Haviam se passado três dias, e Hinata carecia de andar, de sair dali de alguma forma. Ficar presa e restrita a forçava ficar apenas pensando, pensando, e ponderando cada coisa que poderia ter feito diferente naquela missão, o que salvaria a vida de Ayato? O que teria poupado a carreira ninja de Hajiki?

Se ao menos tivesse suas agulhas e linha ali, ela poderia ocupar o tempo e a mente com tricô tentando aprofundar sua concentração, mas nem isso, no fundo sentia vergonha de simplesmente pedir a Naruto que a trouxesse tais itens ainda vendo a expressão cansada no rosto do loiro, esse já vinha a cuidando sempre, trazia comida e preocupava-se com sua recuperação, não queria ser motivo de peso para ele. Fora que tinha receio de soar ingrata aqueles que se feriram e morreram sobre sua liderança ao soar negligente tricotando, só parecia desrespeitoso se pedisse.

Naquele momento, o jinchuuriki de Konoha, entrou no quarto que estava com a porta aberta e viu Hinata sentada em uma cadeira diante da janela completamente em silencio e distraída. Ele notou que mesmo ele que costumava ser barulhento não chamou a atenção da Hyuuga, fora o olhar perdido fixo em algo qualquer através do vidro.

Estava claro que Hinata estava apática e deprimida. Ele viu aquele rosto exatamente assim quando a guerra acabou, ele a viu no cemitério frente ao tumulo de Neji por diversas ocasiões, ele viu...

Aquele sentimento era tão transparente através dela. Talvez Naruto não entendesse como tinha facilidade de entende-la, mas não de compreende-la verdadeiramente e por isso nunca tenha de fato compreendido os sentimentos da ninja.

Mas aquela emoção que ela deixava marcada em si era algo pesado que ele conhecia bem: culpa.

Mas não deveria se sentir assim, ela fizera o seu melhor e definitivamente aquela missão que não tinha expectativas reais, excedeu o proposito tudo graças a liderança dela.

Trazendo consigo um Bentō, ele se aproximou da mesa que havia ali e colocou a comida, tendo assim visão finalmente da janela. Lá em baixo estava uma loucura, a cidade preparava-se para um festival pelo dia da cura.

Irônico...

Ainda era cedo naquele dia, e o loiro havia conversado com Chu quanto a recuperação da Hyuuga. Estavam cientes que poderiam partir no dia seguinte, ainda assim, seria uma jornada fora de condições ideais e que levaria bons dias a mais que o previsto.

Ele fez um barulho mais alto entrando no campo de visão dela, que pareceu ter se despertado finalmente.

—N-Naruto-kun... A... A quanto tempo está aí? – corou-se sutilmente.

—Acabei de chegar – ele sorriu – trouxe um dejejum para você.

Ela esboçou um sorriso sem muito brilho.

—Gomen... Acho que não tenho fome. – Desviou para o chão.

—Hinata... – ela voltou a olha-lo com a expressão de seriedade pouco comum estampada na face - sabe que precisa de forças, e... Partimos ao amanhecer de amanhã.

—H-hai – concordou ela e desviou o olhar de volta a vidraça. Aquilo o perturbou.

Tão deprimida e apática que o incomodava em larga escala. O que fazer nessas horas? Por kami, ele não era bom com essas coisas, afinal, ele cresceu sozinho e quando se sentia assim, ele apenas buscava seu refúgio; até mesmo chegara a fazer clones diversas vezes para lidar consigo mesmo, mas algo o dizia que Hinata não era assim, então o que fazer?

Divagou naquele pensamento buscando uma solução e aquilo fora levando e levando e quando menos se deu conta, se lembrou de Neji morrendo em seus braços, não que a lembrança fosse boa, era dolorosa, mas importante, porque o fazia lembrar de seus elos, de seus amigos, mas ela também o lembrou de algo muito importante, algo que ele por um momento havia deixado de lado, mas não deixou de ser importante.

"A Hinata-sama pretendia morrer por você Naruto." Nos momentos seguintes uma promessa indireta que o Uzumaki fizera de cuidar da pequena Hyuuga. Aquele parecia um bom momento para tal.

Mas a pergunta ainda permanecia: o que fazer?

Os olhos desviaram novamente para a janela que ela olhava sem ao menos enxergar de verdade o que se passava.

O festival, seu baka! – a voz de Kurama ressoara alta e imponente em sua mente.

