Autores: Kaline Bogard e Felton Blackthorn
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXIV
Nós também somos amigos
Reita observou bem os guitarristas de sua banda. Ele não era um gênio super sensitivo, mas as coisas estavam tão ruins, que ele já percebera. A relação entre Uruha e Aoi estava passando por um momento complicado.
O baixista, assim como os outros, sabia perfeitamente que aqueles dois tinham passado da fase "companheiros de banda" para a de "amigos mais do que íntimos ao quadrado". Porém, a cerca de mais ou menos um mês, tudo mudara.
Kouyou assumira uma posição extremamente fria em relação a Yuu. Uma manhã Uruha chegara ao estúdio com uma expressão abatida e vencida, o rosto pálido parecia ainda mais doentio em contraste com as olheiras profundas e escuras. Algo se quebrara no espírito do jovem loiro, e se refletia em seu exterior.
Yuu também mudara. Assumira uma atitude reservada e afastada de todos, evitava qualquer tipo de contato mais profundo; e, apesar disso, tornara-se um poço de arrogância. Esquecia com freqüência de palavras como "obrigado" e "por favor". Mas a mudança mais assustadora estava nos olhos... Aqueles profundos olhos escuros, antes sempre brilhantes de animação e malicia, passaram a encarar a todos com superioridade, como se mirassem apenas seres que não valiam a pena serem fitados.
Isso sem mencionar a forma como agia nos ensaios. Yuu começara a segurar a guitarra como se fosse um novato desajeitado. Mesmo que as notas saíssem boas, Reita flagrara o moreno dedilhando de forma totalmente ridícula! Trocando as cordas, porém com o som fluindo quase magicamente.
Eram mudanças assustadoras.
Desde então todo o mistério e romance que cercava o relacionamento secreto (não tão secreto assim) dos guitarristas desaparecera.
Não havia mais as trocas de olhares cheias de segundas intenções. Nem os sorrisos discretos e abobados que apenas os apaixonados sabem dar. Os toques furtivos, quando achavam que ninguém estava olhando, simplesmente acabaram. Uruha e Aoi não mais ficavam de cochichos nos cantos, fingindo trabalhar nas composições, enquanto aproveitavam da companhia um do outro.
Não existia nada mais daquilo.
Respirando fundo, Reita achou que era hora de dizer alguma coisa. Kai não parecia nada bem também. Vivia constantemente com uma expressão preocupada na face. Olhava penalizado para os guitarristas, sobretudo para Uruha.
O líder tinha a atitude de alguém que quer ajudar, mas não sabe como.
– Kou... – Reita se viu chamando, no instante em que Takashima ia saindo da sala.
O guitarrista loiro parou no lugar, com a case no ombro:
– Hn?
– O que está acontecendo? – não fez rodeios. – Porque você e o Aoi estão agindo assim?
Uruha olhou firmemente para o baixista:
– Nada. Não é nada. – balançou a cabeça.
– Tenho o direito de saber. Somos amigos, Kouyou.
– Quer mesmo saber, Rei-chan? – ao dizer aquilo Uruha parecia cansado, derrotado – O meu problema é que aquele não é o Aoi, ne?
Akira soltou o braço do companheiro de banda. Voltou os olhos para Yuu, que apenas escutava, sem dizer nada.
– Não é o Aoi? – repetiu visivelmente confuso – Eu queria saber o que aconteceu pra vocês mudarem tanto.
Mas Uruha não disse mais nada, apenas saiu da sala, sendo seguido pelo guitarrista moreno. Reita engoliu em seco e passou a mão pelos cabelos. Ele não ia desistir tão fácil de saber a verdade. Não deixaria seus amigos sofrendo sem tomar alguma atitude.
UxA – HxD
Reita não foi embora. Ele esperou pacientemente no estacionamento até que Kai terminasse de resolver alguma coisa sobre o novo ensaio fotográfico com o empresário.
O líder da banda não pareceu surpreso ao encontrar Akira encostado na moto, segurando o capacete:
– Imaginei que estaria aqui, Reita.
– Eu quero falar com você.
– Vamos tomar um café. – observou o loiro concordar com um aceno de cabeça – Eu conheço um lugar bem tranqüilo.
Dizendo isso foi destravando o carro e entrando, sabendo que Akira o seguiria na moto. Dirigiram através do tráfego um tanto congestionado por cerca de meia hora, até que Kai estacionou em frente a um pequeno café. Parecia bem aconchegante.
