Autores: Kaline Bogard e Felton Blackthorn
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXV
Há um preço pra amizade?
5th Hell. Foi assim que as coisas acabaram dando errado. Se eu soubesse, se eu realmente soubesse...
Mas tudo o que eu queria era comemorar com Aoi o nosso tempo juntos. Engraçado pensar agora.
Eu estava apaixonado por ele. Desde nem faço idéia quando. Mas... Yuu nunca estava com ninguém, e eu comecei a achar que ele era do tipo descompromissado, que não curte relacionamentos sérios...
Por isso a única forma que encontrei de me aproximar dele foi com uma proposta do tipo "Sexo descompromissado".
E Yuu concordou com minha sugestão. No começo achei que os sentimentos eram apenas de minha parte, mas com o tempo fui descobrindo que não. Não era apenas eu o apaixonado ali. Compreendi que Aoi nunca aparecia com outras pessoas, porque ele não queria outras. Ele queria a mim.
E ele é tão transparente quando se trata dos próprios sentimentos. Se eu não estivesse tão concentrado em mim mesmo teria notado muito antes.
Quando percebi o que estava acontecendo entre a gente, senti que tinha que comemorar. Tinha que fazer ser especial, pra nós dois. Então passei pelo 5th Hell e comprei essa bebida. Mas não era só uma bebida.
Era na verdade uma poção: a Poção do Bom Parto, que Draco-kun e Harry-kun perderam aqui no nosso mundo.
Bom, não descobrimos isso na hora, claro. O tempo foi passando e Yuu começou a se sentir mal. Ele enjoava pela manhã, tinha mudanças de humor assustadoras e sentia desejos estranhos por coisas bizarras.
Foi por essa época que os dois apareceram em nossa vida. Eles literalmente botaram a porta abaixo, e foram logo dizendo que Aoi estava... Grávido e talz. Explicaram que eram bruxos de Londres, desesperados atrás de uma poção perdida no mundo Muggle, o mundo dos não bruxos como nós. Cara, você não sabe como aquilo quase ferrou a vida da gente, ter essa de bruxos e poções e feitiços caindo em nossas cabeças.
Demorou um bocado de tempo pra aceitar a verdade. E, juro, se eu não tivesse tão desesperado, não tinha recorrido a eles. Mas achava que estava enlouquecendo junto com Aoi. Eu precisava me agarrar a qualquer coisa... Qualquer fio de esperança.
A noite que virou tudo de pernas pro ar foi a noite em que esfreguei a moeda mágica. Harry e Draco atenderam meu chamado, eles vieram a nós e nos levaram a Londres, em Trestálios. Aoi fez exames e foi comprovado: ele estava esperando um filho. O nosso filho.
Muita coisa aconteceu então. Passamos a fazer viagens regulares a Londres para exames pré-natais, Draco fica sempre por perto pra controlar a situação e pra agir no caso de algo dar errado.
Presenciamos um bocado de magia acontecendo ao nosso redor.
Estávamos nos acostumando a isso tudo, quando as coisas complicaram um pouco. O humor de Aoi estava oscilando terrivelmente e seu metabolismo parecia totalmente ao contrário. Eu tinha os nervos a flor da pele quando Kai-chan veio conversar com a gente. Tanta pressão me fez ceder e contar o que acontecia. Foi a melhor coisa que me aconteceu, porque Yutaka se tornou um apoio e confidente pra todas as horas. Ele me ajudou a segurar a barra muitas vezes.
Então, eu não disse, mas Draco Malfoy é tipo um professor de magia em uma escola do mundo deles. E Harry Potter é uma espécie de detetive da magia, que recebe um bocado de casos perigosos. Ele estava investigando o sumiço de uns seres estranhos como Unicórnio Prateado, Rainha dos Sereianos e não sei mais o que...
