Author's Note: Depois de muito tempo, irei expor a vocês mais uma história SasuHina. Para criar essa história, utilizei a música When This Rain Stops da Wendy do girl group de K-POP Red Velvet. Espero que gostem e tenham uma boa leitura leitura. Lembrando que essa história vai ser postada em meus outros perfis do Nyah! Fanfiction e Anime Spirit, portanto não se trata de plágio.
Quando Essa Chuva Parar
(When This Rain Stops)
Iria cair uma chuva daquelas.
Era perceptível esse fato, bastava olhar para o céu que estava tão escuro quanto a noite. Somava-se a isso o fato de que havia esfriado um pouco. Estava vestida com uma calça de moletom na cor preta, uma camisa de mangas e um suéter. Voltei a atenção para o livro que estava apoiado em minhas coxas, mas essa ação não durou muito tempo. Simplesmente não conseguia me concentrar. Meus pensamentos eram levados para apenas um assunto, ou melhor, para uma pessoa específica. Sem fechar o livro, o deixei em cima da cama, virado de cabeça para baixo. Ao me levantar da cama, caminhei alguns passos até a janela. A sensação de tristeza ao observar aquele céu, de alguma forma, se instalava em meu coração. Será que sempre acabará assim? Essa e outras perguntas já haviam me sondado diversas vezes. Algumas gotas começaram a cair, batendo contra os vidros da janela. Em silêncio, vi a chuva desabar sobre minha janela. Levei a mão ao peito, onde estava meu coração. A sensação de tristeza que há pouco sentia se transformou em algo pesado. E foi quando senti algo salgado em meus lábios. Toquei uma de minhas bochechas úmidas. Nem mesmo me dei conta de que havia começado a chorar. E eu não demorei para perceber o motivo para essas lágrimas. Bastava lembrar da última briga que tive com Uchiha Sasuke. E havia sido por um motivo que já discutimos por infinitas vezes. Era cansativo gastar todo o meu repertório com o Uchiha e, para ser sincera, essa batalha eu estava perdendo. Já a guerra, Sasuke acabaria por ganhar. Estava pronta para voltar para minha leitura quando vi algo – ou seria alguém? - se aproximar da minha casa.
Sasuke?
Com os olhos bem abertos devido pelo susto e com as mãos cobrindo a boca, imaginei estar vendo coisas. Só que à medida que aquela silhueta se tornava mais nítida e familiar, logo identifiquei a quem pertencia. Ele só poderia estar fora de si para vir aqui no meio deste temporal. Antes de sair do quarto, procurei por uma sombrinha. Afinal, caso nós dois ficássemos debaixo da chuva, o máximo que nós iríamos conseguir seria uma gripe. Eu sabia que havia guardado a minha sombrinha na mochila que usava para ir à faculdade. Sempre fui do tipo precavida, então poderia fazer o sol que fosse, a sombrinha estava ali para qualquer emergência. Desci as escadas correndo, esquecendo totalmente que estava descalça. Um ponto positivo foi não procurar pela chave, que já estava na fechadura. Destranquei a porta, abrindo a sombrinha ainda na sacada. Corri até o Uchiha a fim de conseguir protegê-lo – ainda que fosse pouco ou quase nada – daquela chuva. Nessa altura, suas roupas já estavam ensopadas, destacando os músculos bem definidos de Sasuke. O cabelo negro – quase sempre bagunçado e arrepiado – estava nas mesmas condições. Parecia inútil, mas coloquei a sombrinha sobre nós. Não pude deixar de compará-lo a um cachorro molhado, o que me fez reprimir uma risada.
Nos encaramos por incontáveis segundos. Eu queria xingá-lo por estar ali naquelas condições, mas não conseguia. Seus olhos pareciam querer me dizer algo, mas sua boca apenas abria e fechava, sem emitir algum som. De nada iria adiantar passar um sermão em Sasuke agora, afinal ele já estava aqui.
- Pelo amor de Deus, Uchiha, você enlouqueceu? – quebrei o silêncio que havia se instalado entre nós. Logo o silêncio que sempre nos foi confortável, parecia simplesmente não mais se encaixar.
