Autores: Kaline Bogard e Felton Blackthorn
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita


Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XXVIII
As engrenagens do destino

Os dias passaram tão rápidos que pareciam horas. As horas, igualmente se esvaneciam com velocidade estonteante. Cada segundo contava naquela brincadeira de salvar vidas. Harry conseguiu o apoio que precisava. O que restara da Ordem da Fênix aceitara ajudar mesmo sem saber os detalhes.

Se Potter dizia que era importante e a segurança do mundo tal qual conheciam estava em risco, então para seus amigos era o suficiente.

Severus, é claro, conhecia cada detalhe daquela confusão toda. Ajudaria Draco Malfoy sem hesitar. Colocaria sua vida em perigo pelo jovem a qualquer momento. E ali estava ele, pronto para agir.

A vida dos Muggles fora totalmente transtornada. Uruha não tinha condições de sair da cama, tal sua depressão. O loiro queria ter esperanças, agarrava-se a esse sentimento repetindo em sua mente que Yuu estava bem. Seu amado Yuu estava bem.

Kai e Reita não o abandonavam um segundo. Haviam suspendido toda a agenda de shows e causado um rebuliço entre os fãs. Sites de boatos pipocaram com hipóteses, dando ao agente e relações públicas da banda muito que fazer. Ruki, apesar de não ser o líder, era o que estava à frente dessas remediações. O vocalista sabia que Uruha e Aoi tinham algum problema, mas ninguém tivera coragem de contar ao baixinho a verdade por trás de tudo. E ele realmente não tinha certeza de querer descobrir... além disso, Takanori era extremamente transparente em suas ações. O rapaz não conseguiria manter as aparências sobre algo tão grave, que violava as leis da realidade tal qual a conheciam.

Os britânicos mantinham contato frequente pelos meios mais incomuns: Kai já não se assustava com corujas batendo em sua janela, cartas escandalosas berrando recados rápidos, entre outras coisinhas.

Eles montaram um plano. Um plano que seria executado muito em breve. E não revelavam detalhes. Mas Draco Malfoy e Harry Potter deram sua palavra de honra de que trariam Shiroyama Yuu e seu bebê de volta. De qualquer maneira.

Que alternativa os japoneses tinham? Nenhuma além de acreditar. E encher-se de esperança.

H&D – U&A

A tensão na sala era pautável. Quase uma nova presença dividindo espaço com aqueles bruxos. Estavam presentes: Harry, Draco, Ron, Hermione, Severus, Fred, George, Lupin, Mood e Tonks; reunidos em Grimmauld Place prontos para o desenrolar do plano secreto.

Draco segurava o selo das trevas como se fosse mais valioso que todos os galeões guardados no cofre dos Malfoy em Gringots. A figura de cera negra ainda não mudara. Mas faltava pouco para o horário estipulado. Suas roupas refinadas eram da melhor marca possível, feitas em um corte impecável. Afinal, iria infiltrar-se em um leilão das trevas em que quantias astronômicas de ouro eram negociadas. Precisava desempenhar seu papel com maestria. Somente os mais ricos e poderosos financeiramente recebiam o convite.

O loiro levava ainda, pendurado no braço esquerdo, um elegante guarda-chuva. O objeto ainda não servia de Chave de Portal, porém assim que estivesse no lugar do leilão lançaria o feitiço e ativaria o meio de transporte para que os outros pudessem atravessar em resgate.

Já os demais vestiam os trajes bruxos de sempre, algo que facilitasse os movimentos e o saque rápido das varinhas. O único papel que desempenhariam não exigia trajes de gala!

– Não sabemos o que esperar. A segurança deve ser reforçada – Hermione mordiscava a lateral do dedão. Poucas vezes se sentira tão nervosa assim. Nem seu chefe, o próprio Ministro da Magia, sabia o que estavam prestes a fazer.

– Ou não – Draco soou pensativo – Não é como se estivessem esperando que alguém fosse invadir e estragar a festinha. A segurança deve ser no sentido de evitar que algum dos ilustres convidados tente passar a perna nos negócios.

– Isso é um ponto a favor – Severus, afastado em um canto, soou bem afetado. Draco compreendeu imediatamente o que ele queria dizer. Mas foi um dos gêmeos que se pronunciou.

– Um bando de grã-finos querendo gastar dinheiro – Fred riu, com os braços cruzados atrás da cabeça – Aposto que quando começar a confusão vão pensar apenas em salvar o traseiro.

– Confusão é com a gente mesmo! – George, sua cópia perfeita se apontou com o dedão, fazendo Ron parar de andar de um lado para o outro e mirar desconfiado seus irmãos. Deduziu, corretamente, que eles levavam um arsenal das Gemialidades para fazer um verdadeiro "show".

– Ótimo. Draco e eu cuidamos de resgatar as vitimas – Harry ajeitou os óculos sobre o nariz – Vocês cuidam da distração.

