Autores: Kaline Bogard e Felton Blackthorn
Título: Chizuru
Beta: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: um pouco de tudo
Observação: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita


Chizuru

Kaline e Felton

Epílogo

– Vamos nos atrasar, Kou chan...

A voz cantarolada fez Uruha sorrir. O loiro observou-se no espelho. Mantinha os cabelos tingidos de loiro, atualmente em um corte bem menos ousado do que nos tempos de banda. O terno ocidental assentava bem no corpo magro. Ele terminou de ajeitar o último botão e virou-se para o marido.

Sim.

Marido.

Japão cedera a muitas das influências de oversea. Casamento entre pessoas do mesmo sexo fora aprovado há quatro anos atrás. Takashima e Shiroyama não hesitaram em unir suas vidas perante a lei e os antigos fãs.

Antigos, por que a banda thE Gazette já não mais existia na época. Apesar de todo o sucesso e aclamação, chegara um momento em que os integrantes já não desejavam mais aquela vida de viagens, compromissos, correria.

O fim viera naturalmente, sem atritos. Cada um dos cinco seguiu um novo rumo. Sem se afastar completamente, pois Kai e Uruha se uniram e criaram uma Produtora juntos. Eram sócios e, surpreendente, uma combinação incrível: Kouyou tinha o faro para novas estrelas. Yutaka cuidava da parte legal. SnoWred, TB22, Yura-chan... nomes que bombavam nas paradas de sucesso depois de lançados pela Chizuru, produtora da dupla de amigos.

Yuu continuava suas composições, vendendo para clientes regulares. Sua última música ganhara um prêmio qualquer oversea. Nada que surpreendesse muito. Não era a primeira vez, nem seria a última.

Reita empresariava um grupo Teen que vinha dominando o cenário adolescente pelos dois últimos anos. E Ruki continuara com a carreira solo até os dias atuais.

Eventualmente eram convidados para algum show beneficente. Não poucas vezes para homenagens. Épocas em que pegavam os instrumentos outra vez e relembravam os bons e velhos tempos.

– Tem razão. Eu sempre me atraso! – o loiro sorriu para o moreno a sua frente, vestido com igual esmero. Aproximou-se de Aoi e ajeitou-lhe a gravata com carinho – Você está bem?

O moreninho balançou a cabeça, acostumado com a preocupação do marido. Desde onze anos passados, quando sofrera uma doença rara e quase morrera. Sua recuperação fora lenta e delicada. Sem exageros, Yuu sabia que estivera a um passo da morte.

Dias distantes e pálidos, que vira e mexe vinham a sua mente, como fantasmas a persegui-lo. Uma comoção abalara o Japão ao saber que um de seus amados ídolos estava doente. Fãs de todo mundo se uniram para oferecer seu apoio incondicional.

Shiroyama pouco se lembrava desses dias. Quando tentava, tudo era um borrão. Isso e a sensação de perda... Um vazio... O ex-guitarrista, às vezes, sofria e sentia a falta de algo que nunca tivera em sua vida.

Algo que sequer podia nomear.

Faltava um pedaço de si. Mas... Não sabia o que deixara para trás... Somente lamentava.

Yuu sobressaltou-se um pouco quando sentiu Kouyou tocar suave em sua face e recolher as lágrimas silenciosas que escorriam por seu rosto. Ele nem notara que começara a chorar.

– Tem certeza que está bem?

– Sim, sim. Só um pouco emocionado.

Uruha sorriu. Era a noite em que mais uma banda iria debutar. Mais um sucesso para os dois, coroando todo o esforço. Tomou as mãos do marido entre as suas e apertou com carinho, puxando-o para fora de casa.

A noite tinha tudo para ser um sucesso. Como todos os últimos anos.

U x A – H x D

Draco observava seu marido andar de um lado para o outro da sala. Isso acontecia há pelo menos meia hora.

– Harry, você está me dando dor de cabeça – o professor resmungou, sentado no sofá e parecendo extremamente entediado.

Pose. Nada mais que isso.

O Auror sabia que Malfoy estava tão (se não mais) nervoso quanto si próprio. Tudo naquela noite tinha que ser perfeito.

– Você acha que ela vai gostar de nós?

O Slytherin rolou os olhos.

– Se ela vai gostar de você, não sei. Mas é óbvio que ela vai gostar de mim. Sou adorável.

Harry sorriu. Veio sentar-se ao lado do marido, que recostou-se a ele, aconchegando-se.

– Está tudo perfeito. O jantar será delicioso, nós seremos educados e ela irá nos adorar. Deixe de ser pessimista.

O Auror passou um braço pelo ombro do marido e apertou-o com carinho. Aquela era a noite em que conheceriam a namorada do filho de ambos.

Harry e Draco haviam sido condenados, onze anos passados, por uma bruxa de grande poder a nunca ter um filho que fosse nascido do sangue e carne de ambos, com a ajuda de poções magicas.

Por culpa de um gesto impensado de Malfoy muita confusão acontecera, pessoas inocentes foram postas em riscos. Houve dor e perda o bastante para puni-los todos os dias e todas as noites desde então. O peso do remorso.

Mas isso não significava que não pudessem adotar uma criança. E assim haviam feito: por intermédio de Hermione, assessora do Ministério, conheceram um orfanato. Ao encontrar aquele garotinho o amor nascera instantaneamente. Uma criança de seis anos, cheio de energia e sem esperanças de ser adotado. Os recém-nascidos eram preferidos, em seguida os mais jovens.

Quanto mais velho, menos chance tinha.

Mas foi imediato ao conhecer aquela criatura que mirava de volta com desconfiança em seus grandes olhos castanhos: tanto Harry quanto Draco caíram de amores por ele.

