Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XVI
Parece irreal
A luz do sol entrou aos poucos pelas frestas da janela aberta. O quarto ficava num local privilegiado no apartamento. Uruha se considerava de muita sorte.
Pouco a pouco o guitarrista loiro despertou por completo, descobrindo que o amante também acordava ainda lentamente. Aoi estava preguiçoso, esticando-se todo entre os braços de Kouyou.
– Bom dia. – o caçula cumprimentou.
– Bom dia. – Yuu respondeu voltando a fechar os olhos.
– Como se sente?
– Descansado. – afirmou abrindo os olhos – E faminto!
Uruha riu:
– Acredito. Você dormiu o dia inteiro ontem e a noite todinha... sem comer nada.
– Então vamos caprichar no café da manhã. – foi dizendo e puxando as cobertas pra se levantar.
– Nada de extravagâncias. Você precisa se alimentar bem. Nosso filho... – a frase animada de Uruha morreu aos poucos. Ele sentiu-se um tanto sem jeito.
Shiroyama contagiou-se com aquela sensação. Ele pigarreou e apressou-se em sair do quarto:
– Vou tomar um banho.
O loiro assistiu aquela fuga. Respirou fundo antes de também se levantar e ir para o banheiro da suíte, deixando assim Aoi sozinho para ter mais privacidade.
U x A – D x H
O mais novo desligou o fogo e destampou a panela. O aroma estava ótimo. Não que ele fosse um mestre na cozinha, mas morando sozinho tivera que aprender a se virar bem.
– Misso... – aspirou o cheiro. Nada de cafés da manhã extravagantes. Iria obrigar o namorado a se alimentar de forma saudável, e pra isso nada melhor que comida japonesa.
Por mais que a situação fosse desconfortável, ele estava começando a curtir.
– Que sorriso é esse?
Yuu entrou na cozinha. Os cabelos estavam úmidos e a pele resplandecia. Ele exalava saúde e vivacidade. As faces levemente coradas acenderam alguma coisa em Uruha e o guitarrista mais alto teve que se segurar para não tomá-lo nos braços.
Acabou contentando-se em aproximar-se e beijar aqueles lábios irresistíveis.
– Hum... – o moreno gemeu no beijo – Você também ta com fome.
– Muita. – o sorriso aumentou, tornou-se malicioso, lascivo.
– Quer dar um jeito nisso? – Aoi provocou movendo o quadril e esfregando-se no namorado.
– Ainda pergunta? Mas não agora. – Uruha quase se arrependeu, mas foi firme na decisão. Aoi não podia ficar sem se alimentar. Ele era responsável por uma outra vida.
O mais velho apenas moveu as sobrancelhas. Deu de ombros e foi sentar-se a mesa. Os olhos escuros brilharam ao ver o que seu parceiro tinha preparado:
– Bom apetite! – separou uma boa porção para si e começou a devorar a comida.
– Ei, devagar! – Takashima deu uma bronca na brincadeira. Sentou-se a frente do moreno e serviu seu próprio prato – Cuidado para não engasgar.
– Estou faminto! – Yuu respondeu.
O outro guitarrista não respondeu. Começou a comer silencioso, lançando olhares ocasionais para seu amante. Foi assim que notou a empolgação ir diminuindo consideravelmente. A face antes ruborizada adquiriu um preocupante tom pálido. Yuu largou o par de hashi e afastou o alimento de si:
–Droga. – resmungou ficando em pé e correndo para o banheiro.
Takashima sorriu bobo. Foi impossível não se emocionar e curtir o momento. Ninguém, no mundo inteiro (mundo Muggle, claro) poderia passar por tal experiência. Era especial, por mais incomum e contra a natureza que parecesse.
– Yuu. – sussurrou de forma amorosa.
Levantou-se e foi seguindo para o quarto. Pelos sons deduziu que Yuu não conseguira chegar à suíte e usara o banheiro do corredor mesmo.
Mas antes que o alcançasse, ouviu seu celular tocando. Desviou a rota e pegou o aparelho, sorrindo ao reconhecer o número do líder da banda.
– Bom dia, Kai chan!
– Takashima, onde diabos vocês estão? – o tom de voz rude deixou Uruha alerta.
– Estamos no meu apartamento...
– Vocês saíram do hotel sem fechar a conta e sem avisar a ninguém? E voltaram para Tokyo? Porra, Uruha!
O loiro quase praguejou. Naquela história de "aparatar" aqui e "desaparatar" ali, se esquecera completamente de alertar os companheiros ou alguém do staff.
