Autores: Kaline Bogard e Felton Blackthorn
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita


Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XXVII
Urgência

– Esse japonês tornou-se uma maravilha que jamais pensei ver outra vez. – fez uma pausa um tanto tensa – Shiroyama Yuu é um Ingrediente Virgem, senhores. E um ingrediente desses, nas mãos erradas, pode significar o fim do mundo...

– Um "Ingrediente Virgem"? – Harry perguntou indo sentar-se novamente. Draco sentou-se ao lado dele, e Hermione a frente de ambos, na poltrona.

– Exato. – Belle explicou ficando em pé – Imagine um Unicórnio Negro.

– Unicórnios Negros não existem. – Malfoy deu de ombros.

– Por isso não existe uma poção ou ritual com ele. Porque ele não existe. – as palavras da Abominável eram como brisa – Mas se um dia existir, seu sangue, sua crina, sua cauda, seu chifre, seus olhos, sua pele, enfim, tudo nele será considerado um Ingrediente Virgem, um ingrediente que nunca foi usado em nenhuma poção no mundo todo, muggle ou mágico.

– Um Muggle grávido nunca existiu até hoje. – Hermione falou pensativa. – Nunca foi feita uma poção com o sangue dele...

Belle voltou-se para sua protegida:

– O último Ingrediente Virgem que existiu foi a Borboleta de Íris. Uma espécie mágica descoberta na Grécia, há trezentos anos. Depois disso nunca mais descobrimos uma espécie nova.

– O que um Ingrediente Virgem pode fazer exatamente?

A Abominável voltou-se para Harry, que tinha feito a pergunta:

– Imagine, senhor Potter, que tenha todos os ingredientes para criar a Pedra da Filosofia, menos um. Usando um simples feitiço de mutação das trevas, você pode transformar um Ingrediente Virgem nesse que falta, e completar a Pedra.

– O que? – Draco franziu as sobrancelhas.

– Ter um ingrediente Virgem, professor Malfoy, significa que você tem todos os ingredientes do mundo ao alcance de sua mão.

Os três ficaram calados. Era difícil sequer imaginar uma coisa daquelas. O sangue de Shiroyama podia ser usado para qualquer poção ou ritual mágico do mundo!

Então Belle tirou a mão de dentro da capa, e estendeu o braço. Em cima da luva de cetim negra surgiu um livro enorme, reluzindo de tão novo. Apesar de parecer pesar mais de cinco quilos, a mulher o mantinha com uma mão, como se não pesasse mais que uma pluma:

– Esse é o Livro dos Livros. Começou a ser escrito por Cleópatra e atravessou os séculos até ser totalmente preenchido.

– Cleópatra?! – Hermione iluminou-se – Ela era uma bruxa?!

– Não. – Belle meneou a cabeça – Apenas a Veela mais famosa da história. Todo aquele charme não era apenas "beleza Muggle natural", cara Weasley. Ela foi a primeira pessoa a usar o Feitiço de Substituição. Naquela época um Ingrediente Virgem não era algo quase extinto, o mundo não fora totalmente explorado ainda. Com o passar do tempo os bruxos perceberam o perigo disso. Não apenas o Feitiço foi banido, como o livro caçado e destruído. Não todas as cópias, evidentemente.

– Temos que achar Shiroyama e trazê-lo de volta. Se ele foi mesmo para esse leilão e se for comprado por alguém que conheça o feitiço de substituição pode acontecer uma tragédia ainda maior.

– Harry – Hermione olhou para o homem que tinha acabado de falar – É um Leilão das Trevas. Todos os bruxos que estiverem presentes com certeza conhecem esse feitiço e outros piores.

Draco afundou-se no sofá:

– Maravilha. Eu não me lembrava desse leilão, nunca tinha ouvido falar de Ingredientes Virgens, Seção Oculta, Abomináveis e a merda dessa papagaiada toda.

Hermione Weasley sorriu:

– Sinto muito. Não posso sair falando assim da Seção de Obliteração. Nem o Ministro da Magia sabe disso. É segredo máximo, os assessores são os responsáveis por cuidar do assunto.

