Disclaymer: Essa fic se passa no cenário de The Legend of Zelda Breath of the Wild. Todos seus personagens e locais citados são de propriedade da Nintendo e dos jogadores de uma campanha para Pathfinder 2a edição. Escrita sem fins lucrativos.

Cenário: Breath of the Wild

Série: The Legend of Zelda

Personagens: Lunara, Thundara, Selina, Yori e Lucca.

Sinopse: A história de origem da Monge Gerudo Lunara, a filha da Campeã Gerudo em busca de uma cura para a maldição de sua mãe.

PS.: O título dessa história é baseado na música "Heroes of Sand" da banda Angra.

PS².: Essa história se passa num universo alternativo de Breath of The Wild onde Link não ressurge de seu sono após os 100 anos desde a calamidade. Passaram-se ainda 50 anos após o momento em que Link supostamente deveria ter acordado do Templo da Ressurreição.

HEROES OF SAND

A multidão se aglomerou diante do Palácio da Areia. Era a disputa final do torneio que elegeria a guerreira digna de carregar o título de Campeã Gerudo. As mulheres de Gerudo eram as guerreiras mais ferozes e corajosas de Hyrule e, portanto, apreciadoras de um bom combate. A cidade estava em completa polvorosa com esse duelo final. Afinal, desde os tempos de Lady Urbosa não se via uma guerreira tão capaz quanto Thundara, capitã da guarda Gerudo.

A rainha das Gerudo pessoalmente observaria o duelo entre as duas amigas. Thundara e Kalani eram praticamente iguais em habilidade e força. Elas cresceram juntas, treinaram juntas para a guarda e hoje disputavam o título de Campeã.

"Kalani! Uma campeã nunca pode hesitar. Por isso, lute com tudo!"

"Eu digo o mesmo, Thundara. Venha com toda sua força ou eu a derrotarei."

As duas sorriram e avançaram com suas armas em mãos, desferindo golpes potentes uma na outra. A cimitarra de Thundara fazia a haste de lança tremer com seu impacto. O braço de Kalani tremeu com o impacto do golpe, mas ela chutou o abdome de Thundara, derrubando-a no chão e desferindo um golpe de lança. Thundara aparou a ponta da lança com seu escudo, em seguida, ergueu-se do chão e se lançou contra sua adversária.

As duas trocaram golpes fortes e firmes, com técnica perfeita e magnífica. Era uma demonstração perfeita do ápice do treinamento militar de Gerudo. Thundara desferiu um chute no rosto de Kalani, derrubando-a no chão. Kalani rolou no chão, ajoelhada e com a lança em riste apontada para a amiga.

Thundara ergueu sua cimitarra e, de repente, um relâmpago atingiu a lâmina. Um brilho se espalha pela arena, ofuscando a plateia.

"Eu disse que não me conteria, Kalani!" gritou Thundara. "Você lutou bem, mas o combate acaba aqui!"

A cimitarra desceu sobre Kalani e ela tentou aparar o golpe com a haste de sua lança que foi cortada ao meio com um único golpe limpo. Um relâmpago atingiu Kalani, arremessando-a para trás, jogando-a no chão, completamente derrotada.

As mulheres de Gerudo explodiram em um aplauso e comemorações, não pela derrota de Kalani, mas pelo espetáculo incrível demonstrado pelas duas guerreiras.

"Nunca consegui te derrotar, Thundara. Mas estou feliz pelo nosso combate. Eu dei tudo de mim e posso me retirar desta arena derrotada, mas de cabeça erguida."

"Você lutou de maneira esplêndida, Kalani."

"Mas meus talentos nunca se igualaram aos seus, Thundara. Você conseguiu controlar a força do trovão e do relâmpago assim como nossa antiga líder fez. Eu jamais consegui fazer isso."

"Apenas erga sua espada ao meu lado em batalha e você será pra sempre minha igual." Respondeu Thundara. A campeã deu a mão para a amiga se levantar e a abraçou.

