Embarque na Plataforma Nove Três Quartos.

Situado em um dos muitos corredores da estação Kingscross, se encontrava atualmente duas pessoas caminhando lado a lado.

Do canto direito, havia um homem excepcionalmente grande comparado ao padrão comum onde suas roupas extravagantes o faziam chamar ainda mais atenção.

- Estão olhando o que? - O homem exasperou-se a um casal que acabavam de passar o encarando, onde o homem a seu lado continuava concentrado em seu livro que logo na capa informava:

"Hogwarts: Uma História."

Apesar do nome comum, a história era bem interessante caso tivesse ânimo e paciência com as enrolações que detinha no mesmo.

- Droga, já é tão tarde assim!? Desculpe Harry terei de deixar você, Dumbledore deve estar querendo... - O Homem dissera onde o Potter enfim demonstrara atenção enquanto encarava o mesmo tocar o bolso do grande casaco que trajava, no qual detinha um item secreto referente um dos cofres recentemente acessados. - Bom, deve estar querendo me ver... Enfim, seu trem sai em meia hora, aqui sua passagem, guarde-a bem me entendeu? Guarde-a bem. - O homem grande por fim disse a Harry onde o mesmo pegara o ticket encarando-o curiosamente.

- Espera aí... Aqui diz Plataforma 9 ¾! Essa plataforma não existe, existe? - Harry dessa vez indagara onde olhava para cima, que para sua surpresa não havia mais ninguém.

- "Pelo visto terei de descobrir sozinho..." - O mesmo pensara enquanto um grupo de garotas passara por ele soltando alguns risos maliciosos, e nisso o mesmo as seguiu com o olhar parando diretamente no grande relógio central da estação.

Notando que faltavam cerca de meia hora para o trem partir ele enfim decidira agir por si só. Havia gostado muito de Hagrid, onde o mesmo ofereceu a oportunidade de um mundo novo longe de seus tios. Porém em meio a isso, Harry detinha de uma enorme desconfiança sobre toda sua herança e oportunidades dadas de mão beijada.

Não era por mal, porém o mesmo nunca mais confiara levianamente em alguém desde muito jovem, e sabendo bem como os humanos podiam estar escondendo sua verdadeira face, assim como ele sempre fazia, não iria permitir que o usassem e muito menos que tirassem de si o controle sob sua vida.

Com tais pensamentos circundando sua mente o mesmo rapidamente veio a retornar para entrada da estação onde guardara suas malas e coruja no setor referente a tais em especifico, fazendo apenas sua fênix filhote continuar a aconchegar-se no bolso interno de seu blazer, assim correndo estação a fora na qual estava situada a algumas quadras da entrada para o caldeirão furado.

[ ... ]

Correndo apressadamente de volta ao caldeirão furado, Harry vira surpresa na face de Martha Abbot, que recepcionava no balcão, porém logo ela percebeu que o mesmo rumava aos fundos numa correria só. O mesmo até estranhou uma pontada dolorida em sua cicatriz após ter olhado para um homem de turbante, porém logo ele chegara a seu destino onde realizara o processo de entrada no que ele auto intitulou como: Muro mágico de entrada ao beco diagonal.

Nisso, novamente voltando a correr velozmente por entre as pessoas do beco, o Potter veio a chegar rapidamente no banco Gringotes onde teve a surpresa de notar ter perdido dez minutos nessa correria toda o fazendo notar que teria de se apressar.

Adentrando cordialmente no enorme banco onde ainda estranhara as presenças dos Goblins, pois até um dia atrás era absurdo para o mesmo dizer que eles existiam. O mesmo enfim se aproximara do atendente principal no qual Harry pode perceber ser alguém diferente do que lhe atendeu anteriormente.

- Ora, a que devo a presença do grande Harry Potter. - O Goblin até então quieto comentara com um leve sarcasmo na voz, onde conseguia saber quem o homem era, devido à cicatriz predominante na testa que mantinha os cabelos para trás.

- Só Harry já basta... Preciso saber algo bem importante e estou com um pouco de pressa para embarcar no trem para Hogwarts... será que poderia me ajudar? - Harry respondeu onde via o Goblin se ajeitar sob o acento de forma profissional e até respeitosa com base nas expressões do mesmo. Deixando Harry confuso se ele estava assim pelo assunto direto e sem enrolações, ou por ser um pedido e não uma ordem patética como a do bruxo ao lado dele, que mais parecia enfurecer o Goblin vizinho.

Vendo que poderia continuar e não seria extorquido igual com Griphook, o Potter enfim começara:

- Sei que meus pais tiveram contas cadastradas aqui, junto ao fato de criarem a conta de confiança que acessei recentemente, mas..., será que há alguma coisa referente a eles que me possa repassar? - Harry perguntou até rapidamente onde o Goblin logo respondeu categoricamente.

- Apenas seu guardião tem tamanhas informações disponíveis a uso para lhe responder. - O Goblin respondeu com um olhar intrigante.

- Poderia me dizer quem é esse guardião? - O moreno rapidamente indagou confuso, pois de certa forma acreditara ser Hagrid, mas ainda tinha um pé atrás. - Sei que meus guardiões são Válter e Petúnia Dursley, mas eles praticamente me expulsaram de casa e nunca tive contato algum com bruxos ou bruxas de nenhuma sociedade magica até o dia anterior, é claro.

- Ora, que pergunta é essa! Logicamente que é Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore... Atual diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. - O Goblin respondeu de certa forma desconfiado, pois o fato de o garoto não saber sobre o guardião poderia ser bem sério aos olhos do ministério.

- Ocorre que eu nunca vi esse tal de Dumbledore na minha vida, na verdade eu nem sabia que esse mundo bruxo existia até poucos dias atrás. - Harry dessa vez disse onde abria os braços em referência a um todo que existia a sua volta. Onde alguns bruxos e bruxas vizinhos acompanhados de seus filhos podiam escutar. - Faz menos de um dia que fui informado do mundo mágico através de uma carta matrícula de Hogwarts. - Harry por fim explicou onde o Goblin dessa vez o alertara.

- Sr. Potter, peço que releve o que vai dizer, pois uma informação dessas é gravíssima, principalmente a você, pois todo bruxo deve ao menos ter três contatos anuais com o guardião magico. Ser privado de seu conhecimento básico em relação a nosso banco é um crime bem sério aos olhos para com seu ministério da magia e os estatutos que nos cercam após a última grande rebelião, no qual poderiam trazer problemas sérios a seu guardião.

- Digo e afirmo novamente! Nunca vi esse tal de Dumbledore, onde até poucos dias, minhas obrigações eram trabalhar para juntar dinheiro e pagar uma matrícula numa escola que eu poderia estudar sem necessidade de interferência de meus tios, que mais queriam me matricular forçadamente em um internato para delinquentes juvenis. - Harry novamente afirmou aonde dessa vez o Goblin realmente veio a demonstrar surpresa, pois notara um leve pesar no olhar do Potter.

Ocorre que os olhos de Goblins eram muito afiados, era notável que o olhar do garoto se predominava numa seriedade que escondia traumas passados, seu corpo trabalhado era repleto de magia das trevas que se predominavam da cicatriz e aparentavam estar se sustentando sua base no lugar dos ossos e músculos, e por fim o fato de ter uma fina cicatriz visível no pescoço podia significar sinais de abusos infantis.

Tais abusos que devem ter parado no exato momento que seu corpo cresceu e se desenvolveu de forma absurda para idade comum dele.

Procurando rapidamente algo abaixo de sua mesa, o Goblin enfim puxara um documento dos muitos que tinham ali onde era notável que o mesmo já estava desgastado pela coloração amarelada do folheto.

Encarando Harry seguido do pergaminho, o Goblin viera a pensar solitariamente, onde logo o mesmo se levantara do lugar pedindo para que o Potter pudesse o acompanhar longe dos ouvidos externos, mas meio inútil já que uma criancinha parecia perguntar para mãe se era por esse motivo que o garoto-que-sobreviveu nunca respondeu suas cartas.

O moreno até estranhara andar até um corredor sem saída, mas para sua surpresa o Goblin passara a mão sobre a ampla parede na qual simplesmente veio a dar indícios de uma porta metálica.

Tal porta que mostrara ser referente a um elevador que viera a os levar para baixo numa velocidade alucinante que fazia o Potter sentir-se tonto.

Ocorrendo uma parada brusca, ambos enfim saíram do elevador no qual se mostrara ser uma única e enorme sala na qual era possível notar centenas de manuscritos e pergaminhos, que muitos deles eram carimbados automaticamente feito mágica que os fazia flutuarem e penas que anotavam sozinhas.

Uma brilhante demonstração de magia onde o moreno se surpreendia ainda mais.

Nisso eles enfim chegaram ao fim da sala onde um homem velho se encontrava sentado sob uma grande poltrona estofada.

- O que foi, Dhigo? - A voz surpreendentemente imponente do velho homem se fez presente enquanto o suposto Goblin ia até ele e se comunicava em um idioma estranho e único, fazendo as expressões do homem se alterar de uma forma que Harry não sabia se era surpresa, raiva ou até mesmo ódio.

Fazendo sinal para o Goblin sair, o Potter veio a se despedir cordialmente do mesmo, ato que fizera o duende demonstrar surpresa por estar sendo de certa forma bem tratado por um bruxo.

Nisso ao ver o Goblin sair levemente contente da sala, o Potter enfim pode escutar:

- Primeiramente! é uma honra finalmente conhecê-lo, Sr. Potter. Chamo-me Not, e gostaria de lhe fazer algumas perguntas. - O homem se apresentou enquanto Harry acenava em concordância.

[ ... ]

Já se passavam cinco minutos desde que o homem denominado como Not, passou a fazer diversas perguntas sobre a vida de Harry, desde quando tinha tal aparência amadurecida sendo um garoto de onze anos, e principalmente sobre a presença do suposto guardião mágico negligente de suas obrigações que nunca se apresentara ao Potter.

A cada resposta dita, a expressão do velho se sombreava o fazendo apertar os punhos numa raiva e irritação aparente.

- Senhor, poderia me explicar o motivo disso tudo? - Harry perguntou onde o homem acabara de fazer diversas perguntas e com um manejar da varinha do velho, alguns documentos passaram a vir flutuando até sua mesa.

- Primeiro: Que você tem um guardião ausente no qual lhe privou de todo o conhecimento mágico que lhe é direito, principalmente o conhecimento em relação a suas obrigações para com nosso banco nesses anos. - Not explicara de início. - Em si já era estranho eu ser contratado como gerente de suas contas a onze anos, sem explicações demais e uma substituição imediata do antigo gerente que sempre teve relações com a mais antiga e nobre casa Potter.

- Segundo: O fato de sua conta bancaria ter um número fixo de valor sacado todos os meses no destino desses Dursleys, onde saber que uma criança foi obrigada a trabalhar para se sustentar me deixa extremamente irado.

- E, por terceiro e último lugar: Pelo fato de me enganarem ao ponto de acreditar que a herança Potter estava sendo destinada aos cuidados do herdeiro de uma mais antiga e nobre casa, quando na verdade foi extraviada para seja lá quais fins maléficos, junto ao fato de Dumbledore continuar sendo um duas cara miserável que carrega o mundo nas costas e não vê problemas em manipular tudo a sua opinião, descartando a dos outros no processo. - O homem por fim disse enquanto estendia um documento ao garoto que pegara no mesmo momento.

