Notas da autora: Quero esclarecer que essa história foi postada nos meus perfis dos seguintes sites:
1- Anime Spirit sob o nome da Hatsue-chan.
2- Nyah! Fanfiction sob o nome de Serenity-chan.
Portanto não se trata de plágio.
Capítulo 01
Sakura havia me convidado para dormir em sua casa naquela noite. "Estou esperando por você, Tomoyo-chan." Essas foram as últimas palavras de Sakura, antes de se despedir de mim e finalizar a chamada. Antes de deixar o celular sob a mesa de centro de meu quarto, meus olhos se detiveram na última ligação que havia recebido. Um sorriso terno se formou em meus lábios e, antes que pudesse evitar, me vi sussurrando o nome de minha prima e melhor amiga. Se ao menos você soubesse… Ignorando tal pensamento - que não me levaria a lugar nenhum -, abri a porta de meu guarda-roupa, retirando dali uma pequena mala.
Como passaria apenas a noite na casa de Sakura, não seria necessário levar todas as minhas roupas. Mentalmente, fiz uma lista de tudo que iria precisar: baby doll, toalha de banho, lingeries limpas e meus objetos pessoais. Não contei com uma roupa para voltar pois poderia utilizar a que estava usando. Após verificar se não estava esquecendo nada em casa - verifiquei a mala pelo menos umas duas vezes -, pus a alça da mesma em meu ombro esquerdo, me dirigindo a sala.
Uma vez na sala, logo encontrei a minha bolsa escondida entre as almofadas do sofá. Caminhando até o sofá, inclinei levemente o tronco em direção às almofadas, retirando dali a minha bolsa. Será que minha chave está no meio desta bagunça?, perguntei-me. Era comum fazer-me essa pergunta todas as vezes que iria sair. A própria Sakura costumava dizer que havia me tornado perita em perder as chaves do apartamento. E, ao final de seus dizeres, uma risada melodiosa escapava de seus lábios. E, mesmo sem perceber, eu também estava rindo com ela. A risada de Sakura tinha este poder. O poder de me trazer felicidade, destruindo qualquer resquício de mau humor ou tristeza. Deste jeito, não vou conseguir sair. Da última vez que me lembrava, as chaves estavam ao lado do porta-retrato sob o hacker.
E, como não havia saído outra vez, as chaves só poderiam estar ali. Girei nos calcanhares, indo até o hacker. Aí estão vocês, disse recolhendo as chaves. Agora, sim, não faltava mais nada.
Aproveitando que o sinal havia fechado para mim, livrei uma das mãos do volante para que pudesse pegar o celular. Digitei a senha que me foi solicitada, procurando diretamente pelo aplicativo WhatsApp. Como não havia novas mensagens, procurei me distrair com o Facebook enquanto esperava o sinal abrir para mim. No feed de noticias, praticamente as mesmas postagens de sempre. Apesar de nada ali me interessar, gastei mais alguns minutos ali, passando o olho pelas postagens apenas para passar o tempo.
Quando me cansei de ler as postagens, sai do aplicativo. Antes de bloquear, verifiquei se não havia recebido uma nova notificação. Deixei o celular em meu colo, levantando a cabeça para o semáforo. Ainda estava vermelho. Já não deveria estar verde? Eu gastei uns bons dez ou quinze minutos no celular, tempo suficiente para o sinal abrir. Mesmo contra a minha vontade, teria de esperar um pouco mais. Automaticamente, com o pé esquerdo, pisei no pedal da embreagem e pus a primeira marcha.
Não precisei de muito para perceber o quão ansiosa estava, razão pela qual fiquei mais atenta às minhas ações. Eu, assim como a maioria, não fica feliz ao pagar uma multa por infração de trânsito. Pensando bem, não havia motivos para me sentir assim. Quando eu e Sakura conversamos mais cedo ao telefone, não notei nada estranho ou fora do comum. Devo estar vendo coisas onde não tem.
Quando estava quase perdendo as esperanças de sair dali, a cor do semáforo mudou para verde.
Já a porta da casa de Sakura, apertei a campainha. Enquanto esperava a mesma vir me atender, aproveitei para guardar as chaves do carro na bolsa. Agora, vamos achar um espaço para você, disse analisando o interior da bolsa a procura de uma repartição em que pudesse guardar a chave. Como não encontrei, joguei a chave dentro da bolsa, de qualquer jeito, fechando-a em seguida.
- Tomoyo?
Ao escutar meu nome sendo chamado, levantei a face, deparando-me com Sakura.
- Desculpe a demora, Sakura-chan.
- Não se preocupe com isso. - Disse a Kinomoto, sorrindo para mim, o que deixou em evidência suas adoráveis covinhas.
Eu adorava essas covinhas. Sempre me davam vontade de apertar as bochechas de Sakura. Contudo, tinha que controlar meus instintos, pois sabia o quanto Sakura detestava isso.
Estava prestes a dar mais um passo - afinal, não poderíamos passar o resto da noite ali -, vindo a ser surpreendida segundos depois. Sakura adiantou o passo, impedindo-me de entrar. Quando quis perguntar o que estava acontecendo, senti o dedo anelar esquerdo de Sakura descansar em meus lábios. Os olhos esmeraldas de Sakura, notei, carregavam uma mensagem. Eu não conseguia interpretar seu olhar. Não se parecia em nada com aqueles que me acostumada, doces e puros.
- Deixe-me ajuda-la com isso.
A voz de Sakura preencheu o espaço entre nós. Observei os dedos de sua mão resvalarem nas costas das minhas, com o objetivo de pegar a mala que eu carregava. Com essa simples sentença, Sakura pegou a m. Não em um movimento abrupto, porém, sutil e delicado.
Com um sorriso indecifrável, Sakura me deu as costas, caminhando para dentro de casa.