Sobre as casas, sentada no muro, estava uma jovem Gerudo que observava o combate com os olhos cheios de admiração por sua mãe, a vencedora do duelo.

"Sav'otta! Lady Thundara venceu, como esperado. Não é atoa que dizem pelos quatro cantos da cidade que ela é a reencarnação da própria Lady Urbosa." Disse a voz jovial, sussurrando no ouvido da menina. Lunara se virou para o lado para ver um jovem rapaz hylian com longos cabelos vermelhos trançados e trajado em tradicionais vestimentas Gerudo, cobrindo seu rosto com um véu.

"Me assustou, Lucca! Sempre sorrateiro assim! E sempre incauto… Se um dia te pegam, não sei o que fariam..."

"Ora, não me pegarão. A menos que você me delate, Lady Lunara. Mas você não faria isso comigo, faria?"

"Sinceramente, não sei porque não te delatei ainda. Você quebra as leis ancestrais de Gerudo. Eu posso me encrencar por te permitir entrar aqui, sabia?"

"E quais leis são essas especificamente, Lady Lunara?" Ele perguntou mordendo uma maçã e demonstrando que não está nem um pouco preocupado com as leis às quais a jovem Gerudo se refere. "Aceita?"

"Uma maçã?" Lunara pegou a fruta, admirando-a fascinada antes de dar uma bela mordida e ver Lucca pegando outra. "Onde conseguiu? São extremamente raras em Gerudo! Apenas as mulheres ricas comem esta iguaria…"

"Eu sei, mas como deve se lembrar, eu sou um fornecedor de produtos raros da Cidade de Gerudo. Um provedor por assim dizer." Lucca mordeu sua maçã. "Mas voltando ao assunto, quais leis exatamente eu estou infringindo?"

"Muitas. Como contrabando…"

"Uma leve contravenção." Respondeu o rapaz abanando as mãos como se realmente não se tratasse de um grande problema.

"Evasão fiscal…"

"O que são uns rupees a mais ou a menos? A rainha nem vai notar…" Lucca deu de ombros.

"Mas principalmente, a lei que proíbe um voe de adentrar o solo sagrado da Cidade de Gerudo…"

"Ah, essa lei!" Ele respondeu de maneira despojada, fingindo que havia acabado de se lembrar dela. "Eu dificilmente poderia ser condenado por essa lei… afinal, homem ou mulher… não existe diferença para mim… Veja, nunca sequer desconfiaram de mim, até agora…" Ele respondeu se referindo às vestimentas femininas que trajava.

"Talvez não faça diferença para você, Lucca. Mas para a Guarda da Cidade, faz muita diferença!"

"Não se preocupe comigo. Eu posso me cuidar, lady Lunara. Afinal, como as Gerudo poderão gelar suas doses de 'nobre perseguição' sem os meu serviços?"

"Como, de fato, eu imagino…?" Lunara revirou os olhos.

"Agora, sua querida mãe a espera. Vá felicitá-la pela vitória."

Lunara levantou-se e correu pelos aquedutos, saltando sobre as tendas das casas até os braços da mãe.

"Vaha! Você foi incrível!" Lunara olhou para Kalani e ela mal se aguentava de pé, mas obedecendo a determinação de seu orgulho Gerudo, se recusava a admitir. "Você também lutou muito bem, Kalani."

"Obrigada, pequena. Mas eu deveria saber que não existe uma guerreira mais forte em Gerudo que sua mãe."

"Uma verdadeira Campeã de Gerudo." disse a rainha de Gerudo se aproximando, cercada de quatro guerreiras enormes e poderosas. "Parabéns às duas. Lutaram bravamente, demonstrando o orgulho e a força de Gerudo."

"Lady Togisa." elas responderam. As mulheres se ajoelharam diante da Rainha, abaixando suas cabeças.

