A Floresta Proibida.
As coisas não poderiam estar piores. Harry que pensava no Filch castigando-os com algo bem longe da professora Minerva.
Simplesmente levou-os à sala da Professora Minerva no primeiro andar, onde eles ficaram sentados esperando, sem trocar uma palavra entre si. Hermione tremia. Desculpas, álibis e justificativas fantásticas substituíam-se umas às outras na cabeça de Harry, cada qual mais capenga do que a anterior. Ele não conseguia ver como iam se livrar desta encrenca. Estavam encurralados. Como podiam ter sido burros a ponto de se esquecerem da capa? Não havia nenhuma razão no mundo para a Professora Minerva aceitar que estivessem fora da cama, esgueirando-se pela escola a altas horas da noite, e muito menos que estivessem na alta torre de astronomia, que era proibida aos alunos a não ser durante as aulas.
Harry que achou que as coisas não poderiam ficar piores. Estava enganado. Quando a Professora Minerva apareceu, vinha trazendo Neville.
- Harry! - exclamou ele correndo até sua única fonte de salvação no momento, se agarrando ao mesmo em proteção contra Minerva. - Eu estava tentando encontrar vocês para avisar que ouvi Malfoy dizer que ia pegar vocês, disse que vocês tinham um drag... - Harry sacudiu com força a cabeça para fazer Neville calar a boca, mas a Professora Minerva viu. Parecia mais provável que ela cuspisse fogo pelas narinas do que Norberto, ali a olhar os três de cima para baixo.
- Eu jamais teria acreditado que vocês fossem capazes disso. O Sr. Filch diz que vocês estavam no alto da torre de astronomia. É uma hora da madrugada, não sabem os riscos de estarem lá sem a supervisão de um maior de idade. Expliquem-se: - Era a primeira vez que Hermione deixava de responder à uma pergunta de uma professora. Olhava para os sapatos, imóvel como uma estátua. - Acho que tenho uma boa ideia do que anda acontecendo. - disse a Professora Minerva. - Não é preciso ser gênio para somar dois mais dois. Vocês contaram à Sr. Malfoy uma história para atrair a atenção dele sobre um dragão, tentando tirá-lo da cama e metê-lo em apuros. Eu já o apanhei. Suponho que achem engraçado que o Sr. Longbottom tenha ouvido a história e acreditado nela também. - Harry surpreendeu o olhar de Neville e tentou lhe dizer, sem falar, que aquilo não era verdade, porque Neville tinha uma expressão de espanto e mágoa. Pobre Neville trapalhão. Harry sabia o que deveria ter-lhe custado tentar encontrá-los no escuro para avisar.
- Estou desapontada. - disse a Professora Minerva. - Quatro alunos fora da cama em uma noite! Nunca ouvi falar numa coisa dessas antes! - Na verdade ela tinha e acabara de ter um dejavu repentino de outros quatro encrenqueiros de Hogwarts. - Você, Hermione Granger, achei que tinha mais juízo.
- Quanto a você, Harry Potter, achei que ser um Divergente significava mais para você do que parece. Os três vão pegar uma detenção, sim e você também, Sr. Longbottom, não há nada que lhe dê o direito de andar pela escola à noite, principalmente nos dias que correm, é muito perigoso, e vou descontar cinquenta pontos da Grifinória.
- Tá bom, professora..., mas convenhamos... Essas regras são bem simplórias. - Harry disse se aproximando da mesa dela. O olhar da mais velha era fulminante, porém ali tinha um pingo de curiosidade sobre o que o Potter se referia. - Pense bem: Eu e Hermione só queríamos praticar magias que vinhamos estudando, porém não a momento algum que podemos fazer isso fora as aulas. E sempre é impossível durante as aulas, pois tem muita teoria e pouca prática, nos corredores é proibido, nos terrenos Severus está sempre voando sob todos feito um morcegão.
- Eu não preciso de matéria teórica, minha mente grava a tudo que leio, preciso de aulas práticas para usar esses feitiços sem drenar meu núcleo magico, e como conseguir isso se não há em momento algum uma pratica durante as aulas, como fazer isso a noite se estou trabalhando na biblioteca, ou como principalmente fazer isso se somos obrigados a ir dormir as 22h.
- Sei que está com raiva de tudo isso, mas se as regras não fossem tão rígidas a ferrar mais com os alunos do que impor a ordem, nada disso teria ocorrido.
Harry que explicava a tudo tinha um certo ponto positivo em questão, muitos alunos mais velhos precisavam estudar, praticar, e tudo isso em grupo. Haviam escadas que atrasavam os alunos, e quando se atrasavam perdiam pontos pois isso não era desculpa, não era permitido realizar feitiços nos corredores, nem um misero feitiço de levitação para carregar os materiais e evitar chegar atrasado, muitos tinham treinos de Quadribol a noite, ou tarefas extras como na biblioteca que era onde Harry podia ler e se aprofundar mais nos fundamentos do mundo bruxo situados da seção restrita, e por fim o horário, que impedia qualquer um de realizar suas tarefas, ou estudar até mais tarde.
- Tem um ponto em questão, Sr. Potter... Porém regras são regras, se quer mudar algo, se voluntarie ao serviço de monitores. - Minerva ditou autoritária. - Cinquenta pontos de cada um. - Acrescentou a Professora Minerva, respirando com esforço pelo nariz longo e pontudo.
- Professora... Por favor... A senhora não pode...
- Não venha me dizer o que eu posso e o que eu não posso, Harry James Potter. Está agindo igualzinho a seu pai, Agora voltem para a cama, todos vocês. Nunca senti tanta vergonha de alunos da Grifinória antes. E você sendo um divergente deveria tomar cuidado, ou quer as quatro casas contra ti?
- Tudo bem... - Harry murmurou cabisbaixo saindo da sala de transfiguração.
Mal sabia os outros que um riso mínimo se propagara na face do Potter quando ele atravessara a porta. Pois ele tirou um grande problema das costas e amenizou a situação, seria horrível Minerva descobrir sobre os amigos de Charlie, ou que Harry pagou para eles enviar um dragão falso.
- "Ao menos tirei um peso das costas de Hagrid, e não fui pego pelo crime real..." - Harry pensou contente indo em direção a seu dormitório sob encalço de Hermione e Neville.
