A música estava por todos os lados, por cada rua, beco ou viela. Havia uma grande movimentação publica àquela altura, e não foi difícil para o casal de amigos notar que havia uma concentração turística na vila. Buscando distrair a garota, Naruto tentava ser agradável e amistoso, mas tinha que admitir que era bem idiota, pelo simples fato de que não era um cara acostumado a estar com uma garota apenas por estar, aliás, sendo honesto consigo, ele nunca em sua vida ao menos teve um encontro com uma. Até porque, todo envolvimento consigo envolvia coisas pervertidas e uma cama no final da noite e aquele não era o caso. Ou estava relacionado a missão ou a vila e só.
Hinata estava visivelmente desconfortável, e ambos estavam tensos. Ele não fazia ideia de como agir e ela muito menos sabia o que falar sem ser chata, não que ela achasse que era, apenas não tinha confiança o bastante de que se escolhesse um assunto aleatório, que não fosse o mundo shinobi, Naruto acharia uma conversa agradável.
Com as mãos no bolso, Naruto caminhava ao lado dela e ocasionalmente a olhava de soslaio enquanto torcia um bico pensativo. Talvez se fosse Sakura-chan ali, da qual ele já conhecia os gostos, teriam assunto e ela possivelmente já o estaria acertando por conta de algo estupido que ele falara, e movido com esse pensamento ele acabou sorrindo suavemente e logo depois balançou a cabeça espantando tais coisas.
Os olhos azuis notaram então os olhos dela levemente direcionados a barraquinhas de comida, bom, era uma ótima forma de quebrar o silencio tímido da garota, certo?
—O que acha de a gente provar algumas dessas coisas? Parecem boas! – disse ele levando uma das mãos a nuca sorrindo ansioso e nervoso.
Ela o olhou e sorriu suavemente concordando, mas ainda calada e corada. Afinal, ele a deixava nervosa mesmo que indiretamente.
"porque ela se cora tanto?" Ele se perguntou agora reparando. Seria ela tão tímida assim mesmo? Como lidar com uma garota assim se ele mal ouvira a voz dela?
Aproximaram-se de uma das barraquinhas, e lá havia uma porção de takoyaki recém fritos que certamente encheram a boca de Naruto. A melhor parte de festivais eram as comidas de rua, podia se achar de tudo.
Mas se por um lado ele salivava com a guloseima salgada, do outro lado, grandes olhos perolados viravam em direção ao carrinho ao lado quando seu pequeno e arrebitado nariz capturou um cheiro característico de uma das especiarias que ela mais amava: canela. Os olhos lunares brilharam diante do grande mostruário de doces. Naruto, já pedia uma porção de takoyaki e ela imaginou que não havia mal em ver que doces eram aqueles enquanto ele acertava seu pedido. Ela, com certa suavidade afastou-se a barraquinha do lado a fim de ver o que era feito com canela ali.
De esgueira, o loiro apenas a observava em silencio enquanto seus bolinhos eram colocados em uma caixinha de viagem. Via as mãos delicadas apontando doces, e como os lábios dela moviam-se com o tom de voz baixo, suave, e todo recatado. Hinata era uma garota aristocrata e isso era notado em cada gesto seu. Ele viu os lábios abrindo-se pequenos, os olhos arregalados toda a vez que ela fazia uma careta pequena em expressão de surpresa, ou em como ela sorria encantada... Ou como os olhos dela fecharam-se enquanto a face expressava a mais profunda satisfação apenas por estar comendo algo.
Espera? Porque ele estava reparando e constatando tais coisas na Hyuuga?
Seus olhos azuis arregalaram-se chocados consigo mesmo, e diante disso ele voltou a assumir uma postura indiferente. Recebeu sua caixa de bolinho e viu ela com uma caixa um pouco grande, mas certamente cheia de doces.
Será que ela o gostava tanto assim?
—Gosta mesmo de doces! – comentou ele de forma divertida, bom, achou um bom estopim para quebrar aquele gelo. E pareceu que havia funcionado, porque ela sorriu.
—S-sim... Eu... Gosto de doces.
—Com todos esses aí? Nem reparei – disse ele com certa graça e ela sorriu mais abertamente – me diz o que tem de bom aí.
Ela, sentindo as coisas lentamente perderem aquele clima e tensão intenso, parou e virou-se para o loiro abrindo a caixa revelando um espetáculo de cores diante dos olhos azuis.
—Tem wagashi, daifuku, manju...
—E esse aqui? – ele atraiu-se por um com uma cobertura de chocolate e a viu corar-se.
—É... Um doce diferente... É a base de... Chocolate e farinha.
—Tem cara de ser bom! – disse ele pegando um e levando a boca sentindo o toque de canela junto da massa recheada. Na sua concepção era doce demais, mas a olhou pegando do mesmo e comendo, e percebeu que era o mesmo doce que a fizera ter a expressão de satisfeita e feliz anteriormente. – Parece gostar bastante.
Ela abaixou o olhar um pouco envergonhada e assentiu.
