Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XX
Desconfiança

Kouyou acordou sentindo uma dor de cabeça excruciante. Apenas ao tentar levantar deu-se conta de que estava caído no piso frio da sala. Lembranças com o ocorrido inundaram sua mente fazendo-o se erguer num salto, ignorando qualquer dor.

– YUU! – gritou com urgência.

O moreno não estava no sofá. Muito vagamente registrou os destroços da porta espalhados pelo chão. Sorte que seu apartamento ocupava todo o andar, ou algum vizinho já teria visto aquilo.

– AOI!

Foi até o quarto. Sondou os banheiros, a cozinha, o escritório e o quarto de hóspedes. Shiroyama não estava em nenhum daqueles cômodos. Ficou mais do que óbvio: seu namorado fora raptado pelo casal bruxo desconhecido.

A constatação lhe deixou sem forças. Por quê? Porque alguém iria levar o guitarrista moreno para longe de si?

Talvez Potter-san ou Malfoy-san soubessem responder...

De forma quase automática enfiou a mão no bolso da calça, pegou a moeda estrangeira e esfregou vigorosamente.

Em questão de segundos Draco Malfoy aparatou no centro da sala.

– Espero que não seja outro dos seus amigos querendo...

O Slytherin calou-se ao ver a porta destruída. Olhou para Uruha e compreendeu imediatamente que alguma coisa acontecera. Não precisou perguntar. O japonês voltou-se para Draco e, aparentando estar completamente perdido, revelou:

– Levaram o Yuu. Dois bruxos. Eles... Levaram o Yuu e o nosso filho...

Pela violência do cenário, pela confusão do outro loiro e por uma estranha intuição, Malfoy achou que não conseguiria lidar com aquilo sozinho. Alguma coisa terrível tinha passado pelas vidas de Takashima e Shiroyama.

E a culpa era exclusivamente sua.

Deixando de hesitar, Draco sacou sua varinha:

– EXPECTO PATRONUM!

A luz brilhante saiu da varinha do Slytherin e assumiu a forma de um tigre, antes de atravessar uma das paredes e desaparecer.

Uruha, que estivera observando as ações de Malfoy, deixou os ombros caírem sob o peso de sentir-se impotente para ajudar quem amava.

– Por que...? – questionou baixinho.

Draco ouviu a pergunta sussurrada, mas não respondeu. Aquilo era algo para o qual também não tinha resposta.

U x A – H x D

A luz em forma de tigre foi aninhar-se aos pés de Harry Potter.

A sala ficou silenciosa, enquanto o Garoto Que Venceu engolia em seco. Olhou da magia que se esvanecia rapidamente para Hermione.

– Posso falar com você um momento?

Ambos sentiram o peso dos olhares dos outros bruxos presentes na reunião. Aurors, agentes do Departamento dos Mistérios, e o próprio Ministro da Magia.

A garota ficou um tanto pálida, porém concordou. Pediu licença aos outros e saiu da sala, seguida por Potter.

– Eles vão querer a minha cabeça... – a mulher foi logo dizendo quando ficaram sozinhos no corredor.

– Você viu aquilo, Mione. Era o Patrono de Draco.

– Eu sei, Harry. O que quer que eu faça?

– Me libere. Tenho que ver o que está acontecendo. – pediu simplista.

Hermione Weasley demonstrou a surpresa que lhe colheu:

– Harry, eu não posso! Você é um dos Aurors responsáveis pelo caso dos desaparecimentos! ShimaShiro não é nossa prioridade no momento!

– Mas...

– Estamos a beira de uma guerra contra os sereianos. Eles exigem a Rainha de volta, e você me pede para liberá-lo?

– Mione, você não conhece o Draco como eu. Ele nunca me enviaria um Patrono se não fosse um caso de vida ou morte. Se aquele Muggle morrer por causa da nossa interferência sabe o que vai acontecer? É Azkaban, sem volta.

A mulher ia dizer alguma coisa, porém calou-se. Harry tinha razão naquele ponto. Malfoy estaria enrascado. Muito.

– Eu preciso ir. Neville pode segurar as pontas. Eu sei que ele quebra essa.

