Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XVII
O líder da banda

A reação de Kai foi tão ruim quanto Uruha esperava que fosse. Tinha planejado todo um discurso para argumentar defendendo a verdade, mas as palavras fugiram diante do olhar incrédulo e meio raivoso do baterista.

– Não é mentira, Kai-chan... – Takashima falou hesitante, a voz foi morrendo até que o pranto o emudeceu por completo.

O loiro desabara. Sucumbira por tudo que estava passando.

– Kou-chan! – Aoi exclamou preocupado. Seus hormônios reagiram à visão e o moreno contagiou-se começando a chorar também. Sentiu-se profundamente culpado – Eu sou uma aberração...

Kai notou que a mão de Shiroyama começou a tremer entre a sua. Alternou olhares de um guitarrista para o outro, sem saber o que fazer diante daquela chuva de lágrimas.

– Não é uma aberração, Yuu. – Takashima soou firme – É um milagre.

O líder da banda engoliu em seco. Pensamentos terríveis passaram por sua mente, mas o pior de todos tinha relação com drogas. Era a única explicação que podia aceitar na situação. Kouyou e Yuu estavam se drogando.

Não era um fato realmente incomum no meio. Ele conhecia muitos músicos que não agüentavam a pressão e buscavam refúgio em anfetaminas e alucinógenos. Não poucos usavam isso como desculpa para conseguir inspiração.

Felizmente a PSCompany era muito rigorosa com seus artistas. Entre os amigos mais próximos nunca ouvira falar de alguém que recorresse a algo mais forte que sake ou mais prejudicial que cigarros.

– Yuu, Kouyou. Vamos procurar ajuda profissional. – Yutaka decretou.

– Ajuda profissional?– Uruha repetiu controlando o choro – Se procurarmos um médico Muggle ele vai querer internar o Yuu. Vão fazer testes, experiências! Não vou deixar que façam nada com o meu filho!

– Médico o quê? – Kai franziu as sobrancelhas.

Takashima explicou:

– Muggle. É assim que os bruxos chamam os não bruxos.

– Bruxos? – Kai sentiu um pouco de medo. A história ficava cada vez pior.

Vendo a expressão do moreninho, Uruha indicou o sofá insinuando que o líder deveria se sentar. O convite foi delicadamente recusado. Yutaka preferiu continuar em pé, segurando a mão de Yuu. O guitarrista mais velho parara de tremer e de chorar. Agora os olhos avermelhados estavam fixos no amante.

– Isso começou há quase cinco meses. – o loiro foi explicando – Eu queria comemorar uma data especial e comprei uma bebida no 5th Hell. Mas não era apenas uma bebida. Aquela porcaria era uma poção.

– A Poção do Bom Parto. – Yuu forneceu o detalhe, fazendo o loiro sorrir.

– Sim, essa daí. Então há poucos dias atrás, quando a gente ia sair em turnê, esses dois bruxos apareceram contando uma história bizarra. O Aoi já estava se sentindo mal, só que a gente não acreditou.

– Eles explodiram a porta. E o celular do Kou. – o mais velho dos três voltou os olhos para Yutaka – E consertaram depois com magia.

– Nós mandamos eles embora. Então naquele dia que o Aoi ficou com vontade de comer takoyaki de brócolis eu acabei chamando eles outra vez. Eles vieram na mesma hora e nos levaram para Londres.

– Em trestalios. – Aoi completou mais empolgado – Monstros que as pessoas não podem ver, sabe? Só aqueles que já tiveram contato com a morte. Por isso eu vi.

A medida que os guitarristas iam contando aquilo tudo de forma um tanto confusa, Kai lutava para esconder seu horror. Ambos pareciam loucos. Completamente loucos, falando de magia, bruxos e coisas que não podiam ser vistas.

Era desesperador ver dois de seus amigos, homens que admirava, dizendo coisas sem sentido, absurdos ilógicos.

– Kai, por favor, não faça essa cara. – Uruha pediu num fio de voz.

– Você não está acreditando, não é? – Aoi voltou os olhos para o amante, antes de pedir com um sorriso – Mostra pro Kai.

– Mostrar? – Takashima não compreendeu.

– É. A moeda, lembra? Esfrega que eles aparecem por aqui.