- Isso aqui são os valores de galeões sacados mensalmente e convertidos em moedas globais no qual são entregues a seus tios que lhe privaram de tudo até hoje. - O homem informou de certa forma raivoso com a situação.

== Contabilização Anual do Cofre de Confiança Potter ==

{ Ano de 1981 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1982 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1983 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1984 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1985 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1986 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1987 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1988 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1989 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

{ Ano de 1990 }

500 G \ 50.000 R$

Saque do cofre principal (688) para o de confiança (687), a fim de serem utilizados para cuidados do bem-estar de um Harrysson James Potter.

Vinculações de transferência de 250 G \ 25.000 R$ para os cartões individuais de um Válter Dursley e Petúnia Evans Dursley.

Vendo tais documentos, Harry não pode deixar de sentir-se ainda mais traído e com ódio dos miseráveis que eram seus tios. Ambos porcos hipócritas que lhe roubaram todo esse tempo o negando comida, onde tinha que trabalhar para conseguir seu próprio sustento dia após dia, mas que no fim lucravam mensalmente com a herança de seus pais assassinados.

Pouco importava ele com quanto dinheiro era, mas sim que aqueles desgraçados de merda lhe trataram como lixo, como uma aberração, um monstro ao ponto de espanca-lo fisicamente, faze-lo passar fome e ainda praticamente ser escravizado a arrumar um emprego, pois não iriam mais bancar comida, roupas ou remédios.

Ele mesmo foi quem precisou ir buscar exames de vacinações, ele mesmo quem precisou ir atrás de sua certidão de nascimento e tudo que qualquer ser humano precisasse para ser integrante de uma sociedade, e quando lhe negavam as coisas, era ele quem tinha que sentir o peso de realmente ser uma aberração, por usar de sua esquisitice afim de vidrar os olhos das pessoas e força-las estranhamente a obedecerem ao que ele mandava.

Tudo isso repetia-se dezenas de vezes em sua mente, todos os momentos bons e ruins de sua curta jornada de vida, que por mais que seja curta, tinha muito ao que contar e boa parte se não tudo, só era merda atrás da outra que faria qualquer criança decente se suicidar por não aguentar mais esse fardo.

E assim, sob olhar analítico do gerente de suas contas, Harry enfim suspirara profundamente enquanto desvinculava a mera folha de pergaminho que já se amassara ao ponto de se rasgar em suas mãos.

- Se quiser cancelar esse extravio... Estará no seu direito. - Not informou onde clamava para que o Potter fosse esperto e fizesse justiça com base nos crimes causados contra ele e contra o próprio Gringotes.

- Não! Por mais que eu os odeie, em meio aqueles porcos existem alguém que me é importante... Poderia realizar uma transação diferente? - Harry perguntou onde o homem acenara em concordância quando vira algo muito errado no garoto-que-sobreviveu não deixando suas emoções explodirem como qualquer um faria, mas sim as reunindo velozmente e trancafiando dentro de si enquanto seus olhos pareciam obscurecer.

- Certo, a partir de hoje quero que todo esse valor de galeões seja convertido em Real Brasileiro depositados diretamente numa conta privada referente à Duda Dursley. Onde apenas quando o mesmo tiver dezoito anos venha ter acesso a tal conta que com apenas minha e de mais ninguém confirmação, poderá enfim vir a ter liberdade de uso. - Harry informara enquanto o homem movia sua varinha fazendo magicamente um contrato ser escrito rapidamente por uma pena com tinta. Tal ato que fazia o contrato ter os nomes e clausulas trocados sob a assinatura original do Potter que colocava ali: Harryson James Potter, fazendo no processo o Goblin sorrir por ver que o Potter notou o nome de muitas famílias antigas e nobres serem ocultos para contratos e seus apelidos ditos oralmente afim de enganar aos outros. - Gostaria também de mais um favor... Sei que não posso fazer nada contra meu guardião mágico, então apenas peço que troque a assinatura de acesso de todos cofres que eu tiver direito, não sei exatamente como isso ainda funciona, mas até eu aprender, não quero ninguém tendo acesso a nada. Se eu não tenho idade ou responsabilidade para cuidar do que é meu por direito segundo a sociedade, então nenhum velhinho negligente que se acha meu responsável irá poder ter acesso também. Que essa merda toda fique parada por mil anos, eu pouco me importo, mas não terei ninguém desonrando a memória de meus pais e suas heranças.

- Ainda não sei quem é esse diretor de Hogwarts, e nem o motivo dele me privar de todo conhecimento sobre meus pais... Então, lhe peço que não notifique a ele sobre tais ações... Posso realmente confiar isso a você? Não sei como as coisas funcionam por aqui, mas na sociedade No-maj existem termos de confiabilidade, e realmente não quero perder minha confiança em Gringotes... até porque vocês mesmo é quem seguem a linha de que a primeira impressão é a que conta, certo? - Harry indagou por fim onde o homem soltara um sorriso pelo rápido raciocínio e destreza de não confiar em alguém que nunca vira, principalmente nesse garoto que mal sabe o uso da magia, estar pressionando as coisas como nenhum outro bruxo jamais fez, e isso completamente de forma inconsciente, pois somente o olhar de mago seria capaz de notar a gigantesca aura esmeralda e opressora em formato de caveira predominante atrás do Potter.

Poderia ser o diretor de uma escola mágica, presidente de um país, rainha da Inglaterra ou um próprio Deus, Harry sempre confiava em seus instintos onde logo novamente se provara o melhor em ter confiado neles para vir até Gringotes e não ido levianamente para Hogwarts sem saber onde e com quem se metia, podendo talvez cair em um fluxo anual de manipulações que mais o faria se tornar um cordeirinho sacrificial acorrentado por esse Albus, onde um dia se casaria com alguma ruiva em uma relação sem sal com uma ninhada de filhos esnobes e arrogantes que cuspiriam na sua cara a cada passo que ele desse.

E pode saber, nem mesmo se fosse seus pais assassinados, que deus o tenham, que seriam capazes de fazê-lo confiar nessa corja de humanos falhos, egoístas e manipulativos de merda.

- Com toda certeza que pode confiar em nós, Sr. Potter, já não gostávamos dele mesmo... Descobrir que deixou o feiticeiro mais famoso preso com aqueles porcos me faz querer vomitar. A partir de hoje suas contas de confiança e as dos seus pais serão trancafiadas até maioridade parental, e as chaves existentes destruídas, enquanto forjamos novas através de sua atual assinatura mágica.

- Mais uma coisa... Como funciona a maioridade penal dos bruxos que desejam ser emancipados de seus guardiões? - Harry perguntara seriamente onde o homem de certa forma sentia pena do garoto, pois reconhecia um abuso infantil, onde tudo se mascarava pelo fato do "garoto" ser um "homem". Um homem de poucas expressões no qual sempre aguentara tudo quieto restringindo suas explosões emotivas que com certeza poderia vir a se tornar algo pior e obscuro com o tempo.

- A partir dos treze anos se for o herdeiro de uma Casa mais Antiga e Nobre, a partir dos quinze anos se for o herdeiro de uma Casa Antiga ou Nobre, e a partir dos dezessete se for um membro comum da sociedade bruxa, mas até lá caso se mantiver em silencio e planejar bem seus passos, poderá ocorrer tudo certo e sem interferências, onde eu lhe apoiarei contra o ministério caso tentem lhe forçar do contrário. Estaremos também fazendo uma vistoria total das contas que lhe é direito, junto a qualquer clausula que podemos burlar afim de lhe dar um caminho mais amplo longe das garras de seu guardião mágico e até do ministério da magia, e tudo isso afim de obter não só a confiança de um de nossos maiores clientes, mas sim também de um dos poucos e raros potencial aliado da sociedade Goblin mundial.

- Como meio de desculpas pelo transtorno em suas contas bancárias. Eu lhe entrego esse raro cartão mágico, isso lhe dará acesso visível a sua quantia total de galeões do cofre principal Potter de número 688, poderá sacar anualmente parte disponível do dinheiro contido em seu cofre de confiança que não estiver destinado a este Dudley Dursley que você me informou, cada saque poderá ser transferido ao utilizar esse anel interdimensional onde estendendo ele a uma região ampla, serão transferidos diretamente de seus cofres para o local de destino à qual deseja. - Not dessa vez dissera ao Potter onde entregava um cartão preto que se encontravam em um caixa banhada a ouro, junto a um anel dourado com um "G" de Gringotes, incrustado numa esmeralda. - Sei que é pouco pelo transtorno causado, principalmente por seus saques serem limitados a seu cofre de confiança, onde caso Dumbledore ou o ministério o tente controlar, estaremos aqui para protegê-lo e apoiá-lo em suas decisões, podendo utilizar de nossas fortalezas como ponto de neutralidade. - Enfim o velho disse a Harry que sorrira agradecido pelo apoio que estava recebendo. Assim Notando a face curiosa do garoto pelo cartão preto e anel, Not enfim terminara de dizer:

- Na verdade era para eu lhe entregar isso quando você fizesse treze anos por padrão de sua maioridade! Então caso alguém descubra... Digamos que eu tenha me "confundido" devido a sua aparência, e não aceitamos devoluções pois seguimos rigidamente que cada ação tem uma reação, e é uma ofensa incrível ao banco Gringotes voltar atrás com sua palavra ou ações. - O homem disse cumplice para o moreno onde ele piscara com um olho só. Sentia-se mal por todos terem escondido a verdade dele, claro que expor tudo a uma criança é de mais, mas um mínimo de motivo para viver era mais do que suficiente quando ele já vira muitas crianças abusadas, e com certeza o Potter estava ao ponto de explodir e levar o mundo inteiro com ele, mas caso o mesmo precisasse de ajuda, Gringotes e toda sua potência mundial iriam estar ali para servir de alicerce político, diplomático e até familiar ao garoto.

- Obrigado, Senhor Not... É realmente muito bom saber que ao menos alguém está do meu lado. - Harry disse agradecido enquanto guardava tudo nos bolsos de seu blazer sob um curto resmungo de sua fênix.

- Agora vá, garoto. Se não acabará perdendo o trem. E não se preocupe, que a partir de hoje estaremos retirando qualquer restrição imposta de contato mensageiro magico entre você e nosso estimado banco, lhe deixando informado sobre todo progresso que tivermos ao revisar suas contas e armazenando a tudo que recuperarmos por extravio de terceiros. De todo modo, tenha um bom ano letivo e tente aproveitar ao que resta de sua infância, pois isso é sagrado para todos e não se preocupe com o que será herdado de seus pais, estaremos de olho e pondo tudo em segurança máxima pelo filho da lendária Lilith. - Por fim o velho disse enquanto abanava sua varinha tendo o Potter sendo tele transportado diretamente na entrada do Gringotes.

Notando ter se passado mais cinco minutos nesse puro debate, faltando apenas dez para o trem partir, Harry inevitavelmente se virara na direção da saída do Beco Diagonal onde correra rapidamente para lá com muitos pensamentos sobre o que era isso de sua mãe Lilith? Com certeza a cada passo que ele dava, uma nova pergunta era contabilizada e realmente ele queria as respostas para elas.