—Claro! – disse alto demais atraindo a atenção da kunoichi que se assustou com o ninja.

Ele virou-se totalmente para ela, e carregando aquele sorriso aberto e expressivo dele, o ninja jogou de uma vez:

— Hinata-chan, o que acha de irmos ao festival que vai acontecer essa noite aqui na vila, você e eu?

Os olhos dela arregalaram-se e foi impossível a face não ruborizar drasticamente e ela ver-se tímida demais. Mentiria se dissesse que seu coração não havia disparado em seu peito quase alcançando a garganta.

O loiro entendendo como aquilo fora forte demais ao ver a face de espanto dela, adiantou-se para corrigir o mal entendido.

—N-não como um encontro, nem nada do tipo – nervoso levou a mão a nuca sorrindo meio sem jeito – quer dizer, você é uma garota legal e tudo mais, mas nem em um milhão de anos eu teria um encontro contigo, e... – Ele viu os olhos dela abrirem-se mais e desviar logo depois. Bateu na própria testa – não Hinata, quer dizer, não é pessoal, você com certeza é uma garota bonita e algum cara algum dia vai te... Chamar pra um... Se sabe... Encontro, e... – Kurama me ajuda, Dattebayo! Ele suplicou

Te vira, herói... – zombou a raposa de forma ardilosa fechando os olhos e repousando novamente a cabeça sobre as enormes patas dianteiras.

—Então... – pigarreou ainda mais nervoso sem notar que os olhos perolados tinham um brilho marejado – iriamos completamente como amigos, colegas de time, sabe? Só... Amanhã vamos embora, seria um tipo de despedida desse lugar e desse país.

Ela não se dera conta de como estava magoada até sentir. Que tipo de garota ela era na visão do Uzumaki? Alias... Ela não era, pelo visto, nem uma garota na visão dele.

Nem em um milhão de anos...

Sorriu tristemente negando os próprios pensamentos diante de uma rejeição, mesmo que ele não o soubesse. Imagina a vergonha que seria confessar seus sentimentos e ouvi-lo dizer aquilo: nem em um milhão de anos...

Mordeu o lábio inferior, e esboçou um sorriso melhor.

—Não acho uma boa ideia, Naruto-kun.

—Porque? – pergunto ele surpreso com a recusa, coisa que aliás não era mais tão comum em sua vida, ainda mais se tratando de garotas. Corou levemente, parecia um desesperado, ele deveria se sentir aliviado com a recusa dela? Porque certamente ela não poderia dizer que ele não tentou, e muito menos atrapalha-lo em uma noite que ele poderia farrear naquela vila, mas simplesmente aquela recusa dela indiretamente feriu o seu ego de alguma forma. Insistiu: – Quer dizer, tem alguma razão?

Bom... Ter tinha, mas como o dizer?

Ela negou, e depois completou:

—E-eu nem ao menos tenho um kimono ou algo assim.

Ele sorriu aliviado, ela não o deu um fora necessariamente, era mais uma daquelas coisas de mulheres e suas vaidades fúteis.

Descontraído, disse:

—Ah, mas isso não é bem um problema. Somos ninjas, nem precisamos dessas bobagens.

Ela desviou o olhar dele ainda mais melancólico. Ainda perguntando-se: que tipo de imagem o Uzumaki tinha de si?

— Então coma tudo, Hinata-chan, são ordens medicas e não reclame. – Ele encaminhou-se ligeiro para a porta sem dar qualquer chance de outra fala dela, mesmo que essa não parecesse que o iria fazer. Fitou por um curto instante a garota encarando sem vida a janela – Jaa ne! – despediu-se saindo.

...

Ele estava dentro de uma daquelas lojas de yukatas e kimonos, olhando todos eles. Tudo parecia bom, mas pensando, Hinata era herdeira de um clã estrutural de Konoha que tinha imenso prestigio, além de ser atualmente o mais poderoso. Certamente ela deveria ser acostumada com luxo, com peças caras e sob encomenda.

O loiro franziu o cenho unindo as sobrancelhas. Será que ela se ofenderia com algo mais simples? Afinal, era apenas um festival simples em um lugar perdido qualquer. Naruto divagou longamente enquanto dava passos incertos vendo que nada nunca era bom o bastante e quando o era, era ridiculamente caro demais.

O que fazer... O que fazer...