Akira parou a moto no estacionamento conjugado, logo ao lado do local. Juntos entraram e não tiveram qualquer problema para encontrar uma mesa vaga.
Esperaram até o garçom anotar os pedidos, café e croassants, para poder ter mais privacidade:
– Eu sei que está acontecendo algo, Kai. – Reita não era homem de fazer rodeios – Pelo jeito de Kouyou, aposto que Yuu aprontou alguma.
– Hum? – o moreninho ficou surpreso pelas conclusões do baixista.
– Só um cego não vê que os dois tinham um caso e... – o loiro pareceu perceber como sua frase soava. Ele ficou um tanto sem jeito e apressou-se em explicar: – Não é fofoca. Eu só to preocupado!
– Sei que não é fofoca, Rei-chan. – Yutaka sorriu relaxando um pouco.
– E o que foi que Aoi fez?
Kai franziu as sobrancelhas. Por um segundo sua expressão se mostrou tão agoniada que deixou Reita surpreso. Antes que algum deles dissesse mais alguma coisa, o garçom se aproximou, pedindo licença, e depositou o pedido deles sobre a mesa. Afastou-se silenciosamente.
Mas a interferência não foi o bastante para desfazer o clima ruim. Kai se recuperara, porém Reita ainda estava chocado pela mistura de sentimentos que vira expressa no rosto do líder de sua banda:
– Yutaka, o que ta acontecendo?
O baterista apoiou os cotovelos sobre a mesa e cruzou as mãos a frente do rosto:
– Akira, eu... Sinto muito. É algo complicado. Absurdo. E... Não posso nem ir à policia pedir ajuda!
– Polícia?! – Reita repetiu. Seria tão grave assim? – Yutaka, você está me assustando. O que o Aoi fez?!
Uke balançou a cabeça de um lado para o outro:
– Ele não fez nada. Ele não tem culpa de nada... – o baterista diminuiu o tom de voz – Mas compreendo o Uru. Olhar para ele deve doer demais. Durante os ensaios eu olho e é tão idêntico, tão perfeito que tenho vontade de chorar. Imagina como Kouyou se sente?!
Suzuki engoliu em seco:
– Você não está fazendo sentido algum Yutaka. Por favor...
O baterista respirou fundo e segurou a grande xícara de café, tentando emprestar algum calor do objeto de porcelana:
– Aoi não fez nada. Nem a gente. Estamos todos de mãos atadas, porque eu seria internado num hospício se pedisse ajuda à polícia. Minha vontade é vasculhar cada milímetro possível, mas... Mas... – Kai silenciou. "Mas não sei nem se Aoi ainda está nesse mundo. Ou se foi levado para o mundo mágico..."
O rapaz da faixa estava sem palavras. Aparentemente seu companheiro de banda perdera o juízo. Não compreendera nenhuma palavra do desabafo de Kai.
Aquilo soava como um desabafo. Como se o moreninho estivesse liberando palavras presas até então e que o sufocavam, o esmagavam.
Yutaka recostou-se contra a cadeira e sorriu de leve. Intuía que a cabeça de Reita devia estar dando voltas e voltas. Não era justo cuspir tudo aquilo no rapaz, daquela forma. Ao invés de ajudá-lo a compreender, o deixaria mais confuso.
– Rei-chan, a situação de Kouyou e Yuu é tão problemática e terrível, que não tenho uma palavra pra classificar direito. O que está acontecendo com eles é uma tragédia inimaginável.
– Mas o que...
Movendo a mão, Kai cortou a frase de Suzuki:
– Akira, apenas Kouyou pode decidir se vai te contar tudo ou não. Eu não tenho direito de revelar. Mas você sabe como ele é cabeça dura, não sabe? Uruha pode ser muito centrado, mas às vezes é mais teimoso do que uma mula empacada.
– Com certeza. – o loiro sorriu de leve.
– Ele não cedeu fácil. Só me deixou saber a verdade por que eu insisti. O pressionei pra valer. E ele não teve escolha a não ser me dizer tudo. E se você quer mesmo saber... – fez uma pausa lembrando-se perfeitamente de como fora ao descobrir sobre magia e o mundo maravilhoso de Potter-san e Malfoy-san – Precisa ser firme com Kouyou.
– Eu vou fazer isso. – Reita tomou sua decisão sem hesitar – Vou à casa de Uruha hoje e não saio de lá sem que ele confie em mim.