Chegando logo em seu destino, abruptamente Harry tivera que parar devido a um formigamento no braço direito.

Especificamente na região em que ele pedira ao Olivaras prender sua varinha do destino, pois não a usaria até ter noção do que era capaz com ela, e manter a seu lado era o melhor a se fazer.

Pela recente parada, o Potter rapidamente foi capaz de notar uma loja escura e bem surrada onde fora impossível de se notar na primeira vez em que vira do caldeirão furado para cá.

Caminhando em direção a mesma como se algo inconscientemente lhe atraísse para lá. O garoto enfim pode notar pela vidraça uma maleta marrom muito bonita na qual logo ele adentrara a loja fazendo um sino alertar que um novo cliente chegava.

Algo que foi uma surpresa para o homem no atendimento, que simplesmente se virara com a face confusa onde guardava um frasco de liquido vermelho, rapidamente na estante, seguido de encarar o Potter curiosamente de cima para baixo.

Algo que Harry pouco notara devido a sua atenção estar focada na maleta onde rapidamente o mesmo se agachara e tocara a mesma enquanto sentia que isso era algo especial. Não sabia o que, nem porque, mas queria muito comprar tal maleta onde logo se virara ao atendente.

- Vejo que gostou de minha maleta... Qual seu nome garoto? - O homem perguntara onde agora era possível citá-lo como alguém alto de cabelos escuros levemente espetados em um topete, onde seus incríveis olhos se encontravam num vermelho escarlate.

- Sou Harry Potter... Sei que parece maluquice, mas algo me fez vir até aqui onde parece que essa maleta está me atraindo. De certa forma eu gostaria de comprá-la. - Harry se apresentara onde a face do homem a sua frente demonstrava surpresa tanto pelo nome quanto pelo que ele disse.

- Muito perspicaz, Sr. Potter! Essa na verdade é uma maleta muito importante de meu velho amigo Newt. Passei a tomar conta em seu lugar até que um amigo pudesse recuperá-la, já que para ele era algo muito especial... Infelizmente não está à venda. - O homem respondera de forma cordial e nostálgica.

- Ah... É uma pena. - Harry dissera decepcionado onde para surpresa do mesmo a fênix que até então dormia no bolso de seu blazer veio a se soltar dali enquanto subia sobre o ombro do Potter e o bicava carinhosamente num recente despertar de seu sono.

Sob o olhar surpreso e até maravilhado do homem, Harry veio a rir com a expressão do mesmo.

- Pode tocar nela se quiser... - Harry disse enquanto estendia o braço e usava a parte superior de sua mão como apoio no qual a fênix logo tentara voar, porém apenas planou até o local designado.

- Onde conseguiu uma dessas? São realmente raras...

- Na verdade eu a criei por acidente... Quando peguei minha varinha no Olivaras do outro lado da rua acabei por usar magia acidental e surgiu essa gracinha. - Harry respondeu enquanto via a fênix tentar usar de suas chamas como ataque na mão do homem, porém só a fez ainda mais fofa.

- Já a nomeou? - O homem dessa vez disse com extrema graça dando a entender que ele entendia e gostava muito de animais.

- Ela só me atendeu e se manteve quieta quando a chamei aleatoriamente de Fyexbolt ... Até mesmo quase chamuscou a barba de um amigo, pois não aceitava outro nome.

- É realmente magnifico! Um dos únicos animais que vi poucas vezes em minha vida... E saber que você foi capaz de criá-la por mera magia acidental... garoto, você vai ser um dos grandes... - Dessa vez o homem disse onde permitia à fênix voltar ao bolso do Potter que olhara o relógio com pressa a fim de não se atrasar.

Porém antes do moreno se despedir, o atendente rapidamente dissera:

- Sabe, pode não aparentar, mas eu sou bem velho, muito velho comparado a razão comum de idade. Todos que eu amava se foram, exceto uma... e de certa forma lhe ver com essa fênix me faz lembrar do velho Newt que se aposentou a um bom tempo. - O homem disse enquanto dessa vez pegava um livro com um sorriso de canto. - Ah minha esposa vai me espancar por isso..., mas, Pegue! Tem todas as instruções para cuidar do que há ali dentro. Sei que irá se surpreender de início, porém trate-os com imenso carinho da mesma forma que trata sua fênix, onde lhe responderão de mesmo modo e irão protegê-lo a vida toda.

- O que? - Harry perguntara onde logo o homem o apressara.

- Vá depressa! o trem para sua escola irá sair daqui a pouco. - Harry que até então segurava o livro, rapidamente fora empurrado levemente para uma lareira da loja pelo dono, onde ele entregava a maleta na outra mão livre do Potter. - Não se esqueça! Tudo que precisa está no livro e será encontrado dentro da maleta com base na necessidade... Cuide bem "delas". - O homem por fim disse onde logo adentrara estranhamente a lareira no qual logo fora imerso numa chama esverdeada por conta de o homem ter jogado um pó no solo.

[ ... ]

Tossindo em pura surpresa, o Potter logo notara estar na ala designada a guardar os pertences da estação Kingscross.

Em sua mão direita detinha o tal livro que havia ganho, onde na esquerda se encontrava a maleta tão especial.

Olhando para trás ele logo pudera ver o homem sorrindo complacente:

- Pode ao menos me dizer seu nome? - Harry perguntara onde o moreno de olhos escarlates logo notou nem ter se apresentado.

- Oh... Verdade não é mesmo? Pode me chamar de Niklaus! É aqui que me despeço, boa sorte, Sr. Potter... é a segunda vez que estou confiando algo importante a alguém em um curto período, espero não me decepcionar. - Por fim tal homem comentara onde sumira rapidamente em um portal rodopiante carmesim, isso antes de uma mulher entrar no local com uma mala em mãos.

- Droga! vou me atrasar. - Rapidamente o Potter dissera a si mesmo aonde ia até seu pequeno setor que armazenara as coisas, e colocava a tal maleta sob um carrinho seguido de manter o livro em um grande bolso interno do blazer.

[ ... ]

Correndo apressadamente pelo corredor inicial da estação aonde procurava tal plataforma 9¾. O Potter fora censurado por um dos maquinistas no qual pedira para ele não correr, pois podia causar um acidente.

Algo que só serviu para irritar mais o homem já que Harry perguntara sobre uma plataforma que nem existe, onde quando o mesmo já perdia esperanças de embarcar no trem, pode enfim escutar:

- Não entendo como seu pai tem tanta fascinação com eles? Esses trouxas, sempre andando amontoados e mal-educados. - Uma mulher ruiva e robusta dissera a suas crias de ruivos que não eram poucos.

- Trouxas? - Harry indagara desconfiado onde seguia um pouco distante da mulher.

- Venham crianças, a plataforma 9¾ é por aqui. - Tal mulher disse de mãos dadas a uma menininha ruiva, e comparado ao olhar dos ruivos mais velhos, isso mais parecia uma rotina entediante para eles, mas que servia para incluir a garotinha jovem que não estaria acompanhando os irmãos para escola, mas que demonstrava uma grande expressão de alegria e euforia.

De início ele até estranhara um dos ruivos mais velhos se posicionar de frente a uma pilastra. Porém assim como tudo nesse dia maluco, o garoto simplesmente entrara na pilastra como se fosse intangível no qual nem mesmo o homem de terno caro que passava ali ao lado, reparara.

Fazendo a menininha ruiva aplaudir em euforia, dando certeza agora ao Potter que a matriarca ruiva fizera todo esse processo de estar perdida afim de incluir a mais jovem no que os irmãos faziam.

- Fred, pode ir. - Novamente a voz da mulher ruiva surgiu onde os gêmeos ruivos tiraram sarro da cara dela fingindo que a mesma se enganara no nome dos filhos, que eram George e Fred.

- Estava brincando... Eu sou o Fred! - O ruivo enfim disse antes de correr até a pilastra fazendo sua mãe revirar os olhos seguidos do outro ruivo atravessar a pilastra.

Achando tudo uma completa loucura, porém não tendo direito de tal já que o mesmo criara uma fênix por puro acidente. O Potter enfim se aproximara da mulher enquanto dizia:

- Com licença! - O mesmo disse sob atenção da mulher que acreditava que ele era algum professor novo da escola. - Pode me dizer, como... - Harry disse tentando encontrar a palavra certa.

- Como chegar à plataforma? Como foi a ela na sua época de estudo? - A ruiva até então disse com um sorriso caloroso e duvidoso. - Estudou em outro país?

- Bom esse é meu primeiro ano estudando em Hogwarts... - Harry disse sob olhar desacreditado da ruiva. - Ah entendi, eu sempre me esqueço disso... - Harry terminara para si mesmo onde a mulher se mostrava confusa.

- Eu tenho onze anos, pode parecer loucura..., mas até agora tudo isso de magia está sendo maluquice para mim. - Ele enfim terminou onde a mulher tanto se mostrava surpresa, quando compreendia com a magia ser uma verdadeira maluquice para quem não está familiarizado a ela.

- Bom, é a primeira vez que meu Ronyquin vai para Hogwarts... Tudo o que tem que fazer é seguir direto no meio das colunas, entre as plataformas nove e dez. - A ruiva explicara para entendimento do Potter e bufo exasperado do ruivo pelo apelido. - Pode ir correndo se estiver nervoso. - Enfim a mesma terminara onde Harry se posicionara enquanto encarava a coluna do lado da garotinha ruiva, que se encontrava lhe dando um boa sorte.

Correndo como informado pela ruiva, Harry enfim transcorrera pela parede de pedra que mais parecia uma miragem, para logo for possível notar um grande trem após estranhamente através o que deveria ser sólido.

A fumaça da locomotiva se dispersava sobre as cabeças das pessoas que conversavam euforicamente, enquanto gatos de todas as cores trançavam por entre as pernas delas. Corujas piavam umas para as outras, descontentes, sobrepondo-se à balbúrdia e ao barulho das malas pesadas que eram arrastadas.

Harry caminhava lentamente por meio dos adultos onde era possível sentir Fyexbolt se remexendo sob seu blazer devido aos ruídos diversificados de animais do local.

Muitos encaravam Harry com curiosidade, tanto pela espada escura que sempre se predominava embainhada em sua cintura, junto a cicatriz em sua testa que faziam muitos acreditarem ser alguém muito famoso, porém o aspecto físico do mesmo não convinha com quem teorizavam, e já achavam ser só um fanboy do garoto-que-sobreviveu, no qual não seria o primeiro louco a fatiar a testa para ter uma cicatriz parecida.

Os primeiros vagões já estavam cheios de estudantes, uns debruçados às janelas conversando com as famílias, outros brigando por causa dos lugares. Harry empurrava o carrinho pela plataforma procurando um lugar vago do lado de fora. Para assim passar por um garoto de rosto redondo que estava dizendo:

- Vó, perdi meu sapo outra vez.

- Ah, Neville... - Ele escutara a senhora suspirar.

Mais à frente, um garoto com cabelos rastafári estava cercado por um pequeno grupo de meninos:

- Deixe a gente espiar, Lino, vamos.

O menino levantou a tampa de uma caixa que carregava nos braços e as pessoas em volta deram gritos e berros quando uma coisa dentro da caixa esticou para fora com uma perna comprida e peluda.