Daí, tem mais de um mês, os suspeitos desses roubos todos invadiu o meu apartamento e... E... Nocauteou a nós dois. O Aoi e eu. E quando eu acordei, descobri que eles foram levados. O Yuu e o nosso filho.
Eles foram levados. Não sei por que, nem pra onde... Faz mais de um mês que não os vejo. Acho que não agüento mais.
Acho que não agüento mais.
Uruha terminou a narração e passou a palma da mão pelo rosto, secando as lágrimas:
– Quando eu pedi pra ficar com ele disse que seria apenas sexo casual, porque tinha medo que Yuu não aceitasse caso fosse diferente. Mas em momento algum eu agi como se fosse apenas isso. Jamais foi algo casual pra mim. Por que eu o amo. O amo muito.
Reita observou o outro loiro parar para respirar. Não sabia o que dizer, ou o que pensar. Antes que fizesse alguma coisa, Kouyou voltou a falar:
– Sinto muito não ter dito a ele, todas as vezes que ele mereceu ouvir. Preciso saber se Aoi está bem. Ele e nosso filho. Foi por isso que eu disse que dói olhar pro Draco. Porque é o Draco que bebe Polissuco todos os dias, para parecer com o Aoi fisicamente e participar dos ensaios. É tão parecido, tão idêntico... Quase como se fosse meu Yuu ali. Então eu acordo e lembro que a realidade não é assim. Não sei onde Yuu está, se ele está bem. Nem ao menos sei se está vivo...
Ao dizer as últimas palavras Uruha arregalou os olhos e cobriu os lábios com a mão, como se nem ele mesmo pudesse acreditar no que tinha acabado de falar. Ou talvez, sentisse que ao dizer algo em voz alta, algo que não tivera coragem de encarar, isso pudesse se tornar realidade.
O guitarrista não conseguiu dizer mais nada além daquilo. Tudo o que pode fazer foi chorar.
Reita observou por alguns segundos, comovido pela dor que o outro integrante da banda sentia. Uruha não estava fingindo. Ele realmente acreditava em cada uma das palavras que dissera. Mais ainda: as levava a sério pra valer.
Diante daquilo tudo, fez a coisa que achou mais sensata de todas: puxou um dos livros que estavam sobre a mesa.
– É claro que Aoi está vivo, Kouyou. Você mais que qualquer um devia acreditar nisso. – abriu o livro – Rituais e Feitiços?
– É. – Uruha respondeu tentando se recompor. – Feitiços e Rituais. Procuramos algo que envolva A Lua de Avalon, Sereianos, Muggles grávidos. Algo assim que dê uma pista qualquer. Kai tem vasculhado os pergaminhos mais antigos.
– Então eu dou uma olhada nesse. Vou ajudar também.
– Reita... – o guitarrista ficou surpreso.
– Vai aceitar assim, tão fácil? – Malfoy perguntou um tanto surpreso e assustando os dois japoneses. Aparentemente estivera escutando toda a conversa encostado ao batente da porta – Não vai querer nem uma prova...?
Uruha e Reita encararam o gringo. Ambos surpreendidos pela interrupção. Foi o baixista que saiu da surpresa primeiro. Akira deu de ombros enquanto lançava meio ríspido:
– Que preço você, Draco-san, coloca em uma amizade?
O Slytherin inclinou a cabeça de leve, incerto sobre que resposta dar.
– Um preço? – Uruha também não compreendia.
– Pedir uma prova é como colocar um preço. Mas... Há preço pra uma amizade? Não pra mim. Você me contou o que eu pedi que contasse, Kouyou. E se você acredita nisso, eu acredito também. Farei o que puder pra trazer Shiroyama de volta.
E sem perder mais um segundo, Akira começou a folhear o livro velho e amarelado.
– Reita... – Kouyou estava verdadeiramente tocado pela atitude do companheiro.
– Uruha. – o baixista chamou com as sobrancelhas franzidas – Este livro está em inglês. Não entendo nada!