A Rainha Togisa era vista pelo povo de Gerudo como mais do que uma guerreira ou rainha, mas uma verdadeira general de guerra que travou batalhas fervorosas e defendeu a cidade com uma força inabalável. Togisa, a Estrela da Manhã conquistou o respeito e admiração de todas as mulheres da cidade com seu porte altivo e seu corpo musculoso.

"Erga-se, Lady Thundara. Em nome do povo do deserto, pela força e habilidade que demonstrou como guerreira, eu a nomeio a Campeã de Gerudo!"

Ao ouvir as palavras da Rainha as Gerudo celebraram com felicidade. Thundara ajudou novamente a amiga a se levantar e a ficar de pé, dizendo: "Vamos. A comemoração hoje será na Nobre Cantina. A primeira rodada de 'nobre perseguição' será minha."

"Eu aceitarei sua oferta. Afinal, você me deu uma bela surra e será a comandante das forças de Gerudo. Você poderá pagar bastante drinks, no futuro." Brincou a amiga.

A noite foi cheia de celebração por parte das Gerudo, orgulhosas de sua nova Campeã, bebiam e faziam brindes à força da guerreira e pediam bênção à deusa Din para que Lunara crescesse tão forte quanto a mãe. Lunara nunca teve tanto orgulho de sua mãe.

Alguns anos se passaram e Lunara começava a alcançar a idade adulta. Como era esperado, sua mãe e a melhor amiga Kalani se tornaram responsáveis pelo treinamento dela. A menina já demonstrava uma boa habilidade com armas e com os punhos, absorvendo como uma esponja o conhecimento oferecido pelas duas tutoras.

"Um dia, talvez, você me substitua como campeã, Pequeno Topázio. Precisa treinar bastante e se tornar forte para defender a vida de suas irmãs."

"Mas vaha¹, e se eu não for forte como você? E se eu não conseguir me tornar campeã?"

A mãe olhou para Kalani e de volta para a filha.

"Se isso vier a acontecer, vehvi², você será forte o bastante para lutar ao lado da sua irmã que a superou. Lembre-se, nós as Gerudo sempre lutamos unidas. Mesmo uma campeã não é nada sem as irmãs de armas que lutam ao seu lado."

"Eu vou treinar muito e um dia dominar sua técnica e convocarei o próprio trovão para abater meus inimigos, como você faz, vaha!"

"O espírito de sua mãe você já tem." Disse Kalani rindo alto. "Já é metade do caminho andado. Agora, falta a outra metade. Ficar forte!"

A guerreira apontou o bastão de madeira para a menina, convocando-a a lutar mais uma vez e ambas voltaram ao treinamento. Lunara atacava Kalani enquanto essa gritava instruções como "mais forte", "mais firme" e "de novo".

Thundara observava sua filha com orgulho, treinando com sua melhor amiga. Era inevitável sorrir ao vê-la crescer tão forte e corajosa. De repente, a rainha chegou ao pátio de treinamento da Guarda da Cidade e as guerreiras todas se colocaram de joelhos.

"Lady Thundara." Disse a rainha.

"Sim, Lady Togisa."

"Nesta noite, preciso de você pessoalmente fazendo a guarda do palácio. Quero que selecione suas melhores guerreiras para hoje."

"Algum problema, minha rainha?" Perguntou Thundara.

"Sim. Temos um problema. Mas não falaremos dele aqui. Falaremos dele em privado. Espero você na sala do trono."

"Como desejar, Lady Togisa." As mulheres responderam.

Após a rainha se retirar, Lunara perguntou a mãe: "Do que se trata, vaha?"

"Nada, vehvi. Não se preocupe com isso. Assuntos para adultos." Thundara acariciou o rosto da filha e se dirigiu à amiga. "Kalani, hoje você estará ao meu lado."

A amiga assente.

"Agora, vehvi, vá logo para casa. Nos falaremos pela manhã."

"Sim, vaha." Respondeu a garota tristonha.

Lunara caminha pelas ruas de volta para casa quando ouve a voz de Lucca novamente ao seu lado.

"Sav'saaba, lady Lunara. observei seu treinamento. Preciso dizer que está cada vez melhor."