– E eu que sempre achei o Departamento dos Mistérios incrível. – Harry sorriu fraco.

– Não. – Belle suspirou fazendo o Livro dos Livros desaparecer. – Os Inomináveis são apenas crianças. Enquanto eles sonham, nós Obliteramos e chegamos realmente lá. "Magia" é muito mais do que seus livros podem mostrar ou mesmo um bruxo dominar. A magia mais poderosa continua selvagem, intocável, linda em sua forma mais pura.

– Você fala como se tivesse visto. – Harry sussurrou.

– E eu vi. Eu e todas as outras sombras, senhor Potter. É algo tão poderoso e incrível, que não temos mais permissão de aparecer diante de outro bruxo nunca mais, a não ser para firmar o acordo de proteção.

– A função de um Ministério é mais do que estabelecer regras, Harry. – Hermione sorriu – Somos responsáveis por manter o equilíbrio. Esse é o motivo do pacto entre bruxos e sombras.

– "Sombras"? – Malfoy pestanejou – Fala como se não fossem mais bruxos.

– E não somos. – Belle afirmou – Ao fazer o pacto nos tornamos uma forma superior aos bruxos. Algo além de qualquer coisa que possa imaginar.

– Como se pode fazer parte da Seção Oculta? – Draco parecia subitamente interessado.

Belle virou o rosto para o Slytherin, parecendo mirá-lo profundamente. A impressão era intensa, mesmo que não pudessem sequer vislumbrar os olhos daquela pessoa, protegidos pelo capuz negro:

– A seleção acontece no próprio nascimento. De vez em quando bruxos tão poderosos nascem, que a magia elementar oscila e se desequilibra. Essas pessoas são recrutadas para a Seção Oculta, pois são as únicas capazes de Obliterar.

– Obliterar? – foi a vez de Harry perguntar – O que isso significa exatamente?

Antes que a sombra pudesse responder, sua imagem começou a oscular e a enfraquecer:

– Minha presença não é mais necessária por enquanto. – Belle informou – Interferi mais do que o Contrato permite. Mas fiz isso porque vejo perigo enquanto Shiroyama estiver tão distante. É responsabilidade de vocês trazê-los de volta. – e a figura desapareceu de forma quase etérea.

Por alguns segundos nenhum dos três disse nada. Até que Hermione respirou fundo:

– Desculpe por nunca ter mencionado algo sobre isso. É um dos segredos mais profundos do Ministério. – voltou a encher os pulmões de ar, tomando fôlego – A primeira vez que nos encontramos foi ainda mais intenso.

Harry e Draco se entreolharam. A magia deles de repente parecera estremecer e "responder" a alguma coisa, como se a própria magia da sombra chamada Belle tivesse os revigorado e preenchido com algo tão profundo que era impossível catalogar. Draco não se sentia mais esgotado e enfraquecido. Pelo contrário: diria que nunca se sentira tão bem antes.

Aquele era o poder da magia mais elementar? Era de assustar...

– Não se desculpe Mione. – Harry sorriu tranqüilo – Não podia quebrar o acordo. Mas agora temos que nos preocupar com esse Leilão.

– O Quartel dos Aurors...

– Não pode ficar sabendo. – Malfoy cortou a frase de Weasley – Tem um vazamento de informações no Departamento, isso é evidente.

– Confio em Neville. – O Garoto Que Venceu soou meio aborrecido – Ele nunca trabalharia com Bellatrix.

– Pois eu não confio. – os dois bruxos se miraram profundamente.

– Concordo que exista um vazamento no Ministério, mas não creio que seja exatamente no Quartel. – Hermione ficou em pé e aproximou-se de uma das grandes janelas – Temos que ter cuidado.

– Então o que faremos? – Potter passou as mãos pelos cabelos deixando-os mais bagunçados – Sem os Aurors fica complicado investir. Não sabemos o que iremos encontrar.

– Eu estava pensando na Ordem da Fênix. – Hermione informou.

– Ordem da Fênix? – Malfoy ergueu uma das sobrancelhas – Ou o que sobrou dela...