Sem perceber, estava frente a uma simples barraca de venda da qual tinha uma mulher e uma menina vendendo as peças manuais e completamente artesanais. Os olhos azuis encararam aquela yukata roxa em degradê de lilás e imediatamente sentiu-se como se transportado a um sonho, talvez o tivera a alguns dias atrás e ele tinha quase certeza que fora com Sakura-chan mesmo sem conseguir ver os traços da garota... Os passos correndo rápido e a vestimenta esvoaçando ao vento.

Os lábios uniram-se e um bico pensativo fora formado.

Bom, Hinata usava bastante aquela cor.

Naruto despertou com a garotinha puxando-lhe as calças e então seu olhar desceu de encontro a ela que corou envergonhada, mas cheia de coragem disse:

—Ojinsan, compra uma Yukata da minha kaasan. São... Bonitas!

Ele sorriu olhando para a pequena. Ela lembrava muito um certo alguém...

Ele deu um passo à frente sendo imediatamente arrastando por ela, e pode olhar melhor a peça que chamou sua atenção. O yukata contava com várias flores em tons de branco e rosa suave por todo o tecido, e era acompanhado de uma obi rosa clarinho. Era uma peça de fato bem bonita, talvez Hinata gostasse. A peça parecia feita em um bom tecido.

Levou a mão na boca e pigarreou, havia um olhar superior, não de arrogância, apenas de alguém que barganhava e pechinchava sempre.

—é... Até que é bonito – disse ele gesticulando com uma das mãos.

—Perdoe, Mika-chan, ela é muito ansiosa – disse a mulher curvando-se – ela precisa sempre ajudar, a faz se sentir bem.

Ele gesticulou um tudo bem e percebeu que a tal garota não tirava os olhos dele, parecia irritantemente pressiona-lo a comprar. Então focou-se na mulher, que tinha um sorriso simpático, novamente.

—Quanto está essa peça?

—Ah, ela é muito bonita e delicada, você tem bom gosto. É para uma namorada?

Ele corou-se.

—N-não é uma namorada, é uma amiga. 'Tebbayo! – Resmungou coçando o queixo, que pergunta idiota. Poderia perguntar se era pra sua mãe, embora ele odiaria simplesmente dizer: oh não, ela está morta. Oras... Era uma amiga, que ideia estupida, Hinata sua namorada? Não mesmo! Aliás, de preferência namorada nenhuma. Se Sakura-chan não o queria, ele ficava feliz solteiro como estava, tal como Kakashi-sensei, muito bem obrigada.

—Essa peça está custando apenas oitocentos ryō disse ela com um sorrisinho e Naruto quase saltou.

Teria um mini infarto.

—Oitocentos ryō? Isso é muito caro, dattebayo! É feito de que? De...

—Seda! – ela respondeu ainda com um sorriso simpático – seda é cara, muito cara. Leve o vestido, é muito bonito e leve. Ela irá apaixonar-se.

—E eu falir né? – resmungou olhando da peça para a mulher que tinha o sorriso ainda no rosto, olhou para a garotinha que cruzou os bracinhos o encarando ainda com o mesmo olhar de: compre!

—é uma peça artesanal, é única como vê! Ela vai gostar! - Insistiu a mulher.

—Compra o yukata, ojisan! – disse a garotinha firme.

—Eu não posso comprar algo que custa quase um terço do meu salário semanal assim, garotinha!

—Ojinsan é pão duro!

—Eu não sou pão-duro, dattebayo!

E lá estava ele brigando com uma garotinha atraindo olhares.

— Pense em um investimento, para deixar sua acompanhante ainda mais bonita e faze-la sentir especial.

—Isso é tão traiçoeiro! – resmungou o Uzumaki a contra gosto. – Oitocentos ryō. Eu salvo a porcaria do mundo ninja e o que eu recebo? Uma conta de oitocentos ryō!

—Espere, é o herói do país do fogo? – perguntou a mulher e logo os olhos da garotinha arregalaram-se olhando para o loiro a sua frente que tinha uma face mal-humorada agora.

—Herói do país do fogo – ele fez um som com a boca enquanto pegava gama-chan, a sua carteira. Resmungava coisas inaudíveis e só parou quando ouviu a palavra certa.

—Nesse caso tem um desconto especial!

—Desconto? – ele sorriu malicioso.

—Sim, desconto. Por ter salvo todos. Setecentos e cinquenta ryō – ela completou.

