Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXII
Desespero
Draco permanecia sentado na cozinha do apartamento de Aoi. Ouviu quando a porta da sala foi aberta e fechada. Passos indicaram que o recém-chegado caminhava direto para o quarto onde Takashima estava. Pouco se importou.
Tentava não pensar no marido. Harry tinha voltado há algumas horas atrás para a Inglaterra, pegando o expresso mesmo mal tendo chegado ao Japão.
Provavelmente estava esgotado por tantas horas de viagem, exausto por tudo que descobriram. Mas ambos sabiam que não havia tempo para pensar. A eminência de uma Guerra Mágica e a vida de dois Muggles inocentes estavam em jogo.
Quanta coisa estava acontecendo!
Recostando-se na cadeira, Draco virou mais uma página do enorme livro que fora buscar numa das bibliotecas mágicas de Tokyo. Observou a página amarelada e meio roída por traças nas pontas.
Harry iria expor tudo ao Ministério. Tudo. Não apenas ao Ministro da Magia inglês, mas também tentaria contato com o Ministério Japonês. Não podiam mais continuar sem o apoio das autoridades. Estariam limitados, quase de mãos atadas se continuassem escondendo o jogo.
Era hora de arcar com as conseqüências.
Virou mais uma página. Lia cuidadosamente os feitiços daquele livro velho. Um dos vários que conseguira emprestado, depois de usar a força de seu sobrenome. Não havia fronteiras no mundo mágico que barrassem o poder da ancestralidade de uma família, mesmo que estivesse ligada a magia negra.
Por isso conseguira exemplares raros. Mas Draco não se animava em procurar ali. Sua biblioteca particular e a de Severus tinham exemplares muito mais importantes. Assim que possível iria revirá-los atrás de um feitiço que unisse tudo o que estava sendo raptado.
Um unicórnio prateado... uma salamandra azul... a rainha dos sereianos e um Muggle grávido. Qual seria a conexão?
O Slytherin não conseguia se lembrar de nada que usasse uma combinação tão exótica e peculiar. Alias, era a primeira vez que ouvia sequer falar em um homem sem magia engravidar. Como poderia existir um feitiço ou um ritual baseado nisso?
Precisariam da criança? A Poção do Bom Parto deixaria algum resquício que pudesse ser utilizado? E a rainha? Roubar aquela criatura tinha realmente o propósito de causar outra guerra? Ou estaria interligado a algo mais profundo, mais sombrio?
O que poderia ser mais sombrio do que uma guerra?
Malfoy fechou o livro com força. Apoiou os cotovelos na mesa e descansou o rosto sobre as mãos. Sentia dor nas costas e dor de cabeça. Permaneceu naquela posição por alguns segundos, até um pensamento invadir sua mente com força.
Harry Potter.
Harry, seu marido, estava viajando para Londres sem um minuto de descanso. O moreno e seu maldito senso de lealdade. A maldição Gryffindor.
Ele estava fazendo todo o possível, não apenas para resolver o caso, mas para fazê-lo de uma forma que Draco não sofresse toda a punição da Lei Mágica. Não fosse mandado para Azkaban...
E fazia por amor.
Resignado, o loiro voltou a abrir o grande e pesado livro. Buscou a página onde interrompera a leitura e continuou lendo feitiço após feitiço.
UxA – HxD
Kai entrou no apartamento de Aoi, seguindo as orientações de Uruha, e seguiu direto para o quarto que os guitarristas dividiam. Bateu na porta e entrou.
– Kouyou...
Ia pedir licença, mas calou-se. Tivera a intuição de que algo ruim ocorrera ao ouvir a voz do loiro soando pelo celular. Porém apenas naquele momento dava-se conta da gravidade. A aparência do rapaz era péssima. Ele tinha olheiras ao redor dos olhos fundos e avermelhados. O rosto pálido tinha aspecto doentio, frágil.
Ele tirou uma das mãos de sob a coberta e estendeu para Yutaka:
– Levaram ele, Kai-chan. Levaram o meu Yuu.
O líder da banda fechou a porta e aproximou-se, sentando-se na cama onde Takashima estava deitado, aceitando segurar a mão que lhe era estendida em busca de consolo:
– O que houve?