Foi apenas uma questão de tempo e burocracia para que Derek Grogman se tornasse Derek Potter e aquele que renovou a vida de Harry e Draco. Junto com o menino veio uma bagagem carregada de risos, preocupação, lágrimas, orgulho, brigas, reconciliações... Todos os elementos que uma família verdadeiramente tem. Detalhes que tornam os vínculos mais profundos e fortes do que tudo.

Laços de amor.

Uma sombra de tristeza toldou os olhos grises de Malfoy. De vez em quando ele era colhido pelo sentimento esmagador de culpa, de ter privado aquele casal Muggle dessas experiências maravilhosas que apenas a convivência familiar pode nos brindar.

Nesses momentos o remorso parecia insuperável.

Mas ele engolia a dor e amparava-se em Harry, o homem que o acompanhava a cada passo daquela caminhada e que nunca, em momento algum, lhe dirigiu sequer um olhar de condenação. A única coisa que aquelas íris esmeralda refletiam era amor, devoção e entrega incondicionais.

Harry Potter faria qualquer coisa pelo homem que amava. E Draco nunca duvidara disso.

– Você está bem? – a pergunta veio em um sussurro e fez o loiro estremecer.

– Claro, Potter – Draco disse naquele tom arrastado, libertando-se dos braços do marido – Pronto para impressionar a namorada de Derek, uma dama de Beauxbatons. Nosso filho é tão desastrado quanto você! Como ele conseguiu... Espere... O que estou dizendo? Você sendo desastrado desse jeito conquistou a mim, não é? Claro que Derek encontraria uma namorada de classe.

Harry riu do jeito esnobe do loiro. A língua afiada não mudara nada naqueles anos todos.

Foi então que ouviram som de aparatação e vozes animadas. Não apenas de Derek, mas de Hermione e Ron, convidados para a noite que acabaram de chegar.

O Auror ficou em pé e puxou seu marido. Era hora de colher mais um dos frutos pelas escolhas tomadas. Um dos bons frutos.

U x A – H x D

A menina abriu os braços e acolheu os raios do sol que banhavam sua pele tão branca quanto mármore, uma suave brisa agitou os longos cabelos negros e lisos. Os olhos enviesados se fecharam de prazer com a sensação.

Era tão raro.

Tão raro que o sol alcançasse aquela ilha, vencendo a densa nevoa que sempre a envolvia e a protegia do mundo lá fora.

Mas o momento logo passou. A percepção inumana captou o levíssimo agitar do ar à sua esquerda. A borboleta de asas amarelas estava escapando.

Aiko reabriu os olhos e voltou a perseguir o inseto, tentando captura-la com as mãos nuas. Seu riso cristalino ecoava alto e soou como música para as figuras solitárias que a observavam.

– Preciso voltar ao meu posto – a figura alta encoberta por um negro manto anunciou. Os lábios permaneciam congelados em um sorriso indulgente, sua marca registrada. A única parte de seu corpo que era visível. Apesar do capuz cobrir seus olhos, mirava direto Aiko, a criança que um dia seria uma sombra muito mais poderosa do que ela podia sequer imaginar – A assessora Weasley tem um jantar importante essa noite, preciso estar lá.

– Como desejar, Belle – a frase soou direto na mente da Abominável. A mulher sabia que aquilo era algo simples para a pessoa ao seu lado.

– Esteja bem, Morgana, senhora de Avalon.

A referida apenas meneou a cabeça, agitando os vastos e ondulados cabelos. Morgana parecia banhada em luz, como se magia em sua forma mais elemental emanasse de seu corpo. Os olhos eram profundos e experientes, de uma cor que não havia equivalente no mundo mortal ou no mundo bruxo.

Olhos que acompanhavam a pequena garota em sua brincadeira inocente, sabendo que seria destinada a grandes coisas. A criança que viera ao mundo de forma inusitada, conforme anunciado por suas visões, dotada de poder que obliterava os limites da razão.

Não seria a primeira vez que a Senhora de Avalon cumpria os desígnios do destino, equiparando a balança e trazendo crianças como Aiko para a Ilha das Brumas. E não seria a última.

Ela pertencia a um mundo diferente. Onde a magia e a natureza ditavam regras diferentes. O mundo para o qual Aiko nascera.

O mundo ao qual pertencia, onde seria treinada e preparada até os quinze anos para se tornar uma sombra que receberia sua missão mais formidável: proteger pessoas importantes.

Uma sombra poderosa para cuidar de algo precioso. Um "elemento virgem", algo que jamais existira até então. Um homem... um muggle que engravidara.

Era assim que o Destino conspirava.

Fim


Notas por Kaline Bogard:

Geeeeeeeeeeeeeeeente não acredito que acabou! 8D Dá só uma olhadinha na data de postagem... calcula quantos anos de hiatus? E eis o fim. Esse fim foi controverso. A Sam queria que a criança ficasse com os Muggles, eu queria que ficasse com os bruxos. O Felton, como um bom garoto, ficou em cima do muro. Aí o melhor termo que encontramos foi esse! Pelo menos é um fim! Obrigada por ter lido até aqui e até a próxima :3

Nota por Felton:

Enfim, como bem dito: é um fim. Sei que não era o esperado, mas escrever em parceria é complicado. Unir dois fandoms é complicado. Trabalhar com alguém que não gosta de m-preg é complicado. Temi que essa fanfic nunca fosse finalizada! Agora faltam apenas duas fanfics para eu terminar. Vou focar em Spatium, porque ela é mais curtinha. Depois foco em Eternity. Vou cumprir minha palavra e terminar todas, com certeza.

Um obrigado especial a Samantha, que betou e ajudou com idéias, a Ifurita pela paciencia e a todos que acreditaram que haveria um final!