele estava numa condição que exigia cuidados e voando de forma pouco instável.
A certo ponto da viagem Kouyou acabou cedendo ao cansaço, recostando-se em Yuu e adormecendo profundamente. O moreno inclinou a cabeça tentando observar a face calma do seu namorado. Sorriu diante da visão. Então suspirou e desviou os olhos:
– Isso é um delírio? – falou em tom baixo.
– Hn? – Harry fitou o japonês.
– O que está acontecendo com a gente. Não parece um sonho, sabe? É lógico demais. Queria saber se é um delírio, se estou ficando louco...
Potter sorriu:
– Você não está enlouquecendo. E isso não é uma ilusão coletiva.
– Então tenho que acreditar que magia existe e que eu... Posso estar...
O Garoto Que Venceu recostou-se no banco. Mirou Draco de relance percebendo que o loiro parecia estar cochilando também:
– Eu fui criado entre os Muggles. Tive contato com o mundo bruxo quando fiz onze anos, mas só abandonei os não-mágicos quando alcancei a maioridade. E isso faz algum tempo já. Por isso esqueci...
Aoi aguardou que o rapaz inglês continuasse a revelação, porém Potter apenas manteve os olhos verdes fixos na janelinha, perdidos na imensidão negra da noite ventosa.
Diante disso o japonês não viu alternativa a não ser indagar:
– Esqueceu...?
Harry sorriu sem encarar o outro:
– Esqueci. Como é viver sem magia, sem acreditar em coisas que parecem impossíveis. Viver de forma cética e racional, preso por leis que só podem ser provadas através de uma fórmula cientifica.
Foi a vez de Aoi ajeitar-se, percebendo vagamente a cabeça de Kouyou acompanhá-lo na ação, mantendo-se acomodado. O guitarrista mais velho mordeu os lábios antes de defender-se:
– Esse é o meu... Mundo. – hesitou um pouco ao referir-se assim a realidade que vivia – Nunca conheci outra forma de encarar a vida.
– Você nunca acreditou em algo que não pudesse ser provado pela física? Não houve um momento em que a fantasia era tudo que acreditava?
– Claro. – Shiroyama riu baixo – Mas até eu fazer uns seis anos. Então descobri que Momotaro não existe de verdade e youkais são legais em mangas. E em animes.
– Eu não sei como é. – a voz arrastada e arrogante roubou a deixa no exato momento em que Harry ia rebater. Tanto ele quanto Aoi fitaram o loiro que parecia adormecido até então, mas pelo visto estivera apenas de olhos fechados. Mantendo a mesma posição, Draco continuou. – Viver sem acreditar. Eu sou Puro Sangue, nasci no meio da magia mais elementar. Não posso aceitar outro modo de viver. Nunca. Por isso não compreendo os Muggles.
– Um dia vocês acreditaram em magia. – o Gryffindor afirmou manso. – Mas caçaram bruxos como se fossem enviados do mal. Então não deve ser tão difícil voltar a acreditar.
Shiroyama olhou de um para outro. Sua atenção foi roubada por Malfoy. O rapaz abriu os olhos cinzentos enquanto sacava a varinha e apontava para os japoneses:
– Estamos chegando. Nudare Inglês. – atingiu os rapazes com o feitiço – Assim vocês vão entender quando falarmos em inglês. – em seguida apontou a varinha para si mesmo e Harry – É assim que falamos em japonês. Finite Incantatem.
Só então o guitarrista entendeu por que esse tempo todo estiveram conversando em sua língua materna. E os bruxos não tinham nem mesmo um sotaque para estragar a perfeição da pronúncia. Magia era a explicação para aquilo.
U x A – H x D
– Veja, é Hogwarts. – Harry anunciou.
Imediatamente Aoi observou pela janelinha e a visão roubou-lhe o fôlego. Tanto que teve que despertar o amante para que ele pudesse admirar o castelo que se revelava aos olhos surpresos dos japoneses. Eram tantas torres, tantas pequenas janelas, um quadro que parecia roubado da idade média européia.
