Autores: Kaline Bogard e Felton Blackthorn
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita
Chizuru
Kaline e Felton
Capítulo XXXI
Não existem coincidências
Doloroso ou não, foi assim que o Destino conspirou
– Eu... – Hermione começou a falar. Mas nessa hora a porta se abriu. Madame Pomfrey saiu da sala de atendimento. Parecia exausta e mais velha, como se anos tivessem se passado dentro daquela enfermaria.
Sua expressão era extremamente séria ao olhar um por um daqueles que esperavam ali fora. Então ela fechou os olhos e respirou fundo.
– Está tudo bem – a enfermeira disse – Com os dois.
O alivio de todos foi tão profundo que a nuvem de tensão que os asfixiava se afastou, o ar ficou mais leve. Foi mais fácil respirar.
Uruha chegou a dar um passo em direção da mulher.
– Quero...
Mas Pomfrey ergueu a mão e o calou com um gesto. O japonês engoliu em seco. Draco e Harry se entreolharam. Hermione abriu e fechou as mãos de forma nervosa.
– Não pode vê-lo. A sala está instável ainda, depois de tudo o que fizemos. Aquele rapaz foi intoxicado por poções. Nem Severus conseguiu identificar todas – a velha mulher foi falando – Mas o purificamos da grande maioria. Há resquícios de feitiços. E fragmentos de uma das Imperdoáveis.
– Crucciatus – Draco sussurrou horrorizado. A maldição favorita de sua tia. Mas o professor não podia acreditar que a insana mulher tivera mesmo coragem de usar em duas vitimas tão frágeis. A loucura dela desconhecia limites.
– Meu jovem paciente está desnutrido e desidratado. Ele esteve em contato com tanta magia que evitamos feitiços mais elaborados na recuperação. Recorri a métodos Muggles para ter certeza da segurança do bebê – nesse ponto enfiou a mão no bolso do avental branco e puxou um estetoscópio, deixando-os ver o aparelho antes de guardá-lo novamente – Confesso que foi uma surpresa atestar o quão bem essa criança está, depois de tudo o que passou... e é então que precisamos tratar de algo delicado e importante.
Terminou a frase olhando para Uruha. O guitarrista se viu subitamente com a boca seca. Tentou engolir saliva, mas não conseguiu. Com o coração aos saltos perguntou a dúvida que era de todos.
– O que aconteceu com Yuu e nosso filho?
Papoula hesitou brevemente, como se estivesse reunindo as palavras mais apropriadas para expor o assunto.
– A poção que aquele jovem ingeriu foi feita em Avalon. Avalon é um mundo ao qual não pertencemos. Não posso dizer como é criada ou sobre seus efeitos e conseqüências. Mas algo óbvio desde o inicio foi a respeito da barreira mágica que envolveu o feto. Uma magia que, sem dúvidas, foi criada para proteger a criança de ser atacada pelo corpo do progenitor. Homens não possuem um útero. Muggles são ainda mais complicados: eles não têm magia natural – Pomfrey parou um segundo para respirar fundo – Pela forma como a proteção magica se desenvolveu ficou claro que deveria durar pelos nove meses de gestação. Mas...
Ela calou-se, cansada.
– Mas? – Hermione Weasley não queria soar tão ansiosa. Porém tanta coisa estava em jogo ali...
– Mas durante todos esses ataques sofridos o corpo do Muggle concentrou a magia para proteger o bebê. Seu corpo o protegeu inclusive da Crucciatus. Não encontramos nem um vestígio da Imperdoável na criança. Nada. Absolutamente nada. É um milagre.
Nesse ponto Draco ficou em pé. Anos de experiência com os Modernos não foram em vão. Compreendeu perfeitamente o que Papoula queria dizer, pois o desgaste fazia parte do principio de alguns feitiços que estudara.
– A proteção acabou mais rápido do que deveria – Malfoy deduziu, enquanto passava a mão pelos cabelos.
– Exato, professor – a bruxa enfermeira meneou a cabeça – A proteção que envolve o bebê está por um fio. Talvez dure horas. E não estou habilitada a dizer o que pode acontecer com a criança ou com o pai quando esse tênue invólucro mágico acabar.
Kouyou não tinha muita certeza do que a velha mulher queria dizer com aquilo. A única coisa que captara fora o fato de que Yuu podia estar em perigo. Ele e o bebê.
– O que sugere, Madame Pomfrey? – Weasley perguntou.
A bruxa olhou longamente um por um daqueles jovens. Fixou os olhos experientes sobre Takashima.
– Severus e eu concordamos nesse ponto. Talvez exista uma forma de evitar o pior. Para isso preciso da autorização do outro pai...