– Sinto muito.
– Sente muito? – o baterista parecia mesmo irritado. Porém Kouyou não tirava a razão dele. Pisara na bola novamente. – Vai sentir muito quando eu chegar aí.
E a ligação foi cortada.
Uruha olhou longamente para o pequeno aparelho como se esperasse que seu arrependimento chegasse a Kai através dele. Suspirou longamente quando o som de seu namorado passando mal o trouxe de volta a realidade.
– Yuu!
Guardou o celular no bolso e foi ver como o moreno estava. Parou ao chegar a porta do banheiro, observando o pobre moreno ajoelhado no chão vomitando todo o café da manhã que comera com tanto entusiasmo.
Comovido com a cena, Takashima abaixou-se ao lado dele e começou a acariciar as costas envergadas:
– Sinto muito por isso.
Aoi balançou a cabeça enquanto a sensação ruim parecia amainar. Alguns minutos depois, ao ter certeza que seu estomago se acalmara, puxou a descarga e levantou-se meio vacilante e foi lavar os lábios.
– Melhorou? – Uruha perguntou.
– Acho que sim. – Aoi respondeu meio fraco – Mas perdi a fome.
O loiro sorriu suave, indeciso entre condoer-se ou achar tudo muito fofo. Não resistiu a envolver o namorado em um abraço apertado:
– Você precisa comer coisas mais leves. Vamos mudar nosso cardápio.
– Nosso? – o mais velho retribuiu o abraço, sentindo-se consolado.
– Ah, não vou deixar você sozinho nessa. – riu – Vamos cuidar da saúde de nós três...
Aoi ficou desconfortável no abraço carinhoso, mas Kouyou não permitiu que ele se afastasse. Tinham que parar de pensar em tudo como se fossem apenas duas pessoas. A realidade era bem diferente. Kouyou começava a acreditar naquilo.
– Vai dar tudo certo, Yuu-chan. Eu sei que vai.
Shiroyama pensou em milhares de coisas pra dizer. E nenhuma delas era agradável. Uruha só podia estar brincando: afinal aquela coisa que devia acontecer apenas a mulheres estava acontecendo com ele! Como acreditar que "tudo ia dar certo"?
Mas, ao invés de destruir a animação do outro, Yuu conformou-se em aproveitar o carinho do momento.
U x A – H x D
Apesar da ameaça de Kai, o líder não apareceu no dia em que ligara, nem no seguinte ou no outro. Uruha e Aoi foram comunicados por um representante da gravadora que estavam em recesso por uma semana antes de se reunirem e continuarem com o lado B da turnê.
Receberam um telefonema preocupado de Akira, querendo notícias dos guitarristas. E no meio da conversa Reita deixara escapar que Yutaka estava realmente possesso com eles. Taxando-os constantemente de irresponsáveis e despreocupados.
Tampouco Potter ou Malfoy apareceram. Talvez porque Uruha não precisara deles. Mentira. Precisara sim, mas não a ponto de chamá-los.
Kouyou não reclamava, mas naqueles dias Aoi estivera terrível. Infelizmente seu organismo parecia estar às avessas. Ele não dormia a noite toda, transitando pela casa como um fantasma, hora saqueando a geladeira atrás de bobeiras pouco saudáveis. Hora assistindo e reassistindo lives do the GazettE e chorando emocionado litros de lágrimas.
E durante o dia dormia como um anjo. O dia todo...
Isso estava acabando com Uruha. O loiro não conseguia dormir a noite porque ficava preocupado com o amante, com medo que algo acontecesse enquanto estivesse dormindo. E não conseguia adormecer durante o dia porque simplesmente não conseguia. Cochilava alguns minutos, algumas poucas horas, mas não era suficiente para descansar. Ele era daquelas pessoas que só tinham um bom sono durante a noite.
E era um cara complicado. Complicado, com problemas e com sono.
Estava, naquele momento, sentado no sofá, com Yuu deitado placidamente sobre o mesmo, enrolando em dois edredons, com a cabeça descansando em seu colo. Fazia cafuné nos fios negros e lisos, notando como os olhos já pesavam de sono, após uma noite perambulando pela casa.
O telefone celular de Uruha tocou. Sorte que estava a mão e ele não precisou se levantar para atender:
– Alô.
– Takashima?
– Ah! Kai chan! – o loiro surpreendeu-se com o contato repentino. – Tudo bem?
