Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XXII
Uma conversa assustadora

Os testes demoraram um pouco mais do que o previsto. Kouyou recusou a oferta de Harry de tomar café da manhã. Preferia continuar ali na Ala Hospitalar aguardando notícias de seu namorado.

Naquele meio tempo conhecera Hermione Weasley, uma mulher de aparência inteligente (com um surpreendente cabelo volumoso e armado). Ela vestia trajes mais formais do que os outros bruxos que Uruha conhecera e segurava um livro enorme que devia ter, brincando, umas duas mil páginas.

E ali estava ele, guitarrista japonês que se considerava uma pessoa normal, na enfermaria de um castelo chamado Hogwarts, junto com quatro "bruxos", esperando que seu amante viesse de um teste de gravidez. Quando o mundo tinha ficado tão louco?

Finalmente, depois de um tempo que pareceu eterno, Madame Pomfrey saiu da Ala de Isolamento. Kouyou percebeu que o namorado estava meio sonolento, com os reflexos lentos; porém parecia perfeitamente saudável.

A velha senhora vinha com um longo manuscrito nas mãos e o lia avidamente. Tinha um sorriso de felicidade no rosto:

– Parabéns, senhores. Vocês vão ser papais.

Harry e Draco se entreolharam. O Slytherin já resmungando algo sobre "tamanho azar" com um tom inquestionável de inveja. Hermione virou-se para MacGonagall, ambas falando sobre leis e artigos.

No meio do redemoinho que sua mente se tornou, Kouyou notou apenas a forma quase desesperada com que Yuu cobria os olhos, buscando algum apoio no leito mais próximo. E o guitarrista moreno parecia tão assustado com a revelação que, quando Uruha se deu conta, estava falando de forma rude:

– Bruxos não conhecem o significado de "privacidade"? – as palavras não foram altas, mas tiveram força suficiente para calar a todos os presentes – Podemos receber as notícias a sós, pelo menos?

Malfoy já ia abrir a boca para rebater a grosseria, porém Harry foi mais rápido e pegou o marido pelo braço, puxando-o para fora:

– Tem toda razão, Takashima. Vamos dar-lhes o tempo que for necessário para Madame Pomfrey informar tudo o que quiserem saber.

– Potter... – o Slytherin ameaçou. Foi ignorado.

Hermione sorriu:

– Sentimos muito. Depois vou explicar os termos legais sobre tudo isso. Também espero lá fora.

Saiu junto com MacGonagall que apenas se despediu com um meneio de cabeça.

Kouyou esperou a porta ser fechada suavemente e foi sentar-se ao lado do amante. Yuu pareceu aliviado e agradecido com a atitude do caçula, porque ele próprio não parecia ser capaz de fazer nada.

– Você está bem? – Uruha perguntou.

– Hn. E você?

– Ainda não sei.

Os dois se entreolharam. Então Papoula limpou a garganta e voltou a ler o pergaminho:

– Gravidez não é doença, senhores. O feto está perfeitamente visível, com quase quinze semanas completas. É saudável e...

– Eu... Eu sou um homem. Não tenho – Aoi mexeu as mãos na frente da barriga – aquelas coisas que as mulheres têm.

Pomfrey riu:

– Foi justamente por isso que nos preocupamos tanto. A Poção do Bom Parto é para homens engravidar. Porque homens não têm "aquelas coisas que as mulheres têm". – a velha senhora gracejou antes de ficar séria – Essa Poção é muito forte no primeiro e segundo mês. A partir do terceiro já está bem estável. Então se pensa em fazer um aborto a hora é agora.

– Aborto? – Yuu sentiu a boca amargar. Ele ainda não aceitava aquela história de gravidez e já lhe jogavam a opção de aborto na cabeça?

– É uma situação delicada. Quanto mais o tempo passar menos o aborto se torna uma opção recomendável. E no seu caso, senhor Shiroyama, é pior porque você não possui magia natural. Não posso dar certeza de como isso vai continuar.

– Existe risco de vida? – Kouyou perguntou.

– Não. Nem na gestação nem no aborto se for feito rapidamente. Essa não é nossa preocupação.