—O meu favorito é enroladinho de canela, esse aqui é chamado de pão-de-mel, é diferente.
Ele sorriu um sorriso aberto que mostrava seus dentes brancos.
—Gosta de canela, que inusitado!
—Um pouco...
Eles voltaram a caminhar enquanto os doces eram ofertados a ele que a ofereceu um dos takoyakis.
Definitivamente o clima estava mais leve...
As pequenas risadinhas tímidas dela começaram a ganhar espaço, bem como pequenas conversas à medida que percorriam o festival. Hinata aproximou-se de uma barraquinha de arranjos lembrando-se de uma certa loira de Konoha, ver espécimes diferentes das encontradas no país do fogo certamente a tentava a levar algo, mas sabia que as delicadas plantas não resistiriam a longa e árdua viagem de volta. Naruto, por sua vez estava focado em uma barraquinha que vendia algo que muito lhe chamou a atenção: bebidas regionais. Cheiros diferences, cores diferentes e tudo muito tentador. Olhou vendo Hinata um pouco mais adiante entretida com flores, percebera como mulheres eram sempre atraídas para aquelas coisas estupidas, sempre os mesmos padrões e suas grandes expectativas de romance.
Romance era problema.
E uma mulher que buscava romance era um problema em dobro! Veja bem, relacionamentos eram coisas complicadas, exigia preocupação, cuidado, gastos, pois sim, teria que ter encontros, e presentes e...
Toda a baboseira que se enquadrava.
Já um encontro casual ou apenas curtição não envolvia nada daquelas coisas e ainda terminava sempre no auge da satisfação, do gozo, e sem a necessidade de se importar com sentimentos estrupidos que sempre ferravam tudo. Era só olhar para ele, que, apaixonado pela colega de time, tinha de se contentar em vê-la amar o teme idiota que mal parava na vila ou ligava mesmo para ela.
Mas se ela o desse apenas uma chance, uma pequenininha que fosse, tudo mudaria, tudo seria diferente, por ela, ele seria capaz de dizer adeus a farras e noitadas e até pensar em casamento e todas as bobagens que garotas gostavam.
—Sakura-chan idiota! – rosnou inconformado e virou um pequeno gole da bebida amarronzada sentindo o ardor percorrer o seu corpo. Não era tão ruim, lembrava de longe o saque tradicional só que mais amadeirado.
Do outro lado da rua, Hinata curvou-se levemente buscando o perfume de um raro lírio negro que ela via com fascínio, e fora nesse momento que teve sua atenção tirada.
—Se me permite, senhorita – ela levantou-se e viu um homem muito bem vestido com um kimono de fino acabamento da qual ela imediatamente reconhecera como pertencente a alguma família mais aristocrata.
Os olhos perolados piscaram lentamente com ela ligeiramente confusa, mas deu atenção ao homem que tinha cabelos castanhos e olhos esverdeados, bem como pele branca e feições até bonitas.
—Embora sejam realmente fascinantes os negros, acredito que – os olhos dele desviaram-se dos dela por um instante vasculhando a tenda, então focaram-se em um espécime e a pegou – uma Middlemist Vermelha não apenas contrastaria com sua pele e olhos, mas é quase tão exótica quanto. – Ele concluiu, segurando a flor diante da Hyuuga que abriu os olhos em espanto, afastou os lábios no instante que o rosto se corou absurdamente.
—E-eu... Eu...
—Aceite, bela garota. Me chamo Satsuma. Tohuko Satsuma. – disse e curvou-se para logo em seguida segurar a delicada mão da garota que se sentia bem nervosa e desconfortável com tal situação, não sabendo bem como lidar com ela. – E adoraria acompanha-la no festival.
Hinata ia abrir a boca para falar algo, o responde-lo com toda a sua boa educação para dispensa-lo, mas alguém o fez antes, alguém nem um pouco educado.
—Mas não vai rolar, franguinho. Ela já está muito bem acompanhada. Pode ir embora já, xô! – gesticulou com as mãos espantando.
—N-naruto-kun! – ainda mais corada e constrangida, Hinata se espantou com o jeito do loiro, que sem perceber, havia segurado em seus ombros e a puxado mais para si.
O homem, como se esperasse a fala dela e pouco estivesse se importando com a presença – mesmo que bem intimidadora- do loiro ali, tinha um meio sorriso um tanto arrogante e ainda encarava os olhos perolados da Hyuuga. Naruto já com um sorriso misto de malicioso e afrontador, viu o desafio do homem, então falou:
—Fala pra ele, Hinata.
Confiança fluía pelas veias do Uzumaki.
Hinata desviou o olhar um tantinho, e sentindo o coração tão forte no peito, achava que poderia desmaiar se Naruto não a soltasse. Estava perto, muito perto, perto demais e invadindo seu espaço seguro. Ela conseguia sentir o quão rígido era o corpo dele pelos músculos, ou o quão quente a pele era. Indo mais além que isso, ela sentia nitidamente o cheiro cítrico e picante que ele tinha. Sim, ela desviou o olhar para disfarçar o seu próprio constrangimento ou o quanto suas pernas estavam bambas de verdade.