—E um broche de cabelo – disse a garotinha erguendo a peça nas mãozinhas pequenas.

A cabeça de Naruto baixou de uma vez e ele bufou audivelmente irritado.

—Míseros cinquenta ryō! – talvez na base do ódio ele separava as notas as contando – embrulha essa porcaria de yukata pra presente.

—Claro! Pacote especial!

Hinata tinha muita sorte mesmo dele só gostar dela. Talvez a prezava tanto porque tal como Shikamaru ou Sakura, ela fazia parte do legado dos onze de Konoha, A sua geração de amigos e valiosos companheiros. E claro, teve aquela vez que ela o salvou na guerra e...

Era melhor não pensar, o fazia se sentir ainda mais pão-duro.

...

Ela dobrou cuidadosamente a última peça, uma capa fina simples com capuz, e a ajeitou em sua bolsa a fechando. As mãos em um ato nervoso passaram sobre os próprios braços como se buscasse se aquecer embora não fizesse frio, estava apenas nervosa. Ela pegou sua bolsa de suporte e conferia suas ferramentas ninjas de reposição e estava tão focada ali que nada ao seu redor era reparado. Ainda divagava sobre a missão, e logicamente sobre os acontecimentos daquela manhã. Havia um tom de ironia naquilo tudo, ela ter atravessado o país do fogo, do vento e da terra para no fim ouvi-lo dizer aquilo: nem em um milhão de anos. Ou um dia um cara te chame pra sair...

Baaka! – resmungou ela zangada apertando um pacote de gazes.

Ele chegou ali topando a porta ainda aberta, a fitou de costas movendo-se lentamente como se arrumasse algo; ele viu no canto a bolsa dela arrumada e com isso caminhou cômodo a dentro. Trazia consigo um novo Bentō, e junto uma sacola maior.

Por um momento apenas olhou-a de costas, nunca havia prestado atenção naquela roupa que ela usava em missão, fora que era tão diferente da que ele a achou vestida naquele dia no campo de batalha, naquele dia aquela era uma roupa mais tática, mas aquela que ela vestia? Era tão... Reveladora, estranho, nunca tinha percebido isso.

Reparou que ela tão apertada no corpo dela, alias, Hinata havia de fato se tornado uma mulher muito bonita de corpo e rosto, mas aquelas vestes não eram nada discretas, quer dizer... Ela estava tão... Exposta para... Qualquer apreciar...

Sem perceber ele engolia a saliva acumulada ao notar seu olhar fixo na traseira levemente empinada e redonda.

"maldito pervertido!" Ele ralhou consigo mesmo e pigarreou chamando a atenção dela, o que foi péssimo, porque de frente pode perceber como ela tinha mais volume ainda, tão diferente de Sakura-chan...

—Trouxe o almoço – disse ao desviar o olhar sentindo que deveria esfriar a cabeça e colocar seus pensamentos nada sutis no lugar. Afinal, aquela era a Hinata Hyuuga, e não aquelas garotas da qual ele estava tão acostumado a lidar.

Os olhos perolados dela recaíram sobre o arrumadinho que ele depositou sobre a mesa e com isso sorriu. Não havia motivos para somente sentir raiva dele, ele fora sincero, aliás, sempre era, não é? E o que mais a fazia sentir-se zangada consigo, era em momentos como aqueles o seu coração não a dar trégua, e bombear e bombear frenético quase como se gritasse o nome dele. Ou em como seus sentidos capturavam a presença dele como mais cedo pela manhã, ou agora sentindo a fragrância picante e cítrica que apenas ele tinha.

Mais o que fazer?

Para ela, era apenas dar tempo ao tempo e entender que seus sentimentos jamais serão capazes de alcança-lo.

Doce e meiga, ela deslizou mechas dos cabelos pela orelha e disse:

—Obrigada, é muito gentil sempre, Naruto-kun – o tom era tão suave e delicado e isso não passou batido pelo Uzumaki.

Definitivamente Hinata não era o seu tipo de garota, aquela da qual ele apenas se divertia sem querer um amanhã. Ela merecia mais que isso, não que ele só cogitasse, afinal ele era burro, não cego, ela era uma mulher linda e que cara não se excitaria com uma garota como ela? Mas esse era o problema...

Nervoso, ele levou a mão a nuca e sorriu disfarçando seus pensamentos nada puros com a herdeira Hyuuga.

