Adaptação: The Accidental Girlfriend

Autora: EMMA HART

Adaptado Por: LEITORA COMPULSIVA

CAPÍTULO UM

BELLA

— Não me lembro de uma única vez em que não tive hemorroidas.

Eu levantei minha cabeça acima do meu celular e olhei para a minha irmã.

— Sinto muito, o que?

Ela suspirou, ajustando a camisa para não sufocar o bebê de seis semanas que estava no peito dela.

— Sinto falta de fazer cocô sem me preocupar se uma delas vai estourar. Quer dizer, não é o bastante que tenha empurrado um humano através da minha vagina? Agora tenho que viver com pequenas coisas crescendo e saindo do meu ânus?

Pisquei para ela.

— Isso é muita informação, mais do que eu precisava saber sobre sua região anal.

— Bem, mais ninguém vai me ouvir.

— Há uma razão para isso, Angela. É porque ninguém se preocupa com suas hemorroidas, exceto seu médico.— Coloquei meu telefone sobre meus joelhos. — Ninguém te obrigou a procriar. Foi inteiramente sua própria escolha.

Ela suspirou. — Eu culpo Ben.

— Seu marido não pode levar toda a culpa. Você foi a única que parou seu controle de natalidade.

— Você é minha irmãzinha. Por que não está do meu lado?

— Porque o seu lado é ridículo. — Coloquei meu telefone na mesa de café e me dirigi para a porta do meu apartamento quando a campainha tocou. — Eu não vou sentar aqui e comer pizza enquanto você discute o estado da sua bunda, então encontre outra coisa para falar! — Eu gritei de volta quando abri a porta.

O pobre cara da pizza congelou. Ele não poderia ter mais de dezessete anos, e o boné vermelho puxado sobre a testa não era suficiente para esconder tanto seu horror quanto as manchas que pontilhavam seu queixo. Olhei para as três caixas que ele tinha empilhado em sua mão e lhe ofereci um sorriso brilhante. — Quanto te devo?

— Eu, ah, ham...

— Eu trato disso! — A voz de uma das minhas melhores amigas, Victória, ecoou pelo corredor. — Cinquenta é o suficiente? — Ela falou vibrante, saltando atrás dele, seus cachos vermelhos balançando em volta de seus ombros.

— São três pizzas. Eu espero que sim, ou estamos sendo roubadas,

— Jéssica resmungou, andando atrás dela.

— Quarenta e um e noventa e oito, — o cara da pizza murmurou.

Victória acenou com duas de vinte e uma de dez para ele.

— Aqui está, querido. Fique com o troco.

Alguém recebeu o pagamento hoje.

— E eis a minha noite mensal de meninas paga, — disse ela alegremente, pegando as caixas e dançando em meu apartamento.

— E aí, Angel? Como vai o idiota?

Eu belisquei a ponta do meu nariz e suspirei.

Jéssica enfiou a mão na bolsa vermelha escarlate que combinava com os lábios e a camiseta, e tirou uma carteira. Eu escondi um sorriso quando ela tirou dez dólares e entregou para o cara da pizza,sussurrando: — Pelo seu trauma psicológico.

Trauma psicológico era muito certo.

Sabia que ele não entregaria nossa pizza

novamente tão cedo.

Ou nunca.

Não o culpava. Se pudesse sair de conversas sobre as partes corporais da minha irmã, eu faria.

Eu lideraria a marcha louca.

Desviei para a cozinha para pegar uma garrafa de vinho e três taças antes de me juntar a todas na sala de estar. Victória sentou-se ao lado de minha irmã no sofá e amarrou o cabelo em um topete desarrumado que combinava perfeitamente com a camisa que dizia 'ranço de gente' e calças de yoga.

Jéssica estava na poltrona com os pés com meias enfiados debaixo da bunda, o cabelo loiro pendurado em uma trança grossa sobre um ombro. Isso me deixou o enorme pufe, mas tudo bem pra mim.O pufe estava mais perto da pizza. Eu caí no enorme assento macio com as taças tilintando na minha mão.