Tolinha, a menina Hyuuga... Uma tola apaixonada.
Os lábios rosados trêmulos e o rosto completamente vermelho bastaram para que Satsuma compreendesse.
—Entendo...
—M-me desculpe Tohuko-san... – a voz não passava de um murmúrio, mas diferente do que pensou, o jovem sorriu e sem ser grosseiro ainda estendeu a flor para ela.
—Aceite, ainda é sua – disse e a pagou, mesmo diante de olhos azuis frios e semicerrados o espreitando.
—É gentil. Obrigada! – murmurou ela, e ouviu um bufar vindo de Naruto, da qual ela não entendeu muito bem, mas assim que o homem partiu, ela sentiu Naruto afrouxar o aperto em seus ombros e a soltar, fora o tempo dela perceber que ele parecia ligeiramente irritado com algo, ela só não fazia ideia de: com o que.
Ele colocou ambas as mãos no bolso e olhou-a de soslaio, ela percebeu que ele se corou ligeiramente, algo que aos olhos da Hyuuga o tornava mais fofo, no entanto, sem tempo de apreciar tal fato, ele começou a andar e depois de três passos, virou-se para ela.
—Anda, Hinata, vamos ver mais coisas! – sorriu o sorriso da qual ela amava. Ele só não sabia que em se tratar dele, ela iria onde quer que fosse... Sempre.
À medida que Hinata o alcançou e os passos lado a lado de ambos seguiram, os olhos de Naruto contemplaram de soslaio ela segurando aquela porcaria de flor, e sem perceber sua língua estalou em irritação. A mente voltou a poucos instantes naquilo.
Estava tão enfadado bebendo e praguejando sem razão, que tirara os olhos daquela Hyuuga miúda apenas uns instantes, e bastou apenas isso para um abrute dos infernos aparecer. Só por aquele pequeno pensamento, Naruto percebera como aquilo o irritara.
Mas não! Não era nada demais, afinal, ele estava irritado por conta do cara, daqueles tipos de cara sem noção e sem respeito por garotas.
Num primeiro momento que ele viu o jovem falando com a Hyuuga, ele pensou em não se meter, talvez fosse um espaço para um romance para ela, e ele poderia curtir o festival sozinho como era acostumado, fora que olhando para o tal diria até que deveria ser do tipo com grana e mais o perfil da Hyuuga. Virou mais uma pequena dose e então voltou a olha-la e sem querer prestou atenção naquela conversinha entre eles, as outras vozes e barulhos pareciam ter desaparecido ao seu redor. Seus olhos focaram no rosto corado e constrangido, nos sinais claros e naqueles galanteios tão idiotas, e algo realmente o incomodou, um incômodo que cresceu e de repente o irritou profundamente. Ela não estava sozinha, estava com ele afinal, não fora ele que se comprometeu a estar com ela? Não era ele que queria faze-la distrair e sorrir? Então porque aquele cara almofadinha intrometido estava bem ali naquele momento, tão...
E porque ela parecia estar gostando ou dando-o trela? Era aquele mesmo, o tipo dela?
Rosnou mais para si mesmo. Ela era sua responsabilidade, era seu dever cuidar dela certo? E a afastar de caras que supostamente poderiam apenas se aproveitar dela também se incluía nesse pacote.
—Está com ciúmes dela, baka! – o som tedioso da raposa ecoo em sua mente.
—Não tô com porcaria de ciúmes. Eu só tenho a obrigação de cuidar dela. Ela é muito boba! Tá na cara.
Ele ouviu a raposa gargalhar e se calar, mas bastou para revirar os olhos, e quando ouviu aquele: "...adoraria acompanha-la no festival." Seu sangue só ferveu e agiu completamente por impulso.
Agora ele observava Hinata ainda segurando aquela porcaria presente, dado por aquele idiota riquinho de merda, e aquilo o irritava profundamente. Mesmo que, nem mesmo ele, se desse conta da razão. Odiava pensar na forma com que ela lidou com ele.
—E-esta zangado? – a voz baixinha dela o despertou, sentiu-se como se invadido e pego em flagrante. Os olhos prateados pareciam naquele momento capaz de ler sua mente e isso o constrangeu um tanto. Será que o Byakugan poderia ver além?
Pigarreou e coçou a cabeça sem jeito rindo forçado.
—Não! – respondeu meio seco.
—N-não parece... A-acho que... Está irritado com algo...
—Escuta Hinata, precisa tomar cuidado com os caras.
—Hm?!
—Caras, tipo aquele cara. Sabe... Você é uma garota bonita e existe muitos caras que querem só se aproveitar de garotas bobas como você, quer dizer, não é que você seja boba, você é ingênua... Inocente, e um prato cheio para esses pervertidos.