Pela primeira vez em muito tempo, Kouyou sorriu:
– Sim. Nós terminamos com os japoneses. Não tinha muita coisa de magia negra, por isso tivemos que recorrer aos estrangeiros. Primeiro os ingleses, depois os americanos. Então os africanos e romenos. Vamos pela relevância da magia negra e nível de produção literária.
Malfoy entrou na cozinha e foi sacando a varinha do bolso:
– Você não queria uma prova. Mas não vai escapar dessa demonstração. – apontou para Akira – Nudare Inglês. Pronto. Pode ler agora.
O baixista abaixou os olhos e acabou por arregalá-los de leve: conseguia entender perfeitamente cada uma das palavras ainda escritas em inglês. Fantástico!
– É magia, Rei-chan. – Uruha falou suave, sabendo como o outro se sentia estupefato. Não fora diferente consigo próprio.
– É estranho. – O rapaz resmungou.
– Estranho é essa sua faixa! – Draco não resistiu. Estivera se segurando desde que Akira entrara pela porta do apartamento. Ele ainda não compreendia aquela gente tão esquisita. Era cada coisa que ele via nos ensaios, nos lives... E aquela faixa ridícula no nariz do baixista o incomodava acima de tudo.
– Não tão estranho quanto esse queixo pontudo. – Reita devolveu de mau jeito – Se quiser te empresto uma faixa.
Draco corou de raiva. O japonês tocara em um ponto muito sensível de sua anatomia. Mas antes que rebatesse, Kouyou suspirou e cortou o diálogo pouco amigável:
– Suzuki, obrigado. Por acreditar.
A frase do guitarrista trouxe todos de volta ao foco do problema. Não podiam desperdiçar tempo daquele jeito. Mas, numa nova demonstração do que a magia podia fazer, um grande envelope entrou voando pela janela da cozinha e seguiu diretamente para as mãos de Draco.
O tal envelope era feito de um papel envelhecido e um tanto desgastado. Vinha bem lacrado com um selo cujo símbolo mostrava uma fênix atravessada por uma espada em pleno vôo. A ave se debatia em agonia, sofrendo uma dor terrível, enquanto a pedra no punho da espada reluzia, alimentando-se do sangue daquele animal místico.
No verso do envelope o sobrenome "Malfoy" flutuava calmamente, a exemplo de uma folha sobre a superfície de um lago em calmaria.
– Aff. Mais um?– o Slytherin resmungou – Não reconheço esse selo. De que família será?
Desde que seu pai desaparecera durante a Guerra contra o Dark Lord, todos os compromissos e tudo que seria endereçado a ele, vinha para Draco, o atual responsável pelo sobrenome dos Malfoy. Mesmo que não encontrassem o corpo de seu pai, aquilo servia como prova: o envelope enviado aos Malfoy nunca viria para as mãos de Draco, se Lucius estivesse vivo.
Doía um bocado, sempre que o Slytherin recebia um desses.
– Não vou a esses bailes. – o inglês garantiu.
Reita e Uruha observaram enquanto a expressão de Draco deixava de exibir certa dor, para recobrir-se de enfado, enquanto o bruxo rompia o lacre desconhecido e abria o envelope.
O que seria daquela vez? Mais um baile idiota? Uma reunião para falar dos "bons tempos"? Ou um evento para angariar fundos?
Fosse o que fosse, não era do interesse de Draco, obrigado.
Quase com desprezo correu os olhos pelas linhas escritas com floreio, numa letra elegantíssima. Assim que leu as primeiras palavras foi acometido por uma emoção tão forte que Draco sentiu uma vertigem e pensou que desmaiaria. Teve que apoiar-se na parede para não cair:
– Grande Salazar. – foi tudo o que teve forças pra dizer.
– Malfoy-san? – Reita fez menção de levantar-se da cadeira, assim como Uruha:
– Você está bem, Draco-kun? – o guitarrista ficou preocupado.
