Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XV
Não consigo controlar

Uruha não sabia se tinha uma crise de risos ou se entrava em pânico. "Aoi" não podia ter tido uma performance mais descaracterizada do que aquela. O loiro entendera perfeitamente a fala de Kai na noite anterior. "Não pareciam ser vocês."

O guitarrista moreno se movia de forma quase automática, não havia nada daquela característica sensualidade (Uruha arriscava dizer que um bambu balançando ao vento tinha mais molejo...) e a forma que ele segurava a guitarra lembrava um cover de quinta categoria.

Por sorte isso não parecia desanimar as fãs, que gritavam empolgadas e cantavam as músicas, vibrando com qualquer movimento mais ousado.

Foi um alívio quando o live acabou. Os guitarristas não fugiram dessa vez, esperando os companheiros para voltar ao camarim e comentar o desempenho de todos como era rotina. Ninguém mencionou a forma estranha com que Aoi se comportara.

Voltaram juntos para o hotel onde estavam hospedados na noite que encerrava a primeira parte da turnê. Assim que ficaram sozinhos no quarto o moreno segurou no braço de Uruha e aparatou para o estacionamento coberto do hotel, deserto aquela hora.

– Fiz uma chave de portal. Vamos para o seu apartamento. – aproximou-se de um extintor de incêndios que estava esquecido num canto. – Depois desfaço o feitiço. Segure firme e solte quando eu mandar. Entendeu?

Uruha balançou a cabeça e, sincronizado com Malfoy, tocou o extintor.

U x A – H x D

O loiro odiou a tal Chave de Portal.

Assim que largaram o objeto usado como meio de transporte e caíram no estacionamento do prédio, Kouyou achou que acabaria vomitando de tão enjoado depois de girar feito um peão.

Encostou-se na parede assistindo enquanto Malfoy batia com a varinha no extintor e desfazia o feitiço que ligava os dois prédios.

– Você está bem?

A pergunta de Draco não soou nem um pouco preocupada, pelo contrário, ele debochava da fraqueza do japonês. Meio ofendido Kouyou endireitou o corpo, tentou ignorar a tontura e deu de ombros:

– Acho que os meios de vocês se transportarem não são tão confortáveis quanto os nossos.

– Hunf. – Malfoy resmungou – Terminei aqui.

Uruha concordou. Olhou de um lado para o outro e rumou para o elevador. Subiram sozinhos e silenciosos, direto para o andar do loiro.

O apartamento estava escuro e muito quieto. Isso desanimou Draco: era sinal de que Harry ainda não tinha voltado.

– Você... Hum... Se importa...?

Uruha sorriu. Não parecia mesmo fazer parte da personalidade de Malfoy pedir um favor:

– Quer esperar por Potter-san aqui?

– É. Isso. – afinal, o combinado era que o Gryffindor aparatasse ali depois de chegar de Londres. Draco não queria correr o risco de voltar para a parte bruxa e desencontrar-se do marido no processo.

– Tudo bem. Pode ficar a vontade. Tem um banheiro com toalhas limpas no final daquele corredor. – apontou – Se precisar de alguma coisa me avisa. Vou ver como Yuu está.

O bruxo balançou a cabeça. Observou o japonês sair da sala e foi sentar-se numa das poltronas. Ia esperar Potter chegar antes de fazer qualquer coisa. Ele nunca daria o braço a torcer e revelaria não saber mexer naquelas coisas não-bruxas muito bem...

U x A – H x D

Takashima abriu a porta da sua suíte devagarinho, temendo acordar seu namorado. Ficou um tanto surpreso ao vê-lo totalmente desperto, enrolado no edredom e encolhido contra a cabeceira da king size.

Assim que percebeu a presença do loiro Yuu começou a chorar.

– Aoi! – Uruha acendeu a luz e foi sentar-se na cama junto ao moreno – O que foi? Sente alguma coisa?

– Não...

– Porque está chorando? – O caçula perguntou levemente desesperado.

– Nada... – tirou uma das mãos de dentro das cobertas para secar as lágrimas – Eu só acordei e... Estava tudo... Escuro. Pensei que... Tivesse me abandonado...

Mais que depressa Kouyou passou os braços pelo "montinho" que era seu namorado e o puxou o máximo possível para perto de si.

– Bobo! Esse é o meu apartamento! Como eu iria abandonar você no meu lar?

– Desculpa. – Aoi acabou sentindo-se idiota e isso fez mais lágrimas rolarem pela face pálida – Não consigo... Controlar...

– Shiiiii. – com grande paciência Takashima acalmou o amante – Está tudo bem. Deve ser efeito da magia. Não precisa se desculpar.

– Você não... Vai... Me abandonar... Né? – a voz insegura do moreno cortou o coração de Uruha. Ele parecia tão frágil.

– Claro que não. Custou tanto pra gente ficar junto! Acha que vou abrir mão do que é meu assim tão fácil? – definitivamente Uruha não pretendia largar a pessoa que amava por nenhum obstáculo. Por pior que parecesse a situação.

Tinha em sua mente os momentos de solidão que vivera ao descobrir dia-a-dia o que sentia pelo gêmeo de instrumento. Nunca, nem nos sonhos mais agradáveis, imaginara que realmente o teria para si e ficariam juntos.

Acreditava que seu amor era forte, seguro, completo. Resistiria a mais rigorosa das provações. Faria qualquer coisa para continuar com Yuu, para tê-lo ao seu lado. E, se ele estava numa situação delicada, Uruha decidiu que seria resistente pelos dois.