Os lábios dela estavam entreabertos e os olhos arregalados em uma expressão de choque que nem mesmo ela sabia como disfarçar ou o que falar exatamente. Não sabia o que pensar de tal. Ele a chamou de boba, ingênua e inocente na mesma frase, e embora ela devesse se sentir ofendida, ela percebera que o tom dele não era ofensivo, mas havia um desejo sincero de cuidado, se ela não o conhecesse pensaria talvez até em ciúmes, felizmente ela o conhecia. Talvez ele apenas tentava cuidar dela mesmo, o que tornava em parte, a fala dele um tanto hilária. Ela não era tão boba e ingênua assim, ela sabia reconhecer um flerte, e também sabia sair de um, afinal, aquela não era a primeira vez, ela era apenas educada e tímida, mas Naruto parecia não entender isso.
Levando a mão solta frente aos lábios ela começou a rir e então quando menos percebeu, gargalhou.
—O que foi? – ele perguntou parando e a olhando.
—Não foi nada! – disse ela ainda tentando parar o riso, o som da gargalhada dela o chamou a atenção e o cativou um tanto, ela tinha uma risada gostosa de ouvir.
—O que foi, pode falar! – disse ele cruzando os braços frente o peito e a olhando com uma sobrancelha arqueada.
—Já disse, não foi nada!
—Tá rindo da minha cara, né sua bakaaaa – o tom zombeteiro e divertido suavizou tudo entre eles, e ela ficou corada, mas feliz.
—D-desculpe... Prometo me cuidar.
—Poderia fechar um dos tenketsu dele, seria bem legal de ver.
Ela sorriu ainda mais.
—Que malvado! – disse ainda rindo e o viu dando de ombros. Os olhos azuis então fitaram algo que realmente o acalmaria: barraquinhas de jogos.
Era fácil somar: ele + jogos+ prêmios = adeus aquela flor estupida.
...
Os risos, as falações e as palminhas... Absolutamente tudo, o desconcentrava naquele momento. Ele não era o ser mais paciente da face da terra, era obvio que não, e ironicamente escolhera pescaria para jogar e agora ele amassava os cabelos loiros com uma das mãos enquanto com a outra segurava a longa vara que ele tentava pegar um daqueles bichinhos que mesmo sendo de plástico moviam-se, dificultando a vida do shinobi. Não que ele não pescasse, ele já o fez muito, mas pra ser sincero já fazia anos que ele não fazia algo assim.
Os olhos safiras desviaram-se do tanque vendo Hinata parada um pouco mais longe de si em grande torcida. Aqueles olhos lunares brilhavam e havia um sorriso bobo e bonito nos lábios dela. Não faria feio de forma alguma! E pensar nisso o fazia olhar pra planta estupida que ela segurava e rosnar.
Voltou a se concentrar, e então finalmente conseguiu pegar uma daquelas coisinhas que se intitulavam de peixe.
—ISSO! – o grito dele de expectativa fizera ela sorrir mais abertamente e ele virou-se para ela segurando a vara com o bichinho falso pendurado – viu isso, Hinata?
Ela balançou a cabeça em consente. Pela primeira vez pra valer naquela noite, ela não pensava em absolutamente nada, só em como sentia-se feliz, e apenas isso. De um jeito simples e direto. Sem guerras, lutas, inseguranças... Ele a fez se sentir completamente á vontade.
O homem da banca se aproximou do loiro e pegou o peixe que tinha uma numeração, e então o mostrou e apontou para a parede de prêmios, algo que quando ele comparou o numero com o item rosnou.
—Isso é muito errado, 'tebbayo! – Hinata ao ver a irritação, marrenta e birrenta, dele, não resistiu a rir mais. – Eu tive um trabalhão!
—É legal! – disse ela fitando o prêmio: um pequeno pingente estilo chaveiro da qual ela achou bem fofo.
—Não é legal! – resmungou o loiro recebendo a peça, sentiu-se ligeiramente frustrado.
—Podemos tentar outra coisa, certo? – ela disse sem perceber que não mais gaguejava.
Ele resmungou algo e olhou para ela, precisamente para a flor e só aí ela percebera que ele se sentia irritado com o item o que a surpreendeu. Nem ao menos abriu a boca, ele de qualquer jeito e meio constrangido ergueu a mão com a peça ganha.
—Fica pra você. Já que... Se sabe – ele resmungou desviando o olhar meio coradinho e coçou a nuca com a outra – você achou legal, né?
Ela o olhou com curiosidade, mas sorrindo, pegou a peça e como se tentasse mesmo o animar, disse:
—Vai ficar perfeito na minha mochila, não acha?
Ele tornou a olhar meio embasbacado, embora disfarçasse muito bem.
—Se você diz... – ele falou sem muita importância levando ambas mãos a nuca começando a caminhar lentamente, mas não se dera conta que estava de alguma forma com o coração um pouquinho mais rápido.
Ela viu aquele jeito dele e observando as costas masculinas e as mesmas manias de sempre, era quase como ver o mesmo garoto de vários anos atrás e aquilo realmente fazia seu coração se aquecer e se dar conta de como seguir em frente e esquecer os seus sentimentos seria uma missão impossível.