Harry continuará andando pela aglomeração até que encontrou um compartimento vago no final do trem. Primeiro pôs sua coruja para dentro e começou a empurrar e a forçar com a mala em direção à porta do trem, onde antes de ultrapassa-la tivera a interrupção de um garoto:

- Quer uma ajuda? - Era um dos gêmeos ruivos que ele seguira para atravessar a barreira.

- Por favor... - Harry disse enquanto separava sua recente maleta ganha.

- Gred! Vem dar uma ajuda aqui! - O ruivo igualmente idêntico ao irmão exasperou-se onde logo com a ajuda dos gêmeos, os malões de Harry finalmente foram colocados em um canto do compartimento.

- Obrigado. - Harry disse afastando os cabelos da testa levemente suada pela recente correria que tivera meia hora atrás.

- Que é isso? - Perguntou de repente um dos gêmeos apontando para a cicatriz de Harry, onde o mesmo logo se olhara no reflexo do vidro e percebia que o mesmo se referia a sua cicatriz.

- Caramba! - Disse o outro gêmeo. - Você é…?

- Ele é... - Disse o outro gêmeo. - Não é? - Acrescentou para Harry.

- O quê? - Indagou o Potter ainda não entendo a que se referiam.

- Harry Potter! - Disseram os gêmeos em coro.

- Ah, É! Esse é meu nome. - disse Harry onde os dois garotos olharam boquiabertos e Harry sentiu-se meio envergonhado. Então, para seu alívio, ouviram uma voz pela porta aberta do trem.

- Fred? George? Vocês estão aí? – Novamente a ruiva de antes surgiu gritando, porém sua voz vinha de fora do trem e Harry podia ver que com ela trazia a ruivinha maravilhada pelo que deveria ser todo o expresso de Hogwarts.

- Estamos indo, mamãe! - Ambos gritaram dando uma última espiada em Harry, os gêmeos saltaram para fora do trem.

Harry sentou-se à janela onde, meio escondido, podia observar a família de cabelos ruivos na plataforma. A mãe tinha acabado de puxar o lenço.

- Rony, você está com uma crosta no nariz. - A matriarca ruiva disse com o menino mais novo tentando fugir das garras dela, mas ela o agarrou e começou a limpar a ponta do nariz dele.

- Mamãe, sai para lá. - Desvencilhou-se.

- Aaaah, o Ronyquin está com uma coisa no nariz? - Caçoou um dos gêmeos fazendo Harry rir, pois gostara da personalidade daqueles dois.

- Cale a boca. - Disse Rony.

- Onde está o Percy? - Perguntou a mãe.

- Está vindo aí. - Ambos os gêmeos ruivos disseram como se homenageassem um rei que vinha com vestes largas e pretas de Hogwarts, e Harry reparou que tinha um distintivo de prata reluzente com a letra "M".

- Não posso demorar, mãe - falou ele. - Estou lá na frente, os monitores têm vagões separados…

- Ah, você é monitor, Percy? - perguntou um dos gêmeos, com ar de grande surpresa. - Devia ter avisado, não fazíamos ideia.

- Espere aí, acho que me lembro de ter ouvido ele dizer alguma coisa - disse o outro gêmeo. - Uma vez…

- Ou duas…

- Um minuto…

- O verão todo! - Ambos ditaram em coro.

- Ah, calem a boca! - Disse Percy, o monitor. Ato que fizera Harry sorrir ainda mais pela palhaçada dos ruivos.

- Afinal por que foi que o Percy ganhou vestes novas? - Disse um dos gêmeos.

- Porque é monitor. - Disse a mãe com carinho. - Está bem, querido, tenha um bom ano letivo. Mande-me uma coruja quando chegar. - Por fim ela beijou Percy no rosto e ele foi embora. Então. Virou-se para os gêmeos. - Agora, vocês dois, este ano, se comportem. Se receber mais uma coruja dizendo que vocês… Vocês explodiram um banheiro ou…

- Explodiram um banheiro? Nunca explodimos um banheiro. - Um dos ruivos disse como se tal acusação fosse uma descrença.

- Mas é uma grande ideia, obrigado, mamãe. - Outro ruivo ditara sob olhar malicioso do irmão, que já imaginava uma de suas pegadinhas dando certo.

- Não tem graça. E cuidem do Rony. - A mãe os censurou com um tom de voz duro, porém sua expressão negava a esse fato.

- Não se preocupe, Ronyquin está seguro com a gente. - Ambos os gêmeos ditaram fazendo posição de sentido.

- Cale a boca - Mandou Rony outra vez enquanto o nariz dele já estava vermelho onde a mãe o esfregara.

- Ei, mãe, advinha? Adivinha quem acabamos de encontrar no trem? - Um dos ruivos iniciou.

Harry que se encontrava sentado e focado na conversa engraçada dos gêmeos, veio a estranhar, pois conseguia escutar claramente o que eles diziam, mesmo estando do lado de fora com todo o barulho da locomotiva e gritaria eufórica dos alunos e familiares.

Era como se sua audição ficasse mais aguçada em apenas um ponto em respectivo que ele focava.

- Acabamos de ver Harry Potter! É incrível... Ele está maior que nós e parece que é da nossa idade... Você não tinha dito que ele tinha onze anos? - Um dos ruivos ditara com deveras emoção na voz.

- Harry Potter! - A vozinha da ruiva mais nova surgiu com surpresa maravilhada e curiosidade. - Ah, mamãe, posso subir no trem para ver ele, mamãe, ali, por favor…

- O coitado não é um bicho de zoológico para você ficar olhando. É ele mesmo, Fred? Como é que você sabe? - A matriarca disse com uma convicção natural de que estava se referindo ao gêmeo certo, no qual Harry prontamente tentara identificar qualquer diferença entre o outro gêmeo afim de marca-los sem erro.

- Perguntei a ele. Vi a cicatriz. Está lá mesmo, parece uma runa e estranhamente tem nossa altura e parece até mais velho.

A ruiva mais velha até tentara continuar a conversa, porém ouviu-se um alto apito, e nisso a mulher dissera:

- Depressa! Não vão perder o trem. - Disse a mãe, e os três garotos embarcaram no trem.

Ambos nesse exato momento invadiram a cabine do Potter, debruçaram-se na janela para a mãe lhes dar um beijo de despedida e a irmãzinha começou a chorar sob olhar de Harry, e surpresa da mãe que agora sim via a cicatriz em si.

- Não chore Ginny, vamos lhe mandar um monte de corujas. - Um dos gêmeos disse sob continuação do outro.

- Vamos lhe mandar uma tampa de vaso de Hogwarts.

- George! - A ruiva censurara o garoto que rira em resposta. Onde Harry pudera notar que ele tinha uma leve sarda individual na bochecha esquerda, enquanto o outro gêmeo que a mãe chamara de Fred, tinha uma mesma sarda, porém na bochecha direita.

- Estou só brincando, mamãe. - George respondeu animadamente onde logo o trem começou a andar após o último apito e trancafiar magico das portas.

Harry viu a mãe dos garotos acenando e a irmã, meio risonha, meio chorosa, correndo para acompanhar o trem até ele ganhar velocidade e ela ficar para trás acenando.

Harry observou a menina e a mãe desaparecerem quando o trem fez a curva. As casas passaram num relâmpago pela janela.

Harry sentiu uma grande excitação. Não sabia onde estava indo, mas tinha de ser melhor do que o lugar que estava deixando para trás.

Nisso, ambos os gêmeos ruivos enfim repararam que invadiram uma cabine ocupada:

- Não se preocupem! Podem ficar se quiserem. - Harry disse enquanto abria o livro recente ganho, para logo no início se surpreender com as informações.

[ ... ]

Desde a partida do trem, o que antes era muitas vozes eufóricas devido a viajem, simplesmente veio a silenciar-se com o passar dos minutos.

Harry nesse momento se encontrava focado na leitura do livro que recebera de Niklaus, o mesmo acabara por notar que aquilo na verdade era um bestiário propriamente escrito por um tal de Newt Scamander, ali continha informações das mais derivadas criaturas, seja pequena, mediana, grande ou gigante.

Tinha descrito o tipo de alimentação de cada uma, os medicamentos para doenças comuns delas, onde sobreviviam e qual o melhor bioma para cada uma.

Harry nunca pensara que pudessem existir tantas criaturas distintas da sua realidade, porém antes de continuar o mesmo fora interrompido pela voz de um dos ruivos que se encontrava a sua frente:

- Então é você mesmo? O grande Harry Potter!? - O gêmeo de sarda na bochecha direita a qual Harry sabia agora ser Fred, indagara com euforia na voz sob riso de Harry.

- Não é para tanto... apenas Harry está ótimo. - O moreno dissera enquanto ainda estranhava toda essa grandiosidade pela qual todos o tratavam.

- É verdade que matou um dragão? Como foi? - George, o gêmeo de sarda na bochecha esquerda indagou com os olhos brilhando sob confusão do Potter.

- Como e porque eu mataria um dragão? - Harry disse em dúvida.

- Ora, está em um dos famosos contos das grandes aventuras do garoto-que-sobreviveu. - Ambos os ruivos disseram em uníssimo.

- Acho que enganaram vocês então, ou simplesmente leram alguma história fictícia. - Harry disse com graça. - Pouco sabia que dragões existiam, não teria a mínima chance de eu matar um, e porque mataria? Sendo que poderia domestica-lo e alimenta-lo como um novo amigo protetor. - Harry por fim disse enquanto os ruivos riam.

Era notável que os contos eram deveras exagerados, onde ver toda essa humildade e até sarcasmo no Potter fazia eles gostarem ainda mais do mesmo, pois os livros sempre trataram a ele como um grande bruxo de onze anos que se mostrava bem à frente de sua geração, dando a si um ar de arrogante.

Sendo na realidade, uma história completamente diferente.

Nisso, após folhear rapidamente as últimas páginas do livro, o mesmo sentira deveras curiosidade com a maleta a seu lado. No livro citava que tudo que precisasse estaria lá dentro, nisso com sua curiosidade gritante, o Potter enfim pegara a maleta sob atenção dos ruivos.

Para só quando ele abrir parcialmente a mala, um rugido feroz surgir dali de dentro, sendo possível apenas de se escutar dentro da cabine respectiva.

- Oh... O que tem aí dentro? - George indagou com surpresa e euforia maliciosa.

- Eu sábia, tem um dragão! - Fred disse fazendo o outro ruivo concordar com a cabeça.

- Eu não faço ideia! Ganhei essa maleta de um recente conhecido. - Harry dissera enquanto agora terminava de abrir e a mantinha no chão.

- É uma maleta interdimensional? - Um dos ruivos disse indagativamente e euforicamente enquanto de cima podia ver uma espécie de escada improvisada numa tora, enquanto a volta dela se encontrava uma espécie de escritório com ervas, frascos de poções, ingredientes e gavetas.

- Isso é muito legal. - Harry disse enquanto colocava a mão maleta a dentro e sentia uma leve brisa ali, como se pudesse entrar mesmo ali e se situar naquela sala.

- Você irá entrar? - Outro ruivo disse com um olhar pidão, como se praticamente implorasse para o Potter deixa-lo ver também.

- Claro! - Harry disse enquanto se levantava de seu acento e colocava o pé maleta a dentro, onde já sentia o primeiro degrau improvisado da escada de madeira. Algo que o fizera continuar até restar apenas sua cabeça maleta a fora.