[ ... ]
Cento e cinquenta pontos perdidos para Grifinória, e cinquenta perdidos para as outras três casas. Isto deixava a Grifinória em último lugar. Em uma noite, tinham estragado as chances de Grifinória conquistar a taça das casas. Harry teve a sensação de que o fundo do seu estômago se soltara.
Como iria poder compensar a perda? não queria uma casa inteira como inimiga
Harry não dormiu a noite inteira. Ouviu Neville soluçar com a cara no travesseiro durante o que lhe pareceram horas. Harry não conseguia pensar em nenhuma palavra para consolá-lo. Sabia que Neville estava se tornando ainda mais corajoso, porém ter a chance de ser expulso amedrontava a qualquer um, principalmente a ele que sempre acreditou ser um aborto.
O que aconteceria quando o resto de Grifinória descobrisse o que tinham feito?
A princípio, os alunos de Grifinória que passavam pelas gigantescas ampulhetas que marcavam o placar das casas, no dia seguinte, acharam que tinha havido um engano. Como podiam de repente ter cento e cinquenta pontos menos do que no dia anterior?
E então a história começou a se espalhar. Harry Potter, o famoso Harry Potter, seu herói dos jogos de Quadribol, membro divergente que era capaz de calcular pontos em todas as casas, fora o responsável pela perda de todos aqueles pontos, ele e mais uns dois panacas do primeiro ano.
Da posição de aluno mais popular e admirado na escola, Harry passou a de mais odiado. Até os alunos da Corvinal e Lufa-Lufa se voltaram contra ele, porque todos desejavam há muito tempo ver a Sonserina perder a Taça das Casas. Para todo lado que Harry ia, as pessoas o apontavam e não se davam ao trabalho de baixar as vozes para xingá-lo. Os de Sonserina, por outro lado, batiam palmas quando ele passava, assobiavam e davam vivas.
Harry estava tendo inimizade com três casas, e a única que deveria o hostilizar, agora estava o acolhendo.
Não queria problema com nenhuma delas, porém tinha de dar um jeito de recuperar tais pontos perdidos.
"Obrigado, Potter, ficamos lhe devendo essa!" - Era o que os Sonserinos diziam de forma sarcástica. Porém junto a isso eram eles que davam sorrisos acolhedores quando viam que as outras casas praticamente o ignoravam.
Somente Hermione continuou do seu lado. Ron mal falava com Harry e se juntou a um novo grupinho de amigos fissurados em zoar o nome de Harry, o que para ele era bem bobo na verdade, já que eram crianças... mas os alunos mais velhos o ignorarem e parecerem realmente irritados é o que lhe afetava, Fred e George mal se importavam, só queriam ver o circo pegar fogo, Neville estava até bem pois desde a briga que teve com Crabble e Goyle na arquibancada de quadribol, eles vieram parar de ataca-lo.
- Eles vão esquecer dentro de umas semanas. Fred e George já perderam montes de pontos desde que chegaram aqui e as pessoas continuam a gostar deles. - Hermione dizia enquanto caminhava ao lado de Harry.
- Eles nunca perderam cento e cinquenta pontos de uma tacada, ou perderam? - retrucou Harry, infeliz. Tinha que bolar alguma coisa rápido.
- Bom... Não... - admitiu ela. - Olhe, esqueça... todos podem estar te ignorando, mas eu ainda estou aqui e não vou sair, nunca. - Disse ela sorrindo com o mesmo correspondendo a isso e dando um selinho em sua testa.
- Obrigado, Jean... é só que estar sendo ignorado e esse ar de raiva e frieza... me faz lembrar de meus parentes, e sei que não vem coisa boa se isso continuar. - Harry desabafou desarrumando o cabelo em exasperação.
- "Só espero que não continue muito, pois se chegarem ao ponto de agir como Valter e Petúnia, vou ter que responder como sempre fiz." - Pensou Harry tocando a bainha de sua espada e único meio de segurança que sempre teve contra agressões físicas.
[ ... ]
Era um pouco tarde para consertar o estrago, mas Harry jurou nunca mais se meter em coisas que não eram de sua conta. Bastava de espiar e espionar. Sentia tanta vergonha que foi procurar Oliver para oferecer sua demissão do time de Quadribol.
- Se demitir? - trovejou o capitão. - Que bem faria isso? Como vamos poder recuperar os pontos se não conseguirmos vencer no Quadribol? - Mas até mesmo o Quadribol perdera a graça. Metade do time não queria falar com Harry durante os treinos e quando precisavam se referir a ele chamavam-no de "o apanhador".
Apenas Katie Bel e outras duas de suas amigas que "consolavam" Harry, mas nem isso ajudava.
Nunca pensara direito sobre os pontos de casa, e na visão dele comparado a hostilização infantil, parecia mais como crianças irritadas com um placar de jogo, mas estudando bem sobre essas pontuações de Hogwarts, descobrira que para os alunos a se formarem, pontos de casa elevados eram calculados em seus currículos a se ingressarem em bons empregos do ministério da magia, junto é claro a suas notas de exames NIEM (Níveis Incrivelmente Exaustivos de Magia).
E no caso de Oliver e os membros dos times de quadribol, pontos elevados e chances de ganhar taças da casa, eram especificamente bem vistos aos olheiros de times profissionais, que visavam assistir aos jogos e estudarem os capitães e membros dos times, a se futuramente contratarem, um caso especifico de porque Oliver estar tão irritado com Harry, desde que Quadribol profissional era seu sonho de profissão.
Hermione e Neville estavam sofrendo também. Não estavam eram hostilizados tanto quanto Harry, porque não eram tão conhecidos, mas ninguém falava com eles, tampouco. Hermione parara de chamar atenção nas aulas, mantinha a cabeça baixa e trabalhava em silêncio.
Harry quase se alegrava que os exames não estivessem muito distantes. Todas as revisões que precisava fazer o distraiam de sua infelicidade. Ele, Neville e Hermione ficavam sozinhos, trabalhavam até tarde da noite, tentando lembrar os ingredientes das complicadas poções, aprender os feitiços e encantamentos de cor, decorar as datas das descobertas mágicas e das revoltas dos duendes...
Então, uma semana antes de começarem os exames, a nova resolução de Harry de não se meter em nada que não fosse de sua conta, foi submetida a um teste inesperado. Ao voltar da biblioteca, sozinho certa noite quando terminou seu serviço, ouviu alguém choramingando numa sala de aulas mais à frente. Ao se aproximar, ouviu a voz de Quirrell.