"Sav'saaba, Lucca."

"Embora, seu humor não condiga com o que vi no pátio hoje. Imaginei que estaria mais feliz sendo treinada pessoalmente por sua mãe, a Lady Thundara em pessoa."

"Estou preocupada. Minha mãe estará de guarda no palácio hoje."

"Eu imaginei que isso seria corriqueiro para a campeã Gerudo e para a Capitã da Guarda da cidade."

"Mas desta vez foi solicitado diretamente pela Rainha."

"Eu imagino que isso não deve ser nada bom. Mas não se preocupe. Sua mãe é a melhor guerreira de Gerudo. Ela ficará bem."

"Assim, espero."

Os dois pararam diante da casa de Lunara e se despediram naquela noite.

"Sav'orr, Lucca. Tome cuidado na volta para a casa de gelo."

"Sav'orr, Lady Lunara."

Naquela noite Lunara teve dificuldade de dormir devido à sensação constante de preocupação para com sua mãe. Ela se levantou da cama e foi até a sacada de seu quarto observar o céu noturno e a lua cheia. A lua iluminava as ruas com seu brilho prateado e o silêncio pairava sobre a cidade, até que Lunara presenciou figuras se movendo pelas sombras e por sobre as casas. Figuras esguias e sorrateiras que se moviam em direção ao Palácio de Areia.

Lunara teve sua atenção desviada, quando uma das figuras atacou uma das guardas pelas costas e a derrubou. Provavelmente morta, pela poça de sangue espalhando-se no chão. A figura envolta em vestes vermelhas e uma máscara branca, exibindo o olho invertido logo voltou para as sombras e desapareceu.

"O clã Yiga!"

Lunara correu para seu quarto, pegou o bastão de treinamento e preocupada com sua mãe, partiu para o Palácio. Havia um peso em seu coração, um mal presságio. Chegando ao Palácio, Lunara presenciou guardas caídas no chão, mortas.

Logo os gritos foram ouvidos dentro do palácio e o barulho de batalhas entre Os Yiga e as Gerudo ecoava pelos salões.

"Uma criança? As Gerudo são tão covardes que enviam uma criança para lutar contra o poder do clã Yiga?"

Lunara se virou para trás para ver um assassino Yiga erguer sua foice malévola prestes a atacá-la quando uma lança atravessava o peito do assassino pelas costas.

"Criança, quem é você? Saia daqui agora! Aqui não é lugar para você!" Gritou a guerreira Gerudo que matou o Yiga.

"Eu não sou uma criança! Sou uma guerreira Gerudo! Vou lutar ao lado da minha vaha!"

"O clã Yiga não é brincadeira, menina! Volte para casa antes que se machuque. Ou pior!"

"Gerudo! Não permitam que um só Yiga escape com vida! Eles devem pagar pelo sacrilégio que cometeram ao invadir o nosso solo sagrado!"

"Protejam a vida de Lady Togisa!"

Os gritos vinham da sala do trono. Lunara correu junto das mulheres da guarda e encontraram a sala do trono escancarada. Havia corpos de Yiga e de Gerudo espalhados pelo chão.

Thundara e Kalani se colocaram à frente da rainha, para protegê-la. Havia um Yiga imenso e musculoso com uma espada katana suja de sangue na mão. Ele pisava sobre o corpo de uma Gerudo morta.

"Kalani. Proteja lady Togisa!" Gritou Thundara quando dois Yiga atacaram a guerreira e foram rapidamente despachados por seus golpes precisos de espada.

"Líder fraca, protegida por guerreiras fracas… que vergonha Gerudo se tornou… Nos tempos antigos, o verdadeiro Rei teria levado Gerudo a colocar este mundo de joelhos!" O Yiga fincou a espada no corpo de outra Gerudo caída no chão, ainda se agarrando aos últimos suspiros.