- Não, Hyuuga, estou bem. – respondeu.
Eu não gostava quando Sasuke me chamava pelo sobrenome. Essa era a minha mania quando estava com raiva ou chateada com algo que o moreno havia feito. Segurei a ânsia de acertá-lo bem no meio da cara. O que talvez não surtisse muito efeito, já que Sasuke tem mais força física do que eu.
– Precisava falar com você.
- Não dava para esperar?
Seria o mais lógico e sensato. Era o que eu esperava de Sasuke, que não tem a característica de agir por impulso.
- Não dava. – respondeu o Uchiha mais novo com o semblante sério. - Será que podemos entrar ou quer conversar aqui mesmo?
A pergunta de Sasuke me relembrou que ainda estávamos debaixo da chuva. Peguei sua mão fria e o levei para dentro de casa. Alívio foi uma das primeiras coisas que senti por meus pais não estarem em casa naquele final de semana. Há muito tempo que papai não tirava férias, então na primeira oportunidade, mamãe o arrastou para uma pequena viagem. Como eu ficaria sozinha nos próximos dois dias, mamãe havia deixado pronto comida suficiente para o almoço e o jantar. Como eu gostava apenas lanchava antes de dormir, tinha mais do que o suficiente. Só de imaginar entrar com o Uchiha como um cachorro molhado sem mais nem menos me deixou em pânico. Com certeza iriam vir perguntas de todos os lados, como uma metralhadora. Ainda na sala, pedi que Sasuke retirasse os tênis e as meias. Eu deixaria os tênis secando na área de lavandeira e as meias ficariam no varal de teto. Em seguida, o guiei até banheiro para que pudesse se livrar daquelas roupas ensopadas.
- Fique à vontade. Irei apenas buscar uma muda de roupas secas e uma toalha para você.
Com um sinal afirmativo com a cabeça, o vi fechar a posta do banheiro. Tentando esquecer o quanto Sasuke ficava ainda mais bonito molhado daquele jeito, fui até o quarto dos meus pais. A primeira missão consistia em encontrar uma bermuda e uma camisa que servisse no moreno. Abri o lado do guarda-roupa de meu pai. Procurei por roupas mais velhas, mas que ainda estivessem apresentáveis. Quando encontrei as peças que procurava, um suspiro de alívio escapou de meus lábios. Em seguida, fui onde minha mãe guardava as roupas de cama e toalhas. Essa seria uma tarefa mais fácil, pois qualquer toalha bastaria. Com tudo em mãos, voltei ao banheiro. Bati na porta e aguardei uma resposta. Sasuke a porta, revelando além do peitoral desnudo, que ainda vestia a calça jeans ensopada. Depositei tudo que carregava em suas mãos. Foi quando vi sorrir pequeno e seus lábios em minha testa, acompanhado de um "Obrigado, Hina", antes de ver a porta se fechar outra vez.
- Eu vou te esperar na sala. – avisei.
Girei nos calcanhares, fazendo o caminho até a sala. Ao passar pelo corredor, me dei conta de que todas as janelas da casa ainda estavam abertas. Com medo de que a chuva tivesse molhado a casa inteira, fui em todos os cômodos para fechar as janelas. A chuva estava forte, mas não o suficiente para causar estragos. Essa chuva não vai passar tão cedo. Eu tinha tempo de sobra para compreender o que estava acontecendo e por fim as todas as minhas dúvidas. Enquanto Sasuke se trocava, pensei que talvez um café cairia bem. Se iríamos mesmo conversar, seria bom ter algo para nos esquentar. Como se a presença de Sasuke já não fosse o bastante. Ainda me lembrava de nosso primeiro beijo. Como parecia que nossas bocas se encaixavam bem e em total sincronia. Ainda era nítida a cena de Sasuke me convidando para ir ao cinema. Havia sido surpreendida, pois não me lembrava de ver Sasuke com alguma "ficante" ou namorada.