O castelo era rodeado por campos de grama verde e macia, no auge da primavera que se aproximava. Havia ainda uma floresta um tanto sombria e um grande lago a se perder de vista. Era tão lindo, que Yuu desejou ter trazido sua câmera.
Suavemente, os Trestálios foram diminuindo e planando até pousar suavemente no chão.
– Vamos. – Potter moveu o pescoço dolorido – Madame Pomfrey já deve estar em seu posto. Eu mandei uma mensagem avisando que viríamos.
Yuu e Kouyou se fitaram antes de sair da carruagem. A alvorada se aproximava, a viagem de muitas horas fora feita em menos da metade do tempo (se é que estavam mesmo em Londres). Dessa forma voltariam muito antes da hora do live.
Nesse momento Yuu se recriminou um pouco. Devia ter deixado um bilhete para Yutaka. Ele ficaria preocupado quando acordasse e não encontrasse os dois guitarristas da banda. Pensando bem, Yutaka ia ter um surto psicótico.
– Ah! – o rapaz exclamou – Potter-san, poderia me emprestar um telefone para que eu fale com o líder da nossa banda? Acho que devia dar um recado a ele...
– Hogwarts tem muitas corujas disponíveis. Vou tentar lhe arrumar uma.
Uruha tentou não pensar na reação de Kai ao receber uma... Coruja de mensagem...
U x A – H x D
O espanto dos japoneses continuou ao atravessarem o enorme salão principal do colégio que mais parecia um castelo. Imagine isso cheio de alunos, Malfoy dissera ao perceber o espanto dos visitantes. Eram tantas coisas para se ver (inclusive um fantasma quase sem cabeça que deixou Uruha sutilmente chocado), apesar de não estarem ali para fazer turismo.
Em pouco tempo adentravam a Ala Hospitalar. Duas senhoras já esperavam por eles, uma devidamente vestida de branco, baixinha e enérgica. A outra mais alta, vestida sobriamente e com um aspecto geral de severidade que intimidou os japoneses.
– Madame Pomfrey, Diretora MacGonagall. Esses são Shiroyama Yuu e Takashima Kouyou. – Harry cuidou das apresentações.
– É um prazer conhecê-los. – Minerva adiantou-se – Espero que os transtornos causados sejam os mínimos possíveis. E que a estadia dos senhores em Hogwarts seja agradável.
– Obrigado. – responderam os dois juntos.
– Bem vindo de volta. – Pomfrey sorriu para Yuu – Apesar de na sua primeira visita o senhor Shiroyama estar desacordado.
O moreno ficou confuso com a informação nova. Olhou para o namorado, mas Uruha apenas deu de ombros. O caçula estava fascinado com a facilidade para compreender inglês, habilidade recentemente adquirida graças a magia.
– Creio ser melhor apressar os exames, não concorda Papoula? – MacGonagall comandou a ação, antes de virar-se para Draco e orientar – Entre em contato com o Ministério, Professor Malfoy. Hermione Weasley parecia ter algo importante pra dizer.
– Farei isso.
– E eu mostrarei o corujal para Takashima. Ele precisa avisar seus amigos dos imprevistos. – Potter ajeitou os óculos na ponta do nariz. – Acha que esses testes vão demorar muito, Madame Pomfrey?
– Duas horas no máximo. – a velha senhora respondeu.
– Então nos encontramos aqui. – Draco concluiu. – Vou dizer para Weasley vir também. Assim ela diz tudo de uma vez. – e o Slytherin se referia a uma possível punição que fossem sofrer por violar incontáveis leis de proteção aos não bruxos.
Uruha e Aoi se entreolharam. Nenhum dos dois estava confortável para a breve separação. Mas aquelas pareciam boas pessoas, então deviam arriscar.
– Se cuida, Yuu-chan. – o guitarrista loiro pediu, em forma de despedida.
– Você também. – foi a resposta do mais velho.