– Hn. Estou indo a sua casa levar suas coisas e as de Yuu. – hesitou antes de emendar: – Tudo bem?
– Sim. Quando chegar sobe direto. A porta ta aberta.
– Entendi.
A ligação foi encerrada. Uruha recostou-se no sofá e sorriu sem humor algum. Imaginava que ia ouvir um monte. Yutaka não parecia nervoso ao telefone. Mas aquela frieza em sua voz assustava mais que um ataque de raiva. Kai esperara o momento certo de uma conversa quando não estava mais com a cabeça quente. Provavelmente medira cada palavra que diria. E, Uruha tinha certeza, o moreninho vinha com tudo.
U x A – H x D
Menos de uma hora depois o dono do apartamento ouviu a porta sendo aberta. Yutaka seguira as instruções e entrara sem se apresentar.
Passos precederam a entrada do líder da banda na sala. Ele carregava duas malas de bom tamanho, as coisas que os guitarristas tinham deixado no hotel.
– Olá. – Kouyou cumprimentou.
Enquanto Kai largava as malas num canto ia observando aqueles dois atentamente. Nem mesmo tentou disfarçar a preocupação: não esperava encontrar Uruha com aquele ar cansado e as leves olheiras adornando seus olhos. Menos ainda ver Aoi deitado no sofá, parecendo adormecido, bem aconchegado no colo do loiro.
– O que está acontecendo, Kou? – os anos de amizade permitiam que Yutaka fosse tão direto e objetivo.
– Por favor, sente-se Kai-chan. – Uruha pediu indicando o outro sofá.
Como se tivesse dito uma palavra mágica, Aoi abriu os olhos. As íris escuras brilharam de alegria ao ver o baterista:
– Kai-chan! – tirou uma das mãos de dentro da coberta e estendeu, evidenciando que o moreninho devia segurá-la.
Um tanto surpreso, o mais jovem obedeceu. Aproximou-se alguns passos e segurou na mão de Shiroyama. Sorriu leve ao senti-la quentinha:
– O que foi, Yuu-chan? – perguntou em tom mais brando. Sua raiva passara quase por completo. O guitarrista moreno parecia doente. Isso era evidente no ar quase vulnerável da face pálida.
A pergunta foi o pequeno incentivo que Shiroyama precisava:
– To com uma vontade louca de comer yakisoba de chocolate! – passou a língua pelos lábios, como se já sentisse o gostinho da exótica iguaria – Faz pra mim?
Kai piscou. Desviou os olhos e fitou o loiro. Teve um choque ao perceber que Uruha estava se segurando para não chorar.
A verdade é que Kouyou estava no seu limite. As noites mal dormidas, a pressão, a preocupação com o namorado e a situação anormal em que estavam pesaram de uma vez sobre os ombros do jovem loiro. Ele ia desabar...
– O que foi, Kou-chan? – Kai quase se desesperou com o amigo.
– Yutaka, eu preciso desabafar com alguém...
– Confie em mim. – a firmeza na voz do moreninho convenceu o guitarrista loiro. Mas antes que ele falasse alguma coisa Yuu deu um apertão na mão de Uke e torceu os lábios num bico.
– E o meu yakisoba? Eu to com vontade.
Uruha sorriu e acarinhou os fios negros com cuidado:
– Calma, Yuu-chan. O Kai vai fazer pra você. Só vamos contar as boas novas para ele.
O moreno hesitou visivelmente:
– Tem certeza?
– Hn. Eu preciso contar pra alguém. Você deixa?
Shiroyama pareceu considerar o pedido por um instante. Acabou cedendo e concordando com um aceno de cabeça.
– Uruha. Vocês acham legal esse mistério todo?
– Kai, o que eu vou te falar vai parecer a coisa mais bizarra do mundo. Mas eu juro... juro pelo amor que sinto pelo Yuu que é verdade.
O baterista alternou olhares entre o rosto pálido e sonolento de Aoi e o insone e abatido de Uruha:
– Desse jeito estão me preocupando.
Uruha forçou um sorriso, tomou fôlego enchendo-se de coragem e finalmente revelou:
– Vamos ter um filho. Aoi está com quase cinco meses...
Os guitarristas viram a preocupação que dominava a expressão de Yutaka ser trocada pela surpresa, para imediatamente ceder lugar a raiva:
– Vocês acham que eu tenho cara de idiota? Se vão rir da minha cara, façam direito pelo menos!
Continua...
13/12/2010