Ela guardou a peça presenteada e então passou um pouco de além dele, e ele apenas a observou quando conversava com uma garotinha de no máximo uns cinco anos que estava com a sua mãe. Com uma facilidade absurda, Hinata havia prendido os cabelos da menina em uma trança rápida e encaixado a flor ali.
—P-porque fez isso? Digo... Pensei que tivesse gostado da flor... – Ele resmungou enquanto eles caminhavam novamente.
—Bom... – ela se corou sentindo o coração rápido demais – quando você estava pescando ela havia gostado também da flor, pensei que ficaria bonito nela, e... Pra eu poder brincar, vou precisar estar de mãos livres, certo? – disse ela mostrando as mãos livres para ele e logo depois apontando para a próxima barraquinha, fora ai que ela sentiu as pernas bambearem quando ele abriu aquele sorriso que parecia iluminar tudo ao seu redor.
—Certo! Me mostra o que consegue, Hina-chan!
Ela se aproximou do jogo de alvos. Esse tinha vários deles espalhados, só que as costas de cada alvo havia um código prêmio da qual quem jogava não conseguia ver, era um jogo de pura sorte, mas perfeito para ela. Com um pequeno sorriso peralta, a garota pagou pela ficha e pegou a ponteira para acertar o alvo escolhido, ou no caso da maioria das pessoas que não eram ninjas, tentar o fazer. Em segundos, Hinata tinha seu doujutsu ativado e localizou facilmente seu alvo de acordo com o que queria e justamente por estar com ele ativado, sua mira tornava-se precisa. Um movimento gracioso, porem potente e agora se tinha a ponteira enfincada em um dos alvos mais altos e Naruto de boca aberta ao ver tudo que ela fez.
O homem da barraca mal havia visto ou entendido o que aconteceu, apenas checou o alvo e pegou o prêmio: uma enorme pelúcia de Kurama, item que havia tornando-se muito popular após a grande guerra ninja, muito embora o pais dos vulcões houvesse ficado de fora, pois não eram uma grande nação, os feitos das grandes nações chegaram a vários cantos e era comum turistas quererem itens como aquele.
Hinata recebera o bicho em mãos e tinha um sorriso enorme nos lábios.
—Isso foi trapaça, Hyuuga! – disse Naruto zangado e com um bico.
—Não foi não!
—Claro que foi, dattebayo! – ele exasperou e então baixou o tom – usou o Byakugan.
—Claro que eu usei! – ela disse e sorriu se divertindo com as caras de bocas de Naruto.
—Não acredito que a pura e inocente herdeira Hyuuga trapaceou! Que decepção – ele falava em tom de zombaria e ela corou-se e bateu no ombro dele.
—Já disse que não foi trapaça! Eu usei minhas habilidades, não tenho culpa se não usou as suas – resmungou ela usando logica.
—Trapaceira! – ele resmungou e ela gargalhou, mesmo corada, e então virou-se para o loiro e o empurrou Kurama o fazendo arregalar os olhos e ambos se encararam naqueles segundos.
—P-pra você... – ele viu o rosto dela ficar escarlate e com isso os olhos desviaram, e ele segurou com força a peça.
Voltaram a caminhar.
—Me senti ridículo agora – resmungou ele fazendo um bico, e foi impossível para ela não gargalhar da cara dele.
Ambos eram dois bobos e essa era a verdade.
Continuaram entre algumas provocações dele e as defesas dela, com ele se dando conta que ela não era toda certinha quando achava, e nem tão bobinha, embora houvesse reticencias, mas a companhia dela era bem divertida afinal.
E pensando em diversão...
Eles viram as varias tacinhas coloridas e vidros coloridos por igual. Ela o olhou de soslaio, estava hesitante mesmo o vendo encaminhar-se até a barraca. Ela teria coragem o bastante? Bem, não era como se ela nunca tivesse bebido nada. Havia as comemorações do clã, e também ocasionalmente um encontro das meninas, que contava vez ou outra com a presença da godaime e Shizune, e Tsunade quase nunca deixava elas saírem sem beber ao menos uma pequena dose de saque.
Naruto escolhera duas tacinhas de cores distintas e ofertou uma para Hinata.
—Não se preocupe, eu experimentei antes, quase não tem álcool – garantiu ele.
Ela mordeu o lábio um pouco nervosa e ansiosa.
— kanpai! – disse o loiro
— kanpai
Viraram as tacinhas, e embora ela tenha sentido o leve ardozinho do álcool, esse fora muito pouco, o liquido era bem adocicado.
—É docinho! – disse ela animada e Naruto sorriu pedindo mais.
Os corpos mais quentes, e Hinata muito menos inibida, esse fora o resultado de tantas doses. Agora a garota parecia não ter problemas algum para falar e se expressar mais francamente. Havia um detalhe da qual Naruto notara: Ela ria de suas piadas ruins e idiotas. E não era o sorriso forçado, ou como as garotas quando ele levava para cama ou as que faziam meramente por agrada-lo, ela sorria pra valer, e dado a beleza do sorriso dela, ele realmente se esforçava para vê-la sorrir sempre.
