Disclaymer: Essa fic se passa num cenário original. Todos seus personagens e locais citados são de propriedade da Wizards of the Coast e seus criadores. Escrita sem fins lucrativos.

Cenário: Argawen

Série: A perdição de Tormen (One shot)

Personagens: Dromarch, o Salamander

Sinópse: A história de origem do Draconato guerreiro, Dromarch, também conhecido como Salamander.

P.S.: Esse personagem eu criei para uma aventura breve que estamos jogando mestrada pela nossa amiga Dani.

SALAMANDER

Dois dias tentando fugir da cidade, seu batalhão dizimado e seu capitão sangrando profusamente em seus braços. A tentativa de derrotar os demônios que dominaram Tormen fracassou. Seus irmãos cromáticos morreram pelas mãos do rei demônio que devastou aquelas terras.

"Salamander!" seu capitão sussurrou. "É hora de aceitar o inevitável, Salamander…"

Dromarch bufou. Aquele metálico não morreria. Não nas mãos dele. Só precisavam encontrar uma casa vazia e que não estivesse prestes a desabar para que pudesse fazer curativos nele e para que pudessem sair dali vivos.

Dromarch encontrou uma casa quase decente. Ele chutou a porta e arrastou seu capitão cambaleante para dentro. Ajudou-o a sentar-se e barricou a porta. Barricou as janelas.

"Salamander!" sussurrou novamente. "Você tem de me deixar aqui, filho."

"Negativo, capitão. Sairemos daqui juntos. Não posso abandonar o senhor. Ou meus irmãos."

O capitão Darnassus o puxou pela fivela da armadura, puxando-o para perto de si.

"Não consegue ver, filho?" Ele cuspiu sangue. "Você e seus irmãos foram descartados…"

"Disseram que era nossa chance… De entrar em Alicante. De mudar nossas vidas em Dracônia, capitão."

"Eu também achei, filho. Eu achei que os meus irmãos em Dracônia estavam finalmente dispostos a mudar a sociedade… mas não… eu fui ingênuo… séculos de divisão não se desfazem da noite para o dia… Nunca houve chance de sermos bem sucedidos, filho… Seus irmãos cromáticos estão fadados a passar o resto de suas vidas às margens de Dracônia, sem jamais conhecer a Cidade de Mármore de Alicante…"

Dromarch sentiu vergonha pela primeira vez ao pensar que realmente seria aceito na grande capital como um herói.

"Então, foda-se Alicante, Capitão. Não precisamos dela." disse Dromarch fazendo curativos no enorme ferimento do draconato prateado.

"Eu pensei que não fariam isso conosco… comigo, Salamander." Dromarch olhou para ele surpreso. Aquele metálico provou-se completamente diferente de todos os cromáticos que já conheceu. Ele falava diferente. Tratava os metálicos de forma diferente. Com respeito, não como vermes traidores.

-2 meses antes-

"Atenção, vermes!" Gritou o capitão Organas em meio ao pátio de treinamento do quartel. "Vocês foram selecionados a dedo para representar Draconia em uma missão importante!"

Dromarch olhou ao redor e todos ao seu lado eram soldados. Todos cromáticos. Era a maior patente que um cromático seria capaz de alcançar no exército de Draconia. Pelo menos tinham soldo garantido enquanto estivessem vivos e enquanto estivessem aptos a segurar uma espada. Ainda era melhor do que trabalhar em lavouras, nos mercados da periferia ou em minas e construções. Era difícil alimentar famílias em Draconia sendo um cromático. O mais rico dos cromáticos ainda era visto com desdém e jamais lançaria olhares sobre a cidade dentro da montanha, a Cidade de Mármore, Alicante. Jóia de Draconia construída em pedra e rica de ouro e jóias, magia e alquimia, fruto da ancestralidade com Bahamut.

Cromáticos abraçaram Tiamat no passado e com isso, uma guerra explodiu por Draconia. Seduzidos pelas palavras doces de dragões que queriam dominar a ilha, cromáticos pegaram em armas contra metálicos e perderam. Foram expulsos de Alicante e relegados às castas mais baixas da sociedade.

Aquela era a chance de mudarem suas vidas.

"Se vocês forem bem-sucedidos nesta missão, terão seus ranks elevados nas fileiras do exército de Draconia! Serão recebidos como heróis pelo próprio Rei Dragão e receberam honrarias e morada em Alicante!" O capitão fez uma pausa. "Vocês e suas famílias serão perdoados de seus pecados pelo próprio Rei!"

"Eu mesmo os liderarei nesta missão, senhores." Um draconato de escamas prateadas deu um passo à frente. Sua armadura exibia o brasão de Bahamut. "Eu sou Capitão Darnassus."