- Não... Não... Outra vez não, por favor... me mate. - Dizia o homem em pura lamuria dolorosa. - Mas não me faça continuar com isso, Dumbledore é muito poderoso, e aquele pirralho Potter parece ainda mais sádico que o Severus quando me olha.
Parecia que alguém o estava ameaçando. Harry se aproximou um pouco mais.
- Está bem... Está bem. - Ouviu Quirrell soluçar em derrota e pura dor. - Eu vou fazer o que manda, mas por favor, pare com a tortura. - Dizia o mesmo com a mão direita segurando firmemente a esquerda, na qual apontava uma varinha para sua própria testa com um feitiço vermelho finalmente sendo finalizado, assim o mesmo caindo em puros espasmos no chão.
Quirrell parecia ter finalmente cedido a algo, Harry até pensara em Snape, porém, não era Snape quem ameaçara Quirrel... era algo bem maior que o conhecimento atual do Potter. Mesmo acreditando ser uma mentira aquela voz sinistra na floresta, agora começava a notar bem que Quirrell parecia mais um escravo sendo torturado, sem controle de seu próprio corpo, e isso deixou o mesmo com um gosto amargo na boca, como se não gostasse nada de ver isto.
Ficando assim o dia inteiro com uma face de pura preocupação e até raiva de não conseguir controlar tais sensação conflitantes que vinha sentindo pela primeira vez, seus olhos até mesmo reluziam em puro poder negro como o de um demônio que servira para no passado assustar a seu tio, mas que agora deixara alguns alunos amedrontados.
E com isso, o mesmo enfim passou a estudar algo em especifico: "Oclumência e legilimência"
Estava na hora de controlar direito essas emoções, pois condensar todas elas e fingir que não existiam, não estava dando certo.
[ ... ]
- Snape então conseguiu. - Exclamou Ron se intrometendo na conversa de Harry e Hermione - Se Quirrell contou a ele como quebrar o feitiço antimagia negra... - Ele dizia como se nada nas ultimas semanas tivesse ocorrido, e que ele não estava falando mal de Harry a todos a sua volta.
- Mas ainda temos o Fofo. - lembrou Hermione ignorando o ruivo.
- Hermione... eu acalmei o cérbero com carinho... Acha mesmo que o cão impediria alguém de invadir, após tantos problemas que tiveram para entrar, devem ter descoberto alguma coisa.
- Aposto como tem um livro por aqui que ensina como se passar por um cachorrão de três cabeças. Então, o que vamos fazer Harry? - Ron indagou fazendo o Potter olhar a ele fixamente.
- Achei que não estava falando comigo... - Harry disse friamente sob sorriso sem graça do ruivo.
- Desculpe, não sei o que deu em mim... Acho que cai na conversa de todos e me afastei... foi mal. - Ele disse, porém Harry não se importara muito pois sabia que na verdade eram os outros que estava caindo na conversa do ruivo, e caramba, irritava ele o fato de alguém que o mesmo começou a chamar de amigo, simplesmente virar as costas e até dizer aos outros que sempre teve medo da presença de Harry, tipo... ele era um monstro ou aberração? Pois se for isso, ele já sabia muito bem e havia aceitado faz tempo, mas que realmente incomodou ele um amigo deixar isso claro aos outros.
O brilho de aventura voltava a iluminar os olhos de Ron, mas Hermione respondeu, antes que Harry pudesse fazê-lo, visto que a mesma notou a patada que Harry daria ali na frente de todos, só podendo piorar sua imagem.
- Vamos procurar Dumbledore. Isto é o que deveríamos ter feito há séculos. Se tentarmos alguma coisa por conta própria, com certeza vamos ser expulsos.
- Mas não temos provas... - disse Harry. - Dumbledore vai pensar que inventamos isso para Quirrel ser despedido. Filch não nos ajudaria nem que a vida dele dependesse disso, é muito amigo de Snape, e quanto mais alunos forem expulsos, tanto melhor, é o que ele pensa. E não se esqueçam nós nem devíamos saber da Pedra nem de Fofo. O que vai exigir muita explicação e o porquê de estarmos nos metendo em coisa que não é da nossa conta.
Hermione pareceu convencida, pois sempre acreditou nas autoridades e realmente eles podiam cuidar de tudo, pelo menos acreditava ela, mas não Ron.
- Se déssemos só uma espiadinha...
- Não. - respondeu Harry decidido ao ruivo - já demos muitas espiadinhas, não é problema nosso, Albus deve saber o que está fazendo, até porque ele é adulto, e convenhamos, só a presença dele aqui no castelo já é muita segurança contra Quirrell ou seja lá o que esteja possuindo ele.
[ ... ]
Na manhã seguinte, Harry Hermione e Neville receberam bilhetes à mesa do café da manhã. Diziam a mesma coisa:
"Sua detenção começará às vinte e três horas. Pode ter demorado pois todos estivemos muito ocupados, mas não pensem que esqueci da aventura noturna de vocês.
Aguardem o Sr. Filch no saguão de entrada.
Professora Minerva."
No furor provocado pela perda de pontos, Harry esquecera que ainda tinham detenções a cumprir. Esperou que Hermione reclamasse que aquilo representava perder uma noite inteira de revisões, mas não disse uma palavra. Achava, como Harry, que teriam o que tinham merecido.
Às onze horas da noite eles se despediram de Ron na sala comunal, pelo menos Hermione se despediu, pois Harry estava mais focado em permanecer em total silencio do que falar besteira, e desceram com Neville para o saguão de entrada. Filch já se encontrava lá e também Malfoy. Harry esquecera que Malfoy pegara uma detenção também, até porque o menino tinha estado bem longe deles nas ultimas semanas, castigado pelo que escutara de Severus, que mais agira como pai dele do que o próprio Lucius Malfoy, no qual somente servia para mimar o menino.
- Sigam-me. - disse Filch, acendendo uma lanterna e levando-os para fora.
- Aposto que vão pensar duas vezes antes de desobedecer novamente ao regulamento da escola, não é mesmo? - disse caçoando - Ah, sim, trabalho pesado e dor são os melhores mestres, se querem saber. É uma pena que tenham suspendido os castigos antigos, pendurar o aluno no teto pelos pulsos durante alguns dias, ainda tenho as correntes na minha sala, conservo-as azeitadas para o caso de precisarem. Muito bem, lá vamos nós, e nem pensem em fugir agora, será pior para vocês se fizerem isso.