– Autorização para quê? – o guitarrista loiro inquiriu baixinho.
– Para fazer o parto. Um procedimento Muggle chamado cesariana.
Uruha levou uma mão aos lábios e os cobriu. Uma fraqueza indizível amorteceu seu corpo e por um segundo a mente foi uma bagunça total. A respiração falhou, ao contrário do coração que disparou.
Hermione chegou a entreabrir a boca para questionar a sensatez daquela solução, todavia calou-se. A enfermeira de Hogwarts tinha experiência o bastante para saber do que falava. Ela nunca daria uma sugestão que colocasse vidas inocentes em perigo.
Um burburinho soou ao fundo, muito distante. Era hora do almoço e alunos se espalhavam pelos campos lá fora. As vozes animadas dos jovens chegavam até eles através das janelas, assim como os raios do sol que iluminavam o corredor.
Detalhes que a mente de Takashima não registravam. Sua atenção desesperada tinha um único foco. A pessoa que era a razão do seu viver.
– Faça o que tem que fazer – ele pediu fraco, sussurrado. Os olhos castanhos se ergueram para o teto, permitindo que lágrimas escorressem pelo rosto pálido e magro – Apenas salve-os... Por favor...
Pomfrey não disse mais nada. Deu meia volta e voltou para dentro da sala de atendimento, fechando a porta.
E mais uma longa vigília começava.
U x A – H x D
Nenhum dos quatro arredou pé daquele corredor. Nem mesmo Hermione, com tanto para resolver agora que o Ministério estava sem uma pessoa no comando. Coisas mais importantes estavam em jogo.
Em determinado momento um elfo domestico viera por ordens de Minerva. A diretora sabia de seus visitantes, apenas mantinha vistas grossas e mantinha os estudantes longe da enfermaria pelo tempo que fosse necessário.
No entanto a oferta foi recusada. A apreensão daqueles quatro era tamanha, que nem fome sentiam. Apenas esperavam por novidades. Qualquer notícia que finalizasse a longa e angustiante espera. Nenhuma palavra era trocada, como se falar pudesse quebrar algum limite indizível no momento de angustia. O silêncio era o único idioma permitido naquele corredor. Apenas aceitariam a palavra que colocaria um fim na vigília.
E isso aconteceu quando a tarde ia avançada.
A porta mais uma vez se abriu, dando passagem a Madame Pomfrey. Havia manchas de sangue no avental antes imaculado. Mas dessa vez a mulher não parecia tão cansada. Pelo contrário: trazia um sorriso em seu rosto que deixava o rosto enrugado com ar simpático.
Draco, Harry, Hermione e Uruha ficaram em pé. A expressão de Papoula era mais eloquente do que mil palavras.
– É uma menina! – a mulher anunciou feliz – Perfeita. Linda. Uma menina!
O corpo de Uruha estremeceu de felicidade. Seus lábios se esticaram em um sorriso que era puro orgulho e alivio.
– Posso...?
– Claro, claro! – a enfermeira acenou – Venham comigo!
O convite se estendeu a todos ali presentes. Kouyou foi a frente, com o coração disparado. Ao se deparar com o namorado deitado na cama, coberto com um lençol branco. Pelo pouco que podia ver, Aoi estava tão magro e judiado. Um fantasma do que seu amado Shiroyama costumava ser. A visão foi tão dolorosa que o loiro chegou a bambear, incapaz de dar mais um passo.
Então um movimento à sua esquerda chamou sua atenção. Um homem que não conhecia, trajando vestes escuras, com um cabelo estranhamente parecendo ensebado e nariz adunco chamou sua atenção.
Ele trazia uma trouxinha em seus braços. Um pacotinho envolto em uma manta branca, tão pequenino e frágil...
– Isso lhe pertence.
E ofereceu para Kouyou o que levava com tanto cuidado.
Uruha aceitou tomar em seus braços o que descobriu ser uma criança. Um bebezinho ainda meio sujo de sangue e com a pele enrugada. As feições orientais eram inegáveis. E a pequenina tinha tanto cabelo! Negro e liso...
O rapaz riu emocionado. E chorou, olhando encantado o bebê em seus braços, fruto do amor que sentia por Aoi e era plenamente correspondido. Sentiu um vinculo tão forte com aquela criança, como jamais sentira antes. Sangue do seu sangue. Carne da sua carne.
– Ela é linda – Hermione sussurrou encantada. A assessora do Ministério aproximara-se de mansinho, junto com Harry e Draco.
– Linda... – o Auror repetiu, admirando a pequena vida que correra mais riscos do que muitas pessoas no mundo jamais correriam.