– Dois bruxos invadiram o apartamento. Eles nos atingiram com feitiços e quando acordei o Yuu tinha sido levado.
Kai engoliu em seco:
– Você está bem?
– Não! – Uruha gemeu – Quero Yuu e nosso filho de volta. Mas... Parece que esses bruxos são da pior espécie.
– Esses bruxos? – o baterista ficou confuso.
Uruha usou a outra mão para secar as lágrimas. Então contou tudo detalhadamente para o amigo. Contou como o dia começara bem, o clima entre os guitarristas era perfeito, agradável... Até que um casal desconhecido arrombara a porta do apartamento com magia e atacara Yuu, desmaiando-o na frente de seu namorado.
O japonês loiro sentiu uma vertigem. Lembrar a cena trouxe toda a sensação que o acometeu no derradeiro momento. Sentiu o medo e a angústia. A dor de não poder fazer nada para proteger quem tanto amava.
Respirou fundo ao sentir um apertão cheio de conforto em sua mão. Sorriu fraco para o amigo e líder da banda, antes de continuar narrando.
Detalhou o terror que o envolveu ao acordar e descobrir-se sozinho, desorientado no apartamento. Nada poderia traduzir o seu sofrimento ao compreender que aquele casal tinha levado Shiroyama.
Depois disso as coisas tinham perdido todo o sentido. Cada segundo era um borrão indistinto, que fazia Uruha sentir-se assistindo a um filme. Não era sua vida. O homem que amava não tinha sido roubado de si. Seu destino não parecia uma tragédia...
Era a sua vida. O homem que amava tinha sido roubado de si. E seu destino parecia sim uma grande tragédia.
Yutaka ouviu silenciosamente o relato um tanto atropelado. Sentia a dor de Kouyou como se fosse sua. Não podia aceitar que um membro importante de sua banda tinha realmente sido seqüestrado.
– Céus... – foi tudo o que conseguiu sussurrar, assistindo o guitarrista loiro chorar baixinho, lamentando a perda de algo insubstituível. – Sinto muito, Uru...
– Diz que eles vão ficar bem Kai-chan. Por favor...
O moreno ficou tenso. Ele não queria mentir, mas também não podia dizer para o loiro que tudo estava perdido. O que poderia dizer num momento tão terrível?
– Takashima. – ele respirou fundo, ia fazer o que devia fazer: dizer sua opinião sincera – Sei que isso é terrível e que você está sofrendo muito. Mas Yuu é importante para mim também. E para Reita e Ruki. Ele vai precisar de você. De verdade. Tem que reagir, Kou. Você tem que ser forte por você, por Yuu e pelo filho que ele carrega.
O loiro olhou longamente para o baterista antes de sussurrar:
– Yutaka...
– Acredito que Potter-san e Malfoy-san vão fazer todo o possível para trazer Yuu de volta. E você tem que acreditar nisso também. Não entregue os pontos!
Uruha engoliu o choro. Kai estava coberto de razão. Não podia ficar deitado ali pra sempre, chorando feito uma moça abandonada. Doía sim, muito. Mas e Yuu? Como seu moreno devia estar se sentindo? Yuu devia estar assustado e acuado, longe de quem conhecia.
– Vou me oferecer pra ajudar Malfoy. – Kouyou decidiu. – Talvez eu também possa ajudar de alguma forma, não é, Kai-chan?
O moreninho concordou com um gesto de cabeça. Ele se ofereceria também, para fazer todo o possível e ajudar a encontrar Shiroyama Yuu, seu grande amigo e importante membro de sua banda.
E, enquanto pudesse, faria um esforço desgraçado para espantar um pensamento terrível que flutuara em sua mente.
Quanta certeza eles tinham de que Aoi e o bebê ainda estavam vivos?
UxA – HxD
– Silencio, por favor! – A voz enérgica de Hermione Weasley teve a força de calar aos que ali se encontravam e acabar com a balburdia. Todos olharam para ela.
