Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXIII
Susto e improviso
Nada, e Kouyou colocaria muita ênfase nesse "nada", podia ser comparada à fúria de Yutaka ao recepcioná-los de volta já em Aomori.
Nem o retorno tenso feito novamente com os Trestálios, onde poucas palavras foram trocadas entre bruxos e japoneses. Nem a despedida silenciosa na porta do hotel onde ficariam acomodados. Sinceramente, os guitarristas estavam enrascados.
– ...Tamanha irresponsabilidade, estão me ouvindo? – Kai continuava seu discurso inflamado, condenando a atitude dos amigos de terem sumido desde a manhã cedinho e só aparecerem agora, no final da tarde.
– Sentimos muito, Kai-chan. – Uruha afirmou humilde de cabeça baixa, intimamente feliz por ouvir as palavras novamente em japonês. – Tínhamos uma coisa urgente pra resolver.
– Deixar um bilhete na porta do meu quarto não é a melhor forma de mostrar responsabilidade.
Ao ouvir a dura crítica Aoi e Uruha se entreolharam. Então a coruja deixara sua carta na porta do quarto de Yutaka? Agora não sabia se fora a melhor ou a pior decisão. Talvez tivesse sido melhor. Se o líder da banda surtava assim por encontrar a carta no chão, imagina a sincope que não teria ao recebê-la direto das patinhas de uma ave...
– E onde vocês estavam afinal de contas?
– Nós... – Kouyou começou.
– Chegamos a tempo, não chegamos? – Shiroyama cortou levemente inflamado. Seu bom humor estava começando a mudar.
– Chegaram a tempo? – Yutaka elevou a voz – Nós já vistoriamos o local, repassamos as músicas e afinamos os instrumentos, sem os guitarristas, já trocamos de roupa e podemos ouvir a casa cheia. Vocês chegaram a tempo de trocar de roupa e entrar no palco! – apontou os outros integrantes da banda, sentados no canto do grande camarim, assistindo a cena entre preocupados e surpresos.
O moreninho estava possesso. Pra desespero de Uruha, Aoi fez um som estranho com a garganta e o loiro pensou que seu amante ia explodir numa fúria semelhante à de Kai. Antes que acontecesse, pediu novamente:
– Desculpa, não...
– Desculpas não resolvem, Takashima. – Kai rebateu diminuindo o tom de voz – Não somos uma banda iniciante. Cada show dessa turnê tem um público de milhares de pessoas. Isso deixou de ser uma brincadeira há muito tempo. Todos nós assinamos contratos e não vou admitir atitudes infantis ou irresponsáveis de ninguém. E você, Shiroyama, como o mais velho devia ser o exemplo que...
As palavras morreram nos lábios de Kai. Ele bem que tinha percebido a raiva dominar os olhos escuros do guitarrista moreno. Mas não tinha medo de ceninhas, por isso continuara seu sermão. Entretanto à medida que as palavras escapavam, a fúria silenciosa de Yuu foi cedendo, cedendo, até que mágoa e arrependimento dominassem a face pálida. Logo os lábios sensuais estavam tremendo e sem que o líder pudesse imaginar, Aoi agachou-se no chão e abraçou os joelhos, começando a chorar:
– Sinto muito, Kai-chan. A culpa é toda minha. – disse com dificuldade, soluçando.
Kouyou abaixou-se ao lado do amante e começou a acariciar as costas do moreno:
– A culpa não é só sua. Briga comigo, Yutaka, mas não o faça chorar. – A situação não era algo que podia ser facilmente explicada. "Nós fomos até Londres pra fazer um pré-natal.". Tinham consciência de como soaria ridículo.
Kai simplesmente não encontrou palavras para rebater. De todas as atitudes esperadas, pranto incontrolado não fazia parte da lista.
– Desculpa... – Aoi repetiu.
Batidas na porta quebraram um pouco do clima tenso. A voz de um staff anunciou que logo entrariam no palco. Diante do aviso, Kai não viu alternativa a não ser aliviar:
– Depois terminamos isso. – suspirou – Podem trocar de roupa e fazer uma maquiagem digna, por favor?
O loiro balançou a cabeça concordando enquanto Yuu passava as mãos pelos olhos tentando conter o pranto. Era vergonhoso chorar na frente dos outros, mas não conseguira se controlar de jeito algum. As reações eram mais fortes do que sua vontade consciente.
Pelo menos a briga estava adiada até o final do show. Já tinham adquirido uma vantagem. Pequena, mas tinham.
U x A – H x D
O live transcorria de forma magnífica, apesar da tensão entre os integrantes da banda, fato que os expectadores não pareciam notar.