Quando chegaram ao centro exato da cidade, havia uma praça, e no centro dela uma estátua de um homem. Hinata por puro capricho e curiosidade correu até lá, já Naruto vinha mais vagarosamente desviando das pessoas, já que havia ali um grande aglomerado e muita música e agitação. Parecia ser o centro de todo o festival. Quando ele finalmente alcançou Hinata, ele fitou com atenção a estatua que o fazia longinquamente lembrar de algo ou alguém. Talvez tivesse batido a cabeça demais. Viu Hinata lendo concentrada a placa da estatua e questionou o que ela tanto lia ali, deveria ser chato, algo chato de alguém chato.
—Esse é Ashura Otsutsuki. Aqui diz que antigamente tudo aqui pertencia ao país ancestral e ele foi o responsável por salvar essa vila quando trouxe não apenas água a ela, mas livrou o povo da morte certa. "à água cura e traz vida!" Terminou ela lendo.
Naruto piscou algumas vezes digerindo aquilo e então abriu um sorriso enorme com uma energia extrema que assustou Hinata.
—Eu salvei esse lugar! – gabou-se e acabou imitando a pose da estátua enquanto a olhou de esgueira. Nunca havia visto nada do seu ancestral.
Hinata levou as mãos aos lábios e sorriu do jeito crianção dele.
—Pelo visto, salvou sim! – disse ela ao saber da ligação dele com o passado.
—Pena que parece ter defasado – resmungou ele olhando a volta – tudo bem, me deram uma estátua. Sabe o que vai ser ainda melhor?
—Não – ela sorriu negando.
—Quando meu rosto tiver no monte dos Kages... Já consigo até imaginar.
—Nanadaime Hokage – disse ela com um tom baixinho de voz e corou-se quando ele parou e olhou-a.
Ele estranhamente gostou da forma que ela pronunciou o título, o peito encheu-se e o sorriso se alargou. Num gesto impulsivo ele a segurou nos braços e a girou a fazendo gritar pelo susto e com vergonha ela afundou o rosto no peito de Naruto que gargalhava sem se importar se chamava a atenção de quem quer que fosse para si.
Hinata pode aspirar bem de perto o perfume do Uzumaki, toca-lo; e estar tão perto assim a constrangeu ao extremo, seu corpo se arrepiou e ela sentiu que o tempo esquentara. Um suspiro de alivio fluiu de seus lábios quando ele a colocou no chão e seus corpos finalmente afastaram-se.
Levou as mãos no rosto envergonhada, mas gargalhando com vontade. Como ele conseguia ser tão impulsivo? Ela morreria de vergonha, talvez se não tivesse bebido, era certo que talvez desmaiaria pela timidez excessiva.
Dali pra frente a coisa apenas tornou-se mais sem controle entre ambos. Passavam em barraquinhas cruzando comida e bebida, isso entre brincadeiras e ações impulsivas do loiro que não media absolutamente nada, o lado travesso dele estava mais aceso do que nunca, algo que ele percebera depois de um tempo, fazia tempo que não se divertia apenas por se divertir, ainda mais em companhia de uma garota.
Em uma das bancas mais próximas da zona comercial da vila, eles estavam preste a provar uma nova bebida à base awamori e Hinata ainda hesitava, pois além de desconhecido para ambos, o teor alcoólico era mais elevado, mas as palavras de Naruto soavam tão encorajadoras:
—é apenas uma dose, Hina, uma pequena dose. Qual o mal de beber apenas isso?
Ela tinha total controle sobre si agora, certo?
—Kanpai! – brindaram juntos e viraram de uma só vez o liquido que desceu quente, muito quente pela garganta e Hinata torceu a cara em uma careta.
—Horrível! – disse ela enquanto Naruto ria e pedia mais uma dose para o homem – Não!
—Sim!
—N-naru...
—Tenho quase certeza que tem um toque diferente no final – disse ele com firmeza embora de uma forma engraçada.
Ela tinha um sorriso brincando nos lábios, ao mesmo tempo que as bochechas rosadas, e negava veemente.
—O que são duas doses para uma poderosa kunoichi? Hm?
—Você é terrível! – disse ela escondendo o rosto nas mãos e ele então empurrou-a a tacinha novamente.
Ela o olhou com um brilho que aqueles olhos carregavam, da qual Naruto nunca havia reparado pra valer. Com firmeza, ela segurou a tacinha e novamente brindaram e viraram.
—Deu! – disse ela gargalhando nervosa junto com ele.
—Ok, ok..., mas se quiser eu pego uma garrafa pra levar pra Konoha.
—Sem garrafa!
—Que isso? Você pareceu mesmo gostar, Hina-chan – disse ele a ultima parte com os lábios quase colados em seu ouvido e ela sentiu que ia derreter, cada mínimo fio e pelo de seu corpo arrepiou-se.