Mood meneou a cabeça e coçou o queixo devagar, como se matutasse alguma coisa.

– Os Lestranges não vão pegar leve – o homem resmungou – Tomem cuidado com a mira das varinhas deles.

– Talvez brilhem em verde – Lupin suspirou olhando para Tonks, um certo tom de preocupação tingiu as íris cansadas, mas a garota sorriu suave, para tranquilizar seu marido. Conseguiu o efeito que queria. Todos ali eram bruxos de calibre inquestionável. Sabiam se cuidar.

Tinham sobrevivido à guerra contra o Dark Lord, pelos infernos! Podiam tranquilamente dar conta de meia dúzia de grã-finos e um casal de doidos varridos.

Draco abriu a boca para dizer algum coisa. Calou-se antes que conseguisse. O selo em sua mão esquentou rapidamente e, diante de todos, Malfoy desapareceu.

– DRACO! – Harry esticou o braço, mas seu amado esvaeceu antes que pudesse alcançá-lo. Então voltou-se para Hermione – Avise os Sereianos que estamos dando inicio ao resgate da Rainha. Eles estão por um fio e realmente me preocupam. Vou enviar um berrador para Yutaka e Kouyou.

A mulher concordou com um aceno de cabeça, enquanto Harry aproximava-se de um grande vaso arrumado sobre uma mesa no centro da sala. Aquela era a outra ponta da Chave de Portal. Precisavam apenas esperar que Draco ativasse o feitiço.

H&D – U&A

Kai estava sentado na mesa da cozinha. Desde que Yuu fora raptado tinham praticamente montado um acampamento na casa de Uruha. O loiro acabara de entrar no banheiro para tomar um banho e tentar comer algo que o baterista preparara. Takashima não sentia fome, mas os amigos o obrigavam a comer, diziam que precisava ficar forte para quando Yuu e o filho de ambos retornassem sãos e salvos.

Reita estava com Ruki, na TV Osaka, dando uma entrevista e tentando remediar a situação. Faziam o melhor para acalmar os fãs assustados e sedentos de notícias de seus amados ídolos. Por que teriam cancelado todos os compromissos? Por que os guitarristas sumiram da mídia de repente? Perguntas iniciais de uma enxurrada de dúvidas praticamente impossíveis de serem respondidas com sinceridade.

E foi nesse clima depressivo que o berrador invadiu a cozinha assustando Kai. O baterista conseguiu pegá-lo e abri-lo antes que a voz se tornasse muito alta. Suas mãos tremiam de expectativa.

"O resgate começa agora! Mantenham a esperança, vamos trazê-los"

Era o recado enviado pelos bruxos. Uke teve uma intuição. Olhou para a porta da cozinha, onde Uruha permanecia congelado depois de ouvir a notícia. As mãos encobriam os lábios e lágrimas desciam silenciosas pela face pálida e encovada, terrivelmente assombrada pelas marcas escuras das olheiras que emolduravam os olhos chocolate.

Uruha chorou de medo e preocupação. De angústia e consternação. Eles iam atrás de seu Yuu. Realmente iam atrás dele. A sensação esmagadora foi tão forte e indescritível que ele bambeou sem forças.

Sorte que Kai era ágil. Saltou apressado e em dois passos estava ao lado do amigo, abraçando-o e protegendo-o em seus braços, sentindo o corpo magro sacudido pelos soluços dolorosos.

Tão dolorosos e sofridos que Yutaka chorou com ele.

H&D – U&A

Yuu respirou lenta e longamente. Mantinha o ritmo da respiração da mesma forma a tanto tempo que perdera a noção por completo. E a noção do tempo não fora a única coisa que perdera.

Aquela bruxa o trouxera para um lugar estranho. Silencioso. Estava dentro de uma jaula bem menor do que a caverna em que fora mantido todo aquele longo e angustiante período. E a jaula estava coberta por um tecido escuro.

Estava sozinho ali, ou ao menos era o que parecia. Não podia ouvir o menor som. A criatura estranha que parecia uma sereia também desparecera. Talvez presa em uma jaula como a de Yuu, provavelmente coberta com panos pretos. Sozinha e assustada, assim como o guitarrista.

Haviam lhe dado algo para beber. E apagara. Não sabia por quantas horas. Ou dias. Não fazia ideia e, afinal, muita coisa era capaz de acontecer graças à magia. Não duvidava nem um pouco que pudesse dormir por dias ou semanas, enfeitiçado por alguma poção.

Permanecia caído no fundo da jaula, incapaz de se mover. Não podia sentir os braços ou as pernas, seu corpo parecia morto do pescoço para baixo. Seu filho, e isso era o que lhe partia o coração, não mais se movera desde que recobrara a consciência.

Tentara falar com ele, mas a voz parecia morta em sua garganta. Tentara tocar a própria barriga e fora quando se dera conta das condições de paralisia de seu corpo.