Era nessas horas que Kai amava ser baterista. Podia tocar o instrumento com energia e empolgação, numa forma de extravasar as emoções em excesso. Dessa forma sabia que estaria mais controlado na hora de conversar com os guitarristas, porque discutir com a cabeça quente não era nada recomendado.
Ele sabia que alguma coisa estava muito errada entre os dois. Talvez o moreno realmente estivesse doente. Aquele descontrole de mais cedo... Yutaka nunca o vira chorando. Muito menos por uma bronca mais enérgica (e que não seria a primeira).
Vigiava Shiroyama de um jeito quase obsessivo. A maquiagem disfarçara bem o pranto, mas se analisasse bem, Yuu ainda parecia abatido e cansado. Ele não estava se desempenhando com a mesma energia e à medida que o live avançava, parecia se mover com mais lentidão e dificuldade.
Olhou de um para o outro. Captou a tensão no ar. Mas uma tensão que não era causada pela discussão no camarim. Uruha olhava na direção do parceiro de instrumento com mais freqüência do que o normal. Ele parecia preocupado de verdade. E Kai decidiu que iria descobrir o que acontecia de um jeito ou de outro.
Foi entre a transição da quinta para a sexta música que o inimaginável aconteceu. Quatro integrantes da banda e mais milhares de expectadores viram o momento em que o guitarrista moreno cambaleou errando as notas e atrapalhando o solo que Reita fazia. Não houve tempo para pensar: Yuu simplesmente apagou, desabando no chão em cima da guitarra, caindo no chão de mau jeito.
O tempo pareceu parar.
Uruha foi o primeiro a agir. Tirou a guitarra e jogou-a no chão, correndo para socorrer o amante.
– Yuu! – exclamou enquanto o pegava nos braços. Viu muito vagamente que alguém se aproximava, mas antes mesmo que percebesse quem era rosnou: – Fique longe!
A ordem agressiva fez Reita estacar no lugar, assistindo assustado Uruha erguer o moreno nos braços e escapar para o backstage. As cortinas se fecharam enquanto a platéia explodia em desespero, sem entender o que acontecera.
Kai saiu da bateria e correu atrás dos companheiros, sendo seguido pelos outros membros do the GazettE e alguns staffs. A confusão começava a crescer nos bastidores, somada ao pânico de ver um companheiro sucumbir diante de milhares de pessoas. Ele tinha certeza: Yuu estava doente.
Chegaram apressados ao camarim usado pela banda. Yutaka, que ia a frente, teve que frear subitamente e voltar dois passos atrás para evitar que a porta lhe acertasse o rosto.
– Mas que... Merda!
Encarou um Uruha muito feliz que passava pela porta. Logo seguido por Aoi que fechou o camarim muito rapidamente e parecia extremamente bem, obrigado.
– Kou... – Reita sussurrou tão confuso quanto os outros.
– O que foi aquilo? – Kai passou a mão pelos cabelos desnorteado com a seqüência de eventos. Como Aoi podia desmaiar no meio do live e em questão de minutos se recuperar como se nada tivesse acontecido?
– Fanservice. – Yuu respondeu com uma expressão arrogante. A palavrinha soando estranhamente arrastada.
– Fanservice? – Kai repetiu incrédulo – Mas que porra de fanservice foi esse?
– Yutaka, confie em mim. – Uruha falou muito tranqüilo, seu sorriso aumentado – Voltem para o palco e pareçam preocupados de forma bem exagerada. – então o loiro voltou-se para os staffs – Trabalhem na iluminação. Foco em mim e no... Hum... Aoi.
E sem maiores explicações aproximou-se do moreno e o pegou nos braços, sem dificuldade. Como se fosse previamente combinado, Yuu fechou os olhos e fingiu um desmaio. Kai e os outros captaram o espírito da coisa:
– Me avisem da próxima vez! – o líder resmungou de péssimo humor.
– Avisaremos. – Uruha garantiu avançando um passo. Porém Reita estendeu um braço e o impediu de avançar.
– Uruha, vocês dois refizeram a maquiagem e trocaram de roupas em... Menos de dois minutos? – o rapaz da faixa analisou os dois de cima a baixo. A constatação fez todos prestarem atenção no detalhe que quase passara despercebido.
O guitarrista loiro sorriu e deu de ombros:
– É só um truque de magia que aprendi. Vamos logo que o Aoi é pesado. – riu ao levar um soquinho ofendido nas costas. A confusão do resto da banda era gritante: nunca tinham visto Yuu com uma expressão tão pedante na face, assim como era a primeira vez que Uruha parecia tão... Alguma coisa a mais que não conseguiam captar.