Eles caminharam pela propriedade às escuras. Neville não parava de fungar. Harry ficou imaginando qual seria o castigo.
Devia ser alguma coisa realmente horrível, ou Filch não pareceria tão contente.
A lua brilhava, mas as nuvens que passavam por ela lançavam-nos na escuridão. À frente, Harry via as janelas iluminadas da cabana de Hagrid. Então, ouviram um grito distante.
- É você, Filch? Ande logo, quero começar de uma vez.
O ânimo de Harry melhorou, se eles iam trabalhar com Hagrid então não seria tão ruim. Seu alivio deve ter transparecido no rosto, porque Filch falou:
- Acho que você está pensando que vai se divertir com aquele panaca? Pois pode pensar outra vez, menino. É para a floresta proibida que você vai e está muito enganado se vai ser capaz voltar inteiro. - Ao ouvir isso, Neville deixou escapar um gemido e Malfoy ficou paralisado.
- A floresta? - repetiu Malfoy - Não podemos entrar lá à noite... Tem todo tipo de coisa lá... Lobisomens, ouvi falar.
Neville agarrou a manga das vestes de Harry e pareceu se engasgar, com Harry puxando o lado esquerdo de sua capa e cobrindo protetoramente o menino, desde que seu lado direto já acolhia e protegia Hermione.
- Isto é o que pensa, não é? - disse Filch, a voz esganiçando-se de satisfação. - Devia ter pensado nos lobisomens antes de se meterem encrencas, não acha? Pois a muito mais que lobisomens ali dentro.
Hagrid saiu do escuro caminhando em direção a eles, com Canino nos calcanhares. Carregava um grande arco e uma aljava com flechas de prata pura pendurada ao ombro.
- Até que enfim. Já estou esperando há meia hora. Tudo bem, Harry, Hermione?
- Eu não seria tão simpático com eles, Hagrid. - disse Filch com frieza - afinal eles estão aqui para serem castigados.
- E por isso que você está atrasado, não é? - disse Hagrid, amarrando a cara. - Andou passando carão neles, não é? Isso não é sua função. Você fez a sua parte, eu pego daqui para frente.
- Volto ao amanhecer para recolher o que sobrar deles. - disse Filch maldoso, deu meia-volta e retornou ao castelo, balançando a lanterna na escuridão.
Malfoy virou-se então para Hagrid:
- Não vou entrar nessa floresta. - disse, e Harry ficou contente de ouvir a nota de pânico em sua voz.
- Vai, sim, se quiser continuar em Hogwarts. - disse Hagrid com ferocidade. - Você agiu mal e agora tem de pagar pelo que fez...
- Mas isso é coisa para empregados e não para estudantes. Achei que íamos fazer uma cópia ou outra coisa do gênero, se meu pai souber que eu estou fazendo isso, ele...
- ... Lhe dirá que em Hogwarts é assim. Ele mesmo já foi bem castigado no passado com seus coleguinhas. - Rosnou Hagrid. - Fazer cópia! Para que serve? Você vai fazer uma coisa útil ou vai sair da escola. E se pensa que seu pai vai preferir que você seja expulso, então volte para o castelo e faça suas malas. Vamos!
Malfoy não se mexeu. Encarou Hagrid furioso e em seguida baixou os olhos.
- Muito bem, então. - disse Hagrid - Agora prestem atenção, porque é perigoso o que vamos fazer hoje à noite e não quero ninguém se arriscando à toa. Venham até aqui comigo. - Ele os conduziu à orla da floresta. Erguendo a lanterna bem alto, apontou para uma trilha serpeante de terra batida que desaparecia por entre árvores escuras. Uma brisa leve levantou os cabelos dos meninos, quando eles se viraram para a floresta.
- Olhem ali, estão vendo aquela coisa brilhando no chão? Prateada? Aquilo é sangue de unicórnio. Tem um unicórnio ali que foi ferido gravemente por alguma coisa. É a segunda vez esta semana. Por sorte não teve nenhum morto, mas extremamente ferido. Vamos tentar encontrar o pobrezinho. Talvez a gente precise pôr fim ao sofrimento dele.
- E se a coisa que feriu o unicórnio nos encontrar primeiro? - perguntou Malfoy, incapaz de conter o medo na voz.
- Não há nenhuma criatura viva na floresta que vá machucá-lo se você estiver comigo e com o Canino. E siga a trilha. Muito bem, agora, vamos nos separar em dois grupos e seguir a trilha em direções opostas. Tem sangue por toda parte, ele deve estar cambaleando pelo menos desde a noite passada. - Disse Hagrid, por pura hipocrisia na visão de Harry, já que se ele era a segurança, porque os estava dividindo.
- Eu quero Canino. - disse Malfoy depressa, olhando para as presas de Canino.
- Muito bem, mas vou-lhe avisando, ele é covarde. Então eu, Harry e Hermione vamos por aqui e Draco, Neville e Canino por ali. Agora, se algum de nós achar o unicórnio, disparamos centelhas verdes para o alto, certo? Peguem as varinhas e comecem a praticar agora, assim. E se alguém se enrolar, dispare centelhas vermelhas, e vamos todos procurá-lo, então, cuidado. Vamos.
A floresta estava escura e silenciosa. Entrando por ela, chegaram a uma bifurcação, e Harry, Hermione e Hagrid tomaram o caminho da esquerda enquanto Malfoy, Neville e Canino tomaram o da direita.
Caminharam em silêncio, com os olhos no chão. Aqui e ali um raio de luar penetrava por entre os galhos e iluminava uma mancha de sangue prateado nas folhas caídas.
Harry viu de longe que Neville parecia muito preocupado. Só para assim eles se distanciarem ainda mais.
- É possível um lobisomem estar matando os unicórnios? - Perguntou Harry ao guarda caça.
- Não com essa rapidez, não é fácil matar um unicórnio, eles são criaturas mágicas poderosas. Nunca soube de nenhum ter sido ferido antes.
Passaram por um toco de árvore coberto de musgo. Hermione ouviu água correndo, devia haver um riacho por perto. Ainda viam manchas de sangue de unicórnio aqui e ali pela trilha serpeante.