A bela face de Uruha se animou. O loiro pareceu resplandecer. Devia ter pensado nisso muito antes! Sem perder mais tempo enfiou a mão no bolso, por que ele nunca se separava da preciosa moeda, e a esfregou vigorosamente por breves segundos.

Kai observou de sobrancelhas franzidas. O que aconteceria quando as mentiras caíssem por terra? Evidentemente nenhum bruxo apareceria por causa de uma moeda e...

Pufs quase inaudíveis quebraram o pensamento do líder da banda. Ele arregalou os olhos enviesados e recuou desajeitado para trás, soltando os dedos de Yuu. Achou que também estava ficando louco quando dois homens gringos surgiram do nada no meio da sala de Takashima.

– Aconteceu alguma coisa? – o mais baixo que era loiro perguntou num tom de voz esnobe e arrastado. Por algum motivo Yutaka achou um tanto familiar.

– Nada. – o japonês loiro garantiu – Queremos que conheçam Yutaka Uke, líder da nossa banda. Kai-chan, esses são Potter-san e Malfoy-san. Os dois são bruxos da Inglaterra e os donos da poção que Yuu bebeu.

– Harry Potter. – o homem alto de olhos verdes e cabelos bagunçados sorriu simpático – E este é meu marido Draco Malfoy.

O baterista sentiu as pernas bamberarem. Continuou recuado até sentar-se no sofá. Os olhos ainda arregalados estavam fixos nos recém-chegados. Não, não era ilusão. Eram pessoas de verdade, de carne e osso.

Kai não sabia o que pensar de tanta insanidade. Como, em nome de tudo que era sagrado, seres humanos podiam fazer aquele truque?

No meio da confusão e tensão que reinava na mente do moreninho, as palavras resmungadas de Aoi vieram para quebrar o clima estranho e provocar diferentes reações nas pessoas. Uruha e Harry sorriram, achando muito fofo. Draco ergueu uma sobrancelha ciente de que era uma coisa realmente estranha. E Kai engoliu em seco, incerto da própria sanidade:

– Ne... e o meu yaki de chocolate? – os olhinhos brilhavam esperançosos – Pode ser com avelã?

U x A – H x D

– Então não eram vocês naquele live. – Kai soou meio mal humorado.

– Sinto muito. Aoi desmaiou no palco por causa das poções que ele tomou em Londres. Madame Pomfrey disse que devia descansar, mas ignoramos completamente. Perdi a cabeça quando vi ele caindo daquele jeito... – Uruha parecia realmente pesaroso.

– Madame Pomfrey?

– É. Tipo uma bruxa enfermeira, algo assim. Ela fez várias recomendações e foi muito firme sobre o descanso. Ignorar não foi uma boa idéia.

– Eu sabia! Parecia com vocês fisicamente, mas era como se eu olhasse para pessoas completamente diferentes. Isso me faz pensar no último show...

– Também não era Yuu. Aquele era Malfoy-san. Eles bebem um tipo de poção e ficam parecidos com a gente, fisicamente. Naquela noite ele trouxe Aoi pro meu apartamento e fez o live no lugar dele.

O baterista balançou a cabeça. Estendeu a mão e pegou uma barra da prateleira do supermercado onde ele estava com Kouyou:

– Meio amargo com avelã. Vamos levar também.

O japonês loiro ajeitou a boina preta e sorriu:

– Não é muita coisa? – apontou a cesta na mão de Yutaka – Já pegamos chocolate ao leite com avelã, chocolate branco com avelã, crocante com avelã, chocolate com recheio de avelã, suíço com avelã, menta com avelã...

Kai ficou meio sem graça:

– Mas o Yuu não especificou qual tipo ele prefere. Têm muitos com avelã.

– Acho que ele não vai reclamar. – Uruha garantiu com um sorriso. – Vamos embora.

Os dois entraram na fila do caixa, como usavam grandes óculos de sol pra disfarçar ninguém parecia reconhecê-los. Kouyou chegara a colocar uma boina sobre os fios descoloridos. Ficaram em silêncio por alguns instantes até o guitarrista se pronunciar:

– Obrigado. Eu sei que isso é esquisito...

– Esquisito? Põe esquisito nisso. Eu pensei que estivessem usando drogas. Mas depois que vi os dois bruxos entendi que falavam sério.

– Mesmo assim Yuu e eu demoramos um pouco pra aceitar. – pensou no namorado que ficara no apartamento com Harry e Malfoy. Agora tinha confiança neles, no entanto antes fora pouco receptivo.