Draco, ao seu lado, se permitiu observar a menina, uma coisinha miúda e frágil. Todavia forte o bastante ara chegar bem ao mundo, apesar de todos os pesares. De todas as impossibilidades.
– Como ela irá se chamar? – Weasley perguntou com emoção pontilhando suas palavras.
Koyou chegou a entreabrir os o lábios para responder. Mas de repente a atmosfera no quarto ficou mais densa, quase palpável. Severus, que se afastada de Uruha após lhe entregar a criança parou de se mover, assim como Hermione e Pomfrey.
Draco e Harry se entreolharam. Takashima apertou um pouco mais a filha em seus braços.
– Aiko. O nome dessa criança é Aiko – uma voz conhecida afirmou. Uma figura toda de preto se materializou no meio da sala de atendimento. Os dois bruxos logo a reconheceram: Bella, a bruxa que fazia parte da Seção de Obliteração. A Seção Oculta.
A figura cujo corpo todo permanecia encoberto pareceu flutuar até Kouyou e abriu os braços para receber a menina a qual chamara de Aiko. Apesar de não querer entregar, foi como se o corpo de Uruha obedecesse comandos invisíveis. Chocado, se viu entregando a filha a uma total desconhecida.
– Você... – Draco soou surpreso. Mais do que gostaria.
– O Destino nos impõe dramas dolorosos, senhor Malfoy. Ele conspira seus planos de modo tão perfeito... – os lábios de Belle, única parte visível de seu corpo, sorriam. E sua cabeça estava levemente inclinada, como se observasse a criança em seus braços – A poção criada em Avalon tinha um propósito. Um objetivo visto em sonhos por Morgana, a Senhora das Brumas. E todas as peças se encaixam agora.
– Do que está falando? – Harry perguntou enquanto olhava para Hermione, notando a amiga imóvel. Mal parecia respirar.
– Os frutos de Avalon devem permanecer em Avalon. Essa criança não pertence ao mundo Muggle, nem ao mundo Bruxo. Seu destino é viver na ilha das Brumas.
Ao ouvir isso tanto Harry quanto Draco cravaram seus olhos na figura sinistra que dominava o centro da sala de tratamento.
– Não! – Kouyou exclamou chocado. Nunca permitiria que levassem sua filha! Aoi nem tinha conhecido a criança! Não! Jamais!
– Vou dizer como tudo acontecerá – Belle falou em um tom baixo e paciente – O senhor Malfoy cometeu um crime grave ao lançar a poção ao mundo Muggle. Mas não irá a julgamento por isso. Seu castigo será nunca ter o filho que tanto deseja. A poção de Avalon só pode ser feita a cada terço de século... Você perdeu a sua chance. Terá que seguir em frente, sabendo que causou dor e sofrimento a pessoas que não mereciam. Essa era a sua poção, senhor Malfoy. A gestação em um ventre magico abrigaria a duas vidas gêmeas, assim dizia os sonhos de Morgana. A filha de Avalon e o filho da magia. E o senhor destruiu isso com sua arrogância e impulsividade. Viva com isso.
Draco sentiu um aperto na garganta. Compreendeu o que a Abominável dizia: tantos anos correndo atrás de um sonho que jamais se concretizaria. Seus sonhos e os sonhos de Harry Potter. Não teve coragem de olhar para o marido e ver a decepção nos amados olhos verdes.
– Tem que ter outro jeito! – Harry soou irritado. Se aquela mulher achava que concordaria com tal loucura estava redondamente enganado. Que punissem a Draco e a ele por tanta irresponsabilidade. Mas não deixaria que separassem aquela criança de seus pais.
– Seja razoável – Draco pediu com humildade surpreendente.
– Não... – Uruha voltou a sussurrar, horrorizado.
Isso chamou a atenção de Belle. Ela apenas sorriu de leve.
– De vez em quando bruxos com poder indizível ganham vida. Seres ditados de poder natural tão forte que desequilibra a magia do mundo. Essas crianças são recolhidas e levadas a ilha de Avalon, antes de se tornarem Abomináveis. Crianças como eu fui um dia. Crianças como Aiko.
– Está dizendo que vai levar minha filha? – Kouyou deu um passo a frente – Não vou deixar que faça isso! Quem é você?
Belle ergueu a cabeça e voltou o rosto encapuzado na direção do guitarrista. Seu sorriso indulgente estava carregado de paciência.
– Não tem muita escolha, meu jovem.
Takashima estendeu os braços pedindo a filha de volta.
– Devolva.
A Abominável entreabriu os lábios aspirando ar de leve. Quando expirou, deixou que um feitiço fosse ouvido.
– Obliviate.
Continua...
Nota por Felton Blackthorn:
O próximo é o último!