—Ah, que isso! Não é nada. Dattebayo! – Ele virou um pouco de lado para não a encarar, tinha a impressão que os olhos perolados seriam capazes de desvendar toda a sua falta de pudor e lascívia quanto ao corpo dela, e isso o mataria de vergonha perante a garota – já arrumou tudo?

Nervosa, ela enlaçou os dedos e virou-se também em direção a sua bolsa.

—é... Saímos... Cedo.

—Hm... É...

Silencio... Grande e constrangedor ...

Ele sorriu audivelmente e virou-se, sobre uma cadeira no canto ele deixou a sacola que tinha o embrulho dentro e sem explicar muita coisa disse já ao ponto de sair:

—Te encontro então as seis na porta principal.

Ela abriu a boca para responde-lo e dizer que absolutamente não sairia, que usaria do tempo para descansar para a volta, e que ele poderia buscar suas diversões aquela noite sem se preocupar com ela, e estava tudo bem, no entanto, o loiro se foi ao ponto que ela ficou lá, parada como uma idiota e com a boca meio aberta e o coração aos saltos.

Mordeu o lábio inferior sutilmente e caminhou até a embalagem e a cada passo o coração batia mais rápido até leva-lo a cama e abrir o embrulho bonito e se deparar com o lindo yukata de seda.

Os lábios tremeram e ela sentiu os olhos arderem um pouco marejados pelo gesto adorável dele. Ela segurou a peça inteiriça a admirando, um trabalho muito delicado e notoriamente artesanal como os kimonos que ela geralmente encomendava em Konoha, e embora não fosse a seda mais cara e luxuosa – porque mesmo que ela não se importasse, ela o sabia reconhecer – ainda assim era um tecido muito bom e de bom toque e suavidade.

Pelas customizações e bordados ela tinha certeza: não havia sido uma peça barata.

Sorriu e secou os olhos rapidamente com as costas da mão.

—As seis então...

(...)

Ela ajeitou o Obi o alinhando perfeitamente após o laço. Os cabelos estavam tradicionalmente presos firmemente em um coque perfeito com o par de kanzashis de madeira polida e detalhes em dourado. Hinata olhou sobre a mesinha a última peça, um broche de cabelo delicado que lembrava um pentinho, pronto para ser encaixado ao penteado, e fora exatamente isso que ela fez, o encaixou na base do coque o ornamentando e finalmente olhou-se no espelho pequeno que conseguiu ali. Estava um pouco mais pálida que o normal, mas os lábios estavam ainda um pouco rosados, infelizmente ali não tinha o luxo de maquiagens.

Hinata apreciou por um instante o caimento da peça em si, e de fato, constatando o bom gosto do seu amado. Era delicado, leve e bonito. Uma peça que verdadeiramente a encantou, tanto pela aparência quanto pelo gesto afável por ele praticado. Uma boa recordação no meio daquele mar de acontecimentos ruins.

Ela esfregou as mãos mais um pouco notando-se mais nervosa que o normal, e puxando o folego e repetiu a si novamente:

—Calma Hinata, é apenas uma saída entre amigos. Apenas divirta-se.

Divirta-se...

Ayato morrera, ela quase morreu, a carreira de Hajiki estava por um fio...

Divirta-se...

Não... A coisa deveria ser: distraia-se, porque era somente isso que ela conseguiria, felizmente ao lado de uma companhia que ela tinha grande carinho.

Mesmo diante das verdades amargas.

Ela pegou sua pequena bolsinha que tinha um cordão trançado levemente comprido e o enrolou no pulso de forma que parecia a mesma um ornamento junto ao yukata. Virou-se saindo do quarto fechando a porta atrás de si pensando que voltaria o mais breve possível, apenas para não causar uma desfeita a Naruto.

Ela caminhou lentamente como se de alguma forma arrastasse um peso consigo, e fora quando o vento fresco do lado de fora tocou sua face que ela se deu conta a quanto tempo não sentia aquilo. Seus olhos perolados não precisavam despontar sua linhagem para ver que a vila parecia outra. Havia enfeites pendurados, lanterna, luzes... Era possível ver o movimento alegre e familiar por todos os lados.

Sim... Ela conseguiria se distrair, principalmente sentindo tantos cheiros bons vindo das barraquinhas de comida, com sorte provaria bons doces. Estava tão fascinada com as cores e a vida diante de si que mal notara a aproximação de um ninja cabeça oca atrás de si.