"Vocês farão parte de uma comitiva que deverá viajar a uma terra distante, ameaçada por demônios. Nós devemos auxiliar as forças humanas a deter a invasão, pois se não for detida, ela poderá ser uma ameaça para a própria Draconia."

Aquilo parecia inacreditável demais. Honrarias, terras e morada em Alicante? Seus amigos cromáticos estavam ansiosos. Mas ainda não confiava naquele capitão à princípio. Mas ele logo conseguiu conquistar a todos com suas palavras gentis. Ele era diferente dos outros metálicos.

"Não posso odiar todos vocês pelos erros de seus ancestrais, posso? É muita gente para se odiar ao mesmo tempo… e já dá trabalho demais odiar uma pessoa, apenas… É mais fácil deixar o passado no passado e seguir em frente, Salamander…"

As palavras ecoavam na mente de Dromarch, trazendo-o para o presente.

"Aliás, filho… qual é o seu nome? Eu acabo de me dar conta de que nunca perguntei seu verdadeiro nome."

"Dromarch, senhor. Meu nome é Dromarch." Salamander era como seus irmãos o chamavam no exército. Pelas escamas vermelhas e o temperamento forte.

O draconato metálico quase sorriu.

"Um bom nome. Um nome forte. Seu pai era orgulhoso para dar um nome assim a você."

"Ele…Era um bom pai, senhor."

"Dromarch… Ouça. Eu não vou a lugar nenhum. Meus ferimentos vão me matar. Mas você ainda pode escapar vivo. Quando eu morrer… A armadura, retire-a de mim. Ela é mágica."

Ele pega mão de Dromarch e entrega-lhe sua espada.

"A espada também. Agora, ouça… Você vai precisar sintonizar a elas. Elas não se dobram a qualquer um. Você precisa provar seu valor e sua determinação, entende?"

"Mas senhor…"

"Cale-se, Dromarch. Você precisará delas para sobreviver… Então, faça o que estou dizendo… Quando eu morrer, sintonize a elas. E fuja daqui…" Em seguida, ele colocou uma caneca de cerveja vazia em sua mão. "Este é um presente meu. Amanhã, quando estiver longe daqui, concentre-se e ela se encherá… beba um trago por mim…"

"Senhor, não vou te abandonar… Minha honra… O Rei Dragão não vai me perdoar se eu fugir como um covarde enquanto meus irmãos morrem…"

"Filho… ao menos uma vez, viva por você. Não por um Rei que não se importa ou por um exército que não te valoriza… A única diferença entre nós é a cor de nossas escamas, não se esqueça disso… Viva por você…"

Foram as últimas palavras de Darnassus antes de morrer nos braços de seu soldado. Dromarch passou a noite se concentrando para sintonizar a armadura e a arma. A lâmina se inflamou ao reconhecer o toque de sua mão no cabo da espada e pela manhã Salamander saiu pela porta, lutando em direção à saída daquela cidade amaldiçoada.

Dromarch cambaleou pelas terras vazias por dias, talvez semanas. Uma vez ao dia, fazia aquela caneca gerar uma poção de cura para que ele matasse a sede e seguisse em frente. Quando voltou a Harad, completamente desesperançoso, teve vergonha de voltar a Draconia como um covarde. A culpa por ter sobrevivido era insuportável. Tornou-se um mercenário para viver e poder beber até o estupor nas tavernas da cidade. O povo ali aprendeu a temê-lo e a simplesmente deixá-lo em paz para afogar sua dor em cerveja.

Até o dia em que o arauto da cidade fez um anúncio:

"A Igreja da Luz Materna procura homens e mulheres fortes e corajosos para realizar uma incursão nas terras devastadas de Tormen! Uma recompensa de 50.000 peças de ouro será ofertada a quem for bem sucedido na missão e voltar vivo. A senhorita Esperança se dispôs a combater as trevas do norte!"

O homem falava por horas sobre a tal missão quando Dromarch saiu da taverna e vendo a comoção foi até o quadro de boletins da praça da cidade. Viu a recompensa e decidiu que era hora de fazer o que já devia ter feito a muito tempo.

Olhou para as pessoas ao redor, ninguém estava disposto a responder ao chamado. Nem a recompensa de 50.000 peças de ouro era o suficiente para fazer um homem ou uma mulher se prontificar. Com um rosnado baixo ele arrancou o papel do quadro e dirigiu-se até o arauto.

"Eu aceito o trabalho."

Era hora de cumprir sua missão ou morrer ao lado de seus irmãos. Alguns dias após, o Salamander partiria para a guerra.

Fim…