Uruha e Aoi se entreolharam sem saber o que fazer. Nenhum dos dois tinha compreendido realmente a dimensão do problema em que estavam envolvidos. Como iriam tomar uma decisão daquelas sob pressão?

Para surpresa do loiro, Yuu balançou a cabeça e garantiu:

– Se for mesmo verdade não vou abortar. Não posso fazer isso... – engoliu em seco sentindo-se ridículo pelo que acabara de dizer.

– Yuu. – Uruha tomou uma das mãos do amante entre as suas.

– Bem, – Pomfrey continuou – devem observar alguns cuidados, sobretudo com a alimentação. Descobrimos que o senhor Shiroyama está com uma anemia leve. Não deve ter se alimentado direito ultimamente. Agora está ciente de que tem que comer por dois.

– Hn. – o moreno concordou como se não estivesse acontecendo com ele e sim com outra pessoa.

– Seu corpo vai sofrer mudanças para se adaptar à gestação. No começo será difícil. Você sentirá falta de ar e vontade de ir ao banheiro pela pressão em seus órgãos, conforme o feto for se desenvolvendo. Terá vontade de comer coisas estranhas, mas é apenas um reflexo inconsciente lhe alertando para manter a alimentação correta. Não cometa excessos, quantidade não significa qualidade. Consegue me acompanhar?

– Acho que sim. – o moreno sussurrou.

Madame Pomfrey voltou-se para Kouyou:

– Vou lhe dar poções para manter a gestação monitorada o tempo todo, por segurança. Também para controle de estrias e azia, e pra eliminar a anemia. Infelizmente não temos nada bom o bastante que ajude com os enjôos. Mas com o avançar da gestação eles melhoram até parar de vez. Evidentemente o parto utilizado é um procedimento Muggle conhecido como cesariana; muito seguro, apesar de primitivo. – respirou fundo – Assegure-se de que o senhor Shiroyama tome todas as doses no horário certo.

– Sim, senhora. – Uruha confirmou incerto.

– Gravidez não é doença. Pode levar sua vida normalmente. Recomendo apenas que descanse nos próximos dois dias. Os exames de hoje foram pesados. Eu precisava ter certeza de muitas coisas sobre a sua saúde, Senhor Shiroyama e a saúde do seu filho.

Ao ouvir aquilo os japoneses se arrepiaram. "Seu filho". Duas palavrinhas que ficaram dando voltas e mais voltas nas mentes do casal. De uma forma ou de outra começavam a se acostumar com a idéia. Ou, pelo menos, ela já não soava mais tão bizarra.

– E quando a barriga crescer? – Kouyou passou a mão pelo rosto – Yuu não pode simplesmente aparecer em público. Quer dizer... Vai ser uma aberração, vão querer levá-lo para estudos. Um homem não engravida.

– Concordo senhor Takashima. Evidentemente o senhor Potter pretende usar algum tipo de Feitiço. Imagino que um Glamour possa encobrir muito bem.

– Vocês têm uma magicazinha pra tudo, não? – Kouyou soou mais amargo do que gostaria.

– Sinto muito por isso, senhor Takashima. – Pomfrey não perdeu a paciência nem se abalou. Era o mínimo que podia fazer por dois Muggles que de repente se descobrem envolvidos por um mundo tão irreal. – A magia pode realizar coisas que vocês chamam de "milagre". Mas tenha uma coisa em mente: nada acontece sem motivo. Não acredito em coincidência ou acaso. E se vocês foram envolvidos nisso é porque fazia parte dos seus destinos.

– Destino? – Kouyou não tinha certeza de que acreditava em tal coisa.

– Nós... Podemos pensar em tudo isso? – Aoi perguntou incerto. – É coisa demais. Acho que seria bom discutirmos com calma.

– Muito justo. – Papoula concordou. – Tem mais alguma coisa que deseja perguntar?

Os rapazes se entreolharam. Não conseguiam organizar os pensamentos direito. Quanto mais articular alguma dúvida.

– Acho que não. – Yuu balançou a cabeça.

– Então vou levá-los para que possam tomar café enquanto a senhora Weasley os põe a par da questão legal dos procedimentos.

A bruxa enrolou o pergaminho e foi guardá-lo numa das gavetas da sua escrivaninha, antes de sair da enfermaria fazendo um gesto para que os rapazes a seguissem.

