Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXIII
Apesar daquela dor nós temos que continuar
– Ne. O que você acha disso? – Uruha sorriu – Sexo ocasional não é tão ruim assim...
Aoi olhou para o guitarrista loiro, integrante de sua banda, e respondeu com um outro sorriso. Concordou com um gesto de cabeça sabendo, no fundo, que pra ele nunca seria apenas sexo ocasional.
Nunca poderia classificar o amor como um ato ocasional.
O amor que sentia por Takashima Kouyou...
Yuu abriu os olhos devagar. Respirava de leve sem conseguir pensar direito. Cada parte de seu corpo parecia ter sido torturada.
Arrastou-se lentamente pelo chão molhado até conseguir chegar às grades de um lado da cela e penosamente sentar-se, apoiando as costas nas barras de ferro. Não conseguiu medir quanto tempo demorou para fazer a simples tarefa, mas sentia que fora bastante.
Gemeu baixo.
Também não podia medir quanto tempo passara desacordado depois de ser vítima da bruxa chamada Bellatrix. Sabia apenas que perdera os sentidos ao ser atingido com o feitiço de tortura pela segunda vez. A abençoada inconsciência que o salvara do sofrimento.
Engoliu em seco e cobriu o ventre com cuidado. Aquela pobre criança inocente...
Apertou os lábios tentando conter um novo gemido. Foi impossível: junto com o lamento um soluço escapou. Logo as lágrimas vieram embaçar-lhe a visão e Yuu se entregou ao pranto. Aquelas lágrimas pareciam uma das únicas coisas quentes dentro de si, e escapavam lentamente, rolando pela face pálida e suja.
"Kou..."
A imagem do namorado serviu novamente como consolo. Um fraco e frágil consolo, mas algo que poderia manter a sanidade de Yuu naquele lugar abominável.
UxA – HxD
A segunda vez que o guitarrista moreno abriu os olhos não sentiu dor. Apenas uma estranha sensação de adormecimento em suas pernas e braços. Talvez por ter ficado tempo demais na mesma posição.
Ergueu a cabeça e escrutinou o céu através das fendas no paredão. Podia notar algumas estrelas. Era noite.
Segurou-se nas barras e ficou em pé. Quase caiu, meio tonto. E logo em seguida tomou consciência da fome. Quanto tempo fazia desde que comera algo pela última vez? Horas? Talvez mais de um dia.
Ele não fazia idéia de quanto tempo estava preso ali.
Gemendo baixo olhou na direção da sereiano, agora sabia que aquela era a raça da criatura de nome Anterrabae, nome usado várias vezes por Bellatrix, durante a seção de tortura. Mas ela parecia dormir.
Numa forma de esticar os músculos deu uns passos hesitantes, arrastando os pés pela água escura e fria. Respirou fundo duas vezes. Realmente não sentia mais dor, porém ela estava bem vívida em sua mente. Ele ainda estava perdido, longe de casa, das pessoas que conhecia, longe de Kouyou. Alias, estaria seu namorado bem? Teria acontecido algo com ele durante o ataque?
– Uru... – sussurrou, os pensamentos se confundiam entre a preocupação, o medo e a fome. Uma tortura física e psicológica pelo qual nunca tinha passado antes.
A incerteza era uma grande inimiga. Shiroyama não sabia se a pessoa que amava estava bem, não sabia se ele ficaria bem, qual seria seu destino, e tudo o que passaria até que fosse encontrado. Isso se fosse encontrado.
Qual seria o propósito daqueles bruxos ao raptá-lo? Iriam pedir algum resgate? Por mais questões e dúvidas que tivesse, a maior de todas a rodear sua mente era também a mais terrível: estaria Uruha bem? Estaria ferido? Quando o veria de novo?
Ao pensar isso Yuu tremeu. Porque a dúvida trazia outra ainda mais dolorosa: o veria de novo?
Foi então que notou a pequena vasilha no chão, do lado de fora da cela. Estreitou os olhos abaixando-se muito próximo as barras. Alguém havia deixado aquilo enquanto estava sem sentidos...