— Ah, desculpe-me? — Angela olhou para as taças enquanto eu as colocava uma a uma na mesa de café. Ela afastou seu peito enquanto eu atendi a porta e Bree estava dormindo em seu carrinho.

A qual olhei antes de responder a ela. — Você está amamentando.

— E? Eu posso tomar uma taça de vinho. Além disso, essas coisas são como uma fazenda de gado. — Ela segurou seus seios.

— Há leite em todos os lugares, inclusive no seu freezer.

Eu parei. — Não tenho certeza de como me sinto sobre ter seu leite materno no meu freezer.

— É para quando você for a babá.

— Não me lembro de concordar com isso. Não que eu não ame Bree, mas adoro dormir mais.

Ela bufou quando se inclinou para a frente e tirou a rolha do vinho, servindo meia taça para si mesma.

— Não fale comigo sobre dormir.

Victória olhou entre nós. — Vou pegar outra taça então, devo?

Eu balancei a cabeça com um sorriso sombrio. Se Angela quisesse uma taça de vinho, teria uma. Ela tinha sido privada por meses... se você perguntasse a ela, e como irmã mais nova, nunca perguntei.

— Então, — disse Jéssica, inclinando-se para colocar as caixas de pizza. — O que há de novo desde a semana passada?

O rico aroma de queijo derretido encheu o ar, e Victória chegou com os pratos de papel e uma taça de vinho com um floreio.

Excelente. Não há pratos.

Eu estava ganhando como adulta esta semana.

Claro, minha irmã estava mantendo um pequeno humano vivo, mas eu estava minimizando meus pratos um por um. Quem estava realmente se dando bem?

— Bem, meu encontro ontem à noite foi uma droga, — disse Victória, colocando uma fatia de pizza de abacaxi com presunto em seu prato de papel. — Ele me enganou totalmente. Estava facilmente chegando aos cinquenta, e não tinha o corpo que seu perfil no Tinder disse que tinha.

— Eu te disse para largar esse aplicativo, — murmurei com a boca cheia de pepperoni e queijo.

— É o pior. Jéssica assentiu em solidariedade. — Eu nunca estive mais feliz desde que deletei do meu telefone.

— Sim, bem, eu gosto disso. — Victória fez uma pausa. — A maior parte do tempo.

— É meio a meio, — disse Angela. — A irmã de Ben tem usado desde a separação. Eu a ajudei a olhar alguns caras e uaau, alguns são uma surpresa, mas o resto deles...

— Eles devem ser sacrificados, — Jéssica terminou. — Ou são casados, ou enganadores, ou sua aparência é mais bonita do que suas personalidades.

— Vou beber a isso! — Eu levantei minha taça de vinho, e todas nós brindamos. — Tudo bem, então o encontro de Vic foi um fracasso, Angel visitou seu médico para reclamar sobre coisas que ela decidiu sujeitar seu corpo... Jesse?

Ela mastigou, olhando para o alto pensativamente. — Eu acho que vou adotar um gato.

— Mesmo? Você sabe que eles são idiotas, não é? — Como se ele tivesse sido chamado, meu gato cinza e branco, Mister Darcy, entrou na sala. Ele estudou todas nós com olhos castanhos escuros antes de parar no carrinho de bebê de Bree e farejar por um momento. Aparentemente não impressionado, como era seu humor padrão, ele trotou para nós e nos olhou.

Então pulou no sofá e se jogou em cima da cabeça de Angel.

Eu mordi o interior da minha bochecha. Juro que não estava rindo. Ok, talvez tenha rido um pouco. Ela estava sentada lá com uma fatia de pizza pendurada na boca e meu gato na cabeça. Ela parecia

totalmente ridícula, especialmente quando Mister Darcy sacudiu a cauda para acariciar sua bochecha.

— Bella, — ela disse lentamente. — Seu gato está sentado na minha cabeça.