A mulher devolveu o olhar de um por um daqueles presentes na reunião. Baltazar o Ministro da Magia; Wareck da Confederação Internacional de Bruxos, Bones do Departamento de Execução das Leis da Magia, Norbert do Departamento de Cooperação Internacional de Magia, Croacker dos Mistérios, Harry Potter (parecendo extremamente cansado), Neville Longbottom, Cho Chang e a comissão nobre dos sereianos.
– Não estamos chegando a lugar algum. – a assessora do ministro disse.
Viram o interprete sereiano traduzir sua fala para os companheiros. Eles estavam usando o poder de transmutar a cauda em pernas, algo que exigia um poder muito grande e podia ser usado por apenas duas horas por dia. Somente os sereianos mais velhos e treinados podiam fazer tal coisa.
Um sereiano de alta patente disse algo naquela sua comunicação de golfinho e Chang, a tradutora dos bruxos, explicou:
– Ele não quer "chegar a algum lugar". – a chinesa estava pálida – O Rei afirma que a comissão veio apenas para oficializar a declaração de guerra. Eles planejam iniciar as batalhas amanhã.
Durante alguns segundos ninguém disse nada. A notícia arrasadora pegara a todos de forma direta. Já era esperado uma declaração de guerra, pois os rumores não negavam: centauros, duendes, alguns dragões e vários outros seres mágicos estavam dispostos a se aliar aos sereianos e lutar contra os bruxos.
Seria um massacre. Muitos perderiam a vida.
Antes que qualquer autoridade pudesse dizer alguma coisa, Hermione ficou em pé. O rosto demonstrava toda a urgência que sentia. Quando começou a falar, olhava diretamente para o Rei sereiano:
– Sei como se sente, Majestade. – vagamente notou o interperte deles traduzindo tudo – Por que nos sentimos iguais. É imperdoável que isso tenha acontecido enquanto acolhíamos a Rainha para os preparativos do Torneio Tri-Bruxo. Mas acredite em mim: vamos reparar esse erro. Temos sido vitimas de atentados premeditados. Levaram criaturas importantes e até mesmo um Muggle que estava sob nossa proteção. Não somos inimigos dos serenianos, mas nossos povos têm um inimigo em comum! Não use vossas forças contra nós, Majestade. Use-as junto a nós. Nos empreste vossos conhecimentos e nos ajude a trazer todos que foram levados! As alianças que fez para lutar contra os bruxos... Muito irá se perder numa guerra tola e imatura. Use vossa sensatez e não permita que seja manipulado!
Ao final do inflamado discurso Hermione estava sem fôlego. Não se sentou, permanecendo firme ao encarar os olhos perspicazes do rei.
Depois de longos e tensos minutos, o Rei falou algo que foi imediatamente traduzido por Cho:
– Ele pergunta o que você quer dizer com "manipulado".
Weasley respirou fundo:
– Desconfiamos que esses raptos estão interligados. Acreditamos que alguém, alguns seguidores de Lord Voldemort, estão se unindo mesmo após a morte dele. Essas pessoas sabem que os sereianos reagiriam assim, com a Guerra. Existe interesse em que os conflitos comecem. Acredito que jogar-nos uns contra os outros é um ardil sujo que encobre um interesse mais profundo. Mas ainda não tivemos tempo e pessoal suficiente para investigar.
Assim que o tradutor repetiu a ultima palavra de Hermione, o Rei respondeu de forma firme, e sua fala foi rapidamente traduzida por Cho Chang:
– O Rei Yr quer saber mais sobre isso.
O alívio de todos não teve tamanho. Se continuassem assim a guerra seria afastada. Hermione parecia ter conseguido um feito e tanto.
– Potter e Longbottom são os encarregados do caso. – Baltazar, o Ministro da Magia revelou – Estão a sua disposição para esclarecer qualquer dúvida. – os dois Aurors concordaram com um gesto de cabeça.
– Vou entrar em contato com o Ministério Japones. O caso ganhou proporções internacionais. – foi a vez de Nobert garantir.
– Meu departamento vai testar o Armário. Andamos melhorando seu funcionamento. Tenho certeza que serão um meio de transporte mais rápido que o Expresso e mais seguro que chave de portal. Poderemos ir ao Japão em poucos minutos. – Croaker, do Departamento dos Mistérios afirmou.