Olhou para os lados e novamente para a tigelinha. Não tinha uma aparência apetitosa, pelo contrário. Estava cheia com uma espécie de sopa, uma água um tanto rala, de cor indefinida. Mas mesmo que não fosse uma visão apetitosa seu estomago reclamou e ele viu-se preso num dilema: sua parte racional não tinha coragem sequer de tocar naquilo, mas seu instinto de sobrevivência o animava a seguir em frente, a fazer qualquer coisa para sobreviver.
E Yuu não podia ser egoísta. Havia uma criança em seu ventre, tudo o que lhe acontecia afetava o ser inocente. Inclusive passar fome.
Olhou outra vez para a vasilha. Depois deixou os olhos observarem o lugar sombrio onde estava.
O estomago doeu, num lembrete de que precisava comer. Porém a dúvida era terrível! O que era aquilo que haviam lhe dado? E se tivesse algum tipo de poção? E se causasse mais dor, ou algo pior? E se afetasse seu filho?
Automaticamente esticou o braço, passando-o pelo vão entre as barras e segurou a tigela. Levou-a próximo ao rosto e aspirou o cheiro. Aquilo não tinha cheiro de nada. Os olhos escuros brilharam revelando o dilema no qual se encontrava.
Ele nunca tinha sentido tanta fome antes. Nem na época que a banda era desconhecida, durante o começo quando batalhavam por um espaço no cenário musical...
Vencendo a resistência racional que o impedia de comer e mandando embora qualquer prudência, Yuu levou a vasilha aos lábios, já que não havia colher, e provou a sopa. Ao contrário do que podia parecer, o gosto era muito melhor do que a aparência.
Não reconhecia aquele sabor como algo que já tivesse comido antes. Com toda certeza do mundo, era algo preparado pelos bruxos, com ingredientes bruxos.
Devorou a sopa em dois grandes goles. E, se pudesse, pediria por mais. Com as mãos tremendo, devolveu a pequena tigela ao chão, do lado de fora da grade e sentou-se no chão. As roupas já estavam molhadas e frias, não fazia diferença alguma.
Fechou os olhos. O coração disparou diante da leve ânsia de vomito que o acometeu. Seria por causa da poção? Seria a conseqüência normal da gestação? Ou simplesmente uma reação por ter ficado tempo demais sem ingerir nada?
Eram novas questões para as quais Yuu não tinha resposta. Por isso resignou-se em continuar sentado, com os olhos fechados, lutando contra as sensações ruins de enjôo, enquanto sentia o corpo tremer.
UxA – HxD
Aoi ergueu a cabeça e observou o céu que começava a clarear. Ele passara a noite toda insone, vistoriando cada pequena parte daquela cela, tateando sob a claridade fosca, alisando e testando. Procurando algo que nem ele mesmo sabia o que era.
Ao final de sua analise, parara em frente a parede do fundo, retirara um dos anéis e começara a riscar o paredão. Esfregara a jóia cuidadosamente e com firmeza por horas (afinal não tinha pressa), até conseguir fazer uma marca bem visível no cantinho. Uma marca para um dia, contando daquele em que fora atacado pela tal Bellatrix.
Tentaria contar a passagem do tempo da forma mais fiel que conseguisse.
Ouviu um barulho baixo e um som semelhante à um gemido. Era a rainha dos sereianos que despertava.
Yuu notou a forma dificultosa pela qual a criatura se movia, sentando-se contra a parede do fundo da cela. Preocupado, aproximou-se e segurou nas barras de ferro com as duas mãos:
– Está tudo bem? – sondou a expressão dolorida. Ela fora atacada primeiro, depois Bellatrix voltara sua atenção a Aoi, e em seguida voltara a agredir a sereiano, sempre debochando de sua condição real (o que fez o japonês deduzir que o ser deveria ser alguém importante para o povo dela). Então a bruxa o acertara pela segunda vez com o feitiço e Aoi desmaiara. Ele não tinha como saber se Anterrabae fora torturada após isso.
A sereiano observou seu companheiro de prisão com curiosidade na expressão animalesca. Entreabriu os lábios e respondeu em seu próprio idioma.