- Você está bem, Hermione? - sussurrou Hagrid - Não se preocupe, ele não pode ter ido longe se está tão ferido e então poderemos... PARA TRÁS DAQUELA ÁRVORE! - Hagrid agarrou Harry e Hermione e guindou-os para fora da trilha e para trás de um enorme carvalho. Puxou uma flecha e encaixou-a no arco, e ergueu-o, pronto para atirar. Os três apuraram os ouvidos. Alguma coisa deslizava pelas folhas mortas ali perto, parecia uma capa arrastando no chão. Hagrid apertava os olhos para enxergar a trilha escura à frente, mas, passados alguns segundos, o ruído desapareceu. - Eu sabia! - murmurou ele. - Tem alguma coisa aqui que está fora de lugar.
- Um lobisomem? - sugeriu Harry.
- Isso não era um lobisomem e não era um unicórnio, tão pouco. - disse Hagrid sério. - Muito bem, me sigam, mas tenham cuidado, agora.
Continuaram a caminhar mais devagar, e com o passar dos minutos em puro silencio com somente o som da floresta, Harry sorrira consigo mesmo e começou a recitar macabramente:
1, 2... Não olhe para trás...
3, 4... Correr não adianta mais...
5, 6... Chegou a sua vez...
7, 8, 9, 10... ELE VAI PUXAR SEUS PÉS.
- Finalizou Harry engrossando sua voz e seus olhos se tornando puro poder obscuro com a pupila reluzindo em um verde esmeralda, na qual ele olhou para Hermione.
- AAAHHHH! - Hermione gritou chutando Harry nas bolas, com ele caindo de joelhos.
- É zueira! É zueira. - Gritou Harry rolando nas folhas segurando suas partes intimas. - AÍ meu saco.
- Hehehe, castigo para besta é pouco. - Hagrid disse com graça. - Igualzinho Lily e James, só falta casarem. - Finalizou com Hermione corando e indo ajudar seu amigo.
E assim quando tudo novamente se acalmara, escutaram ruídos atrás das arvores, ambos olharam para Harry, mas até ele estava focado dando a entender que não era ele, alguma coisa na clareira adiante, alguma coisa sem dúvida se mexia.
- Quem está aí? - chamou Hagrid. - Apareça. Estou armado! - E na clareira apareceu um vulto: era um homem, ou um cavalo? Até a cintura, um homem, com cabelos e barba ruiva, mas da cintura para baixo era um luzidio cavalo castanho com uma cauda longa e avermelhada. Os queixos de Harry e Hermione caíram.
- Ah! É você, Ronan. - Exclamou Hagrid aliviado. - Como vai?
Ele se adiantou e apertou a mão do centauro.
- Boa noite para você, Hagrid - disse Ronan. Tinha uma voz grave e triste. - Você ia atirar em mim?
-Cautela nunca é demais, Ronan. - disse Hagrid, dando uma palmadinha no arco. - Tem alguma coisa à solta nesta floresta. Ah, sim, estes são Harry Potter e Hermione Granger. Alunos lá da escola. E este é Ronan. É um centauro.
- Já percebi. - disse Hermione coma voz fraca.
- Boa noite... - cumprimentou Ronan - São alunos, é? E aprendem muita coisa na escola?
- Hum. - Harry murmurou. - Se for útil, sim.
- Um pouquinho. - respondeu Hermione tímida.
- Um pouquinho. Bom, já é alguma coisa. - Suspirou Ronan. Depois, jogou a cabeça para trás e contemplou o céu.
- Marte está brilhante hoje.
- É... - disse Hagrid, mirando o céu também. - Olhe, foi bom termos nos encontrado, Ronan, porque tem um unicórnio ferido. Você viu alguma coisa?
Ronan não respondeu imediatamente. Continuou a olhar para o alto sem piscar e então suspirou outra vez:
- Os inocentes são sempre as primeiras vítimas. Foi assim no passado, é assim agora.
- É, mas você viu alguma coisa, Ronan? Alguma coisa anormal?
- Marte está brilhante hoje. - Repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impaciente. - Um brilho anormal.
- Sim, mas estou me referindo a alguma coisa mais perto da terra. Você não notou nada estranho?
Mais uma vez, Ronan levou algum tempo para responder. Por fim disse:
- A floresta esconde muitos segredos.
Um movimento nas árvores atrás de Ronan fez Hagrid erguer o arco outra vez, mas era apenas um segundo centauro, de cabelos e corpo negros e de aspecto mais selvagem do que Ronan.
- Olá, Agouro. - Cumprimentou Hagrid. - Tudo bem?
- Boa noite, Hagrid, você vai bem, espero.
- Bastante bem. Olhe, eu estava mesmo perguntando a Ronan, você viu alguma coisa estranha por aqui ultimamente? É que um unicórnio foi ferido. Você sabe alguma coisa?
Agouro foi se postar ao lado de Ronan. Olhou para o céu.
- Marte está brilhante hoje. - disse simplesmente.
- Já sabemos. - respondeu Hagrid agastado. - Bom, se um de vocês vir alguma coisa, me avise, por favor. Vamos indo, então.
Harry e Hermione saíram com ele dá clareira, espiando Ronan e Agouro por cima dos ombros até as árvores tamparem sua visão.
Pouco assim notando o olhar de ambos os centauros fissurados no céu, e logo um sorriso surgir em suas faces.
- O Rei está enfim voltando. - Ambos ditaram susurradamente encarando a Marte. - Logo teremos nosso lar de volta.
- Nunca... - disse Hagrid irritado - tentem obter uma resposta direta de um centauro. Vivem contemplando as estrelas. Não estão interessados em nada que esteja mais perto do que a lua, em especifico fissurados em Marte como se fosse possível tal local ser um lar para todas as criaturas.
- E têm muitos deles aqui? - perguntou Hermione.
- Ah, um bom número, não sei exatamente pois a floresta pode ser imensa, mas é ainda mais onde no interior dela é expandido magicamente... Vivem isolados na maior parte do tempo, mas tem a bondade de aparecer quando preciso dar uma palavrinha. São inteligentes, veja bem, os centauros... Sabem das coisas... Só não falam muito.
- Você acha que foi um centauro que ouvimos antes? - Indagou Harry.
- Você achou que era barulho de cascos? Não, se quer saber, aquilo é o que anda matando os unicórnios. Nunca ouvi nada parecido antes.
E continuaram a caminhar pela floresta densa e escura. Hermione não parava de espiar, nervosa, por cima do ombro. Tinha a sensação ruim de que alguém os observava. Estava contente que tivessem Hagrid e seu arco com eles junto a Harry e sua katana. Acabavam de passar uma curva na trilha quando Hermione agarrou o braço de Hagrid.