Em alguns momentos, como agora, lágrimas quentes e silenciosas escapavam de seus olhos escuros e deslizavam até desaparecer entre os cabelos grossos de sujeira. Podia sentir um cheiro forte e desagradável. Sabia que era o seu cheiro. Por que a última lembrança de um banho era distante e esvanecia-se em sua mente, como pedaços de uma outra vida. Uma vida ao lado de Uruha, uma vida feliz e segura.

Uma memória tão distante quanto a de uma refeição decente. Talvez preparada por seu querido amigo Kai. Algo quente, com sabor diferente da água escura e rala que lhe era entregue na caverna. Graças a qual sabia que perdera peso e definhara até que ficasse pele sobre ossos.

Intuía, lá no fundo, que não se reconheceria caso tivesse chance de olhar em um espelho. O que lhe miraria de volta seria o reflexo magro e esfacelado de um fantasma. Tão maltratado e judiado que mal parecia um ser humano.

Yuu não se sentia mais um ser humano.

E havia o bebê, é claro. A âncora de esperança que mantivera sua sanidade a salvo por todo aquele tempo. Apenas pelo bebê pudera sobreviver, quando nem a esperança de rever Kouyou resistira.

Apenas aquela vida em seu ventre que crescia e defendia a própria existência com afinco, ainda não existente nesse mundo, mas sofrendo mazelas que a maior parte da humanidade jamais sentiria na pele.

Mazelas como aquele feitiço.

O pensamento fez a garganta de Yuu se apertar e a respiração ficar difícil. Tinha que agradecer o simples fato de não ter recebido mais nenhuma tortura desde que fora colocado naquela jaula.

Pelo menos isso. Ao menos isso.

Um pouco de misericórdia.

Misericórdia solitária e silenciosa. Dolorosa.

O momento de consciência se foi e o guitarrista rendeu-se a escuridão novamente.

H&D – U&A

Draco sentiu o mundo parar de girar. Não soube dizer que meio de transporte era aquele. Não era bem uma Chave de Portal... e o selo desaparecera de sua mão, o que o fazia crer em uma outra forma de ir embora dali.

Mas não tinha tempo a perder com considerações.

Olhou ao redor com curiosidade. Bem mais de uma dúzia de bruxos andavam por ali, uma espécie de salão. Reconheceu, surpreso, a mãe de Blaize, o pai de Nott e o avô de Pansy! Quem diria... Pensava que algumas famílias tinham endireitado e se afastado do mundo das trevas, mas pelo visto se enganara. As artes negras eram poderosas e sedutoras demais para que algumas pessoas se libertassem.

Notou que o salão era amplo, mas não arejado. Não se viam janelas ou portas, de modo que apenas os convidados pelo selo poderiam entrar. Draco sentiu um fiozinho de suor frio escorrer por sua testa. Esperava que o lugar não fosse como Hogwarts, protegida por feitiços anti-aparatação e anti-chave de portal.

Passando a língua pelos lábios, nervoso, encostou o guarda-chuva na parede, sussurrando as palavras que dariam inicio ao feitiço e caminhou até uma das várias mesas redondas, cobertas com lençol branco onde sentou-se discreto. Evitou qualquer um dos conhecidos, ou seja, pessoas que sabiam de sua ligação com Harry Potter e estranhassem sua presença ali.

Os olhos cinzentos analisavam tudo. Um palco fora improvisado na parede à direita, e Draco deduziu que as criaturas seriam expostas ali, para os lances. Pela sua experiência e pelo que seu pai lhe dissera, salões de leilão costumavam ter um porão secreto acoplado magicamente ao palco, para facilitar o transporte.

Grandes eram as chances de que Yuu estivesse ali também.

Lançou um olhar inquieto ao guarda-chuva. Harry Potter e os outros deveriam passar por ali a qualquer instante para...

Qualquer pensamento lógico fugiu da mente de Draco. Ele viu uma pessoa subir ao palco, com trajes elegantes e assentados. Uma figura que o jovem professor já conhecia e que comprovou a teoria: havia um traidor no Ministério.

Um maldito traidor.

A única coisa que errara fora a pessoa. Não era Neville Longbottom que subia ao palco, revelando-se o anfitrião da noite.

Era Baltazar.

O Ministro da Magia.

Continua...


Nota por Felton:

Esse capítulo marca a retomada da fanfic. A partir dele começamos a digitar a história outra vez. Eu já tinha basicamente digitado, precisavamos da parte dos músicos, mas acabei segurando comigo um pouco mais, até termos um rascunho de como a história terminaria. Quando chegamos a um consenso a história fluiu.

Nota por Kaline Bogard:

Só para discordar: não foi exatamente um consenso. Foi quase uma terceira guerra mundial, e como o Felton é quase tão cabeça dura quanto eu... o embate épico nunca teria fim, por que nenhum dos dois queria ceder. Daí a luz se fez em uma terceira opção! E ambos concordamos com a solução. Espero que os leitores gostem!