Já Naruto ao se aproximar da zona do pescoço dela, pode sentir ainda mais intenso o perfume que lembrava claramente um campo de lírios brancos.
Doce, embriagante, delicado... Extremamente feminino...
O alarme perigo acendeu em sua cabeça e ele ficou sério de repente afastando-se ligeiro dela. Coçou a nuca nervosamente disfarçando a constatação recente: ela era linda, ela era cheirosa, quando a apertou sentiu o quanto ela era macia...
Péssima combinação, aliás, uma perfeita combinação, mas na pessoa errada simplesmente porque jamais faria qualquer coisa com ela, pelo bem dela mesma; muito embora sua convicção vinha falhando miseravelmente e beber não ajuda em nada.
Eles andaram mais alguns passos até avistarem uma barraquinha mais simples, mas algo chamou a atenção de Hinata nela, parecia ao mesmo tempo familiar e desconhecido. Uma bela fruta que lembrava um coração humano de cor avermelhada/rosada. Não era muito a onda de Naruto, mas já que estavam ali para experimentar, então que fosse.
—Ei, obaasan, me duas dessas frutas – disse o loiro tomando frente e pagando. Ele ofertou uma para Hinata e assim que eles começaram a comer a velha de sorriso simpático respondeu ao questionamento de Hinata sobre que fruto era aquele.
— ahhh é um fruto muito raro e exótico, nasce apenas nessas terras. Tem efeitos curativos e bastante energia, alias muita energia mesmo. Dizem que o fruto dá apenas em uma noite de lua cheia, tem uma história muito bonita vinculada a origem dela, tem a ver com o amor verdadeiro.
—hm – resmungou Naruto ante a parte que considerava bobagens.
De fato, a fruta era bem gostosa e suculenta, havia um doce que não era intenso e nem fraco.
—Não é tão ruim – resmungou ele, enquanto a velha continuava a falar a tal lenda de amor que ele não ligava muito naquele momento.
— ... Então por isso que ela é altamente afrodisíaca, dizem até hoje que ela tem o poder de unir os amantes.
Já pelo fim da fruta, ouvir aquilo não foi nada esperado, e ambos arregalaram os olhos, mas foi de Naruto que veio a reação mais rápida.
—E você só diz algo assim agora, dattebayo?! – estava zangado, mas a velha não se intimidou nem um milímetro, estava bem acostumada aquelas reações, geração tola.
—Yare, yare... Não chore pelo fruto comido. Não prestou atenção na história, seu baka?
—Quem se importa com a porcaria da história, velhota? – ele berrava como um desesperado.
—Naruto-kun – murmurou Hinata olhando pelos lados nervosa.
—Não mesmo! Quando alguém chegar pra comer essas cosias é a primeira coisa que se diz, é que essa coisa é afrodisíaca!
—Do que tem medo? – provocou a velha – tem uma namorada bem jovem e bonita – disse maliciosa e Hinata desviou o olhar corada.
—Que porcaria tá dizendo, velhota? Ela não é minha namorada, 'ttebayo! - Continuava berrando desesperado, sentia um nó formando-se na garganta.
—Deixa de barulho, você é tão escandaloso criança. Por kami! – ela massageou a têmpora – é o fruto dos amantes, se não há sentimento não há com o que se preocupar, certo?
Naruto parou alguns instante e piscou como se voltasse mais a si, e se acalmasse, mas agora fora Hinata que ficou extremamente nervosa e engoliu em seco, e a velha pareceu ter percebido tal coisa, pois o olhar âmbar refletiu nela e a Hyuuga podia jurar que havia um imenso fundo de malicia.
—V-vem N-Naruto-kun, tá tudo bem. – Ela o puxou pelo braço.
Eles se afastaram do tumulto que eles mesmos criaram.
—A-acho que já deveríamos ir – disse Hinata querendo com todo o seu ser ir para o seu quarto e se trancar, de repente tinha medo de si mesma, de falar o que não devia ou pior, pôr tudo a perder.
Ela, mesmo com seu controle, sentia o calor que crescia em seu corpo e isso era indiscutível, tanto que suas bochechas não deixariam mais de ser rosadas a partir dali.
—Não! Tá divertido – disse Naruto protestando, mas havia um tom ainda nervoso em si por alguma razão, principalmente porque notara sua temperatura corpórea aumentar rapidamente, precisava gastar energia!
Por Kami, sentia alguns pontos seus formigarem.
Riu nervoso e coçou a nuca. Seu fluxo sanguíneo parecia acelerado, bem como seu coração respondia a isso acelerando por igual.
—Quanta bobagem! Não é Hina? – buscou conforto de sua própria dúvida.
—é... – Riu nervosa – são... Só... Bobagens.
—Para turistas, pode apostar, aquela velha trapaceira, fala aquelas coisas...
—Hm...
—Eu nem to sentindo nada. – disse mentindo muito, talvez acreditando que era um lance mental, de tanto dizer que não era, a coisa pararia. – Você tá sentindo?