Eu não botava fé em nós dois, mas os convites para sair se tornaram frequentes. Nossos amigos não entendiam o que estava acontecendo, pois não era segredo para ninguém a paixão de Haruno Sakura pelo Uchiha. Eu não entendia o motivo de Sasuke não corresponder aos sentimentos de Sakura. A rosada era muito bonita e seus olhos esmeraldinos se destacavam no rosto redondo. Uma das últimas vezes que saímos, eu cheguei a questionar Sasuke sobre isso. Ele havia me respondido que Sakura não fazia seu estilo. E meu coração se aquecia com essa lembrança. Quando cheguei na cozinha, procurei pela garrafa de café. Após encontrá-la, despejei o café que havia feito mais cedo. Após passar uma água na garrafa, a coloquei ao lado dia pia. Para alcançar o filtro de papel no armário, fiquei na ponta dos pés. Com o filtro em mãos, peguei um, o moldei ao coador e o coloquei em cima da boca da garrafa. Em seguida, coloquei um pouco de água na caneca para ferver. Quase havia me esquecido do pó de café. Dessa vez, eu não conseguiria fugir da escada. A peguei ao lado da geladeira e abri o armário onde estava o pote com o pó de café. Com o pote em mãos, desci os três degraus e voltei para o filtro.
Peguei uma colher na gaveta e coloquei três colheres de pó de café. Enquanto a água esquentava, me encostei na pia. Estava tão distraída que nem mesmo ouvi os passos de Sasuke. Quando olhei para a soleira da porta, o vi parado com as roupas molhadas nas mãos. Me aproximei, pegando as roupas de suas mãos.
- Estou fazendo um café para nós. – anunciei com um sorriso. – Poderia olhar a água enquanto coloco suas roupas para secar?
Sasuke assentiu. E me deu mais um sorriso. E eu me deixei derreter.
Cada um com sua caneca de café, caminhamos até a sala. Nos sentamos no sofá, novamente um de frente para o outro. Minhas pernas estavam dobradas. E eu me perguntei quantas vezes estivemos assim. Será que realmente nos vemos? Coloquei a minha caneca na mesinha de centro e puxei a manta que cobria o pedaço do sofá que eu estava. Cobri nossas pernas, um pouco sem jeito. Enquanto o silêncio se instalava, me peguei lembrando de nossa última briga. Sasuke havia dito mais uma vez que a conduta do Uzumaki não era certa. Eu me aborrecia com esse tópico, pois eu e Sasuke conhecíamos muito bem o Uzumaki. Naruto sempre gostou de demonstrar carinho com seus amigos. Então era comum vê-lo nos abraçando ou até mesmo nos oferecer seu ombro para que pudéssemos chorar. Ao que tudo indicava, quando eu e Sasuke ainda não tínhamos engatado um namoro firme, não havia problemas nos abraços do Naruto. Ou até mesmo quando Naruto segurava minhas mãos para poder me reconfortar quando eu me via diante de algum problema.
Esse ciúme descabido de Sasuke não tinha fundamento. Até mesmo porque nós dois sabemos por quem Naruto sempre foi apaixonado. Isso – os ciúmes - estava nos matando aos poucos. Ainda me perguntava se Sasuke se fazia de idiota ou se realmente não via isso. Voltei a pegar minha caneca na mesinha de centro. Sasuke bebericava seu café, sem tirar os olhos de mim. Seus orbes negros me analisavam, como se quisessem ler meus pensamentos.
- Então, Sasuke-kun. – iniciei. – Você encarou essa chuva porque precisava falar comigo.
- Exatamente, Hina. – concordou o Uchiha. – Estava em casa lembrando de nossa última briga. E isso estava me torturando.
Você não imagina como isso me tortura. Permaneci em silêncio, absorvendo suas palavras. Meneei com a cabeça, incentivando-o a continuar.
- Eu não quero mais brigar com você. – disse. – E estamos fazendo isso há tempo demais.
- Eu entendo. Também não quero mais brigar. – concordei. Assim como Sasuke, também queria por fim àquele fogo cruzado. – Mas vamos botar as coisas em pratos limpos. Você sabe que o motivo das nossas brigas não tem fundamento.