- Rubeus! Olhe! centelhas vermelhas, os outros estão em apuros! - Apontou a mesma para o céu em que as faíscas subiam e assim desciam.
- Vocês dois esperem aqui! - gritou Hagrid - Fiquem na trilha, volto para apanhá-los!
Eles o ouviram romper o mato numa velocidade absurda para alguém grande como ele, e ficaram parados se entreolhando, muito assustados, até não conseguirem ouvir mais nada a volta exceto o farfalhar das árvores.
- Você acha que eles estão machucados? - sussurrou Hermione.
- Espero que não... É culpa minha que Neville esteja aqui.
- Não foi sua culpa, Harry... - Hermione explicou abraçando um dos braços dele em busca de proteção.
Os minutos se arrastaram. Seus ouvidos pareciam mais aguçados do que o normal. Harry parecia estar registrando cada suspiro do vento, cada graveto que quebrava. O que estava acontecendo? Onde estavam os outros?
Finalmente, um grande barulho de galho partido anunciou a volta de Hagrid. Malfoy, Neville e Canino o acompanhavam.
Hagrid vinha danado da vida. Malfoy, ao que parecia, agarrara Neville por trás para lhe dar um susto, Neville se assustara e mandara o sinal.
- Teremos sorte se apanharmos alguma coisa agora, com a barulheira que vocês aprontaram. Muito bem, vamos trocar os grupos: Neville, você e Hermione ficam comigo, Harry, você com o Canino e esse idiota. Sinto muito - acrescentou Hagrid para Harry num cochicho - mas vai ser difícil ele assustar você e precisamos acabar o nosso serviço.
Então Harry entrou pelo coração da floresta com Malfoy e Canino. Andaram quase meia hora, embrenhando-se cada vez mais, até que a trilha se tornou impraticável pois as árvores cresciam demasiado juntas. Havia salpicos nas raízes de uma árvore, como se o pobre bicho tivesse se debatido de dor por ali.
Harry viu uma clareira adiante, através dos galhos emaranhados de um velho carvalho.
- Olhe... - murmurou, erguendo o braço para deter Malfoy. - Alguma coisa muito branca brilhava no chão. Eles se aproximaram aos poucos.
Era o unicórnio, sim, e estava morto. Harry nunca vira nada tão bonito, nem tão triste. As pernas longas e finas estavam esticadas em ângulos estranhos onde ele caíra e sua crina espalhava-se nacarada sobre as folhas escuras.
Harry dera um passo à frente, mas um som de algo que deslizava o fez congelar onde estava. Uma moita na orla da clareira estremeceu... Então, do meio das sombras saiu um vulto encapuzado que se arrastava de gatas pelo chão como uma fera à caça. Harry, Malfoy e Canino ficaram paralisados. O vulto encapuzado aproximou-se do unicórnio, abaixou a cabeça sobre ferimento no flanco do animal e começou a beber o seu sangue feito um vampiro brutal.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! - Malfoy soltou um grito terrível e fugiu, seguido por Canino. A figura encapuzada ergueu a cabeça e olhou diretamente para Harry. O sangue do unicórnio escorrendo pelo peito. Ficou de pé e avançou rápido para Harry.
Então uma dor, como ele nunca sentira antes, varou sua testa, como se a sua cicatriz estivesse em chamas, como se algo quisesse sair a força e voar contra a entidade maldita ali na floreta, ele forçou sua perna direita atrás para forçar equilíbrio, e com a katana sendo desembainhada, um corte horizontal foi feito.
Era notável que ferira a criatura que avançara em Harry, pois ela recuara com muito, mas muito sangue caindo na terra e um grito estridente. Ouviu cascos as suas costas, galopando, e aí alguma coisa saltou por cima dele, e atacou o vulto.
A dor na cabeça de Harry foi tão forte que ele caiu de joelhos.
Levou uns dois minutos para passar. Quando ergueu os olhos, o vulto desaparecera. Um centauro avultava-se sobre ele, mas não era Ronan nem Agouro, este parecia mais novo, tinha cabelos louros prateados.
- Você está bem? - perguntou o centauro, ajudando Harry a se levantar.
- Estou, obrigado... eu acho que o cortei... o que foi aquilo?
O centauro não respondeu. Tinha espantosos olhos azuis, como safiras muito claras. Mirou Harry com atenção, demorando o olhar na cicatriz que se sobressaia, lívida, em sua testa. E principalmente parecia estudar algo ainda mais oculto, assim dando um mínimo sorriso.
- Você é o menino Potter. É melhor voltar para a companhia de Hagrid. A floresta não é segura há estas horas, principalmente para você. Sabe montar? Será mais rápido. Meu nome é Firenze. - acrescentou ao dobrar as patas dianteiras para Harry poder subir no seu lombo.
Ouviram repentinamente o ruído de galopes vindo do outro lado da clareira. Ronan e Agouro irromperam do meio das árvores, os flancos arfantes e suados.
- Firenze! - Agouro trovejou. - O que é que você está fazendo? Está carregando um humano! Não tem vergonha? Você é uma mula?
- Você sabe quem ele é? - retrucou Firenze - É o menino Potter. Quanto mais rápido ele sair da floresta, melhor.
- O que é que você andou contando a ele? - rosnou Agouro. - Lembre-se, Firenze, juramos nunca nos indispor com os céus. Você não leu o que vai acontecer nos movimentos dos planetas?
Ronan pateou o chão, nervoso.
- Tenho certeza de que Firenze achou que estava fazendo o melhor. - falou Harry em um tom sombrio onde via o sangue pingar de sua lâmina.
Agouro escoiceou com raiva:
- Fazendo o melhor! O que tem isso a ver conosco? Os centauros se preocupam com o que foi previsto! Não é nossa função ficar correndo por aí como jumentos recolhendo humanos perdidos na nossa floresta!
Firenze de repente empinou-se nas patas traseiras com raiva, de modo que Harry teve de se agarrar nos seus ombros para não cair.
- Você não viu o unicórnio! - Firenze berrou para Agouro. - Você não percebe por que foi morto? Ou será que os planetas não lhe contaram esse segredo? Tomei posição contra o que está rondando a floresta, Agouro, tomei, sim, ao lado dos humanos se for preciso.
Harry que se lembrara do unicórnio ali, rapidamente pulara de cima de Firenze e se ajoelhara diante da linda e pura criatura pois seus ouvidos aguçados realmente captaram algo fraco, mas algo presente.