- Se quiserem vir também... Vai ser legal descobrir o que tem aqui dentro... bom, isso ou ao menos eu não morrerei sozinho - Harry por fim disse enquanto enfim descia ainda mais sob olhar dos dois ruivos que não sabiam se ele estava realmente brincando.

Algo que de imediato fora respondido com os gêmeos se levantando e enfim descendo junto ao Potter.

[ ... ]

Já se passavam vários minutos desde que Harry e os gêmeos adentraram a maleta, cada um dali se maravilhava com a enorme casa que existia dentro daquela maleta.

Harry era o mais surpreso com tudo, onde os gêmeos já escutavam sobre coisas do tipo, e suas brincadeiras e cotidianos na sociedade bruxa os faziam ter um melhor entendimento sobre a mágica.

- Gente... Vem ver isso aqui! - Harry disse aos gêmeos que fuçavam as gavetas a procura de algo interessante. Onde com a voz do Potter vindo de fora da casa, ambos enfim caminharam até o local de destino.

Nisso, ao chegar no local de destino, cada gêmeo arregalou os olhos com a visão que tinha.

Era como se fosse um mundo ali dentro. O céu levemente alaranjado pelo pôr do sol, as grandiosas terras e montanhas a distância, até mesmo as bestas voadoras que sobrevoavam os céus, enquanto outras caminhavam por terra.

Era uma coisa completamente surreal para cada um deles, o que antes os gêmeos imaginavam ser uma "maleta casa", agora era um mundo inteiro ali dentro, e pelo que aparentava, existiam centenas de setores com ambientes derivados, biomas diversos e estações diversificadas para cada intitulação animal.

Harry que folheava rapidamente o livro em mãos, logo disse:

- Aqueles ali são Arpéu. - Harry disse a raça do animal enquanto apontava para vários animais grandiosos de quatro patas com uma aparente pele bem grossa, igual a de dragões em ilustrações.

- Aquela é uma Occami. - O Potter disse o que lia enquanto apontava para uma espécie de cobra com pássaro repleta de penas a uma grandiosa distância.

- E isso é um Tronquilho. - Por fim Harry disse com um bichinho verde que parecia um ramo, no qual andava sob uma das pilastras de madeira dali.

A surpresa no olhar de ambos os gêmeos era predominante ali, principalmente quando a fênix de Harry sairá do bolso de seu blazer, para assim começar a brincar com o suposto Tronquilho.

- Gred... essa maleta é aquela, não é? - Um dos gêmeos disse em dúvida ao outro.

- Com certeza, Forge... – O outro respondeu.

- Que maleta, do que estão falando? - Harry indagou a ambos que logo o encararam estranhamente.

- Cara, nós temos aula sobre isso em Hogwarts! Ou pelo menos um dos únicos livros que buscamos aprofundarmos realmente no estudo. - George disse.

- Animais Fantásticos e Onde Habitam! Escrito por Newt Scamander. - Fred complementou.

- Quando Niklaus me explicou sobre a maleta, ele disse mesmo que isso era de um velho amigo chamado Newt. - Harry explicara surpreso.

- Acho que você não entendeu. Essa é a mala perdida do famoso Magizoologista Newt Scamander. Só existem livros citando essa maleta a qual tal bruxo portou durante parte de sua vida e quando se aposentou visou sumir com ela e nunca expor aonde a levou, e você agora tem em mãos um artefato tão raro e incrível. - George disse onde pela primeira vez ele via o ruivo falar sem um tom de brincadeira.

- Não importa o que faça! Não deixe ninguém descobrir sobre ela... Se cair nos ouvidos do ministério, com certeza tentarão confisca-la por conta dos raros animais que habitam aqui dentro. - Fred continuou sob consentimento de Harry.

- Mas como irei esconder isso? - Harry indagou, pois claramente os professores de Hogwarts não seriam enganados por uma mala com um imenso mundo dentro dela.

- É citado que essa é uma mala engana trouxa. - Fred disse.

- Só tem de ativar a opção, que irá parecer ser apenas uma maleta comum. Pelo menos servira até você guardá-la nos dormitórios. - George terminou de explicar onde logo o trio visara voltar a cabine de trem com a fênix do Potter ficando ali dentro enquanto brincava com o novo amigo dela.

[ ... ]

Harry, Fred e George que até então se situavam dentro de uma mala interdimensional na última cabine da locomotiva, logo visaram sair lá de dentro, onde para surpresa deles se encontrava um outro garotinho ruivo sentado logo ali.

O mesmo encarava em confusão o fato de seus irmãos saírem de uma maleta, para só assim os dois ruivos dizerem:

- Oi, Rony. - Os gêmeos disseram em coro.

- Escuta aqui, vamos para o meio do trem. Pelo que parece Lino Jordan trouxe uma tarântula gigante. - Fred dissera enquanto ia para porta com seu irmão no encalço.

- Certo. - Resmungou Rony.

- Harry, nós já nos apresentamos? - Disse o outro gêmeo onde antes de Harry responder ele já ditara. - Gred e Forge Weasley. E este é o Ronyquin, nosso irmãozinho.

- Não se esqueça do "engana trouxa", amigão. - Por fim ambos os ruivos ditaram em coro, sob consentimento do Potter que acenara em despedida.

- Até mais. - Dissera Harry enquanto os gêmeos fechavam a porta da cabine ao passar.

Nisso, Harry rapidamente visara sua maleta em todos os cantos, onde logo encontrou uma espécie de pequenino botão descrito como "engana trouxa". Que ao ter sido utilizada não demonstrara nada de diferente.

Porém ao abri-la, só era possível de se notar uma mala comum de tamanho médio com algumas roupas padrão de Hogwarts, relógios e uma carteira comumente que os trouxas utilizam.

- Você é Harry Potter mesmo? - Rony deixou escapar de forma curiosa, ao mesmo momento em que Harry colocava seu bestiário dentro da maleta e a ajeitava sob o banco. O fazendo confirmar calmamente sob olhar admirado do ruivo menor.

- Ah, bom, pensei que fosse uma brincadeira do Fred e do George sobre você ser da mesma idade que eles... - Rony disse impressionado ou algo que o fez ficar vermelho na face com a boa aparência de Harry. - E você tem a... - Por fim ele disse meio sem jeito apontando para a testa de Harry. Que logo afastara a franja bagunçada para mostrar a cicatriz em forma de relâmpago.

- Na verdade... caso você tiver onze anos, então temos a mesma idade. - Harry respondeu enquanto puxava a franja de seu cabelo para trás deixando-o bagunçado, porém bem estiloso ao ver do menor.

- Mas... isso é impossível! Nunca foi dito nada sobre crianças bruxas crescendo antes da hora. - Rony disse sem saber como explicar sobre Harry de onze anos ter aparência de dezoito.

- Antes eu até estranhava tudo isso, e me achava deveras diferente dos demais. - Harry disse enquanto se lembrava do que essa aparência custou a ele. - Porém, ver que existem duendes, bruxos, magia... Isso me fez ver que nada é muito impossível. - Por fim o moreno explicara.

- Uau! - O garotinho dissera impressionado por alguns minutos olhando Harry, depois, como se de repente tivesse se dado conta do que estava fazendo, olhou depressa para fora da janela outra vez.

Notando o rosto corado dele por ter encarado Harry muito tempo, o moreno logo sorriu enquanto puxava assunto:

- Todos na sua família são bruxos? - Perguntou Harry, que achava tudo de magia tão interessante, quanto Rony o achava.

- Hum… São, acho que sim. Creio que mamãe tem um primo em segundo grau que é contador, mas ninguém nunca fala nele por algum motivo.

- Então você já deve conhecer muitas mágicas. - Harry não perguntou, mas sim praticamente afirmou, pois assim como ele entende do mundo trouxa, o garotinho deveria entender do mundo bruxo.

Era até estranho Harry o considerar garotinho sendo da mesma idade que si mesmo, porém a diferença de maturidade e inocência era algo deveras distante.

Enquanto um com certeza deveria ficar envergonhado por pegar na mão de uma garota, outro já entendia bem dessas relações com o sexo oposto devido algumas obrigações que forçaram ele a fazer.

Os Weasley aparentemente eram uma dessas antigas famílias de bruxos de que um menino pálido em Madam Malkin falava com uma das atendentes. Recordava daquele outro garotinho, e nele conseguia ver um orgulho e até arrogância predominantes, já nesse a sua frente se mesclava uma vasta inocência e humildade.

Porém, quem Harry era para julgar alguém, na verdade, ele meio que sentia que era um pouco de tudo. Corajoso, humilde, leal, orgulhoso, ambicioso, carismático...e talvez até psicótico.

Nisso, vendo o silencio que se instaurara pelos devaneios de Harry, logo foi-se possível de escutar:

- Ouvi dizer que você foi viver com os trouxas. Como é que eles são? - Rony perguntou.

- Horríveis… Bom, nem todos. Mas minha tia e meu tio são, eu gostaria de ter tido três irmãos bruxos, ou talvez apenar ter vivido com meu priminho Duda. - Harry respondeu enquanto sorria pela drástica mudança de agir que seu primo Duda teve após receber sua primeira bronca da vida, sendo essa vinda do próprio Potter.

- Seis. - Rony disse enquanto por um segundo ele pareceu triste. - Sou o quinto de minha família a ir para Hogwarts. Pode-se dizer que tenho de fazer justiça ao nosso nome. - Vendo que Harry se interessou pela história, o garoto logo continuará. - Bill e Charlie já terminaram a escola. Bill foi chefe dos monitores e Charlie foi capitão do time de Quadribol. Agora Percy é monitor. Fred e George fazem muita bagunça, mas tiram notas muito boas e todo mundo acha que eles são realmente engraçados.

- Todos esperam que eu me saia tão bem quanto os outros, mas se eu me sair bem, não será nada de mais, porque eles fizeram isso primeiro. E também não se ganha nada novo quando se tem cinco irmãos. Uso as vestes velhas de Bill, a varinha velha de Charlie e o rato velho do Percy… - Enquanto dizia, Rony meteu a mão no bolso interno do paletó e tirou um rato cinzento e gordo que estava dormindo.

- O nome dele é Perébas e ele é inútil, quase nunca acorda. Percy ganhou uma coruja de meu pai por ter sido escolhido monitor, mas eles não podiam ter… quero dizer, em vez disso ganhei Perebas. - Nisso, as orelhas de Rony ficaram vermelhas. Parecia estar achando que falara demais, porque voltou a olhar para fora pela janela.

Harry não achava nada de mais que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja. Afinal, ele desde cedo sempre tivera que trabalhar para se sustentar. Em certa parte ele se incomodou com o garoto reclamando tanto de sua vida quando tinha uma família amorosa para cuida-lo, mas não iria julga-lo, principalmente por ser uma criança e ainda ter muito ao que aprender, e realmente se colocar no lado dos pais dele só faria ao garoto se incomodar atoa.

Nisso, Harry contara resumidamente algumas partes de sua vida, como sempre teve que trabalhar após seu corpo sofrer tais drásticas mudanças, como nunca recebera um presente de aniversário na vida.

Tudo isso sendo dito, onde o garotinho ruivo se animara um pouco. Pelo fato de Harry não se incomodar com ele contando sobre sua vida e aparentar ter uma vida tão difícil quanto a dele.

