Autores: Kaline Bogard e Felton Blackthorn
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXX
O fim do pesadelo
Draco não soube dizer quanto tempo ficou de joelhos no chão, atordoado diante da visão do Muggle que deveria ter protegido e que estava em um estado sub-humano por sua culpa.
Foi apenas ao sentir um movimento atrás de si que teve alguma reação. Ergueu a varinha, mas ao apontá-la descobriu-se frente a frente com Severus Snape. O homem lhe lançou um olhar agudo, o suficiente para devolver as forças de Draco e fazê-lo se erguer.
– Isso não acabou – deixou claro naquele tom de voz peculiar. Ao fundo podiam ouvir sons de uma furiosa batalha, permeada de troca de feitiços que parecia longe do fim.
O loiro meneou a cabeça, proibindo-se de se preocupar com Harry Potter. Assistiu enquanto seu antigo mestre de poção agitava a varinha sem pronunciar nenhum feitiço, fazendo as barras de ferro da jaula de Shiroyama se dobrarem o suficiente para abrir um vão pelo qual Draco pudesse passar.
– Leve-o para Hogwarts. Papoula poderá começar os procedimentos de varredura. Irei em seguida. Ela pode precisar de poções.
Mais uma vez Draco apenas balançou a cabeça em resposta. Não perdeu mais tempo em entrar na prisão de Shiroyama e abaixar-se para tomá-lo em seus braços. O japonês estava tão leve...
Fitou seu padrinho uma última vez, antes de desaparatar.
O lugar do leilão era longe o suficiente de Hogwarts para que Draco ficasse abalado pela viagem. Aparatou no salão principal do colégio de magia, que desde que a paz se estabelecera tornara as proteções mais brandas, já que Voldemort já não era uma ameaça.
Só não caiu no chão, porque Madame Pomfrey o amparou.
– Professor Malfoy...
– A senhora nunca dorme? – Draco resmungou de mau humor.
– Sim. Eu durmo, professor. Mas a senhora Weasley me enviou uma mensagem secreta insinuando que talvez tivessemos convidados valiosos em Hogwarts essa noite. Vejo que ela não estava enganada.
– Hn... – foi o resmungo desanimado de Malfoy, que tentava se recuperar da nausea, segurando o guitarrista com o máximo de cuidado.
– Consegue trazê-lo a enfermaria ou precisa de ajuda?
A resposta de Draco foi tomar a frente, caminhando tão firme quanto as pernas bambas permitiam. Apesar de ainda tonteado, conseguiu chegar à enfermaria sem maiores incidentes. Entrou no local e levou o rapaz até um dos leitos.
– Severus diz que já vem.
Madame Pomfrey amarrou um avental branco na cintura. Olhava preocupada para o japonês.
– Quando ele chegar mande-o entrar imediatamente – só então mirou Draco de maneira um tanto dura – E você espere lá fora.
Sem outra alternativa, Draco obedeceu.
UxA – HxD
A espera foi longa e enervante. Conforme prometido Snape logo chegou e entrou na sala de atendimento sem bater ou se anunciar. Nem mesmo falou com Malfoy.
O loiro retomou a marcha interrompida. Não ter notícias do que acontecia lá dentro era desesperador. Além disso, havia a falta de contato com Harry que acabava com seus nervos.
Minutos viraram horas. Cansado de andar de um lado para o outro, sentou-se em um dos bancos de madeira e esperou por mais um longo tempo.
Teve a impressão de cochilar de leve e acabou despertando quando ouviu passos ressoando no chão e quebrando o silêncio. Porém Draco sentia-se tão cansado física e emocionalmente que nem levantou-se do lugar.
– Ei... – Harry Potter sorriu ao virar o corredor.
– Demorou, Potter – Malfoy acusou em um tom de voz arrastado e seco. Mas os olhos brilhavam de alívio. A emoção era tão evidente que o Garoto Que Venceu sorriu de leve. Não precisava de palavras, se fosse recepcionado daquela forma.
– Estávamos finalizando a ação – revelou ao sentar-se ao lado do marido.
– Como você está? – Draco tomou uma das mãos de Harry entre as suas e apertou. Os olhos mercúrio captaram o profundo corte na têmpora direita que já não sangrava mais, depois de ter manchado parte do rosto do Autor. Os trajes do moreno também apresentavam diversos cortes. Fora isso Harry parecia bem.