Honestamente, não havia como responder a isso, havia? Exceto que deveria ter havido, porque Mister Darcy tinha problemas. Mister Darcy gostava de se sentar na cabeça das pessoas. Ele sempre fez, desde que o trouxe para casa do abrigo quando tinha nove meses de idade. Era bonitinho no começo, mas agora ele, bem. Ele não era mais exatamente um gatinho pequeno e fofo. Na verdade, ele provavelmente precisava fazer uma dieta.Não era tão confortável quando um gato gordo se sentava em sua cabeça.

Com um suspiro, levantei e fui até ela. Mister Darcy miou seu descontentamento quando o tirei da cabeça da minha irmã e o depositei no corredor ao lado de sua torre arranhada.

— Nós conversamos sobre isso, — eu disse a ele. — Se você tem que sentar na cabeça das pessoas, pelo menos, tenha maneiras suficientes para esperar até que eles terminem de comer. Ele choramingou, virando-se e me mostrando sua bunda.Um menino tão educado. Revirando os olhos, deixei-o de mau humor e provavelmente fazendo xixi em um dos meus sapatos. — Pronto. Ele nos deixará em paz agora.

— Até que ele queira uma das nossas cabeças mais tarde, — Vic apontou. — De volta à conversa. Recapitulando: Angel foi ao médico, fui enganada e Jesse quer adotar um gato que não se sente na cabeça das pessoas. O que há com você, Bella? Por favor, tenha algo suculento. Quanto mais velhas ficamos, menos loucas estão as nossas noites de garotas.

— Da última vez que saímos, você foi a única

que se cansou às nove e meia e queria ir para a cama, — lembrei a ela.

Ela gemeu, pegando seu vinho.

— Os sapatos, menina. São tão altos, e há limite de vezes que posso ser pervertida por crianças.

— Essas crianças são apenas quatro anos mais novas que você, isto seria facilmente resolvido usando um anel de noivado falso, fingindo ser lésbica, ou simplesmente vestindo uma camisa que cubra seus seios, — assinalou Angel.

— Ela tem razão, — disse Jesse com a boca cheia de comida. — Use uma blusa e tênis. Problema resolvido.

— Quando isso se tornou uma festa para envergonhar a Victória? — Ela fungou e se recostou com duas fatias de pizza no prato. — E Bella ainda não nos contou o que há de novo com ela.

Três pares de olhos se voltaram para mim, mas apenas minha irmã estava sorrindo.

Porque ela sabia.

Nada.

Havia um grande e gordo nada de novo comigo.

— Um... — Eu peguei outra fatia de pizza antes de colocar meu prato no chão na minha frente. — Procurei novas cortinas para o meu quarto?

— Bella, — Jesse gemeu. — Como isso é excitante?

— Como que pensar em adotar um gato é excitante? Eu fiz isso. Olhe para onde isso me levou.

Angel puxou um fio de cabelo da boca dela. — Ela não está errada.

Vic se inclinou para frente, empurrando um cacho solto atrás da orelha. — Cortinas, vovó? Mesmo? Você trabalha em um bar. Você está me dizendo que ninguém pediu o seu número? Ninguém te olhou? Ninguém queria te dobrar e...

Bree a interrompeu com uma fungada.

Nós todas congelamos. Não acho que nenhuma de nós respirou por uns bons noventa segundos, até que minha sobrinha encheu a sala com sons de sucção quando ela fez um bom trabalho com sua chupeta.

— Fazer coisas obscenas?

— Vic terminou em um sussurro.

Eu olhei fixamente para ela e tomei meu vinho. — A única pessoa que deu em cima de mim esta semana foi o Mr. Molina, e isso é porque ele está tentando tirar uma cerveja grátis de mim.

— Funcionou? — Angel perguntou brilhantemente.

— Não! Ele tem oitenta e cinco!

— E prova que beber todos os dias é bom para você. Saúde! — Jesse levantou a taça e rapidamente a terminou.

Enchi ambas as taças e fui para a cozinha pegar a segunda garrafa. — Olha, — eu disse quando retomei minha posição no pufe, destampando a garrafa para terminar de servir minha taça. — Leah saiu na semana passada, e estou pegando seus turnos. Os únicos encontros quentes que estou tendo são com Tyler Crowley, o motorista de entregas, e ele é tão atraente quanto um porco na merda.