Algo que novamente incomodou ao Potter pelo olhar de comparação do garotinho e como ele achava que a vida dele em um lar amoroso era algo tão complicado quanto viver em um lar abusivo feito o dos Dursleys, porém, que novamente Harry descartara por ser só a mentalidade de uma criança que não entende a complicação de tudo a que Harry falou.

- ... E até Rubeus me contar, eu não sabia o que era ser bruxo nem quem eram meus pais, muito menos esse Voldemort. - Harry dissera olhando para a janela, onde logo notou Rony pasmo. - Que foi? - Harry indagou em confusão.

- Você disse o nome de Você-Sabe-Quem! - Exclamou Rony parecendo ao mesmo tempo chocado e impressionado. - Todos que o chamam são amaldiçoados, e eu achava que de todas as pessoas, você…

- Não estou tentando ser corajoso nem nada dizendo o nome dele. É que nunca soube que não se podia dizer. Está vendo o que quero dizer? Tenho muito que aprender…, mas não se importe comigo dizendo "Voldemort", dizem ser um nome amaldiçoado, mas talvez seja apenas um título que se tornou tão famoso ao ponto dos aliados dele inventarem que deviam temer o nome. - Por fim Harry disse, onde mesmo assim a admiração no olhar do garoto ainda era evidente.

Enquanto conversavam, o trem saiu de Londres. Agora corriam por campos cheios de vacas e carneiros. Ficaram calados por um tempo, contemplando os campos e as estradinhas passarem num lampejo.

Por volta do meio-dia e meia ouviram um grande barulho no corredor e uma mulher de cabelos escuros e um lindo sorriso na face surgiu com um carrinho de doces e salgados:

- Querem alguma coisa do carrinho, queridos? - A mulher perguntou enquanto Rony encarava tudo com os olhos brilhando, junto ao Potter que visava seu olhar especificamente na mulher.

Harry, que não tomara café da manhã, ergueu-se rapidamente, mas as orelhas de Rony ficaram vermelhas outra vez e ele murmurou que trouxera sanduíches enquanto o moreno ia até o corredor.

Nunca tivera dinheiro para doces na casa dos Dursley e agora que seus bolsos retiniam com moedas de ouro e prata, estava disposto a comprar quantas barrinhas de chocolate pudesse carregar, mas a mulher não tinha barrinhas. Tinha feijõezinhos de todos os sabores, balas de goma, chicletes de bola, sapos de chocolate, tortinhas de abóbora, bolos de caldeirão, varinhas de alcaçuz e várias outras coisas estranhas que Harry nunca vira na sua vida. A coisa mais próxima ali que ele já provara, eram as coxinhas, sendo elas salgadas e doces.

Não querendo perder nada, ele comprou todas as coxinhas e diversos doces derivados, pagou à mulher que sorrira de uma forma sedutora ao Potter, algo que fizera Rony corar envergonhado e Harry piscar para a mesma em resposta.

Rony arregalou os olhos quando Harry trouxe tudo para a cabine e despejou no assento vazio.

- Que fome, hein? - Rony disse enquanto Harry ria.

- Morrendo de fome. - Respondeu Harry pegando uma coxinha de frango e a mordendo. - Nunca tive muito dinheiro para comer doces ou salgados, então tenho que aproveitar. - Por fim o mesmo respondeu enquanto via Rony tirar um embrulho encaroçado e abriu-o.

Havia quatro sanduíches dentro. Abriu um e disse:

- Ela sempre se esquece que não gosto de atum enlatado. - O ruivo reclamara com uma expressão de nojo.

- Eu gosto, quer trocar? - Propôs Harry, oferecendo uma coxinha de frango. - Tome…

- Você não vai querer isso, é muito seco. Ela não tem muito tempo - Acrescentou depressa. - Você sabe, somos sete.

- Não tem problema... gosto de comida caseira. - Harry cortou o argumento do garoto enquanto pegava os sanduiches e entregava a coxinha. - Vamos lá, pode comer... - Por fim ele disse enquanto mordia o sanduiche e demonstrava uma expressão de satisfação.

[ ... ]

- Que é isso? - Perguntou Harry a Rony, mostrando um pacote de sapos de chocolate. - Eles não são sapos de verdade, são? - Estava começando a achar que nada o surpreenderia.

- Não. Mas vê qual é a figurinha, está me faltando a Agripa. – Ron disse com um sorriso.

- O quê? - Harry disse em dúvida.

- Claro que você não sabe, os sapos de chocolate têm figurinhas dentro, sabe, para colecionar, bruxas e bruxos famosos. Tenho umas quinhentas, mas não tenho a Agripa nem o Ptolomeu. - Ron explicara com Harry comparando muito isso com as cartinhas de Dragon Ball a quais ele sempre conseguia nos pacotinhos de salgadinhos de queijo que comprava no intervalo do trabalho.

Harry abriu o sapo de chocolate e puxou a figurinha. Era a cara de um homem. Usava óculos de meia-lua, tinha um nariz comprido e torto, cabelos esvoaçantes cor de prata, barba e bigode. Sob o retrato havia o nome Alvo Dumbledore.

- Então este é Dumbledore... - Disse Harry, num oculto sentimento de raiva. Porém conseguira esconder muito bem, fazendo ele parecer um fã do homem aos olhos do ruivo.

- Não me diga que nunca ouviu falar de Dumbledore! Quer me dar um sapo? Quem sabe eu tiro a Agripa. Obrigado. - O garoto disse a tudo, onde Harry mostrara que ele podia comer o que quiser dos doces e salgados.

Harry virou o verso da figurinha e leu:

"Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore - Atualmente diretor de Hogwarts."

- Chefe da Suprema Corte dos Bruxos e Chefe Supremo da Confederação Internacional dos Bruxos. Agraciado com a honorável Ordem de Mérlin, Primeira Classe. -

"Considerado por muitos o maior bruxo dos tempos modernos. Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado Gellert Grindelwald, o bruxo das Trevas, em 1945, por ter descoberto os doze usos do sangue de dragão e por desenvolver um trabalho em alquimia em parceria com Nicolau Flamel. O Professor Dumbledore gosta de música de câmara e boliche."

Harry que não só estava surpreso com os feitos do diretor, mas como também com o fato da figurinha se movimentar, se espantou que a figura havia simplesmente sumido.

- Ele desapareceu? – Harry indagou por isso ser novidade comparado a suas cartinhas de Dragon Ball Z.

- Ora, você não pode esperar que ele fique aí o dia todo. Depois ele volta. Não, tirei a Morgana Le Fay outra vez e já tenho umas seis… Você quer? Pode começar a colecionar. - O garotinho disse a Harry que aceitara e realmente não pode deixar de admirar a beleza da bruxa das trevas e inimiga número um de Mérlin. Os olhos de Rony se desviaram para a pilha de sapos de chocolate que continuavam fechados. - Sirva-se. - Disse Harry achando graça do estilo tímido do garoto. - Mas, sabe, no mundo dos trouxas, as pessoas ficam paradas nas fotos. - Ele explicou enquanto achava estranha a magia presente em todo lugar.

- Ficam? O que, eles não se mexem? - Rony parecia surpreso. - Que coisa esquisita!

Harry arregalou os olhos quando Dumbledore voltou para a figurinha e lhe deu um sorrisinho. Rony estava mais interessado em comer os sapos do que em olhar os bruxos e bruxas famosas, mas Harry não conseguia despregar os olhos deles. Logo não tinha só Dumbledore e Morgana, como também Hengisto de Woodcroft, Alberico Grunnion, Circe, Paraceko, Mérlim e até mesmo um leão, a qual nomeavam como Rei Supremo de Narnia.

Por fim ele despregou os olhos da druida Cliodna que estava coçando o nariz, para abrir o saquinho de feijõezinhos de todos os sabores.

- Você vai ter que tomar cuidado com essas aí. - Alertou Rony. - Quando dizem todos os sabores eles querem dizer todos os sabores mesmo. Sabe, todos os sabores comuns como chocolate, hortelã e laranja, mas também espinafre, fígado e bucho. George achou que sentiu gosto de bicho-papão uma vez. - Rony apanhou uma balinha verde, examinou-a atentamente e mordeu uma ponta. - Eca! Está vendo? Couve-de-bruxelas.

Eles se divertiram comendo as balas. Harry tirou torrada, feijão cozido, morango, capim, café, sardinha e chegou a reunir coragem para morder a ponta de uma bala cinzenta meio gozada que Rony não queria pegar, e que era pimenta.

Os campos que passavam agora pela janela estavam ficando mais silvestres. As plantações tinham desaparecido. Agora havia matas, rios serpeantes e morros verde-escuros.

Ouviram uma batida à porta da cabine e o menino de rosto redondo, por quem Harry passara na plataforma, entrou. Parecia choroso.

- Desculpem, mas vocês viram um sapo? - O garoto indagou enquanto os dois sacudiam a cabeça em negação, ele chorou.

- Perdi ele! Está sempre fugindo de mim!

- Ele vai aparecer. Vem cá! Senta um pouco e se acalme antes de voltar a procura-lo. - consolou Harry enquanto estranhamente via uma imagem clonada dele antes dos sete anos em tal garotinho.

- Eu não entendo! Ele nunca fica perto de mim e está sempre escapando. - O garotinho disse enquanto Harry e Rony olhavam um para o outro.

- Porque quando o encontrar não tenta fazer ele notar que precisa de ti. - Harry disse. - Por exemplo, faça algo que ele goste, onde ninguém mais faça, ou de alguma comida que ele só consegue com você. Pois aí, ele sempre irá sair para passear, mas uma hora irá voltar sabendo que com você é a casa dele. - Por fim Harry citou já que tinha grande especialidade com animais, seja doméstico ou silvestre. - Fora que estamos em um trem, sapos não gostam muito deste tipo de ambiente e com certeza foi se aconchegar em algo mais natural a ele.

- Tem razão, ele sempre foge no mesmo horário e sempre aparece no mesmo. - O garoto disse entendendo que todo animal precisa de um tempo próprio para passear ou descansar e sempre retornava quando sabia que seu dono precisava ir embora.

- Aqui! Coma uma coxinha de brigadeiro, não há porque se preocupar à toa. - Harry disse entregando uma das coxinhas. - Animais são muito espertos, e se souberem se cuidar, podem ir o mais distante possível que uma hora irão retornar para suas casas.

Tem razão! Obrigado. - O moreno baixinho e rechonchudo disse animado. - Sou Neville Longbottom, é um prazer. - Por fim o garotinho disse enquanto voltava para a cabine dele mastigando uma das maiores maravilhas feita de chocolate, já criada.

- Não sei por que ele está tão chateado. - Disse Rony. - Se eu tivesse trazido um sapo ia querer perder ele o mais depressa que pudesse. Mas, trouxe Perebas, por isso nem posso falar nada.

O rato continuava a tirar sua soneca no colo de Rony, e quando Harry o encarou pode ver com uma análise minuciosa que faltava um dedo e ele não estava dormindo, mas sim encarando ocultamente ao Potter.

Algo que não pode deixar de fazer os olhos de Harry inconscientemente brilharem muito rápido e ameaçadoramente.