– Ainda assim é eficiente. – Harry se animou.

Hermione Weasley virou-se para os dois homens:

– Hn. Podemos contar com Lupin, Ninfadora, Moody, Ron e os gêmeos.

– Severus nos ajudará. Tenho certeza. – Draco afirmou um tanto arrogante. – Além de nós três. Terei que passar primeiro, porque o selo do convite só funcionará comigo.

Potter não gostou muito da hipótese, mas não havia outra forma de ação.

– Você pode levar uma Chave de Portal. Assim poderemos segui-lo e atacar. Temos que ser rápidos e precisos. Não fazemos idéia de quantos guardas haverá. Sabemos dos Lestrange, mas duvido que estejam sozinhos.

Harry pensou por um segundo. Então propôs:

– Faremos uma reunião um dia antes da data marcada. Isso nos dá menos de uma semana. Hermione e eu tentaremos reunir a Ordem da Fênix. Draco volta para o Japão e explica as coisas para Takashima.

– Além disso, irei falar com Severus. – Draco completou.

– Certo. Então nos encontramos em quatro dias aqui mesmo em Grimmauld Place, sede da Ordem da Fênix.

E ao dizer essas palavras, Hermione desaparatou. Imediatamente o ambiente ficou mais leve, a magia de ambos fluiu de forma mais ampla. Tanto Harry quanto Draco compreenderam que a sombra tinha ido embora com Mione.

Era assim que alguns contratos mágicos funcionavam: ao ter o primeiro contato com Belle, eles sempre saberiam quando era estava por perto e quando partia.

– Temos uma chance, não é? – Draco sussurrou preocupado – Ele está vivo, não está? Shiroyama e a criança?

Harry moveu-se no sofá e aproximou-se do marido o suficiente para abraçá-lo com força:

– Rezo todas as noites para que seja assim.

– Não apenas por Askaban.

– Eu sei Draco. Kouyou sofreria muito se perdesse Yuu.

– Posso parecer um bastardo sem coração, Harry, mas não quero que uma coisa dessas aconteça por minha culpa.

O Gryffindor sorriu:

– Você não parece um "bastardo sem coração" pra mim, Draco. Você é o homem que eu amo. Sei que por baixo dessa fachada de gelo você realmente se importa.

O loiro sorriu e aconchegou-se mais no abraço:

– Vou ficar aqui essa noite. Volto para o Japão amanhã de manhã. Concorda...?

O moreno sorriu largo:

– Se eu concordo? Draco Malfoy sabe como eu senti a sua falta esse tempo todo? A falta do seu corpo, do seu calor, da sua língua ferina...?

O Slytherin não disse nada. Fechou os olhos quando sentiu os dedos fortes do marido enroscar nos fios loiros e macios, puxando a face magra para mais perto. Quando os lábios se tocaram, Draco já se entregara completamente, pronto para corresponder ao beijo apaixonado.

UxA – HxD

– Finalmente ele dormiu.

Reita, que estava sentado na sofá da sala, levantou os olhos e fitou Kai, seu amigo e líder da banda:

– Uruha está bem?

– Não. – o moreninho abaixou-se e começou a empilhar os livros espalhados no chão. – Kou está num estado de estresse que me preocupa. Sorte que Potter san deixou uma poção para casos assim.

– Hn. – o baixista levantou-se e começou a ajudar a recolher os livros e pergaminhos.

– Obrigado por ter ficado. – Kai agradeceu.

– Eles são meus amigos também. É o mínimo que posso fazer por eles.

– Espero que Malfoy san esteja certo. – o baterista mordeu os lábios. – Kami sama, que Aoi e a criança estejam bem, ou temo pela sanidade de Uruha.

O rapaz da faixa não disse mais nada. Continuou empilhando os livros antigos, com paciência e concentração. Era a forma que encontrara para tentar diminuir o terrível mau pressentimento que o oprimia desde que Draco Malfoy "desaparatara" bem diante de seus olhos.

Continua...


Nota por Felton:

Como prometido!