– Nada grave – suspirou – Prendemos Baltazar, mas Bellatrix conseguiu fugir. Foram oito prisões no total. Conseguimos recuperar tudo o que foi levado. Inclusive a Rainha dos sereianos. Ela foi levada para St. Mungus e irá receber o melhor tratamento possível. Hermione está cuidando disso.
– Hn.
– E Shiroyama?
Draco recostou-se no banco, mantendo a mão entrelaçada com a do Gryffindor.
– Não sei. Estão há horas aí dentro, sem dar notícias.
– Acho que devemos avisar Takashima.
– Acredito que seja melhor trazê-lo de uma vez, Harry. Eu vou até o Japão e...
– Não – o moreno cortou. Seu marido estava abalado, não precisava ser um gênio para notar isso – Vou passar em Grimmauld Place, trocar de roupa e pegar um Testrálio. Você fica aqui e aguarda qualquer novidade. Devo chegar ao Japão ao amanhecer, será o bastante para tirar um cochilo.
Draco meneou a cabeça. Pegou a varinha no bolso e a usou para curar o machucado na têmpora do marido e limpar o sangue que secava.
– Tome cuidado – disse baixinho.
O auror segurou o rosto tão amado com as duas mãos e o puxou para um beijo profundo, quase agressivo. Estavam a um passo de acabar com o pesadelo e mergulhariam em outro, quando o Ministério os acusasse formalmente por toda aquela confusão.
Ao fim do beijo Harry se levantou e partiu, deixando para trás um Malfoy muito preocupado.
UxA – HxD
– Kai chan... Eles vão trazer Yuu chan de volta, não vão?
A súbita pergunta quebrou o silencio e sobressaltou Yutaka. A voz rouca do loiro arrepiou o lider da banda. Se a dor mais profunda pudesse se manifestar de alguma forma através dos sentidos, então a voz de Uruha seria sua representação mais fiel.
– Kou chan...
O moreninho fez menção de ficar em pé e aproximar-se do amigo, para tomá-lo nos braços e dar um mínimo de conforto no momento.
Antes que realizasse sua intenção um "puf" suave se fez ouvir. Uma figura se materializou no centro da sala de Uruha.
Harry Potter.
O tempo parou em suspensão por instantes que pareceram Eras. Uruha observava aquele homem esgotado parado no meio da sua sala de estar. Um bruxo. Um dos responsáveis por fazer de sua vida um terrível pesadelo.
Deu um passo a frente, afastando-se da janela que exibia os primeiros rios do nascente. Teve medo de perguntar, todavia Potter adivinhou o que ia pela cabeça do guitarrista loiro.
– Conseguimos. Shiroyama está recebendo cuidados.
O alivio foi tão grande que Uruha precisou apoiar-se na parede para não desabar. Kai contornou Harry e aproximou-se do amigo, colocando uma mão em seu ombro.
– Como ele está? – o lider do the GazettE perguntou.
– Não sei – o Auror respondeu sincero – Assim que o encontramos, o levamos para a enfermaria. Madame Pomfrey e Snape estão prestando socorro. Eles são os melhores que temos.
– Quero ver Aoi – a voz de Kouyou saiu fraca e vacilante.
– Vou levar você para Hogwarts. Mas não sei se poderá vê-lo... Terá que esperar pelo menos até que os cuidados sejam terminados. Pegue algumas coisas. Vamos a carruagem está nos esperando na estação.
– Precisa que eu vá com você, Kou?
O loiro olhou para o baterista. Negou com a cabeça. Não sabia quanto tempo ficaria por lá. Já estava complicado que apenas Reita e Ruki segurassem a barra com a imprensa. Se Kai sumisse junto com Uruha, o futuro da banda estaria seriamente ameaçado.
– Obrigado, Kai chan. Posso fazer isso sozinho.
Yutaka concordou com um acesso de cabeça.
– Me deixe apenas ajudá-lo a pegar algumas roupas e preparar a mala.
Sorrindo sem humor, Uruha concordou. Harry assistiu enquanto os japoneses saiam da sala, então foi sentar-se no sofá e apenas aguardou.
UxA – HxD
A longa viagem pareceu se estender pelo dobro do tempo. A tensão quase palpável era forte, invencível. Nem Harry nem Kouyou estavam dispostos a conversar. O desejo único era idêntico em ambos: que tudo aquilo acabasse logo.