Kai sorriu diante da firmeza com que o baixista dissera aquelas palavras. Então moveu-se e cobriu a mão de Reita com a sua, olhou-o nos olhos e falou com suavidade:
– Tem certeza, Aki-chan? Aviso como amigo: você vai entrar em uma situação da qual não poderá sair mais. É como tomar aquela pílula azul em Matrix. Se seguir o caminho muitas coisas deixarão de fazer sentido.
Reita balançou a cabeça e colocou a outra mão sobre a de Yutaka:
– Obrigado. Mas se um amigo segue esse caminho, seja ele qual for, não posso ficar indiferente apenas assistindo. Também sou amigo daqueles dois. Deixou de ser apenas a banda há muito tempo, Yutaka.
O baterista sabia que aquela seria a resposta recebida. Reita era uma grande pessoa:
– Hn. Certo, certo. Então vá para o apartamento de Yuu. Uruha está praticamente morando lá desde que o Aoi foi... – calou-se surpreso consigo mesmo. Quase contara sobre o rapto do guitarrista moreno – Desde que aquela tragédia aconteceu.
– O apartamento de Yuu...? – Reita repetiu pensativo. Em seu intimo decidiu que iria lá e não sairia sem obter as respostas que fizessem sua preocupação desaparecer.
Mal sabia o baixista que suas preocupações não desapareceriam depois da visita. Ao contrario, elas aumentariam de uma forma impossível de ser medida.
UxA – HxD
Reita fitou Uruha. O loiro não parecia surpreso com a visita não anunciada, nem mesmo hesitara em deixar o baixista subir ao apartamento de Aoi.
– Sabia que viria mais cedo ou mais tarde. – foi tudo que Kouyou disse antes de sair da frente e ceder passagem ao companheiro de banda.
Se Takashima não se surpreendera; Akira, ao contrário, foi surpreendido pelo estado geral da cena que seus olhos flagraram.
Viera poucas vezes ao lar de Yuu, mas naquelas poucas coisas uma característica marcara profundamente e causara boa impressão no baixista: Aoi era organizado. Até demais. Não havia nada fora do lugar, nada desordenado, nem mesmo uma poeirinha indesejada.
Diferente da situação atual: Suzuki nunca vira uma sala tão bagunçada antes, com tantos livros velhos espalhados pelo chão, em pilhas assustadoramente altas. Os exemplares amarelados praticamente cobriam o carpete, deixando pouco espaço seguro para pisar.
– Fique a vontade, Aki-chan. – Kouyou ofereceu desanimado, caminhando entre os livros e enciclopédias.
Akira seguiu o anfitrião apenas para levar outro susto. Descobriu um rapaz loiro sentado no sofá, lendo concentrado um volume que deveria pesar mais de três quilos. Não tinha notado antes, pois prestava atenção na bagunça.
– Este é Draco-kun. – depois de todos aqueles dias tensos, Uruha já se sentia bem a vontade para tratar o bruxo pelo nome – Ele está morando aqui. É mais prático pra qualquer eventualidade. Draco Malfoy, este é Suzuki Akira ou Reita, o baixista da nossa banda.
– Prazer. – Malfoy resmungou de forma arrastada erguendo os olhos das páginas velhas.
– Aa. – Akira respondeu. Mirou o gringo nos olhos e, apesar de não reconhecer o rapaz, teve certeza de que aqueles olhos grises eram familiares. Muito familiares.
– Vamos para a cozinha. – Kouyou chamou – Lá a gente conversa mais a vontade. Você vem também, Draco?
– Vai contar tudo pra ele? – o Slytherin perguntou voltando a ler o livro. Ele usava um tom de voz que denotava superioridade. Incomodou Reita.
– Se ele quiser saber...
– Hn. – Malfoy dispensou com um gesto de mão – Pode ficar de bate-papo com seu amiguinho enquanto procuro por algum feitiço.
Uruha não disse nada. Já estava acostumado com o jeito do outro. A maior parte da irritação vinha do cansaço: o inglês estava se dedicando àquela busca. Draco varava as noites folheando livros e mais livros, desesperadamente tentando descobrir algo que pudesse salvar a todos e trazer Aoi de volta.
– Então vou fazer um café. – o guitarrista loiro ofertou.
– E se precisar de alguma demonstração me avisa. – o Slytherin ofereceu.
Reita acompanhou o diálogo sem entender nada. Sentia-se, de repente, mais perdido do que nunca. Compreendeu menos ainda quando Takashima sorriu suave, complacente com as respostas quase infantis do estrangeiro.