- Ele podia estar morto e ninguém ia saber a diferença. - Disse Rony desgostoso pouco notando os olhos de Harry, porém o rato notou e desesperadamente se escondeu nas vestes de Ron. - Tentei mudar a cor dele para amarelo para deixá-lo mais interessante, mas o feitiço não deu certo. Vou-lhe mostrar. Olhe… - Remexeu na mala e tirou uma varinha muito gasta. Estava lascada em alguns pontos e havia uma coisa branca brilhando na ponta.

- O pelo do unicórnio está quase saindo. Em todo o caso… - Tinha acabado de erguer a varinha quando a porta da cabine abriu outra vez. O menino sem o sapo estava de volta, mas desta vez tinha uma garota em sua companhia. Ela já estava usando as vestes novas de Hogwarts.

E pelo estilo autoritário dela, claramente forçara Neville a continuar caçando, mesmo já estando calmo.

- Ninguém viu um sapo? Neville perdeu o dele. - A garota disse enquanto tinha um tom de voz mandão, os cabelos castanhos muito cheios e os dentes da frente meio grandes.

- Já dissemos a ele que não vimos o sapo. - Respondeu Rony, mas a menina não estava escutando, olhava para a varinha na mão dele.

- Você está fazendo mágicas? Quero ver. - Ela disse enquanto sentava-se ao lado de Harry, seguido do tal Neville sentar-se ao lado dela com Rony parcialmente desconcertado.

- Hum… está bem. - Pigarreou Rony.

- "Sol margaridas, amarelo maduro, muda para amarelo esse rato velho e burro." - Ele agitou a varinha, mas nada aconteceu. Perebas continuou cinzento e completamente adormecido.

Harry que já teorizava algo, achou ser mais uma pegadinha dos gêmeos ruivos.

- Você tem certeza de que esse feitiço está certo? - Perguntou a menina. - Bem, não é muito bom, né? Experimentei uns feitiços simples só para praticar e deram certo.

- Ninguém na família é bruxo, foi uma surpresa enorme quando recebi a carta, mas fiquei tão contente, é claro, quero dizer, é a melhor escola de bruxaria que existe, me disseram.

- Já sei de cór todos os livros que nos mandaram comprar, é claro, só espero que seja suficiente, aliás, sou Hermione Jean Granger, e vocês quem são? - Ela disse tudo isso muito depressa num tom orgulhoso e de superioridade para com o garoto ruivo.

- "Jean Granger?" - Harry pensou consigo mesmo. - "Só faltava ser ruiva, telepata com uma fênix maldita selada em si... quem sabe não damos um jeito." – Continuara o Potter pensando enquanto tocava ao bolso de seu blazer que continha uma fênix filhote.

- Sou Rony Weasley. - Ron bufou aparentando não gostar da garota.

- Harry Potter. - Harry respondeu ainda tentando buscar maneiras de transformar essa garota numa das mutantes telepatas mais famosas do planeta, ou ao menos uma das bruxas... seria interessante e Harry realmente já estava se sentindo entediado, o que com certeza não era bom sinal comparado ao que ocorria as coisas ao seu redor quando ele se cansava das coisas.

- Uau? Já ouvi falar de você, é claro. Tenho outros livros recomendados, e você está na História da magia moderna, em Ascensão e queda das artes das trevas e em Grandes acontecimentos do século XX.

- É... mas são todos falsos! Se estiver pensando que eu seria capaz de matar um dos magos mais poderoso, ou assassinar um dragão... Creio que só temos de ter bom senso para entender que alguém de onze anos nunca conseguiria tais feitos. - Harry explicou a ela que entendia esse fato.

- Enfim... Já sabem em que casa vão ficar? Andei perguntando e espero ficar na Grifinória, me parece a melhor, ouvi dizer que o próprio Dumbledore foi de lá, mas imagino que a Corvinal não seja muito ruim… em todo o caso, acho melhor irmos procurar o sapo de Neville. E é melhor vocês se trocarem, sabe, vamos chegar daqui a pouco. - E foi-se embora sem escutar respostas, levando o menino sem sapo.

- Seja qual for a minha casa, espero que ela não esteja lá. - Comentou Rony e jogou a varinha de volta na mala. - Feitiço besta. Foi o George que me ensinou, aposto que sabia que não prestava.

- Em que casa estão os seus irmãos? - Perguntou Harry.

- Grifinória. - A tristeza parecia estar se apoderando dele outra vez. - Mamãe e papai estiveram lá também. Não sei o que vão dizer se eu não estiver. Acho que a Corvinal não seria muito ruim, mas imagine se me puserem na Sonserina.

- É a casa em que Vol… Quero dizer Você-Sabe-Quem esteve? - Harry indagou já sabendo que o garoto não gostava de escutar o nome do caído lorde das trevas.

- É. - Rony respondeu, onde afundou novamente no assento, parecendo deprimido.

- Mas, sabe... julgar uma casa por conta de um membro maligno que pertenceu a ela. Creio que esse preconceito nunca ajuda em nada... - Harry disse. - Não é uma casa que irá formar nossa imagem, e sim nós mesmos. - Por fim o Potter explicou sob certa veemência do ruivo que negou tudo e logo pediu para mudar de assunto.

- Então, o que é que os seus irmãos mais velhos fazem agora que já terminaram os estudos em Hogwarts? - Harry continuará dessa vez com uma verdadeira curiosidade sobre o que um bruxo fazia assim que terminava seus estudos.

- Charlie está na Romênia estudando dragões, e Bill está na África fazendo um serviço para o Gringotes. Algo sobre uma alma de um mago egípcio selada em um objeto ou qualquer bobagem do tipo. - Ron disse mal notando como tal informação poderia ser importante para muitas coisas em relação ao Potter. - Você soube o que aconteceu com o Gringotes pouco antes de nosso embarque? Mamãe disse que o papai não pode aparatar com a gente devido ao Profeta Diário só falar nisso, mas acho que morando com os trouxas você não recebe o jornal.

- Enfim, uns caras tentaram roubar um cofre de segurança máxima. - Rony disse enquanto Harry arregalara os olhos. - Algo que de imediato fizera o Potter puxar seu cartão preto do blazer, enquanto imaginava seu saldo bancário.

Que fizera de imediato fizera surgir um holograma a frente deles com uma quantia extremamente gorda de galeões. Ato ocasionado para o Potter descobrir se suas contas bancarias estavam intactas.

- Uau... Você me pareceu ter muito dinheiro! Mas não que era o mais rico do planeta. - Rony dissera impressionado e até avermelhado como um pimentão por algum motivo com a quantia demonstrada, onde logo o holograma sumira.

- Isso pode ser um segredo nosso? - Harry indagou sob consentimento imediato do ruivo. - Enfim prenderam os ladrões? - Por fim Harry perguntou.

- Não, é por isso que é uma notícia tão importante. Não foram pegos. Papai foi convocado de imediato, mas teorizam que deve ter sido um bruxo das trevas poderoso para enganar Gringotes, mas estão achando que eles não levaram nada, isso é que é esquisito.

- É claro que todo o mundo fica apavorado quando uma coisa dessas acontece porque Você-Sabe-Quem pode estar por trás da coisa mesmo que morto, sabe... muita gente ainda sente desespero por retornar aqueles tempos... ao menos é o que meu pai disse. - Rony explicara a tudo onde Harry repassara as notícias mentalmente.

Estava começando a sentir um arrepio toda vez que Você-Sabe-Quem era mencionado. Supunha que isso fazia parte do ingresso no mundo da magia, mas tinha sido muito mais confortável dizer Voldemort sem se preocupar. Pelo menos isso a ele que não viveu na época da guerra ocasionada por tal bruxo, o que com certeza era compreensível da apreensão do público e adoração para com ele.

Só restava agora ele estudar ao que ocorreu em tal guerra, e tomar cuidado para não assustar aos outros com assuntos que não desejam nem pensar.

- Enfim, qual é o seu time de Quadribol? - Perguntou Rony.

- Hum… não conheço nenhum. - Confessou Harry.

- O quê? - Rony parecia pasmo. - Ah, espere aí, é o melhor jogo do mundo.

E saiu explicando tudo sobre as quatro bolas e as posições dos sete jogadores, descreveu jogos famosos a que fora com os irmãos e a vassoura que gostaria de comprar se tivesse dinheiro.

Estava mostrando a Harry as qualidades do jogo quando a porta da cabine se abriu mais uma vez, mas agora não era Neville, o menino clone dele, nem a futura telepata das chamar que Harry criaria embaixo dos braços.

Três garotos entraram e Harry reconheceu o do meio na hora: Era o garoto pálido da loja de vestes de Madame Malkin que vira a distância tratar mal uma das atendentes.

- É verdade? - Perguntou o garoto pálido. - Estão dizendo no trem que Harry Potter está nesta cabine, e principalmente que ele parece ter dezoito anos... Então é você?

- Sou... e é meio rude chamar aos outros sem se apresentar, não acha? - Harry indagou enquanto esse moleque parecia uma espécie de líder entre os dois amigos rechonchudos dele, que agiam feito guarda-costas. Mas a cena era tão ridícula pelo tamaninho deles que Harry realmente estava em conflito se ria ou descia o tapão nessa molecada metida.

- Ah, este é Crabbe e este outro, Goyle. - Apresentou o garoto pálido displicentemente, notando o interesse de Harry. - E meu nome é Malfoy, Draco Malfoy. - Rony tossiu de leve, o que poderia estar escondendo uma risadinha fazendo Malfoy olhar para ele e Harry novamente fazendo sua mente viajar, porém agora para o personagem agente secreto 007, Bond, James Bond.

- Acha o meu nome engraçado, é? Nem preciso perguntar quem você é. Meu pai me contou que na família Weasley todos têm cabelos ruivos e sardas e mais filhos do que podem sustentar. - Virou-se para Harry que pouco ligara para as alfinetadas boba dali. - Você não vai demorar a descobrir que algumas famílias de bruxos são bem melhores do que outras, Potter. Você não vai querer fazer amizade com as ruins. E eu posso ajudá-lo nisso. - Ele estendeu a mão para apertar a de Harry, mas Harry não a apertou.

Simplesmente se levantou enquanto pegava sua maleta e dava um sorriso para cada um dali.

- Não me coloquem no meio de discussões bobas e infantis. Podem medir o tamanho de seus micro-pênis, e como realmente acreditam que dão conta do recado enquanto eu estiver fora daqui, crianças. - Harry disse enquanto saia da cabine deixando cada garoto corado de vergonha ou até raiva e confusão. - Irei me trocar e guardar minha maleta, vejo vocês outra hora. Isso claro, quando não estiverem tentando ocultar seus sentimentos amorosos... pois qual é, eu não julgo... então podem se beijar à vontade. - Harry terminou a isso rindo sarcasticamente enquanto saia e fechava a porta, mantendo lacrada quando vira o desespero e negação nos gritos de cada criança.

- Ah, tão fácil afetar a mentalidade jovem. - Harry suspira contente enquanto caminhava pelo corredor, enquanto era alvo do olhar de muitos estudantes em outros vagões.

Isso até passar por uma cabine e ver Fred e George ali dento. Onde ao dar dois toques no vidro atraindo a atenção de todos, os ruivos logo saíram da cabine animadamente.