Ela ofegou rapidamente, sentia o coração quase na boca, mas negou veemente.
—N-nada...
—Hm... Viu só? – ele gargalhou ainda nervoso e a mão na nuca. Olhou de soslaio para Hinata vendo a garota de perfil se atentando pesadamente nos lábios tão rosados e que pareciam tão...mais tão suculentos quanto a porcaria da fruta. Sentiu o acumulo de saliva na boca e engoliu. "merda!" Rosnou consigo mesmo em desespero, por um instante se viu frente a Kurama.
"faz alguma coisa, por favor, Kurama!"
—Patético! Aproveite a noite. – Rosnou a raposa o expulsando de volta.
Ambos num transe de desespero que foi quebrado pelo barulho explosivo dos fogos de artifício no céu. Cores e formas em explosões vivazes...
Notaram que os cinco sentidos estavam no limite. Encararam-se. Hinata batia nervosamente os indicadores um no outro. Naruto ofegou, sem notarem que sozinhos os corpos moviam-se muito, mais muito lentamente de encontro um ao outro.
Então os fogos acabaram e os sons de sinos ecoaram perto, mais perto...
Gritos e cantos, e quando se viram, foram enrolados com um longo pedaço de seda vermelho vivo por um grupo de mulheres usando kimonos vermelhos e branco, enlaçando-os um ao outro sem terem tempo de fugir. O corpo pequeno dela colado ao corpo grande dele. Assustados ou receosos, ambos viraram os rostos em desespero para as mulheres vendo duas delas aproximarem-se, uma com bandeja e outra com sino.
A da bandeja segurou a tacinha e aproximou-a dos lábios de Naruto que arregalou os olhos.
—Sorte e todos os seus sonhos realizados – disse ela a tradição do ato.
Bom, era melhor beber e se livrar logo daquilo, daquela proximidade pra lá de perigosa, estava ficando desesperado e isso em regiões muito, muito perigosas mesmo. Lutava pra manter seu pior lado enjaulado, mas aquela droga de cidade parecia ter um complô contra ele naquele momento.
Abriu os lábios e deixou o liquido escorrer de uma vez só, e só aí notou que faziam o mesmo com Hinata enquanto os sinos eram vibrados.
Desejos? Sonhos?
"Quero ser o próximo Hokage e de quebra me casar com a mulher da minha vida" pensou o loiro com os olhos fechados até que o tecido fora afrouxando e os sons de sinos distanciando e distanciando, e quando ele abriu os olhos novamente tudo que encontrou fora um par de olhos lunares tão intenso e brilhantes como se fossem a lua na terra.
Sentidos a plena, coração rápido e eles nem ao menos se afastaram... Encaravam-se ofegantes e corados...
Perigo
Perigo
Perigo...
Ele se afastou de uma vez.
—Devemos mesmo voltar pra hospedaria.
Ela desviou o olhar e concordou, havia um tom de decepção em si. Embora ela temesse as dimensões daquilo que sentia em si. Queria beija-lo, poderia beija-lo, mas ele não queria beija-la, mesmo que fosse apenas uma droga de beijo e nada além disso...
Naruto já pensava desesperado que estava a um passo, um maldito passo apenas de agarra-la sem pensar na merda das consequências, e ele precisara de toda a sua maldita força de vontade, e foi muita mesmo dado seu atual estado, para se afastar de Hinata, mas a cada nova batida do seu coração, a cada novo passo em frente ele temia que esse controle se esvaísse por completo.
Que tipo de besteira ele faria?
Ele era um perigo para Hinata Hyuuga naquele instante, o pior de todos os perigos que ela já teve, ele era o pior.
Chegaram ao lugar e subiram juntos e em silencio, cada qual em suas divagações complexas e quando Hinata chegou ao corredor do seu quarto, ela virou-se para agradecer a noite e com isso encarou aquele par de olhos azuis, mas eles estavam tão nublados, tão... Excitantes e carregados de uma maldade que fazia seu corpo estremecer, uma maldade da qual ela não conseguia temer, apenas desejar desesperadamente.
—N-Naruto-kun...
—Hinata – ele quase rosnara seu nome, dando um passo em direção a ela que recuou um encostando-se contra a parede.
Ofegante, ela não conseguia simplesmente desviar no olhar dele e então sentiu o toque bruto dele em sua cabeça que simplesmente e subitamente puxou seus kanzashi que prendia seus cabelos e esses perderam a forma do coque e despencaram como uma cascata negra exuberante como o céu noturno. Notou os olhos dele brilharem a encarando e os seus lábios perigosamente perto.
—Naruto-kun – murmurou quase em um fio de voz, seu coração estava tão forte que ela temia que ele fugisse.
Mais perto, até tocarem-se suavemente os lábios, onde eles puderam sentir a energia elétrica percorrer os corpos desencadeado por aquele simplório contato.
Sentidos a flor da pele...
—Hinata... – soprou ele em um murmúrio antes de reivindicar os lábios dela para si.