Ele tocara no sangue que jorrava de uma mordida em seu pescoço, o sangue estava quente... e Harry teve uma mínima impressão de pulsação, igual a de quando cuidara de um cavalo machucado do zoológico.
O trio de centauros encaravam a ele com curiosidade, e Harry mal notara, mas sentia que devia fazer algo.
Seu braço queimava como na noite em que fizera "aquilo" com Rita Skeeter, e também a manhã quente que tivera com outras duas, porém diferente daquela vez, algo dentro de si o fazia sentir raiva, ódio, e amargura pela brutalidade contra um animal tão belo.
E com isso, Harry enfim puxou com a mão esquerda, a Varinha do Destino ligada por magia em seu braço.
- Vulnerar Sanentur... - A voz de Harry era agora calma, sua varinha brilhava como se uma magia avermelhada condensada, se espalhava pela mão e braço que a empunhava.
- Vulnerar Sanentur... - Harry continuará a ditar onde sentia o ritmo acelerado do coração da criatura que até instantes atrás se encontrava parado.
- Vulnerar Sanentur... - Dessa vez o sangue da criatura espalhado por todo o local, visara retornar a seu ponto de origem, era prateado, e a criatura parecia convulsionar sob carinho do Potter que parecia acalma-la.
- Vulnerar Sanentur... - Ditando pela quarta vez, Harry sentiu um grande peso sair de suas costas. Era como se permanecer sem usar a varinha do destino fosse algo negativo, e quando a usava, todos os males e negativismo iam em bora com uma carga extremamente poderosa de magia.
- Vulnerar Sanentur Máxima. - Sendo por fim agora a última conjuração de magia... Harry enfim pode ver a ferida grave da criatura, ser convertida numa cicatrização com pelos crescendo na região do pescoço dela.
Ela estava respirando descompassadamente, e Harry acariciava suas orelhas de forma calma que a mantivesse parada.
- Está tudo bem... Não tem mais perigo. - Harry disse com a criatura olhando para sua katana, na qual vira o sangue pingando da besta que a atacara e tentara atacar a Harry.
Harry que se levantara, imediatamente ajudou o unicórnio a não cair com a fraqueza eminente sobre ela.
A soltando calmamente, ela realizara uma espécie de reverencia com a nuca a mostra ao Potter, isso Harry rapidamente entendera que era um sinal de agradecimento e confiança onde enfim ela saíra de lá rapidamente.
Ronan e Agouro encaravam a Harry estranhamente e Firenze virou-se depressa para partir, com Harry subindo nele agarrando-se o melhor que podia para não cair, eles mergulharam entre as árvores, deixando Ronan e Agouro para trás.
Harry não fazia a menor ideia do que estava acontecendo.
- Por que Agouro está tão zangado? - perguntou. - O que era aquela coisa que cortei de que você me livrou?
Firenze abrandou a marcha, alertou Harry para manter a cabeça abaixada a fim de evitar os galhos baixos, mas não respondeu à pergunta. Continuaram por entre as árvores em silêncio por tanto tempo que Harry achou que Firenze não queria mais falar com ele.
Estavam passando por um trecho particularmente denso da floresta, quando Firenze parou de repente.
- Harry Potter, você sabe para que se usa o sangue de unicórnio?
- Não... - disse Harry surpreendido pela estranha pergunta. - Só usamos o chifre e a cauda na aula de Poções. - Ele continuou olhando para sua mão que detinha de sangue prateado do unicórnio escorrendo.
- Porque é uma coisa monstruosa matar um unicórnio. Só alguém que não tem nada a perder e tudo a ganhar cometeria um crime desses. O sangue do unicórnio mantém a pessoa viva, mesmo quando ela está à beira da morte, mas a um preço terrível. Ela matou algo tão puro e indefeso para se salvar e só terá uma semivida, uma vida amaldiçoada, do momento que o sangue lhe tocar os lábios.
- Mas quem estaria tão desesperado? - pensou em voz alta - Se a pessoa vai ser amaldiçoada para sempre, é preferível morrer, não é?
- É. - concordou Firenze - A não ser que ela precise se manter viva o tempo suficiente para beber outra coisa, algo que vai lhe devolver a força e o poder totais, algo que significa que jamais poderá morrer. Sr. Potter, o senhor sabe o que é que está escondido na sua escola neste momento?
- A Pedra Filosofal! É claro, o elixir da vida! Mas não percebo quem... - Harry dizia para só assim ser interrompido.
- Não consegue pensar em ninguém que tenha esperado muitos anos para retomar o poder, que se apegou à vida, esperando uma chance?
Foi como se uma mão de ferro de repente apertasse o coração de Harry. Acima do farfalhar das árvores, ele parecia ouvir mais uma vez o que Hagrid lhe contara na noite que se conheceram:
"Uns dizem que ele morreu. Bobagem, na minha opinião. Não sei se ele ainda teria bastante humanidade para morrer."
- Você está dizendo... - Harry falou rouco - Que o responsável por matar os meus pais, a criatura que me atacou, e que eu consegui ferir essa noite... Era o Vol..
- Harry! Harry, você está bem? - Hermione vinha correndo desesperada ao encontro deles pela trilha, Hagrid a acompanhava arfando.
- Estou bem... - disse Harry, sem nem saber o que estava dizendo. - Mas diga, Firenze... O unicórnio que eu curei... Voldemort não irá atrás dele como agora a pouco, ou vai? - Harry indagou para susto de todos ali, que não acreditavam no que ouvia.
- Felizmente não... agora que você feriu o lorde das trevas, ele se encontrará ainda mais fraco do que já é desde sua queda década atrás, o sangue em sua ferida que foi causado por sua lâmina, agora está predominado por toda a floresta e todos irão rastreá-lo... Não há uma criatura que não o tentaria ataca-lo... e Agouro e Ronan estarão escoltando o unicórnio... Não a com o que se preocupar. - Firenze explicava a tudo enquanto baixava o olhar para o Potter. - Você ressuscitou um unicórnio que já estava morto, Sr. Potter... Se orgulhe disso, pois a varinha que conjurou tal, é algo tão poderoso que nem mesmo o conhecimento de uma legião de centauros poderia compreender. - Ele continuou com Harry rapidamente a guardando em seu braço direito, onde se situava o cordão magico que a mantinha presa.
- E é aqui que eu o deixo. - Murmurou Firenze vendo o guarda-caça sorrir a ele. - Está seguro agora.