– Hn. Vem, Rei-chan. – acenou para que o baixista o seguisse.
A cozinha parecia um pouco melhor que a sala. Um pouco. Muitos livros estavam espalhados na mesa e no balcão. Tinha três sobre a pia.
Rapidamente Uruha juntou tudo e colocou num cantinho:
– Esses são de rituais, eu que to verificando. Tem menos do que feitiços. – respirou fundo – O Draco ta pesquisando feitiços.
– Feitiços...?
– Senta, Akira. Eu vou ligar a cafeteira. – começou a vasculhar os armários.
O baixista obedeceu depois de lançar um olhar esquisito na direção dos livros. Sua mente era uma confusão generalizada, sendo atingida por um golpe depois do outro. O que significavam aqueles livros? Que papo era aquele de "feitiços" e "rituais"? Quem era o gringo arrogante? E o mais importante...
– Kouyou, cadê o Aoi?
A tensão que tomou conta do corpo esguio do guitarrista foi visível. Uruha descansou as duas mãos no balcão, como se precisasse de um apoio:
– Eu não sei. – a voz tremida mostrava o quanto ele se esforçava para não chorar – Faz mais de um mês que eu não o vejo.
– Mais de um mês? – Akira ficou um tanto indignado – Nós ensaiamos de segunda a sábado todos os dias. Hoje mesmo...
– Aquele não é o Yuu. – Uruha cortou com certa rispidez. – Eu não tava falando simbolicamente, Reita.
– Kouyou, pára. Eu to realmente preocupado com... Isso. Vocês são meus amigos e não dá mais pra ver a situação em que estão. Mas o Kai falou um monte de coisas que eu não entendi. E você também está falando coisas sem sentido algum. Parece que estão debochando de mim!
Ao ouvir o desabafo irritado, Uruha riu meio amargo. Virou-se para fitar o companheiro de banda:
– Eu queria que fosse uma brincadeira de mau-gosto. Queria muito! Acho até que dava o braço direito pra ter Aoi de volta, mas não é. Isso é a minha realidade, Rei-chan. Minha vida virou uma tragédia.
– Kou...
– Quer saber a verdade? Eu garanto que nesse caso a verdade é absurda, inacreditável e insana. Você vai achar que enlouqueci ao final...
– Eu não vou pensar nada disso. Não vou julgar você, Takashima. Nós não somos apenas parceiros de banda. Nós também somos amigos. Porque não confia em mim?
Uruha ligou a cafeteira e sentou-se na mesa, em frente ao baixista. Encarou-o como se estivesse cansado de tudo, com se não agüentasse mais os problemas:
– Faz mais ou menos uns sete meses... – parou um instante, com os olhos arregalados de leve – Sete meses, meu Deus. Quanto tempo!
– Kou, foco. – Reita pediu meio angustiado. O loiro mais alto suspirou:
– Há cerca de sete meses atrás Aoi e eu completamos um ano de relacionamento. – olhou furtivo para Reita, esperando algum comentário. Como o rapaz ficou em silencio, Takashima continuou falando – Então pensei que seria legal comemorarmos. Passei no 5th Hell e comprei uma bebida especial.
– Uma bebida especial? – Reita estranhou a ênfase dada à palavra.
– Depois descobrimos que não era uma bebida. Era uma poção. – Uruha sorriu de leve – Aoi bebeu a Poção do Bom Parto e engravidou...
Continua...
Notas por Felton:
Parece que essa fanfic faz parte de uma outra vida. Foi surpreendente retomá-la, mas aqui temos mais um projeto finalizado. A todos que seguem minhas outras fanfics, não temam: eu não abandonarei nenhuma. Agradeço a Sam, que foi a pessoa que mais incentivou a retomada deste texto. E a Ifurita pela eterna paciencia.
Agradeço a todos os leitores pela consideração. Os reviews estão todos aqui para serem respondidos. Farei assim que possivel. Tentarei postar pelo menos um por semana.
Notas por Kaline Bogard:
*chegando na voadora*
Obrigado especial a Kami e a Aninhamaga pelas conversas no Twitter. E a todo mundo que ainda espera esse final epico SQN. Lembrei por que a história entrou em hiatus: o Felton e eu não chegavamos a um acordo sobre como terminar a fic! Bem, concordamos agora... e terminamos Chizuru. Mas tenha uma coisa em mente: leia com precauções e esteja preparado para TUDO.
Boa leitura!