Kai e os outros se entreolharam antes de seguir os guitarristas voltar para o palco. Podiam escutar as vozes exaltadas dos expectadores. Todos estavam preocupados com o aparente desmaio de Shiroyama. Respirando fundo, Yutaka trocou um olhar com os outros dois membros e fez um solinho rápido de bateria. Depois continuou marcando compasso apenas com o pedal, logo sendo imitado por Reita. Ambos faziam os instrumentos soarem num compasso único, entrosado e perfeito.
O silêncio tomou conta da casa de shows ao mesmo tempo em que as cortinas iam abrindo lentamente e a iluminação diminuindo. Quando Uruha subiu no palco com o moreno nos braços a expectativa era tanta que parecia quase palpável, presente como um sexto elemento no palco.
"Ohs" e "Ahs" surpresos foram ouvidos na platéia. Mas tudo silenciou de forma quase inacreditável quando Kouyou colocou sua preciosa carga no solo, permanecendo ajoelhado, e segurou-lhe o rosto com cuidado, antes de colar os lábios de ambos; numa cena que lembrava muito o conto de fadas da Bela Adormecida.
Aoi pareceu "despertar" de seu sono por aquele príncipe e os milhares de expectadores quase fizeram a casa de shows vir a baixo com seus gritos de viva e felicidade. Nunca tinham visto um fanservice tão perfeito com os membros da banda que amavam.
Quase simultaneamente os guitarristas recuperaram seus instrumentos e assumiram os postos, cada um de um lado do palco.
E, dessa forma magnífica e inesperada, o live continuou a toda. Apesar de que, Yutaka arriscava dizer, Aoi não se movia com a mesma sensualidade de sempre, parecendo ter o corpo um pouco "duro". E Uruha havia tocado todos os seus solos restantes de uma forma... Esquisita, com aquele sorrisão bobo na face. Mas o que chamou mais a atenção do líder da banda foi que nenhum dos dois, definitivamente, estava segurando a guitarra direito. Na verdade, eles pareciam mais executar um playback.
Ah, com toda certeza do mundo, Takashima e Shiroyama teriam muito que explicar depois.
U x A – H x D
Uruha havia invadido o camarim de uma forma desesperada. O medo fazia o coração disparar e o sangue gelar. Não se assustou ao encontrar Potter e Malfoy lá dentro. Aquela Madame Pomfrey dissera que monitorariam a gestação o tempo todo. Ele agradeceu que estivessem ali para tomar uma atitude, porque o pânico não o deixava pensar direito.
Mal registrou os bruxos bebendo uma poção suspeita, sem poder conter caretas, como se o líquido fosse muito ruim.
– Não saiam daqui. Ele está bem, só precisa descansar. – o moreno ordenou, ainda com uma expressão de desagrado no rosto. Murmurou algo semelhante a "Collo Portus" batendo a varinha na maçaneta e saiu seguido pelo bruxo loiro, que surpreendentemente, já não era mais loiro.
Ignorando todos os acontecimentos que não tivessem a ver com o estado do amante, Uruha prosseguiu lentamente até colocar Yuu cuidadosamente sobre o sofá.
– Aoi... – sussurrou tocando a face pálida – Acorda.
Pediu com a voz tremendo. Pra sua surpresa, o moreno acertou um tapa meio desajeitado em sua mão, afastando-a e resmungou:
– Me deixa... Dormir... – terminou a reclamação num suspiro, encolhendo-se e ajeitando-se numa posição melhor e mais confortável.
Kouyou piscou confuso. Aproximou o rosto e verificou a respiração do namorado. O mais velho ressonava tranquilamente. Ele só estava dormindo! Um alívio tão grande tomou conta do corpo do loiro que ele sentiu-se meio mole. Mas ficou agradecido. Tivera tanto medo ao ver o namorado desabando daquele jeito. Tanto medo.
Cansado, levantou-se e foi atrás de algo que pudesse proteger o moreno, encontrando apenas um casaco grosso, que sabia ser de Reita.
– Vai servir. – usou a vestimenta para cobrir Aoi da melhor maneira possível. Então, sentou-se no chão, perto do sofá, vigiando-o atentamente.
Não queria nem se preocupar com o dia seguinte, com o que provavelmente seria eleita mais uma crise de estrelismo de Shiroyama Yuu. Ou no escândalo que sua atitude resultaria. Isso sem contar a discussão que inevitavelmente teria com Yutaka.
No momento só queria ficar ali, agradecendo que tudo não passara de um susto. E maldizendo a hora em que aquela droga de magia invadira suas vidas.
Continua...
22/11/2010
Notas por Felton Blackthorn:
Meu tempo na Internet é muito limitado! Por isso não respondo os reviews, mas agradeço a todos.
Nota por Kaline Bogard:
EI! Ninguém ai arrisca um chute, se é menina ou menno...? 虎