Aoi franziu as sobrancelhas. A comunicação entre eles não parecia nada fácil. Ele apontou para si mesmo e disse:
– Yuu. – apontou para a sereiano e disse: – Anterrabae. Compreende?
Ela inclinou a cabeça para o lado, pensativa. Ergueu uma sobrancelha. Animado, o moreno voltou a se apontar:
– Yuu.
Anterrabae sorriu de leve e apontou pra si mesma. Murmurou algo na sua linguagem gutural. Aoi deduziu que talvez fosse o nome dela, dita na língua dos golfinhos. Ele sorriu de volta apontando pra ela:
– Anterrabae. Muito prazer. – parou de sorrir e olhou em volta – Pena que foi nessas condições. Não faço idéia de porque vim parar aqui ou como...
A criatura não disse nada nem deu sinais de entender o que fora dito pelo rapaz. Ficou apenas olhando, com interesse brilhando nos olhos vazados. Era prova de que estivera cansada de ficar sozinha ali. E ter uma companhia no lugar horrível era melhor do que a solidão. Não podiam se compreender, mas eram seres na mesma situação, sofrendo as mesmas punições e torturas.
Ouvir algo que não podia compreender ou compreender a resposta do silêncio, de quando permanecia presa com mais ninguém? Anterrabae preferia ouvir a voz rouca que soava desanimada. Por isso observava com atenção, esperando que ele continuasse.
Yuu sentiu o incentivo e ficou grato:
– Eu queria realmente saber porque me trouxeram pra cá...
A sereiano abaixou a cabeça e fitou o ventre saliente de Yuu. O japonês soltou uma das grades e tocou a barriga:
– Ah... Isso... É estranho não acha? Eu estou esperando um filho. – e, surpreendentemente, não soou mais tão bizarro.
Anterrabae sorriu largo e fez uma leve reverencia em cumprimento. Não compreendera as palavras que foram ditas, mas captou a essência. Era uma linguagem universal: a vida nova que crescia, lutava para chegar a esse mundo. Não havia nada mais belo no mundo.
Shiroyama cobriu o ventre com as duas mãos, tocando com carinho. Não se preocupou em esconder o sorriso suave:
– Espero que esteja tudo bem... – arregalou os olhos surpreso e assustado com o que sentira – Chutou! O bebê chutou! – exclamou. Os olhos brilharam e ele alisou a barriga tentando sentir aquilo novamente. O movimento do pequeno ser. Foi a primeira vez que acontecera! Não podia descrever a emoção que o dominara.
Ele nunca imaginaria uma coisa daquelas...
– Foi um choque pra nós. – Aoi relembrou com os olhos longe, a mente no dia que conhecera Potter e Malfoy – Quando aqueles bruxos vieram dar a notícia. Pensei que estivéssemos enlouquecendo. Uruha também... ah, Uruha é meu namorado. Ele é o outro pai dessa criança. Ele ia adorar sentir o filho chutando.
Os dois prisioneiros se encararam em silencio por longos segundos. Então Aoi suspirou:
– Eu quero ver Kouyou outra vez.
Diante do olhar penalizado da sereiano, Aoi afastou-se das grades e foi encolher-se no fundo da cela. Não se importou em sentar no chão molhado: não tinha outra opção. Abraçou as pernas tentando se aquecer.
Ele queria mesmo reencontrar Uruha, ter a certeza de que o namorado estava bem. Queria voltar pra casa, pra junto dos amigos. Poder comer alguma coisa decente (de preferência algo que tivesse muito chocolate com avelã), beber até saciar completamente a sede que tentava ignorar. Tomar um longo, longo banho. E o que começava a preocupá-lo de verdade: poder ir ao banheiro.
Tentou não entrar em desespero. Não adiantava entrar em pânico pela situação. Afinal, ele não fazia idéia de quanto tempo ficaria ali, longe de Takashima e das pessoas que conhecia. Em condições totalmente desumanas...
Continua...
11/02/2011
Notas por Kaline Bogard:
Praticamente não fiz nada nesse capitulo. Acho que a parte que eu modifiquei deve estar bem evidente, porque o meu pensamento parece contrário ao do Felton. É impressionante!
