Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Nota por Kaline Bogard:

Desde que começamos a discutir essa fanfic, este tem sido o capítulo que eu mais esperei digitar... )

Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XIX
Quando o inesperado acontece

A semana de folga passou incrivelmente rápida, assim como a última parte da nova turnê. Mais uma vez foram aclamados pelos fãs, como uma banda de sucesso consagrado. E, apesar dos outros membros desconfiarem um pouco das coisas, os fãs não estranharam em nada o jeito diferenciado de "Aoi" se apresentar no palco.

Pra legião que os adorava bastava a boa música, o fanservice ousado e seus músicos amados no palco. Eles viam o que queriam ver.

Uruha sentia os olhares preocupados tanto do vocalista quanto do baixista. E dos staffs. Eles Sabiam que tinha algo errado com o guitarrista mais velho, porém não conseguiam descobrir o que era. Jamais, em momento algum, poderiam adivinhar que aquele Aoi não era Shiroyama Yuu, e sim um bruxo inglês transformado.

Malfoy e Takashima concordavam que era absolutamente fundamental manter Yuu quieto em casa, principalmente quando os enjôos não se restringiam mais a parte da manhã. Era cada vez mais comum o rapaz passar mal com um cheiro qualquer mais forte. E, de uns dias pra cá, Yuu ia com mais freqüência ao banheiro.

"O feto está crescendo e pressionando seus órgãos.", Draco explicara. "Por isso sua bexiga pede pra ser esvaziada tantas vezes."

A gestação era algo tão maravilhoso, que mexia com outras situações. O bruxo explicara que até a respiração e digestão do japonês sofreria alguma influencia. Nada para se preocupar, claro. Seria esperado e natural. Se é que alguém pudesse chamar aquilo de "natural".

Depois que a turnê acabou e a presença de Malfoy não era mais necessária no palco, o loiro acabou afastando-se um pouco. Deixou claro que estaria a disposição para qualquer emergência, vigiando na Tokyo bruxa.

O the GazettE recebeu mais uma semana de férias, antes que continuassem com os planos de lançar um novo single. Ou melhor, dois, conforme os planos de Kai. Ele queria voltar com força total. Novas músicas e novo visual outra vez, pra alegria de Uruha que detestava ter que se preparar com aquele cabelo todo ondulado.

A única coisa que combinara, na opinião do loiro, era o cabelo mais curto de Yuu. Ficara tão kawaii no ensaio fotográfico. Aqueles detalhes no traje de oncinhas... Era perfeito. Não condenava a multidão de fãs enlouquecidas que reverenciavam o moreno majestoso.

Apesar dos planos de novos trabalhos, os músicos tentavam não pensar em trabalho na folga. O que, no caso de Uruha, Aoi e Kai, era muito fácil de acontecer.

Shiroyama achou que ia enlouquecer. Por que Takashima estava um grude. Comprara uma fita métrica e fazia questão de medir a barriga do namorado todos os dias pela manhã e antes de irem dormir. Quando notava um aumento de milímetros, fazia uma festa.

Festa fora aquela terça feira em que Yutaka chegara com um pacote. O primeiro presente da criança. Roupinhas amarelas, porque ainda não sabiam se seria menino ou menina.

Era estranho e incrível pensar no que acontecia.

Só não era impossível de acreditar. As mudanças estavam ali: pra quem quisesse enxergar. A barriga estava mesmo crescendo. Ainda não era nada gritante, mas já parecia mais do que um simples ganho de peso.

A própria aparência de Aoi ganhara um novo brilho. O moreno resplandecia saúde e vitalidade. O rosto pálido ganhara uma vivacidade saudável, invejável. Havia os enjôos (e Uruha se arrependia amargamente do dia em que sugerira gravar um desses momentos... Yuu ficara realmente furioso...) e a vontade de ir ao banheiro. As noites que Aoi vagava pela casa, e os dias que dormia por horas seguidas.

E os desejos estranhos, claro.

Yuu desenvolvera um gosto anormal por coisas doces. A maioria das suas vontades envolvia chocolates com avelã, marshmallows e chantilly. Combinações que resultavam em iguarias tão açucaradas que davam enjôos em Uruha só de olhar.

Mas Kouyou atendia cada um dos pedidos estranhos.

Porque valia a pena assistir o moreno devorando cada petisco com os olhos brilhando, como se fossem o néctar dos deuses, feliz por satisfazer algo que estava além de sua vontade controlar.

Mas havia o lado ruim também, claro.

O humor de Aoi se tornara o pior inimigo do relacionamento de ambos. Com o passar dos dias Takashima aprendera a classificar os dias em dois tipos principais. Se Aoi não acordava como sempre, ele despertava de duas formas distintas. Nos dias "E.M.O." (Eu Me Odeio), seu humor caia drasticamente. Ele ficava encolhido no sofá ou na cama, geralmente enrolado em edredons, lamentando sua existência, o fato de ser uma "aberração", resmungando por todas as coisas ruins que aconteciam em sua vida. Eram dias em que o moreno ficava choroso e sensível. Qualquer olhar mais longo de Uruha fazia verter uma represa de lágrimas.

Nos dias "Sh.O.U."(Shiroyama Odeia Uruha), era justamente o contrário. Qualquer coisa tirava o mais velho do sério. Mas, ao invés de deprimir, Yuu voltava sua raiva contra o loiro. Qualquer coisinha que Takashima fizesse era rebatida com palavras grosseiras, atitudes hostis e agressivas. Nesses dias Yuu agia como se seu namorado fosse culpado por todas as tragédias do mundo. Um tufão atingiu a Costa Oeste da China? Culpa de Uruha que não colocou a toalha molhada no cabide pra secar. O preço do iene caiu e a bolsa fechou em baixa? Culpa de Uruha que guarda meias na gaveta de cuecas. O Brasil vendeu a soja a preços exorbitantes e com isso o macarrão vai ficar mais caro? Outra vez Uruha que amarrota as camisas ao dobrá-las do jeito errado.