"Seu Rei sempre foi derrotado e sempre será derrotado, Yiga. Gerudo rejeita o Rei Demônio!" Togisa matou outros dois Yiga que a atacaram, sem esforço.

"É por isso que Gerudo será a primeira a ser banhada em sangue quando o legítimo Rei, Ganondorf, retornar!"

"Jamais!" Gritou Thundara ao atacar o Yiga com sua cimitarra eletrificada. "Gerudo está sob a minha proteção!"

O Yiga atacou a campeã de volta, mas sua espada é estilhaçada, seu corpo é atingido por um relâmpago e devastado pelo golpe da campeã.

"Que dor… deliciosa… Há muito tempo, eu não sentia a dor de um golpe, pois meus inimigos morriam fácil demais!" Disse o Yiga, gargalhando. "Deixe-me retribuir o favor!"

Quando o Yiga se levantou, sua máscara estava partida ao meio, um filete de sangue escorria de sua testa e parte das vestes vermelhas dele estavam rasgadas, mostrando os seios enfaixados por baixo. Mas todas as pessoas da sala podiam ver uma característica inegável por trás das vestes daquele Yiga: Era uma mulher. Uma Gerudo. O tom amendoado da pele e os cabelos ruivos eram inconfundíveis. Era inegável que se tratava de uma Gerudo.

"Traidora!" Rosnou Togisa.

"Vocês são as traidoras! Se voltaram contra o legítimo Rei… Mas o clã Yiga corrigirá isso!"

"Você não viverá para ver o retorno de seu Rei, traidora." Disse Thundara preparando para atacar a inimiga.

Foi então que a assassina pegou um escudo do chão, bloqueou a cimitarra e sacou uma adaga estranha, fincando-a no peito da campeã. A Gerudo cambaleou para trás, segurando a adaga e tentando removê-la, mas sem sucesso. Era como se não tivesse forças para retirá-la. A arma emanava uma aura agourenta e maligna.

"Conseguiu se esquivar no último segundo… Acabei não atingindo o coração." A Yiga riu. "Mas no entanto, sua vida já está condenada. Essa adaga carrega uma maldição. Ela jamais poderá ser arrancada de seu peito!"

"Não! Vaha!" Pela primeira vez Thundara notou a presença da filha no salão do trono.

"Não… Lunara…"

"Uma pirralha Gerudo pra eu matar?" Sorriu a assassina olhando para Lunara com o olhar carregado de ódio.

"Assassina traidora, afaste-se dela!" Kalani partiu brandindo sua espada para atacar a inimiga antes que ela machucasse Lunara, mas ela se esquivou a tempo e o único a sofrer foi o assoalho com o peso da espada.

De repente, três Yiga atacaram Togisa, mas ela matou um imediatamente com um golpe de espada no pescoço, bloqueou o ataque do segundo com seu escudo e desferindo um soco que o cravou contra uma pilastra de mármore e o terceiro passou por ela, roubando o Elmo do Trovão que descansava ao lado do trono. Quando a Rainha se virou para atacar o Yiga ele desapareceu numa nuvem de fumaça, deixando seus amuletos de papel para trás.

"Zala." Disse o Yiga com o Elmo nas mãos, reaparecendo ao lado de sua líder. "Já temos o que viemos buscar. Vamos embora."

"Uma pena… eu queria que minha espada experimentasse o sangue dessa Rainha covarde… Mas terá de esperar outro dia."

"Não vão a lugar algum!" Gritou Thundara erguendo a mão para os Yiga e tentando se mover, mas quase caindo no chão.

"Você tem mais com que se preocupar, campeã." A Yiga cuspiu a palavra com desprezo. "Essa adaga era destinada para Rainha covarde, mas terá de se contentar com você." Em seguida, ela dirigiu seu olhar para a estarrecida Lunara que olhava paralisada para tudo que ocorria. Então, como num passe de mágica, a Yiga desapareceu gargalhando.