Naruto usava uma das suas calças de moletom preta com detalhes laranja nas laterais, uma camiseta branca comum e por cima uma jaqueta laranja com detalhes pretos. Estava à vontade e no seu estilo, nunca fora de se importar realmente com essas bobagens. Quando ele saiu de encontro a Hyuuga, ele já se imaginava muito atrasado, e quando chegou a portaria do pensionato ela estava parada ali de costas e a primeira coisa que ele pensou quando a viu, foi que a droga da vendedora tinha razão, era uma peça mesmo muito bonita, dureza era admitir que valia a porcaria de setecentos e cinquenta ryō.

Sorriu satisfeito consigo, havia acertado em cheio.

Cheio de si e pronto para divertir a kunoichi, mesmo que a vontade fosse de curtir a noitada na vila solteiro como era, ele a chamou:

—Hinata-Chan! Desculpa a... – A sua voz morreu quando a garota se virou de frente e sorriu, as bochechas tingiram-se de rosado e os olhos dele dançaram por todo o corpo dela o deixando petrificado, e sem querer a boca falou antes mesmo da mente conseguir refutar:

—Kami, como seus peitos são grandes! – mesmo que tal fala tenha sido falada em um tom ridiculamente baixo como de quem pensa alto, para o azar dele a Hyuuga ouviu e corou-se até o ultimo fio de cabelo desviando o olhar completamente constrangida. Não é como se ela simplesmente gostasse de ter seios grandes, e também não era como se ela pudesse só se livrar deles.

Aquele olhar dele sobre ela a envergonhara, somado aquela frase tão... Sem noção? Embora como ela sabia, ele as vezes corria risco de morrer de sincericidio.

Constrangida, ela tentou desperta-lo:

—N-Na...Naruto-kun.

Os lábios dele que tinham se aberto em um exagerado "o" voltaram a fechar-se, os olhos arregalaram-se ao se dar conta do que havia dito, aliás, no que havia pensado. Como descreveria aquela garota naquele instante?

Bem... Como uma ninfa saída dos contos de Jiraya.

Putz, isso não ajudava sua sanidade, principalmente ao pensar no teor dos livros, pior ainda imaginar a herdeira Hyuuga dentro deles. A face constrangida dela era nítida.

"tá assustando ela, idiota!" Pensou consigo mesmo em desespero "faz alguma coisa, diz alguma coisa, peça desculpas, finja demência, qualquer coisa, 'ttebayo!"

—É... É... Me desculpe, o que eu quis dizer é que não tem como não notar seus seios desse jeito – os lábios dela abriram ainda mais e ele deu um tapa na própria testa – NÃO! Não é isso. O yukata deixou você bem bonita, quer dizer, não que você não é bonita nem nada do tipo, só que você tá aí arrumada e as pessoas vão olhar e...

Ele coçou a cabeça nervosamente enquanto irritava-se com Kurama a plenas gargalhadas de si.

—A-acho m-melhor a gente ir indo – disse ela olhando completamente constrangida para o chão.

—Hinata, ouça – ele insistiu e ela mesmo contra tudo que gritava pra não o fazer, ergueu o olhar para ele – o que eu queria dizer é que... Ficou linda em você... A... Roupa, yukata. Ficou perfeita.

Ela sentiu o coração acelerar, o corpo aquecer ligeiramente e os lábios suavemente curvarem-se em um pequeno e delicado sorriso que se mesclava as bochechas vermelhas. Os olhos azuis safiras encararam a garota e pela primeira vez notara como os cabelos dela eram tão escuros que tinha o brilho azulado na luz certa, ou em como os olhos dela eram verdadeiramente bonitos, como ela tinha um rostinho tão perfeito e bonito em seus contornos que não precisava de qualquer artificio. Hinata chamaria a atenção com sua beleza mesmo que cobrisse dos pés à cabeça, mas além de ter a beleza externa, ela ia além, dotada de uma compaixão única, era empática, gentil, doce e sempre disposta a ser útil.

É... Qualquer cara que casar-se com ela, seria mesmo um sortudo. Ela era definitivamente uma boa garota, seria uma ótima esposa e ele tinha ainda mais certeza que ela se afastava cada vez mais da sua lista, simplesmente porque mesmo que não buscasse por isso, ele simplesmente sabia que ela era do tipo boa demais para si.