- Harry! - Ambos disseram em coro. - Que saudade, a quanto tempo não nos vemos. - Ambos continuaram a dizer, seguido dos dois rirem com a falta de emoção na face do Potter, o que tornava mais engraçado a eles

- Sabem onde posso guardar essa maleta, e me trocar... Seria estanho caminhar para todos os lados com ela na mão. - Harry disse aos dois que logo sorriram.

- Claro que sabemos! Mas antes, venha aqui... vamos apresenta-lo para a galera. - George dissera enquanto puxava Harry para dentro da cabine.

- Geral, esse aqui é Harry Potter! - Fred disse aos outros.

- Harry Potter, esses aqui são geral. - George continuou sob reclamação dos amigos deles.

- É um prazer, Potter! Sou Cedric Digory. - Um garoto pouco mais velho que os irmãos ruivos, se apresentara cordialmente com Harry correspondendo ao aperto de mão.

- Eu sou Cho Chang... - Uma garota com aparência oriental e mais nova que Cedrico se apresentou animadamente com um beijo no rosto de Harry, no qual piscara pela atrevidade da garota em quase beija-lo.

- Eu sou Linot Jordan, mas pode me chamar de Lino. - Um garoto de penteado afro e bem estiloso ao ver de Harry, disse quando quase o cumprimentara tendo uma tarântula nas mãos. - Opa... quase.

- Como já sabem, sou Harry. É um prazer conhece-los. - Harry se apresentara enquanto notava eles trajados com vestes da escola. Seguido de Harry afrouxar sua gravata enquanto agora encarava os ruivos.

- Nos acompanhe, jovem lorde! - Ambos ruivos disseram em coro, já puxando a maleta das mãos de Harry para ele ir ao local certo se trocar.

[ ... ]

Saindo de uma cabine especifica para todos trocarem suas vestes. Harry logo vira os gêmeos ruivos, que demonstravam euforismo com uma minúscula maleta situada na palma da mão de um deles:

- Que negócio é esse? - Harry disse descrente de que aquilo era sua maleta.

- Usamos o "diminuendo" na maleta. Agora pode leva-la no bolso de suas vestes. - Fred explicou sorrindo.

- Mas não se esqueça, daqui três horas ela irá voltar ao tamanho normal. Então assegure-se de estar em seu dormitório a mantendo escondida como uma maleta comum de roupas. - George terminou sob riso admirado do Potter que segurava a maletinha entre os dedos.

- Ainda tenho que me acostumar com essa coisa de mágica. - Por fim Harry disse onde ambos os ruivos riram, mas logo olharam para sua espada embainhada na cintura.

- Porque vive com essa espada na cintura? - George indagou.

- É de verdade? - Fred disse com os olhos pidões, onde logo Harry a desembainhara com um fino som de corte se propagando.

- Eu costumo treinar diariamente artes marciais e kenjutsu, são como proteção já que intimidar visivelmente os outros é bem melhor que literalmente ter de entrar numa briga. - Harry explicou enquanto Fred pegava a espada na área segura, só para a outra ponta ir ao chão.

- É muito pesada, como aguenta andar com isso para todos os lados? - Fred dissera enquanto tivera que segurar a katana com ambas as mãos.

- Com o tempo se acostuma... - Harry disse já andando por entre o corredor de vagões, sob brincadeira de Fred e George com a Katana.

Para só assim ele notar que estava escurecendo. Viu montanhas e matas sob um céu arroxeado.

Harry caminhava calmamente pelo corredor, que mal notara quando quase trombara com o carrinho da linda vendedora de doces que o atendera a pouco tempo.

A mulher sorrira com graça ao Potter, onde vendo que ela guardava algumas caixas pesadas do carrinho que parecia não ter fundo. O mesmo logo optara por ajuda-la enquanto sentia o trem parecer estar diminuindo a velocidade.

A mulher de início até dissera que não precisava, porém Harry insistira sob riso contente da mesma.

- Obrigada. - A mulher dissera enquanto Fred e George paravam o que estavam, só para invadir uma cabine mais perto, e passar a vigiar o que Harry fazia, em um ato falho de espionagem pois o trio feminino da cabine riam com as palhaçadas deles.

- Parecia bem pesado... - Harry sorrira com o agradecimento dela. - Costuma trabalhar todos os dias com esses doces? - Harry perguntara para a mulher que sorrira ainda mais.

- Eu tenho uma loja repleta deles... Se chama dedos de mel, e sou eu quem preparo os derivados do mundo trouxa. - A mulher disse orgulhosa. - Apesar de muitos bruxos não comprarem os que eu preparo. - Ela disse dessa vez meio cabisbaixa.

- Eu adorei as coxinhas que você prepara... Acho que os outros estão é perdendo tempo de não experimentar. - Harry disse a mulher que sorrira com o elogio. - Ainda não estou acostumado com doces do mundo mágico, então, por favor não deixe de fazer essas maravilhas... Eu preciso delas para viver. - Dessa vez ele dirá enquanto a mulher ria em compreensão. Os bruxos realmente tendem a ser bem criativos e até malucos na criação de seus doces e salgados, onde muitos evitar experimentar alimentos do mundo trouxa, sendo esses um dos melhores.

- E qual o nome do meu novo cliente favorito? - A mulher perguntara enquanto terminava de guardar suas coisas, para assim se aproximar bem perto do moreno.

- E muito feio perguntar o nome dos outros, sem ao menos se apresentar. - Harry respondeu sob riso da mulher que logo se apoiara rapidamente no ombro de Harry, devido a freada que o trem fornecera sob o aviso de que estavam a um minuto de Hogwarts.

- Sou Amanda Flume, meus pais são os donos da Dedos de Mel, apesar de agora ser eu quem tomo conta de tudo por aqui..., mas caso queira me encontrar por lá, será sempre bem-vindo. - A mulher disse num sussurro no ouvido de Harry, seguido dela dar um curto selinho na bochecha dele, para somente assim se afastar rindo do olhar dele.

O trem foi diminuindo a velocidade lentamente para só assim ir parando. As pessoas se empurraram para chegar à porta e descer na pequena plataforma escura. Harry estremeceu ao ar frio da noite que vinha de fora com as portas do trem sendo abertas.

Para logo ele olhar a mulher à sua frente, enquanto sorria para ela.

- Pode ter certeza que uma hora eu dou uma passada por lá... - Harry disse indo para o outro lado do vagão em direção a porta. - Alias, meu nome é Harry Potter. - O mesmo dessa vez disse sob surpresa da mulher.

- Até outra hora, Amanda. - Harry por fim disse com um sorriso a ela, onde logo Fred e George o puxaram para fora do trem.

Com o surgimento de uma lâmpada balançando sobre as cabeças dos estudantes e Harry ouviu uma voz conhecida:

- Alunos do primeiro ano! Primeiro ano, aqui! Tudo bem, Harry? - O homem grande e corpulento disse a outro homem sob olhar de várias crianças. O rosto grande e peludo de Rúbeo Hagrid sorria por cima de um mar de cabeças.

- Meu querido Harry... Você não perde tempo. - George disse com um sorriso malicioso ao Potter.

- Espero que caia na Grifinória! Iremos aprontar muito esse ano. - Fred disse com graça enquanto entregava a katana de Harry, onde ele a embainhara sob olhar impressionado de muitos.

- Vamos, venham comigo. Mais alguém do primeiro ano? - Hagrid novamente dissera enquanto Fred e George iam atrás de seus amigos.

Aos escorregões e tropeços, eles seguiram Hagrid por um caminho de aparência íngreme e estreita. Estava tão escuro em volta que Harry achou que devia haver grandes árvores ali.

Ninguém falou muito. Neville, o menino que vivia perdendo o sapo, fungou umas duas vezes sob o frio que se instaurara no local.

- Vocês vão ter a primeira visão de Hogwarts em um segundo. - Hagrid gritou por cima do ombro. - Logo depois dessa curva.

Ouviu-se um "ooooh" muito alto, com a vista do céu estrelado.

O caminho estreito se abrira de repente até a margem de um grande lago escuro. Encarrapitado no alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilando no céu estrelado, havia um imenso castelo com muitas torres e torrinhas.

- Só quatro em cada barco! - Gritou Hagrid, apontando para uma flotilha de barquinhos parados na água junto à margem. Harry e Rony foram seguidos até o barco por Neville e Hermione.

- Todos acomodados? - Gritou Hagrid, que tinha um barco só para si. - Então… VAMOS! - Por fim o grandioso homem dissera, e a flotilha de barquinhos largou toda ao mesmo tempo, deslizando pelo lago que era liso como um vidro.

Todos estavam silenciosos, os olhos fixos no grande castelo no alto. A construção se agigantava à medida que se aproximavam do penhasco em que estava situado.

- Abaixem as cabeças! - Berrou Hagrid quando os primeiros barcos chegaram ao penhasco, todos abaixaram as cabeças e os barquinhos atravessaram uma cortina de neblina que ocultava uma larga abertura na face do penhasco. Foram impelidos por um túnel escuro, que parecia levá-los para debaixo do castelo, até uma espécie de cais subterrâneo, onde desembarcaram subindo em pedras e seixos.

- Ei, Neville! Não é o seu sapo? - Perguntou Harry que estendera a mão, para o animal logo pular na parte superior dela. Vindo do barco que estavam, para si.

- Trevor! - Gritou Neville feliz, estendendo as mãos.

- Lembre-se do que eu disse! Faça ele saber que mesmo saindo para passear, tem de voltar para você. - Harry disse ao garoto que sorrira em animação por ter o sapo de volta.

Hagrid olhava admirado o Potter, já tendo ideias de um futuro amigo de caça.

Então eles subiram por uma passagem aberta na rocha, acompanhando a lanterna de Hagrid e desembocaram finalmente em um gramado fofinho e úmido à sombra do castelo.

Galgaram uma escada de pedra e se aglomeraram em torno da enorme porta de carvalho.

- Estão todos aqui? Você aí, ainda está com o seu sapo? - Hagrid dissera a Neville que levantara as mãos de forma contente, com o sapo entre elas.

Nisso, Hagrid ergueu o punho gigantesco e bateu três vezes na porta do castelo.

Um ato que faria a vida de Harry Potter mudar para sempre.

O que antes ele imaginava ter de trabalhar dia após dia para se sustentar e pagar suas matriculas em colégios. Agora era um novo recomeço criado por ele mesmo, e não permitiria que ninguém ditasse o que deveria fazer ou não.

E com isso dou fim ao sétimo capítulo da Changed Prophecy.
Espero que estejam gostando, e não se esqueçam de comentar abaixo XD

Niklaus: .

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Gred e Forge Weasley: . /articles/3/17/78/3/

Neville Longbottom: .

Hermione Granger:

Cedric Diggory: . /_mBXE-OiA8wA/THBOdltA8rI/AAAAAAAAOqw/REdY9yH2ErM/s640/26022_109395315739935_100000084024997_243806_8007519_

Cho Chang: 867903f3f0372c78c495b06fc4a82c37be6d48c9/68747470733a2f2f73332e616d617a6f6e6177732e636f6d2f776174747061642d6d656469612d736572766963652f53746f7279496d6167652f6f486c394e4a30664448433978773d3d2d3238353837323838352e313437313630353235333735376466653336323034353133343539382e6a7067?s=fit&w=720&h=720

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