– Mas... – a voz hesitante de Shiroyama tirou o loiro de suas deliberações. Conseguiu falar mais firmemente, pois já não chorava mais: – Eu sou uma aberração.

Uruha franziu as sobrancelhas:

– O que? – não compreendeu a frase.

– Eu. Sou uma aberração. – Aoi usou a mão que estava fora do edredom e segurou numa das mãos de Uruha, levando-a a tocar sua barriga por cima da coberta – Tem uma criança crescendo aqui. Isso viola qualquer regra da natureza.

– Aoi...

– Faz de mim uma aberração. – a voz tremeu novamente.

– Não! – Uruha exclamou. Deu um jeito de voltar a estreitar o moreno novamente nos braços, apertando-o com força. Desejava passar toda a sua confiança para ele – Prefiro acreditar que é um milagre.

– Um milagre?

– Pensou nisso, Yuu? Um milagre. O nosso filho.

Aquela expressão caiu sobre os dois como uma carga de uma tonelada. Era algo poderoso demais para pensar de forma leviana. E, na verdade, era a primeira vez que concluíam aquilo. Era a primeira vez que, mesmo ouvindo de outras pessoas, se referiam ao ser criado pela magia como "nosso filho".

Os olhos de Kouyou marejaram:

– Nosso filho Yuu. É... Incrível!

Aoi balançou a cabeça. Era absurdo. Era bizarro. Era lindo e inacreditável. O filho dos dois. Realmente, um milagre.

U x A – H x D

Draco observava aquela montoeira de bugigangas Muggle sem reconhecer a maioria. Tinha estudado as criações não-bruxas, mas pelo visto tinha que se esforçar muito mais.

Tinha certa preocupação por Potter. Porque se ele demorava tanto era pelo fato da investigação ter se complicado mais. E, nesse caso, a presença do moreno seria exigida com mais constância em Londres, porque não conseguira ser afastado da missão para dedicar-se ao caso "ShimaShiro", como ambos chamavam.

Suspirou. Ele não se sentia à vontade sozinho entre os Muggles. Potter era o especialista. Ele sempre sabia o que fazer. Fosse acertado ou apenas mais uma burrada, não importava. Era infinitamente melhor do que o que Draco fazia no momento: sentar e esperar.

Não podia esquecer que, apesar de tudo estar dando certo, ainda havia uma grave ameaça pairando sobre a cabeça de ambos. Se algo ruim acontecesse com Shiroyama, nem toda a influência de Hermione bastaria para livrá-los de Azkaban. Talvez nem a fama de "Garoto que Venceu Você Sabia Quem" manteria Potter longe da prisão bruxa.

E Malfoy não queria isso pra nenhum dos dois. A vida deles estava se acertando. Tinham sofrido tanto nos anos pós-guerra, fora difícil acertar os sentimentos e, finalmente, ficar junto com o rapaz que amava desde os tempos de colégio.

Não era romântico, não deixava escapar um "eu te amo" a cada espirro. Porém Draco sabia que deixava seu amor escapar a cada gesto (mesmo acompanhado de incontrolável mau humor), a cada olhar. Assim como Harry, mais espontâneo, também permitia que os sentimentos transbordassem livremente.

Draco ia suspirar quando um "puf" característico o fez erguer as sobrancelhas e reclamar:

– Finalmente.

Aquilo, para Harry, soou como um "Que bom que você chegou. Eu não agüentava mais de saudades.".

Sorrindo, o Gryffindor sentou-se na poltrona ao lado de Malfoy e tocou-lhe o rosto num carinho muito discreto.

– Oi pra você também.

O loiro ficou meio sem jeito:

– Foi muito ruim por lá?

Harry levou as mãos aos cabelos negros e os bagunçou meio desesperado:

– Argh. Foi horrível. Levaram a última Unicórnio Prateado. Você sabe, tem apenas uma fêmea e um macho. Todos os outros foram mortos em caçada.

– Sei disso. – Draco deu um jeito muito discreto de aproximar-se do moreno e recostar-se nele. Sorriu quando sentiu o braço forte envolvê-lo pelo ombro – Esse casal estava no... Espera. Porra, Potter. Você quer dizer que roubaram a fêmea?

– Roubaram. – O Gryffindor soou desanimado.

– Mas ela estava abrigada no Departamento de Mistérios! – Draco exclamou.

– Hn. Quando cheguei no Ministério Croaker e Diggory estavam berrando um com o outro. Porque o Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas estava cuidando do caso até que Croaker se meteu e levou a Unicórnio.

– Isso é bem ruim.

– Se não a recuperarmos a espécie estará praticamente extinta. Ela é a última esperança de procriação. Era isso que o pessoal dos Mistérios estava fazendo.

– Então deixaram o macho?

– Deixaram. Mas talvez por que estivesse sob cuidados de Diggory. Ele é muito mais competente que Bode Croaker.

– Com certeza. Não é a primeira vez que invadem o Departamento dele.

Harry sorriu amarelo e desconversou:

– Nevile vai cuidar dos últimos detalhes pra mim. E o caso ShimaShiro?

Draco fechou os olhos e resmungou:

– Vamos voltar para o hotel. Eu tive que tomar o lugar de Shiroyama outra vez. Ele dormiu feito uma pedra o dia inteiro... – enquanto o loiro ia reclamando, ficaram em pé e desaparataram.

Continua...

13/12/2010