Por mais belo que Hogwarts fosse, um magnifico castelo banhado pelos raios dourados do sol, já não impressionava Uruha. Em seu intimo desejava nunca ter conhecido aquele lugar, aquelas pessoas e o que chamavam de magia.
Silenciosos rumaram para a enfermaria. Draco permanecia sentando no mesmo lugar, aguardando, fato que nem era uma surpresa de todo. Mas Hermione estava com ele e isso sim surpreendeu um pouco.
– Que bom que chegaram – a bruxa foi logo dizendo – Estava esperando para passar as novidades todas de uma vez.
– Quero ver Aoi! – Uruha exigiu, tentando não soar desesperado e falhando miseravelmente.
– Madame Pomfrey e Severus ainda não terminaram – Draco respondeu em um tom monótono. Tinha a impressão que esperava notícias há um século.
– Estou assumindo o posto do Ministro por tempo provisório – Hermione começou as explicações – Até que um novo seja eleito.
– Então Baltazar era o culpado de tudo... – Harry murmurou – Faz sentido. O caso ShimaShiro estava indo bem. Até que as informações foram compartilhadas não apenas com Neville, mas com o Ministro também.
– Quando ele soube de Shiroyama não perdeu tempo. Mas essa manhã, pasmem, enviamos um time de Aurors à casa de Baltazar. Encontramos o corpo dele, em decomposição. Pelo visto o Ministro estava morto há um tempo.
A informação fez Draco e Harry se entreolharem. Uruha voltou a mordiscar os cantos dos dedos, já judiados. Não entendia nada do que estava ouvindo e não se importava. Só queria noticias do namorado.
– O quê? – Harry exclamou confuso.
Draco apenas rolou os olhos por seu marido ser tão lerdo.
– Polissuco – o professor deduziu o óbvio – Se Baltazar estava morto então o bruxo que vimos em seu lugar devia estar usando poção Polissuco.
Harry compreendeu o pensamento do Slytherin.
–Só vamos saber quem é depois que o efeito passar. Deve faltar pouco tempo.
Ouvindo aquilo Hermione e Draco se entreolharam. O loiro respirou de forma longa e ruidosa.
– Tem certeza que você é um Auror, Testa Partida? A única coisa boa que fez foi colocar o tal de GPS Muggle no meu guarda-chuvas. Se não fosse isso não teríamos a localização do leilão. Agora pense comigo: minha tia estava por lá... vocês prenderam o louco do marido dela?
– Lestrange? – Harry entendeu o ponto. Bellatrix nunca estaria em algo assim sozinha. Seu marido agiria ao lado dela. Lembrou-se do homem que invadira a casa dos japoneses, bem após a volta do Ministro e sua descoberta sobre o Muggle grávido. Era tudo certinho demais para ser coincidência.
– Vamos confirmar quando o efeito passar – Weasley encostou-se a parede – Mas tenho certeza que é ele. Infelizmente Bellatrix fugiu. Já emitimos alertas... Porém...
– E os sereianos? – a pergunta partiu de Harry.
– Norbert do Departamento de Cooperação Internacional de Magia está com eles. Garantimos que a Rainha tenha todos os cuidados necessários... A guerra foi evitada. Graças a Merlin. O Unicórnio voltou para o Departamento de Mistérios. A Salamandra Azul e tudo o que foi roubado já está sendo devolvido. Temos oito presos por esses crimes. Logo saberemos os nomes dos demais. É Azkaban sem...
Ao dizer o nome da terrivel prisão o clima pesou. Tensão fez com que Draco se endireitasse na cadeira. Harry lançou um olhar preocupado para o marido. Assim como Hermione.
O momento da verdade estava chegando. Já não havia mais motivos para protelar. Em breve seria Draco a enfrentar as acusações trazidas pelo seu ato impensado. Azkaban seria uma ameaça pairando sobre sua cabeça.
– Eu... – Hermione começou a falar. Mas nessa hora a porta se abriu. Madame Pomfrey saiu da sala de atendimento. Parecia exausta e mais velha, como se anos tivessem se passado dentro daquela enfermaria.
Sua expressão era extremamente séria ao olhar um por um daqueles que esperavam ali fora. Então ela fechou os olhos e respirou fundo.
Continua...