– Harry... O caso é muito sério. Nosso tempo está se esvaindo. Os sereianos...

– Nesse momento Draco é mais importante pra mim. – o moreno afirmou com toda a certeza do mundo.

– Que egoísta! Estamos falando de guerra, Harry. Pode custar a vida de centenas de bruxos e...

– Consigo lidar com isso, Mione. Não seria a primeira vez. Mas pode jogar a culpa sobre mim e dizer que fui embora sem obedecer às ordens. – na sua cabeça havia apenas uma preocupação: alcançar logo um trestálio e fazer a longa viagem até o oriente.

Harry desaparatou antes que a amiga pudesse dizer algo mais. Hermione Weasley respirou fundo e recostou-se na parede.

Nunca, em hipótese alguma, faria o que o moreno tinha sugerido: jogar a culpa sobre ele. Mesmo que significasse se enrascar e meter-se em fria. Mesmo que custasse o seu emprego e o alto cargo que conseguira com seu esforço.

Para Hermione não existia nada mais importante que a amizade. Respirou fundo pela segunda vez e, quando abriu a porta para voltar à reunião, sua mente já tentava criar uma excelente desculpa para justificar a ausência de Harry Potter.

U x A – H x D

Anoitecia quando o Gryffindor chegou à Tokyo bruxa. Desaparatou de lá direto para a casa de Uruha sem se preocupar com etiqueta.

– Finalmente.

Foi saudado pela voz arrastada de Draco Malfoy. Mas a palavrinha soou aos ouvidos de Harry como um "que bom que está aqui, eu já não sabia mais o que fazer."

– O que aconteceu? Onde estão os Muggles? Porque me chamou com seu Patrono? – enquanto lançava as perguntas Potter ia caminhando até o sofá e sentava-se ao lado do marido. Tocou-lhe o rosto numa suave carícia e selou os lábios rapidamente. Sentia saudades do loiro, não se viam há quase duas semanas e o contato feito através de pergaminhos e da lareira era insuficiente para aplacar a falta que Draco lhe fazia.

O Slytherin apreciou os gestos carinhosos. Apertou os lábios antes de recostar-se, relaxando no sofá. Preparando-se para as revelações, suspirou:

– Takashima está no quarto. Ele tava começando a surtar e tive que apagá-lo.

– Com um feitiço?

– Não foi um estuporante. – Malfoy respondeu de mau humor.

Harry sorriu de leve:

– E Shiroyama? Também colocou ele pra dormir? – o moreno não sabia se ficava aliviado pelo alarme falso ou se brigava com Draco por chamá-lo de tão longe por tão pouco. No entanto a sensação boa desapareceu com as palavras seguintes do Slytherin:

– Ah... Shiroyama foi levado.

Levado? – Harry perguntou confuso, as sobrancelhas franzidas de leve evidenciando o fato de que não compreendera nada.

– Por dois bruxos. Eles detonaram a porta, invadiram a casa e nocautearam os Muggles (com algum estuporante, creio eu), quando Takashima acordou, Shiroyama tinha sido levado.

– E esses dois bruxos deixaram alguma pista?

Draco olhou muito sério para o marido:

– Takashima os descreveu como um homem alto, de olhar assustador e perigoso, e voz rouca. Ele estava acompanhado de uma mulher mais baixa, de cabelos longos e encaracolados e aparência meio insana.

O Garoto Que Venceu praguejou:

– Alguma idéia de quem possa ser? Porque levariam Shiroyama?

– Não faço idéia. Mas talvez alguém do seu departamento saiba. Eu selei vestígios da magia usada para destruir a porta. Usei um dos Modernos para isso. Espero que haja algum traço da assinatura mágica, e que seja fácil identificar.

Harry ficou aliviado pela atitude de seu marido. Ao mesmo tempo se perguntava o que estava acontecendo ali. Porque, em nome de tudo que era sagrado, alguém ia querer seqüestrar um Muggle? Teria algo a ver com a gestação masculina...?

– Não faz sentido...

– O que não faz sentido, Harry?

– Não tem motivo algum para um bruxo raptar um Muggle. A não ser o fato de Shiroyama estar esperando um filho. Mas gravidez masculina não é exatamente impossível no mundo bruxo. Quer dizer... Qual a vantagem em levá-lo?