O Slytherin encarou Kouyou. Por alguns segundos Uruha viu apenas angústia e urgência refletindo naquelas íris mercúrio. Então algo de esperança varreu tudo o mais. Foi quando Draco sussurrou:
– Eu acho... Acho que sei. – o tom ficou mais forte – Onde ele está!
E dizendo aquilo Draco desaparatou.
UxA – HxD
Aquele era o inferno.
Aoi tinha certeza de que fora levado ali para pagar por todos os seus pecados.
Estava sentado no chão molhado, recostado nas grades. Desistira de proteger-se do frio com o que restara de sua blusa. Desistira de tentar fugir ou de descobrir onde era mantido prisioneiro. Não acompanhava mais o passar dos dias... Perdera toda a esperança ao fazer a trigésima marca naquela parede. Ao fazer aquela marca, sentira como se fosse fazer isso até o último dia de vida.
Sabia que perdera peso: olhava para suas mãos e via os dedos ossudos, dedos que até então não lhe pertenciam. Mas também, só recebia comida suficiente para que ficasse vivo, ele e o bebê. Sim, Yuu podia senti-lo bem vivo dentro de si, movendo-se às vezes com muita energia, indiferente ao que acontecia lá fora.
Aquela criança dentro de si tinha garra. Isso era evidente!
Era uma carga a menos para o guitarrista, saber que sua criança não precisava presenciar aquele sofrimento todo, ficando protegido dentro do seu ventre.
Passos se fizeram ouvir. O moreno soube no mesmo instante que ela estava voltando. Aquela bruxa sem coração e sem escrúpulos, para mais uma de suas 'brincadeiras'. Pra mais uma seção de tortura.
– Não... – sussurrou. Começou a tremer em antecipação, sabendo de antemão o que iria acontecer. Era apenas nesses momentos que desejava morrer de verdade. Qualquer coisa era melhor do que a dor, do que todos aqueles feitiços, especialmente o que ela usava sempre por último. – Por favor...
Fez uma prece silenciosa implorando que alguma entidade o atendesse, que não precisasse passar por aquilo sozinho com seu filho.
Assustou-se de leve quando sentiu um toque frio, mas gentil em sua mão. Abriu os olhos e viu que Anterrabae, a rainha dos sereianos, rastejara até ficar perto de si, atravessara o braço pela grade e tocara sua mão. Além disso, viu conforto nos olhos daquela criatura. Acolhimento e afabilidade.
Aoi não estava sozinho com seu filho. Havia Anterrabae, aquela fêmea forte, que estava ali há mais tempo e que geralmente recebia uma atenção maior por parte de Bellatrix. Yuu tinha que ser grato a ela. Se não fosse a rainha, talvez tivesse sucumbido há muito tempo atrás. Talvez até enlouquecido.
– Ah, que bonitinho... – a voz debochada da bruxa trouxe os prisioneiros de volta a realidade – Uma cena dessas. Que pena que eu vou estragar.
Yuu apertou a mão de Anterrabae com mais força. Acontecesse o que acontecesse, não ia soltá-la. Não queria enfrentar mais nada sozinho, mesmo que as lágrimas de medo já escorressem pelo rosto magro e pálido, e que os dentes já batessem dentro dos lábios.
– Vamos nos divertir a valer, crianças. – Bellatrix pareceu lamentar – Todos os dias a partir de hoje. O tempo de vocês está acabando...
Continua
Notas por Kaline Bogard:
É manolada, foi uma longa caminhada... longa caminhada. Mas como toda fic (ou como a maioria delas, pelo menos) essa também tem que ter um fim. E estamos chegando lá!
Se chegaremos bem ou mal, isso só o "Fim" nos dirá! /apanhamuito
Notas por Felton:
Vou continuar tentando postar toda segunda feira. Meu acesso a Internet é muito restrito. Apesar disso, fico feliz de ver que as pessoas não desistiram dessa história! Agradeço imensamente.