- Boa sorte, Harry Potter. - disse Firenze. - Os planetas já foram mal interpretados antes, até mesmo pelos centauros. Espero que seja o que está ocorrendo agora. Você é a mudança que todos esperavam... o eleito e responsável por manter a esperança tanto do mundo bruxo, quanto do mundo No-Maj. - Virou-se e entrou a trote pela floresta, deixando para trás um Harry cheio de tremores com tais palavras e responsabilidades.
Ninguém ali sabia ao que dizer, viam nas mãos de Harry o sangue prateado de Unicórnio, e na lâmina dele sangue de alguma criatura.
Mal sabia ao que fazia, porém Harry puxara dois frascos que sempre carregava no blazer, no primeiro permitiu o sangue de unicórnio escorrer de sua mão ao frasco com uma magia fraca.
O mesmo fizera com sua lâmina, na qual detinha de mais sangue que enchera meio frasco.
- Harry... que história é essa de Você-Sabe-Quem? - Hagrid indagou com estranheza e descrença.
- Voldemort atacou a mim e ao Malfoy antes dele sumir... Eu o cortei... então acho que pode ser importante guardar o sangue dele, certo? - Harry indagou por fim fechando os fracos com magia e embainhando sua lâmina.
Cada um dali mostrava desconforto para com esse nome, e mal sabiam ao que debater. Nisso enfim eles terminaram suas tarefas na floresta desde que Hagrid afirmou que iria estar a par de como Harry salvou um unicórnio.
[ ... ]
Ron adormecera no salão comunal às escuras, esperando os amigos voltarem. Gritou alguma coisa sobre faltas no Quadribol, quando Hermione o sacudiu com força para acordá-lo. Em questão de segundos, porém, seus olhos se arregalaram quando Harry começou entrar no seu estado de raciocínio murmurante, onde permanecia murmurando a tudo que aconteceu tentando em si buscar uma resposta logica.
Harry nem conseguia se sentar. Andava para cima e para baixo na frente da lareira. Continuava a tremer.
Quirrel quer a pedra para Voldemort... E todo esse tempo pensavam que Snape era quem queria isso. Porém é Quirrel quem sempre fala sozinho, quem sempre parece estar recebendo ordens e principalmente sendo torturado...
- Pare de repetir esse nome! - disse Ron num sussurro de terror como se Voldemort pudesse ouvi-los.
Harry nem o escutou:
- Firenze me salvou no mesmo momento que o cortei, mas não devia ter feito isso. Agouro ficou furioso... Falou de interferência naquilo que os planetas anunciaram que ia acontecer. Eles devem estar indicando que Voldemort vai voltar. Agouro acha que Firenze devia ter deixado Voldemort me matar por alguma razão distinta. Imagino que isso também esteja escrito nas estrelas.
- Quer parar de dizer esse nome! - sibilou Ron.
Hermione parecia muito assustada, mas teve uma palavra de consolo:
- Harry, todo mundo diz que Dumbledore é a única pessoa de quem Você-Sabe-Quem já teve medo. Com Dumbledore por perto Você-Sabe-Quem não vai tocar em você. Em todo o caso, quem disse que os centauros têm razão? Isso está me parecendo adivinhação, e a Professora Minerva diz que adivinhar o futuro é um ramo muito inexato da magia.
O céu havia clareado antes de terminarem de conversar. Foram se deitar exaustos, com as gargantas ardendo. Mas as surpresas da noite não tinham terminado.
Quando Harry chegou na primeira aula do dia, descobrira que Quirrel pedira licença por ter se ferido noite passada... Isso só assustou ainda mais a Harry pois dava mais provas de que era verdadeiramente o professor a qual ele esfaqueou. Com seus pensamentos somente ligando a uma coisa:
O que Quirrel escondia no turbante, era nada mais nada menos que a face de Voldemort. E segundo os livros que vinha checando, de alguma forma o professor estava possuído por uma forte magia obscura, ou até uma derivação da legilimência.
Por isso quando cortara a criatura que o atacara noite passada, ela parecia andar com os pés virados para trás, feito a criatura brasileira, curupira.
Se estivesse certo, era Voldemort a todo momento, seja quando as aulas começaram, no jogo de Quadribol, quando nas festas os gêmeos Weasleys tacaram bolas de neve enfeitiçadas na nuca do professor, e até mesmo na noite passada.
Sempre foi Voldemort, não tinham como impedir sua invasão, pois ele já estava infiltrado, e agora ninguém sabia sobre sua localização.
A mente de Harry girava a mil, que pouco ligara quando Grifinória recebeu cento e cinquenta pontos devido ao Potter usar de um feitiço de cura extremamente avançado em um unicórnio na floresta proibida, e de extra cento e cinquenta pontos as outras três casas.
Não os colocavam na frente, mas já fazia a todos esquecerem dos problemas, e visarem teorizar sobre como um primeiranista curaria um unicórnio gravemente ferido.
Sendo Harry o único ocupado nos livros, em especifico o que se situava a sua mão:
"A Arte do Controle e Defesa Mental, e Suas Derivações."
E com isso dou fim a mais um capítulo da Changed Prophecy.
Espero que estejam gostando do raciocínio de Harry, de como a Varinha do Destino atua quando Harry não a usa, como atua quando ele a usa.
Como uma magia de curar feridas graves, vem a causar um efeito extremamente alto ao ser utilizada por tal varinha.
Pois convenhamos, é a Varinha do Destino e mãe da Varinha das Varinhas.
Feita com lagrimas da própria morte. Mostrei também que Harry não tem uma katana só de enfeite, ele sabe a usar muito bem, só ainda não teve a oportunidade de mostrar suas habilidades mestres na arte marcial e no Kenjtusu.
Esse lance de legilimência e oclumência também será levemente importante.
Agora peço: Mandem ideias de defesas mentais para o Harry.
Estou precisando de defesas simples para um primeiranista que nunca se aprofundou nessa área, porém, também uma defesa mental complexa ao raciocínio dos bruxos, de preferência coisas relacionadas ao No-Maj, pois bruxos tem conhecimentos ínfimos da tecnologia e coisas que rondam os No-Maj.
Assim o valor da defesa de Harry não será o poder imposto, mas sim a complexidade de como tudo é oculto.
Enfim, espero mesmo que estejam gostando, e não se esqueçam de comentar suas ideias para defesa mental, estarei aguardando na seção de comentários.