U x A – H x D

Mais recompostos das revelações, Takashima e Shiroyama foram levados a uma sala onde uma mesa com um farto café da manhã estava servido. Não era o Grande Salão que tinham visto na entrada, mas era aconchegante.

– Você tem que se alimentar bem. – Pomfrey foi taxativa ao afirmar, deixando o moreno um tanto sem graça. – Recomendo suco de abobora e uma porção extra de cereais. Depois tortinhas de laranja e damasco.

O moreno observou a refeição flutuar sozinha, como se fosse controlada por magia, à medida que Papoula ia recitando-as. Um pouco foi para o seu prato e copo. Outro tanto foi para Uruha.

Batidas tímidas na porta foram ouvidas. Logo Hermione Weasley entrou sozinha no recinto:

– Com licença. Podemos conversar agora?

Uruha trocou um olhar com Aoi e acabou concordando. Pomfrey aproveitou a deixa para sair da sala:

– Qualquer coisa é só me chamar. – afirmou em forma de despedida.

Hermione sentou-se em uma das cadeiras. Afastou os pratos e abriu o pesado livro sobre a mesa:

– Por favor, podem continuar com o café. Tentarei ser clara e breve. – suspirou – Sou assessora do Ministro da Magia e estou representando-o neste caso. Temos uma série de leis que protegem os Muggles do uso indevido de magia. Harry e Malfoy violaram uma boa dezena de artigos ao mandar a Poção para o mundo de vocês, e como as conseqüências são tão graves, existem poucos atenuantes.

– O que isso quer dizer? – Yuu perguntou antes de dar um gole no suco de abobora. Ergueu as sobrancelhas de leve. Apesar de ter um gosto bom fez seu estômago se revoltar um pouco.

– Quer dizer, senhor Shiroyama, que existe uma boa chance daqueles dois passarem uma longa, longa temporada em Azkaban. E acredite, não é nada bom de se pensar.

– Azkaban? – não era a primeira vez que Uruha ouvia a palavra.

– É uma prisão bruxa. – a mulher explicou – Garanto que não é agradável, apesar de alguns merecerem estar lá.

– Não compreendo aonde quer chegar. – Novamente foi Kouyou que falou.

– Bom, o problema é que o pessoal do escritório de Controle do Uso Indevido de Magia e do Departamento de Execução das Leis da Magia já estão sabendo que algo indevido aconteceu e querem tomar as providências. Malfoy é professor aqui em Hogwarts e tem uma licença temporária da Comissão de Feitiços Experimentais para lecionar os Modernos. E Harry é Auror. Ambos vão perder seus empregos além de serem enviados para Azkaban.

Hermione recostou-se na cadeira. Ainda estava cansada do drible que tivera que fazer para manter Hopkirk e Wimple quietos antes de tomarem qualquer decisão.

– Sinto que quer nos pedir algo. – Uruha foi direto ao ponto.

Hermione sorriu fraco:

– Existe uma brecha nas leis. – bateu com o dedo sobre o livro aberto – Vocês estão cientes da situação. Como vítimas em potencial podem manter a acusação e levaremos aos tribunais ou...

– Ou...? – foi a vez de Aoi perguntar.

– Vocês podem retirar a queixa. – Weasley viu os japoneses se entreolharem e apressou-se em completar. – Por favor, não decidam nada ainda. Vão pra casa e pensem com calma. Seja qual for a opção de vocês nós iremos respeitar. Harry e Malfoy vão voltar com vocês para o mundo Muggle. Mantenham a moeda mágica que ele lhes deu. Terminem o café com calma e descansem um pouco antes de voltar para casa. Qualquer coisa que precisem para ficar bem é só pedir.

Dizendo aquilo Hermione acenou e pegou o livro, saindo da sala. Yuu voltou-se para Uruha. Ambos sabiam que não tinham tempo de descansar, pois ainda precisavam voltar para Tokyo e ajeitar as coisas por lá.

Tudo parecia cada vez mais complicado. Tinham que decidir o destino da criança que crescia no ventre do guitarrista moreno, além, é claro, de decidir o futuro daqueles dois bruxos que, aparentemente sem querer, trouxera o caos ao mundo tranqüilo de ambos.

Continua...

22/11/2010