Uruha nunca sabia como agir. Em nenhum dos dois casos. Ou fazia Aoi chorar ou ele próprio acabava magoado. Sabia que o moreno não fazia de propósito. Yuu agia assim porque seus hormônios estavam numa verdadeira guerra. Por mais que a situação fosse um milagre, bonita e incrível, momentos como aqueles feriam e desgastavam qualquer um.

Takashima pretendia conversar sobre tudo isso com aquela agradável enfermeira bruxa. Aoi e ele tinham uma consulta (se é que podiam chamar assim) marcada para dali a quatro dias. Uma espécie de pré-natal, para saber se tudo estava indo bem. A gestação passara dos cinco meses. Talvez fosse até possível descobrir o sexo do bebê.

Ultimamente Uruha sonhava muito com aquilo. Já tinha alguns nomes bailando em sua mente. Sentia-se emocionado cada vez que pensava no filho. Ou filha.

UxA – HxD

Aquele dia não estava sendo "E.M.O." nem "Sh.O.U.", pra alivio de Kouyou.

O loiro estava chegando do supermercado. Fora atrás de mais chocolate com avelã, afinal Yuu havia esgotado o estoque que tinham em casa.

O moreno amava os bombons, barras, balas e preparados com aquela iguaria.

– Sorte que Yuu não tem tendência pra engordar.

Uruha riu ao falar consigo mesmo. Trazia mais coisas além do chocolate: óleo para o corpo ("Pra prevenir estrias, Kou-chan"), creme para massagem ("Meus pés estão me matando, Kou-chan") e gel facial esfoliante ("Hormônios descontrolados dão espinha, Kou-chan").

O mais jovem não sabia o que ali era verdade e o que era coisa da cabeça de Yuu. Ficava feliz em realizar cada um dos pedidos. E já se cobrava entrar em contato com Malfoy e esclarecer aquelas dúvidas, mais tarde, claro.

Chegou ao seu edifício e seguiu direto para o apartamento. Praticamente morava ali com Yuu. O moreno não voltara mais pra própria casa, exceto para pegar algumas roupas e objetos de uso pessoal. Ambos concordavam que era mais prático e seguro ficarem na mesma casa.

– Cheguei! – foi logo dizendo ao tirar os sapatos e entrar.

– Bem vindo! – Yuu respondeu do sofá onde estava sentado. O console do Playstation 3 estava ligado e ele apertava o controle ferozmente. Nem mesmo olhou pro namorado.

– Tekken? – Kouyou riu notando que seu namorado levava uma surra no jogo de luta.

– Quer perder um pouco? – Yuu desafiou.

Uruha fingiu pensar. Sorriu ao responder:

– Vou adorar vencer você! Espera só eu guardar isso...

– Kou! – Aoi exclamou ao ver seu namorado indo pra cozinha – Deixa os bombons.

O loiro rolou os olhos sentindo seu coração bater mais rápido. Reconheceu o amor que sentia se manifestar naquela reação. Amava Yuu. Amava aquela criança que crescia no corpo do moreno, fruto da magia e totalmente inesperado, mas ainda assim bem vinda.

– Claro. – respondeu obedecendo. Enfiou a mão na sacola e tirou alguns bombons. Sorriu quando Yuu pausou o jogo e recebeu os doces como se fossem banhados a ouro.

– Obrigado! Você quer?

– Não, não. Eu não sou chegado em doces. Valeu. – Takashima dispensou a oferta fazendo uma careta engraçada.

O moreninho não insistiu.

Então seriam brindados com um daqueles momentos engraçados, onde tudo parece perfeito; e, sem explicação alguma, um revés terrível destrói a aparente perfeição.

Mal Yuu pegou o chocolate e algo totalmente inesperado aconteceu. Um estrondo assustou os dois japoneses. Ambos levaram meio segundo para perceber a porta sendo destruída por algo que só podia ser magia.

– Mas que... – Takashima começou a exclamar. Calou-se ao ver as duas pessoas que entravam em sua casa.

Um homem alto e magro, de cabelos curtos e olhos escuros profundos e hostis. E uma mulher, mais baixa, de cabelos longos negros e encaracolados. O casal usava roupas bruxas, evidenciando que não eram pessoas comuns ou Muggles, como Harry e Draco chamavam.

Sem perder um segundo sequer, o homem ergueu a varinha e apontou para Yuu:

Relaxo. – a voz era grave, rouca.

Uma familiar sensação tomou conta de Shiroyama. O moreno sentiu como se não dormisse há semanas, e todo o sono acumulado viesse a ele de uma única vez, fazendo-o praticamente desmaiar no sofá da sala.

– YUU! – Kouyou se desesperou ao ver seu namorado sucumbir diante de seus olhos. Largou a sacola com evidente intenção de socorrer o mais velho. Porém não deu nem mesmo um passo. A mulher desconhecida riu de forma maldosa e apontou a varinha diretamente pra ele:

– Muggles são tão frágeis... – a voz soou macia e terrivelmente fria – ESTUPEFAÇA!

A magia brilhou na ponta da varinha e seguiu em direção a Uruha acertando-o em cheio. O guitarrista loiro sentiu uma força impressionante envolvendo seu corpo por completo e jogando-o violentamente contra a parede. Um débil lamento escapou-lhe dos lábios antes que tombasse sem sentidos no chão.

Continua...

09/01/2011