– Teria mais sentido se tentassem roubar a Poção do Bom Parto antes dela ser usada. – Draco concordou.

– No caso da Rainha dos Sereianos até faz sentido... – Harry murmurou.

– Concordo. – Draco estava a par das investigações do marido, afinal, trocavam pergaminhos e conversavam através da lareira praticamente todos os dias ao longo daquelas duas semanas – Várias pessoas teriam muito a lucrar com uma nova guerra.

– Hermione insiste que os raptos anteriores não passam de disfarce. Ela acha que o objetivo principal sempre foi a sereiano. – Harry apoiou os cotovelos sobre os joelhos e entrelaçou os dedos a frente do rosto. Seus ombros pesaram com aquela nova complicação.

Como poderia continuar o caso dos raptos em Londres e ao mesmo tempo tentar localizar Shiroyama Yuu, descobrir porque ele fora levado? As obrigações como Auror tinham prioridade número um. Exceto se Draco estivesse envolvido. E o caso ShimaShiro traria conseqüências para o Slytherin, boas ou ruins.

Vendo a expressão cansada do marido, Draco tentou aliviar:

– Hum... Uma forma bem diferente de... Hei, sabe o que acabei de lembrar? – o loiro tocou o braço de seu amante – Legimancia. Leia a mente de Takashima a hora que ele acordar. Talvez consiga alcançar imagens dos bruxos. Se tiver sorte você conhece um dos dois.

Harry ergueu as sobrancelhas com certa surpresa:

– Eu devia ter pensado nisso!

– Hunf. E eu devia ser Auror ao invés de professor. Ia encerrar os casos na metade do tempo que você, Potty.

– Ainda não consigo entender porque levariam Shiroyama. Mas sua idéia é excelente. Assim que Takashima acordar, vou tentar ler a mente dele. Em último caso poderíamos recorrer a penseira. O caso ShimaShiro era infinitamente mais fácil, ao contrário da sua missão, que envolvia os Lestrange.

– Fez bem em me chamar. – Harry afirmou – Se soubermos quem levou Shiroyama poderemos trazê-lo rapidamente de volta. E eu volto logo para Londres, antes que os sereianos entrem mesmo em guerra contra os bruxos.

– Quer que eu vá desfazer o feitiço e acordar ele?

O moreno pensou por um instante. Quanto antes melhor.

– Faça isso, Draco. Não podemos diminuir a importância do que aconteceu aqui. Esses dois Muggles são nossa responsabilidade.

O loiro acenou a cabeça e levantou-se para ir despertar Takashima.

– Sabe o que me deixa preocupado de verdade, Potty? – o loiro perguntou encarando o moreno.

– O que?

– A única vantagem em levar Shiroyama é a gravidez que ele desenvolve. Agora, me responde uma coisa: quantas pessoas sabiam que um Muggle está grávido e que ele mora aqui? – deixou a pergunta no ar, saindo da sala.

Harry apenas observou. A insinuação de Draco o deixou chocado, mas seu marido estava coberto de razão. Se um bruxo levara Aoi, era por saber que ele estava esperando um filho, vítima de uma poção ingerida por engano.

Agora, parando pra pensar, quem exatamente sabia de todos aqueles detalhes? Harry e Draco, evidentemente. Hermione Weasley também estava a par de tudo. Severus e Ronald talvez soubessem do principal, mas não poderiam saber o local da residência de Takashima.

Fora essas pessoas, ninguém mais sabia. Ninguém mais além de Neville Longbotton...

U x A – H x D

Yuu abriu os olhos lentamente. A primeira coisa que sentiu foi o frio. Aos poucos notou que estava deitado no chão molhado. Havia cerca de dois ou três dedos de água cobrindo o solo pedroso e irregular.

Com certa dificuldade sentou-se, encostando-se na parede também feita de pedra rústica. Assim que os olhos negros se acostumaram a penumbra que o cercava conseguiu reconhecer o local onde estava.

Esqueceu-se do frio e da sensação ruim de suas roupas estarem molhadas.

Tudo que ele sentiu foi o medo.

Continua...

09/01/2011