— Ei, algumas pessoas gostam de porcos, — disse Angel. Com molho de pizza espalhado por todo o queixo. Presumivelmente provando seu próprio argumento.

Vic passou-lhe um guardanapo e bateu no próprio queixo.

— Além disso, não preciso namorar. Estou feliz com a minha vida como é, — continuei recostando-me no pufe. — Não tenho tempo para namorar. Já é ruim o suficiente com um gato precisando da minha atenção, imagine um homem querendo que eu o ame.

Jesse levantou a taça. — Eu ouvi isso.

— Falem por vocês, — acrescentou Angel. — Eu tenho dois humanos que precisam de mim. Adoraria ser solteira.

Vic a olhou de lado enquanto servia sua segunda taça. — Não, você não gostaria. Se fosse solteira, teria que correr até a loja e comprar seus próprios bolinhos recheados.

Angel suspirou. — Você sabe quanto tempo demora para eu sair pela porta hoje em dia? Ir ao Target requer embalar para uma mini viagem ou mais, e eu ainda vou esquecer alguma coisa.

— Ah, — eu disse. — Mas você decidiu dar à luz um bebê chorão. Você não pode se queixar de precisar de uma mala de duzentos dólares quando pretendia gastar vinte.

— Ok, literalmente todo mundo pode reclamar sobre isso, — disse Jesse, balançando a taça entre os dedos. —Target é um poço de tentação.

— Como Tinder! — Vic estalou os dedos. — Um poço de tentação e mentiras.

Eu pisquei para minhas melhores amigas. Isso piorara rapidamente. Quero dizer, ela não estava errada.

Tinder me contou que o rapaz de vinte e oito anos de idade tinha músculos sobre os músculos e um ótimo trabalho, mas na verdade tinha cinquenta e dois anos com uma barriga de cerveja e era lixeiro.

A Target me disse que eu só precisava de um bloco de post-it e Cheetos, mas saí com o bloco de post-it, Cheetos, meias, três blusas, dois sacos de beijos da Hershey, sabonete, panos de prato e limpador de banheiro. Mais um pacote de vinte e oito rolos de papel higiênico e oitenta e nove absorventes.

Angel estalou os dedos. — Já sei. Devemos conseguir um encontro para Bella.

— Sim! — Vic deu um soco no ar. — Vamos conseguir um encontro para Bella!

— Não vamos, — eu disse rapidamente. — Bella está bem. Bella não precisa de um encontro. Bella tem um vibrador.

Jesse sorriu. — Quando você usa um vibrador como desculpa, precisa de um encontro.

— Pelo contrário, — respondi. — Um vibrador é a desculpa perfeita para não namorar. Não discute comigo. Não espera nada de mim. Não tem roupa suja. Não fala comigo durante meus programas de TV favoritos. E, quando terminar, posso colocá-lo em uma gaveta até precisar novamente. Você sabe o que acontece se prender um homem em uma gaveta? Você é colocada na prisão. Então, até que os vibradores se levantem e comecem a marchar pelos direitos dos brinquedos sexuais enquanto usam camisetas com slogans, eu estou bem.

— Por que os vibradores começariam a marchar pelos direitos dos brinquedos sexuais? — Perguntou Vic. — Eles não têm pernas. Não podem marchar.

— Ligue-os e eles podem se mover. — Jesse assentiu.

— Eles podem zumbir adiante.

— Ainda preferível aos homens, — disse Angel.

— Eles não vão discutir, mesmo quando estão marchando. Sem mencionar que demorariam um pouco para chegar onde precisavam ir. Homens? Não. Eles gozam como Usain Bolt pensando num recorde mundial. Isso estava indo morro abaixo. Rápido.

— Olha, o ponto é que ninguém precisa organizar um protesto para que brinquedos sexuais tenham direitos. — Eu levantei minhas mãos. —Estou bem com sweet vibration. Sweet vibration é bom comigo. Nós dois estamossatisfeitos. Não preciso de nenhuma de vocês para me arrumar um encontro.