Eles trocaram um último olhar antes que Shiroyama seguisse a bruxa de branco para a Ala de Isolamento da enfermaria e Takashima acompanhasse Harry rumou ao tal corujal. Draco enfiou as mãos nos bolsos da capa e suspirou profundamente.
– Não se preocupe, Professor Malfoy. – Minerva falou de forma suave – Você é um bom docente. Tentaremos manter seu lugar em Hogwarts, aconteça o que acontecer.
O loiro não respondeu, mas ambos os bruxos sabiam o quanto aquelas palavras eram tranqüilizadoras. Uma temporada em Azkaban, por mais rápida que fosse, podia acabar com a carreira de qualquer pessoa. Garantias nunca eram demais...
U x A – H x D
Uruha ficou literalmente sem ar. Os olhos arregalados perderam-se na imensidão das terras de Hogwarts, logo que chegaram no tal corujal.
– É lindo. – sussurrou trazendo um sorriso aos lábios de Harry.
– É muito bonito. E quando está cheio de alunos fica mais incrível ainda. – ele relembrou seus tempos de aluno, os momentos mais inesquecíveis eram quando o céu estava pontilhado de vassouras, seus guias prontos para o treino de Quiddich. – Mas amanhã é domingo de Hogsmead. Ficarão apenas os Primeiro e Segundanistas.
Kouyou não entendeu a frase, mas estava hipnotizado pela visão do sol nascendo no horizonte. Parecia um cenário de contos de fada.
Respeitando o silêncio do loiro, Potter virou-se para dentro do corujal e observou as corujas encarangadas nos poleiros, todas bem despertas e prestando atenção no Garoto Que Venceu, mais do que dispostas a sair em missão.
Harry observou uma por uma até perceber uma parda, grande e forte, com bico grosso e olhar arguto.
– Você consegue fazer isso, não consegue?
Em resposta a ave saltou até seu ombro. O barulho do vôo despertou Takashima. Ele deu alguns passos até aproximar-se do bruxo:
– Tem certeza de que... É certo fazer essa coruja voar até o Japão? Eu já ouvi falar em pombos correio, mas...
– Não se preocupe. Essas corujas são mágicas. Elas têm resistência para vencer qualquer distância e encontrar uma pessoa. – usou o indicador para acariciar a cabeça da ave em seu ombro – São de confiança.
– Só acho estranho...
O japonês não resistiu a imitar o ato. Estendeu a mão para tocar a plumagem da coruja tão bonita, porém não foi bem recebido e levou uma bicada no dedo.
– Ai¹! – gemeu analisando a ponta do dedo onde fora ferido. Ganhara um pequeno corte que sangrava e doía um pouco. Levou-o aos lábios.
– Pepper não faz amizade fácil. – Harry informou.
Kouyou ficou observando o machucado por alguns segundos antes de falar baixinho:
– A gente não sangra em sonhos, ne?
O Gryffindor ergueu uma sobrancelha:
– Ainda não se convenceu? Não estamos num sonho, Takashima. Vou cuidar disso e te arrumar pergaminho e tinta. Quanto antes despachar Pepper melhor.
Uruha concordou com um aceno de cabeça. Aproximou-se novamente da amurada de proteção do corujal e permitiu que seus olhos se perdessem na beleza quase irreal que se descortinava a sua frente.
Não queria nem pensar na implicação da afirmativa de Potter. Se aquilo realmente não fosse um sonho o que seria da vida de Yuu e da sua? O que esperar dali pra frente se toda a história inacreditável provasse ser a única realidade?
No meio de toda a confusão que lhe dominou a mente, Kouyou ainda teve um súbito pensamento que o fez sorrir.
"Queria ver a cara de Yutaka quando ele receber uma 'Coruja Postal'."
Continua...
09/11/2010
1- Ittai. /bico
Notas por Felton Blackthorn:
Obrigado a Sam (que sempre me salva na hora H) por ajudar a melhorar esse capítulo.
Nota por Kaline Bogard:
Claro que eu tive que passar aqui e dar o meu "toque especial" Rssrsrsrsrsrsr.