Sasuke bebeu mais um pouco de seu café. O único som que preenchia a sala, além da chuva forte que caia lá fora, eram as nossas vozes.
Eu sei. É com isso que estou tentando lidar. – confessou. – Não tenho por que sentir ciúmes de Naruto. – Sasuke passou a mão no cabelo negro, agora quase seco. – Mas não consigo evitar. Eu nunca amei alguém como amo você, Hina.
Meu coração falhou uma batida. Ainda não havia dito "eu te amo" para Sasuke, mas ele precisava confiar em mim. E porque também não em Naruto. O Uzumaki é amigo de Sasuke há tempo demais para existir desconfianças. Além do mais, Naruto fazia questão de mostrar a Sakura o quanto a amava e queria bem. Bastava ver como seus olhos azuis como o mar brilhavam quando alguém falava na rosada ou como ele se doía quando esse mesmo alguém a ofendia. Dei um último gole em meu café, voltando a caneca para a mesinha de centro. Estiquei as mãos para frente, observando Sasuke fitá-las, procurando entender o que queria com esse gesto.
- Me dê essa caneca, por favor.
Sasuke me entregou sua caneca. A deixei junto da minha na mesinha de centro. Estiquei novamente minhas mãos com as palmas para cima em sua direção. Cauteloso, Sasuke colocou a mão sobre as minhas. Nossas mãos agora estavam juntas como uma concha. Senti seus dedos apertarem levemente os meus.
- Você precisa confiar em mim. – disse como um pedido. – Você é único para mim, Sasuke-kun. Espero que essa tenha sido nossa última briga, caso contrário, não sei se vale a pena continuar nos machucando assim.
Eu precisava ser sincera. Era para nosso bem. Daquele ponto em diante, não havia mais volta. Ou estávamos juntos para valer ou o melhor seria cada um seguir seu caminho. Meu coração sangrava a cada palavra que saia de meus lábios, pois eu sabia da profundidade de meus sentimentos pelo Uchiha. Com certeza não era algo passageiro. Já havíamos passado dessa fase. Eu tentava negar esse fato a todo custo, mas imaginar uma vida sem o Uchiha era impensável. Pude perceber uma certa nuance de surpresa em seus orbes ônix. Talvez Sasuke não estivesse esperando por um check mate. Lembrou-me que uma vez, minha mãe chegou a me dizer: Para tudo existe um limite, até para o amor. Por mais que eu amasse, eu deveria impor um limite.
Sasuke tirou uma de suas mãos das minhas, a levando até minha bochecha direita. Com um sorriso pequeno, repousei aquela região de minha face em sua mão, mas em nenhum momento desfiz nosso contato visual. Era como se o toque de Sasuke me dissesse que estava em casa. Que eu tinha um lar. A palavra "lar" passou a ter um significado diferente. Foi uma sensação de pertencimento.
- Eu não quero sair da sua vida, Hina. – disse. Senti meus olhos marejados pelas lágrimas. Eu com certeza sentia o mesmo. -Vou me esforçar nisso. Eu prometo isso a você.
- Sasuke você deveria ter cuidado com promessas. – esse era um campo perigoso. - Elas não podem ser quebradas – lembrei.
- Essa eu vou fazer questão de manter.
Sim, chega de dor, apenas cumpra a sua palavra... Sasuke aproximou o corpo do meu. Senti seu nariz roçar o meu, o que me fez levantar a face. Logo nossos lábios se tocaram e senti minhas pernas bambearam um pouco. Uma de minhas mãos se embrenharam no cabelo de Sasuke, enquanto a outra permaneceu em sua bochecha. Quando o beijo se tornou mais urgente, senti uma certa pressão em minha nuca. Nossas brigas travavam uma luta violenta por mais espaço, reivindicando aquele território. Apenas nos separamos quando lembramos que era preciso respirar. Depositei alguns selinhos nos lábios de Sasuke. A chuva por sim havia cessado e uma decisão havia sido tomada. Nós iríamos tentar mais uma vez. E daquela vez, daria certo.