– Tenho a mente mais aberta. – Kai soou bem humorado. Takashima não ia perder a oportunidade: aproximou-se do amigo e sussurrou:

– Aquele cara do Arisu ta mexendo de verdade com o Kai-chan. – finalizou com uma risadinha sacana.

Imediatamente o baterista ficou sério:

– Nao kun não tem nada a ver com isso.

Kouyou pegou uma das barras da cestinha e acertou na cabeça do líder:

– Eu não disse nome de ninguém, bobão.

Ao perceber a mancada Yutaka ficou com vontade de arrancar a própria língua.

U x A – H x D

Quando voltaram para o apartamento encontraram Draco assistindo fascinado um programa Muggle, com Harry sentado ao seu lado, enquanto Aoi voltara a dormir sobre o sofá.

– Ele parece um urso hibernando. – Takashima soou um tanto amoroso demais, fazendo Malfoy torcer o nariz – Yuu passa a noite acordado, depois dorme o dia todo. Isso e os enjôos são as únicas mudanças visíveis. Ah, não! Tem o lance dos hormônios: ele anda chorando por qualquer coisinha.

– Normal. – Potter garantiu – Nós estudamos muito sobre gestação masculina. Pode ser que mais algumas coisas aconteçam, tipo queimação no estomago, vontade contínua de ir ao banheiro...

– É fascinante. – Kai mudara por completo. Do total incrédulo que fitara os amigos temendo o uso de drogas, agora estava curtindo aquilo como um acontecimento bom – Vou preparar o yakisoba. Eu nunca fiz de chocolate, mas nem deve ser tão difícil.

Uruha sorriu agradecido e seguiu com o baterista para a cozinha, deixando os ingleses a vontade na sala.

Algum tempo depois o cheiro de alimento doce pôde ser sentido. E estava tão bom que Yuu abriu os olhos e farejou o ar. Ao reconhecer o aroma de chocolate saiu debaixo dos edredons e rumou veloz para a cozinha:

– Ta cheirando que é uma maravilha! – parou ao lado do moreninho e observou a obra da culinária recém criada. O yakisoba parecia uma delicia.

Sem esperar mais Shiroyama serviu-se e foi sentar-se a mesa.

– Cuidado que ta quente, Yuu. – Kai alertou. Ele nem terminara de preparar, porém Aoi estava desesperado por aquilo. Finalmente conseguiria saciar um de seus desejos.

O guitarrista soprou algumas vezes antes de experimentar:

– DELICIOSO! – exclamou com a boca cheia.

– Aoi! – Uruha repreendeu.

– Parece bom mesmo. – Harry falou. Ele e o outro bruxo estavam na porta da cozinha observando a cena. – Podemos experimentar um pouco? – pediu por ele e pelo loiro.

Shiroyama sentiu-se subitamente ciumento em relação ao seu yakisoba de chocolate:

– Não. – negou o pedido sem hesitação.

– YUU!– o guitarrista loiro ficou horrorizado – Que modos são esses? Claro que podem provar o quanto quiserem.

O moreno olhou feio pro namorado, mas conformou-se em dividir a guloseima com os outros. Porém antes que fizessem qualquer coisa um objeto muito estranho entrou voando pela janela da cozinha, começando a flutuar bem em cima da mesa.

– Um berrador! – Malfoy exclamou – Abra logo, Harry.

– Deve ser de Neville. – o Gryffindor obedeceu.

– HARRY PRECISAMOS DE VOCÊ! TEMOS MAIS UM PROBLEMA NAS MÃOS!

Kai, Uruha e Aoi se entreolharam. Era cada coisa que a magia podia fazer! Por outro lado os bruxos não ficaram nada felizes com a notícia. Potter teria que voltar a Londres para apurar o que ocorrera, e deixar o caso ShimaShiro de lado mais uma vez.

Ele preferia ficar ao lado do marido e resolver tudo de uma vez antes de reassumir sua missão como Auror. Infelizmente não era uma opção. Não restava escolha a não ser voltar para casa.

Continua...

26/12/2010

Nota por Felton Blackthorn

Capítulo exclusivo sob minha responsabilidade. Qualquer erro com os rapazes japoneses, perdoem. No próximo vou tentar um POV dos bruxos. Enfatizar o caso dos roubos mágicos, pra trama secundária ter a importância correta na história.