Ainda não haviam tocado nas leis que Potter e Malfoy tinham violado. Evitar a guerra e trazer as vítimas a salvo era prioridade número um. Haveria muito tempo para o resto depois que tudo estivesse bem.
UxA – HxD
O som de passos chamou a atenção tanto de Aoi quanto daquele ser preso na cela ao lado. Ambos aguardaram num misto de medo e apreensão que, quem quer que fosse, se aproximasse de uma vez.
Era uma mulher. A mesma que invadira seu apartamento em Tokyo, Shiroyama tinha certeza disso. Reconheceria a face de expressão fria em qualquer lugar, assim como o sorriso cruel no rosto adornado pelos cabelos negros e encaracolados.
A bruxa parou em frente à cela da "sereia" e, com um sorriso extremamente debochado, reverenciou:
– Salazar salve a Rainha Anterrabae, Majestade dos sereianos. – riu – Vossas acomodações estão a contento?
Gargalhou da raiva que apossou-se da face animalesca de sua prisioneira. Sacou a varinha apontou para sua vitima, feliz ao vê-la se encolher. A raiva cedendo lugar ao medo:
– Não quer brincar Rainha? – a bruxa fingiu sentir muito – Bellatrix quer brincar com você... Vamos lá... Só um pouquinho...
Balançou a varinha de modo maldoso, ficando mais e mais feliz. Sua prisioneira se encolhia cada vez que fingia que ia lançar o feitiço. Era tão divertido!
Paralisado em sua cela, Aoi apenas assistia, evitando mover-se e chamar a atenção. Estava confuso com a cena, mas de uma coisa tinha certeza: aquela bruxa era sádica!
Ainda muito contente consigo mesma, e sem qualquer aviso, Bellatrix balançou a varinha pela quarta ou quinta vez, mas não foi de brincadeira: com grande prazer exclamou o feitiço proibido:
– Cruccio!
O terror atingiu Yuu no mesmo instante em que a Cruciatus atingiu a rainha dos chamados Sereianos. Impressionado, viu que a pobre criatura parecia estar sendo torturada, e todo o seu corpo se contorcia vitima de uma dor excruciante.
Rindo, Bellatrix encerrou o feitiço. Ficou admirando seu feito, a mulher-peixe ofegante caída no chão semi coberto de água fria e suja, mal podendo se mover tamanho o sofrimento que paralisava cada mínima parte de seu ser.
Aoi respirava muito de leve, sem poder acreditar no que vira. Podia sentir o suor frio escorrendo por suas costas, grudando a roupa já úmida ao corpo magro.
Como se sentisse o medo do japonês, Bellatrix olhou diretamente para ele através das grades. Começou a avançar em direção a sua cela na mesma proporção em que o moreno afastava-se buscando alguma proteção na parede grosseira e irregular do fundo do local.
Bellatrix ergueu a varinha e começou a cantarolar:
– Não posso brincar com Muggles. Não posso brincar com Muggles. Muggles são tão frágeis...
O japonês engoliu em seco e cobriu o ventre com as mãos. Assustado percebeu o sorriso aumentando naquela face insana.
"Meu filho..."
Foi a única coisa lógica que o rapaz conseguiu pensar.
Parecendo uma criança feliz, Bellatrix cantarolou novamente:
– Eu quero brincar com Muggles. – apontou a varinha para Shiroyama – Muggles são tão frágeis.
"Kouyou..."
A visão do loiro deu um pequeno conforto para Yuu. Um minimo e fraco conforto. Algo ínfimo como o bater da asa de uma borboleta diante da certeza eminente do fim. Certeza que veio numa única palavrinha, cantarolada pela voz aveludada de uma mulher:
– Cruccio.
Continua...
11/02/2011
Notas por Kaline Bogard.
Dorgas Manolo!1
Desde que começou essa fanfic que eu queria digitar esse capitulo. Alok.
Eu sei que sou uma menina má. Kkkkkk )
Nota por Felton Blackthorn
E eu não concordei em momento algum, mas sou voto vencido nessa dupla.
O capitulo ficou grandinho.