"Gerudo! Fechem a cidade! Espalhem-se por todos os cantos! Encontrem estes traidores covardes e recuperem a nossa herança!" A rainha gritava ordens e as guerreiras se espalhavam pelo palácio e pelas ruas da cidade em busca dos assassinos.

Lunara correu até a mãe que mal se aguentava de pé, segurando o cabo da adaga que ainda estava cravada em seu peito. Da ferida, várias veias enegrecidas se alastraram pelo corpo da guerreira e sua pele aos poucos adquiria um tom de cinza.

"Vaha! Aguente firme!"

"Chamem uma curandeira, agora!" Gritou Kalani.

"Eu estou bem, pequeno topázio…" Respondeu Thundara.

"Thundara, você precisa se sentar…"

Thundara acariciou o rosto da amiga, sorrindo de forma serena. Ela se recusava a cair de joelhos ou sequer encurvar. Ela não cederia à covardia dos Yiga.

"Eu preciso que você me prometa… Proteja meu pequeno Topázio em meu lugar, Habibi³…"

"Vaha… Não fale assim! Você vai ficar boa! Vai melhorar!" Lunara gritava aos prantos.

"Pequeno Topázio… Eu sinto muito." A voz dela ficava cada vez mais fraca. A pele ficava cada vez mais acinzentada. "Eu estou tão orgulhosa de você, vehvi. Kalani cuidará de você em meu lugar…"

"Eu juro, Habibi…" Kalani beijou os lábios da campeã, chorando e encostando sua testa à dela.

A Rainha se colocou de frente para Thundara.

"Peço perdão por falhar em meu dever, minha senhora…"

"Você agiu como uma verdadeira campeã de Gerudo, irmã." Respondeu a Rainha com os olhos lacrimejantes. "Você lutou bravamente e com honra."

"Vaha!" Lunara gritou aos prantos enquanto a pele de sua mãe se transformava completamente em pedra.

"Protejam o corpo dela, com todas as honras." Diz a Rainha.

O corpo petrificado de Thundara foi guardado num salão de honra do Palácio de Areia, como uma heroína. Kalani foi nomeada campeã e chefe da guarda no lugar. Os curandeiros chamaram a condição de Thundara de "morte cinza". Uma maldição muito difícil de se remover, quase impossível de se curar.

Meses se passaram e Kalani adotou Lunara. O sorriso gracioso da menina desapareceu desde o infortúnio com Thundara. Treinava com cada vez mais afinco e mais determinação. Mas Kalani não a via mais com um sorriso gracioso no rosto. Os Yiga tomaram isso dela e o coração de Kalani se apertava de vê-la tão triste.

"Vehvi. Já chega de treinar por hoje." Diz Kalani colocando a mão no ombro da menina.

"Eu ainda não sou forte o bastante, vaha."

"Vehvi, vingança não trará sua vaha de volta. Treine para ser forte, para defender sua terra, sua rainha e suas irmãs. Não por vingança."

"Eu entendo, vaha." A menina sabia que as palavras de Kalani eram verdadeiras, mas não conseguia perdoar a assassina que fez aquilo a sua mãe. Principalmente por se tratar de uma Gerudo. Como ela pôde? Como uma Gerudo pôde trair suas irmãs? E por um Rei, o que é pior. As Gerudo não tinham rei. Que Gerudo, em sã consciência seguiria um voe como rei sabendo que ele só traria morte e desgraça?

Kalani abraça a menina e acaricia seus cabelos.

"Vá para casa e vá se banhar. Estarei com você o quanto antes para jantarmos, Vehvi."

A menina assentiu e partiu em seu caminho. Em frente a sua casa, Lunara encontra-se com Lucca. Ele entregou uma sacola de maçãs para ela, que aceitou com um sorriso singelo.

"Sav'aaq, lady Lunara."

"Sav'aaq, Lucca."

"Não tenho visto você ultimamente. Fiquei até preocupado."

"Estou treinando." Respondeu a menina entrando em casa e sendo seguida pelo amigo. "E não precisa se preocupar comigo. Eu estou bem."

"Não, lady Lunara, você não está." Lucca pegou a mão da menina, ferida pelos socos desferidos contra os bonecos de madeira. "Se machucar não vai anestesiar a dor no seu peito."

"Não serei forte se não treinar duro. É só isso."

"Entendo, lady Lunara." Lucca suspira.

"Ficará para o jantar?"

"Eu adoraria. Mas preciso voltar para a casa de gelo. Afinal, você sabe que sou um violador da lei." Ele sorriu. Lunara deu um leve sorriso também, embora tentasse esconder.

Lucca olhou pela mesa, onde havia vários textos e pergaminhos antigos, livros e tomos com anotações espalhadas. Lunara parecia estar estudando livros de história e medicina. Era óbvio que ela não desistiria de tentar salvar sua mãe, não importa o que dissessem.

"Sabe… no meu ramo de trabalho, eu ouço muitas histórias." Disse Lucca folheando um dos livros. "Existe uma história sobre um sábio muito antigo, que viveu por muitas eras e que conhecia muito sobre magia e sobre cura. Ele estudou a fundo a medicina de seu povo e diziam que ele conhecia a cura de muitas doenças."

"E esse sábio ainda está vivo?" Pergunta Lunara, olhando para ele intrigada.

"Algumas pessoas ainda dizem que sim. Algumas pessoas dizem que é só uma lenda. Ninguém pode dizer ao certo…"

"Quem é esse sábio?"

"Dizem que o nome dele é Kalei."

Lunara abraçou o amigo com força e ele retribuiu o gesto, após um momento de hesitação.

"O que foi… isso?"

"Eu já sei o que vou fazer, Lucca. Obrigada."

"Vai perseguir um sonho, lady Lunara?"

"Um sonho é melhor do que nada."

Dias depois, na fronteira do deserto de Gerudo, na entrada do cânion de Gerudo, Lunara se despedia de sua segunda mãe e de seu melhor amigo com um longo e caloroso abraço seguido de lágrimas.

Kalani se ajoelhou diante dela e a entregou um embrulho.

"Você atingiu a maturidade, vehvi. Não posso mantê-la presa. Gerudo é pequeno demais para conter sua coragem, que dirá, sua determinação."

Lunara abriu o embrulho que recebeu de sua segunda mãe e encontrou a cimitarra de Thundara dentro. A visão da arma encheu seus olhos de lágrimas e ela se jogou nos braços de Kalani.

"Eu espero que você encontre o que deseja, vehvi. E volte para nós logo."

"Se precisar entrar em contato comigo, procure este símbolo e deixe uma carta. Ela chegará até nós, Lady Lunara." Lunara recebe um pano com um símbolo vermelho de duas adagas cruzadas.

"E lembre-se… Você tem família também fora de Gerudo. Sua tia mora em uma cidade distante, chamada Tarrey. Eu não faço ideia de onde fica, mas se precisar, não hesite em procurá-la. Tenho certeza de que ela a acolherá." Disse Kalani.

"Obrigada, maha. Lucca."

"Agora, vá, vehvi." Respondeu Kalani.

Sem olhar para trás pela última vez, Lunara adentrou o imenso cânion. Como o sol começava a se pôr, Lunara decidiu passar a noite no Estábulo que ficava na entrada do cânion antes de seguir caminho.

Sua jornada acabou de começar.

Fim…?

Vocabulário Gerudo:

Sa'oten: An exclamation

Sarqso: Thank you

Sav'otta: Good morning

Sav'aaq: Good day

Sav'orq: Goodbye

Sav'orr: Good night

Sav'saaba: Good evening

Vasaaq: Welcome

Vaba: Grandmother

Vai: Woman

Vehvi: Daughter

Voe: Man

Vure: Bird

1:Eu não achei uma palavra em Gerudo para "mãe", achei para "avó" (vaba), então, eu inventei uma parecida: "vaha".

2: Achei duas traduções diferentes. "Filha" e "criança".

3: "Meu amor" em Árabe.